Frei Gregório e os Negros escravos

QUEIMADO – A LUTA PELA LIBERDADE: FILME DOCUMENTÁRIO DA REVOLTA DOS NEGROS ESCRAVOS.

Cinema Clério José Borges Espírito Santo História - Documentação História da Serra História do Brasil Revolta do Queimado Revolta dos Negros Escravos do Queimado

LEIAM TAMBÉM AQUI:

1 – A REVOLTA DO QUEIMADO. RELATO HISTÓRICO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES.

2 – SOLENIDADE DE PRÉ-ESTRÉIA DO FILME

3 – LISTA DE ATORES E CONVIDADOS

4 – JORNAL “CORREIO DA VITÓRIA” DE MARÇO DE 1849.

5 – QUEM ERA A PROPRIETÁRIA DO TERRENO ONDE FOI CONSTRUÍDA A IGREJA DO QUEIMADO – Sítio Tapera, de Anna Maria de São Jose, viúva de Jose dos Santos Machado.

TRECHO DO JORNAL CORREIO DA VITÓRIA:

No dia 19 do corrente [mês] um grupo de escravos armados invadiu a igreja da povoação do Queimado na ocasião em que se celebrava o Santo Ofício da Missa, e em gritos proclamavam a sua liberdade, e alforria, e seguindo para diversas fazendas e aliciando os escravos delas, e em outras obrigando seus donos a darem liberdade a seus escravos, engrossou em número de 300. S. Ex. o Sr. presidente da província soube deste triste acontecimento às 3 horas da tarde, e sem perda de tempo fez seguir para aquela povoação o chefe de polícia acompanhado de tropa convenientemente municiada.

Estas providências, e outras que o presidente tem dado, ajudado da dedicação e do valor dos habitantes daquele lugar e outros bem como a Serra, Cariacica fizeram com que ontem fossem batidos tanto na povoação do Queimado, como na da Serra dois grandes grupos daqueles criminosos que ou morreram, ou fugiram em completa debandada, deixando no campo as armas e munições que conduziam.

Em breve teremos de anunciar ao público e aos nossos leitores, que a tranquilidade e segurança pública se acham inteiramente reestabelecidas, e que os criminosos sofreram um justo castigo de seus crimes. Ânimo, coragem e confiança no governo, e nada temos a recear – Cautela e vigilância nos Srs. Fazendeiros para que o futuro não se repita fatos semelhantes.”

Desenho da Igreja de São José do Queimado inaugurada a 19 de Março de 1849, 
Dia de São José, esposo de Maria mãe de Jesus.
Desenho da Igreja de São José do Queimado inaugurada a 19 de Março de 1849,
Dia de São José, esposo de Maria mãe de Jesus.

LOCAL DA IGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO = SÍTIO TAPERA —

O terreno onde foi edificada a Igreja de Queimado foi doado por Anna Maria de São Jose, viúva de Jose dos Santos Machado, em 18/10/1848. Conforme Livro “Levante dos Escravos no Distrito de São Jose do Queimado” de F. Eugênio de Assis, publicado em 1948, páginas 19 e 20 abaixo, na abertura do livro tombo da Freguesia de Queimado, um dos quatro Juízes de Paz eleito foi Manoel da Rocha Pimentel Freire, em 01/02/1849. O terreno onde foi edificada a Igreja de Queimado foi doado por Anna Maria de São Jose, viúva de Jose dos Santos Machado, em 18/10/1846.

A revolta nasceu de uma promessa não concretizada de liberdade, feita pelo frei italiano Gregório José Maria de Bene aos escravos da localidade de São José do Queimado, hoje distrito do município de Serra.

ESTOPIM – Tido como defensor dos ideais de liberdade, o missionário tinha interesses políticos em construir uma igreja na região, e teria garantido a negociação da alforria com os donos de fazendas, em troca da construção do templo pelos escravos. Há relatos de que o frei não teria garantido nada, e, sim, prometido interceder junto aos fazendeiros para obter a concessão da alforria. Consta, ainda, que ele realmente não admitia a escravidão e que teria estabelecido uma estreita ligação com os escravos, o que preocupava e contrariava quem usava a mão de obra escrava para enriquecer.

O fato é que o não cumprimento do que fora interpretado como uma promessa deflagrou uma rebelião. Relatos de descendentes dos sobreviventes apontam que mais de 300 homens, mulheres e até crianças manifestaram o inconformismo – afinal, a igreja fora entregue pronta antes do dia de São José, conforme combinado, e resultara de muito tempo de árduo trabalho. Conta-se, também, que o templo foi construído com pedras divididas por tamanhos, e carregadas por longas distâncias e subidas íngremes; as pedras pequenas, do tamanho de um punho, eram destinadas às crianças, algumas com apenas seis anos de idade.

VIOLÊNCIA – O movimento foi caracterizado por extrema violência, especialmente na contenção, por parte da Polícia da Província, e durou cinco dias, até a prisão de seu principal líder, Eliziário Rangel. A maioria dos escravos foi brutalmente assassinada e seus corpos jogados na hoje chamada “Lagoa das Almas”.

O movimento foi contido pela polícia da província. Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles sendo condenados à morte. Chico Prego foi condenado e enforcado em 11 de janeiro de 1850. Hoje, ele nomeia a principal lei de incentivo cultural do município da Serra.

FREI GREGÓRIO JOSÉ MARIA DE BENE – O PADRE DO QUEIMADO.

A história da Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, praticamente começou pelo trabalho dos Missionários Capuchinhos Frei Luís de Ravena em 1845, Frei Gregório José Maria de Bene em 1846, Frei Ubaldo da Civitela de Tronto em 1847, Frei Daniel de Nápoles em 1849, Frei Paulo de Casanova de 1849/1855, Frei Bento de Gênova que em 1856 assumiu a direção do Aldeamento Imperial Afonsino e em junho de 1857 transferiu sua residência para o Arraial do Rio Pardo onde em 1858 construiu a Capela de Nossa Senhora da Pureza da Povoação de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo, nos 42 alqueires de terras que o fazendeiro José Joaquim Ferreira Valle havia doado para a criação da dita povoação. Frei Bento de Gênova aqui viveu até 1862, quando morreu junto a Pedra da Água Santa próxima a dita povoação que hoje tem o nome de cidade de Iúna. O nome de Iúna foi adotado em 1943, que significa “águas pardas”, em língua tupi …

FREI GREGÓRIO nasceu na Itália, era portanto um Padre Italiano. Mesmo país da Esposa do Imperador do Brasil, Dom Pedro II, Teresa Cristina. Os Italianos não admitiam a Escravidão.

Assim em 1845 e 1846, Frei Gregório José Maria de Bene estava na Região de Iúna, ES. Foi transferido para a Região da Serra e ao chegar no Porto do Queimado onde havia uma Vila com 5 mil habitantes resolveu construir uma Igreja.

Ao identificar uma colina de 100 metros de altura, decidiu que ali seria o melhor lugar para a construção da Igreja pedindo doação do Terreno a proprietária do local, Anna Maria de São Jose, viúva de Jose dos Santos Machado. A doação foi concretizada em documento de 18/10/1848. Frei Gregório entendeu de construir uma igreja de noventa palmos por vinte, cuja pedra fundamental foi lançada em 15 de agosto de 1845. Em meados de 1848, Frei Gregório de Bene marcou a inauguração da igreja para o dia 19 de março próximo, festa de São José, a cujo patrocínio dedicava o templo. Em seus sermões, o Frei Capuchinho condenava, com inflamada imprudência, a situação dos escravos. Frei Gregório José Maria de Bene prometera que ajudaria na liberdade dos escravos. Como Italiano era amigo da Princesa Tereza Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II e ia pedir a ela ajuda para conceder a liberdade ao Negros Escravos que haviam trabalhando na construção da Igreja.

A insurreição foi cautelosamente premeditada. Não transpirou em nenhuma fazenda. A surpresa foi absoluta.

Amanhecera o dia 19 de março de 1849. O povoado reunia os habitantes da redondeza, larga de mais de seis léguas. Os escravos, misturavam-se com os devotos ansiosos pela festa. A solenidade da bênção do novo templo começou pela missa votiva. Em meio ao ato religioso e solene rompeu o vozeiro dos escravos sob o comando do cativo Elisiário, pertencente ao Sr. Faustino Antônio de Alvarenga Rangel, proprietário do “Perau”, próximo do Una de Santa Maria. Gritavam por liberdade! Frei Gregório atônito interrompe a missa. Era a insurreição, que rompia em pleno templo de Deus. Coagiram a que lhes abrissem a porta da residência e intimaram Frei Gregório de Bene a dar-lhes o que ele não tinha poderes para dar: liberdade!

Aos gritos, respondeu-lhe o Frei Capuchinho Gregório ofendido, dirigindo-se ao cabeça dos rebeldes Elisiário que “não podia, não devia nem queria dar-lhes cartas de alforria” e ainda “que obedecessem aos seus senhores e voltassem para suas casas, que era pronto para patrociná-los”. São palavras do juramento escrito pelo padre, com invocação de testemunhas presenciais. No meio ao desacato que recebia, o humilde religioso aconselhava obediência e se propunha a interceder junto aos senhores para justificá-los.

Passados os instantes de estupefação, o professor Manuel Pinto de Alvarenga Rosa aconselhou o padre a não fechar as portas da igreja e dar por encerrada a cerimônia. Não podiam parecer covardes diante dos escravos. Reiniciou Frei Gregório a missa, mas não a pôde terminar.  Agora, a grita era acompanhada de ameaças físicas. O povo debandou contrito e apreensivo. Em grupos os escravos percorreram as fazendas ribeirinhas, exigindo que lhes assinassem cartas de alforria. Findava a festa como vigília de luto, de sangue e brutalidade.

Entretanto, um estafeta, despachado para a Capital, pedia socorro ao governo. Os insurgentes, à noite, reuniram-se em Pendiuca, capão que esconde o pequeno afluente do Santa Maria, sob o comando de “Chico Prego”, autor da propaganda entre Queimado e Mangaraí. O desembargador Antônio Joaquim de Siqueira, Presidente da Província, no mesmo dia providenciou socorros e repressão. Aprestou-se o chefe de Polícia, Dr. José Inácio Acióli de Vasconcelos, com soldados da milícia sob o comando do Alferes Varela da França. No dia 20 a tropa fez alto no Queimado. Inquerido Frei Gregório e seus amigos, o destacamento militar procurou contato com os escravos amotinados. O choque se deu na “Ladeira de João Santos”. Os rebeldes disparam suas espingardas e ferem o corneteiro e o oficial. A tropa investe enfurecida, porém, os inimigos batem em retirada. Elisiário e companheiros, escravos dos Alvarengas, nadaram o Santa Maria. Duas vítimas inermes foram o troféu da luta inglória, conquistado pelos milicianos. Frustrada a insurreição, começou a caçada humana. Ao Capitão Antônio Teixeira Pinto, delegado da Vila da Serra, coube a inglória tarefa de limpar os matos de Queimado. Trinta escravos presos foram entregues aos proprietários depois de supliciados. A maioria dos pobres insurgentes procurara suas senzalas como abrigo.

O delegado serrano praticou toda a sorte de atrocidades, prendeu trinta e seis fugitivos e os responsáveis, “Chico Prego”, João da “Viúva”, Elisiário e seu irmão Carlos, na fazenda do padre Dr. João Clímaco do Alvarenga Rangel. A Côrte foi informada e por precaução mandou o navio “Paquete do Sul” com reforços do exército. Foram rápidas as providências monárquicas. Chegaram a 30 de março, dez dias depois do levante. Nada tinham a fazer. A calma e a paz reinavam em Abrantes!

O processo criminal correu célere. Em 31 de maio instalou-se o júri. A acusação foi feita pelo provisionado Manoel Morais Coutinho. Ao padre bacharel João Clímaco coube a defesa. Três dias durou o júri terminando pela absolvição de seis, cinco condenados à pena capital e os demais acusados ao pelourinho para receberem de trezentos a mil açoites. Baldados os recursos oratórios do famoso advogado eclesiástico, recorreu ao patético pedido de prisão de Frei Gregório de Bene como autor intelectual do levante, embora toda a trama da Revolta fôra idealizada pelos Negros, de modo especial Eliziário. O Juiz José Antônio Acióli de Vasconcelos recorreu da sentença inutilmente. Os maus tratos praticados pelos esbirros policiais abreviaram, para muitos, os sofrimentos e a o suplicio da força na Serra para Chico Prego e João, escravo de Jacuí, frente à igreja que ajudara a erguer. Ambos tiveram os corpos mutilados pelo carrasco, Ananias, vindo do Rio de Janeiro para tal missão, inábil e perverso. Encerrava-se o capítulo trágico da Insurreição do Queimado.

A Obra do Artista Plástico Antônio Cesar Campos Tackla expressa bem como foi a morte do Herói Negro da Serra CHICO PREGO: É colocado na forca. Não morre por ser forte. O Carrasco Ananias sobe em seus ombros para fazer força para que ele morra. Não consegue fazer Chico Prego morrer. Ananias solta Chico Prego da forca e com um pedaço de pau esmaga-lhe o crâneo. Este quadro faz parte do acervo da Câmara Municipal da Serra ES.
Obra do Artista Plástico Antônio Cesar Campos Tackla expressa bem como foi a morte do Herói Negro da Serra CHICO PREGO: É colocado na forca. Não morre por ser forte. O Carrasco Ananias sobe em seus ombros para fazer força para que ele morra. Não consegue fazer Chico Prego morrer. Ananias solta Chico Prego da forca e com um pedaço de pau esmaga-lhe o crâneo. Este quadro faz parte do acervo da Câmara Municipal da Serra ES.
MAPA DO MUNICÍPIO DA SERRA NA GRANDE 
VITÓRIA ES MOSTRANDO O LOCAL ONDE FICA QUEIMADO. 
SERRA - ESPÍRITO SANTO - BRASIL
APA DO MUNICÍPIO DA SERRA NA GRANDE
VITÓRIA ES MOSTRANDO O LOCAL ONDE FICA QUEIMADO.
SERRA – ESPÍRITO SANTO – BRASIL

FONTE:

1 – Biografia de uma ilha, 1965
Autor: Luiz Serafim Derenzi
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2017

2 – História da Serra, Livro de Clério José Borges editado em 2009 com apoio da Lei de Incentivos da Serra, a Lei Chico Prego. Editora do CTC – Gráfica Canela Verde. Livro de 292 páginas.

3 – Insurreição do Queimado, de Afonso Cláudio de Freitas Rosa. Escrito e lançado ainda durante a vigência da escravidão, o livro foi publicado em 1884 e constitui a primeira narrativa monográfica acerca do episódio. O autor foi conhecido abolicionista e republicano.

4 – Revolta Negra na Freguesia de São José do Queimado: escravidão, resistência e liberdade no século XIX na província do Espírito Santo (1845-1850), de Lavínia Coutinho Cardoso. Dissertação de mestrado em História, apresentada em 2008 na Universidade Federal do Espírito Santo.

Elenco do Documentário QUEIMADO A LUTA PELA LIBERDADE - ALBÉRCIO FLAMENGUISTA NUNES VIEIRA MACHADO -  SÔNIA ROJAS  - KIKA AMORIM.
Elenco do Documentário QUEIMADO A LUTA PELA LIBERDADE – ALBÉRCIO FLAMENGUISTA NUNES VIEIRA MACHADO – SÔNIA ROJAS – KIKA AMORIM.

FILME – DOCUMENTÁRIO – QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE – DIRETOR ROGÉRIO DE MORAIS MARTINS.

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Elenco no dia das Filmagens realizada no dia 20 de junho de 2021
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Elenco no dia das Filmagens realizada no dia 20 de junho de 2021
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Quarta feira dia 10 de novembro de 2021 
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Quarta feira dia 10 de novembro de 2021
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.

Sinopse:

Parecia que estava tudo bem, mas faltavam a eles o mais importante para se viver: A LIBERDADE. Ali naquele lugar, negros trabalhavam muitas horas por dia para fazendeiros em condições precárias, sem respeito algum, pois aos fazendeiros, pertenciam a mão de obra escrava.

Foi ai então que surgiu um homem chamado Elisiário Rangel que tentou mudar a realidade daquele lugar. Só que ele e seus amigos não contavam que, caso houvesse algum desfecho inesperado, eles poderiam ser punidos com chibatadas, serem enforcados e jogados dentro da “lagoa das almas”, e esquecidos para sempre.

Este filme vai ficar para a história do cinema capixaba!!!

PRÉ ESTRÉIA DO FILME –

Nesta Quarta feira dia 10 de novembro de 2021:

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Quarta feira dia 10 de novembro de 2021 
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Quarta feira dia 10 de novembro de 2021
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade: Pré-estréia
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade: Pré-estréia

PRÉ ESTRÉIA DO FILME – Nesta Quarta feira dia 10 de novembro foi realizado no Auditório do Centro Cultural de Novo Porto Canoa a pré-estreia do Filme Queimado do Diretor Rogério Martins. Sucesso de público e técnica elogiada por todos. A pré-estréia do Filme foi nota mil. Lamentável não termos a presença oficial de um representante da Secretaria de Turismo Cultura Esporte e Lazer. Tinha Vereador da Serra, Prof. Rudinei e Vereador de Vila Velha, Mister Cultura Joel Rangel. Presença da Secretária Estadual de Turismo, Lenise Loureiro e representantes de entidades culturais ACLAPTCTC, (Clério Albércio Zenaide Andreia e Christal Adriana Rogério Patrícia e Suzi) todos da Academia dos Trovadores e da ALEAS Academia de Letras da Serra através da Vice-Presidente Sandra Gomes. Presentes representantes do Movimento Negro Márcio e das Bandas de Congo Carlos Augusto Montarroyos. Também presentes Verônica Gomes. Valdir Castiglione. Parabéns a todos.

Depoimento de Clério José Borges:

Nesta quarta feira dia 10 de novembro de 2021 assisti emocionado a pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE. A pré-estreia foi somente para os atores, familiares e autoridades e realizada no dia 10/11/21, com início às 19:30 horas, no Centro de Cidadania e Cultura, na Avenida Domingo José Martins, Novo Porto Canoa, Serra/ES, ao lado da associação de moradores do bairro. Além da minha pessoa, Clério José Borges de Sant Anna estiveram presentes, Zenaide Emília Thomes Borges, Christal Fraga Borges, Andréia da Silva Fraga e muitas pessoas do elenco do filme. A Convite do Diretor Rogério de Morais Martins compareci vestido de Padre Frei Gregório José Maria de Bene, meu personagem no filme.

SOLENIDADE DE PRÉ ESTREIA DO FILME QUEIMADO A LUTA PELA LIBERDADE COM DISCURSOS APÓS A APRESENTAÇÃO DO FILME – DISCURSO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES – VERÔNICA GOMES E IRINEU CRUZZEIRO. DIA 10 DE NOVEMBRO DE 2021 – AUDITÓRIO DO CENTRO DE CULTURA E CIDADANIA DE NOVO PORTO CANOA – SERRA – ESPÍRITO SANTO.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade: 
Frei Gregório ameaçado pelos Negros Escravos.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Frei Gregório ameaçado pelos Negros Escravos.

AS FILMAGENS FORAM REALIZADAS NO DOMINGO, DIA 20 DE JUNHO DE 2021

Filmagens realizada no dia 20 de junho de 2021: ACLAPTCTC. AGRADECIMENTO: Hoje dia 20 de junho de 2021 tivemos a grata satisfação de participar do Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Foi um Domingo Especial. Parabéns a todos. Foram momentos inesquecíveis. Participei das filmagens vivendo a figura do Frei Gregório José Maria de Bene. Pude perceber como uma promessa não cumprida pode gerar a raiva naqueles que sofrem a falta de liberdade. Um beijo no coração de todos. Parabéns Rogério de Morais Martins pelo convite e confiança na minha modesta e simples performance. Obrigado Verônica Gomes pelo apoio e orientação. Obrigado Fernanda Vieira. Obrigado Adriana Dutra. Um destaque para o ator Marcus Konka, que brilhou na figura do líder da Revolta do Queimado, Eliziário Rangel que me meteu medo. Teodorico Boamorte – Josvaldo Maria dos Anjos – Irineu Cruzeiro – Bené Freire – Fátima Leandro – Thamires – Eliza, entre outros diletos amigos. E, aos membros da ACLAPTCTC que atenderam ao convite do Rogério de Morais Martins e atuaram como ator e atrizes Albércio Nunes Vieira Machado – Kaká Ramos – Zenaide Thomes Borges – Kika Amorim – Sandra Gomes – Christal Fraga Borges e Andréia da Silva Fraga. Obrigado a todos. Beijo no coração de todos. Parabéns. Grande Produção. Elenco Sensacional. Rogério de Morais Martins também Acadêmico da ACLAPTCTC – Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores. Parabéns pelo belo trabalho.

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. negros ameaçam Frei Gregório o ator, Poeta e Trovador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Negros ameaçam Frei Gregório o ator, Poeta e Trovador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna
PRÉ ESTREIA – ROGÉRIO MORAIS CHAMA TODOS OS ARTISTAS NO PALCO – A FALA DE MARCUS KONKA – Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade:
Quarta feira dia 10 de novembro de 2021
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.

CURIOSIDADES – UMA MULHER ESCRAVA NA INSURREIÇÃO

PESQUISA DE CLÉRIO JOSÉ BORGES.

  A notícia do fim da Insurreição (Revolta) do Queimado é relatada em Ofício (Carta) do Chefe do Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcelos ao Presidente da Província, datado de 20 de março de 1849. O Ofício revela a presença de uma Escrava participando da Insurreição, da Revolta do Queimado. Guerreira. Mulher de um dos Escravos: 

“Cumpre-me levar ao conhecimento de Vossa Excelência que cheguei hoje a esta Freguesia do Queimado às 4 horas da manhã e constando-me, poucos momentos depois, que um grupo de escravos armados, em número de cinquenta mais ou menos, estava reunido nas imediações dela, e que se dirigia para aqui com o plano de proclamarem a sua liberdade, e de assassinarem todos aqueles que porventura a isso se opusessem, dei imediatamente ordem ao Alferes, comandante do Destacamento, que marchasse sobre eles com as praças à sua disposição e com mais alguns cidadãos que pude reunir, conservando-me aqui com algumas pessoas deste Distrito. E, sendo os ditos Escravos encontrados na ladeira que desce para Aroaba, em direção para esta Freguesia, foram aí completamente batidos pelo referido Destacamento, e gente a ele reunido, em um ataque que durou seguramente meia hora, sendo em resultado mortos oito, presos seis e uma Escrava, mulher de um deles (…)” 

POSTAGENS E COMENTÁRIOS:

POSTAGEM DE DENISE MORAIS: Parabéns à produção por esse filme histórico. Nossa história é riquíssima e merece destaque. Parabéns aos grandes atores, a atriz mirim, meus aplausos ao padre Clerio, excelente atuação. Eu conheço queimado e pintei a igreja. Conheci Dona Maria Barbosa, pintora autodidata de Naif. A artista conta toda história de Queimado em seus quadros, pois foi criada na região, assistia a missa. Ela tem uma história de vivência que merece ser ouvida. Parabéns Rogério Morais, Suzi, Clerio, e a todos que tornaram essa história real num fabuloso filme.

POSTAGEM DE KIKA AMORIM: Bom dia a todos! As filmagens: Vi o convite no grupo #Cultura Capixaba, entrei em contato direto com Rogério e então participei das filmagens, que ocorreram o que foi incrível. Quanto a pré-estreia, era para o elenco e convidados dos mesmos. A pré-estreia foi divulgada em todos os grupos que Clério participa.

COMENTÁRIO DE GILSON FILHO: Clério VEJA O QUE UM TAL Waldir colocou: Todos os documentos da época mostram o Frei como um articulador da abolição… Tanto que foi preso pela autoridade local e não foi assassinado pelos negros. RESPOSTA: Recomendo a leitura do Livro de Afonso Cláudio, reeditado agora por Irineu Cruzeiro… Se tiver como manda para ele: O Frei recomenda a leitura do Livro de Afonso Cláudio re-editado agora por Irineu Cruzeiro e a ida no Arquivo Público Estadual e a leitura da Carta do Frei Gregório Maria de Bene onde confessa não ter sido o organizador da Revolta. Contra fatos e documentos não tem como mudar. O articulador da Revolta (Insurreição) foi Eliziário…

COMENTÁRIO DE SANDRA GOMES:
O filme retrata a história da Insurreição de Queimado, onde um povo cansado da condição de escravo reage, luta, morre e conquista sua tão sonhada liberdade.
Faço parte do elenco e agradeço ao cineasta Rogério Morais, por essa oportunidade!!
Ali, naquele povoado da zona rural da Serra, nasceu meu saudoso pai Aristóbulo Bezerra e meus tios! A história mexe comigo, pois muitas vezes eles nos contavam a história do jeito deles! Hoje, o filme me fez vivenciar um resgate da nossa cultura, história e infância! #Queimadovive
Parabéns em dobro Rogério!!
Vc demonstrou capacidade e comprometimento com nossa cultura!!
O filme ficou lindo! Qualidade em tudo: cenário, músicas, imagens, roteiro , elenco…
Arrasou!!
Felicidades sempre!🥰❤️👏🎂
Sandra Gomes.

IRINEU CRUZEIRO:
Quase três mil visualizações em menos de 24 horas. Isso é muita coisa!!! Parabéns à toda a equipe.

ELISA ATRIZ DO FILME QUEIMADO:
Gratidão ao jornal tempo novo, pelo carinho.
Pelas matérias feitas no decorrer deste ano, elogiando toda minha carreira.
Obrigado Rogério.
Desejo muito sucesso para todos… ELISA.

DEPOIMENTO DE SHEILA MOSCHEN:
MT honrada, gratidão Rogério, e a todos os envolvidos, o filme está lindo, e nós arrasamos
Mtas lutas são travadas diariamente, e o objetivo da luta é o que difere na vitória,
O preconceito como disse MT bem o Konká, não acabou, ainda somos inferiorizados, descriminados em MTS momentos, mais não conhecemos o sabor da derrota, pois todo movimento trás mudança, nossa história não morreu, nem vai, pois somos um povo forte, de luta, sabemos que lutamos por muitos, e por tal, em nossa história somos chamados de guerreiros,
Nossa luta é de mtas mãos, não estamos sós, desatamos nós, silenciamos o algoz, Que se achegava, dizendo apenas sois vós. Sheila Moschen

DEPOIMENTO DE CIDA ARAÚJO:
Foi muito emocionante ontem assistir o documentário.
Me emocionei chorei.
Parabéns Rogério, parabéns para nos demos um dia de nossas vidas a eternização do histórico de Queimado.

KIKA AMORIM
Filme, que retrata a história da luta dos negros pela liberdade, ocorrida em 1849 na Vila de São José do Queimado, Serra – ES.
Direção @rogerio_morais_martims
Figurinista @veronica.gomes
Equipe de filmagem incrível como sempre!
Amigos de profissão que amoooo:
@cleriojose_borges @poetisasonia @fernando_mococa @thamiresdecarvalhofonseca @teodoricoboamorte @josvaldo @Marcuskonka @elizarosa300 @kaka.ramos.s @sandrafreitas @albercio @cida.arauj13 @adriana.dutralves @Wildsonvalverde @evandro_freire_capoeira @nandaprodutora @juliana_indami @dalzy.sales @grad.macale e todos os demais atorea maravilhosos.
Ahhhh… Equipe (todossss) da organização, sem eles não seria possível…
A palavra é #gratidão 😍

DEPOIMENTO DE ANA PAULA, DO JORNAL TEMPO NOVO:
[20:36, 11/11/2021] ANA PAULA JORNAL TEMPO NOVO: Parabéns Clerio!! Filme ficou espetacular!!!! Trabalho maravilhoso
[20:37, 11/11/2021] ANA PAULA JORNAL TEMPO NOVO: Tô emocionada aqui

TAGS: Queimado, Luta pela Liberdade, Filme Documentário, Queimado a Luta pela Liberdade, pré-estreia, Revolta de Escravos, Insurreição do Queimado, Escravos, Escravidão, Serra ES.

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Clério, Zenaide, Andréia, Moisés, Christal, Sandra Gomes, Kaká Ramos, Albércio Nunes, Kika Amorim e amigos.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Clério, Zenaide, Andréia, Moisés, Christal, Sandra Gomes, Kaká Ramos, Albércio Nunes, Kika Amorim e amigos.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Christal Fraga Borges; Andréia da Silva Fraga e Clério José Borges (Frei Gregório)
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Christal Fraga Borges; Andréia da Silva Fraga e Clério José Borges (Frei Gregório)
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Andréia, Clério e Zenaide
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Andréia, Clério e Zenaide

ELENCO E CONVIDADOS

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Elenco do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Elenco do Filme.
REGISTRO DA SOLENIDADE DE PRE – ESTREIA = FALAS DE CLÉRIO JOSÉ BORGES –
VERÔNICA GOMES E DE IRINEU CRUZEIRO
SOLENIDADE DA PRÉ ESTREIA – FALAS DAS AUTORIDADES – VEREADOR DA SERRA RUDINEI – VEREADOR DE VILA VELHA, MISTER CULTURA JOEL RANGEL, VALDIR CASTIGLIONE, E VÁRIOS PARTICIPANTES DO FILME E CARLOS AUGUSTO MONTARROYOS – Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade: Quarta feira dia 10 de novembro de 2021
pré-estreia do filme QUEIMADO: A LUTA PELA LIBERDADE.

PARTICIPANTES DO FILME E CONVIDADOS:

ROGÉRIO MORAIS
HELOÁ LIMA
PATRÍCIA LIMA
ROBERTO GERALDO RODRIGUES
IRINEU CRUZEIRO NETO
WANDERULZA BORGES CRUZEIRO (CONVIDADA)
ÉRICA RENATA VILELA DE MORAES (CONVIDADA)
JHONATAS NEVES (CONVIDADO))
ADIOMAR TEJOTA
SILVANA ANJOS (convidada)
VASTI CARDOSO
WARLEY CARDOSO
(convidado)
NICHOLAS CARDOSO
NERIANE CHAGAS
SUZY NUNES
CLÉRIO JOSÉ BORGES
ZENAIDE EMÍLIA
CHRISTAL FRAGA BORGES
THOMES BORGES (CONVIDADO)
CLERIGTHOM (CONVIDADO)
THAMIRES
RAUSTAN (convidado)
ANTÔNIO (convidado 3 anos)
JUCIARA INDAMI
Almir Rosa (convidado)
Jonas de Azevedo (convidado)
Rosa Maria
Oscar Luiz (convidado)
Luciane (convidada )
Luísa (convidada)
Lilian Pigatti (convidada)
José Carlos Pigatti(convidado)
Wildson Valverde
TEODORICO BOA MORTE
FERNANDA VIEIRA
ROSE SOUZA
EDNA (CONVIDADA)
FABIANA COSTA(CONVIADA)
MILENA (CONVIDADA)
Dalzy Sales
Max Dione(convidado)
Adriana Dutra
Nilcélia Prates (convidada)
Jocilene (Convidada)
Thomas Vander
Monik (convidada)
Miro Amaral
Gabriela (Convidada)
JULIANA INDAMI
Janine Indami (convidada)
Alexandre (convidado)
MOISÉS SVENSSON
GILCELIA M. OLIVEIRA SVENSSON (CONVIDADA)
FÁTIMA LEANDRO
JESSÉ (CONVIDADO)
EDUARDO (CONVIDADO)
LOURENA (CONVIDADA)
GABRIELA (CONVIDADA)
JOSÉ ALICIO
KATIA ERICA (CONVIDADA)
SARA DA SILVA (CONVIDADA)
ERICK DA SILVA
EMERSON SILVA (CONVIDADO)
CIDA ARAUJO
CONVIDADA – EDUARDA,
EVANDRO LADISLAU
KIKA AMORIM
Evandro Freire de Souza
Érika Lima (convidada)

SONIA ROJAS
Cristian Rojas (Convidado)
Luís Fernando (Convidado)


Debaixo do Solo

há 1 hora Parabéns por resgatar e não deixar morrer essa história real da nossa cidade da Serra, uma história que era escondida mas com certeza vai reviver na memória de nós serranos deveria ser obrigatório no ensino do nosso município parabéns… Parabéns mesmo a toda a equipe…

Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Elenco do Filme. Bené, Irineu e Marcos Konká e Teodorico Boa Morte.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. Elenco do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade. 
Elenco do Filme. Zenaide Emília Thomes Borges
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Zenaide Emília Thomes Borges
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Sandra Gomes.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Christal Fraga Borges
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Christal Fraga Borges
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Frei Gregório e Amigo na pré estreia do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Frei Gregório e Amigo na pré estreia do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Adriana Fraga Borges.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Adriana Fraga Borges.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Frei Gregório e os Negros Escravos
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Frei Gregório e os Negros Escravos
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Clério José Borges como Frei Gregório José Maria de Bene.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme. Clério José Borges como Frei Gregório José Maria de Bene.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Albércio Nunes Vieira Machado, Sônia Rojas e Kika Amorim
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Albércio Nunes Vieira Machado, Sônia Rojas e Kika Amorim
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Clério José Borges de Sant Anna Ator do Filme como Frei Gregório.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Clério José Borges de Sant Anna Ator do Filme como Frei Gregório.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme.
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Josvaldo Maria dos Anjos como Domingos Corcunda
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Josvaldo Maria dos Anjos como Domingos Corcunda
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Negros Escravos e Frei Gregório
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme: Negros Escravos e Frei Gregório
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme com Frei Gregório
Filme Documentário: QUEIMADO A Luta pela Liberdade.
Elenco do Filme com Frei Gregório

ROGÉRIO MORAIS: Você pode nos ajudar na divulgação deste filme tão importante para a história de Luta pela Liberdade dos escravos no Brasil, ocorrido em 1849 na Igreja do Queimado em Serra ES. Compartilhe, curta e comente este documentário, para que mais pessoas possam ter a oportunidade de assistir a este filme inesquecível. Faça agora, obrigado.

COMENTÁRIOS:


Rogerio Frigerio Piva

há 1 diaParabéns a toda equipe. A memória do do fatídico episódio e o Patrimônio Material legado ao povo capixaba foram apresentados com maestria. A história de São José do Queimado e sua rebelião pela liberdade não pode ser esquecida e deve ser lembrada como um importante momento de luta do povo negro, barbaramente massacrado pela elite escravocrata.


JJCampos Campos dos Santos

há 16 horasAchei o filme excelente. É um documentário de grande importância no resgate da história de nossa raízes e o papel dos africanos na cultura afro-brasileira do estado do Espírito Santo e da cidade de Serra-ES! Parabéns aos idealizadores, gestores e todos envolvidos nesse valiosíssimo projeto. Acredito que os maiores beneficiados serão os jovens estudantes, carentes de literatura retratando a história capixaba com esse naipe.

Denise Wanzeller

há 11 horasTrabalho excelente de toda a equipe, mas a história é triste e vergonhosa para os escravocratas de outrora e para os que insistem em continuar sendo. Esse documentário impecável traz uma reflexão para o respeito que nós, negros, precisamos ter pela história de luta de nossos antepassados.


Debaixo do Solo

há 1 hora (editado)Uma história real que não pode deixar de ser lembrada nunca, deveria ser obrigatório nas escolas ser contada a história de Queimado, estudei nas escolas da Serra nunca ouvi falar da história vim conhecer muito tempo depois , parabéns a todos envolvidos …


ITV Midia

há 8 horasMuito gratificante assistir esse curta metragem. Aprendemos muito ouvindo a história verdadeira e como podemos aprender cada dia mais. Sou baiano vivendo no território capixaba.


Carmen Tapias

há 1 diaParabéns! Roteiro excelente, documentário maravilhoso relatando o nosso estado e a luta pela liberdade de um povo sofrido, mas que lutou com garra.


Norma Maioly

há 1 dia Parabéns pela linda obra e que não caia no esquecimento essa revolta de nossos escravos que ficou conhecida pela revolta de Queimado.


Lorena Nunes

há 1 diaSuper indico, muito importante para nossa história , conhecimento e crescimento , região linda e cheia de histórias, estão de parabéns , obrigada por esse documentário ❤️👏


ANDER_ SOM

há 1 dia Documentário muito interessante, uma parte da nossa história contada de forma simples e objetiva, parabéns ao idealizador, produção, e todos que fizeram parte dessa magnífica obra. Gratidão.


Viver Mensagens

há 1 diaSensacional a produção deste filme, um momento marcante na história capixaba onde os negros lutam pela liberdade sendo retratado agora em 2021


Filme Queimado
há 6 dias (editado)Você pode nos ajudar na divulgação deste filme tão importante para a história de Luta pela Liberdade dos escravos no Brasil, ocorrido em 1849 na Igreja do Queimado em Serra ES. Compartilhe, curta e comente este documentário, para que mais pessoas possam ter a oportunidade de assistir a este filme inesquecível. Faça agora, obrigado.

A REVOLTA DO QUEIMADO

RELATO HISTÓRICO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES – HISTORIADOR DA SERRA ES

REVOLTA DO QUEIMADO: NEGROS EM BUSCA DE LIBERDADEIGREJA DE SÃO JOSÉ DO QUEIMADO

Queimado é um Distrito da Serra, Espírito Santo, Brasil.

No dia 19 de março de 1849, Queimado foi palco de uma Insurreição de negros escravos.

A antiga freguesia de São José do Queimado, criada em meado do século XIX, está hoje incorporada ao município da Serra, um dos que compõem a área periférica da Grande Vitória. O povoado de Queimado estava situado às margens do rio Santa Maria, por onde trafegavam canoas carregadas de café, farinha de mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão, coisas que os do lugar plantavam pelo método costumeiro: Derrubar, queimar, roçar. Na década de 1840, quando chegou a reunir cerca de 5 mil moradores, parecia que o destino reservava certa importância ao povoado, não obstante a pobreza do lugar. Mas um lento e irremediável processo de decadência econômica e despovoamento, iniciado já na segunda metade do século XIX, frustrou esta possibilidade. Hoje, no local onde se localizava a vila, os únicos testemunhos visíveis do engenho humano são as ruínas da Igreja de São José

As Insurreições ou revoltas de escravos eram comuns nas Vilas e Aldeias do Espírito Santo e do Brasil. A Insurreição do Queimado foi uma revolta que durou até a prisão de Elisiário, um dos líderes do Movimento, cinco dias depois do início da Insurreição. A revolta começou dia 19. Chico Prego morreu enforcado na Serra Sede. João da Viúva Monteiro, morreu enforcado no Distrito de Queimado. Elisiário fugiu da cadeia, graças a um milagre e formou um quilombo na região depois do Morro do Mestre Álvaro e do Monte do Mouxuara, em Cariacica. 

Recentemente num discurso proferido na Assembeia Legislativa Estadual, uma professora da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo defendeu a tese de que não se deve denominar a Revolta do Queimado como Insurreição.
Informou que o termo Insurreição foi usado pelos Senhores para menosprezar o ato de bravura e combativo dos negros. Também defendeu a tese de que não se deve creditar ao frei Gregório Maria de Bene, a idéia inicial da luta pela liberdade, que segundo a mesma, surgiu através dos próprios negros, através da figura de Eliziário.
Com relação a tais colocações, o historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Clério José Borges, nada tem contra. Segundo Clério Borges, “Eliziário teve grande importância no Movimento. Era escravo de uma família que lhe ensinou o básico para sua formação. Era negro caseiro e não trabalhava no campo, assimilando e aprendendo com o seu Senhor. É certo que o frei Gregório não gostava da escravidão. Era de origem européia e os Europeus não gostavam da Escravidão. Frei Gregório era Italiano. Deve-se sim, creditar a frei Gregório, deixando de lado as paixões, o fato de ter iniciado, com Eliziário, Chico Prego e João Monteiro, (João da Viúva Monteiro) as primeiras conversas sobre a Liberdade dos Escravos. Mas, o movimento pregado por frei Gregório seria por vias pacíficas. Ele iria até a Imperatriz defender a liberdade dos negros escravos. São fatos históricos. Estão registrados na obra de Afonso Cláudio que fez um livro minucioso sobre o assunto.”
Clério José Borges destaca ainda o fato de que, “Os negros invadiram a Igreja gritando: Queremos alforria, queremos liberdade. os negros estavam armados no momento da invasão da Igreja. Frei Gregório defendia um movimento pela liberdade, mas sem armas. Queria liderar, junto com os negros, um movimento pacífico. A impaciência, gerada talvez pela opressão e castigos que recebiam, levou os negros a uma atitude extrema de se armarem. De armas em punho, já não mais estavam reivindicando por vias pacíficas. Estavam indo contra as Leis vigentes. Cerca de 30 anos depois ocorreria a “Abolição da Escravatura”. Com a abolição os negros foram libertados por vias pacíficas. Não foram libertados através de Insurreições ou Revoltas. Foram libertados dentro da Lei. A “Revolta do Queimado” foi uma marco da negritude em busca da liberade,fato que ninguém pode negar, todavia foi feita ao arrepio da lei, ou seja, contra as leis vigentes no Brasil da época, pois foi feita com armas. Sem contar, o prejuízo humano das vidas que foram sacrificadas.”

Queimado é um Distrito da Serra, Espírito Santo, Brasil

Possui uma área de 77 quilômetros quadrados e fica a sudoeste do Município.

Já pertenceu a Vitória e Santa Leopoldina. Passou a Distrito, em 27 de julho de 1846, pela resolução N.º 92, embora fosse apenas uma povoação.

Desde a resolução N.º 4, de 26 de dezembro de 1889, já gozava de prerrogativas de Vila, mas só foi elevada em 11 de novembro de 1938. Possuiu sua primeira Escola Pública em ato oficial de 12 de abril de 1847 e cuja inauguração foi a 24 de abril do mesmo ano. Teve uma Escola Feminina inaugurada em 4 de agosto de 1873. Foi palco de acontecimentos dramáticos em março de 1849, a Insurreição de Queimado, que foi uma revolta dos negros em busca de liberdade.

O nome vem do clima do lugar, uma região em que há muito calor com constantes queimas de mato. Os antigos da região diziam: “Vamos para o Sítio das Queimadas”. Como as queimadas eram num único local da região, passou a ser sítio Queimado e com o surgimento do Porto no rio Santa Maria, o local passou a ser denominado de Queimado, com referência ao sítio Queimado, onde antes haviam várias queimadas.

REVOLTA DOS NEGROS

Em março de 1849, Queimado foi palco de uma Insurreição de negros escravos. As Insurreições ou revoltas de escravos eram comuns nas Vilas e Aldeias do Espírito Santo e do Brasil.

Eugênio de Assis escreve num artigo publicado na Revista Capichaba, que em 1842 houve uma pequena revolta de escravos, sem maiores conseqüências na Serra.

Por muitos anos a população branca da Serra e do espírito Santo minimizavam o fato ocorrido no distrito do Queimado, procurando menosprezar a luta dos negros pela liberdade. Nos dias atuais sabe-se historicamente que a Insurreição do Queimado foi um marco na história da Negritude Capixaba.

Sempre ocorriam fugas de negros e quando o número de escravos fugitivo era maior, os Capitães do Mato, eram chamados para a caça aos fugitivos. Contudo a Insurreição do Queimado foi uma revolta que durou até a prisão de Elisiário, um dos líderes do Movimento, cinco dias depois do início da Insurreição, no dia 23 de março.

Frei Gregório José Maria de Bene, Missionário Capuchinho Italiano, que era Europeu e não admitia escravidão, estabeleceu uma estreita ligação com os escravos e esta ligação preocupava e contrariava os que usavam da mão de obra escrava para enriquecerem.

CONSTRUÇÃO DA IGREJA

Frei Gregório levantou a bandeira da construção de uma grande Igreja na povoação de Queimado. A pedra fundamental da Igreja foi lançada em 15 de agosto de 1845, quando na região que incluía o Sítio Tapera, havia cerca de cinco mil “almas”. Em seguida, Frei Gregório, convocou os negros da região para a construção da obra, com a promessa de que posteriormente intercederia junto aos Senhores para que fosse dada a alforria de cada um dos negros que ali trabalhassem.

Existe a versão de que a atitude do padre foi “maliciosa e esperta” para com os negros. Mas, esta versão é falsa. Foi criada pelos Senhores da região. Na verdade, Frei Gregório, desejava realmente promover a liberdade dos escravos. Frei Gregório não prometera conceder a liberdade e sim prometeu interceder para que fosse dada a alforria.

Citado como espertalhão, deve-se resgatar a memória do padre Frei Gregório, como verdadeiro defensor da liberdade dos escravos.

Há quem diga que a expressão “Conto do Vigário”, teria se originado da atitude insegura e fraca do Frei Gregório Maria De Bene. Na verdade a expressão “Conto do Vigário” refere-se a um “falso” padre que começou a pedir dinheiro a várias pessoas e depois fugiu de uma cidade no interior do Brasil.

HERÓICO MISSIONÁRIO

O historiador Wilson Lopes de Resende, em obra de 1949, com o título “A Insurreição de 1849 na Província do Espírito Santo”, tece elogios ao Frei Gregório, relatando:

“Os escravos, (…) aguardaram pacificamente outra oportunidade redentora (…) quando apareceu na Freguesia do Queimado um Sacerdote, desses heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão e a quem tanto deve o Brasil Colonial. Chamava-se ele Frei Gregório José Maria de Bene. Embora italiano, amou essa terra, que escolhe para missionar e, vendo a vida que levavam os escravos, num flagrante antagonismo com o espírito de liberdade, que sacudia as revoluções liberais do Brasil até a velha Europa, pensou em minorar-lhes os sofrimento. Passou, desde então, a auxiliá-los espiritualmente, incutindo-lhes os ensinamentos da religião, fazendo-os bons e humildes para imitar a Cristo. (…) Animado com número tão elevado de fiéis, o Missionário resolveu erigir um Templo no meio de uma povoação de cinco mil almas. Os escravos não se cansavam de pedir em suas orações ao Todo Poderoso para que lhes enviasse suas bênçãos e lhes concedesse a graça de obter a alforria no dia em que a construção terminasse. Frei Gregório, certo da formação cristã dos Senhores vizinhos, chegou mesmo a admitir que os escravos pudessem conseguir o que tanto almejavam.”

Pelo texto de 1949, de Wilson Lopes de Resende, observa-se que ele se refere ao Padre Gregório como um desses “heróicos missionários catequistas que sempre se bateram contra a escravidão.”

FRACO E MEDROSO

Padre Gregório chegou inclusive a ser expulso do Espírito Santo em razão de sua participação a favor dos escravos. O único problema ocorrido é que os negros acabaram empunhando em armas, no que o Padre não concordou e acabou não mais apoiando o movimento dos escravos.

Padre Gregório foi preso pelas forças policiais no dia 20 de março e mais tarde expulso do Espírito Santo.

A participação do frei Gregório foi fraca. Mostrou-se uma pessoa medrosa, sem espírito de liderança para encabeçar o Movimento, mas como Italiano, o Capuchinho nada podia fazer. Não estava em seu país natal. Era um visitante. Liderar um movimento de revolta contra a legalidade em vigor, seria assinar a sentença de expulsão definitiva do país e isto Frei Gregório não queria pois já admirava e amava o Brasil.

FESTA DE SÃO JOSÉ

No dia 19 de Março, data em que a Igreja Católica comemora a Festa de São José, esposo de Maria, pais de Jesus, foi programada uma grande Missa, em 1849, com festa no Queimado.

Embora não estivesse completamente pronta, os negros consideravam a Igreja pronta, já que faltavam apenas alguns pequenos detalhes na construção da obra.

Para a Igreja e festa de São José, se dirigiram escravos de Jacaraípe, Una, Tramerim, Pedra da Cruz, chamados pelos líderes do Movimento de Liberdade.

Segundo Afonso Cláudio em seu livro ” Insurreição de Queimado “, reeditado pela Prefeitura Municipal de Vitória: “Em várias fazendas pequenas reuniões celebraram-se às ocultas, e os cabeças destarte arrebanhavam prosélitos com paciente persistência. Mensageiros cruzavam-se em várias direções para o norte da província; do sul veio um contingente de 20 escravos para engrossar a coluna insurrecionária. Da Serra, de Itapoca, de Viana, em suma de todos os centros onde transpiravam as deliberações tomadas em conciliábulos, afluíam adeptos à causa”.

Ainda segundo Afonso Cláudio, “sob a aparência de desmedida obediência, os escravos odiavam os senhores e faziam sacrifícios de toda a sorte para adquirir armas”.

LÍDERES DO MOVIMENTO

Os líderes do Movimento foram:

1- Elisiário, escravo de Faustino Antônio Alvarenga Rangel.

2- Francisco, o Chico Prego, escravo da Senhora Ana Maria de São José;

3- João, escravo de Maria da Penha de Jesus, a viúva Monteiro;

4- João, o Pequeno, escravo de Rangel e Silva;

5- Carlos, escravo de João Clímaco de Alvarenga Rangel.

Historicamente, Elisiário foi o cabeça do movimento. Em reuniões com os seus companheiros, estabelecia as formas de ação do movimento, pois segundo o escritor Wilson Lopes de Resende, “procedia assim, iluminado pelo Missionário.”

Elisiário foi o símbolo de uma raça sofrida e pelo seu heroísmo, procurou levar “os negros à glória da libertação.”

O escritor, José Paulino afirma que:

Elisiário era o “Caudilho Negro”. A palavra “Caudilho”, possui o significado de Grande Chefe Militar do Movimento Negro de Liberdade.

FALTA DE APOIO

Elisiário, João e Chico Prego, pretendiam na hora da Missa, com o apoio do padre, exigir dos Senhores presentes que cada um assinasse a declaração tornando-os livres.

O padre estava rezando a Missa, às 3 horas da tarde, quando a multidão de escravos, com ânimos exaltados, invadiu a Igreja aos gritos de Liberdade.

O templo viveu momentos de confusão e frei Gregório acabou por abandonar o altar, sem terminar a Missa fechando-se na sacristia da Igreja, sem qualquer comunicação com os escravos. Sabia que se apoiasse o movimento, a Insurreição se transformaria numa fagulha de um grande acontecimento, atraindo para si a ira dos senhores, na Província e no Brasil. E, ele era estrangeiro, um Italiano. Esta fraqueza, gerada pelo instinto de sobrevivência, será considerada por muitos como medo e Frei Gregório será considerado ao longo da história como um “padre heróico, (pois semeou a esperança da liberdade), mas medroso.

Sem apoio do padre e aproveitando a grande concentração de negros, Elisiário, João e Chico Prego resolvem continuar com o Movimento, percorrendo as casas dos “senhores obrigando-os a assinar as declarações de Alforria.”

Após conseguirem as declarações pretendiam com o apoio do frei Gregório, que desfrutava de amizade com D. Tereza Cristina, Imperatriz do Brasil, oficializar o documento.

Entendiam que quando chegassem até o padre com vários documentos assinados, o padre não iria se omitir e os ajudaria. Um dos Senhores que foi obrigado a assinar um documento de alforria foi Paulo Coutinho Mascarenhas.

VIOLÊNCIA

O Presidente da Província, Antônio Joaquim de Siqueira, em carta datada de 20 de Março de 1849 e endereçada ao Ministro de Estado dos Negócios do Império, Visconde de Monte Alegre, relata o seguinte:

“Ontem pelas três horas, soube que um grupo armado de trinta e tantos escravos perpetrara o crime de Insurreição no Distrito de Queimado, três a quatro léguas distante desta Capital, invadindo a Matriz, na ocasião em que se celebrava a Missa Conventual e levantando gritos de “Viva a Liberdade”, queremos “Carta de Alforria”. Este grupo seguiu depois a direção do Engenho Fundão, de Paulo Coutinho Mascarenhas, e aí obrigou-o a entregar-lhe os seus escravos e passar-lhe “Carta de Liberdade”, as armas e munições que possuía, o mesmo fez em outros engenhos, de maneira que conseguiu elevar o seu número a cerca de Trezentos.”

Existe a versão de que a Insurreição de Queimado foi um Movimento simples, pacífico e que não teria havido o referido “levante.” Todavia o escritor Afonso Cláudio no livro “A Insurreição do Queimado”, mostra que realmente houve uma revolta, uma Insurreição.

VÍTIMAS DA REVOLTA

Comprova-se que houve o confronto e feridos dos dois lados. Uma das vítimas da Insurreição foi Francisco Roriz, ferido pelos negros com 17 caroços de chumbo, nas matas de Taiobaia. Outra vítima foi o próprio comandante das Forças Policiais, Alferes Varella.

O Presidente da Província, cargo que hoje corresponde ao de Governador de Estado, de imediato mandou a Queimado o Chefe de Polícia, José Inácio Acioli de Vasconcellos, acompanhando de uma força policial de vinte praças da Companhia Fixa de Caçadores, que representava a Polícia da época. Comandando os Policiais, denominados “Forças Legalistas”, o Alferes, José Cesário Varella de França.

Os legalistas chegaram ao Queimado no dia 20 de Março. Prenderam Frei Gregório e trataram de dar combate aos revoltosos, passando aos poucos a ter o domínio da situação.

MORTES

As notícias chegadas em Vitória eram de que os negros, além de estarem promovendo desordens, estavam bastante municiados e atirando em todos que se colocavam em seus caminhos.

Num dos combates, fica ferido o Comandante dos Policiais, José Varella. Tal fato irrita os Policiais e batedores do mato, que passam a matar todos os negros que encontravam no caminho, tomando-os como revoltosos.

Escravos encontrados na ladeira que desce para Aroaba, região perto do Queimado, foram todos mortos.

Ao final o Chefe de Polícia Accioli informa, no dia 23 de março de 1849, que conseguiu encontrar 11 escravos, entre os quais um dos líderes da Insurreição, Elisiário, escravo do fazendeiro Faustino Antônio de Alvarenga. A Insurreição que começou no dia 19, estava terminando com a prisão de Elisiário, cinco dias depois. Todavia havia ainda negros foragidos espalhados pela região, tendo a Polícia continuado as buscas por mais alguns dias.

PERSEGUIÇÃO

Preocupado, o Presidente da Província, Siqueira envia ao Queimado mais Policiais sob o Comando de Manoel Vieira da Vitória, ordenando ao Capitão Antônio das Neves Teixeira Pinto, Delegado da Vila da Serra, que passasse a perseguir os fugitivos.

Documentos esclarecem ainda que os habitantes do Queimado, Mangaraí e Serra auxiliaram as autoridades na captura dos negros.

Pela crueldade com que tratou os escravos negros, arrastando-os pelo chão por léguas e léguas, o Delegado da Vila da Serra, Capitão Antônio das Neves acabou recebendo elogios pela maneira como se conduzira.

O Governo Imperial, atendendo a solicitação feita, acabou mandando o vapor “Paquete do Sul” que, no dia 30 de março aportou em Vitória trazendo um reforço de 31 soldados comandados por um Oficial. Dias depois regressava o vapor à Corte, levando a notícia da vitória dos legalistas.

O escritor José Teixeira Leite informa que a caça aos negros foi “cruel e selvagem” e levada a efeito “por impiedosos batedores do mato.” Esta informação consta da página 332, do livro “História do Estado do Espírito Santo – edição de 1975.”

CADEIA E JULGAMENTO

Os escravos presos foram recolhidos na Cadeia Pública de Vitória. Lá chegaram a passar fome, segundo relato do Carcereiro da Cadeia, Joaquim José dos Prazeres.

Manoel, escravo do Capitão Paulo Coutinho Mascarenhas morreu na Cadeia por estar gravemente ferido e em razão “dos horrores de uma viagem forçada desde o Queimado.”

No dia 31 de maio de 1849 foi realizado o Julgamento dos escravos revoltosos, sob a presidência de José Inácio Acioli de Vasconcelos que além de Chefe de Polícia era o Juiz. A Acusação esteve a cargo de Manoel Morais Coutinho, promotor público e a defesa coube ao padre João Clímaco de Alvarenga Rangel. Como escrivão atuou no Julgamento, Manoel Gonçalves de Araújo.

Durante três dias o processo foi debatido e no final a sentença estabeleceu:

“Seis escravos foram absolvidos. Cinco condenados à morte e os demais, num total de 25, condenados a açoites.”

FUGA MILAGROSA

No dia 7 de dezembro de 1849, cinco presos conseguiram fugir da prisão. O carcereiro de repente “foi acometido de um sono profundo, esquecendo aberta a porta da cela dos negros.”

Na prisão não foi encontrado vestígio de arrombamento e logo, a fuga foi atribuída a milagre de Nossa Senhora da Penha, uma vez que segundo o escritor José Paulino:

“Havia três noites que Elisiário obrigava os companheiros de prisão a rezar.”

Na terceira noite, quando rezavam à Nossa Senhora da Penha:

“A porta da prisão miraculosamente se abriu.”

Na verdade o carcereiro Joaquim dos Prazeres ficou com pena dos negros e os soltou, tendo sido preso e confessado que soltara os negros pois eles estavam sendo maltratados e sofriam passando até fome na prisão.

Os fugitivos eram:

Eduardo Pinto de Vasconcelos; Manoel Matos; Elisiário; João, o Pequeno; Carlos, o escravo do Dr. João Clímaco.

Não consta terem sido recapturados os Negros fugitivos, que fugiram para as mata do Mestre Álvaro e do Mochuara e alguns chegaram a construir um quilombo na região de Cariacica conhecida hoje como Piranema.

Elisiário tornou-se uma lenda para os negros que almejavam a liberdade, sendo cognominado o Zumbi da Serra, numa alusão ao herói Zumbi dos Palmares.

A escravidão negra e sua abolição – Por João Eurípedes Franklin Leal

História do ES – Publicada em 09/11/2016 por Morro do Moreno

Um dos pontos culminantes das revoltas escravas no Espírito Santo foi a Insurreição do Queimado. Os chefes desta revolta foram os negros Elisiário, Chico Prego, João Pequeno e João da Viúva Monteiro, além de outros elementos também importantes como Eleutério, Benedito e Carlos. A revolta possuía como finalidade principal a libertação do trabalho escravo. Um fato anterior a insurreição contribuiu para precipitar os acontecimentos: o Frei Gregório de Bene, desejoso de construir a Igreja do Queimado pediu a ajuda dos escravos para o trabalho de construção e, em seus sermões exaltava a liberdade e combatia a escravidão. Isto insuflou o ânimo dos escravos que marcaram para a festa de São José, a 19 de março de 1849, a revolta, no caso de não receberem liberdade pelos serviços prestados na construção do templo, que alias ainda não havia sido totalmente concluído. Na véspera, chegaram contingentes de várias fazendas atingindo o número de cerca de duzentos negros. Mas a falta de organização da revolta fez com que os revoltosos de São Mateus, Viana e de parte do Queimado não chegassem e tempo, o que dobraria o número se insurretos. No dia 19 de março, informou-se que seriam libertados os escravos à entrada da Missa, mas a mesma já estava em altura da Elevação sem que nada tivesse acontecido. Então, Chico Prego, chefiando um grupo exaltado de escravos dirigiu-se a igreja gritando por liberdade. A Missa foi interrompida, o templo fechado e os senhores perplexos. Frei Gregório tentou apaziguar os ânimos e recomeçou a Missa, mas foi novamente interrompido pelos insurretos que exigiam a liberdade. Enquanto isso foi enviado um pedido de socorro ao governo, em Vitória, para que enviasse forças. Os revoltosos foram momentaneamente contidos através de promessas de liberdade. Mas no dia seguinte chegaram os policiais enviados de Vitória ao Queimado onde travaram luta com os negros que foram derrotados e muitos fugiram. Uma Companhia de Guerrilheiros foi então posta a cata de rebeldes nas fazendas e matas, que capturados, foram remetidos em número de trinta e oito para a cadeia de Vitória. Feitas as sindicâncias, reunido o Júri foi então dada a sentença, sendo defensor dos insurretos o Dr. João Climaco. Cinco foram condenados a morte, seis foram absolvidos e os outros sofreram penas menores como de açoites, em quantidade de 300 a 100. Os condenados a morte Elisiário, João Pequeno e Carlos conseguiram escapar da prisão, no dia 7 de dezembro e embrenharam-se no sertão da Serra, enquanto que os condenados, também a morte, João da Viúva Monteiro e Chico Prego não puderam escapar da prisão. Os fugitivos não foram nunca alcançados, os dois prisioneiros foram executados, sendo Chico Prego enforcado na Serra e João da Viúva Monteiro, no Queimado em janeiro de 1850.

O texto acima e parte de um artigo: A escravidão negra e sua abolição – Por João Eurípedes Franklin Leal – História do ES – Publicada em 09/11/2016 por Morro do Moreno – https://www.morrodomoreno.com.br/

A segunda derrota dos escravos de São José do Queimado. Autor: José Roberto Pinto de Góes

O Brasil foi e continua sendo muito cruel com os escravos que o povoaram e civilizaram. No passado, eles foram amarrados, arrastados, repartidos com ferro, embarcados, batidos, moídos e espremidos (assim descreveu Antonil o processo de fabricação da cana-de-açúcar). Hoje, tripudia-se da história deles. Pouca gente sabe, mas está por desaparecer, definitivamente, um bem arquitetônico de inestimável valor para a história das rebeliões escravas no Brasil: a igreja de São José do Queimado, nos arredores da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. A mata já cobriu quase tudo. O próprio interior do edifício está tomado pelas plantas. Só restam de pé as duas paredes laterais do templo, precariamente atadas por um cabo de aço. O lugar impressiona. Dá a impressão que a natureza, cheia de razões, decidiu retomar aos homens aqueles domínios e sepultar, em verde esquife, uma história que não se fez possível. Sem pressa, vai a tudo recobrindo, como a dizer que pode, deve e quer.A comparação entre o destino da igreja de São José e o da mansão onde morou Laurinda Santos Lobo, localizada no charmoso bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro é inevitável. Já em ruínas, a residência de Laurinda foi recentemente recuperada de maneira criativa: paredes no tijolo, destruídas, coexistem com estruturas de metal e de vidro. É muito visitada, virou ponto turístico da cidade, com exposições, shows etc. Uma placa, inaugurada em 1997, diz o seguinte: “Foi uma época áurea do bairro de Santa Teresa. Plantada num elevado de onde se descortina toda a cidade, ali estava a casa, parecida com sua dona, audaciosa combinação de vários estilos. Artistas e intelectuais voltejavam em torno dela. No mirante dançou Isadora Duncan, tocou Villa-Lobos. Suas vozes, seus passos, seus risos ainda ecoam. Laurinda flutua, dança ao luar, ao som de Villa-Lobos, envolta em nuvens, puxando para si os véus de Isadora. Laurinda Santos Lobo, deidade do Rio, nascida em 4 de maio de 1878, saída do mundo em 18 de julho de 1946, nos recebe a todos.” Enquanto Laurinda ainda flutua, perene, sobre o Rio de Janeiro (tomara que para sempre), a lembrança da rebelião dos escravos da antiga freguesia de São José do Queimado está prestes a perder o que resta de seu templo.A igreja teve um papel central na revolta que tomou conta do povoado, em 1849. O estado a que está reduzida, e a incapacidade demonstrada, ao longo dos últimos anos, de conservá-la, é muito sintomático de nossas desventuras como “povo”, nesta América tropical. Porque, a rigor, a preservação do templo, e com ele, a memória da rebelião, só faz sentido numa sociedade na qual o problema da cidadania e dos direitos do populacho esteja, de fato, na ordem do dia. A igreja, ou o que resta dela, é um marco na luta pelos direitos no Brasil, que não começou ontem, com a abolição ou a carteira de trabalho de Getúlio Vargas. Quando as duas últimas paredes da igreja de São José do Queimado vierem ao chão, os escravos do povoado (que as ergueram) terão sido derrotados pela segunda vez (a primeira ocorreu em 1849, quando falhou o plano de usar o templo católico para se alforriarem em massa.). E a presente geração de brasileiros, em sua maior parte descendentes deles, terá de constatar que perdeu mais uma batalha contra os das Casas Grandes & Mansões. Talvez ainda seja tempo de apenas tratar de sobreviver.

É preciso contar a história dessa rebelião, para que se possa ter a dimensão exata do que está prestes a nos ser tomado, na perspectiva da luta pela cidadania.

A antiga freguesia de São José do Queimado, criada em meado do século XIX, está hoje incorporada ao município capixaba de Serra, um dos que compõem a área periférica da grande Vitória. O povoado de Queimado estava situado às margens do rio Santa Maria, por onde trafegavam canoas carregadas de café, farinha de mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão, coisas que os do lugar plantavam pelo método costumeiro: derrubar, queimar, rossar. Na década de 1840, quando chegou a reunir cerca de 5 mil moradores, parecia que o destino reservava certa importância ao povoado, não obstante a pobreza do lugar. Mas um lento e irremediável processo de decadência econômica e despovoamento, iniciado já na segunda metade do século XIX, frustrou esta possibilidade. No local onde se localizava a vila, os únicos testemunhos visíveis do engenho humano são as ruínas da Igreja.

A história da rebelião está documentada, sobretudo, na correspondência trocada por autoridades civis e religiosas e no livro A Insurreição de Queimado, de Afonso Cláudio de Freitas Rosa, escrito em 1884. O processo criminal então aberto está perdido. Embora escrito trinta e cinco anos depois do episódio, o livro é a principal fonte do levante, pois está baseado em relatos de sobreviventes que participaram ativamente da conflagração. Isso o converte em fonte primária dos acontecimentos. Os relatos estão no livro, mas contados pelas palavra de Afonso Cláudio. Um testemunho importante foi fornecido por um velho e alquebrado escravo, possivelmente de nome Carlos, um dos cabeças da revolta. Na metade da década de 1880, ele ainda se conservava fugido, perambulando pela região, com a complacência de seu antigo senhor, o padre e bacharel João Clímaco. Deve ter sido uma conversa estranha, a entretida entre Afonso Cláudio, então com 20 e poucos anos, e o velho escravo errante. Eram destinos muito diferentes que se cruzavam: enquanto Carlos jamais reencontrara o sossego, Afonso Cláudio viria a ser o primeiro presidente do Estado do Espírito Santo, no regime republicano. Por pouco não foi uma conversa de surdos. O escritor confessou que apenas com “demasiado esforço” conseguiu compreender a “exposição truncada” do escravo. Talvez fosse menor a dificuldade se o jovem bacharel tivesse melhor opinião sobre os “pretos”. Ele era sinceramente tocado pelo sofrimento dos escravos, mas os julgava pessoas rústicas e incapazes de uma compreensão “clara e desenvolvida” das coisas.

A história do levante está ligada à pessoa do capuchinho italiano Gregório José Maria de Bene, que desembarcou no Brasil em 1844, designado para a catequese indígena no Espírito Santo. Um ano depois, porém, já estava o frade decidido a levantar uma igreja no povoado de Queimado. Pois cinco mil almas não haviam de permanecer apartadas das palavras de Deus e longe da assistência dos vigários. (Não necessariamente nesta ordem: uma vez nomeado vigário da paróquia, Gregório tratou de intervir até no alinhamento das ruas do povoado). A edificação do templo, em homenagem a São José, não demorou. O esforço foi de todos. Os mais aquinhoados deram algum dinheiro, providenciaram recursos públicos e doaram os sinos. Os menos afortunados de todos, os escravos, deram os domingos e os dias santos, em trabalho. E Deus não paga em dobro a fadiga e a perseverança?

Em 1846, São José do Queimado foi elevado a freguesia. Em 1848, o presidente da província escreveu ao bispo do Rio de Janeiro solicitando a nomeação de Gregório para Vigário Encomendado, por ser esta a vontade do povo do lugar. Acrescentou que o frade ia erigindo, “a custa dos fiéis, e por meio de suas exortações, um majestoso templo de pedra e cal, que tem de ser dedicado ao patrício São José, excitando a admiração de todos por sua grandeza e por se estar fazendo, pode-se dizer, no centro da pobreza. Concluiu profetizando: “Já vi essa igreja e creio que, concluída, será uma das mais importantes da província”. Àquela altura, ninguém podia suspeitar que a igreja logo voltaria ao pó, por haver se convertido no principal cenário da guerra de senhores e escravos.

Gregório não tem se saído bem nos julgamentos dos historiadores. Para Eugênio de Assis, autor de Levante dos Escravos no Distrito de São José do Queimado, o frade, no afã de fazer prosperar a paróquia e construir sua carreira, fez crer aos escravos que eles iam ganhar cartas de alforrias se ajudassem a erguer a igreja de São José. Para Afonso Cláudio, o frade era apenas imprudente e um tanto simplório. A combinação do ardor religioso, convicções abolicionistas e pouco domínio do idioma português o levava a frases veementes, de palavras mal escolhidas, de condenação à escravidão. O Capitão Rodrigues Velho, de quem Afonso Cláudio obteve um bilhete no qual rememorava os acontecimentos, dizia do frei: “o papel que frei Gregório representou na insurreição, não passou de um frade camelo e inconsiderado, que em suas conversações com os negros lembrava a plena liberdade que gozam os povos da Itália e de outros países da Europa, reprovando e maldizendo assim o cativeiro do Brasil, o que muito concorreu para a revolta na mente estúpida dos cativos”. Camelo, além do ruminante, queria dizer homem burro (estúpido como um cativo). Afonso Cláudio achava que o capitão tinha lá a sua razão, que o frade estava mais para camelo do que para trapaceiro.

Mas se o frade era um tonto, quem planejara tão ardiloso plano, de convencer os escravos das redondezas de que, em troca do trabalho na construção do templo, todos obteriam cartas de alforria? Dizia-se que Gregório e a Rainha eram conhecidos, se estimavam, e que esta havia prometido ao pároco a graça de redimir os escravos no dia de São José, pelos muitos serviços prestados à religião. A declaração de liberdade seria lida durante a missa inaugural. Era uma rebelião com data marcada para acontecer: dia 19 de março de 1849, dia da inauguração da igreja, dia do padroeiro São José.

Na opinião de Afonso Cláudio, o arquiteto maior da trama fora um escravo chamado Elisiário, um “preto pernóstico”, daqueles que buscavam a “afeição dos brancos”, mas conservavam o respeito dos demais, que permaneciam rudes e “sem a menor inclinação pelos brancos”. Era coisa tão engenhosa que Afonso Cláudio duvidava se podia ser obra de um preto e, indiretamente, responsabilizou o padre João Clímaco, o dono do escravo Carlos, o suposto informante de Afonso Cláudio. Homem de espírito, palestrante entusiasta, narrador destro, sempre disposto a animar uma conversa, João Clímaco era irmão do dono de Elisiário, e este, amigo de Carlos, costumava freqüentava as senzalas e a cozinha do padre.

Na véspera do dia de São José, a noite, cerca de duzentos escravos reuniram-se nas proximidades do povoado. Dispersaram-se para não despertar temores. Quando o dia amanheceu, instalaram-se na mata próxima ao templo, sob o comando de Chico Prego. Um grupo, liderado por Elisiário, foi procurar Gregório na igreja. As palavras que trocaram, o vento levou. Sabe-se apenas que o sacerdote, amedrontado, e informado que uma multidão de negros esperava na mata, desistiu de celebrar a missa e mandou que cerrassem as portas da igreja. Antes que aquela manhã terminasse, Gregório trairia os escravos três vezes. Em carta enviada ao presidente da província, dias depois, protestou contra “a grande e maliciosa aleive que os negros cativos levantaram-me no Queimado e na cidade de Vitória”, e jurou, e repetiu o juramento, que não havia sido a causa nem aconselhara o motim.

Enquanto Gregório discutia com Elisiário, Chico Prego e os demais escravos resolveram dirigir-se à igreja. Entraram no povoado em trajes pouco usuais, metidos nas melhores roupas (quem sabe alguns calçados), com ares de dotô. Gritos de vivas à liberdade disseminaram o pânico entre a população livre. Gregório, então, foi obrigado por um cidadão a reabrir a igreja, pois não convinha aparentar medo diante dos negros e aumentar-lhes a coragem. Não podia nem devia: tomado pelo temor de cair vítima dos rebeldes, foi esconder-se na sacristia ainda no meio da santa missa. Mas nem assim escapou dos escravos. Na carta ao presidente da província, contou que eles o obrigaram a abrir a porta da sacristia. E jurou que disse claramente que não podia nem devia nem queria dar-lhes carta de alforria alguma. E “quando exigiram de mim em a sua maldade e revolta”, aconselhou a obediência e o retorno às suas casas, além de prometer-lhes o patrocínio na volta.

Os escravos, porém, saíram da sacristia dizendo que Gregório havia rogado aos donos dos escravos as alforrias, em nome da religião, mas implorara em vão. E exibiram um papel no qual os seus senhores deveriam apor as suas assinaturas, de modo a libertá-los. Gregório se encarregaria de o enviar à Rainha. A esta altura, o povoado estava em pé de guerra. Era escandalosa a desenvoltura dos pretos, a desfilar pelas ruas de Queimado senhores de si. Um grito de “viva o bacalhau!” calou as comemorações e trouxe um pesado silêncio. As últimas casas que se conservavam abertas, foram fechadas. Os que assistiam as estrepolias dos escravos, desapareceram. Alguns escravos, magoados e armados, fizeram menção de atirar no ajuntamento de onde partira o insulto (bacalhau era o outro nome do chicote). As portas da igreja tornaram a se fechar. Um “cidadão respeitável” evitou o pior.
Os escravos dirigiram-se às fazendas, em busca das assinaturas, enquanto um mensageiro se pôs a caminho de Vitória para avisar às autoridades da insurreição. A primeira propriedade ocupada foi o Engenho Fundão, de Paulo Coutinho Mascarenhas. Os insurgentes obrigaram-no a firmar cartas de liberdade e confiscaram armas e munições. Ao findar do dia, segundo estimativas oficiais, cerca de trezentos escravos estavam em marcha pelas fazendas.

A tarde, partiu de Vitória para São José do Queimado o chefe de polícia e mais vinte praças, comandados por um oficial. (Milicianos também foram enviados para Cariacica e Itapoca, onde se temia iguais alterações.) Eram poucos para conter tantos rebeldes. O fator decisivo foi a presteza com que a população livre local acorreu à luta. As cartas trocadas entre as autoridades policiais, o presidente da província e ministros são incansáveis em enaltecer a bravura, a coragem e o desprendimento dos habitantes do lugar em dar combate aos negros. A primeira refrega aconteceu no dia 20, próximo ao local denominado Pendi-Yuca, onde os escravos estavam reunidos. A troca de tiros resultou em ferimentos no comandante e no corneteiro. Os escravos não sofreram nenhuma baixa, mas bateram em retirada.

A partir dali, não haveria mais combates propriamente, mas apenas uma caçada, como soem ser as caçadas. Soldados e homens livres, lado a lado, reviraram morros e vales, invadiram propriedades particulares (como aconteceu com a de João Clímaco), vasculharam as senzalas e levaram os pretos que quiseram. Os rebeldes apanhados, antes de conduzidos à cadeia pública, foram entregues aos donos, de modo a satisfazer a ânsia de vingança que o atrevimento atiçara. Foram efetivamente presos e levados a julgamento trinta e seis escravos. O julgamento dos implicados foi célere: de 31 de maio a 2 de junho do mesmo ano de 1849. De nada adiantou o talento oratório de João Clímaco, advogado dos réus, que pediu ao júri a absolvição dos cativos e a condenação de Gregório. O tribunal absolveu seis réus e condenou vinte e cinco outros a açoites, que variaram de trezentos a mil chicotadas. Elisiário, João, Carlos, João Pequeno e Chico Prego foram sentenciados à morte por enforcamento.

Enquanto os réus condenados à pena capital esperavam a resposta do Imperador ao pedido de comutação da pena, os demais iam sendo levados ao açoite no cais da Alfândega, em público espetáculo. (Mas não todos: Manoel, escravo do Engenho Fundão, o primeiro a ser visitado pelos insurgentes, ingeriu grande dose de cal de parede, na prisão, e morreu. O crioulo Sebastião atirou-se ao mar quando era conduzido ao cárcere – o corpo só foi encontrado dias depois.) Mas, mal iniciados, os açoites foram suspensos: o escrivão das execuções criminais não sabia como deviam ser contadas as chibatadas. Os relhos possuíam mais de uma tira e o oficial de justiça não sabia se cada pancada devia ser multiplicada pelo número de tiras que cortava a carne dos supliciados. Juizes trocaram cartas sobre o assunto e até o presidente da província foi consultado. A controvérsia se resolveu segundo o espírito do tempo, embora hoje soe ambígua a solução: o Juiz Municipal, a quem coube a palavra final, mandou que se contasse por cada pancada, sem esclarecer se das tiras ou do relho.

Na madrugada de 7 de dezembro de 1849 cinco presos evadiram-se da cadeia, entre os quais Elisiário, João Pequeno e Carlos. Não arrombaram paredes nem danificaram cadeados. O carcereiro os substituiu na cela por alguns dias, enquanto a fuga era investigada. As diligências resultaram em nada. Nenhum culpado, nenhuma explicação. Entre os escravos, circulou a versão de que um dos fugitivos possuía um amuleto preso ao pescoço, dotado de grandes poderes, capaz de fazer Nossa Senhora da Penha ouvir a prece dos desesperados. A santa teria adormecido soldados e sentinelas. Aqueles para os quais ela olhou, nunca mais um senhor a mão botou, com perdão da rima fácil.

Os escravos João e Chico Prego foram enforcados. O primeiro, em São José do Queimado, no dia 8 de janeiro de 1850; o segundo, em Serra, três dias depois. A coreografia foi a mesma. A lenta procissão pelas ruas dos povoados, o padre e o carrasco à frente, o sinistro badalar da campa, as leituras periódicas da sentença, a subida ao patíbulo erguido de véspera, a corda, a queda e a cavalgada do carrasco sobre os ombros dos rebeldes para bem acabar de fazer a morte. Depois, no chão, o trabalho de esmigalhar o crânio, as pernas e os braços dos mortos. O carrasco, mandado vir do Rio de Janeiro especialmente para a macabra cerimônia, recebeu em troca uma muda nova de roupas.

Gregório foi ouvido pela polícia no dia 10 de abril. A cópia do depoimento está perdida. Não deve ter dito coisa muito diferente do que escreveu na carta ao presidente da província, no calor dos acontecimentos. Pouco depois, o subdelegado de polícia acusou-o de tentar vender as telhas da igreja. O presidente da província escreveu que ele se entregava ao vício da embriaguez. Em setembro, a bem da “tranqüilidade pública”, foi embarcado para a Corte, no vapor Guapiaçu. Antes de partir, Gregório invocou aos de Queimado o castigo dos céus: vaticinou que o lugar cobrir-se-ia de luto e anunciou que a igreja de São José seria consumida pelas chamas. Errou apenas quanto às chamas.

O autor José Roberto Pinto de Góes é Doutor em História pela UFF, Professor da UERJ, autor, com Manolo Florentino, de “A Paz das Senzalas”, Civilização Brasileira.
Fonte: Internet: http://www.no.com.br/revista

IMPRENSA CAPIXABA – JORNAL CORREIO DA VITÓRIA DE 1849 –

A Imprensa Capixaba nasce efetivamente em janeiro de 1849 quando surge o “Correio da Victória”, publicação periódica que se prolongou por quase três décadas. Em 1840, porém, é publicado, em um único número, “O Estafeta”, do qual se tem exemplares localizados. O Jornal Correio da Vitória é responsável pela publicação dos fatos ocorridos no QUEIMADO em março de 1849:

“Post Scriptum
(21 de março às 5 horas da tarde)

No dia 19 do corrente [mês] um grupo de escravos armados invadiu a igreja da povoação do Queimado na ocasião em que se celebrava o Santo Ofício da Missa, e em gritos proclamavam a sua liberdade, e alforria, e seguindo para diversas fazendas e aliciando os escravos delas, e em outras obrigando seus donos a darem liberdade a seus escravos, engrossou em número de 300. S. Ex. o Sr. presidente da província soube deste triste acontecimento às 3 horas da tarde, e sem perda de tempo fez seguir para aquela povoação o chefe de polícia acompanhado de tropa convenientemente municiada.

Estas providências, e outras que o presidente tem dado, ajudado da dedicação e do valor dos habitantes daquele lugar e outros bem como a Serra, Cariacica fizeram com que ontem fossem batidos tanto na povoação do Queimado, como na da Serra dois grandes grupos daqueles criminosos que ou morreram, ou fugiram em completa debandada, deixando no campo as armas e munições que conduziam.

Em breve teremos de anunciar ao público e aos nossos leitores, que a tranquilidade e segurança pública se acham inteiramente reestabelecidas, e que os criminosos sofreram um justo castigo de seus crimes. Ânimo, coragem e confiança no governo, e nada temos a recear – Cautela e vigilância nos Srs. Fazendeiros para que o futuro não se repita fatos semelhantes.”

Origem:

O Correio da Victoria, n. 20, 26 de março de 1849, p. 04. Disponível em: http://www.ape.es.gov.br/index2.htm

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O Jornal “Correio da Victória”, de março de 1849, publica uma série de reportagens sobre a Revolta do Queimado. O material foi pesquisado e apresentado numa exposição em 1999, nos festejos comemorativos aos 150 anos da Revolta. Conheça material coletado por estagiários e pesquisadores do Arquivo Público Estadual:

Filmagens do Documentário Queimado a Luta pela Liberdade. Dia 20 de junho de 2021

VEJA CLÉRIO BORGES DE PADRE FUGINDO DOS NEGROS ESCRAVOS.

Elenco de Queimado a Luta pela Liberdade
Elenco de Queimado a Luta pela Liberdade

ASSISTA AQUI O FILME COMPLETO:

QUEIMADO A LUTA PELA LIBERDADE.

Livro de Clério José Borges lançado em 2021 que 
aborda também a Revolta do Queimado de 1849.
Livro de Clério José Borges lançado em 2021 que
aborda também a Revolta do Queimado de 1849.
Igreja do Queimado - Foto de 1980
Igreja do Queimado – Foto de 1980
A MULHER NA REVOLTA DO QUEIMADO - LIVRO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES COM LANÇAMENTO PREVISTO PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2022
A MULHER NA REVOLTA DO QUEIMADO – LIVRO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES COM LANÇAMENTO PREVISTO PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2022
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES, NA FIGURA DO FREI GREGÓRIO JOSÉ MARIA DE BENE
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES, NA FIGURA DO FREI GREGÓRIO JOSÉ MARIA DE BENE
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES HOMENAGEM NOS 155 ANOS DA REVOLTA DO QUEIMADO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA EM 2004.
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES HOMENAGEM NOS 155 ANOS DA REVOLTA DO QUEIMADO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA EM 2004.
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES - LIVRO HISTÓRIA DA SERRA É O MELHOR LIVRO DO ANO EM 1988 - PREMIAÇÃO RECEBIDA EM SÃO PAULO - MOGI DAS CRUZES EM 08 DE MAIO DE 1999.
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES – LIVRO HISTÓRIA DA SERRA É O MELHOR LIVRO DO ANO EM 1988 – PREMIAÇÃO RECEBIDA EM SÃO PAULO – MOGI DAS CRUZES EM 08 DE MAIO DE 1999.
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES - DIPLOMA DE HISTORIADOR RECEBIDO NA CÂMARA DA SERRA EM 13 DE SETEMBRO DE 2007. LEI MUNICIPAL Nº 2.767 DE MARÇO DE 2005 –O Dia do Historiador Serrano é uma Lei Municipal aprovada pela Câmara e sancionada pelo Prefeito da Serra, em 2005 e, de Autoria do Vereador Joâo de Deus Corrêa, o Tio João, Lei nº 2.767 de março de 2005. A proposta da Lei instituindo o Dia do Historiador Serrano foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal da Serra, sendo a primeira Lei aprovada pela Câmara e sancionada em 2005 pelo Prefeito Municipal, Dr. Audifax Barcellos.
HISTORIADOR DA SERRA, ES, CLÉRIO JOSÉ BORGES – DIPLOMA DE HISTORIADOR RECEBIDO NA CÂMARA DA SERRA EM 13 DE SETEMBRO DE 2007. LEI MUNICIPAL Nº 2.767 DE MARÇO DE 2005 –O Dia do Historiador Serrano é uma Lei Municipal aprovada pela Câmara e sancionada pelo Prefeito da Serra, em 2005 e, de Autoria do Vereador Joâo de Deus Corrêa, o Tio João, Lei nº 2.767 de março de 2005. A proposta da Lei instituindo o Dia do Historiador Serrano foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal da Serra, sendo a primeira Lei aprovada pela Câmara e sancionada em 2005 pelo Prefeito Municipal, Dr. Audifax Barcellos.

QUEM É CLÉRIO JOSÉ BORGES QUE VIVEU A FIGURA DE FREI GREGÓRIO O PADRE DO FILME DOCUMENTÁRIO QUEIMADO EM BUSCA DA LIBERDADE DE ROGÉRIO MORAIS.

ACADÊMICO CLÉRIO JOSÉ BORGES

O Poeta e Trovador, Historiador e Escritor Capixaba, o Acadêmico Clério José Borges de Sant Anna nasceu no dia 15 de Setembro de 1950, em ARIBIRI, bairro de Vila Velha, ES. Fez os seus estudos iniciais no Colégio Nossa Senhora da Penha, dos Irmãos Maristas em Vila Velha, tendo posteriormente formado-se como Técnico em Contabilidade no Ginásio Espírito Santo, de João de Almeida e Silva, que funcionava no período noturno no Colégio Vasco Coutinho de Vila Velha. No Colégio Marista foi redator do jornal “O Pioneiro”, órgão oficial do Grêmio Estudantil Nossa Senhora da Penha. Em 1967, fundou o “Jornal de Vila Velha” que publicou cerca de seis edições de mil exemplares cada. Em 1969 ingressou no jornal A Tribuna como estagiário, (Foca ou Jornalista iniciante), exercendo posteriormente as funções de Repórter, Redator e Chefe de Reportagem, tendo trabalhado com os profissionais Plínio Marchini, Cláudio Bueno Rocha, Vinícius Paulo Seixas, Rubinho Gomes, Sérgio Egito, Jota Cassado e Nelson Gurgel entre outros. Foi correspondente da revista de notícias da televisão, “Intervalo”, tendo publicado entre outras, uma série de reportagens sobre o caso do cantor Tony Tornado que se atirou do palco em cima da platéia, no I Festival de Verão de Guarapari, (Festival de Verão de Guarapari, o Guaraparistock, como a versão brasileira de Woodstock, nos dias 11,12, 13 e 14 de fevereiro de 1971), causando lesões numa jovem que assistia ao show. Antônio Viana Gomes, mais conhecido como Tony Tornado ou Toni Tornado, em 1970 foi o vencedor da fase brasileira do V Festival Internacional da Canção com a canção soul “BR-3”. Tony Tornado se apresentava em Guarapari acompanhado da banda A Brazuca, de Antonio Adolfo, quando resolveu voar (stage diving) sobre a platéia quando encerrava a apresentação com seu sucesso BR3, que havia vencido o Festival na Rede Globo de Televisão. Ele caiu sobre a espectadora, Maria da Graça Capôs, que por pouco não ficou paraplégica, mas acabou curada depois que Tornado, com apoio do apresentador de TV, Silvio Santos custeou seu tratamento médico. 

Clério José Borges posteriormente trabalhou no jornal “O Diário”, como redator e chefe de reportagem. Em 1980/1981 manteve uma coluna de Trovas no Jornal Correio Popular, de Cariacica – ES, sob Direção do Jornalista Cleilton Gomes. O Jornal circulava semanalmente. A Coluna de 26 de março a 01 de abril de 1982 é divulgada a Festa do Segundo Aniversário do CTC – Clube dos Trovadores Capixabas, que seria realizada no dia 1º de Julho de 1982, em Vila Velha, durante o Segundo Seminário Nacional da Trova. A Coluna de 29 de Julho a 04 de Agosto de 1982 divulga o Concurso de Trovas do CTC com os temas Sócrates e Beija-Flor. Publicou artigos em diversos Jornais e Revistas do Brasil e nos Jornais A GAZETA e A TRIBUNA de Vitória – ES.  Em 1975 fez Concurso Público para o cargo de Escrivão de Polícia, classificando-se em primeiro lugar, ingressando no serviço público do Estado do Espírito Santo no dia 28 de maio de 1975. Atualmente é Funcionário Público Estadual Aposentado no Cargo de ESCRIVÃO, tendo trabalhado durante 35 anos, tendo recebido Elogios e Medalhas de Bronze, Prata e Ouro da Polícia Civil do Espírito Santo. Assessor Técnico da Prefeitura Municipal de Vila Velha, em 1972, na Administração Max Freitas Mauro, tendo elaborado textos e Comunicados da Prefeitura Municipal, que foram distribuídos nas Comunidades de Vila Velha. Contista Infantil, Contos publicados no Jornal A GAZETINHA, suplemento Infantil do Jornal A GAZETA, de Vitória – ES, de 1966 a 1968, sob a Direção da Jornalista Glecy Coutinho.

Casou-se a 17 de fevereiro de 1979 com a comerciária Zenaide Emília Thomes Borges, tendo desta união nascido os filhos Clérigthom Thomes Borges, nascido em 1979 e Cleberson José Thomes Borges, nascido em 1981, mudando-se para o bairro Eurico Salles, no Município da Serra, ES. É morador da SERRA, ES, desde 1979. Estudou Direito e Pedagogia na UFES, Universidade Federal do Espírito Santo. Classificou-se em 11º Lugar  no Exame Vestibular de Direito da UFES, onde haviam cerca de 300 inscritos no referido curso, para apenas 80 vagas. Classificou-se em 21º Lugar no Exame Vestibular de Pedagogia,  em 1979. Fundou no dia 1º de Julho de 1980, o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, presidindo a entidade até a presente data. Como Presidente do CTC organizou 20 Seminários Nacionais da Trova de 1981 a 2000 e XIII Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores, de 2001 a 2017.

Em agosto de 1993, elabora uma carta convocatória do Clube dos Trovadores Capixabas e remete-a para poetas e escritores conhecidos, marcando uma reunião de fundação da Academia de Letras e Artes da Serra. A reunião foi realizada na Câmara Municipal da Serra tendo ao final sido fundada a Academia com Clério como presidente executivo e Dr. Naly da Encarnação Miranda, ex prefeito da Serra em duas ocasiões, sido escolhido Presidente de honra e orador. Foi, portanto o idealizador da Academia de Letras e Artes da Serra já que a Carta de Convocação para a Reunião foi assinada por Clério José Borges como Presidente do CTC Clube dos Trovadores Capixabas. Em 06/08/2012 assume novamente a Presidência da ALEAS até 28/08/2014. Em 28/08/2016 assume a Vice Presidência da ALEAS até 28/08/2018. Exerceu a função de Professor, tendo sido, Professor de “Moral e Cívica”, na Escola de 1º Grau “Agenor de Souza Lé”, no bairro Divino Espírito Santo, antigo Toca, em Vila Velha, em 1972. Ministrou aulas para sete turmas de 5ª Série de 1º Grau. Foi Professor de “Administração e Controle”, no Instituto de Educação “Professor Fernando Duarte Rabelo” – Praia de Santa Helena – Vitória – ES; Professor de “Técnicas Comerciais”; “Administração e Controle” e “Economia e Mercado”, no Colégio Comercial Brasil, no bairro de Cobilândia, Vila Velha, ES, com carteira assinada de 01/04/77 a 26/02/80. Professor de “Técnicas Comerciais”, na Escola de 1º Grau “Desembargador Ferreira Coelho”, no bairro da Glória, Vila Velha, ES e na Escola Municipal de 1º Grau “Juiz Jairo de Mattos Pereira”, de São Torquato – Vitória –ES; Professor de “Português e Literatura”, no Instituto Educacional “Rio Doce”, de Santo Antônio – Vitória – ES; Professor de “Administração e Controle” e “Economia e Mercado”, na Escola de 1º e 2º Graus “Clóvis Borges Miguel”, Sede da Serra – ES;

Organizou e foi Conferencista no Curso Livre de Jornalismo e Comunicação, de 4 a 22 de Maio de 1972, no Auditório do Colégio dos Irmãos Maristas, de Vila Velha, com apoio da Prefeitura Municipal de Vila Velha e que teve a participação de mais de 300 alunos das Escolas de Vila Velha. Entre os Conferencistas: Marien Calixte; Amylton de Almeida; A. Élber Suzano; Antônio Augusto Rosetti; Emanuel Barcellos; Clério José Borges; Castelo Mendonça; Itaguassy Fraga; Zedânove Tavares; Esdras Leonor; Paulo Bonates e Pedro Maia; Ministrou Cursos Informativos de Iniciação ao Jornalismo e Comunicação de Massa em vários bairros da Grande Vitória e cidades do Espírito Santo e algumas cidades de Minas Gerais. No dia 26 de Dezembro de 1994, em Sessão Solene da Câmara Municipal da Serra recebe o título de Cidadão Serrano por indicação da Acadêmica e na época Vereadora, Izolina Márcia Lamas da Silva. No dia 05/06/2010, na cidade de Itabira, MG recebeu o Troféu Carlos Drummond de Andrade, como o Escritor do ano de 2010. No dia 10/03/2012, Clério recebe o Troféu Pedro Aleixo, em Itabira, MG, como Destaque Cultural de 2012. No dia 07/07/2015 recebeu o título de Comendador e a Comenda de Mérito Legislativo Rubem Braga, da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Pertence as Academias de Letras de Vila Velha, São Mateus, Marataízes, Iúna e Cachoeiro de Itapemirim. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do ES. Foi Conselheiro Titular da Câmara de Literatura, durante oito anos do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Espírito Santo, tendo exercido as funções de Secretário de Plenário e de Vice Presidente.

Foi Conselheiro durante 14 anos do Conselho Municipal de Cultura da Cidade da Serra, E, tendo sido eleito Vice Presidente por diversas vezes. Senador da Cultura, pela Sociedade de Cultura Latina, SCL. Correspondente da Academia Cachoeirense de Letras, (ES); da Academia Petropolitana de Letras, da Cidade de Petrópolis, (RJ); da Academia Brasileira da Trova e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, ALCEAR e outras Academias e Associações Literárias do Brasil. Autor dos Livros: Trovas Capixabas; Trovadores dos Seminários da Trova; Trovadores Brasileiros da Atualidade; O Trovismo Capixaba; Alvor Poético; O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe; História da Serra (3 Edições); Serra em Prosa e Versos/Poetas e Escritores da Serra; Origem Capixaba da Trova; Dicionário Regional de Gírias e Jargões e Serra Colonização de uma Cidade. Organizador, desde 1981 dos Seminários Nacionais da Trova e dos Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores. Recebeu diversos Prêmios, Diplomas e Troféus, sendo detentor de diversos Títulos, Diplomas e homenagens, como por exemplo, a Comenda Chico Prego, recebida em 30/03/2006, na Assembléia Legislativa Estadual.

Teve atuação como Ator no Filme “Queimado”, de João Carlos Christo Coutinho, sobre a Revolta dos Negros Escravos do Distrito do Queimado, na Serra, ES, ocorrida em 1849. Atuou como Ator no Filme  “Trovadores do Neotrovismo na Amazônia”, da Cineasta Russa Valentina Ivanovna Kupnova.  Produz Vídeos amadores para o You Tube onde já atingiu o número superior a Dois mil vídeos.  Em 1987 concedeu inclusive entrevista a Leda Nagle, em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro. É Ministro da Palavra, da Comunidade São Paulo, Paróquia São José Operário, desde Dezembro de 2009 e pertence a Pastoral Familiar da referida Comunidade e Paróquia. Envolvido em lutas comunitárias desde 22/04/1979, participando da fundação do Movimento Comunitário do bairro Eurico Salles, na Serra ES. Clério é registrado como Escritor na BIBLIOTECA NACIONAL. O Livro “História da Serra”, 1ª Edição, foi eleito MELHOR LIVRO de 1998, publicado em prosa no Brasil e a cerimônia oficial de premiação foi realizada em abril de 1999, conforme comunicação da Professora e Acadêmica, Maria Aparecida de Mello Calandra, IWA, Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, Mogi das Cruzes – São Paulo.

No Dia 10/02/2007, em pleno Carnaval Capixaba, Clério José Borges foi homenageado, no Sambão do Povo, em Vitória, ES, como Historiador pela Escola de Samba, Rosas de Ouro”, do Município da Serra, Espírito Santo, presidida pelo Carnavalesco, Marcos Caran. Clério desfilou como Destaque num Carro alegórico pois o enredo “SERRA 450 ANOS DE FUNDAÇÃO”, foi baseado no Livro HISTÓRIA DA SERRA, de Clério José Borges. No dia 12 de Setembro de 2009 a convite de Júlio Cesar Batista Nogueira, conhecido como Júlio Autor, participou das filmagens do Vídeo Documentário, “Nova Almeida em um Olhar”. No dia 05 de Junho de 2010, no Salão de Festas CENSI, em Itabira, Minas Gerais, Clério José Borges recebeu o título de Destaque do ano e o Troféu Carlos Drummond de Andrade. Presidiu a Federação Brasileira de Entidades Trovistas, FEBET, fundada por Eno Theodoro Wanke, com sede no Rio de Janeiro. Promoveu e ajudou na organização de Congressos de Poetas Trovadores na Ilha de Paquetá e, em Magé, no Rio de Janeiro, em São Paulo Capital, na Sociedade Unificadas Augusto Motta, em Bonsucesso no Rio de Janeiro, em Porto Velho Rondônia com Kléon Maryan e, em Salvador, no Estado da Bahia.

Elenco do Filme Documentário Queimado a Luta pela Liberdade. Na foto Frei Gregório e na foto o elenco do Filme. Zenaide de preto, Andreia da Silva Fraga, Christal Fraga Borges, Kaká Ramos, Sandra Gomes, Albércio Nunes, Kika Ramos, Moisés, Elton e uma jovem fazendeira de lenço branco. Foto do dia da Filmagem realizada no dia 20 de junho de 2021.
Elenco do Filme Documentário Queimado a Luta pela Liberdade. Na foto Frei Gregório e na foto o elenco do Filme. Zenaide de preto, Andreia da Silva Fraga, Christal Fraga Borges, Kaká Ramos, Sandra Gomes, Albércio Nunes, Kika Ramos, Moisés, Elton e uma jovem fazendeira de lenço branco. Foto do dia da Filmagem realizada no dia 20 de junho de 2021.

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