Mapa da Fazenda de Legumes dos Jesuítas de Carapina

CARAPINA – DISTRITO DA SERRA NO ESPÍRITO SANTO – Padre Manoel de Paiva – José de Anchieta – Capela de São João Batista.

Bairros da Serra Cidades Colonização Espírito Santo História da Serra História do Brasil
Mapa de Carapina. A Grande Fazenda dos Jesuítas de Carapina. Era de Plantação de Legumes.
Mapa de Carapina. A Grande Fazenda dos Jesuítas de Carapina. Era de Plantação de Legumes.
Luiz Barbeiro de Carapina com Clério José Borges
Padres Jesuítas ensinando aos meninos
Padres Jesuítas ensinando aos meninos
FUNDAÇÃO DE CARAPINA
CARAPINA, SERRA, ES

Pesquisa do Escritor Clério José Borges.
Permitimos a livre reprodução do conteúdo
e agradecemos a citação da fonte.
Escritor Clério José Borges realiza visita técnica na Capela de São João de Carapina.
Escritor Clério José Borges realiza visita técnica na Capela de São João de Carapina.
Max Mauro, Clério José Borges, Ronaldo Braga Ribeiro na festa de lançamento do Livro História da Serra que conta a história da fundação de Carapina….

Carapina é um Distrito do Município da Serra, no Estado do Espírito Santo, Brasil. Foi fundado a 24 de junho de 1562, pelo Padre Jesuíta Braz Lourenço e pelo Índio Araribóia, o Cobra das Tempestades, (Filho do Fundador da Serra, Maracajaguaçú, o Gato Grande), chefe dos Índios Temiminós. Araribóia (na escrita antiga era Ararigbóia) anos depois iria para o Rio de Janeiro onde fundaria Niterói. Foi em Carapina que o Beato Padre José de Anchieta fez um dos seus primeiros milagres na Igreja de São João Batista (Foto)

O nome Carapina é uma homenagem ao Padre Jesuíta, Manoel de Paiva e significa Carpinteiro (Aqui: Origem do nome).

Atualmente, muitas indústrias de grande porte estão instaladas no Distrito, no CIVIT.
A Aldeia de São João, localizada na atual região denominada Carapina, foi uma das primeiras do Espírito Santo.
Araribóia foi o Principal da Aldeia de São João.
Foi construída em 1562, sob a orientação do então Provincial Braz Lourenço.
Carapina, na Serra, foi fundada a 24 de junho de 1562, pelo Padre Jesuíta Braz Lourenço e pelo Índio Temiminós, Araribóia, o Cobra das Tempestades, filho do Chefe Indígena Maracajaguaçu, (Gato Bravo Grande) que com o Padre Braz Lourenço fundou a Aldeia Indígena que deu origem a atual cidade da Serra.
Registros históricos informam, “parte daqueles Temiminós vindos do Rio de Janeiro foram entrando pela terra adentro, misturando-se aos Tupiniquins. Pelo ano de 1562, o Capitão Belchior de Azevedo fez que se mudassem para um sítio após o rio.”
Os Temiminós em 1556, estavam alojados perto do Mestre Álvaro.
Atendendo ao pedido do Capitão Belchior, que estava no comando da Capitania na ausência de Vasco Coutinho, Maracajaguaçu fica na Aldeia de Nossa Senhora da Conceição e Araribóia constrói a sua Aldeia mais próxima da sede e do rio Santa Maria, na região de Carapina.
Na Aldeia é construída uma capela em homenagem a São João Batista e o local fica conhecido como Aldeia de São João.

Em 1584, conforme relato do Padre Escritor Cristóvão Gouveia, a Igreja de São João será construída numa colina, com inauguração solene a 24 de junho. Próximo é instalada a Aldeia Indígena, com os parentes de Araribóia e a Vila dos colonizadores, no local onde se encontra a atual Carapina.




FUNDAÇÃO DE CARAPINA


Carapina é uma palavra de origem Tupi e significa Carpinteiro, segundo o Dicionário Tupi, de Gonçalves Dias.
O nome Carapina surge por causa do padre Manoel de Paiva, terceiro Provincial do Espírito Santo, que era Carpinteiro e usava uma madeira que os índios chamavam de Carapa e que existia na região. Na Internet encontramos uma definição depreciativa e de menosprezo. Lá consta: “Como nota de auxílio a Wikipédia, informo que a palavra carapina também significa carpinteiro ruim, ou medíocre, o que deu o nome de Carapina ao bairro de Serra, ES. Wikipédia”
Carapina é um distrito do município da Serra, no Espírito Santo. O distrito possui cerca de 192 000 habitantes e está situado na região sul do município. No Dicionário da Língua Tupi, editado em 1858, Gonçalves Dias registra o vocábulo: “Carapina – carpinteiro.” Carapina seria também uma árvore, também conhecida como andiroba. Trata-se de uma árvore que alcança até trinta metros de altura, sua madeira resistente era empregada para mastreação de barcos, marcenaria, carpintaria, enquanto sua grossa casca e as grandes folhas tinham uso em cozimento, como sucedâneas da quinina no combate à febre tremedeira e serviam ainda para o curtume. O óleo retirado das amêndoas reunidas em pequenos cachos substituía o da mamona na iluminação das candeias. Era, também, usado pelos indígenas, em mistura com o corante vermelho originado da planta grajuru-piranga que esfregavam no corpo como proteção contra a picada dos insetos. O escritor Basílio Carvalho Daemon contou que o segundo donatário da Capitania do Espírito Santo, ao conceber sesmarias a Miguel Pinto Pimentel tornou-o, em 1614, possuidor da extensa gleba compreendida no distrito de Carapina. Pimentel tratou de aproveitar as árvores para demarcar nelas seu terreno. Ali fundou um próspero engenho de açúcar e faleceu em 1644 doando seus bens aos Jesuítas que requereram nova remarcação da área, “visto estarem se apagando os marcos feitos nas árvores”. Foram assentados então, marcos de pedras. Em 1828, Inácio Acioli de Vasconcelos, nosso primeiro presidente da Província, relatou na Memória Estatística, que Carapina, distrito de Vitória, possuía uma área em terreno baldio de dez léguas de extensão e uma largura de que se serviam os moradores contíguos para criação.
Braz Lourenço após definir com Araribóia a localização da Aldeia e ali fundar uma capela em homenagem a São João, inaugurada a 24 de Junho, designa o padre Fabiano de Lucena, que era responsável também pela Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, para realizar ali o trabalho de evangelização.
Em 1564, Braz Lourenço é substituído por Manoel de Paiva e em 1565, Fabiano de Lucena vai para a Bahia.
Também em 1564, Araribóia, atendendo a convite de Mem de Sá, Governador Geral do Brasil, e de seu sobrinho Estácio de Sá, segue com centenas de Índios flecheiros do Espírito Santo para o Rio de Janeiro. No Rio se tornará um herói e lá acaba fixando residência até ser homenageado com uma Sesmaria de Terras.
Araribóia além de herói afamado e respeitado em terras cariocas, acaba fundando a cidade de Niterói, que por muitos anos foi depois capital do Rio de Janeiro.
No comando da Aldeia de São João fica Maracajaguaçu, que se mudara da Aldeia da Conceição, após o surgimento da epidemia de Varíola na Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, da Serra.
Manoel de Paiva cuida da Aldeia durante o ano de 1564 e depois designa o padre Pedro da Costa para ser o responsável pela Aldeia.
Em carta de abril de 1565, consta que padre Pedro da Costa já está promovendo assistência religiosa na Aldeia de São João.
Em 1571 os colonizadores Portugueses residentes na atual região de Carapina entram em atrito com os Índios, que resolvem abandonar a Aldeia.
Segundo os historiadores, os índios que ficam chegam a 80, e só no início de 1573 os padres conseguem que os demais Índios voltem à Aldeia.



NOVA LOCALIZAÇÃO


Em 1584, o padre Cristóvão de Gouveia encontra a Aldeia e a Capela arruinada, fazendo com que os poucos Índios remanescentes, “se mudassem para outra parte.”
Segundo o professor de História, Clério de Brito, residente em Eurico Salles e esposo da advogada Leandra Aguiar de Brito, o professor Celso Perota, da Universidade Federal do Espírito Santo, teria identificado uma região Perto do Rio Santa Maria e o Mestre Álvaro, um Cemitério de Índios e que seria próximo ao local da primeira Aldeia Indígena de Carapina.
A Aldeia muda-se das proximidades do rio Santa Maria para uma colina em local de que se pudessem avistar o Convento da Penha, em Vila Velha e a Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida. As obras da Igreja dos Reis Magos haviam terminado em 1580. O Convento da Penha foi fundado em 1570 e está num Morro com a altitude de 154 metros.
A Aldeia passa então para a sua nova localização, na região onde nos dias atuais, situa-se a Igreja de São João, o Cemitério e Carapina Velha.
A Igreja da Aldeia de São João passa a ser ponto de descanso dos que vinham de Vitória pelo rio Santa Maria, com destino a Nova Almeida.
A excelente localização da Igreja permitirá que os padres, através de mensagens do alto da torre, se comuniquem com os padres do Convento da Penha, da Igreja de São João e da Igreja de Nova Almeida. Para tais mensagens eram usada bandeiras de cores diferentes, permitindo que os padres soubessem de imediato a chegada de alguma autoridade ou alguma morte.
José de Anchieta, em 1585, informa que São João é uma Aldeia de visita, vindo os padres da própria Aldeia da Conceição, distante meia légua.
Pelos documentos de Anchieta, entre as Aldeias de São João e Nossa Senhora da Conceição existe uma distância de meia légua, o que nos leva as atuais localizações de Carapina e Serra sede.
Hélio Abranches Viotti, no livro “Anchieta, o Apóstolo do Brasil na Capitania do Espírito Santo”, Edições Loyola, São Paulo, editado em 1966, página 214, relata:
“Em 1578, duas eram as Aldeias, de que se ocupavam os Jesuítas na Capitania, nelas tendo residência fixa: Nossa Senhora da Conceição e São João, às margens do rio Santa Maria, meia légua uma da outra e distantes três ou quatro léguas da Capital.”
A légua, segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, da Editora Nova Fronteira, publicado em 1986, é uma antiga unidade brasileira de medida equivalente a 3 mil braças, ou seja, seis mil e seiscentos metros.



RUÍNAS DE CARAPINA


A Princesa Teresa Carlota do reino da Baviera, Alemanha, visitou a Província do Espírito Santo no período de 25 de agosto a 12 de setembro de 1888.
No dia 8 de setembro, enquanto esperava um Navio Vapor que vinha do Norte e ia para o Rio de Janeiro, no qual pretendia embarcar, a Princesa aproveitou a tarde para realizar um passeio a cavalo, visitando Carapina.
Eis o relato constante do livro “Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo”, de Levy Rocha, página 151:
“A infatigável excursionista aproveitou a tarde e fez um passeio a cavalo, de quatro horas, até as ruínas de Carapina, vendo alicerces, pilares e paredes derrocadas do que fôra, outorga, uma grande Fazenda dos Jesuítas, com casa-grande, Senzalas, Engenhos e uma Igreja construída em 1746, onde se devotava linda imagem de Nossa Senhora da Ajuda. Na região alagada, ela ouviu cigarras, num canto que parecia apito de locomotiva, ao longe. Em Carapina, gravou a maravilhosa vista que se descortinava aos seus olhos.”
Analisado tal relato percebe-se que a Fazenda mencionada não é a de Carapina e sim a de Araçatiba, em Viana, onde a Igreja é da devoção de Nossa Senhora da Ajuda.
Segundo ainda Serafim Leite, a Igreja de São João de Carapina teve a sua construção terminada em 1586 e ficava a meia légua da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra.
Em 1584 foi construída uma nave na Igreja de São João.
Nave é o espaço na Igreja desde a entrada até o santuário, ou o espaço que fica entre fileiras de colunas que sustentam a abóbada, que é uma cobertura encurvada de alvenaria que forma o teto de uma Igreja.
A nave foi construída dois anos antes da construção total da Igreja que ocorreu em 1586.
Em 1746 houve uma reconstrução da Igreja e 124 anos depois, em 1870, há registros de uma nova restauração, na Igreja de São João Batista de Carapina.
A Igreja, conforme relato dos Padres cronistas da época, era também o ponto de pousada dos viajantes que vinham de Vitória e iam para a Igreja dos Reis Magos ou para o Norte do Espírito Santo e mesmo Sul da Bahia, de modo especial a região de Porto Seguro.



RESTAURAÇÃO DA IGREJA TEVE PARTICIPAÇÃO DE CLÉRIO JOSÉ BORGES


A Igreja de São João Batista é uma das construções jesuíticas capixabas, presentes desde o início da colonização portuguesa e católica no Espírito Santo, sendo construída no século XVI, em 1584, pois em 1562 havia sido construída apenas uma capela na Aldeia que ficava em outro local. Serafim Leite informa que a Igreja teve a sua construção terminada em 1586.
Em 1746 houve uma reconstrução da Igreja São João Batista de Carapina e, 124 anos depois, em 1870, há registros de uma nova restauração. No lado esquerdo da torre da Igreja, é visível a data 1870. A restauração mais recente ocorre em 1995, através de gestões iniciadas por uma Comissão do Conselho Estadual de Cultura presidida pelo então Conselheiro Titular da Área de Literatura, Clério José Borges, cuja primeira reunião foi realizada no dia 18 de outubro de 1989. Um ano depois a Comissão já estava com o Projeto Arquitetônico de Restauração pronto, elaborado pelo Engenheiro do Departamento Estadual de Cultura do Espírito Santo, Valdir Castiglioni, mas não havia verbas. A Comissão era presidida por Clério José Borges e contou com a participação de membros das Comunidades, Vereadores e inclusive um representante da Companhia Siderúrgica de Tubarão.
Várias reuniões foram realizadas na sede do CEC em Vitória e, em Carapina e Serra sede. Integravam a Comissão, entre outras, as seguintes pessoas: Valdir Castiglioni, representante do DEC – Departamento Estadual de Cultura; Clério José Borges, representando o CEC – Conselho Estadual de Cultura; Brice Bragatto e Márcia Lamas, representantes da Câmara Municipal da Serra. Delson Pereira Aguiar, falecido a 12/10/2008, Paula Bastos e Antônio Sobrinho, representantes das Comunidades.
No dia 16 de fevereiro de 1990, no horário de 15h30m reunia-se a Comissão sob a presidência do Conselheiro Clério José Borges de Sant’Anna visando a restauração da Igreja São João Batista de Carapina. A reunião foi realizada na Sala do Conselho Estadual de Cultura em Vitória, no Edifício Vitória Park, 1º Andar, no Centro de Vitória. Presentes conforme Ata da reunião: Valdir Castiglione; Antonino do Carmo Filho; Paula Alves; Jardel Borges Ferreira; Delson Pereira; Rosalda de Oliveira Cardoso; Márcia Lamas, vereadora da Serra; Raimundo Camacho Lobão; Maria Angela Rodrigues; Antonio Rodrigues Sobrinho e o Vereador da Serra, Nildo Engenhardt. Outra reunião foi marcada para o dia 23/03/90, 6ª feira, às 14 horas, no Colégio Américo Guimarães Costa, situado a Rua Constante Neri, ao lado do Campo do Brasil, em Carapina.
Em 1995, graças aos esforços da Vereadora Lourência Riani, nova restauração foi realizada. Junto com a Associação de Moradores, a comunidade local e a firma Andrade Gutierrez, (que realizava obras na região, construindo o Porto Seco, o TIMS – Terminal Industrial Multimodal da Serra, com área de 1 milhão de metros quadrados), a Igreja foi restaurada. Com o apoio e orientação do Departamento Estadual de Cultura, DEC e do Conselho Estadual de Cultura, CEC, preservou-se assim um Patrimônio Cultural secular da Serra.



ORIGEM DO NOME CARAPINA


O Padre Carapina visitava sempre os Índios
O nome Carapina está associado ao padre Jesuíta Manoel de Paiva, terceiro Superior dos Jesuítas no Espírito Santo e que era carpinteiro.
Manoel de Paiva quando em visita à Aldeia de São João, realizava ali serviços de carpintaria, atendendo também pedidos dos moradores locais. Aos jovens, principalmente meninos, ensinava-lhes o ofício de carpinteiro.
Todas as semanas, quando aparecia, os meninos Índios, maioria na região, iam gritando na língua Tupi:
“- Lá vem o Carapina.”
“- Lá vem o padre Carapina.”
Era muito comum na época, tão logo o Padre chegava numa Aldeia, os meninos saiam de casa em casa avisando que o Padre havia chegado, para que o povo o pudesse recepcionar e ouvir orações e novidades.
Como Manoel de Paiva em muitas ocasiões também pernoitava na Aldeia, a região ficou sendo conhecida como a Aldeia do Carapina.
Com o tempo abreviou-se para Carapina.
O historiador Serafim Leite confirma a versão de que Manoel de Paiva era exímio carpinteiro, um excelente Carapina, além de bom pedreiro e sapateiro.
Era nos serviços de carpintaria, que Manoel de Paiva se sentia mais realizado, principalmente quando ensinava o ofício para os mais jovens.
Na região existia uma madeira, que os índios chamavam de Carapa e que era usada pelo Padre Carapina, Manoel de Paiva, nas aulas de Carpintaria.
Na Internet encontramos uma definição depreciativa e de menosprezo. Lá consta: “Como nota de auxílio a Wikipédia, informo que a palavra carapina também significa carpinteiro ruim, ou medíocre, o que deu o nome de Carapina ao bairro de Serra, ES. Wikipédia”




JOSÉ DE ANCHIETA

José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, que faz parte de um conjunto de pequenas Ilhas, chamadas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha. A data de nascimento é 19 de março de 1534, e o seu falecimento foi a 9 de junho de 1597, em Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo.
Anchieta chegou ao Brasil em 1553, com 19 anos de idade. Ingressou na Companhia de Jesus em 1551, com 17 anos de idade. Catequista, professor, Reitor do Colégio São Vicente com 25 anos e Provincial da Ordem aos 43 anos. Foi o fundador da cidade de São Paulo. Apóstolo e primeiro Mestre (Professor) do Brasil.
Ordenou-se padre em 1565, na Bahia.
Faleceu aos 63 anos de idade.
Logo ao chegar ao Brasil, em 1553, quando de viagem para São Vicente com Luiz Da Grã, enquanto aguardavam navio, permaneceu Anchieta no Espírito Santo auxiliando Braz Lourenço no trabalho de catequese. Posteriormente retorna em várias outras ocasiões ao Espírito Santo, quando em viagens a Porto Seguro e Bahia.
Numa destas viagens, em 1569, esteve na Igreja de São João Batista, em Carapina, na Serra. Realizou então o chamado “Milagre do Pato”, quando faz o menino Estevão Machado, que era mudo, falar.
Milagre foi registrado em Inquérito instaurado pela Igreja Católica para a Beatificação de Anchieta, visando a sua Santificação.



MILAGRE DE ANCHIETA EM CARAPINA


José de Anchieta, que andou por várias regiões do Brasil e do Espírito Santo, rezou várias missas na Igreja de São João, em Carapina, onde descansava quando viajava para o norte do Estado.
Serafim Leite relata o Milagre do Pato, realizado por José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, em Carapina, Serra.
O historiador capixaba Elmo Elton, com base em Serafim Leite, Hélio Abranches Viotti e Simão de Vasconcellos, conta o Milagre no livro “Anchieta”, editado em 1984, em Vitória, pelo “Instituto Histórico e Geográfico do Estado Espírito Santo” e Conselho Estadual de Cultura – CEC:
“Realiza-se a 24 de junho, festa na Aldeia de São João (Atual Carapina), próximo à Vila de Vitória. Durante os festejos, o padre José de Anchieta restitui a fala a uma criança muda, ali presente, conforme relata em carta da época o padre Simão de Vasconcellos.
Durante os festejos na Igreja, vários cavaleiros disputavam um Pato, ficando com o mesmo aquele que tirasse na contenda o 1º Lugar. Contudo houve um empate, e ninguém definia a quem o Pato iria pertencer. Todos foram até o padre José de Anchieta que aceitou resolver a questão. Chamou a si um menino de cinco anos de idade, mudo de nascimento e conhecido de todos, e definiu que o menino era quem iria resolver a questão. Todos ficaram admirados, quando de repente o menino pronunciou as palavras: “O Pato é meu e vou levá-lo para a minha mãe.”
Todos então perceberam que era a resolução de Deus e aclamaram as virtudes do padre José, e foi-se o menino embora, com o pato e fala para casa.”
O menino, cujo nome era Estevão Machado, anos mais tarde depôs em Inquérito formado pela Igreja Católica, relatando o Milagre de José de Anchieta, em Carapina, Serra.



INQUÉRITO DE ANCHIETA


O Inquérito instaurado visava colher informações e relatos testemunhados de milagres e atos santificados de José de Anchieta.
O Milagre de José de Anchieta está descrito também na página 216 do livro “Anchieta, o Apóstolo do Brasil na Capitania do Espírito Santo”, onde consta que o padre Pero Leitão segurava no colo o menino mudo na hora do Milagre e que estavam presentes e testemunharam o Milagre os Irmãos Francisco Dias e padre Manuel Fernandes.
O ano do Milagre é 1569, quando Anchieta percorreu diversas Aldeias do Espírito Santo, conforme a historiadora Maria Stella de Novaes, em seu livro História do Espírito Santo, página 39.
João Batista era filho de Isabel e Zacarias. Chegou ao mundo com festa. Como morava num alto de uma colina, Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus, acendeu uma fogueira para anunciar a chegada do profeta. Fez-se festa naquela noite, com todos cantando e dançando em torno da luz e do calor do fogo. No Brasil comemora-se o dia de São João com festas e fogueira. No Nordeste a data comemora a colheita do milho, plantado em março, mês de São José, e colhido em junho, mês de São João.



CURIOSIDADES, RESUMO E DETALHES FINAIS



PRINCESA DA BAVIERA.
A princesa Teresa Carlota do reino da Baviera, Alemanha, visitou a Província do Espírito Santo no período de 25 de agosto a 12 de setembro de 1888. No dia 8 de setembro, enquanto esperava um Navio Vapor que vinha do Norte e ia para o Rio de Janeiro, no qual pretendia embarcar, a Princesa aproveitou o período da tarde para realizar um passeio a cavalo. No livro “Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo”, de Levy Rocha, página 151, consta que, “a infatigável excursionista aproveitou a tarde e fez um passeio a cavalo, de quatro horas, até as ruínas de uma Igreja em Carapina. Viu os alicerces, pilares e paredes derrocadas do que fôra uma grande Fazenda dos Jesuítas, com Casagrande, Senzalas, Engenhos e uma Igreja construída em 1746, onde se devotava linda imagem de Nossa Senhora da Ajuda. Na região alagada, ela ouviu cigarras, num canto que parecia apito de locomotiva, ao longe. Depois em Carapina, gravou a maravilhosa vista que se descortinava aos seus olhos”.
Analisado tal relato percebe-se que a Fazenda mencionada não é a de Carapina e sim a de Araçatiba, em Viana, onde a Igreja é da devoção de Nossa Senhora da Ajuda. Historiadores atestam que a fazenda Araçatiba (produção de açúcar) era uma das maiores fazendas da costa brasileira, juntamente com as fazendas de Muribeca, no sul do Espírito Santo (criação de gado) e Itapoca, em Cariacica (produção de farinha). Em Carapina a Igreja sempre foi de devoção a São João Batista.


FAZENDA DE LEGUMES.
A professora Flávia de Cássia Gonçalves, graduada do Curso de História da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo, na obra “Colonização no Espírito Santo entre 1535 – 1700”, informa que: Segundo o professor Celso Perota, dentre os aldeamentos jesuítico, no Espírito Santo, destacam-se além da Missão de Reritiba, a Missão de Muribeca, fundada em 1581, com uma população indígena estimada em torno de 5 mil índios, situada no sul do Espírito Santo, sendo importante pólo econômico e de abastecimento das demandas internas da Capitania, com a criação de gado. Os Jesuítas possuíam ainda a Fazenda de Araçatiba em Viana, produzindo cana-de-açúcar, a Fazenda de Itapoca, que se situava na região do atual município de Cariacica, produzindo farinha de mandioca e a Fazenda de Carapina, produzindo legumes.


CASA GRANDE E SEZALA DOS JESUÍTAS.
Em 1610, na região de Carapina existia uma grande Fazenda destinada à policultura, sendo propriedade do Governador Geral, Francisco de Aguiar Coutinho que, não podendo desenvolvê-la, entrega-a, por doação, para Miguel Pinto Pimentel que ali construiu um Engenho de Açúcar. Miguel falece em 1644, quando na região existia a importante Igreja de São João, que havia sido inaugurada em 1586. Não tendo herdeiros, Miguel Pinto Pimentel deixa as terras para os Jesuítas do Colégio de Vitória. Esta é a origem da Fazenda dos Jesuítas que existia em Carapina. Senzala da Casa Grande dos Jesuítas Edificação rural de estilo colonial, cuja data de construção provável remonta ao século XVI. O imóvel pertencia a uma antiga aldeia fundada as margens do Rio Santa Maria, sob a liderança indígena de Arariboia, filho do líder Maracajaguacu, e seus parentes Temininos. Integra, juntamente com a Capela de São João Batista, a Área Histórica de Carapina. A Capela, dedicada a São João Batista, foi construída em 1562 e consiste em testemunho das primeiras levas de missionários jesuíticos no Espirito Santo. Quando ainda contava com uma estrutura de palha, a capela foi palco de um dos muitos milagres do padre Jose de Anchieta que, em 1569, devolve a fala a um menino mudo. Em 1584, por razoes ignoradas, a aldeia e a capela foram arruinadas e abandonadas pelos índios Temininos que, guiados pelo padre Cristóvão de Gouveia, se mudam para uma colina próxima. Conhecida como Casarão, a casa sede da fazenda, constitui-se como um testemunho solido da ocupação jesuítica na região. O imóvel, com acesso elevado em relação ao nível do terreno, destaca-se pela escadaria de acesso principal, responsável por garantir monumentalidade a edificação. Foi construída com pedra, barro e cal, materiais estes comumente empregados em imóveis de melhor padrão construtivo a época de sua edificação. Fotografia do Casarão do fotografo Sahibi (Tchesco Marcondes), Canon EOS 70D – EF-S18-135mm f/3.5-5.6 IS STM – 18mm/ƒ/9/1/80s/ISO 100


TESOURO EM CARAPINA.
O saudoso escritor, Adelpho Poli Monjardim, ex-prefeito de Vitória, no seu livro “Contos Fantásticos”, na página 133, refere-se a uma casa, morada de frades, que teria existido segundo um dos personagens do seu livro, “ao pé do Mestre Alvo”, ou seja, nas proximidades do Mestre Álvaro. Segundo o relato constante no livro, a casa seria mal-assombrada onde estaria enterrado um grande tesouro e não propriamente seria uma residência de frades, mas um colégio ou residência, onde se congregavam os Jesuítas. O livro de Adelpho resgata crenças populares dando uma visão fantástica dos casos e situações. A simples publicação da estória no livro não significa que a mesma seja verdadeira. Há quem acredite que seja. O livro é intitulado “Contos Fantásticos”, o que nos leva a crer na existência de coisas fantásticas e de fantasias.
No prefácio da obra o Editor do Rio de Janeiro, já falecido, Francisco Igreja, afirma: “Aliás, quando menino, ainda no casarão solarengo da Fazenda Jucutuquara, admirado com a facilidade de Adelpho engendrar histórias, seu pai, o Barão, costuma dizer: – Este menino ou vai ser um escritor ou será um muito grande mentiroso”. O casarão da obra “Contos Fantásticos” realmente existiu. Era a Grande Casa da Fazenda dos Jesuítas. Costuma-se dizer que em casas antigas de padres, fazendas e igrejas, existe ouro escondido. As construções antigas e, em ruínas, levam fama de mal-assombradas. Outro detalhe, a grande Casa da Fazenda, que fica próximo a Igreja São João Batista de Carapina, fica próxima ao Mestre Álvaro.



RESUMO
FUNDADORES DE CARAPINA

Os fundadores e colonizadores de Carapina são:

1 – Jesuíta Braz Lourenço, padre Fundador;

2 – Índio Araribóia (Cobra Feroz, das Tempestades), Fundador. Depois de batizado Araribóia passou a se chamar Martin Afonso de Souza.

3 – Manoel de Paiva, padre Carapina. Era carpinteiro e usava a madeira Carapa (Andiroba) e por este motivo deu origem ao nome da região;

4 – Pedro da Costa, o Evangelizador. Era também Escritor;

5 – José de Anchieta, o Santo, autor de um milagre em Carapina.



ATIVIDADES


1. O que significa Carapina?

2. Quem foi o Padre Manoel de Paiva e em que ano cuidou da Aldeia de São João?

3. PESQUISE E RELATE:
Onde nasceu Araribóia?
Quais os seus principais feitos heróicos?
Onde morreu o fundador de Carapina?

4. Relate com suas palavras a visita da Princesa Carlota e esclareça:
Há registros de outros estrangeiros que visitaram Carapina?
Pesquise e responda onde fica a Baviera e a Alemanha.

5. Anchieta realizou um Milagre em Carapina. Qual o nome do menino que Anchieta curou?

6. Onde nasceu José de Anchieta e cite os cargos e locais por onde ele andou.

7. Relacione os fundadores e primeiros padres evangelizadores de Carapina.

8. Pesquise sobre o Canal dos Escravos de Carapina. Onde fica?

9. O que significa Araribóia.

10. O historiador que pesquisou o presente texto nasceu numa cidade da Grande Vitória, ES, fundou a Academia de Letras e Artes da Serra sendo seu primeiro Presidente e fundou o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. É autor do Livro História da Serra e Serra Colonização de uma cidade. Qual seu nome e qual o ano e local de nascimento?

Texto do Escritor Clério José Borges de Sant Anna. Permitida a reprodução e copia deste texto sobre a História de Carapina, desde que seja citada a fonte (Livro, “Carapina, Presença dos ìndios e dos Jesuítas na Aldeia de São João Batista”, de Clério José Borges) e, este web site.
Clério José Borges fala sobre o Milagre do dia 24 de Junho de 1569.

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