Resultado do Concurso de Poesia, Trovas, Haicai e Prosa da ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Poetas Trovadores realizado no ano 2021

RESULTADO DE CONCURSO LITERÁRIO DA ACLAPTCTC – ACADEMIA CAPIXABA DE LETRAS E ARTES DE POETAS TROVADORES – 2021 -TROVAS, HAICAIS, POESIAS, PROSAS.

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A entrega de Troféus para os três primeiros lugares em cada modalidade de gênero Literário e Medalhas de quarto ao décimo lugar bem como Diplomas será no XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS TROVADORES de 07 a 10 de Outubro de 2021, no Balneário de Jacaraípe, no Município da Serra ES.

RESULTADO DE CONCURSO LITERÁRIO DA ACLAPTCTC - ACADEMIA CAPIXABA DE LETRAS E ARTES DE POETAS TROVADORES - 2021   -TROVAS, HAICAIS, POESIAS, PROSAS.
RESULTADO DE CONCURSO LITERÁRIO DA ACLAPTCTC – ACADEMIA CAPIXABA DE LETRAS E ARTES DE POETAS TROVADORES – 2021 -TROVAS, HAICAIS, POESIAS, PROSAS.

RESULTADO DE CONCURSO LITERÁRIO ACLAPTCTC – 2021
TROVAS, HAICAIS, POESIAS, PROSAS.


RESULTADOS
TROVAS – Critério: técnica e Beleza.
Comissão Julgadora:
Maria Delboni, de Belo Horizonte, MG. Graduada em Letras, doutora em Ciência da Educação.
Adircilene Lerilda Batista, De Lagoa da Prata, MG, Graduada em Letras e Pedagogia, especialista em Educação.
Maria Viola Bona, de Vila Velha, ES. Graduada em m Geografia e pós graduada em Planejamento Educacional.


1º lugar – trova 2 : Falcão – Abílio Kac

Um liberto passarinho
sem encontrar proteção
resolveu voltar ao ninho
de sua antiga prisão.
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 37 apto. 401
Gávea – Rio de janeiro – CEP: 22451-041 – E mail: alepo@uol.com.br

2º lugar: Abel trova 1 – Abelardo Nogueira
Pescador, tornei-me um dia,
joguei as redes em vão.
Nem um amor, pois, havia
no mar da minha ilusão.

Endereço: Rua Estael Gomes Bezerra, nº 468 – Parque centenário – Aracoiaba-CE – CEP: 62750-000.

3º Cunhada- trova nº2 – Wanda Cristina da Cunha e Silva
Choro nos versos que faço
Plangente é a minha canção
Porque deixei meu abraço
Na alma de um violão.

Endereço completo: av. Mário Andreazza, nº 41, Condomínio Athenas, casa 08, bairro Olho D’água.. São Luís – Maranhão.
CEP 65068-500 – e-mail: wanda_cunha@hotmail.com

4º lugar, Trova 1: Flor de Liz – Elisabete Rabello Machado Brandão
Hei de encontrar quem eu fui
no lugar onde restou
a parte que ainda flui
dentre a cinza que sobrou
Rua Agostinho dos Santos, 137, Parque São Domingos – São Paulo – Capital, CEP 05125 050 , erbeterabello91@gmail.com

5º lugar: Sapoti = Alda – Madalena Ferrante Pizzatto.
De que vale uma oração,
se ao próximo nego amor,
e sem dividir meu pão,
eu não vejo sua dor?

Rua Professora Rosa Saporski – 493, Mercês – MG, CEP – 80810-120
madalenafp@yahoo.com.br

6º lugar: Mario Portela- Trova nº2 – Marcos Bubach
Como doce melodia
nessa árdua e dura lida,
meu refúgio é a poesia
o tempero dessa vida.

Endereço completo: Rua: Francisco Paula Bonadiman, 31, Santa Bárbara. Cariacica – E.S. CEP: 29.145-120 – marcosbubach@yahoo.com.br

7º lugar: Tia- trova 1 – Katia Bobbio
Quando a idade vai chegando
Fica um tempo diferente.
Vem tudo desmoronando
Pesando os ombros da gente.

Rua Muniz Freire, 202, Conceição da Barra – ES
CEP. 29.960-000. katiabobbio@gmail.com
8º lugar: Asa- trova3 – Wilson de Oliveira Jasa
Quantas Pedras No Caminho,
na minha vida encontrei;
fui juntando com carinho,
e um Castelo edifiquei!

Caixa-Postal 9 – São Paulo – SP. CEP: 01031-970
wilsonjasa@gmail.com

9º lugar: Sales- trova 1 – Pedro Ornellas
Se, de volta à mocidade,
no trem da lembrança eu sigo,
não vou sozinho… A Saudade
divide o banco comigo!

Av Dr Guilherme de Abreu Sodré, 67 apto 22A – Guaianases
São Paulo SP. CEP: 08490-010 – ornellas2010@gmail.com

10ºlugar: luara- trova nº 2 – Márcia Jaber
Farta de meias verdades,
não quero amores vazios,
nem falsas felicidades
das cigarras nos estios.

Rua Dr. Edgard Carlos Pereira, 49 – Santa Tereza
Juiz de Fora – MG CEP 36020-200 – marjaber2016@gmail.com

HAICAI
COMISSÃO JULGADORA:
Adircilene Lerilda Batista, De Lagoa da Prata, MG, Graduada em Letras e Pedagogia, especialista em Educação.
Maria Delboni, de Belo Horizonte, MG. Graduada em Letras, doutora em Ciência da Educação.
Maria Viola Bona, de Vila Velha, ES. Graduada em m Geografia e pós graduada em Planejamento Educacional.

1º lugar: Cunhada- Haicai nº1 – Wanda Cristina da Cunha e Silva.
No meio das flores
O silencio diz: “te acalma!”
Eu enxugo as dores.

Endereço completo: av. Mário Andreazza, nº 41, Condomínio Athenas, casa 08, bairro Olho D’água.. São Luís – Maranhão.
CEP 65068-500 – e-mail: wanda_cunha@hotmail.com

2º lugar: Epicuro- Haicai nº3 – Carlos Augusto Souto de Alencar
A folha que cai
traz-nos a lembrança da
vida que se esvai.

ENDEREÇO: Rua Aurélio Francisco Gomes 170, ap. 103 – Flamboyant – Campos dos Goytacazes – RJ – CEP: 28015-210 – soutodealencar@yahoo.com.br

3ºlugar: Xeir- Haicai nº3 – Nilton Manoel.
Quem sonha com a vida
não perde tempo nem chora
semeia no agora
Ribeirão Preto – SP – Caixa Postal 448===14001-970 – nmateixeira@ig.com.br

4ºlugar: Pandinha – Renata Machado Barreto Braga
Um som a soar
Uma vida a viver
Somos cantiga.

Rua Tomé de Sousa nº158, Barra do Itapemirim, Marataízes, ES
CEP: 29345000 – renatamachadobarreto@gmail.com
5ºlugar: Robin- Haicai- nº1 – Geraldo Trombin

Nuvens carregadas.
Enquanto a chuva não cai,
Deus faz um haicai!

Av. Brasil, 1350 – Ap 36 – Ed. Paraty – Frezzarin
13465-770 – Americana – SP – gtrombin@terra.com.br

6ºlugar: Anelise – HAICA 1 – Marilena Budel
No galho florido
o beija-flor vem e vai.
Vida que segue o ritmo.

Rua Anastácia Galicioli,147, Irati Paraná
Cep 84 500 293 – budelmarilena1952@gmail.com

7ºlugar: A Gaivota- Haicai 3 – Edite de Abreu Ferreira Nunes
Pastagens secas
O fogo crepitando,
Sofrem animais.

Rua Ituiutaba, 239 – Santa Helena – Governador Valadares / MG
CEP 35059-260 – abreununes1@gmail.com
8º lugar: Mario Portela HAICAI 3 – Marcos Bubach
Descanso meus olhos
Numa fragata longínqua
Ali envelheço

Endereço completo: Rua: Francisco Paula Bonadiman, 31, Santa Bárbara. Cariacica – E.S. CEP: 29.145-120. marcosbubach@yahoo.com.br

9º lugar: M Souza- Haicai nº2 – Mariangela Souza Siqueira
Amo a natureza
Os pássaros, as matas
Rios, mares, vida!

Rua E, S/Nº – Conj. 405B/202B – Conjunto Jacaraipe, Serra/ES
CEP 29175-849 – romersiqueira@yahoo.com.br

10º lugar: Euvira- Haicai 3. Ester Abreu Vieira de Oliveira
Abro a Janela
para ver a luz do sol.
Sereno vai.

Rua Professora Gladys Bernardo Lucas 195
Solar da Ester, Bairro de Lourdes – Vitória – ES CEP:29042815

POESIA


Comissão Julgadora
Antonio Galvão – Graduado Jornalismo, Especialização em Psicanálise, Escritor, Poeta, Professor.
Luiz Poeta – (Luiz Gilberto de Barros) é Docente de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Portuguesa; é carioca, poeta, escritor e muito mais.
Irislene Morato – escritora e poeta, Membro Efetivo de diversas Academias nacionais e internacionais; Presidente Coordenadora da AJEB–MG, Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Autora de 4 livros.


Renata Machado Barreto Braga, de Marataízes, ES, classificada em 1º Lugar no Concurso de Poesia a nível Nacional promovido pela ACLAPTCTC, com um total de mais de 1368 participantes e a professora  Angélica Estevão da Silva.
Renata Machado Barreto Braga, de Marataízes, ES, classificada em 1º Lugar no Concurso de Poesia a nível Nacional promovido pela ACLAPTCTC, com um total de mais de 1368 participantes e a professora Angélica Estevão da Silva.

1ºlugar: Chama- Renata Machado Barreto Braga.

Título: Aprendendo com a vida
Marataízes, Barra do Itapemirim n⁰158 , CEP: 29345-000

APRENDENDO COM A VIDA.

Com a vida aprendi,
Que nada vem de graça,
Mas que não se compra o amor,
Sem coragem e sem pudor.

Viver é acreditar em si,
É aprender com as dores,
É ser forte e destemido,
Buscar alegria nas flores.

Aprenda que em cada tristeza,
As lágrimas podem correr,
Mas são nestes momentos,
Que percebemos que vale a pena viver.

Na caminhada segura,
Desviamos da solidão,
Caminhe com segurança,
Até que alguém segure sua mão.

Aproveite para crescer,
Buscando sempre aprender,
Que nos pequenos detalhes,
Está a essência de ser você.

2º lugar Robim- Geraldo Trombin
Título: Seja lá o que for.
Av. Brasil, 1350 – Ap 36 – Ed. Paraty – Frezzarin– Americana – SP
CEP: 13465-770 – gtrombin@terra.com.br

SEJA LÁ O QUE FOR

Tem poema que se escreve com lágrima,
com espinho,
que se escreve com sangue,
com pedra no caminho.

Tem poema que se escreve com ferida,
com muita ou pouca fé,
que se escreve com bala perdida
ou na base do café.

Tem poema que se escreve com alto teor de colesterol,
com chumbo grosso,
que se escreve com cerol,
com pelo, pele e osso.

Tem poema que se escreve com ferro e fogo,
com unhas e dentes,
que se escreve com sudorese,
com grilhões e correntes.

Tem poema que se escreve com punhal,
com ouro, com diamante,
que se escreve com cimento e cal
e até mesmo com laxante.

Tem poema que se escreve com dor,
com chuvinha de neve,
que se escreve com flor,
… Ah! Com “seja lá o que for!”

3º lugar: José Severino- . Plácido Ferreira do Amaral Júnior.
Título: A Farsa mais Doce
Rua Maria do Céu Linhares, 106, Penedo, Caicó/RN. CEP 59300-000 – placidoamaral@bol.com.br

A FARSA MAIS DOCE
Quero ter toda parte esmagada da dor
Que convive em silêncio aguardando a razão
De fazer tão solene esse teu desamor
Transformar realmente esperança em paixão.

Sendo assim, esperando outra vez, teu calor,
Poderei ter somente uma simples questão
A rever no meu peito amargura e pavor
Por sentir a maldade habitar tua mão.

Foste a farsa mais doce esperada por mim
Nesta via de espasmo em que quase morri,
Resistindo e querendo espelhar-me em você.

Que não quis ser aquela, até mesmo ruim,
Que eu pudesse escrevendo, assinar que sofri,
Sem saber simplesmente, explicar o porquê.

4º lugar: Cavaleiro de Cervantes- André Luís Soares.
Título: Palavras de Ébano.
Avenida Praiana, n. 510. Edifício Aline. Apartamento 202. Praia do Morro; Guarapari (ES). CEP: 29.216-090. direitos.autorais2006@gmail.com

PALAVRAS DE ÉBANO

Eu venho do Éden da pangeia,
do verde orto das florestas
na origem do absinto.
Dormi em mares de areia
e no raro dos oásis
sou a santa humana evolução dos símios.
Quando abraçado por fortuna ateia
o meu legado é forjar destinos.

Carrego em mim essa cor de pele
que colore o mundo,
com a força que a noite congela
em olhar indócil de menino.
Nem sempre a favor dos ventos
cruzei oceanos,
meus braços ergueram cidades
à revelia do sangue e do pranto.

Sou esse espírito que flutua arisco,
jamais alheio aos lírios e cedros
a semear os sonhos de um povo liberto
pela diáspora eternizada
nas notas altas de algum samba enredo.
Herdeiro puro da velha mãe África,
grito e chicote não me metem medo.
Já fui à guerra em meio a leões
e belos deuses de cabelos crespos.

5ºlugar: Abias Jesurum – Adelgício Ribeiro de Paula.
Título: Como Posso te Falar
Estrada Municipal Ettore Palma, 720 – Vila Palmares, Franco da Rocha – SP (Condomínio Residencial Parque das Aroeiras, Bloco A, Apartamento 42). adelgicio.ribeiro@gmail.com .

Como posso te falar

Como posso te falar do vento
e do lugar aonde ele nasce,
e descrever o seu movimento,
que sem qualquer consentimento
faz com que a poeira esvoace.

Como posso te falar das águas
que correm na direção do mar,
levando espumas e fráguas.
São lágrimas das minhas mágoas
que ninguém pode enxugar.

Como posso te falar da tempestade
e do trovão que ela carrega,
cujo tremor meu coração invade.
É como a dor de uma saudade
ou a brava luta à qual se entrega.

Ah! Essa minha falsa filosofia!
Ah! Essa voz do meu lamento!
Talvez houvesse alguma alegria,
mais do que simples nostalgia,
se mais eu pudesse te falar do vento!

6ºlugar: Mocai – Elizabeth Iacomini
Título: A poesia mora em mim
Av Caetano Marinho, 178/201 Centro, Ponte Nova MG
CEP 35430-001, bethiacomini@hotmail.com
A POESIA MORA EM MIM….

e eu nela
companheiras eternas
não nos separamos
vamos a qualquer canto
voamos em qualquer vento
ora cheias de inspiração
ora de excentricidades
marcamos nossa métrica
elisões inconfessáveis
navegamos em maremotos
dormimos em pétalas de jasmim
andamos pela natureza
respirando oxigênio de amor
em torpor escrevemos versos passados, descompassados
ao sabor da hora
quando o viver implora
encantamento e magia
quando o tempo deplora
com dores fortes
alguém que se vai sem se despedir
rodopiamos, sofremos, nos escondemos
nos labirintos invernais
sem nunca nos despoetizarmos da esperança bendita
aflitas por capturarmos a obra-prima:
o paraíso na terra
7º lugar: Lunar: Lúcia Edwiges Narbot Ermetice (Lu Narbot)
Título: Amnésia
Rua Dr. Antonio da Costa Carvalho, 539 – ap. 81 – Bairro Cambuí
Campinas – SP – CEP 13024-901 – lucianarbot@gmail.com

Amnésia

Rabisco versos
em letras tristes,
em mudas sílabas
sem ponto ou vírgula,
rascunho a vida
em frases toscas
períodos curtos
e sem maiúsculas.
Dos sinuosos parágrafos
escorre o Tempo,
apaga a escrita, não há memória.

8º lugar: Maria Acácia – Brendda dos Santos Neves Gotelip
Título: Devastação
Endereço completo: Rua João Antônio Afonso, 99, Residencial Villa Park, Apto 404, bloco 11, Santa Inês, Vila Velha – ES
CEP: 29.108-048. brenddaneves@gmail.com

DEVASTAÇÃO
Te entreguei todo o meu amor,
Fui toda tua
No torpel da paixão!
Me vejo nua,
Sem horizontes…
Te entreguei todas as chaves
E tu quebrastes todos os muros!
Violentastes todos os meus gostos,
Segredos e bordas…
Te entreguei todos os meus sonhos,
Reinastes em toda a minha vida!
Arrebentastes com minhas entranhas,
Desfizestes meus limites…
Rompestes minhas barreiras!
Te amar é minha devastação
9º lugar: Cunhada – Wanda Cristina da Cunha e Silva
Título: Alexamego
Av. Mário Andreazza, Nº 41, Condomínio Athenas, Casa 08,
Bairro Olho D’Agua.. São Luís – Maranhão.
CEP 65068-500 – wanda_cunha@hotmail.com

ALEXAMEGO

Falta-me a falta de sentir sexto sentido,
Que venta verde a voz vermelha da vaidade.
E, assim, assado, assume ação de não ter sido
Um vento, um vulto, um verso vago na vontade.

Só tenho a frase forma, feita a frase pouca;
A frase meia-irmã, meia-mais, meia-medo
Capaz de engolir-me, assim, na minha boca,
Com tudo que é silêncio salivado cedo.

E já te arrombo, te rumino, te abandono
Te faço este soneto branco e sem ruído
Te deixo pela rua como um cão sem dono.

Agora, vou-me no meu ser que não tem sido,
Senão cigarro aceso procurando sono,
Na beira do incontido deste meu não-lido.


10º lugar: Enigma – Valéria Regina Faria Leão
Título: Aridez alheia.
R. Dias da Rocha, 45/1302, Copacabana- Rio de Janeiro-RJ
CEP. 22.051.020 – valeriafaria@ymail.com

ARIDEZ ALHEIA

Se da dor me calo, da dor eu não me livro.
Se guardo mágoas no peito,
amar eu não consigo.
Se amarro e não deixo partir, estanco, sofro.
Não abro espaço para o bem fluir.

Se semeei amor e não floriu,
a culpa não é minha, se o solo era ruim.
Se a aridez da terra não acolheu o bem que nela depositei, me despeço, sigo em frente. Outros jardins estão por vir.

Se a dor, por infelicidade, outro plantou,
no território sagrado da minha emoção,
não a cultivo.
Não adubo, não alimento.
Ignoro. Só lamento.

Partir é o verbo, é a atitude, é a decisão.
Sem ressentimentos,
sem dor, sem mágoas.
Seguindo em frente.
Antes só. Sem solidão.


PROSA


Comissão Julgadora:
Stela Oliveira – Psicopedagoga, Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Americana; Mestre em Educação Especial pela Universidade Estadual do Ceará. Atuou como Professora do ensino fundamental Especialista em Literatura Luso-brasileira (UFC).
Lin Quintino – Mineira de Belo Horizonte, poeta, escritora e graduada em Letras e Psicologia com pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. Participa de academias nacionais e internacionais. Poeta e escritora, Autora dos livros de poemas.
Sol Figueiredo – Comendadora Solange da Silva Figueiredo – professora, poeta e ativista cultural. Presidente da Academia de Letras do Brasil Secc. Campos dos Goytacazes, Acadêmica Imortal na Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; na Academia de Letras do Brasil/Seccional Suíça, entre outros.


1º lugar: Epicuro – Carlos Augusto Souto de Alencar
Título: A Flor do Pode Ser.
Rua Aurélio Francisco Gomes 170, ap. 103 – Flamboyant – Campos dos Goytacazes – RJ – soutodealencar@yahoo.com.br .

A FLOR DO PODE SER:
…só sei que, no pátio externo da escola, havia um girassol. Formoso, intrépido, que venceu o concreto e se pôs, imponente e brilhante, reinando acima da frieza retilínea e do silêncio que murmurava através da brisa matinal. Lá, onde os alunos deveriam estar, onde os professores deveriam passar, brotou o atrevido vegetal, aproveitando-se daquele abandono imposto pelo invisível inimigo, que estranhamente tinha apoiadores, enviando um sinal de esperança, na visão de alguns.
Lá, na dimensão fantástica onde as coisas são antecipadamente construídas, o responsável por manter o piso do Amanhã da escola se esmera por manter cada detalhe como está, com sutis modificações. Seu trabalho ficou bem mais fácil. De repente, sem que ele soubesse bem o motivo, o Conselho dos Arrumadores do Amanhã enviou instruções dizendo que seu trabalho seria menor pois o Mundo do Presente passava por uma tal de “pandemia” e a escola do Presente teria menos modificações no piso externo. Foi quase como tirar férias. Só precisava antecipar uma folha caída ali, alguma poeira, papéis de bala trazidos pelo vento, enfim, coisas bem mais simples do que antecipar as pisadas e outras coisas que o movimento constante das pessoas traziam. Construir o Futuro para que as pessoas não percebam a finitude das coisas é tarefa árdua. Vai saber por que o Conselho quer isso. Dizem que o Dirigente quer que as pessoas pensem que podem decidir as coisas. Por um motivo qualquer Ele se diverte com isso. O que importa é que não precisava trabalhar tanto naqueles tempos.
O problema é que muito tempo de ócio traz umas ideias estranhas. Começou a sentir falta de correr para acertar os detalhes do Amanhã que o Presente achava construir. Ficou entediado. Como estava com Tempo livre foi conversar com o responsável pelo jardim do Amanhã de uma casa vizinha. No meio do papo sentiu um estranho impulso e roubou uma semente de girassol. Nem sabia o motivo. Só pegou a mesma e se despediu. Quando voltou para o pátio da escola do Amanhã viu uma brecha no concreto, que ele mantinha cuidadosamente, e colocou lá a semente. Com o Tempo ela começou a brotar. Seu cuidado com o girassol era claramente uma transgressão. Plantas do Amanhã são responsabilidade de outros Decoradores. Mas fez assim mesmo. Dizem que o Dirigente de tudo sabe. O Decorador do pátio sentia medo da reação Dele. Afinal todos foram treinados para temer Suas reações. Mas cuidou da flor solar, com suas pétalas amarelas, confiantes, e sentiu orgulho disso. Se o Dirigente percebeu, nada fez. Talvez o humor do Dirigente seja mais afável do que se diz. Talvez Ele tenha coisas mais sérias para pensar e essas coisas miúdas, para alguém tão poderoso, não têm a menor importância. Talvez…
A diretora do momentaneamente silencioso colégio estadual postou imagem do valente girassol na página da rede social da escola. Fez alarido e anunciou que era um símbolo de esperança no meio de uma guerra que não compreendemos. Pode ser… Também pode ser só um girassol que brotou no pátio. Pode ser… Também pode ser que o Decorador do pátio do Amanhã tenha posto a impávida flor naquela fresta. Pode ser… De qualquer forma as pessoas sorriram com a imagem e a vida ficou mais leve, por um breve momento, no meio do caos que nossa pretensa ordem alimentou…


2º lugar: Cunhada – Wanda Cristina da Cunha e Silva
Título: Cinco de Junho.
Av. Mário Andreazza, nº 41, Condomínio Athenas, Casa 08, Bairro Olho D’Água. São Luís – Maranhão.
CEP 65068-500 – wanda_cunha@hotmail.com

CINCO DE JUNHO: ENTRE A PRIMAVERA E O OUTONO
Junho chegou. É tempo de colher a metáfora de minhas primaveras no
hemisfério norte: sessenta e uma. Mas, sem norte, percebo pelo meu
hemisfério esquerdo que é outono neste cinco de junho, quando as folhas
começam a cair e, com elas, a ficha. Mudanças. Mas olho para trás e descubro o tempo
inoportuno vivido e a falta de oportunidades pra vivê-lo de novo de outra forma. As
flores que brotam da terra se contrapõem às folhas que caem e rolam ao
vento até que a terra as devore.

Fosse eu discípula de Nietzsche, aceitaria a acomodação do amor fati,
mas estou fatigada do eterno retorno não retornável, porque tudo é descartável. E o que
me sobra mesmo é a irreverência de não aceitar a forma como tudo começa e termina.
Carrego a incapacidade inexorável de saber ou não saber o que farei depois, se será mais
um capítulo do meu viver ou do não viver.

Não quero pulverizar aqui o ser e o tempo heideggereano. Estou falando
só do meu ser, num tempo que não tem tempo pra parar e bater um papo comigo e que
consegue estabelecer contato com o ser-aí, mas não com o meu ser-aqui, na desordem
de viagens sem bagagens e sem paisagens, porque na sua rota não há parada nas
minhas estações.

Se sou responsável pelo que sou, como sugeriu Sartre, por que tenho
que aceitar ter sido jogada no mundo como um projeto, pra só depois eu descobrir
minha essência? Mundo são mundos. E o mundo que não conheço está antes e depois de
mim. De onde vim? Não sei. Pra onde vou? Não sei. Estou no meio desse vir a ser.
Não existe trem-bala. Há, sim, uma bala na agulha de um trem para atingir meu alvo-
ser nos trilhos ou fora dele.

Se nasci nua e estou vestida, é público e notório, mas – todos sabem –
alguém ou alguéns me vestiram, ainda que hoje eu escolha as minhas próprias
roupas. O certo é que entro nos 61 anos com uma sensação de que já estou saindo sem
tempo de avaliar por onde passam as saídas e entradas e se ainda conseguirei abrir
portas, enquanto tantas se fecham.

As minhas magias, só as encontrei em dois lugares: nos sorrisos que
lancei e nas lágrimas que me lançaram do precipício das minhas emoções para o meu
rosto; lágrimas rolantes de um alto- mar para os desfiladeiros dos meus lábios, as

quais os meus dentes morderam, como se elas – as lágrimas – fossem sólidas, porque
viraram gelo.

Seria kierkegaardiano dizer que pulei do alto do penhasco dos meus medos
para as minhas angústias e alegrias e só encontrei vazios nas asas da liberdade? Tudo é
Camus enquanto subo e desço na minha sina de ir e de vir, carregando a clausura escura
do mito de Sísimo.

Parabéns e para males, hei vivido a vida enquanto ela me engole
sob a fantástica ironia de imitar a morte. Mergulhei no rio de Heráclito onde se
naufragaram todos os seres que em mim habitaram e somente eu, um ser de
muitos e mundos, sobrevivi pra morrer na correnteza do seco. Crenças, rezas, receitas,
religiões e pensamentos filosóficos, passei por tudo; até por lutos e lutas, por guerra,
sexos e séculos; pandemias e academias; por céu e inferno. Mas esqueci-me de passar
por mim.

Por isso, hoje me procuro e só encontro escombros: bolo queimado no
forno, velas sem luz, palmas sem mão para juntá-las. E eu, no meu tédio, sou fantasma
da minha própria sombra, porque não consegui ver o sol com o qual eu pudesse
projetar a minha imagem.

Arrisco um palpite: cinco de junho vai passar tão rápido que nem terei
tempo pra comer o bolo queimado. Tudo desarrumado sobre a mesa: corpos e copos
descartáveis, restos de salgados e doces se misturam no fim da festa. E até que
chegue outro dia igual a este, cheio de presentes embrulhados com imagens do passado,
presos ao tênue fio invisível do futuro, já não serei eu mesma, não saberei o que pedir
pra beber ou comer; nem sei se estarei pra beber ou comer.

Uma coisa é certa: os aniversários são como os enterros. Nos primeiros, as
pessoas sorriem, mas depois se despedem; nos últimos, as pessoas choram e também se
despedem. Nos primeiros, somos enterrados vivos; nos últimos, os vivos nos enterram.
Hora de apagar a velinha ou hora de acendê-la? A velinha… No mar de
cera, a velhinha à vela…


3º lugar: Botti – Jacimar Berti Boti
Título: Quem disse que somos iguais.

Endereço: Rua Antonio Engrácio, 503 – Colatina-ES
CEP: 29.703-515 – jbertiboti@bol.com.br

Quem disse que somos iguais?

Caminhando pela Praça do Sol Poente em Colatina-ES, encontrei dois ex-alunos que discutiam um assunto de uma disciplina sobre o comportamento e o relacionamento humano, pois eles queriam saber se nós, seres humanos, somos todos iguais, pois o professor deles disse que somos todos iguais. Então, eu respondi:
— É muito comum você ouvir alguém dizer que todos nós somos iguais, ser igual hoje, é muito relativo, pois é preciso perguntar em relação a quê? Será que somos iguais? Então, eles começaram a fazer as perguntas.
— Em relação ao que comemos somos iguais?
— Não! Uns comem muito mal, outros não tem nada para comer, muitos passam fome literalmente, enquanto a burguesia se alimenta de caviar e bebidas caríssimas. Vivem na ganância, como se fossem donos do universo.
— Em relação a lei?
—Não! Pois observamos que a lei é muito perfeita, porém, na escrita, pois em determinados casos, temos observado que ela está ausente. Como exemplo, podemos citar a prática de um crime por um grande político lá de Brasília, você acha por quanto tempo ele ficará preso? Um aluno olhou para o outro e respondeu: talvez não fica preso, professor!
— Em relação a fé, somos iguais?
—Não! Pois a fé é um dom de Deus, nem todos têm fé, muitos nascem e morrem sem ter uma fé, sem ter esperança, vivem como uma flor sem perfume, como uma estrela apagada, como borboletas sem cores, pois nascem, crescem em um meio sem luz, não brilham, mesmo alguém ajudando, mostrando o caminho, mas passam toda a vida sem crer. Outros vivem na fé e morrem, mas não negam a fé, assim aconteceu com os apóstolos e os seguidores de Jesus, uns foram crucificados, outros comidos por leões, mas nunca negaram a fé.
— Em relação ao amor, somos iguais?
—Não! Olhei para um dos ex-alunos e observei que ele estava bem vestido, então eu disse a ale: você está bem, bem vestido, na moda, como dizem por aí, mas existe alguém que te ama, por você estar assim, tem alguém que cuida de você, não é verdade? Pois ficaram sorrindo e balançando a cabeça igual aqueles calangos. Digo a vocês que muitos passam por essa vida, sem saber o que é amar alguém, pois aquele que ama cuida, se preocupa com o outro, não deixa o outro passar dificuldades, pois participa da vida do outro. Podemos aqui citar a parábola contada por Jesus, “o bom samaritano” (Lucas 10: 25-37) ali, Jesus menciona o verdadeiro amor.
Observei que os ex-alunos estavam muito entusiasmados com as respostas das perguntas que me faziam, e eles também participavam, pois percebi que tinham bom conhecimento. O dia estava bem claro, e ali na Praça do Sol Poente é um local bom para estudar, namorar, contar causos e fazer reuniões, então, continuaram as perguntas.
— Somos iguais em relação ao conhecimento?
—Não! Muitos nascem e crescem sem ter oportunidade de estudar e aprender, não se alimentam direito, pois vivem de migalhas, os bons salários, ficam distantes deles, eles se perderam no tempo, pois é cedo que devemos correr atrás do conhecimento. Vemos hoje que os governantes estão apresentando uma proposta de desenvolvimento para esses que cedo não buscaram o conhecimento, é o projeto educacional (EJA – educação de jovens e adultos). Porém, o conhecimento é buscado todo dia de nossas vidas e a grande maioria não buscam.
Somos iguais em relação a vida?
—Não! Nascemos biologicamente iguais, porém, geneticamente diferentes. Temos visões diferentes em relação à vida, comportamentos diferentes, uns são direcionados a viver de forma pacífica, outros são agressivos e violentos, uns são verdadeiros, outros falsos e ignorantes. Existem também aqueles que passam a vida praticando o amor, enquanto outros vivem e não sabem nem porque estão aqui, vivem por viver, nascem com a estrela apagada e morrem na escuridão.
Então, achei que eles já estavam cansados de ouvir não nas respostas de todas as perguntas que me faziam. Um deles disse: agora vou fazer uma pergunta que teremos como resposta um sim, pois nessa todos nós somos iguais, professor, e a pergunta é essa:
Todos somos filhos de Deus?
— Mais uma vez não! Se você ler a Bíblia, no evangelho de João 1: 12, lá está escrito que nem todos somos filhos de Deus. Então, um dos estudantes abriu a bíblia no celular e leu o versículo 12, que assim diz: “mas a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”. A nossa conversa estava um tanto interessante, pois ali chegava um mendigo pedindo dinheiro para comprar comida, então um dos ex-alunos disse: ele vai comprar cachaça, eu disse: viu como nós não somos iguais! Eu creio que ele está mesmo com fome! Eu disse a eles: aguardem aqui, atravessei a rua e fui ao restaurante que fica enfrente da praça e comprei uma marmita e entreguei ao mendigo, ele saiu pulando de alegria.
Os jovens estudantes que ali na praça estavam aguardando e formulando outras perguntas, disseram: professor nós já estamos indo embora, mas chegamos a uma conclusão que realmente ninguém é igual nesse mundo, vamos discutir esse assunto em sala de aulas essa semana, na verdade, somos todos diferentes, talvez somos iguais quando nascemos! Respondi imediatamente, Não! Uns nascem de parteira lá na roça, outros nascem em berço de ouro com parto cuidado por médicos e enfermeiras especializados, logo, foram saindo dando risadas e dizendo é verdade! Somos totalmente diferentes.


4ºlugar: Robin- Geraldo Trombin
Título: Carta a um pai ausente.
Av. Brasil, 1350 – Ap 36 – Ed. Paraty – Frezzarin
13465-770 – Americana – SP – gtrombin@terra.com.br

CARTA A UM PAI AUSENTE

Sabe, pai! Não sei nem por onde começar: se pelo vácuo que até hoje embrulha com papel e laços negros os meus dias ou se pela umidade que insiste em fazer sua morada dentro das minhas pálpebras, mofando completamente as paredes dos meus olhos.
Ainda não entendo o porquê! Eu não achei respostas em nenhum lugar, nem mesmo nos lábios trêmulos da mamãe. Aliás, ali, como nos meus, só encontrei perguntas… perguntas… e perguntas!
Desde “bebezinha”, a mamãe me chama de Flor! Ela sempre fala isso: que eu sou a flor que trouxe alegria ao jardim dela. Mas, você, pai, não me viu brotar, nem crescer, muito menos florescer. Não viu quando, sozinha, dei os meus primeiros passinhos em busca dos braços e do coração da mamãe. Não viu os meus cabelinhos loiros (como hera) cobrirem toda a minha cabeça e despencarem lindamente por entre as minhas orelhas em forma de caracol.
Você não estava aqui quando abri um sorriso enorme ao dizer pela primeira vez: – Mã…mã!!! Não estava por aqui quando disse Pá… Pá!!!, pensando que aquele homem bonitão, carinhoso e que tanto gostava de mim – o Tio Zeca – era você, o meu pai!
Você, pai, não pegou na minha mãozinha e foi comigo à escolinha no meu primeiro dia de aula. Não estava por perto quando, assustada, eu sangrei e virei menina-mulher; quando sonhei com aquele baile de debutante que a mamãe fez de tudo pra acontecer: principalmente costurar e cozinhar pra fora. Sequer chiou (de ciúme) – como todo pai faz – quando dei o meu primeiro beijo de boca na boca do Paulinho (o grande amor da minha vida), pois você não estava nem aí, ou melhor, não estava nem aqui!
Hoje o Paulinho é o meu amado marido, meu companheiro de todas as horas; é pai dos outros dois grandes tesouros da minha vida: da Juliana e da Mariana, as netas que você também não conheceu. Ah, e no dia do meu casamento, sabe quem foi que enroscou o braço no meu e me levou até o altar, pai? Não? Nem imagina? É! É isso mesmo: foi o Tio Zeca, que sempre foi um verdadeiro pai pra mim.
Sabe, pai! A tristeza é mesmo um rastilho: quando aceso pela chama da saudade, queima rapidinho… e logo atinge a gente… deixa o nosso peito em brasa e… BUM!!!
É, pai! Justamente no dia em que eu nasci, você partiu. E partindo, partiu o coração da mamãe. O meu? Ah! O meu, quando eu vim ao mundo, já veio com defeito de fábrica, já veio faltando um pedaço, ceifado pela faca afiada da sua ausência.
Hoje faz vinte anos que isso aconteceu. Hoje faz vinte anos que a mamãe se ajoelha diante do altar da solidão, aos pés da Santa Aflição e reza… e chora… e soluça… e reza… pelo amor que sentia e ainda sente por você!
Sabe, pai! Sinto que o nosso coração – o meu e o da mamãe – fenece um pouquinho a cada dia de Finados.


5º lugar: Emanuel Lee- Adriano Figueiredo Monte Alegre
Título: Os Inquilinos

Rua Território do Rio Branco nº 316 , edf. Residencial Rio Branco apt. 702 Bairro – Pituba. Salvador, Bahia – Brasil , CEP 41.830-530. – adriano.malegre@gmail.com

OS INQUILINOS
Os novos inquilinos chegaram a casa, convencidos de que o local estava desabitado. E tinham razão de pensarem desse modo, porque, se a situação fosse oposta, como poderiam se estabelecer? Só existia um problema nesse raciocínio: normalmente os humanos usam o seu entendimento natural para captar o estado das coisas, negligenciando os contextos extranaturais ou os de ocultação. De outro modo, o fato encontra respaldo científico. Pesquisadores como Louis Pasteur já noticiaram experimentalmente que, por vezes, onde se supõem não existir seres, eles existem. Notadamente porque, em alguns casos, certos viventes só podem ser vistos à luz de lentes especiais. Bem evidentemente, nos dias de hoje, tornou-se consenso de que a vida pulsa praticamente em todos os lugares. Com um detalhe indubitável – onde a vida se faz presente, a proliferação é imanente.
A família recém-chegada a residência era formada pelo casal Décio e Enilda, e seus filhos – Mariane, quatorze anos, e Diego, três anos. A transição da residência anterior para a atual fora cheia de altos e baixos. Tiveram de deixar a antiga moradia após Décio ser convocado a se apresentar em uma missão extrarregional – fato comum na vida dos indivíduos de carreira militar. Mariane chorou, por dias, a despedida de sua escola e o afastamento das amigas mais queridas. Para Diego, os problemas passavam ao largo; sua única reclamação era quando a sopa que recebia não era de abóbora com cenoura. Quanto a Enilda, esta já havia desistido, há muito, de achar esses acontecimentos bons ou ruins – pois aprendera a se adaptar à provisoriedade das coisas. Em todo caso, mudanças sempre comportam desafios. No caso deles, precisariam voltar a desencaixotar produtos variados – roupas de cama, utensílios, livros, sapatos. Deveriam pensar na reorganização dos objetos, nas disposições dos eletrodomésticos e mobiliários. Também teriam de se habituar aos novos odores, cores, torneiras, escadas, maçanetas; teriam de se acostumar com as novas posições dos quartos, das camas e das pias. Precisariam se adaptar ao fluxo da água de outros chuveiros; ou às singularidades nos giros das chaves em trancas e ferrolhos. De mais a mais, a família necessitaria de algum tempo para se ajustar aos novos desafios da rotina, entre casa, escola e trabalho.
Ocorre que, no momento em que a parentela começava a se habituar aos deslocamentos pela escadaria, aos distintos corredores; quando os quartos e a sala integravam-se já às expectativas dos seus usufruidores; no momento em que os inquilinos se assentaram, e que tudo já parecia estar no seu devido lugar, a vida, como de hábito, surpreendeu. Foi como se uma colher cheia do caldo de ‘pimenta’ tivesse sido despejada em um prato já apimentado. E tudo aconteceu de um modo discreto – existia, próximo a um dos cantos da porta da cozinha, um minúsculo orifício. Parecia quase ser um nada. Todavia, ali se encontrava um “portal” insuspeitável entre dois mundos. Naquele dia, sabe-se lá por que motivo, despontou do seu interior uma ruiva. Ela tinha o diâmetro da cabeça apenas um pouco menor do que o furo. A dita ruiva esticou sua extremidade arredondada, girou-a para um e outro lado, expondo duas hastes, semelhantes a tranças. Curiosa, a pequenina avançou um pouco mais e mostrou seus membros anteriores, até exibir-se de corpo inteiro. Sua cintura era fina, o abdômen e o tórax, bem estruturados. Uma bela ruiva, de olhos negros, portando ‘tranças’ graciosas. Pela cena, era possível imaginar, seu inaudível anúncio – eles chegaram! A entrada da família naquela casa, sem dúvida, era um evento que não poderia passar desapercebido. Os odores estavam por todos os lados. Cebola queimada, grãos de arroz cozidos e amassados aos pés do fogão, manchas de café, açúcar branco, gordura de bife frito, fiapos de queijos, migalhas de pão. A carne mastigada e cuspida só podia ser arte do Diego. Marcas de chocolate na geladeira, embalagem de pirulito na lata do lixo. O estado de coisas era até razoavelmente controlado. Mas a verdade é que, se a partir daquele momento a ruiva descesse pelo orifício e fosse contar as novidades aos seus, ninguém poderia prever as consequências. De súbito, a pequenina viu avançar um pano de chão, preso ao cabo de um rodo, impregnado de desinfetante e detergente. Com o esfregar do pano, espalhou-se pela cozinha, corredores e sala um forte cheiro. Então a ruiva, precavida, voltou ao orifício e desapareceu.
Despontada a noite, o casal e os filhos se reuniram para o jantar. O último a sentar-se à mesa foi o militar, recém-chegado do trabalho, que precisou de um tempo adicional para retirar e guardar seu uniforme decorado com pins de bravura e insígnias militares. Mas breve juntou-se aos familiares, pronto a degustar o pernil, a farofa e o arroz, acompanhado por purê de batata e salada.
Em minutos, surgiram as conversas entrecortadas por garfadas.
– Como foi a escola hoje, Mariane? – perguntou o pai, antes de arrancar um pedaço da coxa do porco diretamente com as mãos.
– Igual a ontem, os professores dando aula e a gente escutando – disse a adolescente enquanto cortava uma rodela de tomate em quatro pedaços.
O pai se assustou com o modo de responder da filha, mas, em vez de usar a autoridade, preferiu silenciar. Era melhor não contrariar uma adolescente. Ele sabia que nessa fase os indivíduos costumavam transitar no limbo, perdidos entre duas fases da vida – a infância e a idade adulta. Como se tomados por uma confusão mental, estivessem sujeitos, a todo momento, aos descontroles. Então, Décio, tranquilamente, virou o rosto, com a boca ainda ocupada por arroz e farofa, e dirigiu-se à esposa.
– Você viu, Enilda, o gotejamento da torneira no banheiro do segundo andar?
– Pois não vi! É isso que digo: casa usada, trabalho dobrado – retrucou a esposa.
Ao lado da mãe, encontrava-se Diego, sentando em uma cadeira adaptada à sua idade. A criança já havia esmagado por mais de uma vez o purê em suas mãos. O alimento pastoso, sujeitado àqueles apertos, já não podia ficar mais mole – a partir dali, só se virasse líquido. Também uma mistura de saliva amarelada e purê de batata escorria pelo seu queixo. Isso porque, vez ou outra, a mãe empurrava uma mamadeira com suco de laranja para ajudar a descer a massa pela garganta. Só assim – enchendo a pança da cria – conseguiria descansar.
A comilança prosseguia. Havia ali chupar de ossos, lamber de dedos e um mastigar aberto e sonoro. A farofa com arroz circulava no céu da boca, de um e depois de outro. Tudo em meio às garfadas secas sobre as saladas e o retinir dos talheres nas tigelas e pratos. Ao fim da ceia, a família deixou o ponto em desordem. Todos estavam exaustos, e, por isso, preferiram seguir em direção aos aposentos. Desta vez a casa dormiria suja, com a mesa decorada pelas sobras e a pia transbordada por travessas e panelas, adiando-se as providências para o dia seguinte.
As luzes da casa foram apagadas, com exceção de um ponto de luz entre a sala e a cozinha, onde ficou a reluzir uma lâmpada fraca e amarelada. O tom gema da claridade atingia suavemente os recintos contíguos. Além disso, o ambiente à meia-luz recebia um vento fresco soprado por debaixo da porta principal, e só por isso não pairava ali o mais completo silêncio. A grande surpresa adveio com a madrugada, quando foi dado início a um movimento, ordenado e espetacular, de ocupação do lugar. Tudo começou com a ruiva, a primeira a atravessar o orifício. Ao despontar das profundezas, sua face ganhou brilho cor de ouro e suas tranças balançaram. Na sequência, avançou em uma linha reta pelo chão da sala. Parando apenas uma vez de modo súbito para olhar atrás de si, como se esperasse o irromper de algo maior, o que de fato fora logo confirmado. Em instantes, começaram a sair centenas e mais centenas de outras ruivas pelo orifício. Primeiro, elas avançavam em fila única e, depois, bifurcavam em uma ação coordenada. Ao lado do minúsculo furo, duas dúzias de ruivos cabeçudos estacaram, ao tempo em que as charmosas ruivas encetavam suas investidas. Sem demora, ao menos cinquenta delas atacaram um pedaço pequeno de pernil. Ao lado, outras cinco puxavam grãos de farofa. Havia também um grupo enorme cercando uma gota do purê de batata sobre a mesa de jantar. Várias lançaram-se em uma subida vertical pela carcaça do pernil, e começaram a extrair o que achavam. Logo, muitas outras ruivas começaram a sair pelo buraco, e outras tantas retornavam ao seu interior. Em um dado momento, o chão parecia um tapete acerejado. As ruivas escamoteavam tudo que podiam. Os grãos de arroz eram puxados heroicamente. E o movimento frenético não parava. Outros ruivos cabeçudos saíram do buraco e posicionaram-se na entrada do orifício. Pareciam proteger as portas daquele “mundo” paralelo, durante o tempo em que as pequeninas seguiam arrastando suas vitórias…
Já pouco antes do amanhecer, quando os avanços e a ocupação territorial atingiram níveis espantosos, Enilda resolveu ir à cozinha beber um copo d’água, e levou o maior susto da vida!
– Meu Deus!… O que é isso?
Mariane, que já se preparava para a escola, ouviu os urros e as falas no andar de baixo, e manifestou-se assustada:
– O que aconteceu, mamãe?! – disparou a adolescente do alto da escadaria.
– Formigas! Formigas, minha filha. Milhares! Milhares delas….
Após o primeiro esbordoar dos chinelos e sopros a pleno pulmões, muitas ruivas bateram em retirada, levando consigo seus troféus. Como em um passe de mágica, a maior parte dos minúsculos seres desapareceram. Nisso, em meio ao instante de tensão, Décio chegava a cozinha. Já usando a farda de todos os dias, decorada com pins e insígnias militares. O homem olhou para os lados e notou ainda algumas formigas sobre a mesa. Ele possuía certo conhecimento em relação aqueles insetos. Chegou a ver um grupo de ruivas mexendo suas antenas, e concluiu tratar-se das conhecidas operárias, com inúmeras funções na colônia. Depois o militar continuou a olhar para o chão da sala, como se buscasse algo que só ele ali soubesse existir. Aproximou-se da cozinha lentamente, ainda com os olhos voltados ao chão, até lançar para si o desafogo – achei! O militar havia encontrado o orifício – o ‘portal’ que dava acesso àquela sociedade complexa e altamente organizada. Ele sabia que no mundo das formigas, a disciplina era lei. Então, Décio, tomado por um estranho encantamento, ajoelhou-se. Aproximou o rosto do chão, até tomar um susto que o fez arrepiar. Ali, bem diante dos seus olhos, um ruivo cabeçudo ao lado do furo erguia o corpo e mostrava suas armas. Era, sem dúvida, um soldado da colônia. Entreolharam-se. Ambos sabiam do que o outro seria capaz em defesa de uma equipe ou pela primazia da função. Então um silêncio profundo se estabeleceu entre os dois seres, e naturalmente “brotou” uma mensagem subliminar, de toda evidente – na residência havia bem mais de quatro inquilinos.


6º lugar: As Pastorinhas – Dalva Martins Frahlich
Título: ATITUDE VOLUNTÁRIA.
Endereço: Rua Ana Marques,nº45, Bairro Camarão, São Gonçalo,RJ. CEP: 24436730 – frahlichdalva30@gmail.com

Atitude Voluntária
Nunca devemos esperar que os outros nos peçam ,para ajudar ,alguém, devemos ter iniciativa própria, quando sabemos ou vimos que alguém precisa de ajuda. Temos que nos prontificar em atender, pois não sabemos, que amanhã, também, podemos precisar de alguém ou de algo, assim fez Carina: Pegou um casaco seu, um par de chinelos, um sapato, um cobertor, e quando foi para a escola, colocou tudo numa sacola e levou até a porta da escola, onde esperou alguns minutos e logo apareceu uma pessoa carente, necessitada que pegou a sacola e agradeceu muito. Carina então ficou feliz, pois havia ajudado alguém. E você, o que fez de boa atitude hoje? Não pense, é só agir, ajude alguém! Vivemos no mesmo planeta, precisamos muitas vezes de ajuda, seja financeira ou socialmente, ou até mesmo fisicamente, por isso , de uma hora para outra, quem sabe, que iremos precisar de algo ou de alguém, para nos ajudar. No mundo, não conseguimos viver sozinhos, por isso temos que ser solidários uns com os outros, às vezes, um carinho ,faz tão bem, uma palavra , uma atenção etc… Devemos também valorizar as pessoas, mesmo aquelas que não são nossas amigas mais íntimas, porque o ser humano é movido à trocas, afinidades, atenções e favores. Portanto não custa sermos fraternos, fazer o bem ,sem olhar a quem!


7º lugar: A Gaivota – Edite de Abreu Ferreira Nunes
Título: Fluidez.
Rua Ituiutaba, 239 – Santa Helena – Governador Valadares / MG
CEP 35059-260 – abreununes1@gmail.com

FLUIDEZ
A propósito desejável isto é o que mais nos aflige. A constante pressão social do “salve-se quem puder”, do “quem quiser que o faça”, do “corre-corre socorrista sanitário, da “urgência e rapidez” e ainda escassez dos gêneros de primeira necessidade, dos mandos e desmandos, construções e desconstruções de meios e ferramentas utilizados para que a justiça seja régia, nos trás desordens e medo do imprevisível.
É preciso que a paz se restabeleça!
Há uma incógnita em cada ser, em meio a esta dúvida tudo há de se fluidificar com leveza: a linguagem social acarretando melhor comunicação entre os povos, a redução das moléculas. A redução das moléculas doentes cedendo à pressão e se esvaindo como que por encanto, que os acordos e compromissos ganhem espaço no coração do homem, transformando-o numa âmbula amorosa, que os gases que envolvem o planeta tomem proporções infinitamente liquefeitas e elásticas, evitando saturações descompensadas.
Que entre os grupos mundiais, ao norte, sul, leste e oeste, nunca mais fluam lágrimas sangrentas, o que muito nos assusta.
Que esta oração ganhe fala fluente aos ouvidos daqueles que ainda não conseguiram a paz espiritual que a gente só consegue com a fluidificação da comunhão com Deus.


8º lugar: Haricot Noir – Jorge Cosendey
Título: As pedrinhas.
Av. Teixeira de Castro, 197, Bonsucesso/RJ , CEP. 21.040-115

AS PEDRINHAS NA MINHA VIDA
Ao longo da vida, desde tenra idade – aquela em que me lembro dos atos pueris – comecei a juntar as pedrinhas dos grãos que minha mãe, minha vó, minhas tias e que eu mesmo catava.
Do arroz, da ervilha, das lentilhas, do feijão – principalmente -, eu as colocava em um saquinho de pano.
Foram anos a fio está mania ridícula que virou vício incontrolável. Cheguei ao ponto de pedir aos membros da família para juntar estas minúsculas relíquias de um maníaco colecionador de pedrinhas dos grãos. Não conformado com a árdua ajuda ou pena dos familiares, resolvi estender os pedidos aos vizinhos. Assim eu sempre fui atendido prontamente.
A festa do meu casamento foi feita com um banquete de pompa. Meu sogro mandou matar um garrote. Preocupado com as pedrinhas, solicitei ao chef da cozinha que coletasse as pedrinhas. Ele achou estranho, mas me entregou um saquinho com pedriscos.
O pior foi suportar a esposa com as constantes reclamações, lamúrias e broncas ao longo das bodas.
As verdadeiras e amorosas pedrinhas eram as que eu em mentalização e êxtase as catava. Minha esposa adorava quando eu exercia este ofício!
Eis a minha grande tristeza! Uma dor da perda, angústia e o consolo traumático.
Eu guardava os sacos de pedrinhas na minha biblioteca. Mas aquilo incomodava muito a minha querida esposa que fazia uso dos livros e não apreciava a decoração adversa ao ambiente.
Então, com muita dor no coração, resolvi guarda-las no quartinho das ferramentas.
Certa vez, meu filho, com 25 anos de idade, estava consertando nossa calçada. Eu não estava em casa. Ele precisava de pedrinhas para misturar à massa de cimento, ou seja, o concreto. Desta feita, usou os três sacos grandes de pedrinhas que eu juntava há cinquenta anos. Quando eu cheguei a minha casa, notei a bela calçada feita na entrada da garagem. Parabenizei o meu filho pela excelência de iniciativa.
No dia seguinte, era domingo de churrasco com as duas famílias unidas. A minha e a minha esposa. Pedi a minha filha para não esquecer de guardar as pedrinhas. Ela fez um gesto simplório de aceitação com o dedo polegar. A priori, não percebi o disfarce e a verdade por vir no seio familiar.
A família toda se reuniu e me colocou no centro da roda, numa cadeira. Precisava me contar algo.
Todos tinham um segredo guardado há anos, com sete chaves; sendo eu o único a não saber.
Aquelas pedrinhas colhidas com tanto esmero e agradecimento; ninguém colhia-as realmente dos grãos. Nem mesmo a minha esposa, os amigos, minha mãe, minhas tias, minhas irmãs e irmãos, os vizinhos. Todos me engaram. Fui enganado o tempo todo por todos.
Eles diziam serem catadas as pedrinhas dos grãos, mas na verdade eles as pegavam no quintal. Ninguém perdia seu tempo para alimentar a minha esquisitice. Foi aí que eu pude perceber – apesar do meu desespero momentâneo, escândalos, berreiro e xingamentos -, que nada na vida é mesmo eterno. TOK, manias, vícios, tudo pode ser curados. No meu caso foi uma decepção, achando ser traição, mas fiquei completamente curado desse…
Aliás, aproveitando o ensejo, quando for catar grãos, separe as pedrinhas, por favor, é uma excelente terapia…
Mas depois jogue-as fora!


9º lugar: Cavaleiro de Cervantes – André Luís Soares
Título: Ode à Euterte.
Avenida Praiana, n. 510. Edifício Aline. Apartamento 202. Praia do Morro; Guarapari (ES). CEP: 29.216-090. – direitos.autorais2006@gmail.com

ODE À EUTERPE
Há poucos dias, uma criança me perguntou: qual seria a coisa mais importante do mundo? Sem titubear, respondi: música! A expressão em seu rosto foi de desapontamento. Bem provável que ela esperasse ouvir algo como saúde, felicidade, paz e amor. Não resta dúvida que esses são aspectos fundamentais à vida com qualidade; contudo, um tanto instáveis e passageiros – isso quando não excludentes entre si. Quantas pessoas realmente conhecem paz ou amor? Já a música oferta ao espírito o sentimento confortável mais amplamente democrático que – a despeito do ponto geográfico, da raça ou da classe social – alcança a todos, indistintamente!
Considerando-se que pássaros, baleias, águas e trovões, entre outros, contêm em si imensa musicalidade, talvez a inspiração seja a natureza. Porém, prefiro supor que Zeus, apiedando-se da sofrida alma humana, tenha permitido que a própria filha aliviasse as dores do mundo. Então, Euterpe – musa do prazer e da música – nunca mais nos abandonou.
Música é algo tão divino, que nem precisa ter alta qualidade para agradar. Qualquer caixinha de música – velha e desafinada – arranca deliciosos sorrisos das crianças. Basta um radinho de pilha, em ondas curtas, para encher de alegria um pobre casebre, no meio do mato. E quanto às religiões – do Budismo à Umbanda; do Cristianismo ao movimento Hare Krishna – duvido que alcançassem a popularidade atual, se não houvesse belos cânticos na maioria de seus ritos. Porque a música nos fala diretamente ao espírito.
Não raramente, outras artes a ela se rendem. O que seria do cinema se a música não conferisse toda sorte de sentimentos a cada uma das cenas? Será que mesmo as expectadoras mais românticas teriam derramado tantas lágrimas – como, por exemplo, o fizeram em Ghost ou Titanic – acaso a trilha sonora fosse composta apenas de silêncio e sons ambientes? Não creio! E a dança… existiria balé sem música? Possivelmente, sim – mas teria a mesma graça?
Música é também força. Nos Estados Unidos, o rock, o soul e o folk ganharam caráter universal e humanista ao unir vozes contra as guerras. No Brasil, a música popular incomodou bravamente a ditadura militar. Já o reggae fez com que, pela primeira vez, todo o resto do planeta lançasse um olhar solidário ao tão pobre e sofrido povo centro-americano.
Desconheço contexto em que a música não possa se inserir. Nos esportes – seja para incentivar o time do coração; seja para provocar o adversário – as torcidas ostentam orgulhosamente seus hinos. Entre os apaixonados, é raro o casal que não tenha eleito uma música como símbolo maior de seu amor: aquela que o faz mais unido ou que torna suportável a saudade. Do mesmo modo, em locais comumente tensos, como consultórios dentários, a música instrumental se constitui artifício contra o medo da dor. E falando em dor, até a morte pede auxílio às marchas fúnebres, para acentuar – gravemente – a tristeza do último adeus.
Por essas tantas e intensas vertentes é que pergunto: quem, mesmo que por breve momento, nunca sonhou ser um músico? Quem não cantou embaixo do chuveiro, imaginando ser ídolo à frente de uma banda? Posto que a música, por seu caráter celestial, até fabrica deuses – homens e mulheres, acima do bem e do mal, eternizados por suas vozes únicas ou por suas formas ímpares de tocar um instrumento.
Melhores que os deuses gregos, os deuses da música não necessariamente precisam ser fortes, belos ou profundamente sábios, para arrebatar centenas de milhões de fãs delirantes e fiéis – seria a imperfeição humana, aperfeiçoando o sagrado? Talvez. Pois a música inverte tendências, ensinando quão perigosa é a visão estática de mundo. E foi por pensar assim que evitei, de forma contundente, falar a respeito de gosto musical.
Há muitos anos – ainda em Brasília –, trabalhando no escritório em plano sábado, irritou-me alguém cantarolando, intermitentemente, ‘eu não sou cachorro, não / pra viver assim, tão humilhado…’. Sem atentar à questão de direito, fui à sacada com o intuito arrogante de fazer calar quem quer que fosse. Mas o que vi foi um maltrapilho, de aproximados quinze anos, remexendo a lixeira da padaria e fartando-se de restos de comida, enquanto cantava. Recuei envergonhado. Afinal, sempre fui grande admirador do engajamento artístico. Guardava com orgulho meus ingressos de shows de Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Mercedes Sosa entre outros.
Então, como eu poderia interromper aquele instante mágico? Na voz de Waldick Soriano, aquela música sempre fez pouco sentido para mim. No entanto, cantada pelo menino de rua que comia lixo à luz do dia – em um bairro rico da capital do País – tornara-se a mais concreta e dolorida canção de protesto que eu já ouvira. Timidamente voltei à sala convencido de que – não importando o estilo – a música sempre teria muito a me ensinar.
E se às vezes a música parece doente – escravizada por quem a produz sem critérios, em nível industrial, até torná-la descartável – saiba que tal conotação não a traduz nem limita. Porque, a despeito da roupagem que lhe foi dada através dos séculos, a música tem sido sempre essa alma superior: advinda do Olimpo; musa e mãe generosa que a todos acolhe, conforta e embala – nos melhores e nos piores momentos.


10: lugar: Capixaba – Albércio Nunes Vieira Machado
Título: Crônica novelesca.
Av. Mar Vermelho, 03/102 – Setor Ásia – QD 03
Cidade Continental Serra – ES , CEP 29163-615

CRÔNICA NOVELESCA
ÀS SOMBRAS DOS LARANJAIS, em O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO, senti-me O BEM AMADO com A ESCRAVA ISAURA.
Eram DUAS VIDAS, cujo PECADO CAPITAL foi amarmos em um NOVO MUNDO, mas O ESTÚPIDO CUPIDO, qual ANJO MAU, não soube nos unir. Vivíamos LADO A LADO porém não obedecíamos A LEI DO AMOR porque os LAÇOS DE FAMÍLIA impediam A FORÇA DO QUERER.
Através da janela de O CASARÃO, residência da SENHORA HELENA, em cujo quintal plantei o MEU PÉ DE LARANJA LIMA, VEJO A LUA NO CÉU e o SOL NASCENTE.
Considerávamos como se fôssemos A BELA E A FERA. Passeávamos montados no CAVALO DE AÇO, forte como um rochedo, ou fazíamos nossos passeios à vila mais próxima no comboio puxado por velhas LOCOMOTIVAS que faziam parada na estação de SARAMANDAIA.
Ela, A MORENINHA, mulher perfeita, de SANGUE BOM fazia-me muito feliz. Foi O PRIMEIRO AMOR de minha vida. Era a minha SENHORA DO DESTINO, TOTALMENTE DEMAIS!
ÊTA, MUNDO BOM!

ABELARDO NOGUEIRA
ABELARDO NOGUEIRA – CEARÁ
ABÍLIO KAC
ABÍLIO KAC – RIO DE JANEIRO
CARLOS AUGUSTO SOUTO ALENCAR - CAMPOS RJ
CARLOS AUGUSTO SOUTO ALENCAR – CAMPOS RJ
GERALDO TROBIN
GERALDO TROBIN – AMERICANA – SÃO PAULO
CLÉRIO JOSÉ BORGES – ADILSON VILAÇA – JACIMAR BERTI BOTTI
NILTON MANOEL
NILTON MANOEL – SÃO PAULO
WANDA CUNHA - WANDA CUNHA  - SÃO LUIS  - MARANHÃO
WANDA CUNHA – SÃO LUIS – MARANHÃO
RESULTADO DO CONCURSO LITERÁRIO DA ACLAPTCTC 2021
RESULTADO DO CONCURSO LITERÁRIO DA ACLAPTCTC 2021

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