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CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT´ANNA                                             VOLTAR


João Clímaco de Alvarenga Rangel
Defensor dos Negros Escravos da Revolta do Queimado




Dia 12/02/2010 - Clério José Borges, como historiador da Serra, autor do Livro História da Serra é convidado pelo Repórter Fotografico Edson da TV Assembléia para conceder entrevista sobre a pessoa de João Clímaco de Alvarenga Rangel. Orador afamado. Estudou em São Paulo. Formou-se em Ciências Jurídicas. Nasceu na Vila do Queimado, quando a mesma pertencia a Vitória.

Nasceu em Vila do Queimado, (na época pertencente a Vitória, capital do Estado do Espírito Santo), a 30/03/1799. Foi professor de Filosofia em sua cidade, onde poetou, quando moço, tendo Afonso Cláudio assinalado que "seus cantos patrióticos, seus hinos à amizade e às crianças, seus trenos aos desalentados da vida, impreterivelmente, são subjetivistas; são antes transportes dos estados do espírito, sínteses psicológicas, do que transmissão de impressões recebidas do contato externo". Falta-lhes a nota popular, a expressão de viver das massas anônimas, suas aspirações e tendências; falta-lhes, ainda, o sainete lirista inerente ao ambiente brasileiro, o vigor do colorido nativista; daí o esquecimento em que caiu o poeta para os seus conterrâneos, cuja única consagração póstuma consistiu em lhe darem o nome a uma das praças de sua cidade natal, onde o poeta teve a residência e o berço. João Clímaco, também advogado, quando ainda estudante do curso jurídico, elegeu-se deputado geral em 1833. Orador sacro de projeção mesmo fora de sua província, orou na Capela Imperial, na Corte, Onde o padrão de pregadores se afinava por Monte Alverne. Defendeu, em Vitória, os escravos presos em decorrência da Insurreição do Queimado episódio que ficou gravado, para sempre, nas páginas da história do Espírito Santo, abandonando, em seguida, a vida parlamentar, em que se notabilizara. Faleceu em Vitória, a 22/07/1866. Patrono, Cadeira n.º 3 da Academia Espírito-santense de Letras.

Obras: Não deixou livros publicados.

FONTE: Patronos & Acadêmicos - Antologia coordenada por Francisco Aurélio Ribeiro, AEL - Vitória-ES - 2002.
Serra em Prosa e Versos - Poetas e Escritores da Serra, de Clério José Borges - Serra - ES.


Vila de SÃO JOSÉ DO QUEIMADO, Serra, ES, Brasil

VILA DO QUEIMADO - Foto publicada na Revista NU, março de 2009, página 22, em reportagem com a Sra. Ormi Rodrigues que nasceu em 1918, na Freguesia do Queimado onde morou até 1970, quando se mudou para a Serra Sede. No alto, a 100 metros de altura do nível do mar, a Igreja de São José, palco dos acontecimentos que resultaram na Revolta (Insurreição) dos Negros Escravos do Distrito do Queimado em 1849. A foto é de 1875.

INSURREIÇÃO DO QUEIMADO:
A REVOLTA DOS NEGROS EM BUSCA DA LIBERDADE

Texto do Livro "HISTÓRIA DA SERRA", de Clério José Borges
Permitida a reprodução do conteúdo.
Agradecemos a citação da fonte

RESUMO - Em 19 de março de 1849 é deflagrado um movimento de libertação dos escravos, na Vila de São José do Queimado. Tal movimento, que mobilizou cerca de trezentos Negros Escravos, iniciado em 19 de Março de 1849, foi desmobilizado pela força militar da época cinco dias depois com a prisão dos líderes do movimento e, levou a enforcamento dois dos líderes da revolta: João da Viúva Monteiro e Chico Prego. O primeiro, enforcado na Vila de São José do Queimado em 8 de Janeiro de 1850. O segundo na Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra, no dia 11 de Janeiro do mesmo ano. (1850).
(Foto ao lado, de 1875, vendo-se a Igreja de São José na colina que possui 100 metros de altitude do nível do mar)

O Carrasco que realizou o enforcamento dos dois chamava-se Ananias e veio do Rio de Janeiro no Navio Boa Sorte. A forca foi construída pelo Carpinteiro Camilo de Lélis. Na morte de Chico Prego na Serra Sede aconteceu um imprevisto. A forca não foi suficiente para matar o Negrão Chico Prego. Foi preciso o carrasco Ananias subir em seus ombros para tentar matá-lo. Mesmo assim, Chico Prego não morre. Ananias corta a corda e o negrão cai ao chão. Chico Prego só morre quando Ananias, com um porrete esmaga-lhe o crânio.

O padre João Clímaco da Alvarenga Rangel foi o advogado dos negros que buscavam a liberdade no movimento denominado "Insurreição do Queimado", ocorrido na Vila de Queimado, que na época pertencia ao município de Vitória e hoje é um distrito do Município da Serra.

LÍDERES DA REVOLTA
Na preparação da Insurreição e comandando o movimento estavam:

1 - Elisiário Rangel - Chefe da Insurreição. Era um Negro estudado. Sabia ler e escrever. Tinha sido preparado pelo seu proprietário, Faustino Antônio de Alvarenga Rangel.

Observação: Escravo não tinha oficialmente sobrenome mas recebia sempre o nome da família do seu dono.

2 - Francisco de São José, o Chico Prego.

3 - João, o Pequeno.

4 - João da viúva, assim chamdo porque pertencia a viúva Monteiro.

5 - Carlos, irmão de Elisiário, também escravo do Padre João Clímaco de Alvarenga Rangel.

O Chefe da Insurreição, Elisiário Rangel fugiu da prisão, por um descuido do Carcereiro. Existe a versão de que o Carcereiro havia ingerido bebida alcoólica (Cachaça) e dormido. A fuga ocorreu na madrugada do dia 7 de dezembro de 1849 e além de Elisiário fugiram Carlos e João. Chico Prego e João da Viúva Monteiro, presos em outra cela, não puderam escapar. Buscas foram realizadas. Recompensa em dinheiro para quem recuperasse os fugitivos, mas, os mesmos jamais foram encontrados. Segundo a lenda, a fuga foi devido a um Milagre de Nossa Senhora da Penha. Elisiário fugiu inicialmente para as matas da Montanha do Mestre Álvaro e depois para a região do Município de Cariacica, onde junto com outros fugitivos formou um Quilombo no local hoje denominado de Piranema, (Cariacica, ES).

A grafia correta é Distrito do "QUEIMADO". É errado escrever QUEIMADOS, com a letra S no final. Em 2011 foi inaugurada uma estrada pavimentada e asfaltada ligando a Serra Sede (região do bairro Cascata) as ruínas da Igreja de São José do Queimado e o Governo de Estado por falta de conhecimento e, para alguns, burrice, instalou algumas placas, registrando erradamente QUEIMADOS com a letra S no final.

A Freguesia de São José de Queimado foi criada pela Lei Provincial N.º 9, de 1846. Pertencia a Vitória e hoje é um Distrito da Serra. Na época do Revolta possuía cerca de 5000 habitantes e estava situado à margem do Rio Santa Maria da Vitória, onde havia um porto chamado Porto do Una, (Negro), onde era embarcada, em grandes canoas que comportavam mais de cem sacas de café, a produção da região da Serra e onde eram desembarcados os produtos importados que atendiam às necessidades locais. O rio servia como via para o transporte em geral, inclusive para a integração de Vitória com a Serra e com o Norte do Espírito Santo. Na época, século XIX, a Freguesia do Queimado limitava-se com a Freguesia da Serra pelo rio Tangui e Porto do Una, seguindo a margem do brejo até a ponte do mesmo nome e, em linha reta, até a estrada de São João, na ladeira das pedras, compreendendo Itapocu e todo o Caioba.

A pedra fundamental iniciando a construção da Igreja de São José foi colocada no dia 15 de Agosto de 1845 e somente em 19 de março de 1849 a Igreja foi parcialmente concluída, justamente no dia do início da Insurreição (ou Revolta) dos Negros Escravos do Distrito do Queimado, que desejavam a Alforria, a Liberdade. A obra levara cerca de três anos e meio para ser edificada, medindo, em seu corpo principal, 90 palmos de comprimento por 42 de largura, com 43 de altura. No dia da inauguração, a conclusão da obra dependia de algumas poucas providências que não impediam que fosse aberta aos ofícios religiosos. Na foto acima, um grupo de Turistas Poetas Trovadores visitando, no dia 05 de novembro de 2011, a Estátua de Chico Prego, na Praça Almirante Tamandaré, no Centro da Serra. A Estátua é uma obra do Artista Plástico Tute, (Jenézio Jacob Kuster).

O Jornal "Correio da Vitória", de 21 de março de 1849, publica a seguinte notícia:

"No dia 19 do corrente um grande grupo de escravos invadiu a Igreja da Povoação do Queimado na ocasião em que se celebrava o santo sacrifício da Missa, e em gritos proclamava a sua liberdade, e alforria, e seguindo para diversas Fazendas e aliciando os Escravos delas e, em outras, obrigando os seus donos a doarem a liberdade a seus Escravos, engrossou em número de 300."

Com base na notícia do Jornal "Correio da Vitória" podemos afirmar com certeza de que a Revolta dos Negros Escravos do Queimado teve a participação de 300 Escravos. Ofício do Presidente da Província do Espírito Santo, Antônio Joaquim de Siqueira, com data de 20 de março de 1849, encaminhado à Corte no Rio de Janeiro, confirma tal informação:

"Ontem pelas três horas da tarde, soube que um grupo armado de trinta e tantos Escravos perpetrara o crime de Insurreição no Distrito do Queimado, três léguas distantes desta Capital (Vitória), invadindo a Matriz na ocasião em que se celebrava a missa conventual, e levantando os gritos de "Viva a Liberdade" e "Queremos Alforria." Este grupo seguiu depois a direção do Engenho Fundão, de Paulo Coutinho Mascarenhas, e obrigou-o a entregar-lhe os seus Escravos e passar-lhes Carta de Liberdade, as armas e munições que possuía. O mesmo fizeram em outros Engenhos de maneira que conseguiu elevar o seu número a cerca de Trezentos. (...) Escusado é narrar a Vossa Excelência o susto e o terror de que se acham apoderados os habitantes desta Capital e lugares circunvizinhos."

Relatos históricos dão conta de que ao Queimado, para participarem da Insurreição ocorreram Escravos da Serra, Itapóca, Viana, São Mateus e demais redondezas. A localidade de São Mateus citada nos documentos sobre a Revolta do Queimado, não é a atual cidade de São Mateus do Norte do Espírito Santo e sim, uma Vila localizada na época, perto de Nova Almeida, que possuía trezentas casas. Tal Vila é citada pelo ex Prefeito Naly da Encarnação Miranda, na página 42 do Livro, "Reminiscências da Serra, 1556 - 1983" e foi tema de uma Reportagem do Pesquisador Thiago Dal Col, na Revista NU/ZÊNITE, editada nos dias atuais na cidade da Serra, ES. São Mateus da Serra (ES) é uma localidade atualmente extinta.

O historiador Wilson Lopes de Resende, em obra de 1949, com o título "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", tece elogios ao Frei Gregório, relatando:

"Os escravos, (...) aguardavam pacificamente outra oportunidade redentora (...) quando apareceu na Freguesia do Queimado um Sacerdote, desses heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão e a quem tanto deve o Brasil Colonial. Chamava-se ele Frei Gregório José Maria de Bene. Embora italiano, amou essa terra, que escolhe para missionar e, vendo a vida que levavam os escravos, num flagrante antagonismo com o espírito de liberdade, que sacudia as revoluções liberais do Brasil até a velha Europa, pensou em minorar-lhes os sofrimento. Passou, desde então, a auxiliá-los espiritualmente, incutindo-lhes os ensinamentos da religião, fazendo-os bons e humildes para imitar a Cristo. (...) Animado com número tão elevado de fiéis, o Missionário resolveu erigir um Templo no meio de uma povoação de cinco mil almas. Os escravos não se cansavam de pedir em suas orações ao Todo Poderoso para que lhes enviasse suas bênçãos e lhes concedesse a graça de obter a alforria no dia em que a construção terminasse. Frei Gregório, certo da formação cristã dos Senhores vizinhos, chegou mesmo a admitir que os escravos pudessem conseguir o que tanto almejavam."

Pelo texto de 1949, de Wilson Lopes de Resende, observa-se que ele se refere ao Padre Gregório como um desses "heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão."

UMA MULHER ESCRAVA NA INSURREIÇÃO
O insucesso da Insurreição (Revolta) do Queimado é relatado em Ofício (Carta) do Chefe do Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcelos ao Presidente da Provincia, datado de 20 de março de 1849:

"Cumpre-me levar ao conhecimento de Vossa Excelência que cheguei hoje a esta Freguesia do Queimado às 4 horas da manhã e constando-me, poucos momentos depois, que um grupo de escravos armados, em número de cinquenta mais ou menos, estava reunido nas imediações dela, e que se dirigia para aqui com o plano de proclamarem a sua liberdade, e de assassinarem todos aqueles que porventura a isso se opusessem, dei imediatamente ordem ao Alferes, comandante do Destacamento, que marchasse sobre eles com as praças à sua disposição e com mais alguns cidadãos que pude reunir, conservando-me aqui com algumas pessoas deste Distrito. E, sendo os ditos Escravos encontrados na ladeira que desce para Aroaba, em direção para esta Freguesia, foram aí completamente batidos pelo referido Destacamento, e gente a ele reunido, em um ataque que durou seguramente meia hora, sendo em resultado mortos oito, presos seis e uma Escrava, mulher de um deles(...)"

O Ofício revela a presença de uma Escrava participando da Insurreição, da Revolta do Queimado. Guerreira. Mulher de um dos Escravos. O Escritor Luiz Guilherme Santos Neves na sua obra Literária "O Templo e a Forca", que funde ficção com o fato histórico da Revolta do Queimado, cria a figura da Escrava Bastiana. Ela seria a tal negra anônima citada no ofício do Chefe de Polícia e que participa da luta entre os Negros revoltosos e a Milícia (Polícia) e seria a mulher de Chico Prego. Um romance amoroso de um herói da Serra.

Já o Escritor João Felício dos Santos, autor do Romance "Chica da Silva", sucesso no Cinema sob a direção de Cacá Diegues, cria a figura de Benedita Torreão, trabalhando de forma literária dentro de uma ficção histórica, explorando a presença da mulher, afro-brasileira presa pelo Chefe do Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcelos, no dia 20 de março de 1849. Trata-se do Romance, "Benedita Torreão da Sangria Desatada", publicado no Rio de Janeiro em 1983, que conta a saga de uma Escrava que realiza abortos na intenção de livrar os Negros do Cativeiro ainda antes de nascerem.

Usando de uma licença poética e romanceando a Insurreição, com a força da ficção, técnica de imaginação inerente aos Escritores, podemos dizer que Bastiana Benedita Torreão era a Escrava anônima citada por José Inácio Acioli de Vasconcelos. A mulher Guerreira Bastiana, companheira do Guerreiro Chico Prego.

RESUMO E COMENTÁRIOS SOBRE A INSURREIÇÃO
O povoado de Queimado estava situado às margens do rio Santa Maria, por onde trafegavam canoas carregadas de café, farinha de mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão, coisas que os do lugar plantavam pelo método costumeiro: Derrubar, queimar, roçar. Na década de 1840, quando chegou a reunir cerca de 5 mil moradores, parecia que o destino reservava certa importância ao povoado, não obstante a pobreza do lugar. Mas um lento e irremediável processo de decadência econômica e despovoamento, iniciado já na segunda metade do século XIX, frustrou esta possibilidade. Hoje, no local onde se localizava a vila, os únicos testemunhos visíveis do engenho humano são as ruínas da Igreja de São José.

As Insurreições ou revoltas de escravos eram comuns nas Vilas e Aldeias do Espírito Santo e do Brasil. A Insurreição do Queimado foi uma revolta que durou até a prisão de Elisiário, um dos líderes do Movimento, cinco dias depois do início da Insurreição. A revolta começou dia 19 de março de 1849. Chico Prego morreu enforcado na Serra Sede. João da Viúva Monteiro, morreu enforcado no Distrito de Queimado. Elisiário fugiu da cadeia, graças a um milagre e formou um quilombo na região depois do Morro do Mestre Álvaro e do Monte do Mochuara, em Cariacica.

Recentemente num discurso proferido na Assembléia Legislativa Estadual, no dia 30 de Março de 2006, durante as comemorações dos 157 anos de Aniversário da Insurreição do Queimado, uma professora da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, da tribuna da Assembléia defendeu a tese de que não se deve denominar a Revolta do Queimado como Insurreição. Informou que o termo Insurreição foi usado pelos Senhores para menosprezar o ato de bravura e combativo dos negros. Também defendeu a tese de que não se deve creditar ao frei Gregório Maria de Bene, a idéia inicial da luta pela liberdade, que segundo a mesma, surgiu através dos próprios negros, através da figura de Eliziário.

Com relação a tais colocações, o historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Clério José Borges, nada tem contra. Segundo Clério Borges, "Eliziário teve grande importância no Movimento. Era escravo de uma família que lhe ensinou o básico para sua formação. Era negro caseiro e não trabalhava no campo, assimilando e aprendendo com o seu Senhor. É certo que o frei Gregório não gostava da escravidão. Era de origem européia e os Europeus não gostavam da Escravidão. Frei Gregório era Italiano. Deve-se sim, creditar a frei Gregório, deixando de lado as paixões, o fato de ter iniciado, com Eliziário, Chico Prego e João Monteiro, (João da Viúva Monteiro) as primeiras conversas sobre a Liberdade dos Escravos. Mas, o movimento pregado por frei Gregório seria por vias pacíficas. Ele iria até a Imperatriz defender a liberdade dos negros escravos. São fatos históricos. Estão registrados na obra de Afonso Cláudio que fez um livro minucioso sobre o assunto e no Livro "A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo", tese aprovada no IV Congresso de História Nacional e publicado em Cachoeiro de Itapemirim em 1949, cem anos depois, e de autoria de Wilson Lopes de Resende, do Colégio Estadual Muniz Freire"

Clério José Borges destaca ainda o fato de que, "Os negros invadiram a Igreja gritando: Queremos alforria, queremos liberdade. Os negros estavam armados no momento da invasão da Igreja. Frei Gregório defendia um movimento pela liberdade, mas sem armas. Queria liderar, junto com os negros, um movimento pacífico. A impaciência, gerada talvez pela opressão e castigos que recebiam, levou os negros a uma atitude extrema de se armarem. De armas em punho, já não mais estavam reivindicando por vias pacíficas. Estavam indo contra as Leis vigentes. Cerca de 30 anos depois ocorreria a "Abolição da Escravatura". Com a abolição os negros foram libertados por vias pacíficas. Não foram libertados através de Insurreições ou Revoltas. Foram libertados dentro da Lei. A "Revolta do Queimado" foi uma marco da negritude em busca da liberade, fato que ninguém pode negar, todavia foi feita ao arrepio da lei, ou seja, contra as leis vigentes no Brasil da época, pois foi feita com armas. Sem contar, o prejuízo humano das vidas que foram sacrificadas."

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
No Brasil, a escravidão teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. Os portugueses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar do Nordeste. Os comerciantes de escravos portugueses vendiam os africanos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos.
O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, sendo que os corpos eram lançados ao mar.
Nas fazendas de açúcar ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito (de sol a sol), recebendo apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente, sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia.
Eram proibidos de praticar sua religião de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Tinham que seguir a religião católica, imposta pelos senhores de engenho, adotar a língua portuguesa na comunicação. Mesmo com todas as imposições e restrições, não deixaram a cultura africana se apagar. Escondidos, realizavam seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representações artísticas e até desenvolveram uma forma de luta: a capoeira.
As mulheres negras também sofreram muito com a escravidão, embora os senhores de engenho utilizassem esta mão-de-obra, principalmente, para trabalhos domésticos. Cozinheiras, arrumadeiras e até mesmo amas de leite foram comuns naqueles tempos da colônia.
No Século do Ouro (XVIII) alguns escravos conseguiam comprar sua liberdade após adquirirem a carta de alforria. Juntando alguns "trocados" durante toda a vida, conseguiam tornar-se livres. Porém, as poucas oportunidades e o preconceito da sociedades acabavam fechando as portas para estas pessoas.
O negro também reagiu à escravidão, buscando uma vida digna. Foram comuns as revoltas nas fazendas em que grupos de escravos fugiam, formando nas florestas os famosos quilombos. Estes, eram comunidades bem organizadas, onde os integrantes viviam em liberdade, através de uma organização comunitária aos moldes do que existia na África. Nos quilombos, podiam praticar sua cultura, falar sua língua e exercer seus rituais religiosos. O mais famoso foi o Quilombo de Palmares, comandado por Zumbi.
A partir da metade do século XIX a escravidão no Brasil passou a ser contestada pela Inglaterra. Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil e no mundo, o Parlamento Inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen (1845), que proibia o tráfico de escravos, dando o poder aos ingleses de abordarem e aprisionarem navios de países que faziam esta prática.
Em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesas e aprovou a Lei Eusébio de Queiróz que acabou com o tráfico negreiro. Em 28 de setembro de 1871 era aprovada a Lei do Ventre Livre que dava liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data. E no ano de 1885 era promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.
Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Gonzaga de Bragança, a Princesa Isabel, nasceu no palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1846. Tornou-se a herdeira do trono brasileiro, após a morte prematura do irmão mais velho.
Filha de D.Pedro II, passou para a história do Brasil como a responsável pela assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888.
Princesa Isabel era casada com um nobre francês, o Conde D’eu. Ela assumiu a regência do trono do Brasil em três situações em que o imperador estava viajando. Foi responsável também pela assinatura da Lei do Ventre Livre (1871), que estabeleceu liberdade aos filhos dos escravos a partir daquela data.
Com o enfraquecimento da monarquia e o estado de saúde complicado do imperador, começou a receber muitas críticas e ataques de oposicionistas republicanos, que temiam a instauração de um terceiro reinado. Por ser francês, o marido da princesa também foi muito atacado neste momento.
Após a queda da monarquia e a Proclamação da República (15 de novembro de 1889), foi morar, com a família real, na Europa. Morreu na França no ano de 1921.

COMEMORAÇÕES EM HOMENAGEM AOS NEGROS ESCRAVOS DO QUEIMADO

2006 - SESSÃO SOLENE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA ESTADUAL - A Assembléia Legislativa comemorou no dia 30 de Março de 2006, os 157 anos de Aniversário da Insurreição do Queimado, homenageando pessoas que lutam contra a discriminação racial realizando uma Sessão solene presidida pelo Deputado Estadual Gilson Gomes. Foram agraciados com a Medalha Chico Prego as seguintes pessoas: Anderson Pinto Santos; Milton de Almeida e Silva; Jenésio Jacob Kuster, o Tute; Clério José Borges e Maria José da Penha Pimentel. Também foram agraciados com Diplomas, Leta Jajumô; Luciana da Silva Barcellos; Marcos Marcolino; Teodorico Boa Morte e o poeta Trovador, Escritor Clério José Borges, dentre outros.
Na mesa que presidiu os trabalhos da Sessão Solene, o Deputado proponente da Sessão, Gilson Gomes; O Deputado Cabo Elson; O Presidente do Museu Capixaba do Negro, Washigton dos Anjos; O Presidente do Conselho Municipal de Cultura da Serra, Aurélio Carlos; A Vereadora e Presidente da Academia de Letras e Artes da Serra, ALEAS, Sandra Gomes, o Ex- Desembargador Antônio José Miguel Feu Rosa e o Presidente do Clube dos Poetas Trovadores Capixabas e Autor do Livro História da Serra, que apresenta um Capítulo especial sobre a Revolta do Queimado, Clério José Borges de Sant Anna.

2007 - CÂMARA MUNICIPAL DA SERRA - Sessão Solene homenageia Revolta do Queimado - DIA 19 DE MARÇO DE 2007 - O plenário da Câmara Municipal da Serra foi palco da homenagem aos 158 anos da Revolta do Queimado, na última segunda-feira, 19 de março. Na ocasião os vereadores entregaram a Comenda do Mérito da Revolta do Queimado a vários homenageados, destacando-se Clério José Borges, autor do Livro HISTÓRIA DA SERRA, homenageado pelo Vereador João de Deus Corrêa, o Tio João. Os Vereadores outorgaram ainda homenagens especiais a Genésio Jacob Kuster, o TUTE, (autor do “Monumento Chico Prego”); Mario Ferreira Mendes (Personalidade Cultural) e a Ramiro Machado (Associação das Bandas de Congo da Serra), dentre outras Personalidades. FIM DO RESUMO.









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