Foto do Congresso de Eurico Salles, serra, ES. Para comemorar seu aniversário o CTC, programou a realização, Seminários Nacionais da Trova, de 1981 ao ano 2000 e depois de 2000 a 2021, Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores,

CTC – Fundação – CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS

Congresso de Trovadores CTC Clube dos Trovadores Capixabas Seminário Nacionais da Trova
Foto do Congresso de Eurico Salles, serra, ES. Para comemorar seu aniversário o CTC  programou a realização dos Seminários Nacionais da Trova de 1981 ao ano 2000 e depois de 2000 a 2021 os Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores.
Foto do Congresso de Eurico Salles, serra, ES. Para comemorar seu aniversário o CTC programou a realização dos Seminários Nacionais da Trova de 1981 ao ano 2000 e depois de 2000 a 2021 os Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores.

HISTÓRICO DO CTC – Dentre as entidades culturais do Estado do Espírito Santo, destaca-se o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. É uma Associação civil de divulgação da Trova e dos Poetas Trovadores, sem fins lucrativos e que funciona com sede provisória na rua dos Pombos, 2 – Eurico Salles – Carapina – Serra – ES. A Trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas poéticas cada, com rima e sentido completo. Trovador é aquele que faz a Trova como obra de arte, como literatura. Por força de Lei, o CTC é uma associação de Utilidade Pública no Município da Serra e no Estado do Espírito Santo. Na Serra, que fica na Grande Vitória, no Espírito Santo, a iniciativa da lei foi da da Vereadora e Acadêmica, professora Márcia Lamas da Silva. O título foi aprovado por unanimidade e se transformou na Lei Municipal N.º 1.563/91, sancionada pelo Prefeito Adalton Martinelli. No Estado do Espírito Santo, o CTC possui também o título de Utilidade Pública Estadual aprovado, por unanimidade, pela Assembléia Legislativa Estadual e sancionada pelo Governador do Estado, Albuíno Cunha de Azeredo em 20 de setembro de 1991. Lei N.º 4.554 de autoria do Deputado Estadual José Carlos Gratz que, em 1991 era grande amigo do então vice Presidente do CTC, o saudoso professor Narceu Paiva Filho. Oficialmente os fundadores do CTC são: Clério José Borges; José Borges Ribeiro Filho e Luiz Carlos Braga Ribeiro. Graças a iniciativa do CTC existem hoje Praças dos Trovadores em Cariacica, Vila Velha, Serra e Vitória e o Presidente e sócios do CTC são regularmente convidados a participar e realizar palestras em várias cidades brasileiras. Ao longo dos anos, de 1980 a 2017, palestras foram proferidas por Clério José Borges, Presidente do CTC, nas cidades de Porto Velho, Rondônia; Porto Alegre-RS; Rio de Janeiro; São Paulo; Brasília-DF; Salvador-BA; Recife-PE; Petrópolis-RJ; Campos dos Goytacases-RJ; Maringá-PR; Timóteo-MG; Magé-RJ; Olinda-PE, Nova Prata – RS e Cambuci, RJ.

Os Seminários da Trova foram organizados desde 1981 pelo CTC. Foto antiga. Josefa Telles de Oliveira, Cariacica; Elvira Werneck, de Brasília, DF; Orestes Turano, São Paulo; Atrás Eno Teodoro Wanke, Rio de Janeiro; Rodolfo Coelho Cavalcante, Salvador, Bahia; Clério José Borges, Serra, ES; Licurgo da Silva Tadeu Neto, Artista Plástico de Salvador, Bahia; Argentina Lopes Tristão; Dr. Mário Ribeiro; Valdeci Camelo, de Recife e Andrade Sucupira, Vila Velha, ES.

O CTC – CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS NO DIA 18 DE NOVEMBRO DE 2017 MUDOU O NOME PARA ACLAPTCTC – ACADEMIA CAPIXABA DE LETRAS E ARTES DE POETAS TROVADORES – Aos 18 dias do mês de Novembro do ano de 2017, no horário de 18h30m, atendendo ao Edital datado de 15 de Setembro de 2017, na Rua dos Pombos, N.º 2, no 2º Andar, Sala 03, Bairro de Eurico Salles, Carapina, Serra, Estado do Espírito Santo, 29160-280, sob a presidência do Escritor, Poeta Trovador, Clério José Borges de Sant Anna, reuniram-se em Assembleia Geral, um grupo de pessoas, maiores e capazes e em perfeito uso de suas atividades mentais para deliberarem sobre a instituição (fundação) de uma associação de direito privado, constituída por tempo indeterminado, sem fins econômicos, ou seja,  Associação Civil, Organização não Governamental sem fins lucrativos, de caráter Social, Artístico e Cultural, sem cunho político ou partidário, com a finalidade de atender a todos que a ela se dirigir, independente de classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença religiosa, com autonomia administrativa e financeira e, de âmbito Estadual, com jurisdição em todo Estado do Espírito Santo, sendo fundada a Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, de sigla, ACLAPTCTC. A ACLAPTCTC foi fundada em data de 18 de Novembro de 2017, com sede e foro na Rua dos Pombos, N.º 2, no 2º Andar, Sala 03, Bairro de Eurico Salles, Carapina, Serra, Estado do Espírito Santo, 29160-280 sob a Presidência dos trabalhos do Escritor, Poeta, Trovador e historiador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna.


FUNDAÇÃO DO CTC – CURSO NA UFES – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO.


O CTC foi fundado, com base numa idéia do Escritor Paranaense e, na época radicado no Rio de Janeiro, Eno Theodoro Wanke, a 1º de Julho de 1980, no Estado do Espírito Santo. Eno foi Engenheiro Civil e Poeta Brasileiro. Nasceu em Ponta Grossa, no Estado do Paraná a 28 de Junho de 1929 e faleceu no dia 28 de maio de 2001, no Rio de Janeiro. Escritores e Poetas de todo Brasil preenchem ficha de inscrição e se associam ao CTC. Mais de 1.0500 sócios são cadastrados. Alguns residentes no Espírito Santo e a grande maioria, em vários Estado do Brasil e no exterior. São definidos como sócios Fundadores, Efetivos e Correspondentes. Em 1981, para comemorar o Primeiro Aniversário do CTC, o Presidente Clério José Borges teve a idéia de realizar um Seminário Nacional de Estudos da Trova. A idéia foi aprovada e anualmente, o CTC passou a realizar em Julho, mês do seu aniversário, os SEMINÁRIOS NACIONAIS DA TROVA.

SEMINÁRIOS NACIONAIS DA TROVA. Em 1981, Clério resolveu comemorar o primeiro aniversário do CTC, a 1º de Julho de 1981, com um Seminário. Foram convidados diversos Trovadores do Brasil inteiro, inclusive J. G. de Araújo Jorge, então Deputado Federal em Brasília, que não pode comparecer pois não gostava de viajar de avião. Compareceram de fora uma Delegação de Campos (Walter Siqueira, Alves Rangel e Constantino Gonçalves), J. Silva (da UBT Nacional), Rodolfo Coelho Cavalcante, de Salvador e Eno Teodoro Wanke, que compareceu com a esposa à sessão de encerramento. Na ocasião, Wanke fez uma palestra onde, em certa frase, dizia estar a UBT “encastelada em sua Torre de Marfim”. O Sr. J. Silva reclamou e a discussão se acirrou, com intervenções de Andrade Sucupira e outros. O Seminário teve grande repercussão. Rodolfo e o casal Wanke ficaram hospedados em casa da Trovadora Argentina Lopes Tristão e Eno aproveitou para gravar informações destinadas a completar a biografia de Rodolfo, que posteriormente lançaria num livro denominado “Vida e Luta do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante.” Rodolfo decidiu fundar o Clube Baiano de Trova, tão logo chegasse a Salvador, o que efetivamente fez. No ano seguinte, o CTC promoveu o Segundo Seminário e o comparecimento foi mais significativo ainda, com as seguintes Delegações: Recife: Valdeci Camelo, Presidente da UBT de Recife, Diva Veloso e J. Cabral Sobrinho, de Olinda. Salvador: Rodolfo Coelho Cavalcante e dois cordelistas; Niterói: O casal Torquata e Américo Lopes Fontoura, da UBT e da Academia Brasileira de Trova e Jandyra Mascarenhas, (da UBT do Rio) Rio de Janeiro: Eno Teodoro Wanke e esposa Irma. (Eno Teodoro Wanke jamais faltou a nenhum dos Seminários do CTC) Ponta Grossa: Amália Max, Presidente da UBT local. Argentina: Jorge Piñero Marques.

O CTC passa a ser destaque no cenário cultural brasileiro pela realização anual dos Seminários Nacionais da Trova no mês de Julho, quando passam a convergir para o Estado do Espírito Santo, poetas trovadores de vários Estados brasileiros, inclusive da Argentina e de Portugal. Os Seminários do Espírito Santo (sempre organizados por Clério José Borges), provocam no Movimento Trovista Nacional uma efervescência de tal ordem que no Terceiro, foi fundada a 2 de Julho de 1983, uma Federação Brasileira de Entidades Trovistas, a FEBET presidida por Eno Teodoro Wanke. No Quarto Seminário, Eno Teodoro Wanke propôs que esta nova fase do Movimento, iniciado com a fundação do CTC em 1° de julho de 1980, passasse a ser denominado de “Neotrovismo”. Ou seja, era o mesmo Trovismo renovado por uma nova geração de Trovadores. Os Seminários passaram a ser realizados anualmente, sempre em comemoração ao Aniversário do CTC, na primeira Semana de Julho, estando em 1997 na sua Décima Sétima versão. Até o Décimo foi realizado em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, na Grande Vitória. O Décimo Seminário foi realizado dentro do Palácio do Governo do Estado do Espírito Santo, o Palácio Anchieta, em Vitória. O Décimo Primeiro foi realizado na cidade de Ibiraçu. O Décimo Segundo em Afonso Cláudio. O Décimo Terceiro em Guarapari. O Décimo Quarto Seminário foi realizado em Linhares. O Décimo Quinto em Domingos Martins e o Décimo Sexto em Jacaraípe, Serra. O Décimo Sétimo na cidade de Conceição da Barra, no norte do Estado. O Décimo Oitavo na Praia da Costa em Vila Velha. O décimo Nono na cidade de Anchieta, onde faleceu o Apóstolo do Brasil, José de Anchieta. O 20º Seminário, o último do Século, no ANO DOIS MIL, foi realizado na cidade de Domingos Martins, onde já fôra realizado o 15º Seminário em 1995. Em 2002 foi realizado em Domingos Martins, o 1º Congresso Brasileiro de Trovadores. Em 2003, o 2º Congresso foi realizado em Nova Almeida, ES. Em 1987, Clério José Borges residindo no Espírito Santo é convidado a ir no Rio de Janeiro e conceder entrevista em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro, conduzido pela Apresentadora Leda Nagle. De Julho de 1981 a Julho do ano 2000, um total de 20 Edições dos Seminários Nacionais da Trova são realizados. Durante 20 anos inúmeras promoções foram realizadas, dentre Concursos de Trovas; Palestras; Troveatas (Desfile dos Trovadores); Missa em Trovas, atingindo milhares de pessoas no Espírito Santo e no Brasil já que o exemplo do CTC, com suas palestras e Seminários espalhou-se pelo Brasil, surgindo Convenções, Simpósios, Congressos e Encontros Nacionais em todo o país: Brasília; Porto Alegre; Rio de Janeiro; São Paulo; Salvador; Recife; Olinda; Petrópolis – RJ; Corumbá – Mato Grosso do Sul; Magé – RJ; Maringá, PR; Porto Velho, Rondônia; Timóteo – MG e Magé – RJ.

O historiador da Trova, Eno Teodoro Wanke relata que sete anos após a criação dos Seminários Nacionai da Trova, ocorre um grande movimento da Trova no Brasil: “Durante sete anos o Seminário de Vitória foi um farol solitário iluminando o Trovismo. Chegou-se a suspeitar que seria sempre assim… Mas não. Em Outubro de 1987, a rotina foi de novo rompida e outro foco de luz surgiu no Nordeste do país. Alba Tavares Correia, Presidente do Clube de Trovadores da Associação de Imprensa de Pernambuco, realizou com absoluto êxito, o 1º Simpósio Nacional do Dia da Trova em Olinda, Pernambuco. E 1988, proclamado o Ano Adelmar Tavares por ser o centenário do seu nascimento, assiste a uma verdadeira explosão de encontros. As cidades de Timóteo (no Vale do Aço mineiro), Rio de Janeiro e Porto Alegre entram no páreo, cada uma delas com seu encontro, ampliando, assim, as oportunidades para que os Trovadores locais ou regionais possam assistir e contribuir com sua parcela de idéias. Em 1989, mais duas cidades se incorporam à programação regular: Petrópolis ( em Janeiro ) e a longínqua Porto Velho, Capital de Rondônia, em Março.” De 1989 a 2000 outros eventos são realizados em São Paulo; Rio de Janeiro; Brasília; Salvador, na Bahia; Recife e outras cidades, ampliando-se os horizontes do Movimento Neotrovista. A Trova firma-se pois na Literatura Brasileira formando um grande movimento poético, o Trovismo, hoje denominado Neotrovismo. O Escritor Jorge Amado em entrevista a Maria Thereza Cavalheiro, Jornalista e Trovadora de São Paulo, diz: “Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.” Esta frase é amplamente divulgada pela FEBET e pelo CTC.

A ORIGEM DO CTC – Em 2001 os Seminários da Trova transformaram-se em Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores, sem local definido (um dos Congressos foi realizado na Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro, em 2006) e sem data definida (atualmente são realizados ou em Julho em comemoração ao aniversário do CTC, ou em Outubro em comemoração ao Dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos Modernos Trovadores ou em Novembro de cada ano). O CTC, fundado no Estado do Espírito Santo, tem características de entidade de âmbito Nacional. A grande maioria dos seus associados são de outros Estados e do Espírito Santo, o CTC conseguiu organizar eventos em outros Estados Brasileiros. Dois Congressos de Trovadores foram realizados em São Paulo, com Marília Martins e Inês Catelli; Um Congresso, em Salvador, Bahia, com o Poeta e Escritor Luciano Jatobá; Um Congresso em Porto Velho, no Estado de Rondônia, com Kléon Maryan e, um Congresso de Trovadores, no bairro de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, na SUAM, com o Prof. José Maria de Souza Dantas. O Movimento Trovista, que havia sido expressivo no Espírito Santo de 1967 a 1970, voltou a ser reativado no Espírito Santo em 1980.

Clério José Borges era estudante Universitário do Curso de Pedagogia na Universidade Federal do Estado do Espírito Santo – UFES. Coube-lhe fazer um trabalho sobre Trovadorismo Medieval. O Trabalho era em grupo, como tema, “A Educação Secular na Idade Média”, para a diciplina “História da Educação I, tendo como Professora Regina da Silva Simões, Turma 01. Foi apresentado em Sala de Aula no dia 21 de maio de 1980 e participaram da equipe, os Universitários, Ana Maria Rocha, Cleuza Arlém, Clério José Borges de Sant Anna, Elisa Oliveira, Hilda Chagas, Jurandi Francisco de Souza, Maria Tereza Bragatto e Solange Maria Ribeiro. O trabalho foi apresentado em Sala de Aula. Hilda falou sobre A Educação na Idade Média; Ana sobre A Nobreza e a Educação dos Cavaleiros, Clério, Os Trovadores e os Jogos Florais; Jurandir abordou o tema, Ressonância da Cavalaria”; Cleuza falou sobre as Classes Trabalhadoras e o Nascimento das Escolas Municipais; Solange abordou o tema, Contraste com a Educação Rural e Elisa abordou o tema, As Classes Trabalhadoras e a Educação Gremial na Idade Média. Para fazer seu trabalho e desenvolver o tema que lhe foi proposto sobre os Trovadores e os Jogos Florais, Clério recorreu a Biblioteca da Universidade do Espírito Santo e topou, por acaso, com o livro “O Trovismo”. Resolveu consultá-lo e observando que Eno Teodoro Wanke havia omitido as promoções da UBT de Vitória e Vila Velha, inclusive o Concurso de Trovas tema Pelé, escreveu para o autor do livro ocasião em que pergunta-lhe como fazer para renovar o Trovismo localmente. Wanke desculpou-se da omissão, pois, em suas pesquisas, não tinha podido contar com os dados finais da UBT do Rio de Janeiro, já que esta o considerava, por motivos de ter se desentendido com Luiz Otávio, como persona non grata. No entanto, é preciso reconhecer que é a obra de Eno Teodoro Wanke — e só ela, já que até o momento ainda não apareceu nada tão profundo e detalhado como ela sobre o trovismo — que preservará para o futuro todo a história do trabalho de Luiz Otávio. Paulo Rónai chamou Wanke o “historiador e o teórico” do movimento. São coisas da literatura pátria… Quanto à indagação de Clério, e tendo em mente o então Clube dos Trovadores do Vale do Paraíba, sob a presidência de Francisco Fortes, respondeu: “Funde um Clube !.” Foi o que Clério fez, fundando a 1º de Julho de 1980 o Clube dos Trovadores Capixabas ( CTC ) lançando, ao mesmo tempo, um Concurso de Trovas, com os temas Vitória, Capixaba e Anchieta, que alcançou inúmeros participantes, tendo sido recebidas mais de mil trovas.

Tendo o escritor Eno dado a idéia de criação de um Clube. Clério de imediato acatou a idéia. Para fundar a entidade, Clério não se fez de rogado. Convidou dois primos que apreciam poesias e entre um bate-papo e outro, fundou o CTC, organizando na hora um Estatuto e formando uma Diretoria. Clério Presidente; Luiz Carlos Braga Ribeiro como Vice Presidente e Secretário e José Borges Ribeiro Filho como Tesoureiro. Com a divulgação na Imprensa Nacional do Concurso temas Vitória, Anchieta e Capixaba, Trovadores do Espírito Santo e do Brasil foram se filiando ao Clube. Logo uma nova Diretoria foi formada criando-se e preenchendo-se novos cargos. Parece, contudo, que o grande segredo do sucesso do CTC foi a constância. Clério mantinha uma constância, remetendo regulamento do Concurso para todos os endereços de Trovadores aos quais tinha acesso. Mandando Cartas e espalhando o nome do CTC no Brasil e Exterior. Logo foi criado um Jornal Mimeografado denominado Beija Flor, divulgando Trovas e Trovadores do Espírito Santo e do Brasil. São feitos inicialmente trezentos exemplares, remetidos pelos Correios para trovadores, cujos endereços eram fornecidos por Eno Teodoro Wanke e recolhidos por Clério, de livros, principalmente os livros de Antologia feitos por Aparício Fernandes de Oliveira que sempre traziam uma bibliografia dos Trovadores, com endereço no final. O imediato lançamento de um Concurso de Trovas a nível Nacional com os Temas Vitória, Anchieta, Capixaba, parece também ter sido a razão maior da divulgação e do sucesso do Clube dos Trovadores Capixabas. Segundo o Jornal “O Nacional”, de Passo Fundo – RS, de 30 de Julho de 1980: “O Concurso receberá Trovas até 15 de Setembro de 1980 e o primeiro colocado receberá uma Rosa de Prata.” Outros Jornais no Brasil e Exterior divulgam o Concurso e o CTC e o resultado passa a ser o recebimento de inúmeras Trovas, mais de mil, de centenas de Trovadores e várias Cartas de Trovadores Brasileiros associando-se ao CTC, tanto que em 1981, um ano após a sua fundação o CTC já possuía mais de 500 sócios no Espírito Santo e no Brasil. Entrevistas são concedidas a emissoras de rádio e Televisão e o CTC amplia seus horizontes com mais adeptos e admiradores. Em “A Gazeta”, de Vitória, de 13 de Julho de 1981 consta que: “Não se pode negar que há uma grande receptividade popular em torno da Trova. Pelo menos, poucos são os Concursos no Espírito Santo que conseguem ter mais de 500 concorrentes. E um Concurso de Trovas chegou a ter mil. Foi no ano passado quando se propuseram três temas: Vitória, Anchieta e Capixaba ( … ) Trovadores de todo o Brasil se reuniram no Concurso e depois diversos outros Concursos foram feitos.” O CTC é uma entidade conhecida Internacionalmente.

UBT – De 1966 a 1970 Clério José Borges integrou a UBT – União Brasileira de Trovadores, seção de Vila Velha e Vitória, sendo Clério José Borges, o Terceiro Presidente, de 1968 a 1969. A UBT tinha como Delegado no ES, o Professor José Augusto de Carvalho, que fez a Convocação e promoveu a primeira Eleição sendo eleito primeiro Presidente, o saudoso Poeta Zedânove Tavares Sucupira, falecido em 2016, tendo Clério permanecido no Conselho Fiscal. O Segundo Presidente foi o Contador e Poeta, saudoso Geraldo Nascimento, já falecido e conhecido como GERNAS, sendo Clério José Borges, Vice Presidente de Cultura. Em 1969 Clério José Borges foi eleito Presidente, tendo realizado uma administração com várias promoções, inclusive um Concurso de Trovas a nível Nacional com o tema Pelé (Jogador de Futebol) e dois Júri Simulado (um em Vila Velha e outro em Cachoeiro de Itapemirim), sobre a existência de plágio ou identidade de idéias numa Trova. Clério permanece à frente da UBT até 1971, quando é convocada nova eleição tendo sido eleito e assumido a Presidência, o Poeta Edson Faioli. Edson, por questões profissionais acaba desistindo, não promovendo reuniões e nem eventos e, meses após, a UBT Vitória – Vila Velha se torna inativa.

A União Brasileira de Trovadores é uma entidade brasileira dedicada ao cultivo e à divulgação da trova, fundada em 1966 pelo poeta Luiz Otávio no Rio de Janeiro. A UBT é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no Estado. NOMEAÇÃO – Com o surgimento do CTC em 1980, o próprio Clério José Borges mantém contatos com a UBT Nacional e, em documento assinado em data de 1º de Janeiro de 1981, pelo Presidente da UBT Nacional, Carlos Guimarães, Clério José Borges é nomeado Delegado da UBT – União Brasileira de Trovadores em Vitória – ES. De imediato para divulgar a entidade, cria o Jornal Mimeografado “ESTANDARTE”, Órgão de divulgação da UBT – Vitória, tendo sido publicados 5 números, com Tiragem de 300 Exemplares cada edição. Clério permaneceu no cargo até 30 de março de 1981, quando foi fundada a Seção de Vitória da UBT, tendo sido eleito seu primeiro Presidente, o Dr. Carlos Dorsch. Na ocasião participou da eleição do Dr. Carlos Dorsch, o Poeta Trovador Matusalém Dias de Moura. Dois anos depois, terminado o mandato do Dr. Dorsch, por falta de pessoas interessadas, a entidade tornou-se inativa. O CTC, Clube dos Trovadores Capixabas dominava o movimento dos Trovadores, nos municípios da Grande Vitória, não havendo interessados em participarem da UBT, embora Clério José Borges, Carlos Dorsch e Joubert de Araújo Silva tivessem oferecido a Presidência da UBT Vitória a diversos Trovadores. Como delegado da UBT em Vitória, Clério cria um Jornal Mimeografado “Estandarte”, o qual passa a ser enviado para as seções da UBT em todo Brasil. Como Delegado em Vitória, Clério estimula os Trovadores a criarem as seções da UBT na área dos Municípios da Grande Vitória. Consegue a nomeação de Andrade Sucupira como Delegado da UBT em Vila Velha. Em seguida, Clério como delegado da UBT em Vitória organiza no dia 30 de março de 1981 a reunião de fundação da UBT em Vitória, tendo sido escolhido e eleito Presidente o Advogado, Carlos Dorsch. Compareceram e fizeram parte da primeira Diretoria da UBT Vitória, os Poetas, Eurídice de Oliveira Vidal, Elmo Elton, Clério, Argemiro Seixas Santos, Matusalém Dias de Moura, Luiz Carlos Braga Ribeiro, Albércio Nunes Vieira Machado, Fernando Buaiz e Vicente Nolasco Costa. A segunda seção da UBT no Espírito Santo foi fundada no dia 25 de Abril de 1981 na cidade de Vila Velha, sob a presidência da professora Valsema Rodrigues da Costa e as demais funções da Diretoria distribuidas entre os seguintes Trovadores: Erasmo cabrini, Rosalva Fávero, Irene Ramos, Argentina Lopes Tristão, Vicente Costa Silveira, Solange Gracy Barcelos, Tânia Mara Soares, Verany Maria de Souza, Julieta Lobato Barbosa, Aldinei Fraga de Carvalho e Inis Brunelli. Em seguida foram criadas representações da UBT. Nealdo Zaidan passa a ser o Delegado da UBT no Município de Cariacica, que faz parte da Grande Vitória. Anselmo Gonçalves foi nomeado Delegada da UBT no Município da Serra e Byron Tavares em Cachoeiro de Itapemirim. As entidades passam a manter Jornais Informativos divulgando as atividades, concursos, as Trovas e os Trovadores e, a animação era grande. A movimentação ao longo dos anos foi esmorecendo até que por volta de 1990 já não existia nenhuma Seção e Delegacia em atuação na Grande Vitória.

A origem da Poesia Trovadoresca Medieval (que não pode ser confundida com a trova-quadra moderna nem a daqueles tempos recuados) perde-se no tempo, contudo foi a criação literária que mais destaque alcançou entre as formas poéticas medievais, originárias de Provença, Sul da França. Expandiu-se no século XII por grande parte da Europa e floresceu por quase duzentos anos em Portugal, França e Alemanha. O Trovador Medieval representava a glorificação do amor platônico, pois a dama que era a criatura mais nobre e respeitável da criação, a mulher ideal, inacessível para alguns, passava a ser a pessoa a quem o referido Trovador endereçava os seus líricos versos. Os primeiros Trovadores Modernos a fazerem Trovas sistematicamente para publicação surgiram no século passado em Espanha e Portugal, na esteira dos folcloristas que as recolhiam em meio ao povo. Sobre a gênese (Gênese: Origem; Criação) da Trova Medieval, ela faz parte do folclore na Idade Média. Os historiadores consideram a época certa do surgimento da Trova Medieval, entre 1.100 e 1.300, quando autores Espanhóis e Portugueses utilizavam como recurso auxiliar, composições poéticas hoje reconhecidas como formas das primeiras manifestações “trovadorescas” (ou seja, da trova medieval) de que se tem conhecimento. A Trova que passou a pontilhar na Literatura da Espanha e Portugal, propagou-se pelos países surgidos das conquistas dessas potências marítimas, chegando, pois à América Latina e ao Brasil. A verdade é que o período folclórico da Trova sempre se revitalizará enquanto existirem propagadores do ato do recitar nas festas em família e das brincadeiras de roda. Há de se considerar, também, acontecimentos como a extraordinária popularidade da Trova, que contrariamente ao esperado, constitui-se num fator que alguns consideram negativo para o seu real aproveitamento na Literatura, uma vez que, antigamente, o que vinha do povo era rejeitado pela nobreza, que manipulava a elite intelectual da época.

Ainda hoje, alguns homens de letras, que, privados de sensibilidade poética, se recusam a reconhecer o valor da Trova, a consideram coisa “cafona”, indigna de um verdadeiro intelectual. Uma ojeriza de uma “pseudo-elite” minoritária. Em entrevista publicada no Jornal “A Gazeta”, de 13 de Julho de 1981, Ediução do Caderno Dois, em reportagem com o título, “Clube dos Trovadores em seu primeiro ano, elege seu Rei e seus Príncipes”, o Professor de Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo, Luiz Busatto, diz sobre a Trova: “É, como uma espécie contida dentro da lírica, das coisas mais fáceis que há na poesia. A gente tem que reconhecer que a Trova é limitada. Ela é muito explorada precisamente porque é mais fácil e mais acessível. O verso heptassilábico é o mais fácil que há. Pode-se até notar que a posição dos versos é bastante simples, das mais comuns que há.” Na mesma entrevista prossegue o professor Busatto sobre o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC: “Fundar um Clube de Trovadores é algo que aparece e passa. As próprias pessoas, com o tempo cansam. É de fácil aceitação, mas não vai para frente.” O professor da referida entrevista, estava errado, pois o CTC, já sobrevive a cerca de 37 anos… Talvez o fim do CTC só ocorra mesmo com a morte do seu fundador Clério José Borges de Sant Anna, que desde 1980 mantém acessa a chama do movimento da Trova em Terras Capixabas. Sobre suas colocações sobre a Trova, o professor Busatto é contestado pelo escritor e Trovador Elmo Elton, eleito naquela época, o Rei dos Trovadores Capixabas, tendo destacado: “Não é fácil escrever Trovas, visto que apenas os inclinados para o exercício desse gênero poético sabem como bem realizá-las dentro das normas exigidas à sua correta feitura, já que, caso contrário, tão somente conseguem o que é comum, enfileirar quatro versos sem aquelas características essenciais que conseguem consagrar uma Trova.” Vale aqui lembrar a Trova do Rei dos Trovadores Brasileiros, Adelmar Tavares, que era Acadêmico da Academia Brasileira de Letras:

Ó linda trova perfeita,

que nos dá tanto prazer,

tão fácil, – depois de feita,

tão difícil de fazer.


Já o Escritor Afrânio Peixoto diz:
“A quadrinha popular é a nossa mais elementar forma de arte: Quatro versos, de sete sílabas métricas; Duas rimas, raramente perfeitas, às vezes apenas toantes no segundo e quarto verso; Que contém um estado fugitivo d’alma, um demorado aperto de coração, desejo, queixa, malícia, juízo ( … ) Comunicados com sinceridade e simplicidade.”
Segundo o Folclorista Luís da Câmara Cascudo:
“A Trova é forma mais íntima da poesia, a que iniciou nos Sertões (…) A Trova é uma confidência. É a fórmula mais popular do impulso poético.”
Mário Linhares define a Trova assim:”A Trova, na sua simplicidade e delicadeza, encerra a essência vital da Poesia, tudo o que faz a sua graça e encanto sem requinte, sem artifício nem deformação.”
Adelmar Tavares (A. T. da Silva Cavalcanti), Rei dos Trovadores Brasileiros era advogado, professor, jurista, magistrado e poeta. Nasceu em Recife, PE, em 16 de fevereiro de 1888, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de junho de 1963. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 25 de março de 1926 para a Cadeira n. 11, na sucessão de João Luís Alves, foi recebido em 4 de setembro de 1926, pelo acadêmico Laudelino Freire.
Obras de Adelmar Tavares: Descantes, trovas (1907); Trovas e trovadores, conferência (1910); Luz dos meus olhos, Myriam, poesia (1912); A poesia das violas, poesia (1921); Noite cheia de estrelas, poesia (1925); A linda mentira, prosa (1926); Poesias (1929); Trovas (1931); O caminho enluarado, poesia (1932); A luz do altar, poesia (1934); Poesias escolhidas (1946); Poesias completas (1958). Escreveu também várias obras jurídicas, entre as quais Sobre a história do fideicomisso; Do homicídio eutanásico ou suplicado; Do direito criminal; O desajustamento do delinqüente à profissão.
O Escritor, Adelmar Tavares que cultivou a Trova com sabedoria como ninguém, chegando a ocupar uma Cadeira na Academia Brasileira de Letras por causa da Trova, assim se expressa:
“A Trova Brasileira…A Cantiga do fundo da nossa alma!Esses quatro versos setesílabos que dizem mais que os poemas: – Bogari humilde, pequenino, a que recende o campo inteiro da nossa poesia.As rosas imperiais dos alexandrinos pompeantes. As begônias dos sonetos de dez sílabas. As Camélias das baladas – aí delas – não têm a graça e o cheiro dessas anônimas flores miúdas da alma popular. Colhê-las é encher as mãos de perfume! É inebriar-se de aroma! É ter tonto o coração para cantar! É sentir que um luar se levanta dentro de nós com umas cordas misteriosas de amor, de saudade, de anseio e de súplicas.”
Trovas de Adelmar Tavares:
Quem ama, para dar provas,deve três coisas cumprir.Tocar violão, fazer Trovas,e havendo luar, não dormir…
Porque na Trova inocenteque tanto agrada à mulher,a gente conta o que sente,a gente diz o que quer…
O Trovador Literário é aquele que sabe fazer a Trova, imprimindo espontaneidade, graça, beleza e sabedoria, tal qual a cultivaram poetas brasileiros de renome, como Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor,

finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente.


Olavo Bilac:

Mulher de recursos fartos!

Como é que está impenitente,

tendo no corpo dois quartos,

dá pousada a tanta gente?


Menotti Del Picchia:

Saudade, perfume triste

de uma flor que não se vê.

Culto que ainda persiste

num crente que já não crê.


Mário de Andrade:

Teu sorriso é um jardineiro,

meu coração é um jardim.

Saudade! Imenso canteiro

que eu trago dentro de mim.


Cecília Meireles:

Os remos batem nas águas:

têm de ferir para andar.

As águas vão consentindo

– esse é o destino do mar.


Carlos Drummond de Andrade:

Solidão, não te mereço,

pois que te consumo em vão.

Sabendo-te, embora, o preço,

calco teu ouro no chão.

RODOLFO COELHO CAVALCANTE; CLÉRIO JOSÉ BORGES; ENO TEODORO WANKE E NEALDO ZAIDAN - SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA DE 1982.
RODOLFO COELHO CAVALCANTE; CLÉRIO JOSÉ BORGES; ENO TEODORO WANKE E NEALDO ZAIDAN – SEMINÁRIO NACIONAL DA TROVA DE 1982.

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