Escritor Poeta Trovador Capixaba, Clério José Borges é entrevistado pelo Escritor Marcos Arrébola. Reunidos no último dia 05 de Janeiro de 2011, Clério José Borges e Marcos Arrébola trocam idéias e resolvem iniciar no mês de Março o Projeto de incentivo aos Poetas, Trovadores, Escritores, denominado QUINTA LITERÁRIA (Título ainda em estudo) a ser realizado toda a última quinta feira do mês de Março a Novembro de 2011. Clério fala ainda sobre o seu Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões lançado dia 05 de Novembro de 2010, com o apoio da Prefeitura Municipal da Serra Conselho Municipal de Cultura Lei Chico Prego, Arcelor Mittal Tubarão e Magnesita. Clério é autor também do Livro História da Serra, sobre a colonização da Cidade da Serra no Estado do Espírito Santo, Brasil.

CAPIXABÊS – A GÍRIA E O JARGÃO DO CAPIXABA: POCAR, TARUÍRA, GASTURA, ARROIZ E OUTRAS – A FALA DO CAPIXABA – Textos de Clério José Borges, Cristiano Ferreira Fraga, Guilherme Santos Neves.

Clério José Borges Dicionário de Gírias e Jargões Gírias e Jargões Gírias e Jargões da Malandragem Português

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras.

UNESCO. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.

Bandeira do Capixaba - ES. - O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.
Bandeira do Capixaba – ES. – O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.

Variação linguística é o movimento comum e natural de uma língua, que varia principalmente por fatores históricos e culturais. É o modo pelo qual a Língua é usada, sistemática e coerentemente, de acordo com o contexto histórico, geográfico e sociocultural no qual os falantes dessa língua se manifestam verbalmente. Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações transmitidas oral ou gestualmente, recriadas coletivamente e modificadas ao longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial. E não podemos falar do ES sem falar dela, a famosa Moqueca.

Experimenta falar pra capixaba que a moqueca de qualquer outro estado é melhor que a do ES. Ela só vai se limitar a responder “moqueca é capixaba, o resto é peixada!”, o que já diz tudo, né mores? Pior do que ouvir alguém falando mal da moqueca é só aquela gastura que dá quando alguém arranha uma lousa, quando o café que vem sem doce, ou ser desafiado a ir atrás da mulher de algodão no banheiro da escola. Outro item do manual de sobrevivência do país Espírito Santo é que pão francês é pros fracos. Tem que pedir “pão de sal”, pra não confundir com o pão doce.

CAPIXABA NÃO É BANDIDO. É DO BEM. GENTE BOA…

Em 12 de maio de 2021, o Jornal A Gazeta de Vitória ES, em sua edição virtual na Internet, relata em reportagem de Murilo Cuzzuol, que ao digitar o sinônimo de Capixaba no Google, Web Site de pesquisas na INTERNET, o resultado que aparece é BANDIDO. Dias após a Denúncia do Jornal A Gazeta o termo foi mudado e já não aparecia mais Bandido e sim Espírito-santense.

O termo Capixaba sempre foi para definir o nascido em Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo e também a toda a pessoa nascida no Estado do Espírito Santo, o espírito-santense. A palavra é de origem indígena, na Língua TUPI, significando Roça, Roçado, Terra boa para a Plantação. Os índios chamavam de Capixaba aqueles que cuidavam das suas plantações de milho e mandioca. Assim a definição mais certa de Capixaba seria plantador da Roça de Milho. Com o tempo a palavra surge para definir aqueles que moravam em parte da Região da Ilha de Vitória onde no período da Colonização havia plantação de Milho e Mandioca. Capixaba uma roça de milho ou aquele que é Plantador de Milho e Mandioca.

A Associação de Capixaba ao termo Bandido, Jagunço, Grileiro vem com a colonização do antigo Território do Guaporé. Segundo o naturalista alemão Von Martius (1794-1868), a palavra “Guaporé” origina-se do tupi, sendo wa “campo” e poré “catarata”, isto é, “cachoeira do campo, rio campestre”. Como em muitos casos da geonímia, o nome Guaporé designou inicialmente o rio, passando em seguida a se referir à região. HISTÓRIA – Ricos em borracha, cassiterita e produtos como pescado, castanha-do-pará, couros e peles silvestres, os municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim foram desmembrados em 1943 dos estados do Amazonas e Mato Grosso e passaram a constituir uma nova unidade da federação, o Território Federal do Guaporé, com capital em Porto Velho, elevada a cidade em 2 de outubro de 1914. Em 1956, por decisão do Congresso Nacional o nome do território passou a ser Rondônia, em homenagem ao grande sertanista. Em 1982, ao receber o status de Unidade federativa, recebeu o nome de Rondônia em homenagem ao Marechal Rondon, explorador da região. O governo do novo estado, o 23º da federação brasileira, instalou-se em 4 de janeiro de 1982, com a posse do coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que já governava o território desde 15 de março de 1979, e sua vice-governadora, a Janilene Vasconcelos de Melo. No estado, mais de 40% dos habitantes não são naturais da unidade federativa. A maior parte dos migrantes que vivem no estado são oriundos das regiões Sudeste e Sul do Brasil, de modo especial do estado do Espírito Santo, os Capixabas. Tais Capixabas que migravam para Rondônia se envolviam em conflitos de terras, como grileiros de terras e pistoleiros, não sendo bem vistos. Quando aparecia um Capixaba logo os residentes na Região de Rondônia, deturpadamente, chamavam os Capixabas, em Rondônia, de Jagunços, Grileiros e até mesmo de Bandidos.

O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.
O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.

Capixaba não come ARROZ. Come Arroiz. Em qualquer lugar do brasil a bola estoura; para o capixaba ela “poca”.
para o capixaba as coisas não estragam, “daum tilt”.
capixaba não vai embora, “poca fora”.
capixaba adora falar “ninguém merece” pra tudo.
capixaba não rouba, “cata”.
capixaba não desembarca do ônibus, ele “salta”.
capixaba não tem medo de lagartixa, mas sim de “tatuíra”.
capixaba não beija mulher, “pega (ou ‘panha)”.
capixaba não se espanta, fala “ia”.
capixaba não pega ônibus, pega “transcol”.
capixaba não se estressa, fica “injuriado”.
capixaba não sente agonia, ele “sente gastura”.
capixaba não diz como vai, diz “qualé”.
capixaba não liga o pisca, “dar seta”.
capixaba não para no semáforo, para “no sinal”.
capixaba não fala não, fala “é ruim, hein!”.
capixaba não come pão francês, come “pão de sal”.
capixaba inicia as frases com “deixa falar…”.
capixaba não chupa tangerina, chupa “mixirica”.
capixaba não acha alguns alimentos sem açúcar, acha “sem doce”.
capixaba não lava com esponja, lava com “bucha”.
capixaba não acha legal, acha “massa”.
capixaba não sai a noite, ele vai “pros rock”.
capixaba não acha sem graça, ele acha “palha”
capixaba não faz o retorno com o carro, faz “baliza.

Capixaba não fala “Nada”, fala “ NENHUMA”
Em outros estados se fala ECA, o capixaba fala “TOXO”
Com o Capixaba não tá tudo bem, está “BELEZA PURA”
Capixaba não é desastrado, Capixaba é “ZARRO”
Capixaba não gasta reais, gasta “MERRÉIS”
Capixaba não vai EMBORA, capixaba “POCA FORA”.
Capixaba quando se assusta não fala Credo ou Ave Maria, ele fala “DISCUNJURO”
Tudo que é GRANDE, é também “CHAPOCA”, “BITELA” ou “CEPA”.
Não existe
ou **** no Espírito Santo, existe “PACA”
Capixaba não tem grupo de amigos ou turma, ele tem uma “RAÇA PORCA” de amigos.
Capixaba não é Pão Duro, ele é “USURA”
Capixaba não mata a largatixa, ele mata a “TARUÍRA”
Capixaba não ROUBA, capixaba “CATA”
Capixaba não DESEMBARCA DO ÔNIBUS, ele “SALTA”.
Capixaba não VAI AO CENTRO, vai a “CIDADE”.
Capixaba não BEIJA MULHER, “PEGA (ou PANHA)”.
Capixaba não SE ESPANTA, fala “IÁ IÁ IÁ!”.
Capixaba não chama a POLÍCIA, chama “USZOMI”.
Capixaba não PEGA ÔNIBUS, pega “BUZÚ” ou “BUZÃO”.
Capixaba não se ESTRESSA, fica “INJURIADO”.
Capixaba não SENTE AGONIA, capixaba “SENTE GASTURA”.
Capixaba não diz COMO VAI diz “QUALÉ”.
Capixaba não liga o PISCA, “DA SETA”.
Capixaba não para no semáforo, paro “NO SINAL”.
Pro capixaba, as coisas não estragam, “DA TILT”.
Capixaba não fala NÃO, fala “É RUIM HEIN!”, “É RÓDIS” ou “É RÓDIA MARIOLA, BACON ACEROLA GOIABADA E MEL!”.
Capixaba não come pão FRANCÊS, come “PÃO DI SAL”.
Capixaba não conta alguma coisa, ele diz “HEIN, DEIXA EU FALÁ…”.
Capixaba não acha alguns alimentos sem AÇÚCAR, acha “SEM DOCE”.
Capixaba não LAVA COM ESPONJA, lava com “BUCHA”.
Capixaba não acha LEGAL, acha “MASSA” ou “DOIDO”
Capixaba não faz Doideiras, ele faz “DOIDERADAS”
Capixaba não compra LEITE nem TOMATE, compra “LEITI I TUMATE”.
Capixaba não fala UM, DOIS, TRÊS E JÁ, fala “UM, DO, LÁ, SI, JÁ”.
Capixaba não fala que não gostou de algo, ele fala “TOXO”
Capixaba não vai sair a noite, ele vai “PRU ROCK” mesmo se for Techno,Axé,Reggae, Pagode, Funk….
Capixaba não acha sem graça, ele acha “PALHA”..
Capixaba não MERGULHA no mar, piscina, etc,… capixaba CAÍ! E caí “xapocando”!(hahaha)
Capixaba não come TANGERINA, capixaba CHUPA MEXIRICA!
Capixaba não DERRAMA o leite, capixaba ENTORNA!
A mais recente Capixaba não iria DUPLICAR a rodovia, iria “INLARGUECER”.
Capixaba não acha você um *****, acha você uma “BOZERA”

Escritor Poeta Trovador Capixaba, Clério José Borges é entrevistado pelo Escritor Marcos Arrébola. Reunidos no último dia 05 de Janeiro de 2011, Clério José Borges e Marcos Arrébola trocam idéias e resolvem iniciar no mês de Março o Projeto de incentivo aos Poetas, Trovadores, Escritores, denominado QUINTA LITERÁRIA (Título ainda em estudo) a ser realizado toda a última quinta feira do mês de Março a Novembro de 2011. Clério fala ainda sobre o seu Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões lançado dia 05 de Novembro de 2010, com o apoio da Prefeitura Municipal da Serra Conselho Municipal de Cultura Lei Chico Prego, Arcelor Mittal Tubarão e Magnesita. Clério é autor também do Livro História da Serra, sobre a colonização da Cidade da Serra no Estado do Espírito Santo, Brasil.
O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.
O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.

Pocar: o mesmo que “estourar”. Também pode ser usado como uma expressão para sucesso.
Chapoca: algo muito grande.
Taruíra: lagartixa.
Gastura: termo usado em vários sentidos, como medo, ansiedade e insatisfação.
Palha: alguma coisa ruim, sem graça ou desinteressante.
Bicho: expressão usada para finalizar qualquer frase, até mesmo se a pessoa estiver sozinha.
Iá: usado como expressão de espanto, ou para qualquer outra coisa, boa ou ruim. Assim como o mineiro fala “uai”, o capixaba fala “iá”.
Saltar do ônibus: o mesmo que descer do ônibus.
Ligar o pisca: dar seta.
Catar, panhar: o mesmo que pegar.
Ir para o rock: sair para uma festa, balada, ou o que for, independente se o ritmo for rock, ou se nem mesmo tiver música no local.
Ir na “cidade”: significa ir ao centro de Vitória.


Os Capixabas da ACLAPTCTC com o seu linguajar especial: Os Capixabas, Clério José Borges, Zenaide Emília Thomes Borges, Beth Vargas, Christal Fraga Borges, Roberto Vasco, Magnólia Pedrina Sylvestre; a mineira Cleusa Madureira, (residente em Itaparica, Vila Velha) e o Nordestino Aldo Veranatto (Lenaldo Ferreira da Silva, residente em Guarapari)
Os Capixabas da ACLAPTCTC com o seu linguajar especial: Os Capixabas, Clério José Borges, Zenaide Emília Thomes Borges, Beth Vargas, Christal Fraga Borges, Roberto Vasco, Magnólia Pedrina Sylvestre; a mineira Cleusa Madureira, (residente em Itaparica, Vila Velha) e o Nordestino Aldo Veranatto (Lenaldo Ferreira da Silva, residente em Guarapari)

Pocar, gastura, Taruíra e Chapoca são expressões do Capixaba. É o Capixabês.

“Iá” – usado quando a pessoa se surpreende

“Tchô” – usado quando está indiferente

“Zarreza” – pessoa que faz bobagem, desajeitada

“Gastura” – incômodo

“Pocar”– estourar

“Toxo” – negativa, repulsa, repugnação a algo – Há moradores antigos que dizem que a expressão surgiu quando um certo morador,envolveu-se em situação vexatória ao ser preso com certa quantidade de TÓXICO (palavra até então desconhecida da população).

Na época era coisa rara e nem considerado tão marginalizador. De tóxico para toxo, foi um pulo. Comentava-se que o tal fulano foi preso por causa de toxo.Caiu na graça do povo, para tudo que não compreendia e aceitava e usava o toxo.

Fonte> Historiador José Amaral Fernandes Filho / Moradores da cidade

Piúma

“oh raio” = caramba, usado quando assustado com alguma coisa que surpreende.

“Adúido” = o mesmo que “está doido”, está maluco;

“Pocou” = se deu bem. Exemplo: João “pocou” no jogo de bicho

“passou raspando” = passou longe

“Passou perto” = Passou longe

“oh muito” = pouco

“oh pouco” = muito

“oh longe” = perto

“oh perto” = longe

“até o pé” = fazendo sexo

“cavalada zarra” = rapaziada desajeitada;

“oh péle” = caramba

“museu” = mulher feia e/ou velha

“o cheio que hoje vai dá quadra” = não será um bom dia para conquistar uma mulher, ficará sozinho;

“zarra” ou “zarro” = desajeitado(a)

“Pessoa safa” = pessoa cheia de jogo cintura, desenrolado, pessoa que se vira bem com as coisas.

“como vai a maré?” = como vai a vida, ou as coisas da vida

“coisa di linda” = coisa linda

“safá maré” = se dar bem

“bacanagem” = feio

“adinho de você” = usado para dizer que a pessoa vai se dar mal. Exemplo: se mexer comigo, “adinho de você”.

“Capa” = usado para designar a roupa no seguinte contexto: um amigo diz para o outro antes de ir para a festa: que capa zarra é essa? em outras palavras: que roupa esquisita é essa.

“passou raspando” = também pode ser usado como “errou muito”. Exemplo: Quanto a minha idade, passou raspando. Nesse caso a pessoa teria errado bastante, passado longe da idade da pessoa.

Falas capixabas
Cristiano Ferreira Fraga

Às listas de expressões e provérbios capixabas que já temos publicado, aditamos agora estes. Da paremiologia, mais alguns exemplos:

• Lugar grande, mora nele; lugar pequeno, passar por ele: este ditado ouvimos em Alfredo Chaves ao cidadão Chico Pinto, verdadeiro andarilho, sempre de branco, e que furando tresléguas a pé, varava todo o Espírito Santo.

• Quem morre de bexiga não fica com sinal: dito pelo oficial de justiça Lincoln, em Mimoso do Sul. Querendo expressar, entre outras coisas, que a morte tudo esconde ou acerta.

• Quem sabe do tempero da panela é a colher: ouvido em Vitória, e significando que ninguém saberá melhor sobre um indivíduo do que algum de sua maior intimidade ou convivência. Equivalendo também aquele outro anexim “Eu é que sei onde o sapato me aperta”.

• Se está com pressa, calce as botas: do município de Anchieta, aos afobados hesitantes, para que logo se ponham a caminho ou façam o que têm de fazer sem importunar aos outros.

• Não é com estes ganchos que você vem pro meu rancho: como quem dissesse: “você não se enxerga?” Referido por Adolfo Cassoli, antigo negociante na estação de Matilde (EFL)

E alguns termos não registrados em nenhum dicionário:

Baldeiro: adj. sinônimo de finório, tratante. Derivado de “balda”. Comum em todo o interior espírito-santense.

Bicuecas: s. f. o mesmo que perebas, e às vezes também, pequenos achaques. Ha muitos anos o ouvimos em Bom Jesus do Norte.

Burdigão: s. m. corruptela de berbigão, molusco acéfalo comestível, freqüente em todos os mares. Leia-se no romance da escritora espírito-santense Margarida Pimentel, Apenas um homem (1965, p.76): “Júlia com a turma dela, foi apanhar burdigão, lá embaixo, na faixa de areia, que a maré vazia deixava descoberta”.

Cara: s. f. entre o povo, só se emprega referindo-se a animais. Senão replicam logo: cara é de cavalo, gente tem é rosto.

Cobertado, adj. e cobertar, v. t.: rel. e também pronominal. A um hóspede, por exemplo, perguntam se está bem cobertado. Porque coberto e cobrir são termos só usados em pecuária. Várias vezes os deparamos em São Marcos, do município de Alfredo Chaves.

Conzinhar, conzinheira, em vez de cozinhar, cozinheira. Estas expressões correntes em Vitória, entre empregadas de serviço doméstico, pertencem à série dos ingênuos eufemismos populares. Assim como, na roça, se costuma dizer politana em vez de égua, fraco em vez de tísico…

Corumba: termo ainda vigente em Anchieta, nas expressões “café de corumba”, ou “peixe de corumba”, isto é, demorados. Segundo os dicionaristas, esta palavra no Nordeste significa “sertanejo retirante” e “pau de arara”. Lembre-se Os corumbas, título de um romance de Armando Fontes.

Estampa: s. f. apresentação boa ou má do animal de sela. Certa vez, em Iconha, o professor João Ribas da Costa quis elogiar um “coronel” presente, dizendo-lhe que tinha boa estampa. O homem arrepiou-se insultado, bradando que “estampa é de cavalo”.

Gafo: adj. o mesmo que raso, ansioso: “Tô gafo pra acabar com isso e batê pro rancho”.

Muma: s. f. comum em nossos lugares praianos. É a moqueca de siris novos, pequenos, aparados nas pontas das pernas e partidos transversalmente ao meio. Do caldo prepara-se o pirão, que deve conter ainda pedaços do crustáceo.

Pomongado: adj. sinônimo de lambuzado. Ouvido ainda no município de Anchieta.

Ponga: s. f. o mesmo que carona, passagem filada, ou oferecida pelo dono do carro. Acrescido do verbo pongar, que signfica também tomar um veículo em movimento. Velhos conhecidos ainda em todo o Espírito Santo.

Sati: s. m. qualquer cacoou fragmento dos mais pequeninos, quase invisíveis de um objeto de vidro quebrado. Certa ocasiao, em Anchieta, uma senhora, mostrando-nos a mão do filho pequeno: “O senhor nem vê o que ele tem na palma da mão, mas incomoda muito: é um sati, espetado de uma garrafa quebrada”.

Viração: s. m. em Anchieta é chamado também “umbigo de tainha”, e dele fazem um prato popular apreciado. Na verdade, é a porção terminal do grosso intestino. Afinal, é moqueca de bucho de peixe. Também é preparado como o polvo. Em tal acepção, a palavra virote não consta de nenhum dicionário.

Vasto é o vocabulário popular capixaba, e outrora tanto mais rico quanto mais nos aprofundávamos por localidades interioranas. Mas com a multiplicação e rapidez das comunicações e a disseminação de aparelhos de rádio, muitas expressões populares regionais se arcaízam, substituídas por outras de maior domínio.

(Fraga, Cristiano Ferreira. “Falares capixabas”. Folclore, Vitória, ano 17, nº 82, janeiro-dezembro de 1966)

Termos e expressões populares
Guilherme Santos Neves

Embora pareça estranho, a verdade é que muita semelhança existe entre o modo de falar criolo, gaúcho e capixaba. Vocábulos, expressões, ditos e frases feitas são correntes aqui, e lá nos longínquos pampas.

Tal o que facilmente se poderá comprovar folheando, por exemplo, o Vocabulário y refranero criollo, de Tito Saubidet (Buenos Aires, 1943) e o Vocabulário gaúcho, de Roque Callage (Porto Alegre, 1928).

Nossa velha expressão “matar o bicho” lá está registrada à página 40 do Vocabulário criollo: “matar al bicho — beber alcool, tomar la copa”. Mata-bicho é, segundo o Vocabulário gaúcho (p.87), “a cachaça é servida em copo; trago, cana, caninha; quando o campeiro pede um mata-bicho já se sabe o que é: um cálice de aguardente”. Tal como aqui.

Para o mesmo ato de beber ou “matar o bicho”, aqui se usa a expressão “molhar a goela ou a garganta” — idêntica a “mojar el garguero” do falar criolo (p.246)

“Êse es otro cantar” — frase feita conhecida entre nós, com o sentido de “isto é outra coisa!”, também é comum nos pampas argentinos (p.150), com a mesma significação: “es una cosa muy diferente”.

“Arranca-rabo” diz-se, por aqui, do frege, do fuzuê, do rolo bravo, da discussão desbocada e violenta. No Sul é, da mesma forma, o bate-boca, a discussão acalorada (Vocabulário gaúcho, p.18).

Às crianças e à gente rude do Espírito Santo, temos ouvido a forma: “gomitar”, em vez de vomitar, lançar. Também assim se estropia o vocábulo na Argentina, segundo consta do Vocabulário criollo, página180.

Xereta é a pessoa metidiça, intrometida, que “mete o bedelho onde não é chamada”; tal qual lá no sul (Vocabulário gaúcho, p.40).

Ao garoto pequeno, chama-se, entre nós, “guri”, no Rio Grande do Sul, guri é a criança, o menino piazinho (Vocabulário gaúcho, p.72). Também na Argentina, “guri” é “muchachito chico, gurisito, nene” (Vocabulário criollo, p.186).

Cutuba é velho termo nosso que, parece, vai desaparecendo do uso vivo da língua. Significa: bom, gostoso, apetitoso. Lá no sul, cutuba ou cotuba quer dizer: forte, temível, respeitado e “o mesmo que pessoa generosa, boa” (Vocabulário gaúcho, p.49).

Velha expressão de nossa gente proverbialmente hospitaleira e prestativa é “dar uma mãozinha”. “Dê uma mãozinha aqui, moço!”, isto é, ajude um pouco aqui. Também no falar crioulo se usa a mesma expressão: “dar una mano”, ou “una manito” (Vocabulário criollo, p.232).

Estar perrengue é, cá entre nós, estar doente, alquebrado, moído. No Rio Grande do Sul, perrengue significa ordinário, ruim, e se aplica ao cavalo que não presta para o serviço (Vocabulário gaúcho, p.103).

Quando, cá em terras capixabas, se quer dizer que um lugar está muito escuro, usa-se a comparação “escuro como breu” ou “escuro como boca de lobo”. Esta última expressão é corrente na fala crioula e com o mesmo sentido “escuro como boca de lobo” (Vocabulário criollo, p.266)

Taludo, diz-se aqui, do sujeito grande, crescido na idade ou no tamanho. Também no Vocabulário gaúcho está registrada a palavra, com semelhante significação (p.125).

Olhar com o rabo de olho é olhar alguém disfarçadamente, de lado, de viés, obliquamente, como a Capitu do Machado de Assis. Tal expressão é, igualmente, conhecida na Argentina: “rabo de ojo — mirar de rabo de ojo. Forma de mirar dissimuladamente, al sesgo, de costado” (Vocabulário criollo, p.321).

As nossas juras — quer dos garotos, quer dos adultos — são, muitas vezes, idênticas a fórmulas criadas: “Lo juro por esta luz que nos alumbra!” “Por esta cruz!” “Por el sol que nos alumbra!” (Vocabulário criollo, p.387).

Outra expressão corriqueira em terras capixabas é aquela que diz “no fritar dos ovos é que eu quero ver!” — isto é, no momento exato, no instante preciso, na hora H. A frase-feita é usual na Argentina. Lá está ela no Vocabulário criollo, página 12, “A freir los huevos veremos”.

Negro retinto — diz-se do preto, bem preto entre nós. Ora, retinto na fala crioula, é “color muy oscuro” (Vocabulário criollo, p.342).

De um indivíduo que não se submete “nem a gancho”, teimoso, incapaz de se dar por vencido, diz-se que quebra mas não se dobra. Tal qual no linguajar crioulo: “Se quebra pero no se dobla” (Vocabulário criollo, p.368).

Tirar uma tora é frase-feita com o sentido de tirar uma soneca, dormitar um pouco, durante o dia, cochilar. Não tem outro sentido a expressão lá nos pampas. (Vocabulário gaúcho, p.130).

Do sujeito zangado com alguém, fulo da vida, tiririca, furioso com alguém — costuma-se dizer que está picado. Estar picado é maneira de falar crioula, com a significação de estar ofendido e “picarse” é dar-se por ofendido (Vocabulário criollo, p.155).

Quem há por aí que ignore a velha expressão “pagar o pato”? Poi o mesmo “pagar el pato” diz-se na argentina, com o sentido de “cargar con responsabilidades ajenas” (Vocabulário criollo, p.269).

O confronto poderia prosseguir, infindável, pois o material é bem copioso. Basta, porém, o que acima, de ligeiro, desfilamos, para se perceber a identidade ou semelhança de palavras, ditos e fórmulas frisantemente comuns na fala crioula, na fala gaúcha e na fala da nossa gente capixaba.

(Neves, Guilherme Santos. “Termos e expressões populares”. Gazeta. Vitória, 27 de agosto de 1952)

O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.
O Escritor Clério José Borges é autor do Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões, fruto de uma pesquisa de 35 anos como Escrivão da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo.
Dicionário Regional de Gírias e Jargões publicado com apoio da Lei Chico Prego de Cultura Serra ES. Na reunião do Conselho Municipal de Cultura da Serra realizada no último dia 14 de Fevereiro de 2010, o Escritor Clério José Borges entrega um exemplar do seu livro para os Conselheiros de Cultura do Município da Serra ES e lê alguns itens do Livro como Assaltante, explicando como fala o assaltante Capixaba, o Carioca, o Baiano, o Mineiro, o Paulista e o Gaúcho e sua definição da Gíria, Trepada. Vídeo feito com a colaboração do Conselheiro de Cultura, Levi Basílio. Venda do Livro na Locadora e Sorveteria Paradiso, na Galeria Porto Seguro, Avenida Central, 901, atrás da Loja Biss de Parque Residencial Laranjeiras, Serra ES. Valor de venda do Livro R$ 20,00. Tel.: 0 xx 27 3328 0753 Falar com Clério José Borges. E-mail: clerioborges@hotmail.com

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