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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR


PROFESSOR FRANCISCO FILIPAK

TROVA EM HOMENAGEM
A CLÉRIO JOSÉ BORGES

Entre os vultos de Vitória,
sem medo de despautério,
quem terá lugar na história
é o amigo poeta Clério.

TROVA de autoria do Prof. Francisco Filipack, (foto), da Cidade de Curitiba, Paraná, que infelizmente faleceu em 26/03/2010. O professor Filipak era assíduo frequentador dos Seminários e dos Congressos dos Poetas Trovadores, no Espírito Santo, onde proferia Palestras sobre "Teoria da Metáfora". Era filho de Antônio Filipak e Maria Filipak. Membro da Academia Paranaense de Letras. Deixou viúva Maria da Luz Clotilde Cunha Filipak.


Francisco Filipak (Nascido em Araucária, no dia 7 de agosto de 1924 - Falecido em Curitiba, no dia 26 de março de 2010). Foi um Escritor, Linguista e Professor brasileiro. Membro efetivo da Academia Paranaense de Letras.

Filho de Antônio e Maria Filipak, nasceu em Araucária, Paraná, a 7 de agosto de 1924. Foi casado com Maria da Luz Clotilde Cunha Filipak.

Formou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Mestre em Letras pela mesma Universidade; em Filosofia pela Unisinos de São Leopoldo, RS; especialização em Língua e Cultura pela Universidade Federal do Paraná, em convênio com a Universidade Jaguelônica de Cracóvia, Polônia, concluído em 1997. Foi professor de Português, concursado no magistério público do Paraná; de Teoria da Literatura na Fundação Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória/ PR, na Faculdade de Educação, Ciências e Letras de PR e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Tuiuti, em Curitiba. Professor de Técnica de Comunicação na Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administração “Professor De Plácido e Silva”, em Curitiba. Professor de Língua e Literatura Latinas nos cursos de Letras das Faculdades Tuiuti em Irati/ PR. Diretor da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória/ PR, no quadriênio de 1968-1972.

Como pesquisador, escreveu importantes obras, destaca-se algumas de suas escrituras:

Teoria da Metáfora (Dissertação de Mestrado);

Fundamentos da Linguagem;

Antologia do Vale do Iguaçu em co-autoria com Nelson Sicuro;

Poetas do Brasil, organização de Aparício Fernandes, publicados em 1975 e 1976;

Glossário do Vale do Iguaçu, Editora: União da Vitória, 1976;

Vocabulário Regional de Ibiraçu, ES;

Centenário do Brasil da Família Filipak;

Curitiba e suas Variantes Toponímicas;

Dicionário Regional do Espírito Santo;

Dicionário Sociolingüístico Paranaense, Curitiba, Imprensa Oficial, 2002;

Literatura Polono-Brasileira (Monografia do Curso de Especialização em Língua e Cultura Polonesas);

Helianto Outonal, poemas, Editora: União da Vitória, 1976;

Calendário Cívico Religioso Nacional, Estadual e Municipal, PR;

Curitiba e suas variantes toponímicas coré-curé-curiy: Ensaio Histórico-Linguïstico;

Tropeirismo - Platino-Peruano & Platino-Brasileiro, Curitiba, Juruá Editora, 2008.


O Escritor ocupava na Academia Paranaense de Letras a Cadeira Nº 39, Patrono Aristides de Paula França. Fazia parte do Instituto Histórico e Geográfico o Paraná, Centro de Letras do Paraná, cademia de Letras José de Alencar, Círculo de Estudos Bandeirantes, União Brasileira dos Trovadores e do Clube dos Trovadores Capixabas, Espírito Santo, Centro Cultural Professor S. Michaelle de Ponta Grossa, Paraná. Como Acadêmico da Academia Paranaense de Letras colaborou nas fundações de Academias Literárias no Paraná. Em Palmas, orientou a elaboração do Estatuto, a organização da documentação para a fundação da Academia Palmense de Letras, de Palmas, Paraná, da qual é Membro Benemérito. Manteve contato com vários membros fundadores da Academia Palmense de Letras, enviando poesias, mensagens, correspondência e livros. Relançou em Palmas o seu livro Curitiba e suas variantes toponímicas coré-curé-curiy: Ensaio Histórico-Linguïstico, com o apoio do Curso de Letras e da Academia Palmense de Letras.

Em 26 de março de 2010) faleceu Francisco Filipak, aos 85 anos de idade em Curitiba.



Francisco Filipak e o Dicionário Sociolingüístico Paranaense

A sabedoria e a humildade são virtudes que poucos possuem. Essas qualidades são encontradas em Francisco Filipak, que nasceu em Araucária em 7 de agosto de 1924. Graduou-se em Letras e fez o mestrado em Teoria Literária pela PUC - Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É membro da Academia Paranaense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

Qual é o motivo de apresentar Francisco Filipak como sábio e humilde? Sábio, não só por ter lido muito, por ter domínio de várias línguas, por ter publicado 11 livros, mas também por estar aberto às linguagens populares e, em conseqüência, por estar em sintonia com os saberes que fazem parte do cotidiano das pessoas. Portanto, humilde por interagir com o popular.

Sua obra Dicionário Sociolinguístico Paranaense (Coleção Brasil Diferente e Coleção Estante Paranista, n.º 44), lançado em 17 de dezembro de 2002, em Curitiba, comprova essas afirmações, uma vez que resgata os falares que constituem as raízes dos sujeitos sociais do Estado do Paraná. Chuncho, enrabar, titica, vivaldino são exemplos.

Em entrevista, Filipak relatou:

Jorge - Como surgiu a idéia do dicionário?

Filipak - Como professor na área de Letras, lecionei preferencialmente a disciplina de Lingüística e dentro dessa disciplina havia um capítulo denominado Dialetologia (analisa as linguagens, os falares locais e regionais). O aluno, para merecer nota nessa disciplina, apresentava uma pesquisa que consistia numa garimpagem de palavras locais ou regionais, dando os significantes e os seus significados. Como minha tarefa de professor restringia-se ao sul do Paraná, isto é, à Faculdade de Letras Tuiuti, hoje Universidade Tuiuti do Paraná, à Faculdade de Letras de Irati e à Faculdade de Letras de União da Vitória, na região do Vale do Iguaçu, o meu trabalho foi percorrer as outras faculdades de Letras do Paraná. Dessa forma, com o concurso dos professores de Lingüística e com a colaboração dos alunos organizamos a pesquisa dialetológica em Paranaguá, Ponta Grossa, Jacarezinho, Cornélio Procópio, Londrina, Maringá, Paranavaí, Umuarama, Cascavel, Toledo e Palmas. Assim, ano por ano surgiram novas pesquisas de alunos que foram aproveitadas como fonte primária na organização desse primeiro dicionário paranaense.

Jorge - E essas cidades abrangem todo o Estado e todos os falares paranaenses?

Filipak - Sim. No prefácio do dicionário foi explicado que existem três Paranás: o Paraná 1, Paraná tradicional, do Sul (região dos pinheirais e dos ervais), o Paraná do pinhão e do chimarrão; o Paraná 2, considerado o Paraná do café, abrangendo o norte pioneiro, o norte novo e o novíssimo; o Paraná 3, que abrange o Sudoeste e o Oeste paranaenses envolvendo os eixos Palmas-Francisco Beltrão, Cascavel-Foz do Iguaçu e Cascavel-Cândido Rondon. O sudoeste e o oeste paranaenses foram povoados etnicamente pelos ítalo-teuto-gaúchos, que legaram ao Paraná falares gauchescos. Os falares do Paraná tradicional receberam acentuada influência lingüística do tropeirismo. O Norte do Paraná sofreu influência lingüística dos falares mineiros, ítalo-paulistas, nordestinos, e sul-paranaenses.

Jorge - Existe outro dicionário em andamento?

Filipak - Exatamente. O dicionário do Espírito Santo já está na última revisão. A sistemática da pesquisa foi a mesma, visitando as faculdades de Letras das cidades de Vitória, Alegre, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Linhares. Fora das faculdades de Letras pesquisei todo o litoral capixaba. Nas praias dos maratimbas, estudei os falares dos pescadores e com eles consegui o levantamento do rico vocabulário do Espírito Santo. Outrossim, colegas trovadores capixabas me forneceram vocabulários regionais enriquecendo o dicionário capixaba que em breve será publicado.

Jorge - Existem semelhanças entre os linguajares paranaenses e capixabas?

Filipak - A diferença é muito grande porque as influências nossas são umas e as do Espírito Santo são outras. A linguagem capixaba tem menor influência européia do que a nossa. No Paraná, ocorre a influência interlingüística (ucraína, polonesa, italiana, alemã, holandesa, japonesa), ou seja, de várias línguas. Já os falares capixabas têm apenas a influência das etnias alemã, italiana e polonesa.

Considerações - O trabalho de Francisco Filipak identifica-se com o atual conceito de fazer história porque tem afinidade com as culturas populares. "A chamada nova história cultural não recusa de modo algum as expressões culturais das elites ou classes "letradas", mas revela especial apreço, tal como a história das mentalidades, pelas manifestações das massas anônimas: as festas, as resistências, as crenças heterodoxas. (...) A nova história cultural revela especial afeição pelo informal e, sobretudo, pelo popular. (...) É uma história plural, apresentando caminhos alternativos para a investigação histórica". (Lynn Hunt, A nova história cultural, 1992).

Entrevista a Jorge Antônio de Queiroz e Silva Historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

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