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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR

COMO FORAM OS JOGOS OLÍMPICOS DE 2004, NA GRÉCIA

Mais de um século depois, 108 anos, a capital grega volta a receber o maior evento esportivo mundial. Em 1997, Atenas superou outras dez cidades candidatas: Buenos Aires, na Argentina, Cidade do Cabo, na África do Sul, Estocolmo, na Suécia, Istambul, na Turquia, Lille, na França, Rio de Janeiro, no Brasil, Roma, na Itália San Juan, em Porto Rico, Sevilha, na Espanha, e São Petersburgo, na Rússia. Problemas financeiros e de infra-estrutura preocuparam o Comitê Olímpico Internacional (COI) quanto à finalização das obras na data marcada. Mas, com um investimento total de 4,5 bilhões de euros, o governo grego agilizou a solução dos problemas e espera ter lucro de meio bilhaõ de euros. O medo de um atentado terrorista forçou a idealização de um plano de segurança com 45 mil homens, sendo 25 mil policiais, 7 mil militares, 4,5 mil homens da guarda costeira e dos bombeiros, além de 3 mil seguranças particulares e 5 mil voluntários. Mais de dez mil atletas de 201 países são esperados pelo COI. Cerca de 21 mil jornalistas participarão da cobertura do evento durante os 16 dias de competição que distribuirá 3.410 medalhas em 301 cerimônias de premiação.

Atenas - O Brasil fez a melhor campanha de todos os tempos em sua história olímpica, desde o início na Antuérpia/1920, nos Jogos em que o atletismo foi salvo no último dia pela excepcional performance do maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima e o povo brasileiro percebeu que um de seus principais ídolos, o tenista Gustavo Kuerten, não consegue mais jogar, de tanta dor.

O Brasil somou quatro medalhas de ouro, três de prata e três de bronze para ficar em 18º lugar na classificação geral dos Jogos de Atenas - a primeira colocação foi dos Estados Unidos. Em Sydney/2000, os brasileiros conquistaram 12 medalhas no total, mas ficou a frustração pela falta do ouro, e a 52ª posição. Mas a melhor performance até então tinha sido antes disso, em Atlanta/96, com 3 de ouro, 3 de prata e 9 de bronze.

Com 247 atletas, em 27 modalidades - um crescimento de 20% em relação à Sydney -, o Brasil entrou em 30 disputas de medalhas e teve chances de ouro em 23. Embora os números sejam atraentes, o País ainda está distante das potências olímpicas e, entre os seus ouros, tem apenas um ganho em um esporte que é massificado e popular, o do vôlei masculino. Robert Scheidt, a dupla Torben Grael/Marcelo Ferreira, ambos do iatismo, e até mesmo Emanuel e Ricardo, do vôlei de praia, são profissionais no que fazem, frequentadores da elite do circuito mundial.

Pódios como os da vela, de Robert Scheidt e Torben Grael, ou a prata do hipismo, ganha por Rodrigo Pessoa, considerados verdadeiras voltas por cima, após a prata, o bronze e o refugo do cavalo Baloubet du Rouet em Sydney, respectivamente, não podem ser considerados resultados do desenvolvimento do esporte brasileiro.

Na avaliação do Comitê Olímpico Brasileiro, o número de chances de medalhas do Brasil, 30, mostra, sim, que houve uma evolução quantitativa do esporte.

Presença feminina - As mulheres, que bateram recorde de participação, com a presença de 122 atletas, decepcionaram no basquete e no vôlei, modalidades que terminaram os Jogos Olímpicos em quarto lugar, mas que haviam ido ao pódio nas duas edições olímpicas anteriores, em Sydney e em Atlanta. Também a ginasta Daiane dos Santos, favorita à medalha no solo, errou ao pisar fora das linhas que cercam o tablado e ficou com o quinto lugar. Mas as meninas do futebol, além de Adriana Behar e Shelda no vôlei de praia, salvaram a honra das mulheres em Atenas, ganhando a prata nos dois casos.

Comandadas pelo técnico Renê Simões, as meninas da seleção de futebol fizeram papel digno. A falta de condição de trabalho e a irrisória verba de R$ 35,00 por dia paga pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não abateram as jogadoras, que superaram fortes equipes, como a Suécia, e chegaram à final com méritos.

Mas a prata do futebol também não é sinônimo de desenvolvimento interno do esporte no Brasil, pelo contrário. A medalha foi um prêmio pelo bom trabalho do elenco e de Renê Simões. E só não se transformou em ouro por um pouco de falta de sorte e por erros de arbitragem na decisão contra os Estados Unidos.

Ídolo com problemas - Gustavo Kuerten passou o ano se preparando para disputar os Jogos de Atenas, seu principal objetivo da temporada. Mas sua participação durou uma mísera rodada. O tenista decepcionou e perdeu, logo na estréia, para o chileno Nicolas Massu. Assim que acabou a partida, desabafou. E, por meio da imprensa, alertou os fãs de que suas condições físicas estão cada vez mais limitadas. "Não consigo mais jogar como antes, meus golpes não são mais tão potentes", declarou, visivelmente abalado. "Depois de uma ou duas horas de partida, começo a sentir dores e os adversários sabem disso."

Mesmo com problemas, Guga, de 27 anos, consegue se superar em alguns momentos e, por isso, garante ainda não pensar em aposentadoria. Mesmo na derrota para Massu, ele mostrou que pode fazer boas campanhas, embora pensar em voltar ao seleto grupo dos 10 melhores do mundo seja quase utopia.

A natação, que foi à cinco finais, ficou sem medalha. O atletismo, que esteve em três disputas de medalhas, foi salvo de fazer uma de suas piores campanhas justamente na última prova dos Jogos Olímpicos. Com o bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona, o Brasil saiu com saldo positivo de Atenas.

Heleni Felippe e Eduardo Maluf

QUADRO MEDALHAS 
Athenas 2004
TOTAL
18º Brasil 4 3 3 10
 Estados Unidos 35 39 29 103
2º China 32 17 14 63
 Rússia 27 27 38 92
4º Austrália 17 16 16 49
 Japão 16 9 12 37
6º Alemanha 14 16 18 48
 França 11 9 13 33
8º Itália 10 11 11 32
 Coréia do Sul 9 12 9 30
10º Grã-Bretanha 9 9 12 30
11º Cuba 9 7 11 27
12º Ucrânia 9 5 9 23
13º Hungria 8 6 3 17
14º Romênia 8 5 6 19
15º Grécia 6 6 4 16
16º Noruega 5 0 1 6
17º Holanda 4 9 9 22
18º Brasil 4 3 3 10
19º Suécia 4 1 2 7
20º Espanha 3 11 5 19
21º Canadá 3 6 3 12
22º Turquia 3 3 4 10
23º Polônia 3 2 5 10
24º Nova Zelândia 3 2 0 5
25º Tailândia 3 1 4 8
26º Bielo-Rússia 2 6 7 15
27º Áustria 2 4 1 7
28º Etiópia 2 3 2 7
29º Eslováquia 2 2 2 6
  Irã 2 2 2 6
31º Taiwan 2 2 1 5
32º Geórgia 2 2 0 4
33º Bulgária 2 1 9 12
34º Jamaica 2 1 2 5
  Usbequistão 2 1 2 5
36º Marrocos 2 1 0 3
37º Dinamarca 2 0 6 8
38º Argentina 2 0 4 6
39º Chile 2 0 1 3
40º Casaquistão 1 4 3 8
41º Quênia 1 4 2 7
42º República Checa 1 3 4 8
43º África do Sul 1 3 2 6
44º Croácia 1 2 2 5
45º Lituânia 1 2 0 3
46º Egito 1 1 3 5
  Suíça 1 1 3 5
48º Indonésia 1 1 2 4
49º Zimbábue 1 1 1 3
50º Azerbaijão 1 0 4 5
51º Bélgica 1 0 2 3
52º Bahamas 1 0 1 2
  Israel 1 0 1 2
54º Camarões 1 0 0 1
  Emirados Árabes Unidos 1 0 0 1
  Irlanda 1 0 0 1
  República Dominicana 1 0 0 1
58º Coréia do Norte 0 4 1 5
59º Letônia 0 4 0 4
60º México 0 3 1 4
61º Portugal 0 2 1 3
62º Finlândia 0 2 0 2
  Sérvia e Montenegro 0 2 0 2
64º Eslovênia 0 1 3 4
65º Estônia 0 1 2 3
66º Hong Kong 0 1 0 1
  Índia 0 1 0 1
  Paraguai 0 1 0 1
69º Nigéria 0 0 2 2
  Venezuela 0 0 2 2
71º Colômbia 0 0 1 1
  Eritréia 0 0 1 1
  Mongólia 0 0 1 1
  Síria 0 0 1 1
  Trinidad e Tobago 0 0 1 1
76º Afeganistão 0 0 0 0
  Algéria 0 0 0 0
  Angola 0 0 0 0
  Antigua & Barbuda 0 0 0 0
  Antilhas 0 0 0 0
  Antilhas Holandesas 0 0 0 0
  Arábia Saudita 0 0 0 0
  Argélia 0 0 0 0
  Armênia 0 0 0 0
  Aruba 0 0 0 0
  Bahrein 0 0 0 0
  Bangladesh 0 0 0 0
  Barbados 0 0 0 0
  Belize 0 0 0 0
  Benin 0 0 0 0
  Bermuda 0 0 0 0
  Bolívia 0 0 0 0
  Bósnia-Herzegovina 0 0 0 0
  Botsuana 0 0 0 0
  Brunei 0 0 0 0
  Burkina Faso 0 0 0 0
  Burundi 0 0 0 0
  Butão 0 0 0 0
  Cabo Verde 0 0 0 0
  Camboja 0 0 0 0
  Catar 0 0 0 0
  Chade 0 0 0 0
  Chipre 0 0 0 0
  Cingapura 0 0 0 0
  Comoros 0 0 0 0
  Congo 0 0 0 0
  Costa do Marfim 0 0 0 0
  Costa Rica 0 0 0 0
  Djibuti 0 0 0 0
  Dominica 0 0 0 0
  El Salvador 0 0 0 0
  Equador 0 0 0 0
  Fiji 0 0 0 0
  Filipinas 0 0 0 0
  Gabão 0 0 0 0
  Gâmbia 0 0 0 0
  Gana 0 0 0 0
  Granada 0 0 0 0
  Guam 0 0 0 0
  Guatemala 0 0 0 0
  Guiana 0 0 0 0
  Guiné 0 0 0 0
  Guiné Equatorial 0 0 0 0
  Guiné-Bissau 0 0 0 0
  Haiti 0 0 0 0
  Honduras 0 0 0 0
  Iêmen 0 0 0 0
  Ilhas Cayman 0 0 0 0
  Ilhas Cook 0 0 0 0
  Ilhas Maurício 0 0 0 0
  Ilhas Salomão 0 0 0 0
  Ilhas Virgens 0 0 0 0
  Ilhas Virgens Britânicas 0 0 0 0
  Iraque 0 0 0 0
  Islândia 0 0 0 0
  Jordânia 0 0 0 0
  Kiribati 0 0 0 0
  Kuwait 0 0 0 0
  Laos 0 0 0 0
  Lesoto 0 0 0 0
  Líbano 0 0 0 0
  Libéria 0 0 0 0
  Líbia 0 0 0 0
  Liechtenstein 0 0 0 0
  Luxemburgo 0 0 0 0
  Macedônia 0 0 0 0
  Madagascar 0 0 0 0
  Malásia 0 0 0 0
  Malaui 0 0 0 0
  Maldivas 0 0 0 0
  Mali 0 0 0 0
  Malta 0 0 0 0
  Mauritânia 0 0 0 0
  Micronésia 0 0 0 0
  Moçambique 0 0 0 0
  Moldávia 0 0 0 0
  Mônaco 0 0 0 0
  Myanmar 0 0 0 0
  Namíbia 0 0 0 0
  Nauru 0 0 0 0
  Nepal 0 0 0 0
  Nicarágua 0 0 0 0
  Níger 0 0 0 0
  Omã 0 0 0 0
  Palau 0 0 0 0
  Palestina 0 0 0 0
  Panamá 0 0 0 0
  Papua Nova Guiné 0 0 0 0
  Paquistão 0 0 0 0
  Peru 0 0 0 0
  Porto Rico 0 0 0 0
  Quirguistão 0 0 0 0
  Rep. Dem. do Congo 0 0 0 0
  República Centro-Africana 0 0 0 0
  Ruanda 0 0 0 0
  Saint Kitts e Nevis 0 0 0 0
  Samoa 0 0 0 0
  Samoa Americana 0 0 0 0
  San Marino 0 0 0 0
  Santa Lúcia 0 0 0 0
  Sao Tomé e Príncipe 0 0 0 0
  São Vicente e Granadas 0 0 0 0
  Senegal 0 0 0 0
  Serra Leoa 0 0 0 0
  Seychelles 0 0 0 0
  Somália 0 0 0 0
  Sri Lanka 0 0 0 0
  Suazilândia 0 0 0 0
  Sudão 0 0 0 0
  Suriname 0 0 0 0
  Tajiquistão 0 0 0 0
  Tanzânia 0 0 0 0
  Timor Leste 0 0 0 0
  Togo 0 0 0 0
  Tonga 0 0 0 0
  Tunísia 0 0 0 0
  Turcomenistão 0 0 0 0
  Uganda 0 0 0 0
  Uruguai 0 0 0 0
  Vanuatu 0 0 0 0
  Vietnã 0 0 0 0
  Zâmbia 0 0 0 0



 Pequim-2008 se apresenta em Atenas
Atenas, 29/08/2004 - Um atleta da delegação chinesa veste uma camiseta que diz: "vejo você em 2008". A próxima Olimpíada será realizada em Pequim

 Brasil conquista ouro no vôlei
Foto: Reuters
Atenas, 29/08/2004 - A Seleção de Bernardinho conquistou a quarta medalha de ouro do Brasil em Atenas, superando a campanha de três ouros de Atlanta-1996
 Judô dá dois bronzes ao Brasil
Foto: Reuters
16/08/2004 01:08 - O judoca brasileiro Leandro Guilheiro venceu a final da repescagem e ficou com o bronze. Esta foi a primeira medalha do Brasil nos jogos.
17/08/2004 01:08
- Flávio Canto faturou o segundo bronze do judô. Ele também ficou na repescagem, mas se recuperou e subiu ao pódio.


 Brasileiro é prejudicado e perde o ouro
Foto: AP

Atenas, 29/08/2004 - Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a maratona e foi agarrado por manifestante, perdendo segundos preciosos; ainda assim, foi bronze
O brasileiro liderou boa parte da prova, mas foi atrapalhado por um protestante já perto do final; ainda assim, ficou com o bronze

 
Robert Scheidt
 

ATENAS, GRÉCIA - A vela volta da Grécia como o esporte que mais medalhas deu ao Brasil nos Jogos de Atenas e também em toda a história das Olimpíadas. Foram dois ouros, com Robert Scheidt na classe Laser e com a dupla Torben Grael/Marcelo Ferreira na classe Star. No geral, agora são 14 medalhas, sendo seis de ouro, duas de prata e seis de bronze.

Torben e Marcelo foram campeões com uma regata de antecipação, comprovando que são dois dos mais respeitados velejadores da classe Star em todo o mundo. Juntos, os dois também ganharam o ouro em Atlanta-96 e foram bronze em Sydney-2000. Com a conquista, Torben inscreveu seu nome na história das Olimpíadas.

Ele agora é o principal nome brasileiro nos Jogos e também é o único velejador do mundo com cinco medalhas olímpicas. Foram duas de ouro (Atlanta-96 e Atenas-2004) e duas de bronze (Seul-88 e Sydney-2000) na Star, além da prata na classe Soling (Los Angeles-84).

Para Torben, o desempenho em Atenas demonstra que o Brasil está no caminho certo.

- Analisando os resultados a gente vê que a equipe é muito importante. Além dos dois ouros, o Brasil conseguiu um quarto, um sexto e um oitavo lugares com a garotada. Todo apoio é importante, mas para garotada é mais importante ainda, por isso a seleção permanente é fundamental para quem está no início. Eles são os medalhistas do futuro - disse o atleta ao COB.

Marcelo Ferreira tem dois ouros e um bronze, ficando atrás apenas do próprio Torben e de Robert Scheidt em termos de conquistas olímpicas para o Brasil. Assim como o parceiro, ele também superou Adhemar Ferreira da Silva, que antes dos Jogos de Atenas era o único bicampeão brasileiro - no salto triplo nos Jogos de 1958 e 1962, respectivamente em Helsinque e em Melbourne.

O triunfo brasileiro na vela, entretanto, começou com Robert Scheidt, que também conquistou o bicampeonato. Assim, ele passa a ser o segundo maior atleta olímpico do Brasil, atrás apenas de Torben. O velejador de 31 anos ganhou seu primeiro título em Atlanta, em 1996. Em 2000, nos Jogos de Sydney, ficou com a prata.

Decepção na classe Mistral

Apesar das vitórias, o Brasil passou por uma profunda decepção no mar grego. Ricardo Winicki, o Bimba, teve uma medalha nas mãos na classe Mistral e a perdeu na última prova. Ele precisava apenas chegar na 15ª colocação para assegurar ao menos o bronze, mas terminou em 17º e ficou fora do pódio.

Para piorar, o brasileiro entrou na prova final na liderança e conquistaria o ouro se ficasse na terceira colocação, independente dos outros resultados. A prata viria se ele chegasse até a quinta posição. No entanto, o título ficou com o israelense Gal Fridman, enquanto o grego Nikolaos Kaklamanakis foi vice e o britânico Nick Dempsey, terceiro.

No fim, Bimba terminou em quarto lugar no geral. Não serve de consolo, mas sua posição é a melhor conseguida por um brasileiro na Mistral. Outro bom resultado foi com André Fonseca e Rodrigo Duarte, em sexto na 49er. Na 470, Alexandre Paradeda e Bernardo Arndt ficaram na oitava colocação, enquanto Joca Signorini acabou em décimo na Finn.

ORIGEM DOS JOGOS OLÍMPICOS

O que começou como uma homenagem a Zeus, com o tempo passou a ser patrocinado pelos ricos que mantinham atletas profissionais.

Os gregos são conhecidos pelo seu culto à saúde, à beleza e à força. Isso fazia com que de quatro em quatro anos se reunissem em Olímpia, Delfos, Corinto e Neméia. Cada uma das dez divisões da Ática era representada por 24 homens escolhidos pela saúde, vigor e beleza viril.

Se a religião não conseguiu unir a Grécia, o atletismo,
periodicamente, o conseguia.

Tamanha importância atribuíam a esses torneios, que nem a própria invasão persa os interrompeu, enquanto os espartanos tentavam barrar os persas nas Termópilas, uma multidão vibrava com a vitória de Teágenes de Tasos. Os persas muito se admiraram de os gregos não estarem todos nas Termópilas e sim em Olímpia.

Esses jogos destinavam-se também, a deixarem os homens sempre aptos para a guerra, onde teriam que arremessar lanças e pedras, e correr e pular obstáculos.

Imaginamos os peregrinos e atletas partirem com um mês de antecedência, rumo ao local dos jogos. Mercadores expunham de comida até cavalos e estatuária, enquanto acrobatas e mágicos realizavam seus truques diante da multidão. Os festejos eram para os homens, pois deles que deles não participavam as mulheres casadas, as mulheres tinham seus jogos particulares nas festas de Hera. Só os gregos nascidos livres podiam tomar parte na competição. Os Atletas (de athlos, competição) eram selecionados em eliminatórias locais e municipais, depois de se submeter a dez meses de rigoroso treino sob a direção dos aidotribai (literalmente, massagistas de moços) e gymnastai.

Quando tudo estava pronto, os atletas eram levados ao estádio em meio à multidão ovaçante e anunciava-lhes os nomes e cidades donde vinham. Apresentavam-se todos nus ou com um cinto.

As provas mais importantes formavam o pentathlon, ou os cinco torneios. O primeiro era um salto em distância com pesos nas mãos. O segundo era o arremesso de um disco de metal ou pedra. A terceira o arremesso de dardos ou lanças. A Quarta, a mais importante era uma corrida cujo comprimento era de duzentas jardas. A Quinta era uma luta, certamente originário do boxe da Creta minoana que evoluiu para uma luta livre que tudo era permitido, incluindo pontapés no estômago, exceto dentadas e arrancamento dos olhos. Três desses lutadores, cujos nomes nos chegaram, venceram nessa luta fraturando os dedos dos adversários; outro desferiu golpes tão ferozes, com as afiadas unhas, que dilacerou as carnes do adversário e arrancou-lhe os intestinos.

Além do pentathlon, havia outras formas de corrida e corridas de cavalos e carros onde poucos chegavam ao final e muitos morriam.

Nada se sabe sobre os recordes, mesmo porque não tinham meios para marcar pequenos espaços de tempo. Conta-se de um corredor que vencia as lebres na corrida; outro que venceu um cavalo numa corrida entre Coronéia e Tebas. E Fídipes, que cobriu a distância entre Atenas e Esparta em dois dias, que foi o escolhido para levar a notícia da vitória na batalha de Maratona correndo cerca de 42 Km, morrendo de infarto no final.





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