Neotrovismo: Poetas, Trovadores Clério José Borges de Sant Anna e Eno Teodoro Wanke,

ESCRITOR, POETA TROVADOR, ENO TEODORO WANKE

CTC Eno Teodoro Wanke Neotrovismo Trovismo

Homenagem ao escritor, poeta e trovador
Eno Teodoro Wanke (1929-2001),
que, com a beleza de sua obra literária,
estará sempre presente entre nós.

Saudações dos amigos poetas!

Abaixo, texto enviado por Clério José Borges 

Homenagem ao escritor, poeta e trovador
Eno Teodoro Wanke (1929-2001)
Homenagem ao escritor, poeta e trovador
Eno Teodoro Wanke (1929-2001)

A trova está de luto. Seu maior, melhor e mais competente historiador faleceu. Perdemos um pouco da alegria e da orientação equilibrada e sincera daquele que devotava a sua vida em favor da literatura e de modo especial na divulgação da Trova, esta composição poética de quatro versos com rima e sentido completo. A trova, o mundo dos trovadores, o Trovismo e o Neotrovismo estão de luto.

    Eno em 1980 deu a idéia da criação do Clube dos Trovadores Capixabas e de 1981 a 1999, todos os anos comparecia com a sua esposa Irmã aos Seminários Nacionais da Trova, no primeiro final de semana de Julho, em comemoração ao aniversário do CTC, promotor do evento.

    Foi de Eno a idéia dada ao então Deputado Antônio Moreira instituindo o Beija Flor como o pássaro símbolo do Espírito Santo, fato concretizado e transformado em lei votada e aprovada pela Assembléia Legislativa.

    Por seu trabalho de divulgação do CTC e do Estado do Espírito Santo à nível nacional, Eno Theodoro Wanke recebeu dos Deputados Capixabas o título de Cidadão Espírito-santense.

    Eno nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929.  Filho de Lucilla Klüppel Wanke e de Ernesto Francisco Wanke. Formou-se em Engenheiro Civil em Curitiba (1953), de refinação de petróleo no Rio (1958) e provisionou-se com administrador em 1970. Na Petrobrás fez brilhante carreira, chegando à chefia da Divisão de Organização, em época de grande expansão da Empresa.

    Escreveu desde os doze anos. Começou como romancista. Aos 16 anos passou a contista. No ano seguinte virou poeta e, logo a seguir, trovador. Além disso, é sonetista, haicaista, tradutor, antologista, pesquisador, biógrafo, ensaísta, historiador, folclorista, estudioso da língua, mestre de metrificação, clequista, frasista, cronista, biógrafo, dicionarista, bibliógrafo, contista e minicontista, cronista, fabulista, polemista, prefaciador, memorialista e palindromista. Seus livros e livrotes ultrapassam os 1. 200 títulos.

    Como sonetista, obteve seu maior triunfo com o soneto Apelo que mereceu mais de 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o poema em português mais traduzido para idiomas estrangeiros.

    Aderiu ao movimento trovista desde o seu primeiro momento, em 1950, ao lado de Luiz Otávio.

    A partir de 1980, uniu-se a Clério José Borges no esforço da renovação do trovismo, hoje conhecido por neotrovismo. Organizou, fundou e foi presidente de honra da Federação Brasileira de Entidades Trovistas, FEBET. Hoje é Presidente de Honra perpétuo da mesma entidade.

    Segundo o Escritor Paulo Rónai, Eno era o historiador e principal teórico do Movimento Trovista, que completou em 2000, seu cinqüentenário. Em 1990, a Escritora Therezinha Radetic, do Rio de Janeiro, analisava sua produção e biografia no livro, “Eno Theodoro Wanke, sua vida e sua obra”.

    Em 2000 foi inaugurada a Home Page, página de Eno na Internet.  A página se constituiu num imenso sucesso pois até maio de 2001 havia recebido mais de 8 mil visitas. Muitos, na Internet, possuem páginas desde 1995 ainda não chegaram a 2000 visitas.

    No dia 23 de junho, Eno iria completar 72 anos de idade e em 2004, 75 anos. A FEBET, por decisão da Diretoria estabelece o ano 2004, o Ano Eno Theodoro Wanke e conclama a todos que conheceram e admiram a obra do Escritor paranaense e cidadão Espírito-santense, para que se mobilizem em todo o Brasil para uma cruzada cultural de comemorações em 2004. Afinal Eno merece nossa lembrança para sempre. Adeus amigo.

    Eno não morreu. Eno é imortal. Sua figura de porte alto, altivo, estará sempre presente em nossos corações e sua obra poética maravilhosa a deleitar e encantar a todos os mortais.

Clério José Borges – Presidente do CTC (Vitória, ES) e presidente Executivo da FEBET (RJ).

Seminário da Trova no Espírito Santo: Rodolfo Coelho Cavalcante; Clério José Borges; Eno Teodoro Wanke e Nealdo Zaidan de óculos atrás.
Seminário da Trova no Espírito Santo: Rodolfo Coelho Cavalcante; Clério José Borges; Eno Teodoro Wanke e Nealdo Zaidan de óculos atrás.

BIOGRAFIA DE ENO TEODORO WANKE

Nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929. Filho de Ernesto Francisco Wanke e de Lucilla Klüppel Wanke. Aprendeu as primeiras letras na Escola Evangélica Alemã, de sua cidade natal. Quando a escola foi fechada em razão do advento do Estado Novo, o futuro escritor foi transferido para o Liceu dos Campos, cuja proprietária era a educadora Judith Silveira, hoje nome de rua na cidade.

Estudou também no Colégio Regente Feijó, de Ponta Grossa, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Castro, PR, onde completou o ginásio. Em 1948, transferiu-se para Curitiba, PR, onde terminou o científico no Colégio Iguaçu e em 1949, após vestibular, entrou para a Escola de Engenharia Civil da Universidade do Paraná, formando-se em 1953. Trabalhou na Prefeitura de Ponta Grossa (1954-1955). Atuou como fiscal de construção de uma linha de alta tensão elétrica em Curitiba, da Companhia Força e Luz do Paraná.

Em 1957 ingressou, por concurso, no curso de Refinação de Petróleo, da Petrobrás, no Rio, passando a trabalhar em 1958 na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, SP, residindo em Santos, onde viveu onze anos. A partir de 1969 passou a residir no Rio de Janeiro, onde fez carreira dentro da Empresa.

Começou a escrever desde os doze anos. Poeta, Trovador, Contista, Cronista, Biógrafo, Ensaísta, Historiador, Fabulista e Prefaciador, entre outros. Como sonetista de primeira, obteve com o soneto APELO, 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros:
“Eu venho da lição dos tempos idos
e vejo a guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?

Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!

É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura…

Que a estrutura econômica da guerra
se faça em pó! E que reinem sobre a terra
os frutos do trabalho e da fartura!”.

Como trovador, escreveu trovas magníficas e inesquecíveis, como estas, entre outras:
“Senhor! Que eu pratique o bem
separe o joio do trigo,
e tenha força também
de amar o irmão inimigo.”

“Na praia deserta, eu penso
que a imagem da solidão
começa no mar imenso
e finda em meu coração.”

“Quem vai ao mar deitar rede
que tome cuidado, tome!
o mar nunca teve sede,
mas nunca vi tanta fome!”

“Seguindo a trilha infinita
do meu destino estrelado,
eu sou aquele que habita
a ilusão de ser amado.”

“O meu destino se encerra
num grave e eterno conflito:
– meu corpo é feito de terra,
– meu coração, de infinito.”

A obra de Eno Theodoro Wanke é extensa e variada. Eis as principais: “NAS MINHAS HORAS” (poesia, 1953), “MICROTROVAS” (1961), “OS HOMENS DO PLANETA AZUL” (sonetos, 1965), “OS CAMPOS DO NUNCA MAIS” (poesia, 1967), “VIA DOLOROSA” (sonetos religiosos, 1972), “A TROVA” (estudo, 1973), “A TROVA POPULAR” (estudo, 1974), “A TROVA LITERÁRIA” (estudo, 1976), “REFLEXÕES MAROTINHAS” (pensamentos humorísticos, 1981), “VIDA E LUTA DO TROVADO RODOLFO CAVALCANTE” (biografia, 1982), “A CARPINTARIA DO VERSO” (didática da metrificação, 1982, 1989, 1990 e 1994), “DE ROSAS & DE LÍRIOS” (minicontos, 1987), “O ACENDEDOR DE SONETOS” (líricos, 1991), “ALMA DO SÉCULO” (sonetos, 1991), “FÁBULAS” (1993), “ADELMAR TAVARES, UM TROVADOR AO LUAR” (biografia, 1997), “ANTOLOGIA DE SONETOS SOBRE A TROVA” (1998), “CONTOS BEM-HUMORADOS” (1998), “FARIS MICHAELE, O TAPEJARA” (biografia, 1999), “ELUCIDÁRIO MÉTRICO” (metrificação, 2000) e “APARÍCIO FERNANDES, TROVADOR E ANTOLOGISTA” (biografia, 2000).

O escritor transitou do CLÁSSICO ao MODERNISMO com elegância e competência, passando pelo lirismo, romantismo, parnasianismo, às vezes até irreverente como no caso de “NESTE LUGAR SOLITÁRIO” (a trova em grafitos de banheiro, 1988) e “ANTOLOGIA DA TROVA ESCABROSA” (1989), aderindo, de forma brilhante ao TROVISMO, desde o seu primeiro momento, em 1950, tornando-se um dos maiores propagadores e historiadores do Movimento da Trova Brasileira.

Eno foi um escritor exuberante, multiforme e polivalente. Alguns CLECS (pensamentos humorísticos) de Eno, selecionados por Elmar Joenck, publicados em 1998: “Quando um adjetivo mente, ele, por castigo, vira advérbio. Folha que se desprende da árvore não volta nunca mais. Melhor perder o trem do que perder a linha. O sol nasce para todos. Mas a maioria prefere dormir um pouco mais. Um tolo inteligente não fala, que é para não revelar sua condição”. Organizou e participou ao lado do Trovador Clério José Borges de Sant’Anna, dos Seminários Nacionais da Trova, no Estado do Espírito Santo, organizados pelo Clube dos Trovadores Capixabas, de 1981 a 1999. Recebeu o título de Cidadão Espírito-santense, conferido pela Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Faleceu a 28 de maio de 2001, deixando livros e livrotes que ultrapassam 1000 títulos.

Está presente em várias obras de Aparício Fernandes, entre outras: “NOSSAS TROVAS”, 1973; “NOSSOS POETAS”, 1974; “POETAS DO BRASIL”, 1975; “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980 e 1981; “NOSSA MENSAGEM”, 1977; “ESCRITORES DO BRASIL”, 1979, 1980. Participou também das “COLETÂNEAS DE TROVAS BRASILEIRAS”, organizadas pelo Trovador Fernandes Vianna, Recife, PE. Verbete de inúmeras obras literárias, entre outras: ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, edição do MEC, 1990, edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, em 2001.

Neotrovismo: Poetas, Trovadores Clério José Borges de Sant Anna e Eno Teodoro Wanke
Neotrovismo: Poetas, Trovadores Clério José Borges de Sant Anna e Eno Teodoro Wanke

Entrevista de Clério José Borges com a viúva do maior trovólogo e historiador Eno Teodoro Wanke. Na quinta feira, dia 13 de Abril de 2017, o Poeta e Escritor, Historiador Capixaba Clério José Borges de Sant Anna, autor dos Livros História da Serra, ES; Serra Colonização de uma Cidade; A Trova Capixaba e Dicionário Regional de Gírias e Jargões, acompanhando do seu Filho mais novo Cleberson José Thomes Borges estiveram em visita ao Morro da Urca e ao Morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Foi uma visita maravilhosa. Embora o tempo não estivesse de sol quente, pudemos aproveitar a vista e tirar muitos fotos e produzir alguns vídeos que são mostrados no Canal do You Tube de Clério José Borges. O Pão de Açúcar é um complexo de morros localizado no bairro da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É composto pelo morro do Pão de Açúcar e morro da Urca. O Morro do Pão de Açúcar possui 396 metros de altura. O Morro Mestre Álvaro na Cidade da Serra, ES, possui 833 metros de altura. No morro do Pão de Açúcar em um painel pode-se colocar Mensagens. Coloquei lá o meu nome e os nomes de minhas Netas MARINA e CHRISTAL. Cleberson colocou o nome dele. No Morro da Urca trilhas pela Mata e as letras do UFC (Campeonato de lutas do MMA). Um encanto. O Rio de Janeiro continua lindo. Registro de Clério José Borges E mail: cj-anna@bol.com.br; Web Site: www.clerioborges.com.br

Seminário Nacional da Trova1981- Argentina Tristão, Eno e Clério Borges. Ao lado mesa que presidiu a solenidade de abertura do Primeiro Seminário Nacional da Trova em 1981 em Vila Velha ES
Seminário Nacional da Trova1981- Argentina Tristão, Eno e Clério Borges. Ao lado mesa que presidiu a solenidade de abertura do Primeiro Seminário Nacional da Trova em 1981 em Vila Velha ES

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