ACLAPTCTC - Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, BANNER das Logomarcas

DEFINIÇÕES E ORIGEM DA TROVA – Texto de Clério José Borges (Autor do Livro “Origem Capixaba da Trova”) –

Academia Capixaba de Poetas Trovadores ACLAPTCTC Folclore História - Documentação Poetas Trovadores

DEFINIÇÕES E ORIGEM DA TROVA

Texto de Clério José Borges
(Autor do Livro “Origem Capixaba da Trova”)

Trovador é uma palavra derivada do latim, acusativo singular de “trobaire” (poeta), do verbo trobar (inventar, achar). Todo trovador é poeta, mas nem todo poeta é trovador, pois nem todos Poetas sabem metrificar, fazer o verso medido.
A trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: É o poema de quatro versos setessilábicos com rima e sentido completo. Mas, quando surgiu, não era assim. Seu aparecimento está intimamente ligado à poesia da Idade Média, onde a trova era sinônimo de poema e letra de música. A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero. Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava. Na literatura, desenvolveu-se, no sul da França e em Portugal, um movimento poético chamado Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos, e foram os primeiros a serem sistematicamente publicados.
Hoje, entretanto, a trova possui a sua conceituação própria, diferenciando-se da quadra e da poesia de cordel, da Trova Gauchesca, do Repente, bem como do poema musicado da Idade Média. Um movimento cultural em torno da trova surgiu no Brasil a partir de 1950 e chamou-se Trovismo. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge e pelo escritor e historiado, Eno Theodoro Wanke.
Em 1960, foram realizados os Primeiros Jogos Florais, com sucesso, e a fundação oficial da União Brasileira de Trovadores, juntamente com uma plêiade de idealistas do Rio de Janeiro.
O Dentista Gilson de Castro é considerado o maior divulgador da Trova nos anos 50 e 60. Usava o pseudônimo de Luiz Otávio. Era carioca, nascido em 18 de Julho de 1916 e deixou o seu nome inscrito nas páginas literárias desse país como o Príncipe dos Trovadores Brasileiros, pelo seu trabalho incessante e gigantesco em prol da causa da trova. No dia 31 de Janeiro de 1977, Luiz Otávio, alçou vôo para a eternidade.
Em 1980, ao criar o Clube dos Trovadores Capixabas, o poeta Clério José Borges fez despontar o Neotrovismo, que é a renovação do movimento em torno da Trova no Brasil.

FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CAPIXABA DE

LETRAS E ARTES DE POETAS TROVADORES

2017 – No dia 18 de novembro de 2017 estava prevista mais uma das Reuniões Mensais de Diretoria do CTC, Clube dos Trovadores Capixabas, devidamente registrada na Agenda Oficial de eventos da entidade. Ocorre que no dia 15 de setembro, data de aniversário de Clério José Borges, surge a ideia de criação de uma nova entidade. De imediato Clério José Borges vai para o Computador e elabora um Edital que divulga nas redes sociais, convocando um grupo de pessoas, maiores e capazes e em perfeito uso de suas atividades mentais para uma reunião para o dia 18 de novembro, com o objetivo de deliberarem sobre a instituição (fundação) de uma associação de direito privado, constituída por tempo indeterminado, sem fins econômicos, ou seja,  Associação Civil, Organização não Governamental sem fins lucrativos, de caráter Social, Artístico e Cultural, sem cunho político ou partidário, com a finalidade de atender a todos que a ela se dirigir, independente de classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença religiosa, com autonomia administrativa e financeira e, de âmbito Estadual, com jurisdição em todo Estado do Espírito Santo, denominada de Academia Letras e Artes de Poetas Trovadores.

O Edital foi divulgado na INTERNET, mas Clério José Borges continuou com as atividades normais do CTC, Clube dos Trovadores Capixabas, com a Eleição de nova Diretoria, a realização do Café com Arte e Sábado Cult de Outubro e participação em evento em Anchieta e em Linhares. É que Clério ainda imaginava que o CTC não iria se acabar e a Academia fosse uma nova entidade. No dia 18 de novembro de 2017, data estabelecida no Edital e coincidentemente a mesma data da reunião ordinária mensal de Diretoria do CTC, Clério José Borges colocou o assunto em pauta sendo fundada a ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, com a estrutura organizacional do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, entidade cultural de divulgação da Trova e da Poesia em geral, fundada por Clério José Borges, Trovador, Escritor e Historiador Capixaba, a 1º de julho de 1980, com base numa ideia do historiador Eno Teodoro Wanke, autor do livro O Trovismo, que conta a história da Trova no Brasil de 1950 a 1978.

Assim oficialmente em Assembleia Geral Extraordinária realizada no último sábado, dia 18 de novembro de 2017, foi fundada em Eurico Salles, no Município da Serra no Espírito Santo a Academia de Letras e Artes de Poetas Trovadores, de sigla ACLAPTCTC, antigo Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. A proposta apresentada pelo Presidente do CTC, Clério José Borges foi apoiada por todos os presentes à exceção da Associada Magnólia Pedrina Sylvestre, que se manifestou contra, em face aos 38 anos de história do CTC fundado a 1º de julho de 1980 e líder na realização de eventos culturais no Estado do Espírito Santo.

Segundo o Escritor João Roberto Vasco Gonçalves, Secretário Geral do CTC, em declaração amplamente divulgada na época na Internet, o Clube dos Trovadores Capixabas não morreu, apenas galgou o Status de Academia de Letras E Artes, tendo agora um quadro de 50 Cadeiras de Acadêmicos Imortais com os seus respectivos Patronos, todos nascidos ou residentes no Estado do Espírito Santo e um quadro indefinido de Acadêmicos Correspondentes, nascidos ou residentes nos demais Estados da Federação e no Exterior. De imediato constituiu-se uma Diretoria formalizando-se toda a documentação para os trâmites legais em Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. Foi marcada a data de 14 de dezembro de 2017 quando se fará a entrega de Carteiras e Diplomas aos novos Acadêmicos e será também entregue a Comenda Cultural Escritor Rocha Ramos aos que se interessarem se inscrevendo até o dia 1º de dezembro. Com relação ao próximo Congresso de Poetas Trovadores que será o XIV ficou decidido que se tentará novos contatos para a realização do evento ou na Cidade de Iúna ou na Cidade de Santa Teresa.

ACADÊMICOS FUNDADORES TITULARES

2017 – Acadêmicos Titulares – Nomes aprovados na Assembleia Geral de Instituição (Fundação) da ACLAPTCTC, realizada no dia 18 de novembro de 2017.

Cadeira Número 1, Clerio José Borges de Sant Anna – Patrono: Eno Theodoro Wanke; Cadeira Número 2, Kátia Maria Bobbio Lima – Patrono: Hermógenes Lima Fonseca; Cadeira Número 3, Roberto Vasco – Patrono: São Francisco de Assis; Cadeira Número 4, Professor Beto Gonçalves, Patrono: Nilo Aparecida Pinto; Cadeira Número 5, Margareth Gonçalves Pederzini – Patrono: Trovadora, Colombina; Cadeira Número 6, Maria Cândida Vasco Gonçalves – Patrono: São José de Anchieta; Cadeira Número 7, Soêmia Pimentel Cypreste – Patrono: Arlette Cypreste de Cypreste; Cadeira Número 8, Edilson Celestino Ferreira. Patrono: Pedro Caetano; Cadeira Número 9, Maria Elisabeth Vargas Peixoto, Beth Vargas – Patrono: Newton Braga; Cadeira Número 10, Sandra Regina Bezerra Gomes – Patrono: Eymard Cardoso de Barros; Cadeira Número 11, Ângela Lino Veríssimo – Patrono: Adelmar Tavares, Rei dos Trovadores; Cadeira Número 12, Aldo José Barroca – Patrono: Elmo Elton, Rei dos Trovadores Capixabas; Cadeira Número 13, Maria Dolores Pimentel de Rezende – Patrono: Athayr Cagnin; Cadeira Número 14, Maria José Vetorazzi – Patrono: Mário Morcerf Campos; Cadeira Número 15, Francisco Rangel Gonçalves de Oliveira – Patrono: Patativa do Assaré; Cadeira Número 16, Maria das Graças Silva Neves – Patrono: Anette de Castro Mattos; Cadeira Número 17, Jacimar Berti Boti – Patrono: Ábner de Freitas Coutinho; Cadeira Número 18, Paulo Negreiros – Patrono: Naly da Encarnação Miranda; Cadeira Número 19, Lucineia Ferreira Paz de Negreiros – Patrono: Brandina Rocha Lima; Cadeira Número 20, Maria Viola Bona – Patrono: Dr. Mário Ribeiro; Cadeira Número 21, Vera Maria da Penha – Patrono: Anselmo Gonçalves. Falecida. A Acadêmica Vera Maria da Penha faleceu em 08 de Outubro de 2018; Cadeira Número 22 Givaldo Inácio da Silva, Mestre Gil – Patrono: Alberto Isaías Ramirez; Cadeira Número 23, Nealdo Zaidan – Patrono: Argentina Lopes Tristão; Cadeira Número 24, Magnólia Pedrina Sylvestre – Patrono: Argemiro Seixas Santos; Cadeira Número 25, Gracimeri Vieira Soeiro de Castro Gaviorno – Patrono: Beatriz Abaurre; Cadeira Número 26, Fabiani Rodrigues Taylor Costa – Patrono: Solimar de Oliveira; Cadeira Número 27, Jonas Pereira Gregório – Patrono: Antônio Coelho Sampaio; Cadeira Número 28, Albércio Nunes Vieira Machado – Patrono: Albércio Vieira Machado; Cadeira Número 29, Luzia Ester Doná – Patrono: Ailsa Alves Santos; Cadeira Número 30, Zenaide Emília Thomes Borges – Patrono: Narceu de Paiva Filho; Cadeira Número 31, Isabella Marinuzzi – Patrono: Professor Francisco Filipak; Cadeira Número 32, Adriana Dutra Amaral – Patrono: Rocha Ramos; Cadeira Número 33, Valdemir Ribeiro Azeredo – Patrono: Geraldo Nascimento; Cadeira Número 34, Clérigthom Thomes Borges – Patrono: Guilherme Santos Neves; Cadeira Número 35, Teodorico Boamorte – Patrono: Renato Jose da Costa Pacheco; Cadeira Número 36, Nadilson Correa – Patrono: Afonso Cláudio de Freitas Rosa; Cadeira Número 37, José Humberto, Mágico Mandrakion, Patrono: Maria Stella de Novaes; Cadeira Número 38 Ananias Novais – Patrono: Elviro de Freitas; Cadeira Número 39 Andréia da Silva Fraga – Patrono: Nordestino Filho; Cadeira Número 40, Lino Armando Baroni – Patrono: Professor Konsciusko Barbosa Leão; Cadeira Número 41, Wallace Bertoli Moreira – Patrono: Josefa Teles de Oliveira; Cadeira Número 42, Lenaldo Ferreira da Silva (Aldo Veranatto) Patrono: Paulo Freitas; Cadeira Número 43, Berenice de Albuquerque Tavares – Patrono: Valdeci Camelo; Cadeira Número 44, José Rodrigues Pereira, Professor Pereira, Patrono Isabel Taquetti; Cadeira Número 45, Geraldo Fernandes – Patrono: Alvimar Silva; Cadeira Número 46, Cinthia Pretti Azevedo – Patrono: Obed Emmerich; Cadeira Número 47, Líbero Penello de Carvalho Filho – Patrono Augusto dos Anjos; Cadeira Número 48, Maria do Rosário Silva Santos – Patrono Edgard Luiz Gismonti; Cadeira Número 49, Emílio Soares da Costa – Patrono, Christiano Ferreira Fraga; Cadeira Número 50, Jorge Luiz de Miranda – Patrono, Benjamim Silva;

ACADÊMICOS FUNDADORES CORRESPONDENTES

2017 – Nomes aprovados na Assembleia Geral de Instituição (Fundação) da ACLAPTCTC, realizada no dia 18 de novembro de 2017.

Cadeira Número 1, Carlos Augusto Souto de Alencar, Campos dos Goytacazes, RJ – Patrono: Trovador Professor Walter Siqueira; Cadeira Número 2. Agostinho Rodrigues, da Cidade de Campos dos Goytacazes, RJ – Patrono: Trovador Antônio Roberto Fernandes; Cadeira Número 3. Neiva de Souza Fernandes, da Cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro – Patrono: José Viana Gonçalves; Cadeira Número 4. Dilercy Aragão Adler, da Cidade de São Luiz no Estado do Maranhão – Patrono: Carlos Cunha; Cadeira Número 5, Elizabeth Iacomini, de Ponte Nova, no Estado de Minas Gerais – Patrono: Trovador Paulo Emílio Pinto; Cadeira Número 6, Eloísa Maria Ávilla de Carvalho, do Estado de São Paulo – Patrono: Cecília Meireles; Cadeira Número 7, Joel Francisco Souza Batista, da Cidade de Santarém, no Estado do Pará – Patrono: Rodolfo Coelho Cavalcante; Cadeira Número 8, Margarida Drumond de Assis, de Taguatinga, Distrito Federal – Patrono: Raimundo Araújo; Cadeira Número 9, Cleia Dröse, de São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul – Patrono: Trovadora Wilma de Mello Cavalheiro, de Pelotas, RS; Cadeira Número 10, Odenir Follador, da Cidade de Ponta Grossa, no Estado do Paraná. Patrono: Sonia Maria Ditzel Martelo; Cadeira Número 11, Wilson de Oliveira Jasa, da Cidade de São Paulo.  Patrono: Walter Rossi; Cadeira Número 12, Denise de Andrade Felix, da Cidade de Itabira, Minas Gerais. Patrono: Rodolpho Abud; Cadeira Número 13, Ana Paula Quintanilha Bastos de Jesus, de Taboão da Serra, São Paulo. Patrono: Solano Trindade; Cadeira Número 14, Athylla Borborema Cardoso, da Cidade de Teixeira de Freitas, Bahia – Patrono: Ciro Vieira da Cunha; Cadeira Número 15, Lúcia Maria Matos de Oliveira, do bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro – Patrono Paulo Athayde de Freitas; Cadeira Número 16, Maria Helena Campos Pereira, da Cidade de Itabirinha, Minas Gerais – Patrono Rubem Alves; Cadeira Número 17, Adircilene Lerilda Batista e Silva, da Cidade de Lagoa da Prata, MG – Patrono: Belchior Joaquim da Silva Neto; Cadeira Número 18, Dalva Martins Frahlich, de São Gonçalo, Rio de Janeiro – Patrono: Professor Ailton Pereira de Almeida; Cadeira Número 19, Almir Zarfeg, da Cidade de Teixeira de Freitas, Bahia. Patrono: Manezim do Gavião; Cadeira Número 20, Elias Botelho, da Cidade de Itamaraju, Bahia. Patrono: Jorge Amado; Cadeira Número 21, Carlos Alberto Mensitieri Almeida, da Cidade de Teixeira de Fretas, Bahia. Patrono: Dércio Marques; Cadeira Número 22, Neusa Rocha Miguel Mendonça, Artista Plástica da Cidade de Marília, Estado de São Paulo, Patrono: Carlos Drummond de Andrade; Cadeira Número 23, Odenir Ferro, da Cidade de Rio Claro, São Paulo, Patrono Olavo Bilac; Cadeira Número 24, Eurico Eugênio Travaglia, da Cidade de Castelo, ES. Patrono: Padre Pachoal Selliti Rangel; Cadeira Número 25, Romero Cesar de Almeida Siqueira – Patrono: Luiz Fernando Tatagiba; Cadeira Número 26, Else Dorotéa Lopes, da cidade de Nova Lima, Minas Gerais. Patrono: Cássio Magnani; Cadeira Número 27, Gisele Ellen, de Teixeira de Freitas, Bahia. Patrono: Miguel Geraldo Farias Pires, o “Bidu”; Cadeira Número 28, Zilton Chagas, de Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro. Patrono: Nelson da Lenita Fachinelli; Cadeira Número 29, Tadeu Tomaz da Silva. Patrono, Luís Vaz de Camões; Cadeira Número 30, Maria Goreth Cantanhede Pereira, de São Luís do Maranhão. Patrono: Trovador Orlando Brito.

INSTALAÇÃO OFICIAL DA ACLAPTCTC – PRIMEIRA SOLENIDADE

NO AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DE VALPARAÍSO, SERRA, ES.

2017 – Foi realizada no dia 14 de dezembro de 2017 a primeira solenidade da ACLAPTCTC, ocasião em que os novos Acadêmicos da entidade receberam os seus Diplomas, sendo entregue a Comenda Cultural Escritor Rocha Ramos.

Em solenidade presidida pelo Escritor e Historiador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna e, com coordenação do Mestre de Cerimônias, Comendador Paulo Negreiros e com a presença da ex Delegada Chefe da Polícia Civil e atual Subsecretária de Integração Institucional da Secretaria de Segurança do Governo do Estado do Espírito Santo, Acadêmica, Gracimeri Vieira Soeiro de Castro Gaviorno; da Secretária Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, professora Sandra Regina Bezerra Gomes e da Secretária Adjunta da Coordenadoria de Governo da Prefeitura Municipal da Serra, Advogada Raphaela Maria de Oliveira Moraes Vasques. Com a presença ainda do Presidente da Associação Mineira de Imprensa e Vice Presidente da Federação Nacional da Imprensa Fenai/Faibra, Jornalista Wilson Miranda e da professora da cidade de Itabira, Minas Gerais, especialista em História do Brasil, pedagoga, palestrante e Mestre em Educação, Gestão e Políticas Públicas, Denise Félix e participação de inúmeras personalidades culturais e artísticas do Estado do Espírito Santo foi instalada oficialmente na noite da quinta-feira, dia 14 de Dezembro de 2017, a Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, de sigla ACLAPT-CTC.

Em seu discurso de abertura dos trabalhos e saudação a todos os presentes, Clério José Borges esclareceu que o evento tinha por objetivo homenagear os 37 anos de fundação do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, entidade cultural de divulgação da Poesia e da Trova, fundada no Espírito Santo no dia 1º de Julho de 1980 e que por decisão de Diretoria em Reunião realizada no último sábado, dia 18 de Novembro de 2017, o CTC Clube dos Trovadores Capixabas foi elevado ao “status” de Academia de Letras e Artes, com o título de Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores de sigla, ACLAPT-CTC. Clério José Borges informou que inicialmente a Academia teria apenas 40 Acadêmicos, mas em razão da grande procura, após análise dos currículos culturais, 50 Acadêmicos foram admitidos como Fundadores Titulares Efetivos e, estavam recebendo a Medalha Acadêmica e sendo diplomados. Dos pretendentes de outros Estados um total de doze Acadêmicos foram admitidos como Fundadores Correspondentes. Clério esclareceu ainda que, no mês de abril de 2018 será realizada uma grande solenidade em Vitória com o Juramento Acadêmico e, com a apresentação individual de cada confrade.

Também discursaram saudando e parabenizando a nova Academia, a Subsecretária de Integração Institucional da Secretaria de Segurança do Governo do Estado, Gracimeri Vieira Soeiro de Castro Gaviorno e a Secretária Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, professora Sandra Regina Bezerra Gomes. Foram anunciadas um número ilimitado de vagas para Beneméritos e Correspondentes e que a admissão na Academia ficaria a critério de parecer do Conselho Cultural presidido pela Acadêmica Vice-Presidente, Kátia Maria Bobbio Lima, devendo os pretendentes enviarem Currículos e solicitação para admissão até dia 1º de março. Também foi criada uma Comissão a ser presidida pela Acadêmica Magnólia Pedrina Sylvestre que cuidará dos detalhes referente a confecção da Pelerine da nova Academia, contando com a participação e colaboração da Acadêmica Gracimeri Gaviorno. Clério Borges informou que a cor da Academia é o amarelo claro e o símbolo é o Beija Flor beijando a Orquídea.

Trovismo: Movimento cultural em torno da Trova no Brasil, surgido a partir de 1950. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno Teodoro Wanke publica em 1978 o livro “O Trovismo”, onde conta a história do movimento de 1950 em diante.


Neotrovismo: É a renovação do movimento em torno da Trova no Brasil. Surge em 1980, com a criação por Clério José Borges do Clube dos Trovadores Capixabas. Para comemorar o aniversário do CTC, foram organizados anualmente os Seminários Nacionais da Trova, que aconteceram de 1981 até o ano 2000. Vinte Seminários foram realizados em cidades do norte ao sul do Espírito Santo. Geralmente são de três a quatro dias de palestras, debates, lançamento de livros, Concursos, Troveata, Baile, Serenata e Missa em Trovas. De 2001 a 2020 os Seminários receberam a denominação de Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores. De 2000 a 2020 foram realizados os CONGRESSOS BRASILEIROS DE POETAS TROVADORES sempre organizados pelo CTC Clube dos Trovadores Capixabas, que a partir de 18 de novembro de 2018 passou a ser a ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores. Durante cada Congresso realizado acontecem em três ou quatro dias os seguintes eventos, que são organizados com a coordenação e presidência do MESTRE CLÉRIO BORGES: CONCURSO DE POESIAS E DE TROVAS; EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS (PINTURAS) E DO ARTESANATO LOCAL; MOSTRA DE COMIDAS TÍPICAS; CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS E RECREAÇÃO INFANTIL; PALESTRAS. MISSA EM TROVAS; TROVEATA, (DESFILE); APRESENTAÇÃO DE GRUPOS FOLCLÓRICOS, MÚSICOS, SANFONEIROS, ARTISTAS E ACADÊMICOS COM A VESTE TALAR DA PELERINE OU FARDÃO ACADÊMICO. LANÇAMENTO E RE LANÇAMENTO DE LIVROS DE ESCRITORES E POETAS DO ESTADO E DO BRASIL; SARAU POÉTICO E VARAL DE POESIAS, COM TRABALHOS ACADÊMICOS DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO ESTADO E DO BRASIL; VÍDEOS. BATE PAPO COM O ESCRITOR; SERENATA DOS POETAS TROVADORES; OFICINAS GRATUITAS DE CRIAÇÃO POÉTICA.  Um total de 17 Congressos foram realizados em várias cidades. O primeiro Congresso foi em 2001 na Cidade de Domingos Martins. O IX Congresso foi em 2012, na Escola de Artes FAFI, em Vitória. Em 2016, o XII Congresso foi no Clube Siribeira, em Guarapari. Em 2017, o XIII foi na Cidade de Castelo. Em 2018 foram dois: em Julho em Iúna e, em Novembro em Santa Teresa. Em 2019 também dois: em Julho na cidade de Anchieta, no sul do Estado e, em Novembro, novamente na cidade de Iúna, na região da Serra do Caparaó. O Presidente Clério Borges já foi convidado e proferiu palestras em vários Estados do Brasil. Em 1987 concedeu inclusive entrevista em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro.

A Trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: É o poema de quatro versos setessilábicos com rima e sentido completo. Já Quadra é toda estrofe formada por quatro linhas de uma poesia.
Assim, não é verdade que Quadra e Trova sejam a mesma coisa e que a Trova evoca mais os Trovadores da Provença Medieval e que a Quadra seria uma forma de se fazer poesia mais moderna. A Quadra pode ser feita sem métrica e com versos brancos, sem rima. Aí então será só uma quadra sem ser a Trova que obrigatoriamente terá que ser metrificada.
Trova, nos dias atuais, é cultuada como Obra de Arte, como Literatura.
A Trova é uma composição poética, ou seja, uma poesia que deve obedecer as seguintes características:
1- Ser uma quadra. Ter quatro versos. Em poesia cada linha é denominada verso.
2- Cada verso deve ter sete sílabas poéticas. Cada verso deve ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som.
3- Ter sentido completo e independente. O autor da Trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A Trova difere dos versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o autor conta uma história que no final soma mais de cem versos, ou seja, linhas. A Trova possui apenas 4 versos, ou seja, 4 linhas.
4- Ter rima. A rima poderá ser do primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda, somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem Trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB.
Segundo o escritor Jorge Amado:
“Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais”
Poeta para ser Poeta precisa saber metrificação, saber contar o verso. Se não souber o que é escansão, ou seja, medir o verso, não é Poeta.

ACLAPTCTC

Trova é uma composição poética clássica de forma fixa, constante de quatro versos de sete sílabas, rigorosamente metrificados e rimados. Uma estrofe, qualquer que seja constante de quatro versos chama-se quadra (=quarteto). A trova, portanto é uma quadra, mas nem toda quadra é uma trova. Isso por que, uma quadra para ser trova deve atender as exigências de ter sentido completo e independente, e de possuir as rimas assim esquematizadas: ABSB; ABBA; AABB; e ABCB. A trova mais cultivada é a elaborada com o esquema de rimas ABAB.

POESIA
Poesia é a forma de expressão lingüística destinada a evocar sensações, impressões e emoções por meio da união de sons, ritmos e harmonias, utilizando-se vocábulos essencialmente metafóricos.
A poesia surgiu intimamente ligada à música. As poesias dos aedos gregos e trovadores medievais promoviam a união entre a letra do poema e o som. Ao longo dos anos, este vínculo foi se intensificando, mas houve uma distinção técnica entre a música (que passou a ser escrita em pautas) e a poesia que preservou a rítmica natural, e passou a ser construída por meios gramaticais. Posteriormente, a poesia ganhou fundamentos e regras próprias.
Existe alguma divergência entre o que significa Poema e Poesia. Para efeito geral, considera-se que são sinônimos; mas para a definição acadêmica, Poesia é o gênero de composição poética e Poema é a obra deste gênero.
Para que entendamos melhor, vejamos a definição de Poema segundo o eminente escritor, Assis Brasil:
“Poema é o “objeto” poético, o texto onde a poesia se realiza, é uma forma, como o soneto que tem dois quartetos e dois tercetos, ou quatorze versos juntos, como é conhecido o soneto inglês. Um poema seria distinto de um texto ou estrofes. Quando essa nomenclatura definitiva é eliminada, passando um texto a ser apresentado em forma de linhas corridas, como usualmente se conhece a prosa, então se pode falar em poema-em-prosa, desde que tal texto (numa identificação sumária e mecânica) apresente um mundo mais “poético”, ou seja, mais expressivo, menos referente à realidade. A distinção se torna por vezes complexa. (…) a poesia pode estar presente quer no poema que é feito com certo número de versos, quer num texto em prosa, este adquirindo a qualidade poema-em-prosa”.
Já Poesia, Assis Brasil define assim:
“(…) uma manifestação cultural, criativa, expressiva do homem. Não se trata de um ‘estado emotivo’, do deslumbre de um pôr-do-sol ou de uma dor-de-cotovelo; é muito mais do que isso, é uma forma de conhecimento intuitivo, nunca podendo ser confundido o termo poesia com outro correlato: O poema”.

VERSO
É cada uma das linhas de um poema. É a unidade rítmica da composição poética. Existem três qualificações de verso:
VERSO AGUDO; VERSO GRAVE e VERSO ESDRÚXULO.
Verso Agudo é o que termina em palavra oxítona ou em monossílabo tônico. Exemplos: trenó, luz.
Verso Grave é o verso que termina em palavras paroxítonas. Exemplos: palavra, bonito, capote.
Verso Exdrúxulo é o verso que termina em palavras proparoxítonas. Exemplos: lépido, insípido, súbito, apátrida.

POEMETO
É um poema curto. De poemetos, temos belos exemplos, como sejam: O Melro e O Fiel, de Guerra Junqueira, e Juca Mulato, de Menotti Del Picchia.

ELISÃO
É a fusão de duas ou mais vogais no mesmo verso, formando uma sílaba só. Exemplo: Dei-te amor (4 sílabas) = Dei-tea-mor (3 sílabas poéticas).

HIATO
É o encontro de duas vogais, em sílabas diferentes. Nas frases em que ele ocorre, as vogais não se fundem quando da leitura do verso. Exemplo: Está a falar.

CONTAGEM DAS SÍLABAS
Na tradição de nossa língua, a contagem de sílabas no verso difere da contagem gramatical das palavras na frase.
Enquanto nesta são consideradas todas as sílabas, no verso ela se processa como se fala, com a absorção de vogais pronunciadas. Em poesia não se contam:
– A última sílaba do verso grave. Exemplo: na palavra membrana, não se conta a sílaba na;
– As duas últimas sílabas, no verso esdrúxulo. Exemplo: na palavra prática, não se contam as sílabas ti-ca.

RIMA 
Embora desconhecida na literatura antiga, a rima tornou-se – a partir do início da Idade Média – um elemento fundamental da lírica. Ela reforçava os aspectos sonoros e musicais dos versos, além de estabelecer algumas correspondências de sentido entre eles. A rima nasce de uma semelhança ou de uma igualdade de sons em dois ou mais versos: calor / amor; remédio / tédio; etc. Geralmente, ela se dá no final dos versos, de forma alternada (AB/AB), como nesta estrofe de um poema de Vinícius de Moraes:
Distante o meu amor, se me afigura (A)
O amor como um patético tormento (B)
Pensar nele é morrer de desventura (A)
Não pensar é matar meu pensamento. (B)
As rimas também podem aparecer duas a duas (AA/BB/CC), sendo conhecidas como rimas emparelhadas. Existe também as que ocorrem entre o primeiro e o quarto versos, o segundo e o terceiro (AB/BA), recebendo o nome de rimas entrelaçadas. Há também uma rima interior, quando uma ou mais palavras que coincidem sonoramente estão no interior do verso. Veja-se este exemplo de Fernando Pessoa:
E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.
Durante o século XVIII, os autores do Arcadismo, em nome dos antigos clássicos, combateram duramente a rima na poesia. Instituiu-se então o verso branco, onde as semelhanças ou identidades de fonemas não apareciam. No século seguinte, a rima ressurgiu com força, em especial nos autores do Romantismo e do Parnasianismo. Já no século XX, ela quase desapareceu diante do verso livre (sem rima e sem métrica), utilizado pela maioria dos poetas contemporâneos.

ORIGEM DA TROVA
A Trova é uma forma poética milenar. Possui mais de mil anos.
É originária da Península Ibérica. Península é uma porção de terra cercada de água por todos os lados, exceto um, por onde se liga a outra terra. A Península Ibérica fica no Continente Europeu, ou seja, na Europa e, é constituída pelos países Espanha e Portugal.
Até o século passado, isto é, século XIX, a Trova era exclusivamente popular. Feita pelo povo.
Os textos em forma de Trova se popularizavam nos cantares da rua, nas serenatas, nos passeios, nas festas de casamento, etc.
É certo que a Trova nasceu no período da Idade Média.

A Idade Média compreende o período de anos entre a invasão do Império Romano pelos bárbaros, no século V, em 476, até a data da ocupação de Constantinopla pelos Turcos, em 1453, no século XV. Na Antigüidade, vários povos, como persas, gregos, egípcios e romanos, dominaram vastas regiões pela força, através de exércitos e com guerras, construindo imensos Impérios.
A cidade de Roma, hoje Capital da Itália, foi fundada em 753 Antes de Cristo. Transformou-se na Capital do Mundo Ocidental com a expansão do Império Romano. Graças à riqueza acumulada e aos milhares de escravos conseguidos entre os povos conquistados, tornou-se uma cidade rica na época, com magníficos palácios, monumentos, chegando a uma população de mais de 1 milhão de habitantes.
Constantinopla era a antiga cidade de Bizâncio, uma antiga colônia grega, localizada estrategicamente entre o mar Negro e o mar Mediterrâneo, que facilitava o comércio e a defesa de ataques inimigos. No ano de 330, o Imperador Romano, Constantino, que foi o primeiro a se tornar Cristão, transferiu a Capital para Bizâncio que passou a chamar-se Constantinopla, passando a ser a Capital de todo o Império Romano.
A mudança foi feita, pois os bárbaros avançavam sobre a Europa, enfraquecendo a então Capital do Império, Roma. Em 395, os bárbaros já dominavam Roma. Em 1389, os Turcos então chamados povos bárbaros, já atacavam as províncias orientais e em 1453 ocuparam Constantinopla. Era o fim do Império Bizantino que recebera este nome por estar centralizado na antiga cidade de Bizâncio. Constantinopla passou a chamar-se Istambul, e a religião Cristã foi substituída pela religião dos invasores Turcos, chamada muçulmana ou Islamismo.

Analisando a poesia das músicas cantadas nas cerimônias litúrgicas, ou seja, nas atividades religiosas, lá pelo século V, o historiador e incansável pesquisador Eno Teodoro Wanke, acabou descobrindo muitos refrões, já em forma de quadras.

Refrão significa estribilho, ou seja, versos repetidos no fim de um grupo de versos de uma composição poética.

A Península Ibérica, no século VII fora invadida pelos Árabes.
Segundo a Bíblia, os Árabes são descendentes de Ismael, filho de Abraão.

Árabe, significa “aqueles que falam claramente”.
Subdivididos, em princípio, em muitas tribos, a partir do século VII, os Árabes formaram um Império baseado no Islamismo, uma religião fundada pelo profeta Maomé e que tem o Alcorão como livro sagrado de leis.
O Império Árabe expandiu-se através de feitos militares, chegando a ocupar vasto território em três continentes: Ásia, África e Europa. Os Árabes eram originários da Arábia, região da Ásia. Os Turcos são originários da Turquia, região também da Ásia e cuja extremidade sudeste do território ocupa a Europa. Por professarem uma religião diferente da religião Cristã, os Árabes e os Turcos eram chamados pelos povos Cristãos, como os Bárbaros.

No século XI, a expansão dos Árabes ia pela Ásia Central Soviética até o noroeste da África e a Península Ibérica.
Assim o poeta Mocadem, poeta cego, nascido em 840 da nossa Era, em Cabra, na região espanhola da Andaluzia, foi um dos primeiros a utilizar a Trova popular em estado rude, utilizando-a nos seus escritos em árabe, que fechavam com um poema curto, popular, em língua romance (a falada na Andaluzia) denominada então de Carja.
Mocadem nasceu em plena dominação Árabe na Espanha, na Península Ibérica e era, portanto um poeta de língua Árabe. Faleceu em 920 D.C.
A partir do século XIII, a Trova começa a desenvolver-se com certo requinte, ou seja, de forma mais aprimorada, mais bem feita. Em “Cantigas de Santa Maria”, livro escrito pelo Rei Afonso X, de Castela, região da Espanha, no século XIII, encontramos mais de 200 refrões com as características da nossa Trova. Eis um exemplo:
Conhecidamente mostra
milagres Santa Maria
em aqueles que a chamam
de coração, noite e dia.
Os séculos seguintes estão cheios de poemas com refrões, com as características de Trova.
No século XVI, encontramos Trovas do Poeta Camões.
Luís Vaz de Camões é considerado um dos maiores poetas épicos.
Poeta épico é aquele que faz poemas grandes, sobre assuntos e ações heróicas.
Camões nasceu em Lisboa em 1524. Em 1552, numa batalha na África, perdeu o olho direito. Pouco se sabe com segurança sobre a vida de Luís Vaz de Camões. É provável que tenha nascido por volta de 1525, talvez em Lisboa. Deve ter tido uma educação esmerada, apesar de pertencer à camada menos abastada da corte portuguesa. Supõe-se que tenha estudado no Convento de Santa Cruz, no qual trabalhava Dom Bento de Camões, seu tio. Lutando contra os mouros, na investida portuguesa em Ceuta, em 1549, perde a vista direita, razão pela qual será sempre representado futuramente com um tapa-olho. Preso durante o ano de 1552 por se envolver em brigas, embarca para o Oriente no ano seguinte em serviço militar. Vivendo na miséria em Goa e Moçambique durante 16 anos, chega a ter o seu Auto de Filodemo representado na Índia e, graças ao auxílio financeiro de amigos, regressa a Lisboa em 1569. Data desse período de dura peregrinação pelas colônias ultramarinas portuguesas a imagem de Camões que o
 s românticos haveriam de perpetuar: a do poeta miserável, exilado e saudoso de sua terra, sofrendo humilhações no cotidiano e escrevendo os mais sublimes versos como vingança. A conhecida história de seu relacionamento com Dinamene, companheira chinesa do poeta, reforça essa imagem. Navegando pelo rio Mecon, na Indochina, o casal sofreria um naufrágio. Diz a lenda que Camões teria conseguido salvar a si e aos manuscritos dos Lusíadas, enquanto a infeliz Dinamene morria afogada. Camões dedicaria à amada morta vários de seus poemas líricos, procurando elevá-la às mesmas alturas da Laura de Petrarca ou da Beatriz de Dante. Retornando a Portugal, consegue publicar, em 1572, a sua obra-prima, Os Lusíadas, e passa a viver de uma modesta pensão oferecida por Dom Sebastião, a quem dedicara seu poema épico. Morre em 1580, mesmo ano em que Portugal perdia sua autonomia política, caindo sob o domínio da temível Espanha. Em carta a Dom Francisco de Almeida, o poeta sintetiza este moment
 o: “…acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não me contentei em morrer nela, mas com ela”.  Lisboa é a Capital de Portugal, país que com a Espanha forma a Península Ibérica.
Camões escreveu o poema épico, “Os Lusíadas” que possui 1.102 estrofes e 8.816 versos. Estrofe é um conjunto de versos de uma composição poética. Já verso, em poesia, é cada linha de um poema. Assim os  “Os Lusíadas”  é um poema que possui 8.816 linhas.
O livro “Os Lusíadas” foi publicado com sucesso em 1572. Apesar do sucesso de sua obra épica, Camões morreu na miséria em 1580. Poemas líricos seus, só foram publicados 15 anos após sua morte. Eis uma de suas Trovas, no esquema de rima “ABBA”:
Campos bem-aventurados
tornai-vos agora tristes,
que os dias em que me vistes
alegre,  já são passados.

A partir de Camões (Século XVI) até o Século XVIII, a trova ficou, praticamente, no obscurantismo. Somente por volta de 1815, através de uma coletânea de contos folclóricos alemães de Wilhein e Jacob Grimm foi que a trova reapareceu. Em 1859, houve uma publicação sobre “trovas folclóricas” de Cecília Bohl, intitulada Cuentos y Poesias Populares Andaluces. Em 1867 veio a lume a coleção de “Trovas Portuguesas”, organizada por Teófilo Braga (1843-1924). Em 1883, foi lançado em Portugal, o livro “Cantos Populares do Brasil”, de autoria do sergipano Silvio Romero (1851-1914).
Em 1902, Antônio Correa de Oliveira (1879-1960) publicou o livro “Cantigas”, o primeiro livro de Língua portuguesa inteiramente de trovas.

OBS.: O texto acima de autoria do Poeta, Escritor e Historiador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna foi publicado no Livro ORIGEM CAPIXABA DA TROVA, lançado no dia 03 de Outubro de 2007, na Casa do Congo Mestre Antônio Rosa, na Serra Sede, um dia antes da Sesão Solene comemorativa do Dia Municipal do Poeta Trovador, realizado na Câmara Municipal da Serra.

Clério José Borges

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