A MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO

Espírito Santo Pontos Turísticos

Uma Cadeia de Montanhas que deu origem ao nome da Cidade: SERRA. Uma homenagem ao Comandante de Navio e Mestre Álvaro da Costa

A MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO. É o mais setentrional e importante dos “Monadnocks” da costa brasileira. Durante milhões de anos, a erosão vai aplainando terrenos, destruindo as montanhas. Há, contudo, rochas mais resistentes, de granito ou gnaisse, e quando a erosão é muito intensa, restam montes isolados. O exemplo de um maciço isolado no Espírito Santo é o da Serra do Mestre Álvaro. O monte é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e tem 2.389 hectares de área, que equivale a mais de três mil campos de futebol na metragem oficial. O nome foi uma homenagem do padre Jesuíta Braz Lourenço, que, com Maracajaguaçu fundou a Serra, ao Capitão e Mestre de Navio de nome Álvaro da Costa, seu amigo e filho do segundo Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. O padre Braz Lourenço foi confessor de Álvaro da Costa.

Uma Cadeia de Montanhas que deu origem ao nome da Cidade: SERRA
Um mestre que já foi chamado de Alvo, mas que é uma homenagem ao Comandante de Navio e Mestre Álvaro da Costa

Texto do Livro “HISTÓRIA DA SERRA”, de Clério José Borges
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TOPOGRAFIA DA SERRA – MORRO QUE É UMA MONTANHA QUE É UMA SERRA

O principal acidente geográfico do Município é a Serra do Mestre Álvaro. O segundo principal acidente geográfico é a Serra do Morerão, também conhecida como Moreron.

O Mestre Álvaro é o mais setentrional dos “Monadnocks” da Costa do Espírito Santo. Durante milhões de anos, a erosão vai aplainando terrenos, destruindo as montanhas surgidas inicialmente. Existem rochas mais resistentes, de granito ou Gnaisse, e quando a erosão é muito intensa, restam Montes Isolados.

O exemplo de um maciço isolado no Espírito Santo é o maciço da Serra do Mestre Álvaro. Um maciço Gnáissico que, visto do mar, para quem vem do Norte, apresenta um aspecto de um extinto vulcão.

# REGISTRO IMPERIAL – Dom Pedro II quando visitou a Serra, em 1860, anotou no seu Diário, MESTRE ÁLVARO. No livro que narra a visita feita pelo Imperador do Brasil à Serra a 31 de Janeiro de 1860 consta: “Um dos acompanhantes do Imperador, de nome Meirelles, (Conde Azambuja Meirelles), informou que o nome da Serra era Mestre Álvaro, ponto de marcação a um Mestre de Navio chamado Álvaro”. SUA MAJESTADE IMPERIAL, DOM PEDRO II, EM 1860, NÃO ESCREVEU “MESTRE ALVO” E NEM “MESTRE ÁLVARES” E SIM, ESCREVEU “MESTRE ÁLVARO”.
# LEI OFICIAL – Em Lei do Estado de 12 de Novembro de 1897, foi oficializado o nome MESTRE ÁLVARO.
# QUEM FOI O MESTRE ÁLVARO – Foi Dom Álvaro da Costa, Mestre Comandante de Navio, amigo do Padre fundador da Serra, Braz Lourenço e filho do Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa.

MESTRE ORIENTANDO NAVIOS

O Mestre Álvaro é um maciço “Gnássico”, e sua magnitude é histórica. Nos primeiros documentos cartográficos do século 16, pode-se verificar a indicação do acidente geográfico, Mestre Álvaro, assinalado como ponto de referência para a navegação marítima. Dom Pedro II, Imperador do Brasil, em sua visita ao Espírito Santo, anotou em seu diário: “O Monte Mestre Álvaro, com tempo limpo e claro, pode ser visto até a 60 milhas do mar”.
O viajante estrangeiro Auguste Saint Hilaire, quando visitou as terras do Espírito Santo em 1816, passando pela Serra, em direção ao Rio Doce, desejou conhecer a flora da região, chegando a subir o Mestre Álvaro onde analisou e pesquisou as árvores e plantas da região, coletando muitos dados, tendo escrito: “A mata que cobre a Serra do Mestre Álvaro representa ainda um valioso acervo de espécies aproveitadas na agricultura e na flora medicinal”. Nos primórdios da colonização do Espírito Santo, o Mestre Álvaro atraiu os colonizadores que esperavam ali encontrar ouro, sendo estimulados pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho. Foram conseguidas pequenas quantidades de ouro de aluvião e outras pedrarias. Historicamente, há registros de retirada de ouro do Mestre Álvaro em 1598, feitas por Dom Francisco de Souza.



EM BUSCA DO OURO
Dom Francisco de Souza foi um Fidalgo Português que, em fins do século XVI conseguiu o título de Governador do Brasil. Em Outubro de 1598, viajava de Minas para São Paulo, quando soube que havia ouro no Mestre Álvaro, no Espírito Santo. Logo, desistiu de ir para São Paulo, visitando a região do Mestre Álvaro. Segundo os historiadores José Teixeira de Oliveira e Vicente do Salvador, este último no livro “História do Brasil”, Dom Francisco de Souza conseguiu encontrar ouro e prata no Mestre Álvaro, “embora sem ser em grande quantidade”.
Informa o historiador Basílio Carvalho Daemon que o Governador Francisco de Souza foi em pessoa examinar algumas minas na região do Mestre Álvaro e que na comitiva estavam dois alemães: O Engenheiro Geraldo Betink e o Mineirador, Jacques de Oalte. O historiador Rodolfo Garcia, em Notas à “História Geral do Brasil”, de Adolfo de Varnhagen, cita Geraldo e Jacques mas ressalta no texto que: “Os cognomes dos dois alemães estão evidentemente estropiados, ou seja, modificados”.

PARQUE FLORESTAL
O Mestre Álvaro abriga uma das últimas áreas de Mata Atlântica de altitude do Estado. O Governo do Estado em 1977 criou o Parque Florestal e a Reserva Ecológica, Mestre Álvaro. O Parque compreende uma área aproximada de 3.470 hectares, estando assegurada por Lei a proteção integral da fauna, da flora e demais recursos naturais, com utilização para objetivos educacionais, científicos, recreativos e turísticos. A Altitude (Altura) do Mestre Álvaro é de 833 metros, conforme a Diretoria de Geodesia e Cartografia – Superintendência de Cartograo significado, que continua o mesmo. Assim Alves varia de Álvares que varia de Álvaro.

DENOMINAÇÕES DA MONTANHA DA SERRA
Uma das mais antigas versões é de que o nome Mestre Álvaro seria uma homenagem a um Comandante da Caravela de onde primeiro se avistou a Montanha. No livro que narra a visita feita pelo Imperador do Brasil à Serra a 31 de Janeiro de 1860 consta: “Um dos acompanhantes do Imperador, de nome Meirelles, (Conde Azambuja Meirelles), informou que o nome da Serra era Mestre Álvaro, ponto de marcação a um Mestre de Navio chamado Álvaro”. O nome Mestre Álvaro foi denominado ao longo dos anos, como: Mestre Álvares. Variante de Álvaro; Mestre Aluaro. A grafia no caso está errada. No lugar da letra “V” está a letra “U”; Mestre Alves. Segundo os dicionários especializados, a palavra Alves é variante de Álvares, que por sua vez deriva de Álvaro, aquele que é Muito Atento; Mestre Alvo. A palavra Alvo significa branco, límpido. O Cume mais alto do Mestre Álvaro fica branco quando algumas poucas nuvens o encobrem.

LEI ESTADUAL OFICIALIZA NOME
A palavra “Mestre” significa aquele que comanda, aquele que guia alguém. Quem guia deve ficar atento, assim Álvaro, que significa “Muito Atento” mostra que quer seja Alvo Alves ou Álvaro, o importante é que o Mestre Álvaro está sempre imponente, atento em sua impassividade de monumento de exuberante beleza, sempre destinado a ser Guia daqueles que do alto mar procuram a sua figura como uma orientação. O povo já consagra a denominação Álvaro, para o verdadeiro patrimônio natural dos Serranos, patrimônio este que deu origem ao nome da cidade da Serra.
O historiador Cesar Augusto Marques, no “Dicionário Histórico, Geográfico, Estatístico da Província do Espírito Santo”, publicado pela Typografia Nacional em 1878, assim se refere ao Mestre Álvaro: “MESTRE ÁLVARO: Serve de Guia e possui 980 metros. Grafa-se MESTRIALVE; MESTRE ALVA; MESTRE ÁLVARES; MESTRE ALUARO e MESTRE ÁLVARO (…) A mais antiga grafia é MESTRE ÁLVARO. Em Lei do Estado de 12 de Novembro de 1897, foi adotado o nome MESTRE ÁLVARO”. Cesar Augusto Marques erra na altura do Mestre Álvaro que não possui 980 metros e sim 833 metros. Faz também uma referência a Lei Estadual de 12 de Novembro de 1897 em que oficialmente o nome Mestre Álvaro é adotado.

“LEI N.º 235
Concede aos Governos Municipaes (sic) das Cidades de Serra e Santa Cruz, o patrimônio, a este de todas as terras devolutas na Montanha Mestre Álvaro e àquelle (sic) as do lugar Ribeirão. O Vice-Presidente do Estado, cumprindo o que determina o art. 40 da Constituição, manda que tenha execução a presente lei do Congresso Legislativo: ART. 1º – São concedidas ao Governo Municipal da Cidade da Serra, para seu patrimônio, todas as terras devolutas que existem na montanha Mestre Álvaro, não excedendo a cinco quilômetros em quadro”. A lei continua com mais dois artigos, sendo um referente as terras devolutas de Ribeirão, concedidas ao Governo Municipal de Santa Cruz, que na época era Município. O texto termina da seguinte forma: “Palácio do Governo do Estado do Espírito Santo, em 12 de Novembro de 1897. CONSTANTE GOMES SUDRÉ

VERDADEIRO MESTRE ÁLVARO
O segundo Governador Geral do Brasil foi Duarte da Costa. Governou de 1553 a 1557. Junto com Duarte da Costa chegaram ao Brasil alguns padres Jesuítas. Um dos padres foi Braz Lourenço, fundador da Serra. Outro religioso, que ainda não havia sido ordenado padre, foi José de Anchieta que mais tarde seria denominado o “Apóstolo do Brasil”. O Governo de Duarte da Costa foi muito agitado. Houve lutas entre colonos e Índios. Os Jesuítas defendiam os Índios já catequizados, não permitindo que os mesmos fossem para a lavoura como escravos. Havia um clima de agitação e guerra. Diante do quadro que se formara, surge Álvaro da Costa, filho de Duarte da Costa, que se destacara por missões de pacificação entre colonos e índios, lutando inclusive contra os que se rebelavam.
Em “Cartas dos Jesuítas”, Álvaro da Costa é citado como braço direito do pai e ostenta honras de herói e pacificador de colonos e Índios, bem como um bem sucedido Comandante de Navios a percorrer a Costa Brasileira, procurando sempre solucionar os problemas entre Colonos, Jesuítas e Índios. Em “Cartas Avulsas, 1550 -1568”, constante do livro “Cartas Jesuíticas II”, editado em 1931 e de autoria de Serafim Leite, consta na página 27: “Dom Álvaro da Costa, filho do Governador, em 1556 empreende guerra, bem sucedida, contra os índios rebelados da Bahia”.
É justamente neste período de 1556 que Álvaro da Costa, em viagem da Bahia para São Vicente, passa pelo Espírito Santo, ocasião em que visita seu amigo, padre Braz Lourenço e que fôra seu confessor, na viagem de Portugal para o Brasil. Com apoio de Braz Lourenço, Álvaro da Costa recebe inúmeras homenagens. Suas vitórias na Bahia e outras localidades brasileiras o transformaram num herói, defensor dos colonos contra os índios rebeldes. Os habitantes da Capitania passam então a denominar de Álvaro o imponente maciço da Serra, em homenagem a Álvaro da Costa, Mestre Comandante de Navios.

PROTEÇÃO AMBIENTAL E AS TRÊS MARIAS
O Mestre Álvaro foi transformado em Reserva Florestal em 9 de agosto de 1976 e em 1978 apenas 30 por cento da área da reserva era ocupada por floresta natural. O Jornal “A Gazeta”, edição de 20 de abril de 1994, na página 4 do Caderno Dois informa o seguinte sobre a área de proteção ambiental do Mestre Álvaro: “Localizada no Município da Serra, distante aproximadamente 20 quilômetros de Vitória, a área é reconhecida não só pela beleza cênica e natural, mas também pelo seu valor histórico. (…) Ponto culminante do Mestre Álvaro (…). Tem 816 metros de altitude. (…)”. A altura do Mestre Álvaro está errada. O Mestre Álvaro possui a altitude de 833 metros.
No alto do Mestre Álvaro existem as três Marias, que são três pontões. Moradores informam que Serrano que é bom Serrano antes de morrer deve conhecer as três Marias, pois dá sorte e a vida fica mais longa.

Dom Pedro II quando visitou a Serra, em 1860, anotou no seu Diário, MESTRE ÁLVARO. No livro que narra a visita feita pelo Imperador do Brasil à Serra a 31 de Janeiro de 1860 consta: “Um dos acompanhantes do Imperador, de nome Meirelles, (Conde Azambuja Meirelles), informou que o nome da Serra era Mestre Álvaro, ponto de marcação a um Mestre de Navio chamado Álvaro”.

SUA MAJESTADE IMPERIAL, DOM PEDRO II, EM 1860, NÃO ESCREVEU “MESTRE ALVO” E NEM “MESTRE ÁLVARES” E SIM, ESCREVEU “MESTRE ÁLVARO”.

LEI OFICIAL – Em Lei do Estado de 12 de Novembro de 1897, foi oficializado o nome MESTRE ÁLVARO.

QUEM FOI O MESTRE ÁLVARO? – Foi Dom Álvaro da Costa, Mestre Comandante de Navio, amigo do Padre fundador da Serra, Braz Lourenço e filho do Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa.

SERRA – ES. O topônimo (origem do nome) está relacionado à origem da cidade, localizada ao pé da SERRA ou do Monte (Montanha) do Mestre Álvaro.

O Mestre Álvaro é o maior e mais representativo monumento natural da Serra. Com 833 metros de altitude, é considerado uma das maiores elevações litorâneas da costa brasileira.

APA ESTADUAL MESTRE ÁLVARO

Criação: Lei Estadual nº 3075-1976, recategorização Lei Estadual nº 4.507/1991

Área: 23.896.639,45m²

Vegetação: Mata Atlântica de encosta

Sede: Anexo ao Jardim Botânico, Rua dos Estudantes, s/n, bairro Santo Antônio, Serra/ES

O Mestre Álvaro é o maior e mais representativo monumento natural da Serra. Com 833 metros de altitude, é considerado uma das maiores elevações litorâneas da costa brasileira. Está localizado a 4km da sede do município. A vegetação nativa é de Mata Atlântica de Encosta, abrigo de fauna rica e diversificada, com espécies raras e ameaçadas de extinção. Suas nascentes e córregos são contribuintes das Bacias Hidrográficas dos Rios Jacaraípe e Santa Maria da Vitória.

Foi criada em 1976 como Reserva Biológica Estadual de Mestre Álvaro e o Parque Florestal pela Lei Estadual nº 3.075. Em 1991 foi recategorizada como Área de Proteção Ambiental (APA) pela Lei Estadual nº 4.507, cuja área e perímetro foram redefinidos pela Lei Estadual nº 10.859/2018.

A APA Mestre Álvaro faz parte do Corredor Ecológico Duas Bocas – Mestre Álvaro, e contribui diretamente para a manutenção da cobertura florestal, fundamental para a efetiva conservação do solo, dos recursos hídricos e das espécies de fauna e flora.

Em 2015, foi instituído o Dia Municipal do mestre Álvaro, comemorado anualmente no dia 12 de novembro, conforme Lei Municipal mº 4.376/2015.

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