Lenda do Pássaro de Fogo: Montanha do Mestre Álvaro na Serra e Mochuara em Cariacica, ES

LENDA DO PÁSSARO DE FOGO

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Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stela de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminós) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos).

LENDA DO PÁSSARO DE FOGO: MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO, NA SERRA E MONTANHA DO MOCHUARA, EM CARIACICA

Uma história de Amor Capixaba.
Morro do Mestre Álvaro, Serra, ES
e Monte Mochuara (Moxuara), Cariacica, ES
Pesquisa do Escritor Clério José Borges.
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Uma história de Amor Capixaba. Monte Mochuara, Cariacica, ES (Índia Jacira) e Morro do Mestre Álvaro, Serra, ES (Índio Guaraci). Nas fotos de Clério José Borges, o Morro do Mochuara em Cariacica, visto da Rodovia do Contorno (BR 101 Norte) e o Morro do Mestre Álvaro, na Serra, visto do Convento da Penha em Vila Velha, ES.
Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stela de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminós) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos). Guaraci, em Tupi significa Sol, Verão. Jaciara significa Tempos de Luar, Noites com raios de Lua. Pertencentes a duas tribos inimigas – Temiminós e Botocudos – o jovem casal foi impedido de viver a sua história de amor. Comovido com a paixão dos dois índios, o Deus Tupã transformou-os em duas montanhas. O índio ficou sendo o Mestre Álvaro, na Serra e a índia, o monte Mochuara, em Cariacica.

O Mochuara é um Morro que fica em Cariacica. Tanto Serra e Cariacica são cidades limítrofes e fazem parte da Grande Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo. A imponência do Mochuara se destaca ao longe. Ao lado do Mestre Álvaro, na Serra, o Mochuara, em Cariacica, é o símbolo do município, como o Convento da Penha é de Vila Velha. Habitat de diversas espécies ameaçadas de extinção, como o araçá do mato, o pau d’alho, o cobi-da-terra, o cobi-da-pedra, o jequitibá e o jeriquitim, sua fauna é composta de beija-flores, pica-paus, lagartos e outros bichos. A imponência do monte, serviu de referência para os viajantes e aventureiros que, nos primeiros séculos do Brasil, percorriam os sertões do Espírito Santo em busca de novas terras e riquezas minerais. Mestre Álvaro e Mochuara estão frente a frente, contemplando um ao outro e assim ficarão por toda a eternidade. Segundo o historiador Clério José Borges, um “Pássaro de fogo” sempre é visto nas noites de São João, (24 de junho), indo do Mestre Álvaro ao Mochuara, abençoando o amor de Guaraci e Jaciara. Prova de que homens e histórias passam, mas corações não morrem jamais. Observem que esta Lenda Capixaba conta a história de um Pássaro de Fogo que colabora na união do jovem casal. Há uma semelhança muito grande com a Lenda Russa do Pássaro de Fogo, imortalizada pelo grande Maestro Igor Stravinsky.

MONTANHA DO MOCHUARA – 

A montanha do Mochuara, com 724m de altitude é a segunda maior montanha da região da Grande Vitória. Na língua dos índios que habitavam o local, o nome quer dizer pedra irmã, mas para os Corsários (Piratas) franceses que aportaram na baía de Vitória no século XVI e que avistaram a montanha com uma neblina que o encobria, lembraram de um imenso pano branco, daí a expressão mouchoir, que quer dizer lenço e se pronuncia “muchuá”. Em razão da origem francesa da palavra, o certo é escrever MOCHUARA com CH e não Moxuara com a letra X. O Mochuara possui biodiversidade valiosa sendo morada de espécies ameaçadas, como o araçá do mato, pau d’alho, cobi da serra, cobi da pedra, jeriquitim e jeriquitibá. A fauna do Mochuara é composta pôr beija-flores, pica-paus, lagartos e outros bichos. Do monte descia o rio Carijacica, na língua tupi, chegada do homem branco que mais tarde deu o nome ao município, quando foi suprimida a letra J. As nascentes localizadas no Moxuara deságuam nos rios Formate e Bubu. A “Estância Vale do Moxuara” pertence a família Rodrigues de Freitas há mais de duzentos anos sendo o atual proprietário, o Sr. Wilson Freitas Filho que faz parte da quarta geração da família que no início era a proprietária da grande propriedade denominada “Roças Velhas”. O nome “Estância Vale do Moxuara”, está escrito erradamente com X. Um Shopping na região de Campo Grande em Cariacica também adotou a escrita errada de Moxuara. Mochuara na verdade é um importante monumento natural e cultural do município de Cariacica. A Lei Municipal N.º 2.310, de 21 de Janeiro de 1992 adota oficialmente a grafia correta de Mochuara, conforme o artigo 1º que consta: “Fica inserida no brasão integrante da BANDEIRA do Município, adotada esta, como símbolo conforme art. 6º da Lei Orgânica local, a configuração do maciço “Mochuara”, com sobreposição de torres compatíveis com a ciência a título de heráldica.” Em Cariacica há um bairro chamado Mochuara, com a grafia correta, CH, conforme a Lei N.º 4752/2009, onde consta: “passa a denominar-se Rua Doutor Nilson Bittencourt a antiga via pública conhecida como projetada no bairro Mochuara, Cariacica, ES.”O Parque Natural Municipal Monte Mochuara foi tombado como patrimônio histórico-paisagístico em 1992. O Vale do Mochuara está localizado a 17 quilômetros de Vitória, em Roças Velhas, Cariacica.

MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO – 

A montanha do Mestre Álvaro, com 833 metros de altura é a primeira maior montanha da Grande Vitória. O nome Mestre Álvaro é uma homenagem do Padre Jesuíta Braz Lourenço (Fundador da Serra) ao Capitão e Comandante mestre de Navio de nome Álvaro da Costa, filho do segundo Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. O Mestre Álvaro é um maciço “Gnássico”, e sua magnitude é histórica. Nos primeiros documentos cartográficos do século 16, pode-se verificar a indicação do acidente geográfico, Mestre Álvaro, assinalado como ponto de referência para a navegação marítima. Dom Pedro II, Imperador do Brasil, em sua visita ao Espírito Santo, anotou em seu diário: “O Monte Mestre Álvaro, com tempo limpo e claro, pode ser visto até a 60 milhas do mar”. O viajante estrangeiro Auguste Saint Hilaire, quando visitou as terras do Espírito Santo em 1816, passando pela Serra, em direção ao Rio Doce, desejou conhecer a flora da região, chegando a subir o Mestre Álvaro onde analisou e pesquisou as árvores e plantas da região, coletando muitos dados, tendo escrito: “A mata que cobre a Serra do Mestre Álvaro representa ainda um valioso acervo de espécies aproveitadas na agricultura e na flora medicinal”. Nos primórdios da colonização do Espírito Santo, o Mestre Álvaro atraiu os colonizadores que esperavam ali encontrar ouro, sendo estimulados pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho. Foram conseguidas pequenas quantidades de ouro de aluvião e outras pedrarias. Historicamente, há registros de retirada de ouro do Mestre Álvaro em 1598, feitas por Dom Francisco de Souza. Reserva Biológica do Mestre Álvaro – Situada no distrito de Pitanga, possui 2.461ha, com altitude variando entre 100 a 833m. É de grande valor para estudos, por ser um dos últimos remanescentes da Floresta Atlântica de encosta e pela diversidade de espécies. A Reserva foi criada pela Lei Estadual nº 3.075, de 09/08/76.


UMA LENDA RUSSA

Pássaro de Fogo é um Balé em três atos, onde magia, amor e liberdade se entrelaçam. A obra é do Músico e Maestro Igor Stravinsky (1882-1971), (Foto), baseada numa Lenda Russa.IGOR é um compositor norte-americano nascido na Rússia e um dos maiores inovadores musicais do século XX. Alcançou fama internacional com a música que fez para os Ballets Russes de Diaghilev, começando com o balé O Pássaro de Fogo. A partitura áspera e discordante de A Sagração da Primavera causou um tumulto quando foi executada a primeira vez em Paris. Obras posteriores incluem Édipo Rei, A Sinfonia dos Salmos e a ópera Carreira do Libertino.

A HISTÓRIA DO “PÁSSARO DE FOGO” DA RUSSIA

No jardim do mago Katschei brotavam maçãs de ouro, e lá viviam jovens princesas prisioneiras e enfeitiçadas. O príncipe Ivan entra por acaso no jardim e fica encantado com as maçãs douradas e um lindo pássaro de penas douradas e vermelhas que voava bem próximo às arvores. Temendo ser feito prisioneiro pelo príncipe, o Pássaro de Fogo implora por sua liberdade e em troca presenteia Ivan com uma de suas plumas, que tem o poder mágico de protegê-lo contra os encantos do mago.O príncipe permanece no jardim e ao anoitecer vê as lindas prisioneiras que à noite saem do castelo para passearem; a mais bonita de todas se aproxima de Ivan, conta sua história e pede que vá embora, pois o mago transforma em pedra quem aparece em seu jardim encantado.O príncipe finge que vai embora, mas a segue, pois tinha se apaixonado por ela. Começa a amanhecer e Ivan se torna prisioneiro de Katschei. Quando vai ser enfeitiçado, se recorda da pluma que o Pássaro de Fogo tinha lhe dado, e agita-a na frente do rosto do mago. Surge então o pássaro que obriga Katschei e seus amigos a dançarem até a exaustão; enquanto isto ordena a Ivan que procure um grande ovo, onde está trancado o grande segredo do mago: sua imortalidade. Ivan acha o ovo e quebra-o. No mesmo instante, o mago morre e as jovens princesas ficam livres para sempre. Ivan encontra o seu amor e o Pássaro de Fogo desaparece entre as árvores.

O “PÁSSARO DE FOGO” NA SERRA E CARIACICA, ES

Em tempos bem antigos, por volta de 1556, quando os Temiminós que vieram do Rio de Janeiro se instalaram no Espírito Santo, conta-se que dois jovens de tribos rivais se conheceram e antes que soubessem de suas origens e da rivalidade que existia em suas tribos, nasceu entre eles um amor tão forte e belo como o Sol.Ela, Jaciara, uma lindíssima princesa indígena, filha do poderoso cacique que ocupava uma imensa terra, onde hoje encontramos o atual município de Cariacica.Ele, Guaraci, um forte guerreiro da tribo dos Temiminós, que ocupava as terras hoje conhecida como município da Serra.Quando esse amor chegou ao conhecimento das tribos, aumentou a rivalidade e a fúria dos caciques contra esse amor, que era incontrolável. O cacique indígena, pai da princesa, jamais aceitaria o enlace da sua querida filha, com o inimigo de seu povo, mesmo sabendo quanto era valioso o dote do noivo e da sinceridade da jura de seu amor.Em conseqüência criou-se uma barreira intransponível entre as terras das duas tribos e os jovens não podiam de maneira alguma chegar próximo dessa divisa.Mas o amor, quando sincero e forte, é algo que ultrapassa qualquer barreira e sempre encontra um aliado. Foi o que aconteceu. Os apaixonados conseguiram a ajuda de uma ave misteriosa, o Pássaro de Fogo, (Observe a semelhança com a Lenda Russa), que em horas determinadas, levava o casal a pequenos montes em pontos de fronteira de suas tribos, onde ambos se viam. Então a índia cantava juras de amor ao seu escolhido e ele retribuía da mesma maneira com cantigas que tocavam seus corações.Continuaram assim, nesse amor poético e passando o tempo, combinaram uma fuga. Quando chegou ao conhecimento do cacique indígena a fuga romântica de sua filha foi o bastante para reunirem todos os sábios conselheiros da tribo e um feiticeiro, que transformou os apaixonados em pedra nos referidos locais onde se avistavam. Estes se elevaram e constituíram dois belos e lendários montes, muito importantes no litoral capixaba, que conhecemos como: MOCHUARA, (ou MUXUARA) a princesa, em Cariacica, e o MESTRE ÁLVARO, o príncipe, na Serra.Porém, uma fada compadecida de um destino tão cruel, concedeu uma trégua aos enamorados, na rigidez de suas posições e assim uma vez ao ano, na noite de São João, os jovens recuperam de forma invisível, sua forma humana e primitiva, ocasião em que fazem juras de fidelidade e presenteiam-se com ricas jóias e outros mimos, sempre com a ajuda da ave amiga, o Pássaro de fogo, ave mensageira entre os apaixonados. Levando de um para o outro as juras de amor e os presentes, que atestam a sinceridade infinita.Assim, conta a história, conta a Lenda, que na noite de São João, o Pássaro de Fogo, passa no céu, e vai do MOXUARA, em Cariacica, ao MESTRE ÁLVARO, na Serra e vice versa. E continuam a VIAGEM DO FOGO, descrevendo no espaço, a ETERNIDADE DO AMOR. Observe aqui que a Lenda fala em fogo na noite de São João e o interessante é que a festa de São João é a festa de Agni, do fogo, a festa que comemora o solstício do verão.

FESTA DE SÃO JOÃO
São João – Festejado em 24 de junho.Filho de Zacarias e Isabel, diz a Bíblia que foi ele quem batizou Jesus Cristo com as águas do rio Jordão. Daí vem o nome Batista, o “batizador”. É o mais famoso dos três santos do mês de junho, tanto que as festas juninas também são conhecidas como festas joaninas, em sua homenagem.É usualmente representado pela figura de um menino com um cordeiro no colo, já que teria sido ele quem anunciou aos homens a chegada do cordeiro de Deus.Fogueira: representada com a base redonda e em formato de pirâmide.

QUADRAS DE SÃO JOÃO

(Por Alípio Fernandes, junho de 2001)
Isabel e Zacarias
P’ra serem pais de João
Rezaram todos os dias
Perseverante oração.


São João namorador,
Assim diz a voz do povo,
P’ras moças lhe ter amor,
Aceitou morrer de novo.


As moças bem enfeitadas
Cada qual com seu balão,
Todas vão, enamoradas,
À festa de São João.


Meu querido São João,
És um Santo popular,
Traz teu arco e teu balão,
Vem com o povo dançar.


Alho porro e manjerico,
Em manhãs de orvalhadas,
Nasce o Sol e é bonito,
Vão-se as moças bem cansadas.


Deixemos de profanar
O nome de São João,
Mais graças lhe vamos dar
Se fizermos oração.


Não te zangues São João,
Com a alegria do Povo.
Assim cresça a devoção
Nos jovens do mundo novo.


Foi com grande admiração
Que o povo um dia viu isto:
Lá nas águas do Jordão
São João batizou Cristo.

BIBLIOGRAFIA

JORNAL A GAZETA – CADERNO DOIS – Vitória

JORNAL A TRIBUNA – VITÓRIA – ES

Instituto Nacional do Folclore, Atlas Folclórico do Brasil – Espírito Santo, Rio de Janeiro, FUNARTE, 1982.

Fonseca, Hermógenes Lima – Tradições Populares no Espírito Santo, Vitória, Departamento Estadual de Cultura, 1991.

Novaes, Maria Stella de – História do Espírito Santo, Vitória, Fundo Editorial do Espírito Santo.

Siqueira, Padre Francisco Antunes de – Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-Santense Desde os Tempos Coloniais até nossos Dias, Rio de Janeiro, Tipografia G. Leuzinger & Filhos, 1893.

Borges, Clério José – História da Serra, Serra, Gráfica Editora Canela Verde, 2003

Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stela de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminós) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos).
Lenda do Pássaro de Fogo: Montanha do Mestre Álvaro na Serra e Mochuara em Cariacica, ES
Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, relatada entre outros historiadores por Maria Stela de Novaes, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminós) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos).CAMERA

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