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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR
 

A PRESENÇA DOS JESUÍTAS NA COLONIZAÇÃO DA SERRA - ESPÍRITO SANTO - BRASIL

Texto de Clério José Borges

 

Aprovada pelo papa Paulo III em 1540, a Companhia de Jesus foi uma das congregações religiosas que mais contribuiu para a expansão do catolicismo no mundo ultramarino. Seguindo o rastro dos mercadores e das monarquias européias seus padres se espalharam pelos continentes americano, africano e asiático. Eram chamados de Inacianos, por causa de seu fundador, Santo Inácio de Loyola e de Jesuítas ou os soldados de Cristo. No Brasil, ao longo de pelo menos dois séculos, os jesuítas constituíram-se numa presença cultural e social significativa. Apesar de estarem mergulhados no contexto do regime colonial, profundamente imbuído por contradições e conflitos, e submetidos às regras e aos jogos do poder régio, os missionários da Companhia foram responsáveis pela criação da primeira rede de ensino no país e pela construção de numerosas obras, visando à integração das culturas indígenas e das culturas européias. Destacam-se, entre outras, as peças teatrais e poéticas e o compêndio da gramática da língua tupi - guarani, redigidas por José de Anchieta (1988). A importância da contribuição da Companhia de Jesus na elaboração do saber e da ciência ocidentais, a partir do século XVI, tem sido recentemente apontada por vários estudiosos.

 

No Município da Serra os Jesuítas tiveram significativa importância não só com a presença do Fundador da Serra, Braz Lourenço, como pelo trabalho de seus Irmãos. Foram eles que impediram a desorganização da sociedade colonial, que até a sua chegada sofria os males da falta de guias espirituais. E muitas vezes foram eles os pacificadores das revoltas de brancos e índios. Os Jesuítas na Serra, no Espírito Santo e no Brasil Foram, também, ardorosos defensores da terra, os nossos primeiros mestres e os primeiros poetas que cantaram o Brasil. Serafim Leite escreveu em seu livro "Páginas da História do Brasil": "A Companhia tinha 9 anos de existência oficial, quando chegou ao Brasil em 1549. Período, portanto, que se pode chamar de expansão, caracterizado pelo espírito de iniciativa, disciplina criadora, entusiasmo que facilita a conquista. Quinze dias depois de chegarem já tinham os Jesuítas desencadeado a ofensiva contra a ignorância, contra as superstições dos Índios, e contra os abusos dos colonos. Abriram escolas de ler e escrever: pediram a Tomé de Sousa que restituísse às suas terras os índios, injustamente cativos; iniciaram a campanha contra o hábito de comer carne humana: catequese, instrução, obras sociais, colonização.”

 

Na sua missão evangelizadora na Capitania do Espírito Santo, no início da colonização, os Jesuítas decidiram fundar redutos para a catequização dos índios. Uma articulada rede de aldeamentos implantados, ao longo do litoral, em território compreendido pelos atuais municípios Aracruz e Serra, ao norte, e Anchieta, ao sul.

 

O primeiro reduto ou Aldeamento foi em Santa Cruz. Os Índios Temiminós da Ilha de Paranapuã, derrotados por uma aliança entre os invasores Franceses e Tamoios na baía de Guanabara são transferidos para o Espírito Santo, nos últimos meses de 1554. Ficam inicialmente “apegados a ilha de Vitória” e depois, em 1555, os Temiminós são alojados na margem direita sul da foz do rio Piraquêaçú, (peixe grande) hoje vila de Santa Cruz, Município de Aracruz, onde fundaram um pequeno aldeamento, chefiados pelo Cacique Temiminó Maracajaguaçu e pelo padre Jesuíta Braz Lourenço.

 

O segundo Aldeamento foi o de Nossa Senhora da Conceição da Serra, em 1556, com os índios Temiminós de Maracajaguaçu. O Donatário da Capitania, Vasco Coutinho vendo que os Temiminós se encontravam distante de Vitória, na região de Santa Cruz, pede a Braz Lourenço que os coloque nas proximidades do Mestre Álvaro e do rio Santa Maria da Vitória, para que os Índios ajudassem na defesa da Capitania quando fosse necessário.

 

O terceiro Aldeamento foi fundado por Braz Lourenço, juntamente com os índios locais, os Tupiniquins, na atual Nova Almeida. No dia 06 de Janeiro de 1557, dia dos Reis Magos foi erguida uma pequena capela de palhas, daí o nome de "Aldeia dos Reis Magos". A Igreja de alvenaria é construída na colina e inaugurada em 1569. A residência e colégio dos padres, ao lado da Igreja, são inaugurados depois, em 1580.

 

O quarto Aldeamento foi a de São João Batista, com Temiminós liderados por Araribóia, filho de Maracajaguaçu, entre a Serra e Vitória, na atual região de Carapina, no ano de 1562.

 

 

 

O FUNDADOR BRAZ LOURENÇO

O padre Jesuíta Braz Lourenço, fundador das Aldeias de Conceição da Serra, de Reis Magos de Nova Almeida e de São João de Carapina foi missionário e administrador. Nos livros, em muitas ocasiões, consta: Lourenço vírgula Braz. Tal registro tem gerado confusão em historiadores como Naly da Encarnação Miranda e Galbo Benedicto da Silva (Nascimento), que alegam erradamente que o nome do padre fundador da Serra, de Nova Almeida e de Carapina é Lourenço Braz e não Braz Lourenço. Naly que foi Prefeito da Serra por duas vezes, chegou a criar uma Fundação Educacional Lourenço Braz, fundada em 10 de junho de 1961. Nos noventa nomes dos primeiros padres Jesuítas relacionados por Serafim Leite não há registro de nenhum padre Lourenço Braz que tenha residido ou visitado o Espírito Santo no período colonial. Segundo Serafim Leite, a maioria das Aldeias da Capitania foi organizada pelo padre Braz Lourenço e não Lourenço Braz.

 

Nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, importante e destacada cidade de Portugal. Ingressou na Companhia de Jesus, (Ordem dos Jesuítas) com 24 anos de idade, em 9 de maio de 1549. Chegou de Portugal na Terceira Expedição Missionária dos Jesuítas. Veio na Armada do 2º Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. A Armada possuía um total de 260 pessoas e era composta de quatro navios, sendo uma Nau e três Caravelas.  A Expedição Missionária dos Jesuítas era dirigida pelo padre Luiz Da Grã e contava com mais dois padres: Braz Lourenço e Ambrósio Pires. Juntos estavam mais quatro Irmãos, isto é, religiosos que estavam se preparando para serem ordenados padres. Os Irmãos eram: Antônio Blázques, João Gonçalves, Gregório Serrão e José de Anchieta.

 

Anchieta, o Apóstolo do Brasil, era ainda Irmão, pois só ordenou-se padre em 1565. Durante a viagem de Lisboa para o Brasil, Braz Lourenço chegou a ouvir em confissão, o Governador Geral, Duarte da Costa. Também ouviu em confissão o filho do Governador Geral, Álvaro da Costa.  Álvaro, que também era Comandante e Mestre de navio,  foi homenageado posteriormente por Braz Lourenço que deu o nome de Álvaro a Montanha existente na Serra.

 

Da Bahia, Braz Lourenço vem para o Espírito Santo em dezembro de 1553, na “oitava do Natal”, como Superior da Capitania, em substituição ao padre Afonso Braz que aqui estava desde 1551. Segundo o historiador Serafim Leite, na Capitania do Espírito Santo, Braz Lourenço se tornou: “O mais notável no campo da sua atividade, na renovação dos costumes dos moradores e na catequese dos Índios.”

 

        Braz Lourenço durante a sua administração como Provincial, ou seja, Superior Religioso na Capitania, de 1553 a 1564, continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas e Igreja de São Tiago, onde hoje está localizado o Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado, em Vitória. Padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno Seminário coberto de palhas.” Em 1556 funda a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição na região do Mestre Álvaro, continuando a residir em Vitória na Sede Provincial na Igreja de São Tiago, atual Palácio Anchieta.

 

Em 1561, num ataque dos Piratas Franceses à Ilha de Vitória, Braz Lourenço, mostrando muita coragem, se coloca à frente de todos e, empunhando a Bandeira de São Tiago, anima a resistência, retirando-se o inimigo com várias perdas. O ato heróico de Braz Lourenço é relatado pelos historiadores, Mário Aristides Freire; Braz Rubim; José Marcelino Pereira de Vasconcellos e Serafim Leite. Braz Lourenço foi Missionário e Administrador. Nos livros, em muitas ocasiões, consta: Lourenço vírgula Braz. Tal registro tem gerado confusão em alguns poucos historiadores, que chegam a afirmarem que Braz Lourenço é um, e Lourenço Braz é outro. O nome é colocado Lourenço vírgula Braz, pelo fato de se priorizar o segundo nome, no lugar do pré – nome, ou seja, primeiro nome. Segundo Serafim Leite, a maioria das Aldeias da Capitania do Espírito Santo foi organizada pelo padre Braz Lourenço.

 

Em 1582, Braz Lourenço retorna ao Espírito Santo como Superior da Ordem e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Vitória. Assume os cargos pela segunda vez. Após várias atividades destacadas no processo de evangelização, acaba indo se recolher já idoso, na residência dos Jesuítas em Reritiba, atual cidade de Anchieta, onde falece a 15 de julho de 1605, com 80 anos de idade. A data do falecimento é registrada pelo historiador Serafim Leite, no livro “A História da Companhia de Jesus no Brasil.”

 

Segundo os padres da Igreja Matriz da Cidade de Anchieta, alguns Jesuítas foram realmente sepultados numa área de terra próxima a Igreja. Há inclusive alguns túmulos visíveis nas áreas em torno da Igreja. Informam, contudo que a citada área de terra hoje é um pátio cimentado e não existem mais os registros oficiais, para a identificação certa e real dos túmulos. A verdade é que os registros históricos confirmam estar o padre Braz Lourenço, fundador da Serra, sepultado em Reritiba, atual Anchieta.

 

MANOEL DE PAIVA, O CARAPINA

O nome Carapina é uma homenagem ao padre Jesuíta, Manoel de Paiva, o Carapina, terceiro Provincial do Espírito Santo, que era Carpinteiro e que ensinava o ofício de Carpintaria para os jovens índios da Aldeia de São João. Paiva nasceu em Agueda, cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Aveiro, Região Centro e na sub região do Baixo Vouga, tendo chegado ao Brasil na segunda expedição dos Jesuítas, em companhia de padre Salvador Rodrigues, padre Francisco Pires e padre Afonso Brás, que foi o primeiro Provincial, ou seja, o primeiro chefe dos Jesuítas no Espírito Santo.

 

Manoel de Paiva nasceu em Agueda, Distrito de Aveiro, tendo ingressado no Colégio dos Jesuítas, na cidade de Coimbra em Portugal, no dia 18 de Junho de 1548. Veio na segunda Expedição dos Jesuítas para o Brasil, em 1550, junto com mais três Jesuítas, padre Salvador Rodrigues, padre Francisco Pires e padre Afonso Brás. Esteve na Capitania de São Vicente e foi nomeado o primeiro Superior de São Paulo de Piratininga dizendo lá missa no dia 25 de janeiro de 1554.

 

Sob a inspiração de Manuel da Nóbrega chefiou um grupo de Jesuítas que participaram da fundação de São Paulo, sendo eles, Anchieta, Pero Correia, Manuel de Chaves, Gregório Serrão, Afonso Brás, Diogo Jácome, Leonardo do Vale, Gaspar Lourenço, Vicente Rodrigues, Braz Lourenço, João Gonçalves e Antonio Blasquez. Manoel Paiva era parente de João Ramalho. Esteve na Bahia em 1562 e, em 1564 veio para o Espírito Santo onde ficou como Superior e mais tarde como operário, ou seja, atuou com simples padre. Faleceu em Vitória a 21 de Dezembro de 1584.

 

No Espírito Santo, Paiva passa a residir na sede Provincial em Vitória, na Igreja de São Thiago, onde hoje está situado o Palácio Anchieta, que havia sido construída pelo Jesuíta Afonso Brás. Na falta de padres para atender aos diversos aldeamentos existentes, Manoel de Paiva em muitas ocasiões também pernoitava na Aldeia de São João Batista, que por tal fato, passou a ser conhecida como a Aldeia do padre Carapina. Com o tempo abreviou-se para Carapina.

 

O historiador Serafim Leite, autor do Livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, confirma a versão de que Manoel de Paiva era exímio carpinteiro, um excelente Carapina, além de bom pedreiro e sapateiro. Serafim relata que, “era nos serviços de Carpintaria, que Manoel de Paiva se sentia mais realizado, principalmente quando ensinava o ofício para os mais jovens.”

 

Manoel de Paiva cuida da Aldeia durante o ano de 1564. Também em 1564, Araribóia, atendendo a convite de Mem de Sá, Governador Geral do Brasil, e de seu sobrinho Estácio de Sá, segue com centenas de Índios flecheiros do Espírito Santo para o Rio de Janeiro. No Rio será aclamado um herói e acaba fixando residência. Após atos de bravura é premiado com uma sesmaria de terra. Araribóia além de herói afamado e respeitado em terras cariocas, funda a Aldeia Indígena de São Lourenço, que daria origem a cidade de Niterói (que em tupi, significa água que se esconde ou água escondida), que por muitos anos foi à capital do Rio de Janeiro.

 

No comando da Aldeia de São João, em Carapina, no Espírito Santo fica Maracajaguaçu, que se mudara da Aldeia da Conceição, após o surgimento da epidemia de Varíola, que ali dizimara dezenas de pessoas. Em abril de 1565, padre Pedro da Costa está promovendo assistência religiosa na Aldeia de São João.

 

 

FABIANO, O  ORGANIZADOR

Fabiano de Lucena chegou ao Espírito Santo no início de 1557. Coube-lhe a organização do Povoado que deu origem à atual cidade da Serra. Não é verdade que Braz Lourenço ou mesmo Fabiano de Lucena ficassem fixos num determinado lugar ou numa determinada aldeia. Na época  havia falta de padres para o atendimento às aldeias e povoações. Os poucos padres existentes, se revezavam nas diversas visitas a serem realizadas. Eventualmente quando visitavam a aldeia ou em viagem de Vitória para a foz do Piraqueaçu ou aldeia dos Reis Magos, ficavam numa casa onde descansavam antes e após os ofícios religiosos. Numa ou outra ocasião  chegavam a pernoitar, quando a necessidade dos serviços os  levavam a permanecer na aldeia por mais tempo.

 

Fabiano de Lucena nasceu em Portugal, em 1533. Chegou ao Brasil como um dos muitos portugueses que aqui chegaram para colonizar a nossa terra. No Brasil foi Fabiano admitido, inicialmente como Irmão Leigo, pelo padre Manoel de Nóbrega, e depois foi ordenado padre. Como o número de padres vindos de Portugal era pequeno, o padre Manoel da Nóbrega decidiu a admissão de alguns Irmãos “de língua”, indispensáveis à catequese.  Além de Fabiano de Lucena , outro Português admitido no Brasil e que mais tarde tornou-se padre, foi Simão Gonçalves.

 

O Irmão Fabiano de Lucena veio de São Vicente para a Bahia em 1556, com o padre Manoel de Nóbrega, e depois, já ordenado padre, foi mandado para o Espírito Santo, passando a tomar conta da “aldeia do Gato”, no início de 1557. Fabiano  de Lucena passou a oferecer assistência religiosa nas seguintes aldeias:

a) Nossa Senhora da Conceição,  de Serra;

b) Aldeia Velha, localizada a 3 quilômetros da foz do rio  Piraqueaçu.

c) Aldeia Maraguai , (do “Gato”), localizada na foz do rio Piraqueaçu, na atual Santa Cruz, que abrigava alguns poucos Temiminós que não haviam se mudado de lá para a aldeia de Conceição na Serra .

d) Aldeia dos Reis Magos, na região da atual Nova Almeida.

A aldeia Velha era de Índios Tupiniquins. Já as demais aldeias eram compostas de Índios Temiminós, ou seja, “do Gato”.

Em algumas aldeias, como a de Reis Magos, existiam  Tupiniquins aliados aos Temiminós.

       

Os Índios de Maracajaguaçu eram pacíficos e amigos dos colonizadores. Próximo à aldeia Indígena, na região da Serra, surgem algumas residências de portugueses. Começa a surgir o povoado. Segundo carta  de 1562,  a  aldeia Indígena estava localizada  “arriba da povoação dos Cristãos.” Os portugueses foram atraídos para as  proximidades do Mestre Álvaro, em razão das atenções que Vasco Coutinho dispensava aos Temiminós, que eram amigos do Donatário e que se constituíam numa importante força de defesa da Capitania contra os ataques estrangeiros. Prova das atenções de Coutinho para com Maracajaguaçu encontra-se no relato do dia em que Gato Grande  foi batizado em 29 de maio de 1558, quando  recebeu inúmeras homenagens de Vasco Coutinho, chegando a adotar no batismo o nome do Donatário da Capitania do Espírito Santo.

 

O Irmão religioso, Antônio de Sá, recém-chegado ao Espírito Santo, acaba ajudando  Fabiano de Lucena em sua missão evangélica e relata os primórdios da colonização da Serra, bem como a origem do povoado, em carta enviada aos padres e Irmãos da Bahia, datada de 13 de junho de 1559. José Antônio de Carvalho baseado em Serafim  Leite e nas cartas dos jesuítas da época, relata que na aldeia de Conceição da Serra havia uma casa que era local de descanso para os padres:

“A casa era para ser usada pelos padres quando lá fossem. E quem  lá ia todos os dias, pelo rio Santa Maria, desde 1560, levado por 4 ou 5 meninos que viviam na casa - sede de Vitória - em uma Almadia (embarcação comprida e estreita), era o padre Fabiano de Lucena. Quando lá chegava, um Índio ia pelas casas, avisando da sua chegada, para que todos fossem à Igreja ouvir sua palavra antes de irem ao trabalho. Esse padre Fabiano de Lucena mandou fazer naquela aldeia de que tinha cargo, uma outra casa, onde colocou um homem devoto que, com sua mulher, cuidava das moças Índias, ensinando-as a fiar e costurar. E essas moças se casavam com os rapazes doutrinados pelos padres. A aldeia já estava organizada nos moldes das Vilas Portuguesas: O Ouvidor era o Principal, indicado pelos padres, e havia também Alcaide e Porteiro.”

 

Pelo texto observa-se que a aldeia entre 1560 a 1564 já era um povoado, “nos moldes das Vilas Portuguesas”, tendo Ouvidor, que era o Juiz da Vila, o Alcaide (Oficial de Justiça e Delegado de Polícia) e o Porteiro, denominação do Cobrador de Direitos Reais, ou seja, o Cobrador de Impostos. Observa-se ainda que o caminho natural e normal de quem ia de Vitória para a aldeia de Nossa Senhora da Conceição era o rio Santa Maria, utilizando-se a Almadia, um tipo de embarcação de origem bastante primitiva, comprida e estreita, muito usada na época. Fabiano de Lucena com o seu trabalho de organização do povoado da Serra, na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, consegue reunir cerca de mil pessoas entre índios e colonos portugueses. Em 1564 chega ao Espírito Santo junto com o padre Manoel de Paiva, padre Diogo Jácome que recebe a missão de substituir Fabiano de Lucena na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, incumbindo-se também de visitar as aldeias, próximas, inclusive a aldeia Velha (Santa Cruz).

 

Fabiano de Lucena se constitui num dos pilares básicos em que se estruturou  o início da colonização da atual Cidade da Serra. Foi um autêntico organizador do povoado.

 

Em princípios de 1565, Fabiano parte para a Bahia e em junho pede a seu superior,  padre Luiz Da Grã, licença para ir de volta a sua terra natal em Portugal, afirmando estar enfermo. Por causa da falta de padres no Brasil, Luiz Da Grã não concede a autorização. Obstinado, bastante decidido e doente, Fabiano acaba desrespeitando Ordens Superiores e embarca num navio para Portugal, saindo da Bahia a 20 de junho de 1565. O navio, em viagem, enfrenta problemas com os franceses, todavia chega a Lisboa sem  outras maiores dificuldades.

Segundo o historiador Serafim Leite, Fabiano não é bem recebido entre os jesuítas em Lisboa, pois desobedecera  a Ordens Superiores.  Doente,  vive em solidão,  até que falece aos 49 anos de idade, em Portugal, no ano de 1582, vítima de Tuberculose, doença que contraíra no Brasil.

 

DIOGO JÁCOME E PEDRO GONÇALVES, MÁRTIRES DA SERRA

Com a saída de Fabiano de Lucena do Espírito Santo, Diogo Jácome, assume, o trabalho de catequese e evangelização na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, em 1564. Trabalhando com Jácome está o Irmão Pedro Gonçalves. Sobre Diogo Jácome sabe-se que nasceu em Portugal e que veio para o Brasil na  primeira expedição de jesuítas, com o padre Manoel da Nóbrega, em 1549. Ordenou-se padre na Bahia em 1562. Diogo Jácome introduziu o serviço de obras manuais entre os companheiros da Companhia de Jesus e entre os habitantes da região da Serra. Era também Pedreiro e Sapateiro .   

 

Em princípios de 1564, surge na Capitania do Espírito Santo a doença  “das bexigas” (Varíola), começando, segundo os historiadores, na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, “onde eram responsáveis Diogo Jácome e Pedro Gonçalves.” O padre Pedro da Costa, em carta escrita na época, relata: “Era tão geral a doença que em todas as casas havia enfermos que mais pareciam hospital. Havia dia em que se enterravam três a quatro mortos.” Os historiadores informam que da Capitania do Espírito Santo “foram heróicos benfeitores os padres Diogo Jácome e Pedro Gonçalves por ocasião da epidemia de bexigas .”

 

Assim que a epidemia de varíola passou, a aldeia foi localizada em outro local, pois, “o mau cheiro parecia que ainda estava nas mesmas casas.” Esta mudança de local não significa que a aldeia tenha saído da região do Mestre Álvaro e sido localizada em outra região distante.

Apenas houve uma mudança de sítio.

A aldeia que ficava na Região onde nos dias atuais situam-se os bairros de Cascata, São Lourenço e a Cidade do Garoto, passa para uma colina mais distante, do outro lado do morro da Serra, no lugar em que hoje se situa a sede do Município da Serra. A escolha do novo sítio foi feita  pelos religiosos Diogo Jácome e Pedro Gonçalves e ocorreu no ano de  1564, antes do mês de setembro quando o Irmão Pedro Gonçalves veio a adoecer, acabando por falecer em novembro. Segundo levantamentos históricos o mês correto da escolha do novo sítio e mudança de local foi em Junho de 1564. A Igreja passa a ser localizada  numa colina, ficando próximas a aldeia Indígena e o povoado dos portugueses.

 

Com a mudança de local, os Índios ficam dispersos pela região. Cabe ao escritor e cronista, padre  Jesuíta Pedro da Costa, em carta da época, dar notícias do trabalho que tiveram para juntar os índios e fazê-los voltar a ordem anterior. O Principal Maracajaguaçu, já batizado com o nome de Vasco Coutinho, acaba deixando a aldeia da Conceição, passando para a aldeia de São João, em Carapina, já que o seu filho Araribóia tivera que se ausentar da aldeia, seguindo com vários Temiminós para o Rio de Janeiro, onde expulsariam definitivamente os franceses do Brasil. Na aldeia de São João, Maracajaguaçu  falecerá, quatro anos depois, em 1568, com 67 anos de idade.

 

Em novembro de 1564 morre o Irmão Pedro Gonçalves, companheiro do padre Diogo Jácome, o qual veio a falecer no dia 10 de abril de 1565. O Irmão José de Anchieta, de viagem para a Bahia, visitou a casa colegial do Espírito Santo, onde chorou “com os irmãos de hábito” a morte do padre Diogo Jácome. Sobre as mortes de Pedro Gonçalves e Diogo Jácome, o cronista Irmão Simão  de Vasconcellos, em carta da época, relata: “Em setembro, o Irmão Pedro Gonçalves adoeceu e foi levado para a Vila, mas, em princípios de novembro, faleceu. Diogo Jácome ficou sozinho. Não demorou muito e adoeceu também. Levado para a Vila (Vitória) e daí, embora o quisessem para que se tratasse, voltou a aldeia (da Conceição de Serra) para tentar construir a Igreja, pois até então estivera  em uma casa de palha na qual dizia missa. A doença piorou e, levado de volta para a Vila, faleceu a 10 de abril.”

Diz Simão de Vasconcellos que: “Diogo Jácome, consumido pelo trabalho de curar, preparar e dar terras aos mortos, entre tristezas e esperanças, clamando ao céu, deu a alma ao Criador.”

 

No período  entre a morte do Irmão Pedro Gonçalves; a morte de Diogo Jácome e o surgimento da doença de Varíola, a povoação de portugueses na Serra, não sofre grandes alterações, até porque se resumia a  pequeno agrupamento de casas.

Segundo os cronistas da época: “No período entre a morte do Irmão Pedro Gonçalves e a morte de Diogo Jácome já existem a aldeia Indígena, localizada em novo sítio ainda nas proximidades do Mestre Álvaro, e a pequena Vila, ou seja, povoação de portugueses, mais afastada, porém próxima.”

 

PEDRO DA COSTA E DIOGO FERNANDES

 

Com a morte de Diogo Jácome, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, passou a ser visitada, às vezes, pelo padre Pedro da Costa, que era responsável pela aldeia de São João (Carapina), e, outras vezes, pelo Irmão Diogo Fernandes, que estava em Vitória com o padre Manoel de Paiva e o noviço João Lobato. Oficialmente o novo visitador da aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, foi o padre Pedro da Costa, ingressando assim na história da Serra, como um dos primeiros que ajudaram na formação e consolidação inicial do povoado. Padre Pedro da Costa, que em alguns livros mais antigos figura com o nome de  “padre Pero da Costa”, era natural de Portela de Tamel, Diocese de Braga, Portugal. Segundo Serafim Leite, Pedro da Costa entrou na Companhia de Jesus quando já estava no Brasil, em 1556. Chegou ao Espírito Santo em 1564, junto com o padre Manoel de Paiva.

 

JOSÉ DE ANCHIETA SJ (1534-1597)

Conhecido como o Apóstolo do Brasil, o padre Jesuíta, José de Anchieta nasceu em Laguna, Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha) em 1534. A Ilha de Tenerife faz parte de um conjunto de pequenas Ilhas, chamadas Ilhas Canárias, um arquipélago Atlântico e pertencente à Espanha. Era de uma família de nobres que tinha parentesco com a família do fundador da Companhia de Jesus, Inácio de Loyola (1491-1556).

 

Em sua juventude, José de Anchieta permaneceu por alguns anos em Portugal para completar seus estudos na Universidade de Coimbra. Com 17 anos, estudava Lógica, ocasião em que ingressou na Companhia de Jesus em 1551. Solicitado por Manuel da Nóbrega, José de Anchieta chegou ao Brasil em junho de 1553, na armada de Duarte de Góis, na expedição chefiada pelo padre Luis Da Grã, para realizar suas atividades missionárias, com 19 anos de idade.  Logo ao chegar ao Brasil, em 1553, enquanto aguardavam navio, permaneceu Anchieta no Espírito Santo auxiliando Braz Lourenço no trabalho de catequese. Posteriormente retorna em várias outras ocasiões ao Espírito Santo, quando em viagens a Porto Seguro e Bahia. Numa destas viagens, em 1569, esteve na Igreja de São João Batista, em Carapina, na Serra. Realizou então o chamado “Milagre do Pato”, quando faz o menino Estevão Machado, que era mudo, falar. O milagre foi registrado em Inquérito instaurado pela Igreja Católica para a Beatificação de Anchieta, visando a sua Santificação.

 

Com base em Serafim Leite, Hélio Abranches Viotti e Simão de Vasconcellos, o historiador Capixaba, Elmo Elton Santos Zamprogno, relata o Milagre no livro “Anchieta”, editado em 1984, em Vitória, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Estado Espírito Santo e Conselho Estadual de Cultura - CEC: “Realiza-se a 24 de junho, festa na Aldeia de São João (Atual Carapina), próximo à Vila de Vitória. Durante os festejos, o padre José de Anchieta restitui a fala a uma criança muda, ali presente, conforme relata em carta da época o padre Simão de Vasconcellos. Durante os festejos na Igreja, vários cavaleiros disputavam um Pato, ficando com o mesmo aquele que tirasse na contenda o primeiro lugar. Contudo houve um empate, e ninguém definia a quem o Pato iria pertencer. Todos foram até o padre José de Anchieta que aceitou resolver a questão. Chamou a si um menino de cinco anos de idade, mudo de nascimento e conhecido de todos, e definiu que o menino era quem iria resolver a questão. Todos ficaram admirados, quando de repente o menino pronunciou as palavras: - O Pato é meu e vou levá-lo para a minha mãe. Todos então perceberam que era a resolução de Deus e aclamaram as virtudes do padre José, e foi-se o menino embora, com o pato e fala para casa”.

 

A corrida do Pato, ocorrida no dia 24 de Junho de 1569 era um esporte bastante publicado na época, sendo ainda tradição em algumas cidades brasileiras. Em Pirabeiraba, distrito do município de Joinville, cidade situada ao nordeste do Estado brasileiro de Santa Catarina, próximo ao litoral a corrida do Pato é a mais esperada do ano, durante a Festa do Pato. O vencedor de 2011 foi o pato Emerson Fittipaldi. Mais de dez mil pessoas prestigiaram a festa que ocorre na zona rural do município.

 

EXPULSÃO DOS JESUÍTAS

As influências dos Jesuítas no povoamento das regiões do Espírito Santo foram extintas com a expulsão dos padres do Brasil, decretada oficialmente pela influência do Marquês de Pombal, (Sebastião José de Carvalho e Mello), pela Lei de 3 de setembro de 1759. Em 22 de janeiro de 1760, segundo Serafim Leite, 17 padres, que atuavam no Espírito Santo tiveram que sair, embarcando no Navio Libúrnia, que foi para o Rio de Janeiro e de lá para o exílio. Os Jesuítas foram expulsos de Portugal e Colônias. Todos os seus bens foram confiscados. Um dos padres expulsos do Espírito Santo em 1760 foi o padre escritor Manuel da Fonseca.

 


SERRA – ESPÍRITO SANTO - BRASIL

RESUMO HISTÓRICO - SERRA - ESPÍRITO SANTO - BRASIL

Texto do Livro "HISTÓRIA DA SERRA", de Clério José Borges
Permitida a reprodução do conteúdo
Agradecemos a citação da fonte

O Município da Serra, limita-se com Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, sendo a sua Sede Administrativa (Serra Sede) situada a uma distância de 27 quilômetros do Centro de Vitória.

A distância é medida do Marco Zero da Serra, (entre a Igreja Nossa Senhora da Conceição e a Praça Pedro Feu Rosa) até o Marco Zero de Vitória, localizado na porta de entrada da Catedral, na Cidade Alta.

A Serra teve seu processo de colonização iniciado com a fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição onde, em 1556, sob a orientação do padre Jesuíta Braz Lourenço, foram alojados os índios da Tribo dos Temiminós, de Maracajaguaçu, vindos da baía de Guanabara, Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

"Fica agora o padre Braz Lourenço com uma nova ocupação (...) chegou aqui um Principal, que chamam Maracajaguaçu, que quer dizer Gato Grande (...) mas o padre Braz Lourenço se ocupara com eles, e espero no Senhor Deus que se farão Cristãos e que daí ajuntaremos alguns mínimos e que serão mais fiéis do que eles costumam ser." - Luiz Da Grã, Carta de 24 de abril de 1555.

A colonização do Espírito Santo se iniciou no dia 23 de maio de 1535, com o Donatário Vasco Fernandes Coutinho e mais 60 companheiros. Logo o território da Serra foi explorado pelos primeiros colonos, que estavam em busca do ouro. "Pelos fins de junho de 1535, alguns povoadores dos mais destemidos, por terra, foram abrindo picadas, sertão a dentro, em direção ao Mestre Álvaro, em busca de ouro e pedras preciosas, chegando até aos arredores do lugar onde está hoje a cidade da Serra."

Antes da colonização, a Serra era habitada pelos Índios Tupiniquins que viviam no litoral. Posteriormente em 1556, vieram do Rio de Janeiro os Índios Temiminós, ocasião em que o padre jesuíta, Braz Lourenço (o nome correto é Braz Lourenço e não Lourenço Braz) e o Chefe Indígena, Maracajaguaçu (Gato Grande), fundam nas proximidades do Mestre Álvaro, a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, estabelecendo as bases de colonização de uma região que posteriormente seria a cidade da Serra.

Inicialmente a população da Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição era composta de Índios e situava-se entre o Morro e o rio Santa Maria da Vitória, numa várzea localizada no sopé da Montanha. Posteriormente a Aldeia é transferida para o outro lado do Morro, no local atual, numa colina, devido a uma Epidemia de Varíola, altamente contagiosa, que atacou a região em princípios de 1564. Com o tempo, nas proximidades da Aldeia Indígena vai se formando um Povoado, com a participação dos colonizadores portugueses que vão estabelecendo suas residências e seus engenhos. Anos depois chegam os Negros Escravos para o trabalho braçal. Da miscigenação de Portugueses, Índios e Negros surge o POVO SERRANO, que dos portugueses herdou a religiosidade, dos negros um rico folclore e um grandioso gosto pelas festas e dos Índios, a paixão pela liberdade.



FUNDAÇÃO:

Dia 08 de Dezembro de 1556. Os padres Jesuítas eram devotos e divulgadores da Imaculada Conceição de Maria. Assim sabe-se com exatidão que a data de fundação da Serra foi mesmo no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus.

A data foi escolhida pelo padre Jesuíta Braz Lourenço para celebrar a primeira Missa na Aldeia Indígena dos Temiminós de Gato Grande.



FUNDADORES:

1 - Maracajaguaçu, (Gato Bravo Grande ou Gato Grande), Chefe da Tribo dos Índios Temiminós. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1501, na Ilha de Paranapuã, (palavra em Tupi que significa "Seio do mar"), também chamada pelos Indígenas de Ilha de Paranapecu e pelos Franceses e Portugueses de Ilha do Gato, sendo atualmente conhecida como Ilha do Governador, na baía de Guanabara.

Após sofrer algumas derrotas, nas guerras com os seus inimigos, os ìndios Tamoios que viviam no Continente, resolve pedir asilo (ajuda) na Capitania do Espírito Santo, recebendo total apoio do Donatário Vasco Fernandes Coutinho, que de imediato mandou quatro lanchões (tipo de navio) para trazerem toda a Tribo Indígena e seus pertences para as terras do Espírito Santo, onde o padre Braz Lourenço ficou encarregado de cuidar deles, fato ocorrido em 1554, conforme relato escrito do Padre Jesuíta Luiz Da Grã. Os ìndios em número aproximado de 2000 ficam inicialmente em Vitória partindo, em seguida para a região da atual Santa Cruz e depois, em 1556, retornam para perto de Vitória, onde constroem uma Aldeia na atual região da Serra. Junto com Maracajaguaçu estão seus filhos, Araribóia e Manemoaçu.

Maracajaguaçu é uma palavra na língua Tupi que significa, Gato Bravo Grande, ou Gato Grande.

Maracajá: Gato Bravo e Guaçu: Grande.

2 - Padre Jesuíta Braz Lourenço. Nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, em Portugal. Chegou ao Brasil em 1553. Foi Provincial, Chefe dos Padres no Espírito Santo, de 1553 a 1564, administrando os Jesuítas, bem como criando e fundando núcleos de catequese em várias Aldeias Indígenas. Continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas em Vitória. O Colégio havia sido iniciado pelo seu antecessor Afonso Braz. Foi também o construtor da primeira residência dos Jesuítas na vila de Vitória, pois o padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno seminário coberto de palhas”.

Braz Lourenço residia oficialmente em Vitória, pois era Provincial, (chefe dos padres), mas em seu trabalho de evangelização fundava e visitava várias Aldeias Indígenas. Foi encarregado pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho de abrigar os Temiminós de Maracajaguaçu, inicialmente alojando-os na região de Santa Cruz em 1554 e depois trazendo-os para mais perto de Vitória em 1556, entre a Montanha do Mestre Álvaro e o Rio Santa Maria da Vitória.

A Aldeia Indígena foi construída inicialmente no sopé da Montanha, numa região de Várzea, onde foi feita uma pequena capela coberta com folhas secas (palhas) de Palmeiras. Sopé é a parte inferior ou base de rocha, encosta ou montanha. Várzea é uma planície, terreno plano em vale extenso e cultivado. Uma Missa Campal no interior da Aldeia Indígena, a Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, também conhecida como Aldeia do Gato e Aldeia de Conceição da Serra, marcou a fundação do núcleo inicial que daria origem posteriormente ao povoado de Conceição da Serra, depois Serra.

É bom lembrar que os Temiminós estavam chegando de mudança. Haviam saído da distante região de Santa Cruz, onde haviam sido alojados inicialmente e retornavam para mais perto de Vitória para auxiliarem o Donatário Português Vasco Coutinho, na defesa da Capitania contra ataque de Índios inimigos e dos terríveis Piratas e Corsários (Ingleses e Holandeses), que sempre apareciam na baía de Vitória.



MUNICÍPIO:

Criado em 02 de Abril de 1833, com território desmembrado do Município de Vitória.

Uma data importante. A emancipação, a liberdade. A Serra deixa de ser do Município de Vitória e passa a ter uma vida administrativa própria. O Município, com apenas um Distrito Sede, foi somente instalado em 19 de Agosto de 1833, após ter sido preparado um local para servir como Paço Municipal (Sede Administrativa).



POPULAÇÃO:

Ano 1960: 9.192 habitantes

Ano 2000: 321.181 habitantes, com 158.458 homens e 162.723 mulheres.

Ano 2010 (fonte IBGE): 409.324 habitantes

Ano de 2012 - Previsão: 500.000 habitantes



ÁREA:

Unidade territorial (Km²): 553 km 526m



DENSIDADE DEMOGRÁFICA (hab/Km²):

Conforme Censo de 2010: 739,38



GENTÍLICO:

Serrano. Quem nasce em Vitória é Vitoriense ou Capixaba, denominação que se estendeu para todo o nascido no Espírito Santo. Quem nasce em Vila Velha é Canela Verde ou Vilavelhense.

Quem nasce na Serra portanto é SERRANO.



LIMITES:

A Serra faz parte da Região Metropolitana da Grande Vitória, que é composta dos Municípios de Serra, Vitória, Cariacica, Vila Velha, Viana, Fundão e Guarapari.

O Município da Serra faz limite com a Capital do Estado, Vitória e com o Oceano Atlântico.

A Serra limita-se:

Ao Norte com o Município de Fundão.

Ao Sul com os Municípios de Cariacica e Vitória.

Ao Leste com o Oceano Atlântico.

A Oeste, com o Município de Santa Leopoldina.



DISTRITOS:

Quando o Município foi criado em 1833, desmembrado do Município de Vitória havia apenas um Distrito, o da Serra Sede.

Pelo Decreto Lei Estadual N.º 15.177, de 31 de Dezembro de 1943, o Município da Serra era constituído dos Distritos de:

Carapina, Nova Almeida, Queimado, Calogi antigo Itapocu e Serra Sede.

Na Divisão Administrativa estabelecida pela Lei Orgânica do Município em 05/04/1990, e em vigor até os dias atuais, a Serra continua com os cinco Distritos de 1943:

Carapina, Nova Almeida, Queimado, Calogi antigo Itapocu e Serra Sede.



NOME:

O topônimo (origem do nome) está relacionado à origem da cidade, localizada ao pé da SERRA ou do Monte (Montanha) do Mestre Álvaro.

Ao longo dos anos a Serra recebeu as seguintes denominações:

1556: A sede é denominada de Aldeia de Nossa Senhora da Conceição.

1769: A sede é denominada de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra.

1822: A sede da Freguesia, que pertencia a Vitória, passa a ser denominada oficialmente de Vila da Serra.

1833: É criado o Município da Serra, desmembrado de Vitória, com um Distrito sede denominado Vila da Serra. A Serra finalmente liberta-se. É a sua emancipação política e administrativa.

1875: A sede do Município denominada de Vila da Serra passa a Cidade da Serra, sendo o Município, que havia sido criado no ano de 1833, constituído apenas de um Distrito, na sede, denominado agora de Cidade da Serra.



PRINCIPAL FESTA RELIGIOSA

Festa de São Benedito realizada anualmente no dia 26 de Dezembro. A padroeira da Serra é Nossa Senhora da Conceição, todavia é São Benedito quem recebe as mais efusivas e expressivas manifestações de carinho do povo Serrano, que realiza a festa de forma grandiosa e bonita desde 1826.

No Estado do Espírito Santo a festa de São Benedito é comemorada no dia 27 de dezembro. Na Serra é um dia antes, no dia 26. É uma festa de caráter pagão-religioso, que teve sua origem, segundo a tradição oral, no socorro providencial de São Benedito, quando certo navio que carregava escravos pela costa do Espírito Santo naufragou. Ao se depararem com a morte, invocaram a proteção de São Benedito e de Deus, e graças às preces, conseguiram se salvarem abraçados ao mastro que se desprendeu do navio e assim foram levados até a praia.

A festa de São Benedito no Município da Serra é caracterizada pela cortada, puxada, fincada e retirada do mastro. Um público de 50 mil pessoas ou mais, participam da Festa, envolvendo não apenas a comunidade local, mas todo o Estado do Espírito Santo.

Tradicionalmente as festas de São Benedito na Serra ocorrem oficialmente, ou seja com apoio da Comunidade Católica, desde 1826 , dezenove anos depois de Benedito ter sido proclamado Santo. Como São Benedito nasceu em 1526, a primeira festa na Serra foi realizada 300 anos depois do seu nascimento. São Benedito nasceu na Cidade de Palermo, Capital da Sicília, Itália, razão pela qual durante a festa um navio, com o nome PALERMO é puxado através de uma corda pelos fieis, pelas ruas principais da cidade da Serra. Sobre ele vão algumas crianças com vestes de marinheiro.



MORRO QUE É UMA MONTANHA QUE É UMA SERRA

Dom Pedro II quando visitou a Serra, em 1860, anotou no seu Diário, MESTRE ÁLVARO. No livro que narra a visita feita pelo Imperador do Brasil à Serra a 31 de Janeiro de 1860 consta: "Um dos acompanhantes do Imperador, de nome Meirelles, (Conde Azambuja Meirelles), informou que o nome da Serra era Mestre Álvaro, ponto de marcação a um Mestre de Navio chamado Álvaro".

SUA MAJESTADE IMPERIAL, DOM PEDRO II, EM 1860, NÃO ESCREVEU "MESTRE ALVO" E NEM "MESTRE ÁLVARES" E SIM, ESCREVEU "MESTRE ÁLVARO".

LEI OFICIAL - Em Lei do Estado de 12 de Novembro de 1897, foi oficializado o nome MESTRE ÁLVARO.

QUEM FOI O MESTRE ÁLVARO? - Foi Dom Álvaro da Costa, Mestre Comandante de Navio, amigo do Padre fundador da Serra, Braz Lourenço e filho do Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa.

SERRA - ES. O topônimo (origem do nome) está relacionado à origem da cidade, localizada ao pé da SERRA ou do Monte (Montanha) do Mestre Álvaro.

O MESTRE ÁLVARO E A LENDA DO PÁSSARO DE FOGO

Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stella de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminó) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos). Guaraci, em Tupi significa Sol, Verão. Jaciara significa Tempos de Luar, Noites com raios de Lua.

Pertencentes a duas tribos inimigas - Temiminós e Botocudos - o jovem casal foi impedido de viver a sua história de amor. Comovido com a paixão dos dois índios, o Deus Tupã transformou-os em duas montanhas. O índio ficou sendo o Mestre Álvaro, na Serra e a índia, o monte Mochuara (Moxuara), em Cariacica.

Tanto Serra e Cariacica são cidades limítrofes e fazem parte da Grande Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo.

Até hoje eles estão frente a frente, contemplando um ao outro e assim ficarão por toda a eternidade. Segundo o historiador Clério José Borges, um "Pássaro de fogo" sempre é visto, pelas pessoas de coração puro, sem malícia, nas noites de São João, (24 de junho), indo do Mestre Álvaro ao Mochuara, abençoando o amor de Guaraci e Jaciara. Prova de que homens e histórias passam, mas corações não morrem jamais. Segundo ainda o Escritor e Pesquisador Clério José Borges, autor do Livro "História da Serra", a Lenda Capixaba conta a estória de um Pássaro de Fogo que colabora na união do jovem casal, havendo uma grande semelhança com a Lenda Russa do Pássaro de Fogo, imortalizada pelo grande Maestro e grande Músico, Igor Stravinsky.



OBSERVAÇÃO: É ERRADO ESCREVER MARACAIA - GUAÇU OU MARACAIAGUAÇU E LOURENÇO BRAZ

Através de documentos históricos e baseado em uma fonte primária, ("História da Companhia de Jesus no Brasil", de Serafim Leite), o certo é usar MARACAJAGUAÇU e BRAZ LOURENÇO.

Na ortografia antiga, usada antes da Reforma Ortográfica, quando a grafia era essencialmente etimológica e bem antes da publicação das bases da Ortografia Portuguesa, de Gonçalves Viana, colocava-se a letra "i" em MARACAJAGUAÇU e ficava MARACAIAGUAÇU. Na Ortografia atual coloca-se a letra JOTA no lugar da letra I, ficando MARACAJAGUAÇU.
(MARACAJÁ= GATO BRAVO + AÇU= GRANDE)

Já o nome do Padre fundador da Serra é BRAZ LOURENÇO, que foi Administrador, Missionário e Provincial, ou seja, Chefe dos Jesuítas no Espírito Santo, de 1553 a 1564, sendo que o Escritor e padre Serafim Leite, no livro "História da Companhia de Jesus no Brasil" destaca: “As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo padre Braz Lourenço”.






FUNDADORES DA SERRA : PADRE BRAZ LOURENÇO E MARACAJAGUAÇU

BIOGRAFIA E DADOS HISTÓRICOS

OBSERVAÇÃO: É ERRADO ESCREVER MARACAIA - GUAÇU OU MARACAIAGUAÇU E LOURENÇO BRAZ

Através de documentos históricos e baseado em uma fonte primária, ("História da Companhia de Jesus no Brasil", de Serafim Leite), o certo é usar MARACAJAGUAÇU e BRAZ LOURENÇO.

Na ortografia antiga, usada antes da Reforma Ortográfica, quando a grafia era essencialmente etimológica e bem antes da publicação das bases da Ortografia Portuguesa, de Gonçalves Viana, colocava-se a letra "i" em MARACAJAGUAÇU e ficava MARACAIAGUAÇU.

Na Ortografia atual coloca-se a letra JOTA no lugar da letra I, ficando MARACAJAGUAÇU.
(MARACAJÁ= GATO BRAVO + AÇU= GRANDE)

Já o nome do Padre fundador da Serra é BRAZ LOURENÇO, que foi Administrador, Missionário e Provincial, ou seja, Chefe dos Jesuítas no Espírito Santo, de 1553 a 1564, sendo que o Escritor e padre Serafim Leite, no livro "História da Companhia de Jesus no Brasil" destaca: “As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo padre Braz Lourenço”.



BRAZ LOURENÇO, FUNDADOR DA SERRA

Texto do Livro "HISTÓRIA DA SERRA", de Clério José Borges
Permitida a reprodução do conteúdo.
Agradecemos a citação da fonte

Braz Lourenço, SJ (Nasceu em Melo, 1525 - Faleceu em Anchieta, 15 de julho de 1605). Foi o sacerdote jesuíta que fundou o município de Serra, no Estado do Espírito Santo, Brasil, junto com o Chefe Indígena Maracajaguaçu. Rezou a primeira missa na Aldeia de Maracajaguaçu. Nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, cidade de Portugal. Ingressou na Companhia de Jesus, (Ordem dos Jesuítas) com 24 anos de idade, em 9 de maio de 1549. Veio para o Brasil, em 1553, na expedição missionária dos Jesuítas que era dirigida pelo padre Luiz Da Grã e pelo padre Ambrósio Pires e que fazia parte da Armada (Navios de Guerra) do 2º Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa, junto estava José de Anchieta, que mais tarde, seria denominado o Apóstolo do Brasil. Na ocasião, Anchieta ainda não era padre e sim, apenas um noviço, um aprendiz. Anchieta ordenou-se padre em 1565.

Braz Lourenço foi confessor do Governador Geral, Duarte da Costa e do filho do Governador, Álvaro da Costa, que  era Comandante e Mestre de navio, o MESTRE ÁLVARO, do Morro da Serra.

Da Bahia, Braz Lourenço vem para o Espírito Santo em dezembro de 1553, na “oitava do Natal”, para assumir o cargo de Provincial da Capitania, em substituição ao padre Afonso Braz que aqui estava desde 1551. Provincial significa Superior (Chefe) das casas religiosas e dos Padres. Segundo o historiador Serafim Leite, na Capitania do Espírito Santo, Braz Lourenço se tornou: “O mais notável no campo da sua atividade, na renovação dos costumes dos moradores e na catequese dos Índios”.

Braz Lourenço foi Provincial no Espírito Santo, de 1553 a 1564, administrando os Jesuítas, bem como criando e fundando núcleos de catequese em várias Aldeias Indígenas. Continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas em Vitória. O Colégio havia sido iniciado pelo seu antecessor Afonso Braz. Foi também o construtor da primeira residência dos Jesuítas na vila de Vitória, pois o padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno seminário coberto de palhas”.

Em 1564, Braz Lourenço foi substituído pelo padre Manoel de Paiva e segue para Porto Seguro onde é nomeado superior do Colégio dos Jesuítas. Em 1572, o padre Inácio de Tolosa leva Braz Lourenço para o Rio de Janeiro, onde o fundador da Serra, é nomeado vice-reitor do Colégio dos Jesuítas. José de Anchieta, que, em 1565, ordenara-se padre na Bahia, tinha sido nomeado Reitor, mas como Anchieta encontrava-se em missão evangelizadora na região de São Paulo, acabou não assumindo a Reitoria do Colégio do Rio de Janeiro.

Braz Lourenço, que estava como vice-reitor, acaba assumindo a Reitoria, permanecendo no cargo de 1573 a 1576. Em 1582, Braz Lourenço retorna ao Espírito Santo como superior da Ordem e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Vitória. Assume os cargos pela segunda vez. Após várias atividades destacadas no processo de evangelização, já idoso, acaba indo se recolher na residência dos Jesuítas em Reritiba, atual cidade de Anchieta, onde falece a 15 de julho de 1605. Tendo nascido em 1525, ao morrer a 15 de julho de 1605, Braz Lourenço tinha 80 anos e não 86, como erradamente citam algumas publicações.

A Prefeitura da Serra divulga erradamente, em publicações oficiais e pela Rede Mundial de Computadores, a INTERNET, o seguinte texto, baseado em informações EQUIVOCADAS E ERRADAS do Memorialista, Escritor gente boa e amiga, Naly da Encarnação Miranda que por ouvir dizer e sem base documental relata no seu livro "Reminiscências da Serra 1556 - 1983", na página 15: “Quanto ao dia e mês da chegada do padre Braz Lourenço na Serra, não se sabe com exatidão. (sic)  Porém, como era costume dar nomes a lugares ou acidentes geográficos com o nome do santo do dia, supõe-se que tal data tenha se dado em 08 de dezembro de 1556, dia consagrado à Santa Nossa Senhora da Conceição. O padre Brás Lourenço, contando com a colaboração do cacique Maracaiaguaçu (Gato Grande), conseguiu assim fundar a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra, em 1556, no sopé do monte Mestre Álvaro”.

No texto historicamente constata-se alguns erros:

1 - Sabe-se SIM com exatidão o dia e chegada de Braz Lourenço no Espírito Santo, que ocorreu na oitava do Natal de 1553. OS PADRES JESUÍTAS ERAM DEVOTOS E DIVULGADORES DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA. Assim sabe-se com exatidão que a data foi mesmo 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus.
No texto da Prefeitura, o nome do Padre está Certo, BRAZ LOURENÇO, QUE FOI PROVINCIAL (REITOR - CHEFE) DE 1553 A 1564. No texto de Naly está ERRADAMENTE, LOURENÇO BRAZ.
SOPÉ ou VÁRZEA é tudo a mesma coisa, a Aldeia Indígena foi fundada nas proximidades do Morro do Mestre Álvaro, inicialmente entre a Montanha e o Rio Santa Maria da Vitória. Em 1564, depois de uma epidemia de Varíola, mudou-se para o outro lado da montanha, na atual localização da sede do Município.

2 - Os Jesuítas eram grandes divulgadores da Imaculada Conceição de Maria sendo a data de 8 de Dezembro escolhida para a homenagem a mãe de Jesus de Nazaré, o Cristo, palavra que em Grego significa Messias.

3 - Depois da Reforma Ortográfica, a grafia da palavra é Maracajaguaçu. A palavra com a letra I no lugar da letra J é do tempo em que no Brasil se escrevia Farmácia com PH no lugar da letra F.

4 - A grafia certa é BRAZ Lourenço, com a Letra Z em BRAZ.

Braz Lourenço não residiu na Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra e sim em Vitória onde era o Provincial, ou seja, Superior dos Jesuítas, exercendo as funções de comandante religioso da Capitania do Espírito Santo. Tinha várias atribuições por ser o Superior dos Jesuítas. Uma de suas atribuições mais destacadas era a manutenção e ampliação da Igreja São Tiago e a construção da residência dos Jesuítas, em Vitória. Tais atividades o impediam de fixar residência numa única aldeia. Segundo a historiadora Maria Stella de Novaes, Braz Lourenço, o fundador da Serra, foi: “Um verdadeiro Apóstolo, no Espírito Santo (...) e construtor da primeira Igreja dos Jesuítas, na Vila de Vitória”.

BRAZ LOURENÇO OU LOURENÇO BRAZ?

O padre Jesuíta Braz Lourenço, fundador das Aldeias de Conceição da Serra, de Reis Magos de Nova Almeida e de São João de Carapina foi missionário e administrador. Nos livros, em muitas ocasiões, consta: Lourenço vírgula Braz. Tal registro tem gerado confusão em historiadores como Naly da Encarnação Miranda e Galbo Benedicto da Silva (Nascimento), que alegam erradamente que o nome do padre fundador da Serra, de Nova Almeida e de Carapina é Lourenço Braz e não Braz Lourenço. Naly que foi Prefeito da Serra por duas vezes, chegou a criar uma Fundação Educacional Lourenço Braz, fundada em 10 de junho de 1961. Nos noventa nomes dos primeiros padres Jesuítas relacionados por Serafim Leite não há registro de nenhum padre Lourenço Braz que tenha residido ou visitado o Espírito Santo no período colonial. Segundo Serafim Leite, a maioria das Aldeias da Capitania foi organizada pelo padre Braz Lourenço e não Lourenço Braz.

O saudoso escritor e ex-prefeito Naly da Encarnação Miranda publicou dois livros abordando fatos históricos da Serra, onde cita como Fundador, o Padre Jesuíta Lourenço Braz e não Braz Lourenço, baseado em informações erradas de Francisco Eugênio de Assis, na obra “Dicionário Histórico e Geográfico do Espírito Santo”, publicada em Vitória em 1941. Assis relata erradamente em sua obra: “A Fundação da Serra deve-se ao Jesuíta Lourenço Braz em companhia de outros em 1556...”  Com base na fonte primária, “História da Companhia de Jesus no Brasil”,  de Serafim Leite, obra em Dez Volumes, editada em 1938 e depois reeditada em 1950, em Lisboa e no Rio de Janeiro, pode-se dizer com certeza de que o Fundador da Serra é BRAZ LOURENÇO.

 

Naly Encarnação Miranda no Livro "Comentários Históricos da Serra", obra publicada em 1990, baseada em "comentários de ouvir dizer, sem qualquer análise em documentos históricos", escreve na página 11 o seguinte, sendo o comentário entre parentesis de minha autoria:

"Uma advertência: para quem confunde LOURENÇO BRÁS com Brás Lourenço, creio que basta ler o Livro do saudoso escritor Capixaba ELMO ELTON, (NÃO CONFIÁVEL, GENTE MUITO BOA E AMIGA MAS COMETEU EQUÍVOCOS), intitulado "VELHOS TEMPLOS DE VITÓRIA E OUTROS TEMAS CAPIXABAS", no qual consta que LOURENÇO BRÁS esteve em Vitória no ano de 1554, (MENTIRA, CHEGOU EM 1553), na Igreja de São Tiago onde, em carta, informou a seus superiores que: "a Igreja de São Tiago já está bem maior" dizendo mais: "será tan grande como ia del nuestro colégio de Coimbra o mas, y enchese toda". Enquanto que, segundo o mesmo Livro e autor, Brás Lourenço chegou em Vitória no ano de 1562 e permaneceu até 1564, (MENTIRA FOI PROVINCIAL DE 1553 A 1564), deixando também, sobre a Igreja de São Tiago, as seguintes informações: "a igreja é pobre a qual nem ornamentos, nem retábulos, nem galetas tem". Conclui então NALY, Essas Notas afastam qualquer incerteza, ou dúvida, de que LOURENÇO BRÁS é um e Brás Lourenço é outro que nada tem a ver com a Serra e sim com a fundação de Nova Almeida, o que fez ao sair de Vitória." (MENTIRA). Braz Lourenço foi Provincial no Espírito Santo de 1553 a 1564

 

Naly da Encarnação Miranda está equivocado. Não é verdade que tenham existido dois padres Jesuítas: Um de nome Lourenço Braz e outro de nome Braz Lourenço:

 

1 - Na relação dos Padre Jesuítas do início da Colonização do Brasil, apresentada por Serafim Leite em sua obra literária, “História da Companhia de Jesus no Brasil”, não consta dois padres e os dois nomes, apenas BRAZ LOURENÇO. Braz Lourenço foi Provincial no Espírito Santo de 1553 a 1564.

2 - O Escritor ELMO ELTON também se equivocou. Nos dois casos o Padre é o mesmo, BRAZ LOURENÇO

A questão é que o Pesquisador não pode confiar apenas em uma FONTE de pesquisa. Naly se refere apenas a Elmo Elton e não pesquisa outros autores. É PRECISO DESCOBRIR OUTRAS FONTES. IR EM BUSCA DA FONTE PRIMÁRIA, OU SEJA, A FONTE INICIAL ONDE OUTROS ESCRITORES SE BASEARAM. E, A FONTE PRIMÁRIA NO CASO É O LIVRO, "A HISTÓRIA DA COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL", DO PADRE ESCRITOR SERAFIM LEITE. LÁ ENCONTRAMOS A BIOGRAFIA DE BRAZ LOURENÇO, QUE DIZ O SEGUINTE: Braz Lourenço foi Provincial no Espírito Santo, POR DUAS VEZES, de 1553 a 1564 e depois, em 1582, Braz Lourenço retorna ao Espírito Santo como superior da Ordem e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Vitória. Assume os cargos pela segunda vez. Após várias atividades destacadas no processo de evangelização, já idoso, acaba indo se recolher na residência dos Jesuítas em Reritiba, atual cidade de Anchieta, onde falece a 15 de julho de 1605. NO TEXTO EM QUE NALY CITA ELMO ELTON, SE REFERE A UM PADRE EM 1554 E OUTRO EM 1562, sendo que BRAZ LOURENÇO foi Provincial no Espírito Santo, pela primeira vez, de 1553 a 1564, QUANDO VAI PARA A BAHIA E RETORNA EM 1582. ASSIM BRAZ LOURENÇO ESTAVA NO ESPÍRITO SANTO DE 1553 A 1564 E ERA ELE O PADRE CITADO EM 1554 E 1562. Foi Padre Braz Lourenço quem fundou as duas Aldeias Indígenas, a Aldeia de Conceição da Serra e a Aldeia de Reis Magos em Nova Almeida.

ORIGEM DA CONFUSÃO

A confusão começou em 1941, quando o escritor, Francisco Eugênio de Assis no “Dicionário Geográfico e Histórico do Estado do Espírito Santo”, na página 259, diz que a Serra foi fundada pelo Jesuíta Lourenço Braz, em companhia de outros em 1556. O ex Prefeito Naly da Encarnação Miranda, com base em Francisco Eugênio de Assis, chegou a criar uma Fundação de amparo à Criança, com o nome  Lourenço Braz, divulgando o nome errado do Fundador da Serra. O texto de Francisco Eugênio Assis é de 1941.

Os historiadores que registram o nome Braz Lourenço e não Lourenço Braz, antes de 1941 são: Misael Ferreira Pena, em 1878; Basílio Carvalho Daemon, em 1897; Serafim Leite, em 1938. No Web Site da Prefeitura Municipal da Serra, na Rede Internacional de Computadores chegou a constar erradamente que “não há registros da permanência de Braz Lourenço no Espírito Santo.”  Registros do tempo e permanência de Braz Lourenço no Espírito Santo. existem Sim pois foi o Segundo Provincial da Capitania. Quanto a Lourenço Braz, não consta nenhum registro histórico já que o mesmo não existiu. Braz Lourenço já estava no Espírito Santo desde dezembro de 1553. Serafim Leite em sua obra já citada sobre a História da Companhia de Jesus destaca: “As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo Padre Braz Lourenço”.



MARACAJAGUAÇU, Chefe dos Temiminós, fundador da Serra, ES

Maracajaguaçu, Gato Bravo Grande foi um dos Fundadores, junto com o Padre Jesuíta, BRAZ LOURENÇO, da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição que deu origem a atual cidade da Serra, no Estado do Espírito Santo, Brasil. Foi o Principal, isto é, o Cacique Chefe dos Índios Temiminós que, com o padre Braz Lourenço, construiu a Aldeia e a Igreja que daria origem depois o povoado de Conceição da Serra, hoje Serra.

Maracajaguaçu (Maracajá= Gato Bravo + Açu= Grande) era Temiminó, do Grupo Tupi. O grupo de Índios Tupis, pela posição que ocupava no litoral, foi o que manteve maior contato com os Portugueses. Foi o que deu maior contribuição na formação da Cultura Brasileira e o que, pela miscigenação, mais se integrou à população.

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1501, na Ilha de Paranapuã, (palavra em Tupi que significa "Seio do mar"), também chamada pelos Indígenas de Ilha de Paranapecu e pelos Franceses e Portugueses de Ilha do Gato, sendo atualmente conhecida como Ilha do Governador, na baía de Guanabara. Com vinte anos de idade já era um dos principais líderes de sua Tribo, graças a atos de bravura. Mudou-se para o Espírito Santo em 1555, quando já tinha 54 anos de idade. Pesquisadores informam que Maracajá era um felino que habitava as matas virgens e de tamanho que chega quase ao triplo do gato doméstico.

OBSERVAÇÃO: É ERRADO ESCREVER MARACAIA - GUAÇU OU MARACAIAGUAÇU E LOURENÇO BRAZ

Através de documentos históricos e baseado em uma fonte primária, ("História da Companhia de Jesus no Brasil", de Serafim Leite), o certo é usar MARACAJAGUAÇU e BRAZ LOURENÇO.

Na ortografia antiga, usada antes da Reforma Ortográfica, quando a grafia era essencialmente etimológica e bem antes da publicação das bases da Ortografia Portuguesa, de Gonçalves Viana, colocava-se a letra "i" em MARACAJAGUAÇU e ficava MARACAIAGUAÇU.

Na Ortografia atual coloca-se a letra JOTA no lugar da letra I, ficando MARACAJAGUAÇU.
(MARACAJÁ= GATO BRAVO + AÇU= GRANDE)

Já o nome do Padre fundador da Serra é BRAZ LOURENÇO, que foi Administrador, Missionário e Provincial, ou seja, Chefe dos Jesuítas no Espírito Santo, de 1553 a 1564, sendo que o Escritor e padre Serafim Leite, no livro "História da Companhia de Jesus no Brasil" destaca: “As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo padre Braz Lourenço”.



ARARIBÓIA, Chefe dos Temiminós, filho de Maracajaguaçu
e fundador de Carapina na Serra ES e Niterói no Rio de Janeiro

Maracajaguaçu, o Índio Gato Bravo Grande, que morava na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro tinha dois filhos: Mamenoaçu e Araribóia. O segundo filho de Gato Grande é Araribóia. O nome indígena Araribóia significa Cobra Feroz ou Cobra das Tempestades. “Araib”, em Tupi, significa “Tempo Mau, Tempestade, Tormenta” e “Bói” significa “Cobra”. Nasceu em 1524, na Ilha de Paranapuã, também chamada de Paranapecu, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Não é verdade que Araribóia tenha nascido no Espírito Santo. Esteve no Espírito Santo, acompanhando seus pais e sua gente, de 1554 a 1564. Aqui residiu na região de Santa Cruz e depois na Serra. Posteriormente em 1562, fundou a Aldeia de São João, em Carapina. A historiadora Maria Stella de Novaes, na página 30, do livro “A História do Espírito Santo” informa que Araribóia nasceu na Ilha de Villegagnon. A Escritora Maria Stella está errada, equivocada. Araribóia não nasceu na Ilha de Villegagnon, que era chamada pelos Indígenas de Ilha de Serigipe. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1524, na Ilha de Paranapuã, (palavra em Tupi que significa "Seio do mar"), também chamada pelos Indígenas de Ilha de Paranapecu e pelos Franceses e Portugueses de Ilha do Gato, sendo atualmente conhecida como Ilha do Governador, na baía de Guanabara.

O certo é Braz Lourenço e não Lourenço Braz e Maracajaguaçu e não Maracaiaguaçu.


Fonte: Borges, Clério José - Livro História da Serra - 3a Edição - 2009 - Editôra Canela Verde








Mapa da Serra e Estátua do Herói da Revolta dos Negros Escravos ocorrida no Distrito do Queimado em 1849, o Líder Chico Prego.







FONTE DE PESQUISAS

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Fonte de Pesquisa:

Borges, Clério José - Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição - 1998, 2003 e 2009 - Editora Canela Verde - À Venda na Loja Biss, Avenida Central, 901, Parque Residencial Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 33 38 39 05

Borges, Clério José - Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões - 2010 - Editora Canela Verde - À Venda na Loja Biss, Avenida Central, 901, Parque Residencial Laranjeiras, Serra ES - Tel.: 27 - 33 38 39 05



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CAPA DE ALGUNS LIVROS ESCRITOS POR CLÉRIO JOSÉ BORGES






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