Filme Insurreição do Queimado. Clério José Borges como ator.

FILME “QUEIMADO” CONTA A REVOLTA DOS NEGROS ESCRAVOS OCORRIDA NA SERRA, ES

Cinema História Negros Escravos Revolta do Queimado
Ator Edson Ferreira e Ator Clério José Borges. Clério José Borges também teve uma pequena participação como Ator no Filme "QUEIMADO", realizado em 2004, pelo Diretor, João Carlos Coutinho e que conta a história da Revolta dos Negros Escravos, ocorrida no Distrito do Queimado, no Município da Serra, em 19 de março de 1899.
Ator Edson Ferreira e Ator Clério José Borges. Clério José Borges também teve uma pequena participação como Ator no Filme “QUEIMADO”, realizado em 2004, pelo Diretor, João Carlos Coutinho e que conta a história da Revolta dos Negros Escravos, ocorrida no Distrito do Queimado, no Município da Serra, em 19 de março de 1899.

Clério José Borges também teve uma pequena participação como Ator no Filme “QUEIMADO”, realizado em 2004, pelo Diretor, João Carlos Coutinho e que conta a história da Revolta dos Negros Escravos, ocorrida no Distrito do Queimado, no Município da Serra, em 19 de março de 1899. Em determinado momento, há um diálogo entre Chico Prego, Elisiário e o Frei Italiano Gregório De Bene e logo depois, um do Coronéis, interpretado por Jeremias Hilário dos Santos, (57 anos), grita: “Fecha as Portas!!!”. Clério José Borges, na figura do Coronel Manoel Oliveira responde: “Não. Não feche…O que os negros vão pensar de nós?! Que somos covardes?!!! Se vocês fecharem as portas, eles vão criar muito mais coragem para nos enfrentarem!!!”.
Maravilha !!! Foi a minha primeira interpretação como ator. Uma Glória. Mas pensam que foi fácil!!! Lêdo engano. Na primeira vez errei a ultima frase. Na segunda também. Na terceira esqueci o final e improvisei e depois a coisa foi fluindo normalmente e no final tudo deu certo.


UM DOMINGO DIFERENTE
Por Clério José Borges.

Domingo, dia 14 de março de 2004, positivamente foi um dia diferente. A convite do cineasta João Coutinho participei das filmagens do Curta sobre a Insurreição do Queimado. Cheguei por volta das 10 horas da manhã. Mais de 60 pessoas já estavam aglomeradas nas proximidades da Igreja São João Batista. A capela construída em 1584, foi reconstruída em 1996, sendo re-inaugurada em 05 de maio de 1996. Localizada distante do núcleo habitacional, transformou-se no local ideal para as filmagens de um fato histórico, iniciado no dia 19 de março de 1849, quando o Distrito do Queimado, na Serra, foi palco de uma Revolta de Negros Escravos.
Logo, Maria Martha, assistente do Diretor João, forneceu-me um colete especial, confeccionado nos moldes dos usados em 1849.
Enquanto a equipe técnica se preparava para as primeiras filmagens, grande parte do elenco se preparava. Uns decoravam textos. Outros tinham as roupas ajustadas e alguns eram maquiados por Jota Jota e uma auxiliar. Uma grande festa.
Logo uma reunião com o Diretor João e um auxiliar e, em seguida todos seguiram por um pequeno caminho, mato a dentro, para as filmagens de uma procissão. Cantando um hino religioso, a procissão tinha como destino a Igreja de São José do Queimado. A cena foi repetida por cerca de três vezes e o Diretor do alto de uma Grua e, depois em terra firme, fazia as filmagens do elenco.
Após alguns minutos, aproveitados para um lanche, seguimos para as cenas dentro da Capela de São João Batista. Cenas da procissão entrando na Igreja e depois tomadas da celebração. No momento em que o Frei Gregório Maria de Bene realizava a consagração, os negros escravos invadiram a Igreja exigindo a Alforria, a liberdade. As cenas foram bem dirigidas e a maior parte do elenco assustou-se com a invasão repentina dos negros, com suas espingardas.
De imediato, há um diálogo entre Chico Prego, Elisiário e o Frei Italiano Gregório De Bene e logo depois, um do Coronéis, interpretado por Jeremias Hilário dos Santos, (57 anos), grita: “Fecha as Portas!!!”.
Clério José Borges, na figura do Coronel Manoel Oliveira responde: “Não. Não feche…O que estes negros vão pensar de nós?! Que somos covardes?!!! Se vocês fecharem as portas, eles vão criar muito mais coragem para nos enfrentarem!!!. Foi a minha primeira interpretação como ator. Uma Glória. Mas pensam que foi fácil!!! Lêdo engano. Na primeira vez errei a ultima frase. Na segunda também. Na terceira esqueci o final e improvisei e depois a coisa foi fluindo normalmente e no final tudo deu certo. Ah!!! Teve até gente que veio me cumprimentar pela interpretação. Não sabe eles que na verdade, eu estava nervoso e apreensivo de fazer vexame na frente de todo mundo. Pagar mico, como dizem os mais jovens. Só me acalmei mesmo, quando percebi que os erros são comuns e outros atores, também estavam errando o texto. Que alívio!!!
Nas filmagens no interior da Igreja duas cenas foram bem significativas. Numa, meu amigo Aurélio Carlos, na figura de um dos negros revoltosos avançou para mim e tentou me sufocar com as mãos. Agarrou firme no pescoço e não queria largar de jeito nenhum. O Diretor João, (foto ao lado), não sei se por sacanagem ou para dar realismo a cena, gritou para Aurélio: “Avança no Clério”. E, ele foi mesmo. Eu, tive que sofrer, com as mãos fortes do Aurélio no meu pescoço. Eu estava querendo colaborar e fazer a cena com realismo. Depois um auxiliar do Diretor, o Mark acabou falando para o Aurélio ficar calmo e não me agarrar. Outro detalhe foi que o personagem Escravo Manoel, interpretado pelo Ator João Vita (24 anos), com uma Espingarda de dois canos nas mãos colocava a mesma no meu nariz e eu não podia me mexer pois era o “Coronel” que enfrentava os negros.

OS ATORES:
Frei Gregório Maria de Bene, interpretado pelo Ator, Edson Ferreira, 38 anos. Nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Ator desde os 12 anos de idade. Já trabalhou na Rede Globo de Televisão onde fez a novela “Madona de Cedro”.
A atriz capixaba, Verônica Gomes, (de roupa preta), interpretou Donana
O Negro Chefe da Revolução junto com Chico Prego, Elisiário foi interpretado pelo ator Everaldo Nascimento (44 anos, Nascido em Vitória, ES).
Chico Prego foi vivido pelo ator Ederaldo dos Santos Monteiro Júnior (26 anos. Nasceu em Campos, RJ)
O escravo Manoel que com sua Espingarda amedrontava acintosamente o Coronel Manoel Oliveira (Clério José Borges), foi vivido por João Vita, ator de 24 anos, trabalhando há 10 anos como artista.

OS CORONÉIS:
Os Coronéis foram interpretados por:
Jeremias Hilário dos Santos (57 anos, nascido em Aracruz, ES);
Carlos Rogério do Nascimento (52 anos, Nascido em Afonso Cláudio, ES);
José Borghete;
José Soares de Almeida Neto (49 anos, nascido em São Manoel do Mutum, MG);
Sinvaldo Vieira de Menezes, (53 anos, nascido em Ecoporanga, ES), faz parte da Comunidade Católica São João Batista de Carapina Grande;
Raulino da França (76 anos. Nasceu em Colatina, ES e reside em Carapina Grande). Faz parte da Comunidade Católica São João Batista de Carapina Grande;
José Lúcio Paulino (43 anos, nasceu em Nova Venécia, ES);
Edivaldo Sartório Vailandt (43 anos, Nascido em Rio Bananal, ES);
José Eduardo Dias Gomes (22 anos, nascido em Vitória, ES);
O conhecido Jota Jota, cujo nome verdadeiro é José de Jesus, (37 anos. Nascido em Mantenópolis, ES).
Coronel Manoel Oliveira, interpretado por Clério José Borges (53 anos, nascido em Aribiri, Vila Velha, ES).

AS ESPOSAS DOS CORONÉIS
Apenas alguns nomes foram anotados
Letre Masioli dos Santos (É poetisa e Trovadora);
Rita de Cássia Sodré. Nasceu em Resplendor, Minas Gerais e reside no bairro São Marcos, Serra, ES. Foi convidada por Maria Martha para participar das filmagens. Na procissão aparece de braços dados com Clério José Borges (Coronel Manoel Oliveira);
Gerusa Dias Gomes (58 anos, nascida em Vitória, ES)
Lourência Riani, ex-vereadora e membro atuante da Comunidade de Carapina Grande

OS NEGROS ESCRAVOS
Como negros escravos, participaram os integrantes do Grupo de Capoeira, com 19 componentes, denominado “Associação de Capoeira Raíz do Força”, de Parque Residencial Laranjeiras, sob a direção do Mestre Faísca (Walter Silva Santos, 33 anos, Nascido em Camacã, Bahia);
Aurélio Carlos Marques de Moura. Presidente do Conselho Municipal de Cultura da Serra. Membro da Academia de Letras e Artes da Serra. Jornalista. Fotógrafo. Teve uma participação especial como um dos negros que invadiram a Igreja de São José.

Filme ” Queimado ” realizado em 2004 pelo Diretor João Carlos Christo Coutinho conta a história da Revolta dos Negros Escravos, ocorrida no Distrito do Queimado, no Município da Serra .

A Freguesia de São José do Queimado foi criada pela resolução provincial nº 9, de 27 de julho de 1846, anexado ao Município de Vitória, no Espírito Santo. Segundo o historiador José Francisco de Assis, “a localidade de São José do Queimado se formou como todas as outras. A beira do rio Santa Maria foi aberta a primeira lareira. Rolara por terra a braúna (árvore nativa) para esteio (construção da peça de madeira usada para segurar ou escorar) do casebre, retirado o cipó para amarrar as ripas feitas de palmito, e as folhas deste para a cobertura. Vieram depois outras habitações e surgiram as grandes fazendas, vindo o arraial, por fim o distrito, a vila.” (ASSIS, 1948, p.48).

  Algumas publicações informam que a data da criação da Freguesia seria 27 de Agosto. A data de 27 de Julho de 1846 consta de um ofício do Presidente da Província, Antônio Joaquim de Siqueira ao Bispo do Rio de Janeiro, datado de 8 de março de 1848, onde consta, “(…) Julgo, porém do meu dever informar a V. Exa., que por Lei Provincial, de 27 de julho de 1846, decretada antes da minha administração foi elevado o sobredito lugar a Freguesia, como V. Exa. verá cópia junta, e que nele está sendo construído por aquele Missionário, à custa dos Fiéis, e por meio de suas exortações, um majestoso templo, de pedra e cal, que tem de ser dedicado ao patriarca São José, exercitando a admiração de todos, por sua grandeza, e por se estar fazendo, pudesse dizer, no centro da pobreza. Já vi essa Igreja, e creio que concluída será uma das mais importantes da Província.” (Fonte: Secretaria de Governo, livro 132 In: ROSA, Afonso Cláudio de Alvarenga. 1979, p. 139 – 140).

  Queimado em 1849 possuía um total de 5000 habitantes e estava situado à margem do Rio Santa Maria da Vitória, onde havia um porto chamado Porto do Una, (Negro), um importante entreposto (depósito) comercial, onde era embarcada, em canoas que comportavam mais de cem sacas de café, a produção da região da Serra e onde eram desembarcados os produtos importados que atendiam às necessidades locais. Trafegavam canoas carregadas de café, farinha de mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão. O rio servia como via para o transporte em geral, inclusive para a integração de Vitória com a Serra e com o Norte do Espírito Santo.

  Na época, século XIX, a Freguesia do Queimado limitava-se com a Freguesia da Serra pelo rio Tangui e Porto do Una, seguindo a margem do brejo até a ponte do mesmo nome e, em linha reta, até a estrada de São João, na ladeira das pedras, compreendendo Itapocu e todo o Caioba. Parecia que o destino reservava certa importância ao povoado do Queimado, não obstante a pobreza do lugar. Mas um lento e irremediável processo de decadência econômica e despovoamento, iniciado já na segunda metade do século XIX, frustrou esta possibilidade. Hoje, no local onde se localizava a vila, os únicos testemunhos visíveis do engenho humano são as ruínas da Igreja de São José.

A Freguesia do Queimado ao ser criada pertencia a Vitória. Somente pelo Decreto Lei Estadual nº 15.177, de 31 de Dezembro de 1943, Queimado foi desmembrado do município de Vitória sendo anexado ao município de Serra. Queimado hoje é um Distrito da Serra, um dos Municípios que compõem a área periférica da Grande Vitória, no Estado do Espírito Santo. A Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra tinha sido elevada à Freguesia por Carta Régia em 1724, mas a Freguesia somente foi instalada na Serra sede, em 1769, depois de construída a igreja nova, matriz que tinha por filial a ermida de São José, localizada no Queimado. O termo ermida significa uma pequena igreja ou capela, normalmente localizada fora das povoações ou em lugares ermos.

Maria Martha dando um trato no ator Clério José Borges antes das filmagens. Filme de João Carlos Cristo Coutinho.
Maria Martha dando um trato no ator Clério José Borges antes das filmagens. Filme de João Carlos Cristo Coutinho.

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