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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

REVOLT A       DO     QU EI MA DO


Vila de SÃO JOSÉ DO QUEIMADO, Serra, ES, Brasil

VILA DO QUEIMADO - Foto publicada na Revista NU, março de 2009, página 22, em reportagem com a Sra. Ormi Rodrigues que nasceu em 1918, na Freguesia do Queimado onde morou até 1970, quando se mudou para a Serra Sede. No alto, a 100 metros de altura do nível do mar, a Igreja de São José, palco dos acontecimentos que resultaram na Revolta (Insurreição) dos Negros Escravos do Distrito do Queimado em 1849. A foto é de 1875.

HERÓIS DA REVOLTA DO QUEIMADO



IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO

1849 NEGROS EM BUSCA DE LIBERDADE

Queimado é um Distrito da Serra, Espírito Santo, Brasil e no dia 19/03/1849, foi palco de uma Insurreição de negros escravos.

A antiga freguesia de São José do Queimado, que pertencia a Comarca de Vitória conforme cópia de uma Certidão de 1982 ao lado, está hoje incorporada ao município da Serra, na Grande Vitória, ES.


A REVOLTA, INSURREIÇÃO DO QUEIMADO Negros em busca de liberdade
Texto do Livro História da Serra, de Clério José Borges

HERÓIS DA LIBERDADE 

São participantes da Insurreição de Queimado, os seguintes Negros, verdadeiros heróis em busca de liberdade:

 

A INTELIGÊNCIA DE ELISIÁRIO

 

Elisiário Rangel foi o Chefe do Motim, um dos líderes da Insurreição. Escravo de Faustino Antônio Alvarenga Rangel. Destacava-se pela inteligência, já que Faustino Rangel lhe proporcionara a oportunidade de ler e aprender ofício de Carpinteiro. Estava sempre reunido com o Frei Gregório Maria Bene e dele recebia ensinamentos religiosos e ideais de liberdade, já que o Frei, Italiano de nascimento, era contra a escravidão.

Foi preso. Na cadeia liderava os negros, para que não se abatessem e rezassem sempre. Misteriosamente fugiu da cadeia de Vitória. Tornou-se uma lenda, pois, mesmo perseguido pelas autoridades policiais, não foi mais encontrado, passando a ser um herói entre os negros que almejavam a liberdade. A sua fuga foi cantada em prosa e versos como um "milagre de Nossa Senhora da Penha", já que não houve vestígios de arrombamento na porta da prisão e o carcereiro, ao ser preso após a fuga, admitira que fora tomado de "um sono profundo."

Segundo a escritora Maria Stella de Novaes, Elisiário "morreu isolado nas matas" e, segundo outros historiadores:

"Morreu feliz nas graças da Virgem Nossa Senhora da Penha, com um agrupamento de negros fugitivos, nas matas do Mestre Álvaro  e do Morro do Mochuara."

Pesquisas revelam que Elisiário e um grupo de negros fugitivos seguiram para uma região após o Morro do Mochuara, em Cariacica, formando o povoado denominado de Piranema.

 

A FÔRÇA DE CHICO PREGO

 

     Chico Prego, herói da Revolta dos Negros Escravos do Queimado. Foto de Clério José Borges e Tomaz dos Santos Silva. IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO Francisco de São José, o Chico Prego. Escravo de Ana Maria de São José. Era um dos Chefe da Insurreição.

O Chico vem de Francisco e a palavra Prego tinha sentido pejorativo pois se referia a uma espécie de macaco da região do Amazonas.

Enquanto Elisiário destacava-se pela inteligência, Chico Prego, negro alto e forte, liderava pelo seu espírito de luta, por sua coragem. Foi preso e condenado à morte na forca.

Preso, Chico Prego foi levado para a Serra, viajando a pé, as seis léguas. Na Serra assistiu a construção do patíbulo. Na data e hora marcada, percorreu as principais ruas da Serra ao som de um tambor surdo e sinos da Igreja. O cortejo parava de momentos em momentos para que fosse lida a sentença. Defronte à forca, recebe a última unção religiosa. De mãos atadas sobe as escadas do patíbulo. O carrasco Ananias passa-lhe a corda em redor do pescoço e impele o negro para o espaço, fazendo pressão sobre os ombros para maior pressão da corda. Cinco minutos depois a corda é cortada. O corpo cai no chão e o negro ainda agoniza. O carrasco Ananias com um pedaço de pau, esmaga-lhe o crânio, os braços e as pernas.

O relato com detalhes da morte de Chico Prego, Herói da Liberdade na Serra, encontra-se na obra "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", de Wilson Lopes de Resende, do Colégio Estadual "Muniz Freire", tese aprovada no IV Congresso de História Nacional. O livro é das Edições Itabira, Cachoeiro de Itapemirim, 1949, página 15 e 16.

Chico Prego foi executado na sede da Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra, no dia 11 de janeiro de 1850, "nas proximidades da Igreja, para servir de exemplo."

Sobre o local exato onde Chico Prego foi enforcado na Sede do Município, historiadores informam ter sido a pracinha, onde hoje, em 1997, está construída a Praça Ponto de Encontro.

 

PROJETO CHICO PREGO

 

Em recente reunião da Câmara Municipal da Serra realizada em 1996, foi aprovado o Projeto Cultural "Chico Prego".

O Projeto de Lei recebeu o N.º 028/95 e foi apresentado pela primeira vez na Câmara Municipal da Serra, por seu autor, Vereador Edvaldo C. Dias da Mata, no dia 11 de maio de 1995. O Projeto consiste na concessão de incentivo fiscal para a realização de Projetos Culturais nas áreas de Música, Dança, Teatro, Literatura, Cinema, Vídeo, Artes Plásticas, Folclore, Ciências Sociais, Museus e Associações Culturais, etc., sendo beneficiada pessoa física ou jurídica domiciliada no Município, no mínimo há dois anos.

Justificando o nome de Chico Prego dado ao Projeto, o então Vereador Edvaldo relata:

"... Daí nossa homenagem a "Chico Prego" - escravo refugiado do Quilombo de Queimado que na luta pela liberdade, desafiou a Igreja e os patrões quando exigiu o cumprimento da proposta de que ao final da construção da Igreja de São José do Queimado receberia a alforria - a proposta não foi cumprida, o que ocasionou uma rebelião iniciada na Serra e que culminou na prisão e morte de vários líderes, entre eles, "Chico Prego", que foi enforcado onde hoje está construída a Praça Ponto de Encontro, na sede do Município. Por esse exemplo de coragem e de luta, bem como pelo resgate da memória cultural e histórica do Município é que nosso projeto reconhece os escravos e especialmente "Chico Prego" como precursores da Cultura Serrana."

 

JOÃO DA VIÚVA

 

João Monteiro, o João da Viúva. Escravo de Maria da Penha de Jesus, a viúva Monteiro. Foi também um dos líderes da Insurreição e condenado à pena de morte.

Consta que no Julgamento disse ser inocente, e que o culpado era o frei Gregório de Bene, que prometera liderar o movimento de liberdade e no momento mais importante, escondera-se dos negros.

Suas declarações são relatadas por carta pelo cônego Francisco Antunes Siqueira, advogado nos autos do processo, ao Presidente da Província, Felipe José Pereira Leal, em 10 de janeiro de 1850.

O escravo João da Viúva foi executado em Queimado, na forca, às 6 horas da manhã, do dia 8 de janeiro de 1850, três dias antes da execução de Chico Prego na sede da Vila da Serra.

 

OUTROS REVOLTOSOS

 

Carlos, escravo do padre Dr. João Clímaco de Alvarenga Rangel. Foi preso e condenado a morte. Fugiu da prisão, junto com Elisiário, não sendo mais recapturado.

Cândido, escravo do Capitão José Monteiro Rodrigues Velho. Preso.

João, escravo do Capitão José Monteiro Rodrigues Velho. Preso e açoitado.

Segundo o pesquisador Djailson Martins Rocha, informa que José Monteiro Rodrigues Velho era conhecido como Capitão Velho e foi eleito Juiz de Paz na Serra em 1º de fevereiro de 1849.

Cipriano, escravo de Joaquim José dos Santos. Foi executado, de "forma selvagem" na hora da prisão.

Venceslau. Negro que veio do sertão de Mangaraí. Preso.

Benedito, escravo de José Roriz de Freitas. Preso.

Joaquim, escravo de José Roriz de Freitas. Preso.

José Roriz de Freitas era parente de Francisco Roriz, que foi vítima de um disparo de 17 caroços de chumbo, desferido por um dos Negros revoltosos, comprovando-se a tese de que houve realmente uma Insurreição, uma revolta com tiros desferidos também pelos negros, havendo excessos de ambas as partes. Os negros alegando que se defendiam e as Forças Policiais legalistas alegando estarem cumprindo um dever cívico.

Sebastião, escravo de Faustino Antônio de Alvarenga. Foi preso, e seu corpo misteriosamente apareceu boiando nos fundos da casa de Domingos José de Freitas, em Vitória.

Segundo as autoridades o escravo fugiu, lançando-se ao mar e morreu afogado.

João, o pequeno. escravo de Rangel e Silva. Foi um dos líderes da Insurreição e por isto condenado à forca.

Com Elisiário e Carlos, escravo de João Clímaco, conseguiram fugir da prisão, não constando ter sido mais encontrado.

Consta que Elisiário, Carlos e João, o pequeno formaram com outros escravos fugitivos, um núcleo de Negros que conseguia driblar as incursões dos batedores do mato que caçavam negros fugitivos. Invocando sempre a proteção divina de Nossa Senhora da Penha tais negros nunca eram localizados.

João Francisco, velho escravo do padre João Clímaco. Com a Insurreição resolvera sair andando sem destino "sonhando com a liberdade." Não estava entre os revoltosos. Foi morto ao ser encontrado por Policiais, no rio (Córrego) Aroaba, comprovando-se a tese de que os Policiais na perseguição aos revoltosos, começaram a atirar em todos os negros que surgissem, tivessem eles na Insurreição ou não.

Eduardo Pinto de Vasconcelos. Escravo que recebera nome de família do seu Senhor. Foi condenado às Galés Perpétuas com trabalhos forçados, já que lhe fora atribuída, sem provas, a autoria dos tiros que atingiram alguns Policiais. Conseguiu fugir da prisão com Elisiário, João, o pequeno e Carlos. Não consta ter sido recapturado.

Manoel Matos. Escravo acusado, de disparar e ferir o Comandante Varela, no lugar conhecido por Ladeira de João dos Santos. Foi condenado às Gales Perpétuas com trabalho forçado. Conseguiu fugir da prisão com Elisiário, João, Carlos e Eduardo. Não consta ter sido recapturado.

O pesquisador Fábio Xavier, de Arapoti, Paraná, informa que um dos proprietários de escravos no Queimado era José Rodrigues Lima, que tinha o apelido de Cajuza.

 

EXPULSÃO DO PADRE

 

O advogado dos escravos revoltosos foi o padre João Clímaco de Alvarenga Rangel, que infelizmente nada pôde fazer para inocentar os escravos. O padre Clímaco, que possuía propriedade na Serra, teve alguns de seus escravos participando da rebelião, mesmo assim julgou justo defendê-los.

O frei Gregório Maria de Bene foi considerado o grande responsável pela Insurreição ocorrida, e, em documento datado de 26 de setembro de 1849, o Presidente da Província, Felipe José Pereira Leal, escreve que Frei Gregório é: "O único capaz de receber a imputação do crime. (...) Amanhã regressam no vapor Guapiaçu o Frei Gregório Maria Bene e Frei Ubaldo de Civitella de Trento."

 

JURAMENTO DO FREI GREGÓRIO

 

O Jornal  “Correio da Victória”, publicado em Vitória em 1849 publica o juramento do “Padre Frei Gregório José Maria de Bene, no dia 25 de março de 1849, diante de Jesus Sacramentado depois da elevação da Sagrada hóstia”:

“Eu, Frei Gregório, indigníssimo ministro da cruz juro diante deste verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e clamo ele em testemunha de minha inocência no grande e malicioso aleive que os negros cativos levantaram-me no Queimado e na cidade de Victória diante das autoridades. Juro, repito de novo, que não fui causa e nem aconselhei a eles o motim, que fizeram no dia de São José, 19 do corrente.”

O sacristão da Igreja do Queimado no dia da Insurreição era José Pinto Lima.

 

ORIGEM DO FREI GREGÓRIO

 

Na carta informa que a presença do frei Gregório, tinha sido nociva no Espírito Santo. Após a Insurreição, outras queixas surgiram contra o padre, levando o Presidente da Província a "mandá-lo embora."

Os ideais de liberdade pregados pelo frei não foram bem recebidos pelos exploradores da mão de obra escrava, que aproveitaram para reunir todas queixas possíveis contra o mesmo, com a finalidade de "expulsá-lo do Espírito Santo."

Frei Gregório acabou indo para a região do Amazonas, onde de 1850 a 1854, evangelizou em vários núcleos urbanos e Vilas.

Em 1854 deixou os serviços missionários e passou a morar em Manaus, conforme o historiador Artur César Ferreira Reis em pesquisa para o escritor José Teixeira de Oliveira.

Pela Internet e através de e-mail (Correio eletrônico), o Escritor Alessandro Dell’ Aira assim relata:

“Sou italiano e Diretor de Escola e tenho 65 anos. Parabéns pelo seu livro sobre a “História da Serra”, cuja versão li na Internet. Nasci em Palermo e vivo na cidade de Trento. Não sei  de onde era o padre Gregório. Do se apelido “Bene” não consigo localizar a procedência geográfica, de qualquer forma a hipótese inicial é que fosse ele também, como o Padre Ubaldo, natural de Civitella del Trento, pequena cidade do centro da Itália. (...) Fico convencido de que  a vossa festa com a participação das bandas de Congo é muito mais antiga do que se pensa, pois encontrei informações destas festas feitas por africanos em Coimbra, Portugal, em 1625, na ocasião das festas públicas (duas semanas) para a canonização da rainha Santa Isabel, mulher do rei Dom Dinis.”

Na Internet, o escritor Alessandro Dell’Aira apresenta um estudo sobre “O Santo Preto e o Rosário” e outras informações sobre São Benedito, nave Palermo e Bandas de Congo em livro publicado na Itália, em dezembro de 1999, com o título, “La rotta di San Benedetto il Moro, da San Fratello a Bahia”, edição Magazzini di Arsenale. O Escritor Alessandro Dell’Aira, com base no livro “História da Serra”, divulga a Insurreição do Queimado e Festa de São Benedito da Serra, no Espírito Santo, nas páginas 44 a 50.

 

RIQUEZAS CULTURAIS

 

O Jornal "Correio Popular" da cidade de Cariacica - ES, de 29 de março a 4 de abril de 1991, na página 7, publica a seguinte matéria da Prefeitura Municipal da Serra:

"SERRA - Raízes e Riquezas Culturais - QUEIMADOS.

A Insurreição de Queimados foi uma rebelião escrava ocorrida em São José de Queimados, em 1894.

Frei Gregório de Bene, Italiano, era encarregado da instrução da população local. Em seus sermões, condenava a escravidão e o tratamento desumano recebido pelos escravos. Entre suas missões, havia a construção de uma Igreja na região, só que lhe faltavam recursos.

Assumiu, junto aos escravos, os compromissos de libertá-los das mãos de seus senhores no dia da inauguração da Igreja, mas, para inaugurá-la, precisava da ajuda dos escravos. Os negros trabalharam em horas de folga e durante a madrugada.

Na inauguração, porém, a promessa não foi cumprida, causando a revolta dos escravos. Os rebeldes se refugiaram no mato, sendo alguns capturados e outros desaparecidos, supostamente mortos de fome. Era o fim da Insurreição de Queimados. Ajude preservar nossa história."

O texto apresenta os seguintes erros:

a) O ano está errado. Não é 1894. O ano é 1849.

b) A palavra não é QUEIMADOS e sim QUEIMADO sem a letra "S". O mesmo texto errado foi publicado em outros jornais.

 

ESCRAVOS DA LAMPADOSA

 

O Guia de Informações Turísticas publicado em 1983, cujo título é "Venha Conhecer as belezas entre as Montanhas e o mar - Serra - Espírito Santo - BR", na parte relativa aos "Atrativos Culturais", diz o seguinte:

"Igreja dos Escravos da Lampadosa - Ruínas localizadas no distrito de Queimados. Região onde viveram os escravos vindos da África. Palco de acontecimentos dramáticos em março de 1849 - A Insurreição de Queimados.

Recomenda-se a visitação, por ter sido monumento construído com o emprego de mão-de-obra escrava e por se tratar de ruínas de um templo construído após os primeiros anos da Colonização do Solo Espirito-Santense."

No texto destaca-se:

a) Escravos da Lampadosa - Esta expressão refere-se a Igreja construída com trabalho escravo.

b) A palavra Queimado está erradamente escrita com a letra "S" no final.

c) O Templo não foi construído nos primeiros anos da Colonização do Solo Espirito-Santense e sim em 1849, ou seja há 314 anos após a colonização do Solo Espírito-Santense, que foi a 23 de maio de 1535.

 

MONITORANDO A LEITURA

 

REFLEXÃO

 

Elisiário, negro inteligente, pois recebera educação esmerada de seu senhor, foi com Chico Prego, um dos líderes da Insurreição ocorrida no Distrito de Queimado na Serra. É cognominado o Zumbi da Serra.

PESQUISE:

O que significa a palavra Insurreição?

Quem foi Zumbi dos Palmares?

 

ATIVIDADES

 

1.      Quais os três principais líderes da Insurreição (Revolta) do Queimado?

2.      Quantos dias durou a Insurreição do Queimado? Que dia começou? Que dia terminou?

3.      Quantos escravos foram absolvidos e quantos foram condenados no Julgamento?

4.      Descreva com suas palavras como foi a morte de Chico Prego? O que Ananias teve que fazer para Chico Prego morrer?

5.      Cite os nomes dos escravos que foram enforcados por causa da Insurreição do Queimado?

6.      Em que data foram iniciadas as obras de construção da Igreja de São José do Queimado?

 





OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.

Fonte de Pesquisa: Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89



BIBLIOGRAFIA Fonte de Pesquisa: Livro História da Serra de Clério José Borges - 3a Edição 2009, Editora Canela Verde, um Livro editado pela Lei Chico Prego de incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal da Serra ES.
Fonte Primária : Livro sobre a Insurreição do Queimado de Afonso Cláudio de Freitas Rosa.

 



INSURREIÇÃO DO QUEIMADO:
A REVOLTA DOS NEGROS EM BUSCA DA LIBERDADE

Texto do Livro "HISTÓRIA DA SERRA", de Clério José Borges
Permitida a reprodução do conteúdo.
Agradecemos a citação da fonte

RESUMO - Em 19 de março de 1849 é deflagrado um movimento de libertação dos escravos, na Vila de São José do Queimado. Tal movimento, que mobilizou cerca de trezentos Negros Escravos, iniciado em 19 de Março de 1849, foi desmobilizado pela força militar da época cinco dias depois com a prisão dos líderes do movimento e, levou a enforcamento dois dos líderes da revolta: João da Viúva Monteiro e Chico Prego. O primeiro, enforcado na Vila de São José do Queimado em 8 de Janeiro de 1850. O segundo na Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra, no dia 11 de Janeiro do mesmo ano. (1850).
(Foto ao lado, de 1875, vendo-se a Igreja de São José na colina que possui 100 metros de altitude do nível do mar)

O Carrasco que realizou o enforcamento dos dois chamava-se Ananias e veio do Rio de Janeiro no Navio Boa Sorte. A forca foi construída pelo Carpinteiro Camilo de Lélis. Na morte de Chico Prego na Serra Sede aconteceu um imprevisto. A forca não foi suficiente para matar o Negrão Chico Prego. Foi preciso o carrasco Ananias subir em seus ombros para tentar matá-lo. Mesmo assim, Chico Prego não morre. Ananias corta a corda e o negrão cai ao chão. Chico Prego só morre quando Ananias, com um porrete esmaga-lhe o crânio.

O padre João Clímaco da Alvarenga Rangel foi o advogado dos negros que buscavam a liberdade no movimento denominado "Insurreição do Queimado", ocorrido na Vila de Queimado, que na época pertencia ao município de Vitória e hoje é um distrito do Município da Serra.

LÍDERES DA REVOLTA
Na preparação da Insurreição e comandando o movimento estavam:

1 - Elisiário Rangel - Chefe da Insurreição. Era um Negro estudado. Sabia ler e escrever. Tinha sido preparado pelo seu proprietário, Faustino Antônio de Alvarenga Rangel. Destacava-se pela inteligência, já que Faustino Rangel lhe proporcionara a oportunidade de ler e aprender ofício de Carpinteiro. Estava sempre reunido com o Frei Gregório Maria Bene e dele recebia ensinamentos religiosos e ideais de liberdade, já que o Frei, Italiano de nascimento, era contra a escravidão.

Foi preso. Na cadeia liderava os negros, para que não se abatessem e rezassem sempre. Misteriosamente fugiu da cadeia de Vitória. Tornou-se uma lenda, pois, mesmo perseguido pelas autoridades policiais, não foi mais encontrado, passando a ser um herói entre os negros que almejavam a liberdade. A sua fuga foi cantada em prosa e versos como um "milagre de Nossa Senhora da Penha", já que não houve vestígios de arrombamento na porta da prisão e o carcereiro, ao ser preso após a fuga, admitira que fora tomado de "um sono profundo."

Segundo a escritora Maria Stella de Novaes, Elisiário "morreu isolado nas matas" e, segundo outros historiadores:

"Morreu feliz nas graças da Virgem Nossa Senhora da Penha, com um agrupamento de negros fugitivos, nas matas do Mestre Álvaro  e do Morro do Mochuara."

Pesquisas revelam que Elisiário e um grupo de negros fugitivos seguiram para uma região após o Morro do Mouchuara, em Cariacica, formando o povoado denominado de Piranema.

Observação: Escravo não tinha oficialmente sobrenome mas recebia sempre o nome da família do seu dono.

2 - Francisco de São José, o Chico Prego. Francisco de São José, o Chico Prego. Escravo de Ana Maria de São José. Era um dos Chefe da Insurreição.

O Chico vem de Francisco e a palavra Prego tinha sentido pejorativo pois se referia a uma espécie de macaco da região do Amazonas.

Enquanto Elisiário destacava-se pela inteligência, Chico Prego, negro alto e forte, liderava pelo seu espírito de luta, por sua coragem. Foi preso e condenado à morte na forca.

Preso, Chico Prego foi levado para a Serra, viajando a pé, as seis léguas. Na Serra assistiu a construção do patíbulo. Na data e hora marcada, percorreu as principais ruas da Serra ao som de um tambor surdo e sinos da Igreja. O cortejo parava de momentos em momentos para que fosse lida a sentença. Defronte à forca, recebe a última unção religiosa. De mãos atadas sobe as escadas do patíbulo. O carrasco Ananias passa-lhe a corda em redor do pescoço e impele o negro para o espaço, fazendo pressão sobre os ombros para maior pressão da corda. Cinco minutos depois a corda é cortada. O corpo cai no chão e o negro ainda agoniza. O carrasco Ananias com um pedaço de pau, esmaga-lhe o crânio, os braços e as pernas.

O relato com detalhes da morte de Chico Prego, Herói da Liberdade na Serra, encontra-se na obra "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", de Wilson Lopes de Resende, do Colégio Estadual "Muniz Freire", tese aprovada no IV Congresso de História Nacional. O livro é das Edições Itabira, Cachoeiro de Itapemirim, 1949, página 15 e 16.

Chico Prego foi executado na sede da Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra, no dia 11 de janeiro de 1850, "nas proximidades da Igreja, para servir de exemplo."

Sobre o local exato onde Chico Prego foi enforcado na Sede do Município, historiadores informam ter sido a pracinha, onde hoje, em 1997, está construída a Praça Ponto de Encontro.

3 - João, o Pequeno. Escravo de Rangel e Silva. Foi um dos líderes da Insurreição e por isto condenado à forca. Fugiu da prisão com Elisiário não sendo mais encontrado.

4 - João da viúva, assim chamdo porque pertencia a viúva Monteiro. João Monteiro, o João da Viúva. Escravo de Maria da Penha de Jesus, a viúva Monteiro. Foi também um dos líderes da Insurreição e condenado à pena de morte.

Consta que no Julgamento disse ser inocente, e que o culpado era o frei Gregório de Bene, que prometera liderar o movimento de liberdade e no momento mais importante, escondera-se dos negros.

Suas declarações são relatadas por carta pelo cônego Francisco Antunes Siqueira, advogado nos autos do processo, ao Presidente da Província, Felipe José Pereira Leal, em 10 de janeiro de 1850.

O escravo João da Viúva foi executado em Queimado, na forca, às 6 horas da manhã, do dia 8 de janeiro de 1850, três dias antes da execução de Chico Prego na sede da Vila da Serra.

5 - Carlos, irmão de Elisiário, também escravo do Padre João Clímaco de Alvarenga Rangel.

O Chefe da Insurreição, Elisiário Rangel fugiu da prisão, por um descuido do Carcereiro. Existe a versão de que o Carcereiro havia ingerido bebida alcoólica (Cachaça) e dormido. A fuga ocorreu na madrugada do dia 7 de dezembro de 1849 e além de Elisiário fugiram Carlos e João. Chico Prego e João da Viúva Monteiro, presos em outra cela, não puderam escapar. Buscas foram realizadas. Recompensa em dinheiro para quem recuperasse os fugitivos, mas, os mesmos jamais foram encontrados. Segundo a lenda, a fuga foi devido a um Milagre de Nossa Senhora da Penha. Elisiário fugiu inicialmente para as matas da Montanha do Mestre Álvaro e depois para a região do Município de Cariacica, onde junto com outros fugitivos formou um Quilombo no local hoje denominado de Piranema, (Cariacica, ES).

A grafia correta é Distrito do "QUEIMADO". É errado escrever QUEIMADOS, com a letra S no final. Em 2011 foi inaugurada uma estrada pavimentada e asfaltada ligando a Serra Sede (região do bairro Cascata) as ruínas da Igreja de São José do Queimado e o Governo de Estado por falta de conhecimento e, para alguns, burrice, instalou algumas placas, registrando erradamente QUEIMADOS com a letra S no final.

A Freguesia de São José de Queimado foi criada pela Lei Provincial N.º 9, de 1846. Pertencia a Vitória e hoje é um Distrito da Serra. Na época do Revolta possuía cerca de 5000 habitantes e estava situado à margem do Rio Santa Maria da Vitória, onde havia um porto chamado Porto do Una, (Negro), onde era embarcada, em grandes canoas que comportavam mais de cem sacas de café, a produção da região da Serra e onde eram desembarcados os produtos importados que atendiam às necessidades locais. O rio servia como via para o transporte em geral, inclusive para a integração de Vitória com a Serra e com o Norte do Espírito Santo. Na época, século XIX, a Freguesia do Queimado limitava-se com a Freguesia da Serra pelo rio Tangui e Porto do Una, seguindo a margem do brejo até a ponte do mesmo nome e, em linha reta, até a estrada de São João, na ladeira das pedras, compreendendo Itapocu e todo o Caioba.

A pedra fundamental iniciando a construção da Igreja de São José foi colocada no dia 15 de Agosto de 1845 e somente em 19 de março de 1849 a Igreja foi parcialmente concluída, justamente no dia do início da Insurreição (ou Revolta) dos Negros Escravos do Distrito do Queimado, que desejavam a Alforria, a Liberdade. A obra levara cerca de três anos e meio para ser edificada, medindo, em seu corpo principal, 90 palmos de comprimento por 42 de largura, com 43 de altura. No dia da inauguração, a conclusão da obra dependia de algumas poucas providências que não impediam que fosse aberta aos ofícios religiosos. Na foto acima, um grupo de Turistas Poetas Trovadores visitando, no dia 05 de novembro de 2011, a Estátua de Chico Prego, na Praça Almirante Tamandaré, no Centro da Serra. A Estátua é uma obra do Artista Plástico Tute, (Jenézio Jacob Kuster).

O Jornal "Correio da Vitória", de 21 de março de 1849, publica a seguinte notícia:

"No dia 19 do corrente um grande grupo de escravos invadiu a Igreja da Povoação do Queimado na ocasião em que se celebrava o santo sacrifício da Missa, e em gritos proclamava a sua liberdade, e alforria, e seguindo para diversas Fazendas e aliciando os Escravos delas e, em outras, obrigando os seus donos a doarem a liberdade a seus Escravos, engrossou em número de 300."

Com base na notícia do Jornal "Correio da Vitória" podemos afirmar com certeza de que a Revolta dos Negros Escravos do Queimado teve a participação de 300 Escravos. Ofício do Presidente da Província do Espírito Santo, Antônio Joaquim de Siqueira, com data de 20 de março de 1849, encaminhado à Corte no Rio de Janeiro, confirma tal informação:

"Ontem pelas três horas da tarde, soube que um grupo armado de trinta e tantos Escravos perpetrara o crime de Insurreição no Distrito do Queimado, três léguas distantes desta Capital (Vitória), invadindo a Matriz na ocasião em que se celebrava a missa conventual, e levantando os gritos de "Viva a Liberdade" e "Queremos Alforria." Este grupo seguiu depois a direção do Engenho Fundão, de Paulo Coutinho Mascarenhas, e obrigou-o a entregar-lhe os seus Escravos e passar-lhes Carta de Liberdade, as armas e munições que possuía. O mesmo fizeram em outros Engenhos de maneira que conseguiu elevar o seu número a cerca de Trezentos. (...) Escusado é narrar a Vossa Excelência o susto e o terror de que se acham apoderados os habitantes desta Capital e lugares circunvizinhos."

Relatos históricos dão conta de que ao Queimado, para participarem da Insurreição ocorreram Escravos da Serra, Itapóca, Viana, São Mateus e demais redondezas. A localidade de São Mateus citada nos documentos sobre a Revolta do Queimado, não é a atual cidade de São Mateus do Norte do Espírito Santo e sim, uma Vila localizada na época, perto de Nova Almeida, que possuía trezentas casas. Tal Vila é citada pelo ex Prefeito Naly da Encarnação Miranda, na página 42 do Livro, "Reminiscências da Serra, 1556 - 1983" e foi tema de uma Reportagem do Pesquisador Thiago Dal Col, na Revista NU/ZÊNITE, editada nos dias atuais na cidade da Serra, ES. São Mateus da Serra (ES) é uma localidade atualmente extinta.

O historiador Wilson Lopes de Resende, em obra de 1949, com o título "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", tece elogios ao Frei Gregório, relatando:

"Os escravos, (...) aguardavam pacificamente outra oportunidade redentora (...) quando apareceu na Freguesia do Queimado um Sacerdote, desses heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão e a quem tanto deve o Brasil Colonial. Chamava-se ele Frei Gregório José Maria de Bene. Embora italiano, amou essa terra, que escolhe para missionar e, vendo a vida que levavam os escravos, num flagrante antagonismo com o espírito de liberdade, que sacudia as revoluções liberais do Brasil até a velha Europa, pensou em minorar-lhes os sofrimento. Passou, desde então, a auxiliá-los espiritualmente, incutindo-lhes os ensinamentos da religião, fazendo-os bons e humildes para imitar a Cristo. (...) Animado com número tão elevado de fiéis, o Missionário resolveu erigir um Templo no meio de uma povoação de cinco mil almas. Os escravos não se cansavam de pedir em suas orações ao Todo Poderoso para que lhes enviasse suas bênçãos e lhes concedesse a graça de obter a alforria no dia em que a construção terminasse. Frei Gregório, certo da formação cristã dos Senhores vizinhos, chegou mesmo a admitir que os escravos pudessem conseguir o que tanto almejavam."

Pelo texto de 1949, de Wilson Lopes de Resende, observa-se que ele se refere ao Padre Gregório como um desses "heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão."

UMA MULHER ESCRAVA NA INSURREIÇÃO
O insucesso da Insurreição (Revolta) do Queimado é relatado em Ofício (Carta) do Chefe do Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcelos ao Presidente da Provincia, datado de 20 de março de 1849:

"Cumpre-me levar ao conhecimento de Vossa Excelência que cheguei hoje a esta Freguesia do Queimado às 4 horas da manhã e constando-me, poucos momentos depois, que um grupo de escravos armados, em número de cinquenta mais ou menos, estava reunido nas imediações dela, e que se dirigia para aqui com o plano de proclamarem a sua liberdade, e de assassinarem todos aqueles que porventura a isso se opusessem, dei imediatamente ordem ao Alferes, comandante do Destacamento, que marchasse sobre eles com as praças à sua disposição e com mais alguns cidadãos que pude reunir, conservando-me aqui com algumas pessoas deste Distrito. E, sendo os ditos Escravos encontrados na ladeira que desce para Aroaba, em direção para esta Freguesia, foram aí completamente batidos pelo referido Destacamento, e gente a ele reunido, em um ataque que durou seguramente meia hora, sendo em resultado mortos oito, presos seis e uma Escrava, mulher de um deles(...)"

O Ofício revela a presença de uma Escrava participando da Insurreição, da Revolta do Queimado. Guerreira. Mulher de um dos Escravos. O Escritor Luiz Guilherme Santos Neves na sua obra Literária "O Templo e a Forca", que funde ficção com o fato histórico da Revolta do Queimado, cria a figura da Escrava Bastiana. Ela seria a tal negra anônima citada no ofício do Chefe de Polícia e que participa da luta entre os Negros revoltosos e a Milícia (Polícia) e seria a mulher de Chico Prego. Um romance amoroso de um herói da Serra.

Já o Escritor João Felício dos Santos, autor do Romance "Chica da Silva", sucesso no Cinema sob a direção de Cacá Diegues, cria a figura de Benedita Torreão, trabalhando de forma literária dentro de uma ficção histórica, explorando a presença da mulher, afro-brasileira presa pelo Chefe do Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcelos, no dia 20 de março de 1849. Trata-se do Romance, "Benedita Torreão da Sangria Desatada", publicado no Rio de Janeiro em 1983, que conta a saga de uma Escrava que realiza abortos na intenção de livrar os Negros do Cativeiro ainda antes de nascerem. Na propaganda do referido Romance consta como Sinopse (resumo), o seguinte: "O romance põe em relevo a insurreição de Queimado, um efêmero levante de escravos, ocorrido no Espírito Santo em 1849, cujo pivô foi a igreja Matriz do Queimado, que os escravos construíram numa enganosa crença, suscitada pela má fé de um capuchinho italiano, frei Gregório de Bene, de que ganhariam alforria no final da obra. Igreja erigida com suor de escravos e consagrada com seu sangue. Multifloriado romance, que ainda lega à literatura brasileira essa personagem maiúscula que é Benedita Torreão, individualidade humaníssima, carnal e óssea que, “amante do incendiado da liberdade”, encarna o espírito da ressurreição escrava, tornando-se seu próprio símbolo e alegoria."

O Escritor João Felício dos Santos nasceu na comarca de Mendes, Estado do Rio de Janeiro, em 14 de março de 1911. Sobrinho do historiador mineiro Joaquim Felício dos Santos, de Diamantina, foi jornalista, publicitário e funcionário público federal. Topógrafo de profissão, ingressou no Ministério de Viação e Obras Públicas em 1932. Viajou várias vezes pelo país a serviço do governo e também por conta própria, com o intuito de conhecer a história e os costumes nacionais. Sua estréia na literatura ocorreu em 1934, com o livro de poemas Palmeira-real. Em 1956, lançou o infantil João Bola. Só depois de ouvir o ponto de vista de personagens comuns sobre importantes capítulos da história nordestina foi que se sentiu apto a escrever livros como João Abade (1958), sobre a Guerra de Canudos, e Major Calabar (1960), no qual desenha um rigoroso retrato da invasão holandesa em Pernambuco. O romance Carlota Joaquina - A Rainha Devassa, publicado em 1968 (relançado em 2008 pela José Olympio), antecipou em décadas o filme de Carla Camurati. Já Ganga-Zumba antecedeu o famoso espetáculo Arena conta Zumbi, de Giafrancesco Guarnieri e Augusto Boal. A Guerrilheira - O Romance da Vida de Anita Garibaldi antecedeu em muitos anos o livro e a minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo. Sua verve literária, marcada pela pesquisa e pelo texto de estilo fluente, permitiu-lhe lançar luzes sobre capítulos obscuros da vida brasileira com estilo que lembra o dos grandes clássicos. Morreu aos 78 anos, no Rio, deixando mulher, filha e o romance inédito Rotas de Além-Mar. Xica da Silva, graças ao cinema se tornou a obra mais popular de João Felício dos Santos. Ganga-Zumba, considerado seu grande clássico, ganhou edição de bolso pela Ediouro, com ilustrações do artista plástico Caribé. Seu último livro publicado, Margueira Amarga, foi ilustrado por Poty.

Usando de uma licença poética e romanceando a Insurreição, com a força da ficção, técnica de imaginação inerente aos Escritores, podemos dizer que Bastiana Benedita Torreão era a Escrava anônima citada por José Inácio Acioli de Vasconcelos. A mulher Guerreira Bastiana, companheira do Guerreiro Chico Prego.

RESUMO E COMENTÁRIOS SOBRE A INSURREIÇÃO
O povoado de Queimado estava situado às margens do rio Santa Maria, por onde trafegavam canoas carregadas de café, farinha de mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão, coisas que os do lugar plantavam pelo método costumeiro: Derrubar, queimar, roçar. Na década de 1840, quando chegou a reunir cerca de 5 mil moradores, parecia que o destino reservava certa importância ao povoado, não obstante a pobreza do lugar. Mas um lento e irremediável processo de decadência econômica e despovoamento, iniciado já na segunda metade do século XIX, frustrou esta possibilidade. Hoje, no local onde se localizava a vila, os únicos testemunhos visíveis do engenho humano são as ruínas da Igreja de São José.

As Insurreições ou revoltas de escravos eram comuns nas Vilas e Aldeias do Espírito Santo e do Brasil. A Insurreição do Queimado foi uma revolta que durou até a prisão de Elisiário, um dos líderes do Movimento, cinco dias depois do início da Insurreição. A revolta começou dia 19 de março de 1849. Chico Prego morreu enforcado na Serra Sede. João da Viúva Monteiro, morreu enforcado no Distrito de Queimado. Elisiário fugiu da cadeia, graças a um milagre e formou um quilombo na região depois do Morro do Mestre Álvaro e do Monte do Mochuara, em Cariacica.

Recentemente num discurso proferido na Assembléia Legislativa Estadual, no dia 30 de Março de 2006, durante as comemorações dos 157 anos de Aniversário da Insurreição do Queimado, uma professora da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, da tribuna da Assembléia defendeu a tese de que não se deve denominar a Revolta do Queimado como Insurreição. Informou que o termo Insurreição foi usado pelos Senhores para menosprezar o ato de bravura e combativo dos negros. Também defendeu a tese de que não se deve creditar ao frei Gregório Maria de Bene, a idéia inicial da luta pela liberdade, que segundo a mesma, surgiu através dos próprios negros, através da figura de Eliziário.

Com relação a tais colocações, o historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Clério José Borges, nada tem contra. Segundo Clério Borges, "Eliziário teve grande importância no Movimento. Era escravo de uma família que lhe ensinou o básico para sua formação. Era negro caseiro e não trabalhava no campo, assimilando e aprendendo com o seu Senhor. É certo que o frei Gregório não gostava da escravidão. Era de origem européia e os Europeus não gostavam da Escravidão. Frei Gregório era Italiano. Deve-se sim, creditar a frei Gregório, deixando de lado as paixões, o fato de ter iniciado, com Eliziário, Chico Prego e João Monteiro, (João da Viúva Monteiro) as primeiras conversas sobre a Liberdade dos Escravos. Mas, o movimento pregado por frei Gregório seria por vias pacíficas. Ele iria até a Imperatriz defender a liberdade dos negros escravos. São fatos históricos. Estão registrados na obra de Afonso Cláudio que fez um livro minucioso sobre o assunto e no Livro "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", tese aprovada no IV Congresso de História Nacional e publicado em Cachoeiro de Itapemirim em 1949, cem anos depois, e de autoria de Wilson Lopes de Resende, do Colégio Estadual Muniz Freire"

Clério José Borges destaca ainda o fato de que, "Os negros invadiram a Igreja gritando: Queremos alforria, queremos liberdade. Os negros estavam armados no momento da invasão da Igreja. Frei Gregório defendia um movimento pela liberdade, mas sem armas. Queria liderar, junto com os negros, um movimento pacífico. A impaciência, gerada talvez pela opressão e castigos que recebiam, levou os negros a uma atitude extrema de se armarem. De armas em punho, já não mais estavam reivindicando por vias pacíficas. Estavam indo contra as Leis vigentes. Cerca de 30 anos depois ocorreria a "Abolição da Escravatura". Com a abolição os negros foram libertados por vias pacíficas. Não foram libertados através de Insurreições ou Revoltas. Foram libertados dentro da Lei. A "Revolta do Queimado" foi uma marco da negritude em busca da liberade, fato que ninguém pode negar, todavia foi feita ao arrepio da lei, ou seja, contra as leis vigentes no Brasil da época, pois foi feita com armas. Sem contar, o prejuízo humano das vidas que foram sacrificadas."

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.
O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar.
Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.
Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.
As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.
No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas.
O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.
A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática.
Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de Queiróz que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.
Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho.
Filha de D.Pedro II, passou para a história do Brasil como a responsável pela assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888.
Princesa Isabel era casada com um nobre francês, o Conde D’eu. Ela assumiu a regência do trono do Brasil em três situações em que o imperador estava viajando. Foi responsável também pela assinatura da Lei do Ventre Livre (1871), que estabeleceu liberdade aos filhos dos escravos a partir daquela data.
Com o enfraquecimento da monarquia e o estado de saúde complicado do imperador, começou a receber muitas críticas e ataques de oposicionistas republicanos, que temiam a instauração de um terceiro reinado. Por ser francês, o marido da princesa também foi muito atacado neste momento.
Após a queda da monarquia e a Proclamação da República (15 de novembro de 1889), foi morar, com a família real, na Europa. Morreu na França no ano de 1921.

COMEMORAÇÕES EM HOMENAGEM AOS NEGROS ESCRAVOS DO QUEIMADO

2006 - SESSÃO SOLENE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA ESTADUAL - A Assembléia Legislativa comemorou no dia 30 de Março de 2006, os 157 anos de Aniversário da Insurreição do Queimado, homenageando pessoas que lutam contra a discriminação racial realizando uma Sessão solene presidida pelo Deputado Estadual Gilson Gomes. Foram agraciados com a Medalha Chico Prego as seguintes pessoas: Anderson Pinto Santos; Milton de Almeida e Silva; Jenésio Jacob Kuster, o Tute; Clério José Borges e Maria José da Penha Pimentel. Também foram agraciados com Diplomas, Leta Jajumô; Luciana da Silva Barcellos; Marcos Marcolino; Teodorico Boa Morte e o poeta Trovador, Escritor Clério José Borges, dentre outros.
Na mesa que presidiu os trabalhos da Sessão Solene, o Deputado proponente da Sessão, Gilson Gomes; O Deputado Cabo Elson; O Presidente do Museu Capixaba do Negro, Washigton dos Anjos; O Presidente do Conselho Municipal de Cultura da Serra, Aurélio Carlos; A Vereadora e Presidente da Academia de Letras e Artes da Serra, ALEAS, Sandra Gomes, o Ex- Desembargador Antônio José Miguel Feu Rosa e o Presidente do Clube dos Poetas Trovadores Capixabas e Autor do Livro História da Serra, que apresenta um Capítulo especial sobre a Revolta do Queimado, Clério José Borges de Sant Anna.

2007 - CÂMARA MUNICIPAL DA SERRA - Sessão Solene homenageia Revolta do Queimado - DIA 19 DE MARÇO DE 2007 - O plenário da Câmara Municipal da Serra foi palco da homenagem aos 158 anos da Revolta do Queimado, na última segunda-feira, 19 de março. Na ocasião os vereadores entregaram a Comenda do Mérito da Revolta do Queimado a vários homenageados, destacando-se Clério José Borges, autor do Livro HISTÓRIA DA SERRA, homenageado pelo Vereador João de Deus Corrêa, o Tio João. Os Vereadores outorgaram ainda homenagens especiais a Genésio Jacob Kuster, o TUTE, (autor do “Monumento Chico Prego”); Mario Ferreira Mendes (Personalidade Cultural) e a Ramiro Machado (Associação das Bandas de Congo da Serra), dentre outras Personalidades.

FIM DO RESUMO.




CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES, MAIS DETALHES NO TEXTO ABAIXO.

REVOLTA DOS NEGROS ESCRAVOS DO DISTRITO DO QUEIMADO


1849 NEGROS EM BUSCA DE LIBERDADE
Texto do Livro História da Serra, de Clério José Borges



IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO Certidão, documento onde consta QUEIMADO, sem a letra S no final. IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO

Queimado é um Distrito da Serra, Espírito Santo, Brasil

Possui uma área de 77 quilômetros quadrados e fica a sudoeste do Município.

Já pertenceu a Vitória e Santa Leopoldina. Passou a Distrito, em 27 de julho de 1846, pela resolução N.º 92, embora fosse apenas uma povoação.

Desde a resolução N.º 4, de 26 de dezembro de 1889, já gozava de prerrogativas de Vila, mas só foi elevada em 11 de novembro de 1938. Possuiu sua primeira Escola Pública em ato oficial de 12 de abril de 1847 e cuja inauguração foi a 24 de abril do mesmo ano. IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO Teve uma Escola Feminina inaugurada em 4 de agosto de 1873. Queimado foi palco de acontecimentos dramáticos em março de 1849, a Insurreição de Queimado, que foi uma revolta dos negros em busca de liberdade.

O nome vem do clima do lugar, uma região em que há muito calor com constantes queimas de mato. Os antigos da região diziam: “Vamos para o Sítio das Queimadas”. Como as queimadas eram num único local da região, passou a ser sítio Queimado e com o surgimento do Porto no rio Santa Maria, o local passou a ser denominado de Queimado, com referência ao sítio Queimado, onde antes haviam várias queimadas.

 

REVOLTA DOS NEGROS

 

Em março de 1849, Queimado foi palco de uma Insurreição de negros escravos. As Insurreições ou revoltas de escravos eram comuns nas Vilas e Aldeias do Espírito Santo e do Brasil.

Eugênio de Assis escreve num artigo publicado na Revista Capichaba, que em 1842 houve uma pequena revolta de escravos, sem maiores conseqüências na Serra.

Por muitos anos a população branca da Serra e do espírito Santo minimizavam o fato ocorrido no distrito do Queimado, procurando menosprezar a luta dos negros pela liberdade. Nos dias atuais sabe-se historicamente que a Insurreição do Queimado foi um marco na história da Negritude Capixaba.

Sempre ocorriam fugas de negros e quando o número de escravos fugitivo era maior, os Capitães do Mato, eram chamados para a caça aos fugitivos. Contudo a Insurreição do Queimado foi uma revolta que durou até a prisão de Elisiário, um dos líderes do Movimento, cinco dias depois do início da Insurreição, no dia 23 de março.

Frei Gregório José Maria de Bene, Missionário Capuchinho Italiano, que era Europeu e não admitia escravidão, estabeleceu uma estreita ligação com os escravos e esta ligação preocupava e contrariava os que usavam da mão de obra escrava para enriquecerem.

 

CONSTRUÇÃO DA IGREJA

 

Frei Gregório levantou a bandeira da construção de uma grande Igreja na povoação de Queimado. A pedra fundamental da Igreja foi lançada em 15 de agosto de 1845, quando na região que incluía o Sítio Tapera, havia cerca de cinco mil  “almas”. Em seguida, Frei Gregório, convocou os negros da região para a construção da obra, com a promessa de que posteriormente intercederia junto aos Senhores para que fosse dada a alforria de cada um dos negros que ali trabalhassem.

Existe a versão de que a atitude do padre foi  "maliciosa e esperta" para com os negros. Mas, esta versão é falsa. Foi criada pelos Senhores da região. Na verdade, Frei Gregório, desejava realmente promover a liberdade dos escravos. Frei Gregório não prometera conceder a liberdade e sim prometeu interceder para que fosse dada a alforria.

Citado como espertalhão, deve-se resgatar a memória do padre Frei Gregório, como verdadeiro defensor da liberdade dos escravos.

Há quem diga que a expressão “Conto do Vigário”, teria se originado da atitude insegura e fraca do Frei Gregório Maria De Bene. Na verdade a expressão “Conto do Vigário” refere-se a um “falso” padre que começou a pedir dinheiro a várias pessoas e depois fugiu de uma  cidade no interior do Brasil.

 

HERÓICO MISSIONÁRIO

 

O historiador Wilson Lopes de Resende, em obra de 1949, com o título "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", tece elogios ao Frei Gregório, relatando:

"Os escravos, (...) aguardaram pacificamente outra oportunidade redentora (...) quando apareceu na Freguesia do Queimado um Sacerdote, desses heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão e a quem tanto deve o Brasil Colonial. Chamava-se ele Frei Gregório José Maria de Bene. Embora italiano, amou essa terra, que escolhe para missionar e, vendo a vida que levavam os escravos, num flagrante antagonismo com o espírito de liberdade, que sacudia as revoluções liberais do Brasil até a velha Europa, pensou em minorar-lhes os sofrimento. Passou, desde então, a auxiliá-los espiritualmente, incutindo-lhes os ensinamentos da religião, fazendo-os bons e humildes para imitar a Cristo. (...) Animado com número tão elevado de fiéis, o Missionário resolveu erigir um Templo no meio de uma povoação de cinco mil almas. Os escravos não se cansavam de pedir em suas orações ao Todo Poderoso para que lhes enviasse suas bênçãos e lhes concedesse a graça de obter a alforria no dia em que a construção terminasse. Frei Gregório, certo da formação cristã dos Senhores vizinhos, chegou mesmo a admitir que os escravos pudessem conseguir o que tanto almejavam."

Pelo texto de 1949, de Wilson Lopes de Resende, observa-se que ele se refere ao Padre Gregório como um desses "heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão."

 

FRACO E MEDROSO

 

Padre Gregório chegou inclusive a ser expulso do Espírito Santo em razão de sua participação a favor dos escravos. O único problema ocorrido é que os negros acabaram empunhando em armas, no que o Padre não concordou e acabou não mais apoiando o movimento dos escravos.

Padre Gregório foi preso pelas forças policiais no dia 20 de março e mais tarde expulso do Espírito Santo.

A participação do frei Gregório foi fraca. Mostrou-se uma pessoa medrosa, sem espírito de liderança para encabeçar o Movimento, mas como Italiano, o Capuchinho nada podia fazer. Não estava em seu país natal. Era um visitante. Liderar um movimento de revolta contra a legalidade em vigor, seria assinar a sentença de expulsão definitiva do país e isto Frei Gregório não queria pois já admirava e amava o Brasil.

 

FESTA DE SÃO JOSÉ

 

No dia 19 de Março, data em que a Igreja Católica comemora a Festa de São José, esposo de Maria, pais de Jesus, foi programada uma grande Missa, em 1849, com festa no Queimado.

Embora não estivesse completamente pronta, os negros consideravam a Igreja pronta, já que faltavam apenas alguns pequenos detalhes na construção da obra.

Para a Igreja e festa de São José, se dirigiram escravos de Jacaraípe, Una, Tramerim, Pedra da Cruz, chamados pelos líderes do Movimento de Liberdade.

Segundo Afonso Cláudio em seu livro " Insurreição de Queimado ", reeditado pela Prefeitura Municipal de Vitória: "Em várias fazendas pequenas reuniões celebraram-se às ocultas, e os cabeças destarte arrebanhavam prosélitos com paciente persistência. Mensageiros cruzavam-se em várias direções para o norte da província; do sul veio um contingente de 20 escravos para engrossar a coluna insurrecionária. Da Serra, de Itapoca, de Viana, em suma de todos os centros onde transpiravam as deliberações tomadas em conciliábulos, afluíam adeptos à causa".

Ainda segundo Afonso Cláudio, "sob a aparência de desmedida obediência, os escravos odiavam os senhores e faziam sacrifícios de toda a sorte para adquirir armas".

 

LÍDERES DO MOVIMENTO

 

Os líderes do Movimento foram:

1- Elisiário, escravo de Faustino Antônio Alvarenga Rangel.

2- Francisco, o Chico Prego, escravo da Senhora Ana Maria de São José;

3- João, escravo de Maria da Penha de Jesus, a viúva Monteiro;

4- João, o Pequeno, escravo de Rangel e Silva;

5- Carlos, escravo de João Clímaco de Alvarenga Rangel.

Historicamente, Elisiário foi o cabeça do movimento. Em reuniões com os seus companheiros, estabelecia as formas de ação do movimento, pois segundo o escritor Wilson Lopes de Resende, "procedia assim, iluminado pelo Missionário."

Elisiário foi o símbolo de uma raça sofrida e pelo seu heroísmo, procurou levar "os negros à glória da libertação."

O escritor, José Paulino afirma que:

Elisiário era o "Caudilho Negro". A palavra "Caudilho", possui o significado de Grande Chefe Militar do Movimento Negro de Liberdade.

 

FALTA DE APOIO

 

Elisiário, João e Chico Prego, pretendiam na hora da Missa, com o apoio do padre, exigir dos Senhores presentes que cada um assinasse a declaração tornando-os livres.

O padre estava rezando a Missa, às 3 horas da tarde, quando a multidão de escravos, com ânimos exaltados, invadiu a Igreja aos gritos de Liberdade.

O templo viveu momentos de confusão e frei Gregório acabou por abandonar o altar, sem terminar a Missa fechando-se na sacristia da Igreja, sem qualquer comunicação com os escravos. Sabia que se apoiasse o movimento, a Insurreição se transformaria numa fagulha de um grande acontecimento, atraindo para si a ira dos senhores, na Província e no Brasil. E, ele era estrangeiro, um Italiano. Esta fraqueza, gerada pelo instinto de sobrevivência, será considerada por muitos como medo e Frei Gregório será considerado ao longo da história como um “padre heróico, (pois semeou a esperança da liberdade), mas medroso.

Sem apoio do padre e aproveitando a grande concentração de negros, Elisiário, João e Chico Prego resolvem continuar com o Movimento, percorrendo as casas dos "senhores obrigando-os a assinar as declarações de Alforria."

Após conseguirem as declarações pretendiam com o apoio do frei Gregório, que desfrutava de amizade com D. Tereza Cristina, Imperatriz do Brasil, oficializar o documento.

Entendiam que quando chegassem até o padre com vários documentos assinados, o padre não iria se omitir e os ajudaria. Um dos Senhores que foi obrigado a assinar um documento de alforria foi Paulo Coutinho Mascarenhas.

 

VIOLÊNCIA

 

O Presidente da Província, Antônio Joaquim de Siqueira, em carta datada de 20 de Março de 1849 e endereçada ao Ministro de Estado dos Negócios do Império, Visconde de Monte Alegre, relata o seguinte:

"Ontem pelas três horas, soube que um grupo armado de trinta e tantos escravos perpetrara o crime de Insurreição no Distrito de Queimado, três a quatro léguas distante desta Capital, invadindo a Matriz, na ocasião em que se celebrava a Missa Conventual e levantando gritos de "Viva a Liberdade", queremos "Carta de Alforria". Este grupo seguiu depois a direção do Engenho Fundão, de Paulo Coutinho Mascarenhas, e aí obrigou-o a entregar-lhe os seus escravos e passar-lhe "Carta de Liberdade", as armas e munições que possuía, o mesmo fez em outros engenhos, de maneira que conseguiu elevar o seu número a cerca de Trezentos."

Existe a versão de que a Insurreição de Queimado foi um Movimento simples, pacífico e que não teria havido o referido "levante." Todavia o escritor Afonso Cláudio no livro "A Insurreição do Queimado", mostra que realmente houve uma revolta, uma Insurreição.

 

VÍTIMAS DA REVOLTA

 

Comprova-se que houve o confronto e feridos dos dois lados. Uma das vítimas da Insurreição foi Francisco Roriz, ferido pelos negros com 17 caroços de chumbo, nas matas de Taiobaia. Outra vítima foi o próprio comandante das Forças Policiais, Alferes Varella.

O Presidente da Província, cargo que hoje corresponde ao de Governador de Estado, de imediato mandou a Queimado o Chefe de Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcellos, acompanhando de uma força policial de vinte praças da Companhia Fixa de Caçadores, que representava a Polícia da época. Comandando os Policiais, denominados "Forças Legalistas", o Alferes, José Cesário Varella de França.

Os legalistas chegaram ao Queimado no dia 20 de Março. Prenderam Frei Gregório e trataram de dar combate aos revoltosos, passando aos poucos a ter o domínio da situação.

 

MORTES

 

IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO As notícias chegadas em Vitória eram de que os negros, além de estarem promovendo desordens, estavam bastante municiados e atirando em todos que se colocavam em seus caminhos.

Num dos combates, fica ferido o Comandante dos Policiais, José Varella. Tal fato irrita os Policiais e batedores do mato, que passam a matar todos os negros que encontravam no caminho, tomando-os como revoltosos.

Escravos encontrados na ladeira que desce para Aroaba, região perto do Queimado, foram todos mortos.

Ao final o Chefe de Polícia Accioli informa, no dia 23 de março de 1849, que conseguiu encontrar 11 escravos, entre os quais um dos líderes da Insurreição, Elisiário, escravo do fazendeiro Faustino Antônio de Alvarenga. A Insurreição que começou no dia 19, estava terminando com a prisão de Elisiário, cinco dias depois. Todavia havia ainda negros foragidos espalhados pela região, tendo a Polícia continuado as buscas por mais alguns dias.

 

PERSEGUIÇÃO

 

Preocupado, o Presidente da Província, Siqueira envia ao Queimado mais Policiais sob o Comando de Manoel Vieira da Vitória, ordenando ao Capitão Antônio das Neves Teixeira Pinto, Delegado da Vila da Serra, que passasse a perseguir os fugitivos.

Documentos esclarecem ainda que os habitantes do Queimado, Mangaraí e Serra auxiliaram as autoridades na captura dos negros.

Pela crueldade com que tratou os escravos negros, arrastando-os pelo chão por léguas e léguas, o Delegado da Vila da Serra, Capitão Antônio das Neves acabou recebendo elogios pela maneira como se conduzira.

O Governo Imperial, atendendo a solicitação feita, acabou mandando o vapor "Paquete do Sul" que, no dia 30 de março aportou em Vitória trazendo um reforço de 31 soldados comandados por um Oficial. Dias depois regressava o vapor à Corte, levando a notícia da vitória dos legalistas.

O escritor José Teixeira Leite informa que a caça aos negros foi "cruel e selvagem" e levada a efeito "por impiedosos batedores do mato." Esta informação consta da página 332, do livro "História do Estado do Espírito Santo - edição de 1975."

 

CADEIA E JULGAMENTO

 

Os escravos presos foram recolhidos na Cadeia Pública de Vitória. Lá chegaram a passar fome, segundo relato do Carcereiro da Cadeia, Joaquim José dos Prazeres.

Manoel, escravo do Capitão Paulo Coutinho Mascarenhas morreu na Cadeia por estar gravemente ferido e em razão "dos horrores de uma viagem forçada desde o Queimado."

No dia 31 de maio de 1849 foi realizado o Julgamento dos escravos revoltosos, sob a presidência de José Inácio Acioli de Vasconcelos que além de Chefe de Polícia era o Juiz. A Acusação esteve a cargo de Manoel Morais Coutinho, promotor público e a defesa coube ao padre João Clímaco de Alvarenga Rangel. Como escrivão atuou no Julgamento, Manoel Gonçalves de Araújo.

Durante três dias o processo foi debatido e no final a sentença estabeleceu:

"Seis escravos foram absolvidos. Cinco condenados à morte e os demais, num total de 25, condenados a açoites."

 

FUGA MILAGROSA

 

No dia 7 de dezembro de 1849, cinco presos conseguiram fugir da prisão. O carcereiro de repente "foi acometido de um sono profundo, esquecendo aberta a porta da cela dos negros."

Na prisão não foi encontrado vestígio de arrombamento e logo, a fuga foi atribuída a milagre de Nossa Senhora da Penha, uma vez que segundo o escritor José Paulino:

"Havia três noites que Elisiário obrigava os companheiros de prisão a rezar."

Na terceira noite, quando rezavam à Nossa Senhora da Penha:

"A porta da prisão miraculosamente se abriu."

Na verdade o carcereiro Joaquim dos Prazeres ficou com pena dos negros e os soltou, tendo sido preso e confessado que soltara os negros pois eles estavam sendo maltratados e sofriam passando até fome na prisão.

Os fugitivos eram:

Eduardo Pinto de Vasconcelos; Manoel Matos; Elisiário; João, o Pequeno; Carlos, o escravo do Dr. João Clímaco.

Não consta terem sido recapturados os Negros fugitivos, que fugiram para as mata do Mestre Álvaro e do Mochuara e alguns chegaram a construir um quilombo na região de Cariacica conhecida hoje como Piranema.

Elisiário tornou-se uma lenda para os negros que almejavam a liberdade, sendo cognominado o Zumbi da Serra, numa alusão ao herói Zumbi dos Palmares.

 

Fim do Texto do Escritor Clério José Borges, autor do Livro HISTÓRIA DA SERRA.



Foto 1: Atores do Filme QUEIMADO, sobre a Revolta dos Negros Escravos do Distrito do Queimado. Na foto duas mulatas "escravas", Frei Gregório Maria de Bene, vivido pelo ator Edson Ferreira, que já trabalhou na Rede Globo e Clério José Borges de chapéu preto, vivendo o Coronel Manoel de Oliveira.
Na Foto2: Estátua de Chico Prego na Serra Sede, foto de 20/09/2011.

Certidão, documento onde consta QUEIMADO, sem a letra S no final. IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO

Certidão de Casamento datada de 19 de Setembro de 1982, onde consta DISTRITO DE QUEIMADO, sem a letra S, Município Serra e Comarca de Vitória. Casamento de João Ernestino e Edith Tereza, presidiu o ato o Juiz Manoel da Rocha Monjardim. Escrivão Edgard Sant Ana.

IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO
VILA DO QUEIMADO - Foto publicada na Revista NU, março de 2009, página 22, em reportagem com a Sra. Ormi Rodrigues que nasceu em 1918, na Freguesia do Queimado onde morou até 1970, quando se mudou para a Serra Sede. No alto, a 100 metros de altura do nível do mar, a Igreja de São José, palco dos acontecimentos que resultaram na Revolta (Insurreição) dos Negros Escravos do Distrito do Queimado em 1849. A foto é de 1875.



OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.

Fonte de Pesquisa: Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89



BIBLIOGRAFIA

Fonte de Pesquisa: Livro História da Serra de Clério José Borges - 3a Edição 2009. Editora Canela Verde. Livro editado pela Lei Chico Prego de incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal da Serra ES.
Fonte Primária : Livro sobre a Insurreição do Queimado de Afonso Cláudio de Freitas Rosa.

FONTES - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACCIOLI DE VASCONCELLOS, Inácio - Memória Estatística da Província do Espírito Santo. Escrita no ano de 1828. Arquivo Público Estadual - Vitória - ES - 1978.

ASSIS, Francisco Eugênio de - Dicionário Geográfico e Histórico do Espírito Santo - Vitória, 1941.

BORGES, Clério José - O Trovismo Capixaba - Editora Codpoe - Rio de Janeiro, 1990. 80 páginas. Ilustrado.

BORGES, Clério José – História da Serra - Editora Canela Verde - 2009. 291 páginas. Ilustrado.

CARNIELLI, A. Adwalter – História da Igreja Católica no Estado do Espírito Santo, 1535 – 2000. Comunicação Impressa – 2006. 976 páginas.

CARDOSO JR., Nourival - “Agora é a vez da Cultura Popular”, Folheto colorido elaborado pela Prefeitura Municipal da Serra em 1989.

CLÁUDIO, Afonso - Insurreição do Queimado - Episódio da história da Província do Espírito Santo. Fundação Ceciliano Abel de Almeida. Vitória, 1979.

DAEMON, Basílio Carvalho - Província do Espírito Santo, Sua Descoberta, História, Cronologia e Sinopse Estatística - Tipografia Espírito-santense - Vitória, 1897 - 513 páginas.

ELTON, Elmo - Velhos Templos de Vitória e outros Temas Capixabas - Conselho Estadual de Cultura - Vitória - ES, 1987 - 205 páginas; São Benedito, sua devoção no Espírito Santo - DEC - Departamento Estadual de Cultura - Vitória, ES, 1987 - 205 páginas; Anchieta - Versos e dados históricos sobre padre Anchieta - CEC - Vitória, ES, 1984.

LEITE, Serafim, S.I. - História da Companhia de Jesus no Brasil - Lisboa, Livraria Portugália; Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 1938/50. 10 Volumes ilustrados.

MIRANDA, Naly da Encarnação - Reminiscências da Serra - 1556/1983, Edição do autor, Serra, 1984. 88 páginas; Comentários Históricos da Serra - Edição do autor, Serra, 1990. 78 páginas. Ilustrado.

NEVES, Luiz Guilherme Santos. O Templo e a Forca. Vitória. Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e Cultural-ES, 1999.

NOVAES, Maria Stella de - História do Espírito Santo. Vitória. Fundo Editorial do Espírito Santo - Sem data. 455 páginas; Lendas Capixabas - Vitória - ES. Sem data.

OLIVEIRA, José Teixeira de - História do Estado do Espírito Santo - 2ª Edição - Fundação Cultural do ES - 1975.

PACHECO, Renato José Costa / Rosa, Léa Brígida R. de Alvarenga e Neves / Luiz Guilherme Santos Neves. - Espírito Santo minha terra, minha gente - Sedu - Vitória, 1986. 57 páginas.

PENA, Misael - História da Província do Espírito Santo - RJ - 1878.

RESENDE, Wilson Lopes de - A Insurreição de 1849, na Província do Espírito Santo - Editora Itabira - Cachoeiro de Itapemirim - 1949. 17 páginas.

VASCONCELLOS, José Marcelino de - Ensaio sobre a História e Estatística da Província do Espírito Santo. Vitória. 1858.

 

LIVRO HISTÓRIA DA SERRA

Melhor Livro em prosa de 1998

O Livro "História da Serra" é eleito o melhor de 98 no gênero prosa. (...) O autor do livro foi comunicado da colocação obtida por seu livro por uma carta enviada no dia 20 de Janeiro, pela Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, entidade com sede nacional em Mogi das Cruzes, São Paulo, a também escritora, Maria Aparecida de Mello Calandra”. Notícia do Jornal "Tempo Novo", de 30 de janeiro de 1999.



“Mogi das Cruzes, 20 de Janeiro de 1999. Excelentíssimo Sr. Clério Borges de Sant'Anna.
Por meio desta vimos parabenizar Vossa Excelência pela expressiva votação popular conquistada na eleição de "Os Melhores de 1998”.
Aproveitamos o ensejo para informar Vossa Excelência que a obra intitulada "História da Serra" foi eleita como um dos melhores livros de 1998, publicado em prosa no Brasil.
A cerimônia oficial de premiação dar-se-á em abril de 1999. Sem mais, despedimo-nos. Professora Maria Aparecida de Mello Calandra, IWA, Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, CGC: 01. 208. 554/0001 - 41 - Mogi das Cruzes - São Paulo”.

"Motivo de Orgulho para a Serra. O Escritor Clério José Borges de Sant'Anna, membro da Academia de Letras e Artes da Serra, presidente do Clube dos Trovadores Capixabas e colaborador da Câmara de Literatura do Conselho Estadual de Cultura - CEC, recebeu um Voto de Louvor de seus companheiros de Conselho, pela honrosa classificação em primeiro lugar, obtida pelo livro "História da Serra", de sua autoria. (...) O livro de Clério concorreu com centenas de outras publicações do gênero, e o reconhecimento como melhor obra veio da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, em Janeiro último. O ofício do CEC comunicando o Voto de Louvor foi assinado pela presidente Maria Beatriz Abaurre”. Notícia publicada no Jornal "Tempo Novo", de 29 de maio de 1999, página 7, coluna "Gente e Negócios”.

"Premiado - O livro História da Serra, de autoria do presidente do Clube dos Trovadores Capixabas, Clério Borges, ganhou o primeiro lugar como o melhor livro de 1998, no gênero prosa. (...)" Jornal "A Gazeta", de Vitória, ES, coluna Victor Hugo, de 03 de fevereiro de 1999.

Telegrama: "A Academia de Letras e Artes da Serra parabeniza nobre acadêmico pela premiação melhor livro de 1998, gênero prosa, História da Serra, pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil. A premiação faz jus pelo valor cultural do livro, bem como qualifica nobre confrade como grandioso e brilhante escritor. Sandra Regina Bezerra Gomes, Presidente da Academia de Letras e Artes da Serra”.

"Receba meus cumprimentos pelo lançamento do livro História da Serra e pelo sucesso. Parabéns. Adirson Vasconcelos - Escritor de Brasília, da Academia de Letras - Distrito Federal”.

"(...) O seu livro História da Serra, publicado recentemente, teve o destaque de O Melhor Livro em prosa do Ano, prêmio que lhe foi conferido pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil. Ao ilustre polígrafo, os parabéns da coluna. Humberto Del Maestro - Coluna Literatura e Arte - Jornal Correio Popular - Cariacica, 12 a 18 de março de 1999”.

"Quero parabenizar em meu nome e em nome dos Conselheiros do Conselho Municipal de Cultura da Serra o Escritor Clério José Borges por sua excelente obra História da Serra, que pela importância que possui foi inclusive adotada nas Escolas Municipais da Serra do nosso Município pela ilustre Secretária Municipal de Educação, professora Márcia Lamas. Parabéns”. Aurélio Carlos Marques de Moura, presidente do Conselho Municipal de Cultura da Serra.







Foto da Placa Especial recebida por Clério José Borges, no dia 15 de Setembro de 2005, na Sessão Solene do Dia do Historiador da Serra, presidida pelo Vereador João de Deus Corrêa, o Tio João. A Placa diz: " Diploma de Honra ao Mérito. HISTORIADOR SERRANO. CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT ANNA. A Câmara Municipal da Serra, através do Vereador João de Deus Corrêa - Tio João, confere o TÍTULO DE HONRA AO EMÉRITO HISTORIADOR SERRANO, ESCRITOR CLERIO JOSÉ BORGES DE SANT ANNA, por sua brilhante capacidade de Criação Literária, Emérito Trabalho de Pesquisador da História da Serra. Serra, Estado do Espírito Santo, 15 de Setembro de 2005. Assinado: João de Deus Corrêa - Tio João, Vereador Proponente e Adir Paiva, Presidente".

SESSÃO SOLENE DA CÂMARA
HOMENAGEIA HISTORIADORES DA SERRA

15/09/2005 - Em solenidade realizada na Sala de Reuniões Flodoaldo Borges Miguel, no Plenário da Câmara Municipal da Serra, os Escritores Clério José Borges de Sant Anna, João Luiz Castello Lopes Ribeiro e Galbo Benedicto do Nascimento foram homenageados com uma PLACA ESPECIAL, DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO, HISTORIADOR SERRANO.
O Dia do Historiador foi uma Lei Municipal aprovada pela Câmara e sancionada pelo Prefeito da Serra, em 2005.
De Autoria do Vereador Joâo de Deus Corrêa, o Dia do Historiador Serrano foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal da Serra, sendo a primeira Lei aprovada pela Câmara e sancionada em 2005 pelo Prefeito Municipal, Dr. Audifax Barcellos. A comemoração foi concretizada no dia 15 de Setembro de 2005, ocasião em que foram homenageados os três principais historiadores do Município da Serra, Clério José Borges; João Luiz Castello Lopes Ribeiro e Galbo Benedicto do Nascimento, os três membros fundadores da Academia de Letras e Artes da Serra, Serra, ES
Na foto Clério José Borges, Vereador Tio João e João Luiz Castello em solenidade na Câmara Municipal da Serra, ES, Brasil.






Livros de Clério José Borges de Sant Anna, à Venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fim do Texto constante do Livro HISTÓRIA DA SERRA de Clério José Borges, publicação que se encontra à venda na Livraria Doce Saber, Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 32 81 24 89.

O Autor Clério José Borges, hoje Funcionário Público Estadual aposentado, encontra-se disponível para realizar PALESTRAS sobre a "História da Serra", "Revolta dos Negros do Queimado" e sobre Poesia e Trovas, mediante agendamento antecipado (Telefone: 27 - 33 28 07 53) e determinadas condições a serem previamente combinadas, como por exemplo:

1 - Não é justo alunos assistirem a Palestra em pé. Certa ocasião Clério José Borges e o Poeta Albércio Nunes Vieira Machado foram realizar uma Palestra em Nova Almeida. A professora reuniu todos no pátio e o alunos, mais de 200, ficaram em pé. Depois vendo que os referidos alunos estavam cansados, mandou todos sentarem no chão. Isto mostra falta de Planejamento e Organização.
2 - É necessário um aparelho de som e um bom microfone e antes do início da Palestra a professora organizadora do evento, explicar o motivo da realização de tal Palestra.
3 - É necessário transporte do Palestrante, do bairro Eurico Salles, Serra, ES, para o local do evento, ou seja, para o local da Palestra.
4 - Conforme o tempo e local, devem ser providenciadas a alimentação (ou lanche) e hospedagem, se for o caso.
5 - Não é cobrado Cachê. Apenas pede-se que sejam comprados antecipadamente VINTE Livros do autor (Valor de cada Livro R$ 15,00 sendo que alguns títulos estão limitados ou esgotados. Na Livraria Doce Saber em Laranjeiras os exemplares custam acima de R$ 20,00). Conforme o evento a compra dos livros poderá ser dispensada.
6 - O Escritor Clério José Borges não canta, não toca instrumentos e nem faz show. Realiza tão somente Palestra de conteúdo histórico e ministra Oficinas de Criação Poética com ênfase na Trova. No Canal do You Tube são encontrados Vídeos de Palestras em Escolas e homilias realizadas em Igrejas por Clério José Borges. Verifique e veja se servirá para o seu evento.
7 - Outros pequenos detalhes a combinar.






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