BALNEÁRIO DE NOVA ALMEIDA: Distrito que já foi Município independente – Igreja dos Reis Magos: segundo monumento mais visitado do Estado

Espírito Santo Grande Vitória - História dos Bairros Pontos Turísticos Turismo

Texto do Livro “HISTÓRIA DA SERRA”, de Clério José Borges. Permitida a reprodução do conteúdo. Agradecemos a citação da fonte

Rio Reis Magos emana / Beleza de linda flor, / Flor capixaba, Serrana. / Nova Almeida meu amor… (Poesia em forma de Trova da Trovadora Cleusa Madureira)

Nova Almeida – Fica na Região Norte do Município da Serra, Espírito Santo. Balneário com uma praia bucólica. Possui 91 Km² de área e em se tratando de turismo, é o distrito mais desenvolvido. Na região, há a formação de falésias, muito usadas pelos praticantes de parapente, e uma concentração de recifes que formam verdadeiros aquários naturais. É importante centro de lazer possuindo bons hotéis e restaurantes. Formado por duas praias propícias para banho e pesca, movimenta um grande número de turistas durante o verão. 

Origem Histórica – Em fins de 1556 o padre Braz Lourenço, em trabalho de evangelização descobre na foz do Rio Apiaputanga uma Aldeia Indígena localizada numa colina de onde se descortina uma bonita paisagem do litoral e região próxima. Assim, instala na região uma pequena capela de palhas, inaugurada no dia 6 de janeiro de 1557, que recebe o nome de Reis Magos, em homenagem ao dia em que a Igreja Católica comemora a data da visita dos Santos Reis ao menino Jesus. Nova Almeida surgiu do trabalho de evangelização realizado por Braz Lourenço, o mesmo padre fundador da Serra e sua data histórica de fundação é 6 de Janeiro de 1557. Braz Lourenço não permanece na região, já que era o Provincial (Chefe) dos Jesuítas em Vitória, mas deixa as bases de uma Igreja que mais tarde será um dos grandes Patrimônios Históricos do Espírito Santo.

Em 1569, padre José de Anchieta visita o local e promove a catequese dos silvícolas (Índios) e inicia as obras de construção da Igreja de Alvenaria, com pedras de Coral, fundando um pequeno povoado, já que de 1557 a 1569 havia no local apenas uma Aldeia Indígena. Em 1569 é construída uma nova Capela, com ampliação para a residência dos padres, terminando-se a obra em 1580. Segundo o historiador Serafim Leite, a inauguração da nova Igreja foi realizada no dia 6 de janeiro de 1580, em grande solenidade, com presenças de Índios da região e Jesuítas de Vitória. Segundo o historiador Serafim Leite, a inauguração da nova Igreja foi realizada no dia 06 de janeiro de 1580, em grande solenidade, com presença de índios da região e jesuítas de Vitória. (BORGES, 1998).

A construção da Igreja segue a linha arquitetônica de outras edificações da ordem dos Jesuítas, num programa construtivo de “quadra”, características dos mosteiros medievais, ainda encontrados em Lisboa. A construção atendia basicamente a três necessidades primordiais dos jesuítas: o culto, o trabalho de doutrina, dos ofícios e da residência. As edificações jesuíticas eram feitas para durar enquanto durasse o mundo, tendo o conjunto “Reis Magos”, as paredes de pedra de recifes com argamassa de barro, areia, cal de conchas (ostras) e óleo de baleia, que sustentam as estruturas de madeira dos pisos e telhados da cobertura em telhas de barro. Um detalhe típico é que tais telhas eram moldadas nas coxas dos índios que trabalharam na construção da igreja, daí terem tamanhos e formatos diversos.

Em 1610 a Aldeia dos Reis Magos, passa a se chamar Aldeia Nova e Yapara, com a doação de uma sesmaria para os índios locais. Em 1758 com o alvará de criação da Vila de Almeida, recebe o nome de Nova Almeida, para diferenciar de Almeida em Portugal. Nova Almeida já foi um Município independente. Foi Sede de Comarca, de 1760 a 1921. Quando Dom Pedro II esteve na Região em 1860, foi recepcionado pela Câmara Municipal de Vereadores de Nova Almeida que na época era Município. Não havia a figura do Prefeito. Na época quem administrava os Municípios no Brasil era o Presidente de cada Câmara Municipal. Em 1921, Nova Almeida deixa de ser um Município e foi anexado ao Município de Fundão pela Câmara Municipal de Serra. Em 11 de Novembro de 1938, Nova Almeida desmembrou-se do Município de Fundão, passando a ser um Distrito do Município de Serra.

O Balneário abriga o segundo monumento histórico mais visitado do Espírito Santo: A Igreja e Residência dos Reis Magos tombada como Patrimônio Histórico pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O primeiro patrimônio mais visitado é o Convento da Penha em Vila Velha. A Igreja e Residência Reis Magos situa-se em região estratégica, a 40 metros acima do nível do mar, de onde se pode ver todo o entorno. Os jesuítas tiveram ocasião de escolher o local que melhor proporcionasse uma visão geral do local e, com calma, fazer a construção. Esta localização permitia boa locomoção para o interior ou para o contato com outras aldeias, pelo litoral, o que facilitava o trabalho de catequização dos índios e propiciar uma fuga fácil no caso de invasão.

IGREJA DOS REIS MAGOS DE NOVA ALMEIDA – A igreja foi tombada em 21 de setembro de 1943, pelo SPHAN (Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, hoje IPHAN). Propriedade do IPHAN desde 1982 e tombada como patrimônio artístico e histórico desde 1943, a Igreja dos Reis Magos possui exemplares artísticos consideráveis em seu acervo. Um deles é a pintura “Adoração dos Reis Magos”, cuja autoria foi atribuída ao Frei Belchior Paulo, considerada umas das primeiras pinturas a óleo do Brasil e um dos maiores exemplares da arte sacra brasileira. O retábulo do altar, entalhado em madeira, é uma das principais esculturas de interesse histórico do Estado. O Instituto foi precedido pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) criado em 13 de janeiro de 1937 e regulamentado pelo Decreto-Lei nº 25 no dia 30 de novembro do mesmo ano, poucos dias após o golpe que instituiu o Estado Novo. O seu primeiro presidente foi Rodrigo Melo Franco de Andrade, que esteve à frente da instituição até 1967, quando se aposentou. Entre os vários artistas e intelectuais que colaboraram com a entidade, destacam-se o poeta Mário de Andrade, o poeta Manuel Bandeira e o arquiteto Lúcio Costa.

TRANSCRIÇÃO DO REGISTRO DE TOMBAMENTO DA IGREJA DOS REIS MAGOS NO SPHAN, ATUAL IPHAN – IGREJA DOS REIS MAGOS E RESIDÊNCIA (SERRA, ES). Endereço: Praça dos Reis Magos, Distrito de Nova Almeida, Serra, ES. Livro de Belas Artes: Inscrição 289-A. Data 21/09/1943. Livro Histórico: Inscrição 223. Data 21/09/1943. Número do Processo: 0230-T-40

Descrição: A Igreja dos Reis Magos está situada numa colina de 40 metros de altura do nível do mar, num local onde existiu um núcleo de catequese indígena, realizado pelos padres jesuítas, entre o século XVI e o XVIII. Foi construída no período existente entre os anos 1580 e 1615, com a ajuda dos índios tupiniquins. O nome original da aldeia também era Reis Magos, contudo, o nome atual da localidade é Nova Almeida. O conjunto compõe-se da igreja e da residência anexa. A fachada principal da igreja apresenta frontão simples. A porta principal apresenta ombreira de pedra trabalhada na parte superior. Os vãos das janelas apresentam ombreiras retangulares, possuindo as janelas formas almofadadas. A torre situa-se entre a igreja e a residência, sendo encimada por uma cúpula, e circundada por quatro coruchéis (pináculos). Coruchéu é o remate piramidal de uma torre ou de um campanário. O coruchéu pode ser de madeira ou de pedra e ser revestido ou não por telhas.

Na parte interna, o altar-mor apresenta um retábulo com quatro colunas em estilo salomônico, ladeando uma pintura dos Reis Magos, ao centro, e um nicho para imagem nos cantos esquerdos e direito, respectivamente. O trabalho foi realizado através do entalhe de peças de madeira. Entre as imagens sacras, temos: uma imagem de N. Sra. da Conceição; uma imagem de N. Sra. da Boa Morte; uma imagem de Santo Inácio e um Cristo Crucificado. A residência possui dois andares e apresenta fachadas simples e janelas retangulares, sendo as ombreiras das portas trabalhadas em pedra. Acima da porta principal, há um emblema de uma coroa ladeada por dois ramos de planta. Seu interior apresenta um claustro com pilastras em alvenaria e vigamento de madeira. A sacristia, situada no andar inferior, possui piso em alvenaria. Nela também está localizada a pia batismal. O segundo andar da residência possui uma varanda em madeiramento, que circunda todo o pátio interno (claustro).

Descrição Posterior – 25/06/2001. O Aldeamento dos Reis Magos, fundado pelos jesuítas por volta de 1580 é hoje o balneário de Nova Almeida, localizado no Município de Serra. A Igreja e Residência de Reis Magos foi edificada numa elevação, de onde se tem ampla visão da orla e do Rio Reis Magos. Voltada de costa para o mar, sua fachada principal caracteriza-se por um grande largo rodeado por um casario que até a época do tombamento do conjunto, lembrava o aldeamento indígena, constituindo-se como único no Brasil. O partido arquitetônico adotado para o conjunto apresenta planta quadrangular constituído pela igreja e pela residência.

A igreja possui nave, capela mor, e uma torre sineira encimada por abóbada de tijolos, situada entre a igreja e a residência. Esta última em dois pavimentos possui várias salas e uma varanda no pavimento superior, cujo piso é totalmente constituído por tabuado sobre barrotes de madeira. O pavimento térreo caracteriza-se pela localização da sacristia que se destaca dos demais ambientes pela nobreza do compartimento cujo acabamento caracteriza-se pelo forro em saia e camisa e pela porta almofadada que dá o acesso pelo corredor de chão batido que envolve o pátio interno.

A fachada principal da igreja caracteriza-se por apresentar frontão triangular com cornijas e volutas, um óculo central em rosácea, três janelas púlpito e a portada principal cujos quadros são de mármore de lioz. No prolongamento da fachada principal encontra-se a entrada principal da residência. Na época do tombamento a residência encontrava-se em estado de ruínas. Entre os anos de 1944 e 1945 o monumento sofreu uma grande obra de restauração, e a partir desta época foram realizados vários pequenos reparos. Entre 1987 e 1988 a igreja sofreu uma nova obra de restauração.

UTENSÍLIOS DA IGREJA

Pórtico da Entrada Principal. Vários dos elementos arquitetônicos de algumas peças de utilidades e outras decorativas da Igreja foram esculpidas em mármore português, também conhecido como “Pedra de Lioz”, que foram trazidos como lastros nos navios. Essas peças vinham prontas de Portugal para serem montadas aqui. Conta-se que o pórtico da entrada principal da Igreja dos Reis Magos foi montada em pedra de Lioz que retiraram de um navio que naufragou em Nova Almeida.

Pias em Pedras de Lioz – Na Igreja há 05 (cinco) pias em mármore português, sendo: uma na parede da sacristia (antiga caixa d’água bica e saída para água servida); uma maior, a única circular e com pé, tendo sido muitas pessoas importantes batizadas ali e três do tipo bacia, ovais e fixadas nas paredes, para uso de água benta.

Altar-Mor – O retábulo do altar-mor é entalhado em madeira e é uma das principais esculturas de interesse histórico no Espírito Santo. É provável que tenha sido concluída em 1701, tendo o seu traçado erudito atribuído a um padre jesuíta e a sua execução possivelmente a índios do local.

Adoração dos Reis Magos – A pintura a óleo sobre painel de madeira que, segundo o Escritor Clério José Borges, no Livro “História da Serra”, 1ª Edição de 1998 e 3ª Edição de 2009, é do Frei Belchior Paulo e é uma das mais antigas peças de arte sacra brasileira. O Frei veio para o Brasil em 1587 com outros missionários. Os historiadores de arte consideram o Frei como o que iniciou a pintura artística brasileira, pois até então não havia peças decorativas de arte. A fonte primária que relata o autor da obra é o Padre Escritor Serafim Leite em sua obra “História da Companhia de Jesus no Brasil”.

VISITANTES ILUSTRES DA IGREJA DOS REIS MAGOS – Muitos foram os visitantes ilustres que estiveram no conjunto dos Reis Magos. Entre eles, destacam-se:

O Desembargador Luiz Tomás de Navarro (1808). Doutor em direito, seguiu com alta distinção os cargos de Magistratura. Era comendador da Ordem de Cristo, fidalgo cavaleiro, do Conselho de sua majestade o Imperador e Desembargador no Tribunal do Conselho da fazenda no Rio de Janeiro;

Dom José Caetano da Silva Coutinho, Bispo do Rio de Janeiro. Visitou Nova Almeida por duas vezes, em 1812 e em 1819. Na época as Igrejas do Espírito Santo pertenciam ao Bispado do Rio de Janeiro. Em sua visita de 1819 relata, “esta Vila já não é de Índios puros, como em 1812, porque os dois Juízes e alguns Vereadores são Portugueses.” José Caetano da Silva Coutinho, conhecido como Bispo Capelão-Mór (Caldas da Rainha, 13 de fevereiro de 1768 — 27 de janeiro de 1833), foi um sacerdote católico e político brasileiro.

Foi deputado geral e senador do Império do Brasil, de 1826 a 1833. Filho de Caetano José Coutinho, este por sua vez filho de Baltazar Dias Coutinho e de sua mulher Maria Teresa, sendo, portanto, primo de Antônio Maria da Silva Torres, herói da Independência da Bahia. Assumiu como bispo da Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro em 15 de março de 1807, cargo que ocupou até seu falecimento. Ao reformar o Seminário de São José, então formador do clero carioca, introduziu um plano de estudos de teologia moral no qual se aprofundava os conhecimentos dos atos humanos e suas leis. Instaurou assim um dos nascedouros do pensamento da Psicologia no Brasil.

Príncipe Maximiliano de Wild-Neiwied. Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuwied (Neuwied, 23 de setembro de 1782 — Neuwied, 3 de fevereiro de 1867) foi um príncipe de uma região ao Oeste da Alemanha, que esteve no Brasil no início do século XIX e aqui estudou a flora, a fauna e as populações indígenas. Foi um naturalista, etnólogo e explorador alemão. Foi o autor do Livro Viagem ao Brasil, publicado por volta de 1820 com detalhadas descrições sobre tudo o que pôde observar. Contou com o apoio de dois auxiliares alemães, Georg Freyreiss e Friedrich Sellow, com experiência em coleta e preparação de animais. Chegou ao Brasil, em 1815 com o pseudônimo de Max Von Braunsberg. Por dois anos, pesquisou o litoral e regiões do interior do Rio de Janeiro, Espírito Santo e do sul da Bahia, chegando a Salvador em suas viagens de pesquisa.

Reuniu, entre outros objetos etnológicos, vocabulários e utensílios de tribos indígenas (como a dos Botocudos), plantas e animais. Visitou Nova Almeida entre 1815 e 1817. No Livro “Viagem ao Brasil” relata que, “saímos da selva e contemplamos à frente, numa eminência sobranceira (acima) ao mar, a Vila de Nova Almeida.” (…) “É uma grande Aldeia de Índios civilizados, fundada pelos Jesuítas. Possui uma grande Igreja de Pedras e contém, em todo o Distrito, nove léguas de circunferência, cerca de 1.200 almas (pessoas). Os moradores da Vila são principalmente Índios, havendo também Portugueses e Negros.”

Naturalista Auguste de Saint-Hilaire (1818). Botânico e naturalista francês. Viajou pelo Brasil, passando pelo Espírito Santo em 1818. De sua visita a Vitória fez curiosas anotações como a profusão de formigueiros e o costume dos habitantes de comer as tanajuras ou içás, o que valeu aos capixabas o apelido de papa-tanajuras, que lhes foi atribuído pelos rivais campistas. Mostra-se impressionado com o desembaraço das mulheres capixabas que não se escondiam dos viajantes, atitude que atribuiu às mineiras. Fez também citações sobre o convento dos jesuítas, o de São Francisco e o do Carmo, o de Nova Almeida e o da Penha, em Vila Velha. Achou o Edifício do antigo Colégio dos Jesuítas, de Vitória, o mais grandioso e belo de todos. Refere-se ainda à casa da fazenda de Jucutuquara, pertencente ao capitão-mor Francisco Pinto Homem de Azevedo, onde se hospedou.

Segundo o naturalista, as casas de Vitória eram, em boa parte, assombradas, com janelas envidraçadas e varandas com grades vindas da Europa. Em Nova Almeida, fez anotações sobre as casas dispostas no alto da colina, muitas delas estragadas e abandonadas, organizadas em retângulo. Faz referências também ao Convento dos Jesuítas, à Igreja, residência e escola de índios, a quem os padres ensinavam música e a cortar madeira, para fazer ornatos para a Igreja. Cita que os índios da região além da pesca e da lavoura, extraíam o pau-amarelo empregado nas tinturarias da Corte. Dedicavam-se também à extração de cal de ostreiras ou sambaquis, em especial nas margens dos rios. Relata ainda sobre Nova Almeida que “depois que a Companhia de Jesus foi destruída (Expulsa do Brasil), os habitantes da Aldeia, libertos de uma útil vigilância, foram abandonados à própria índole; não trabalharam mais com a mesma regularidade e muitos passaram a pedir esmolas.”

Geógrafo Charles Frederik Hart. Geólogo e desenhista canadense. Veio ao Brasil pela primeira vez em 1865, aqui permanecendo até 1867, sob a direção de Agassiz, como parte da expedição Thayer. Além de possuir sólidos conhecimentos científicos, era dotado também de rara sensibilidade artística. Musicista de excepcionais dotes soube também pintar com absoluta fidelidade tudo aquilo que via. Elaborou desenhos a bico de pena que são repletos de detalhes e minúcias que lembram, à primeira vista, fotografia, verdadeiros documentos da fisionomia do Brasil antigo, os quais ilustraram o livro de sua visita ao país. Esses desenhos magistrais referem-se a acidentes geográficos, rochas, plantas e animais brasileiros. Muitos deles forma elaborados no Espírito Santo são croquis da Serra do Itapemirim, vistas do mar, picos do Frade e da Freira, do Itabira, paisagens de Guarapari, do Rio Jucu, Monte do Leopardo (em Jucutuquara), do Penedo, Fortaleza de Piratininga ou de São Francisco Xavier, Convento da Penha, Ilha da Baleia, índios Botocudos, etc.;

Pintor francês Auguste François Biard (1858). Era naturalista e dormiu em Nova Almeida, tendo relatado em seu Diário que a Aldeia era outrora habitada pelos Jesuítas e que no centro da Praça há “ainda uma grande pedra na qual eles prendiam os Índios acusados de algum delito.” Prossegue em seu relato, “a influência dos Jesuítas sobre essas almas que deles beberam as primeiras noções do Cristianismo se foi transmitindo de geração em geração e ainda hoje eles respeitam rigorosamente os padres.”

Dom Pedro II, Imperador do Brasil (Fevereiro de 1860). O Imperador hospedou-se na própria Igreja que relatou tratar-se no “maior símbolo do lugar”. Na manhã seguinte, bem cedo, seguiu viagem para Santa Cruz. Precisamente às 15h30m, do dia 1º de fereveriro de 1860, quarta-feira, Dom Pedro II montava a cavalo na vila da Serra, a caminho da vila de Nova Almeida. O sino da matriz dá o sinal festivo da aproximação do Imperador que vinha pela estrada do centro, fazendo ajuntar o povo, formando duas alas desde o paço da Câmara Municipal até a estrada da Praça. Ao surgir o Monarca, atravessando entre as alas, foi saudado por girândolas e vivas entusiásticos dos habitantes de Nova Almeida. Ainda dessa vez, Dom Pedro II não se esqueceu de consultar o relógio. Ele registrou a hora da chegada e observou o estado do Convento, que sofrera consertos incompletos há quatro anos atrás, isto é, em 1856, no governo do Barão de Itapemirim: “Entrada no convento, 7 menos 5. O convento de sobrado tem a frente para a praça quadrangular havendo na extremidade oposta uma pequena casa de sobrado; a única que vi até agora, sendo bastantes cobertas de palha.”

O padre Antônio dos Santos Ribeiro, da vila de Santa Cruz acompanhou o monarca e prestou-lhe algumas informações:  “Aqui tiveram os Jesuítas uma cadeira de língua geral indígena que julgo ser a mesma dos tupiniquins.” Noutro local, Dom Pedro II escreveu, sobre o padre: “O vigário Santos Ribeiro é inteligente, mas chefe de partido: o Bispo protege-o, é encomendado, são informações do Presidente.” Da Igreja foi o Imperador conduzido aos aposentos, onde foi lhe servido um jantar ligeiro, que aquela hora, era considerado uma ceia. A sobremesa foi mel em cuia. Sua Majestade foi atraída por uma Banda de Congo que os caboclos formavam em louvor a São Benedito. Ele anotou: “Dança de caboclos com as suas cuias de pau de cegos para esfregarem outro pau pelo primeiro.” O instrumento que chamou a atenção do Imperador, a ponto de merecer do seu lápis de desenhista um rápido bosquejo, foi a casaca, ou reco-reco de cabeça esculpida.

Bispo D. Pedro Maria de Lacerda (1880). Primeiro e único conde de Santa Fé, (Rio de Janeiro, 31 de outubro de 1830 — Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1890) foi um sacerdote católico, bispo do Rio de Janeiro por mais de vinte anos. Filho de João Pereira de Lacerda e Camila Leonor Fontes, nasceu na freguesia da Candelária e faleceu no prédio do Seminário São José, no Morro do Castelo. Confirmado décimo bispo do Rio de Janeiro pelo Papa Pio IX, por Bula de 24 de setembro de 1868, em substituição a Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo. Foi sagrado na Sé de Mariana por Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana. Tomou posse do Bispado em 31 do mesmo mês por seu procurador Monsenhor Félix Maria de Freitas e Albuquerque. Fez sua entrada solene na Catedral em 1 de março de 1869. Foi feito Conde de Santa Fé por Decreto Imperial, de 16 de maio de 1888. Foi o último Bispo Capelão Mor, tomou parte no Concílio do Vaticano em Roma, e assistiu à queda do Império, quando da Proclamação da República Brasileira (1889).

Dom Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro, em visita ao Espírito Santo, entre 1880 e 1886 esteve em Nova Almeida no dia do aniversário da Igreja dos Reis Magos, observou entre o conjunto de índios a presença de um “negro velho” e a maneira dos músicos tocarem os tambores: “É de saber que os tocadores de guararás (tambores), quando vêm, os trazem debaixo do braço, e quando param, montam-se sobre ele e com ambas as mãos batem no couro de uma das bocas. (…) Os mais ficam em pé. Adiante do tambor é que se dança que é simplíssima, mas tem sua graça; o capitão, esse que tem na mão a vara, que ele empunha com muito garbo.” Nas suas anotações, o Bispo refere-se ao Capitão: “Visitou-me o Capitão dos Índios por nome João Maria dos Santos.” E explica: Um Capitão de Índios hoje é apenas um nome, como o do Imperador do Divino e Rei do Congado. “Para as danças é ele o Presidente”.

RIO REIS MAGOS

Já foi chamado de Nhupãgoa e Apiaputanga, o rio do Homem Vermelho

Reis Magos possui 683 quilômetros de extensão

 O rio Reis Magos era chamado pelos Índios de NHUPÃGOA (NHU, prado, terreno com vegetação rasteira e PAGOA, na língua Bororó, Macro jê, significa ribeirão, riacho) e APIAPUTANGA, (APIA: Homem pintado ou manchado. PUTANGA, palavra derivada de PITANGA, que significa Vermelho. RIO DO HOMEM VERMELHO). Os holandeses possuem pele muito clara e que exposta ao sol fica vermelha. O rio Reis Magos possui uma extensão de 683 quilômetros e divide os Municípios de Serra e Fundão. A nascente do rio Reis Magos é no Município de Santa Teresa, no local denominado de Alto Piabas, numa altitude de 760 metros.

No livro “Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo”, na página 50, Levy Rocha cita que o rio era conhecido também pelo nome de “Saí-anha”. Na Serra existe a região conhecida por Sauanha, localizada próxima a região de Timbuí. O rio Sauanha é um dos afluentes do rio Reis Magos. Os rios Timbuí e rio Fundão são afluentes do rio Reis Magos. A bacia hidrográfica do rio Reis Magos abrange os Municípios de Serra, Fundão, Santa Leopoldina e Santa Teresa. A foz, no Oceano Atlântico, está localizada em Nova Almeida. O clima da bacia do rio é Tropical Úmido. Na região baixa do rio existem projetos de porte envolvendo culturas de arroz e feijão. A cultura de café já foi bastante desenvolvida na bacia. A disponibilidade hídrica superficial do rio Reis Magos era de 1,57 metros cúbicos por segundo, em 1993, na localidade de Valsugana Velha. Os principais afluentes do rio Reis Magos são os rios: Fundão; Timbuí; Sauanha.

EVENTOS REALIZADOS NA IGREJA DOS REIS MAGOS EM NOVA ALMEIDA – 2003. O Balneário de Nova Almeida, lugar histórico do Município da Serra – Espírito Santo, foi o palco do II Congresso Brasileiro de Trovadores e, simultaneamente, o XXII Seminário Nacional da Trova.  Mais uma vez, o Clube dos Trovadores Capixabas realizou o evento, de 3 a 5 de outubro de 2003, desta feita com o apoio integral da Secretaria de Cultura da Serra. A Igreja dos Reis Magos foi restaurada e seu auditório foi sede das palestras, debates e confraternizações. As características românticas da localidade tornam o ambiente propício para a poesia.

O evento foi realizado de 03 a 05 de Outubro e foi um grande sucesso!!! Foi realizado com êxito, na Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, balneário do Município da Serra, no Estado do Espírito Santo, Brasil, de 03 a 05 de Outubro de 2003, o II Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores. O objetivo principal do evento foi a divulgação da Trova, composição poética de quatro versos com rima e sentido completo. Compareceram Poetas Trovadores do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Bahia e Brasília. O evento foi abrilhantado com a participação da Banda da Polícia Militar do Espírito Santo, Bandas de Congo e Declamação de Poetas Trovadores Brasileiros. No Domingo, a Missa em Trovas, na Igreja dos Reis Magos, emocionou a todos. Mais um Sucesso do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, com o apoio dos comerciantes e povo de Nova Almeida. Nos meses que antecederam o evento foi realizado um Concurso de Trovas a nível Nacional. Mais de 1000 Trovas concorreram.

RESULTADO DO CONCURSO NACIONAL DE TROVAS TEMA PAZ – 2003  PROMOÇÃO: CLUBE DOS POETAS TROVADORES CAPIXABAS, CTC

O Clube dos Poetas Trovadores Capixabas, CTC, entidade cultural de divulgação da Poesia e da Trova em geral, acaba de divulgar o Resultado Final e Oficial do CONCURSO NACIONAL DE TROVAS, com o tema PAZ, realizado de Julho a 15 de Setembro de 2003. Troféus, Medalhas e Diplomas foram conferidos aos quinze primeiros colocados, que compareceram durante o II CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS TROVADORES e XXII SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA, de 03 a 05 de Outubro de 2003, no Auditório da Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida – Serra – ES.

1º LUGAR: Enquanto a missão de Cristo / Se prendia à paz na Terra, / A humana, ao contrário disto, / Tem por meta o mal e a guerra! / Pedro Viana Filho / Rua Palmeiras, nº 65 / Belmonte – Volta Redonda – RJ / 27.276 – 500.

2º LUGAR: Busquei a Paz pelo mundo, / Numa procura sem fim… / E a Paz estava, no fundo, / Morando dentro de mim. Sérgio Bernardo, Rua Conde de Bonfim, 208/704. Tijuca – Rio de Janeiro – RJ, 20. 520-054.

3º LUGAR: Irônica hipocrisia / Dos poderosos da terra: / Com promessas de harmonia, / Pregam paz e fazem guerra. / Zeni de Barros Lana – Av. Amazonas, 718/606, Belo Horizonte – Minas Gerais.

III CONGRESSO BRASILEIRO DE TROVADORES

Realizado de 04 a 9 de Outubro de 2005

XXV ANIVERSÁRIO DO CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS

PROMOÇÃO: CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS – CTC

Nova Almeida reuniu Trovadores no Congresso de Poetas Trovadores de 2005 – “Os movimentos culturais precisam de pessoas abnegadas e que resistam para que manifestações literárias como a Trova, continuem.” Esta foi a afirmação da Secretária Municipal de Turismo, Cultura Esporte e Lazer, Anna Luzia Lemos Saiter ao visitar os Poetas Trovadores na noite de Sexta feira, dia 07 de Outubro de 2005, durante a realização do III Congresso Brasileiro de Trovadores, no balneário de Nova Almeida, Serra, ES. O evento se revestiu do mais completo êxito. Na noite de abertura, no dia 05, em Nova Almeida, Serra, ES, foi registrada a presença da Banda de Música da Polícia Militar e o Coral do Colégio Proudhon.

Registrou-se também a presença de Delegação de Colatina, chefiada pelo Advogado Emanuel Barcellos, Delegação de São Gonçalo, (RJ); Salvador, BA; São Paulo; Rio de Janeiro e Minas Gerais. Participações especiais dos Colégios Ápice, de Jacaraípe, São José (de Vila Velha) e da Escola Agrotécnica Federal de Santa Teresa, além de estudantes das Escolas de Nova Almeida e Jacaraípe. Prestigiou o evento no primeiro dia o Vice Prefeito da Serra, Valter Rodrigues de Paula, (foto a direita), representando o Poder Executivo do Município e a Vereadora Sandra Gomes, representando o Poder Legislativo. O evento prosseguiu nos demais dias, com palestras e debates e Show no sábado, de um Grupo de Pagode, na Praça de Nova Almeida. O encerramento foi no dia 09, Domingo, com uma bela Missa em Trovas.

CORAL DO COLÉGIO PROUDHON FAZ SUCESSO NO CONGRESSO – Sob o comando da Maestrina Alice Nascimento, o Coral do Colégio Proudhon fez sucesso na solenidade de Abertura do III Congresso Brasileiro de Trovadores, no dia 05 de Outubro de 2005, em Nova Almeida, Serra, ES. O Destaque foi o canto do Hino do Município da Serra. Os Congressistas apreciaram a apresentação do Coral e o Trabalho da Maestrina e da Diretora da Escola Rosangela de Souza Azevedo. O Coral foi convidado pelo Vice Prefeito para gravar um CD com o Hino da Serra.

VEREADOR TIO JOÃO PRESIDE SESSÃO NO DIA DO TROVADOR – Através da Lei Municipal N.º 2647, de 11 de Dezembro de 2003, o Dia 04 de Outubro é o Dia Municipal do Poeta Trovador no Município da Serra. A solenidade de 2005 foi presidida pelo Vereador João de Deus Corrêa, Tio João, contando com a participação dos Trovadores, populares, alunos da Escola Jonas Farias; da representante da Secretaria Estadual de Cultura, Jornalista Glecy Coutinho; do Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Desembargador Sebastião Teixeira Sobreira; do Deputado Gilson Gomes e da Vereadora Sandra Gomes.

SECRETÁRIA DE TURISMO E CULTURA PRESTIGIA E SAÚDA TROVADORES – A Secretária Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Anna Luzia Lemos Saiter marcou presença no Congresso de Trovadores e enalteceu a importância de manifestações culturais como a Trova e o movimento dos Poetas Trovadores.

BRINCADEIRAS INFANTIS E TROVAS – Maria José de Oliveira Ciriaco, do Rio de Janeiro, declamando trovas e brincando com as crianças foi um dos momentos mágicos do Congresso de Nova Almeida

ESTUDANTES RECEBEM OS VISITANTES – Através de um trabalho voluntário estudantes ajudaram como Recepcionistas do Congresso. A equipe foi composta de Emilly Próspero Souza; Nayara Cássia Moreira Alves; Damiani da Silva Vicente; Amanda de Jesus Ferreira; Abinael Correia de Lima.

“APIAPUTANGA”

Roteiro de um Filme escrito por Clério José Borges

Cineasta João Christo Coutinho filmando Apiaputanga, (nome Indígena do rio Reis Magos), sobre um personagem interpretado pelo ator de Eurico Salles, Juarez Pagung, o Homem Vermelho. Direção do Filme em Vídeo: Clério José Borges. Filmagens realizadas no dia 10 de Setembro de 2005, no rio Reis Magos e na Praça de Nova Almeida. A filmagem atraiu um público especial, entre os quais, o Sr. Márcio Barbosa, a professora Déa Barbosa Aguiar; Zenaide Emília Thomes Borges e a poetisa Sirlei Aragão. Fotos de Clério José Borges.

NOVA ALMEIDA EM UM OLHAR

Making Off de um Filme Documentário realizado no dia 12 de Setembro de 2009

No dia 12 de Setembro de 2009 a convite de Júlio Cesar Batista Nogueira, conhecido como Júlio Autor, o Escritor Clério José Borges participou das filmagens do Vídeo Documentário, Nova Almeida em um olhar, sendo de grande importância o apoio e a participação de Wilson Duarte, morador de Nova Almeida e da dupla de Cantores e compositores Juvêncio e Dorka.

Distâncias entre Cidades e entre Capitais e a Serra. – A Sede da Serra possui as seguintes distâncias de outras Capitais: São Paulo (SP): 993 km – Rio de Janeiro (RJ): 561 km – Salvador (BA): 1238 km – Brasília (DF): 1274 km – Fortaleza 1837 km – Belo Horizonte 500 km mais próxima – Curitiba (PR): 1395 km – Manaus 2859 km – Recife 1466 km – Porto Alegre (RS): 2037 km – Belém 2262 km – Goiânia 1020 km

Aeroporto mais próximo da Serra: Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, também conhecido como o Aeroporto de Vitória (ES) – Distância da Sede Administrativa (onde fica a Prefeitura Municipal) da Serra: Aproximadamente 9 Km.

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