O REPENTISTA BULE BULE JÁ SE APRESENTOU NO X SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA EM 1990 NO PALÁCIO ANCHIETA EM VITÓRIA ES, EVENTO ORGANIZADO PELO CTC - CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS (CLÉRIO JOSÉ BORGES), HOJE ACLAPTCTC.

REPENTISTAS – REPENTE: O DESAFIO DO POETA NORDESTINO

Clube dos Trovadores Capixabas CTC Repentistas
1994 - Clério José Borges, Pedro Maciel o Pedrinho Ceará e Ângela Cassilhas assistindo de vermelho. Na SUAM - Faculdades Augusto Motta em Bonsucesso no Rio de Janeiro, na abertura de um Congresso de Poetas Trovadores em 1994.
1994 – Clério José Borges, Pedro Maciel o Pedrinho Ceará e Ângela Cassilhas assistindo de vermelho. Na SUAM – Faculdades Augusto Motta em Bonsucesso no Rio de Janeiro, na abertura de um Congresso de Poetas Trovadores em 1994.
Repentista Pedro Maciel da Silva o Ceará, de Cidade Continental Serra ES.
Repentista Pedro Maciel da Silva o Ceará, de Cidade Continental Serra ES.

Repentista é o criador de um Repente e Repente (conhecido também como desafio) é uma tradição folclórica brasileira cuja origem remonta aos trovadores medievais. Especialmente forte no nordeste brasileiro, é uma mescla entre poesia e música na qual predomina o improviso – a criação de versos “de repente”. Diferentemente dos Poetas Trovadores que criam suas Trovas como Obra de Arte, como Literatura, que são divulgadas em livros, existem o Poetas Repentistas que fazem versos de improvisos.

No Rio Grande do Sul os Repentistas Gaúchos são chamado também de Trovadores embora façam versos diferente dos Trovadores Literários, ou seja, em sextilhas (6 versos, ou seja, 6 linhas) ou septilhas (7 linhas), tocando sanfonas ou concertinas. Representando os Repentistas Gaúchos, reside na Serra, o Poeta “Xiru do Sul.”

Na foto, o Poeta Trovador Repentista, Pedro Maciel da Silva, o Ceará, tendo ao seu lado Clério José Borges, durante a apresentação na SUAM, Sociedade Unificada Augusto Motta, de Bonsucesso, Rio de Janeiro durante a realização do Congresso Brasileiro de Trovadores no Rio de Janeiro.

Antônio Josélio e Ari Teixeira Repentistas que se apresentaram no Seminário Nacional da Trova organizado pelo antigo CTC, hoje Academia de Trovadores ACLAPTCTC
Antônio Josélio e Ari Teixeira Repentistas que se apresentaram no Seminário Nacional da Trova organizado pelo antigo CTC, hoje Academia de Trovadores ACLAPTCTC

Repentista refere-se, em Portugal ou no Brasil, a um poeta popular, a um improvisador que, a partir de um mote, debita espontaneamente um poema em forma de repente. Os poetas repentistas inserem-se na tradição da literatura oral e da literatura de cordel de uma determinada região ou país.

O repentista de viola do interior do Nordeste brasileiro faz a chamada “Cantoria”, na qual desfila versos improvisados em inúmeras modalidades: sextilhas, mote em sete sílabas, decassílabo, oitavas (estrofes de oito versos), martelos, galopes, etc. No estado do Rio Grande do Sul, o repentista é conhecido como trovador.

Já no Nordeste do Brasil vivem os Repentistas, Cantadores de Viola, poetas que improvisam os versos com suas violas.

Repentista Pedro Maciel da Silva o Ceará, de Cidade Continental Serra ES.
Repentista Pedro Maciel da Silva o Ceará, de Cidade Continental Serra ES.

No Sudeste, os Repentistas são destaques na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro e, às vezes, na Praça da Sé, em São Paulo.

O Escritor e pesquisador, Guilherme Neto conceitua os cantadores, ou violeiros Repentistas, como cantores populares, poetas e versejadores do sertão, “que andam sempre em duplas, com a viola dentro de um saco, muitas vezes a pé, ruminando o debate, preparando perguntas, arrumando as idéias, dando asas a imaginação.”

O que são os “Repentistas”?
Uma dupla que improvisa, sobre os mais variados temas, ao som de uma música extremamente simples -quase monótona- tocada em violões velhos, com cordas de metal, que invariavelmente denotam um uso excessivo.

Enquanto um toca o vilão, o outro improvisa. Ao final de um verso de geralmente seis a dez linhas, o outro começa a improvisar e quem estava cantando passa a tocar. Os turistas viram “doutor” e “doutora”, e são objeto de comentários produzidos pela prodigiosa imaginação dos repentistas; os melhores garantem uns dez minutos de gargalhadas, tanta sua criatividade.

O repentista em geral fixa seu preço -dependendo do número de pessoas na barraca- cantando, ao fim do seu show. Um casal pode dar, por uns minutos de show, algo entre R$ 5,00 e R$ 10.00 para a dupla. Grupos maiores chegam a dar R$ 10,00 para cada repentista. Depende de quanto você desfrutou o show.

O REPENTISTA BULE BULE JÁ SE APRESENTOU NO X SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA EM 1990 NO PALÁCIO ANCHIETA EM VITÓRIA ES, EVENTO ORGANIZADO PELO CTC - CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS (CLÉRIO JOSÉ BORGES), HOJE ACLAPTCTC.
O REPENTISTA BULE BULE JÁ SE APRESENTOU NO X SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA EM 1990 NO PALÁCIO ANCHIETA EM VITÓRIA ES, EVENTO ORGANIZADO PELO CTC – CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS (CLÉRIO JOSÉ BORGES), HOJE ACLAPTCTC.

Abordagem

O repentista não pede autorização para começar seu show; aproxima-se da barraca e começa cantar. Ao fazé-lo apontará ao integrante da platéia ao qual se referem seus comentários e dirá algo elogiando alguma qualidade, real ou suposta, do turista.

Se você não quiser o “serviço” simplesmente faça um gesto indicando que não deseja ouvi-los e se retirarão sem qualquer problema. Mas pelo menos uma vez faça a experiência (geralmente são todos muito boms, mas para não arriscar ouça-os primeiros numa barraca vizinha e depois chame-os). Se tiver câmera de video, filme-os. Vai adorar mostrar aos seus amigos os comentários que a dupla fez sobre você e seus acompanhantes.

O poeta Repentista, Pedro Maciel da Silva, o Ceará, (Foto), nasceu na cidade de Caucaia, localizada a cerca de 40 quilômetros de Fortaleza no Ceará, no dia 20 de março de 1946. Trabalhava na firma Procalco, de Fortaleza, que venceu concorrência para a construção de Casas Populares no Estado do Espírito Santo. Veio para o Espírito Santo em 1971 ajudando a pintar as casas do bairro Eurico Salles e depois André Carloni. Gosta da Serra e em 1980 muda-se com a família, morando inicialmente em Carapina e depois Chácara Parreiral e atualmente no bairro São Diogo.

Pedro Maciel da Silva, o Ceará, no período de 1971 a 2010 era o único Poeta Repentista Cantador de Viola da Grande Vitória, no Espírito Santo. Sócio do Clube dos Trovadores Capixabas já se apresentou na Assembléia Legislativa Estadual e em várias solenidades, bem como para Políticos em época de eleições, destacando-se pela sua excelente capacidade de improvisar os versos. Em 6 de fevereiro de 2001, o Repentista “Ceará” inaugura a sua página na Internet, a Rede Mundial de Computadores

Além dos Repentistas que cantam seus versos com um tipo de violão especial, a Viola, existem os Poetas Cordelistas que fazem versos da chamada Literatura de Cordel, em livros pequenos, sem tocar nenhum instrumento e sem cantar, como Kátia Maria Bóbbio Lima, da Cidade de Conceição da Barra, Norte do Estado e Moacir Malacarne, de Cariacica. Na Serra o destaque é o poeta Juacy Lino Feu, residente na avenida Alfeu Ribeiro, ao lado da Igreja Batista, em Carapina.

Os versos de Cordel são de sete sílabas poética com rima e em várias estrofes, ou seja, conjunto de versos (linhas), relatam um fato, uma história, uma lenda. Clério José Borges escreveu, em 1983, em livro de Cordel, “O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe”.

O Poeta Teodorico Boa Morte, Acadêmico da ALEAS, lançou um livro de Literatura de Cordel sobre a Insurreição do Queimado. O nome Cordel vem de barbante. É que no Nordeste, os autores para venderem seus livrinhos os penduravam em barbantes nas praças.

Repentistas, Pedro Maciel da Silva, o Ceará e Ari Teixeira no Seminário da Trova de Guarapari em 1993, organizado pelo CTC, Clube dos Trovadores Capixabas, hoje ACLAPTCTC - Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores.
Repentistas, Pedro Maciel da Silva, o Ceará e Ari Teixeira no Seminário da Trova de Guarapari em 1993, organizado pelo CTC, Clube dos Trovadores Capixabas, hoje ACLAPTCTC – Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores.

Bule-Bule é o apelido de Antônio Ribeiro da Conceição, que nasceu no sertão da Bahia há 71 anos. Já lançou seis álbuns musicais com suas composições, publicou cinco livros e cerca de 200 livretinhos de cordel, e já perdeu a conta das apresentações públicas que fez, inclusive fora do Brasil.

Seu trabalho sempre foi dedicado à preservação da cultura popular da sua região e dos gêneros musicais ameaçados de desaparecerem, como chulas do sertão, cocos, martelos, agalopados, xotes e repentes.

Seu último livro, “Orixás em Cordel”, lançado em 2018 pela Pinaúna Editora, tem ilustrações de Klévisson Viana e prefácio de Mateus Aleluia,

Vamos cantar juntos gavião

O Gavião e a Pomba
(Bule-Bule)

O gavião pediu casamento à pomba
Para se casar
Tem galho de tamarindo, gavião
Tem rede pra se balançar

Quem tem amor escondido
Ai, meu Deus, como padece
Quando passa um pelo outro, gavião,
Fingindo que não conhece

Eu vi a morte pescando
Com isca de samburá
Quando a morte pesca peixe, gavião
Que fome não há por lá

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