Maracajaguaçu, Chefe da Nação dos Índios Temiminós, fundador da Aldeia que dá origem a SERRA ES

ÍNDIOS TEMIMINOS -Maracajaguaçu – Araribóia – Manemoaçu – Cão Grande.

Colonização Espírito Santo História História da Serra Índios Temiminós

Os Índios da ilha de Paranapuã, no Rio de Janeiro,

que no Espírito Santo fundaram a Aldeia Indígena

que deu origem a atual Cidade da Serra

Pesquisa do Escritor Clério José Borges.

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e agradecemos a citação da fonte.

ORIGEM DOS ÍNDIOS AMERICANOS

Texto de Clério José Borges (Livro “História da Serra”)

Estima-se entre um milhão e cinco milhões o número de índios que viviam no Brasil em 1.500, à época do descobrimento do Brasil. Esse número foi obtido tomando-se por base o ocorrido no antigo México e Peru, onde o decréscimo da população nativa foi de vinte a um, ou seja, de cada 20 indivíduos restou apenas um. Considerando-se que a população indígena do Brasil, em1980, era de 227.800 pessoas e multiplicando-se esse número por 20, chega-se a 4.556.000 índios em 1500.

O Mapa Etno-histórico do Brasil e países limítrofes, do etnólogo alemão-brasileiro Curt Nimuendaju Unkei, publicação conjunta do Museu Nacional e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, de 1981, indica a localização de 1400 tribos existentes em 1500, que falavam línguas pertencentes a 40 troncos, divididos em 94 famílias lingüísticas. Isso sem contar as línguas isoladas, que não podiam ser agrupadas em famílias.

O Mapa mostra o rumo das migrações dessas tribos, a época em que ocorreram os primeiros registros sobre elas e aquelas que se extinguiram nos 450 anos seguintes à invasão européia e que correspondem a 90 por cento do total. Apesar de não se ter notícia, em nenhuma outra parte do mundo, de uma variedade lingüística semelhante à verificada na América do Sul tropical, a precariedade de dados históricos torna impossível precisar a totalidade da população indígena do Brasil, em 1500.

A origem dos índios americanos ou Ameríndios, à época da descoberta da América, gerou muitas dúvidas. De ordem intelectual porque a presença de seres humanos no continente recém- descoberto representava um desafio para os europeus, que tentavam enquadrá-los na sua forma tradicional de explicar o mundo. Prática porque, se comprovada a sua origem independente de contato com o Velho Mundo, isso excluiria os indígenas dos descendentes de Adão, única explicação dos europeus para a origem dos homens, colocando-os na categoria de não-humanos. Em conseqüência, estariam os índios sujeitos a todo tipo de exploração, da qual não escaparam mesmo depois de declarados homens através de uma bula do Papa Paulo III, em 1537.

Embora não se tenha encontrado uma resposta definitiva sobre a origem dos índios, essas antigas hipóteses, mais excêntricas, vêm sendo substituídas por outras, mais razoáveis. As primeiras – do período quinhentista até o início deste século – incluíam os índios entre os descendentes de Judeus, Fenícios, Cananeus e Mongóis, entre outros povos do Velho Mundo. Outra hipótese atribuía à Atlântida, imensa ilha que teria existido ao longo da costa da Europa e do Norte da África, a Oeste do estreito de Gibraltar, a facilidade da passagem entre o Velho Mundo e a América. Essas hipóteses, entretanto, foram descartadas a partir da constatação, por geólogos e paleontólogos, de que os continentes e mares já apresentavam a atual configuração quando o homem surgiu sobre a terra. De interesse histórico é também a tese do paleontólogo Ameghino, segundo a qual a humanidade seria originária da região meridional da América do Sul, mais precisamente na Argentina, onde teria surgido o Tetraprothomo, o primeiro ser adaptado à posição vertical.

PARANAPUÃ: A ILHA DO GATO

Para a corte portuguesa, no período da colonização do Brasil, não interessava a história dos heróis anônimos, os verdadeiros desbravadores, construtores dos novos aldeamentos e responsáveis pela penetração mata adentro da colonização portuguesa. Muito menos interessava a luta dos indígenas, dos Jesuítas e dos primeiros colonizadores. O que não fosse épico, evento grandioso, não merecia consideração. No anonimato, está o amor, o trabalho através das lendas, da história. É ainda no anonimato que está o verdadeiro herói que constrói o todo a partir de si mesmo.

HONRADOS PIONEIROS

Palco do surgimento de autênticos heróis anônimos, a Serra tornou-se uma região de evidência no contexto da conquista da terra, na época de sua colonização. São heróis anônimos da colonização da Serra, que honram e dignificam a história de qualquer cidade ou país, os índios Temiminós, os Tupiniquins, os padres Jesuítas, os primeiros colonos portugueses e depois os negros escravos. Pessoas anônimas que ajudaram na formação e construção das bases da futura cidade da Serra. Junto a este grande número de heróis desconhecidos, anônimos, estão os nossos heróis conhecidos: Braz Lourenço, Maracajaguaçu, Araribóia, Diogo Jácome, Fabiano de Lucena, Diogo Fernandes, Pedro da Costa, Manoel de Paiva, Felipe de Guilhen, José de Anchieta e Índia Branca Coutinho, mulher de Maracajaguaçu. Personagens conhecidos que construíram a nossa história ajudados pelos heróis anônimos. Todos com trabalho e dedicação deram o seu suor pela Serra.

TUPINIQUINS E TEMIMINÓS

Primeiros habitantes da região falavam o Tupi

Na época que os Portugueses chegaram ao Brasil havia cerca de 2 a 5 milhões de Índios. A população indígena era superior a toda população de Portugal. Considerando o critério língua, os indígenas podem ser classificados em quatro grandes grupos: Tupi-guarani – Ocupava o Litoral Jê ou tapuia – Ocupava o Brasil Central Nuaruaque – Ocupava regiões da Amazônia e Mato Grosso Caraíbas – Ocupava o norte da região amazônica. Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos Portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo Município da Serra era habitada pelos Índios. Pesquisas mais recentes informam que há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo, conforme objetos encontrados nos locais onde moravam os índios, os chamados sítios arqueológicos, na divisa dos municípios de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. Na época da colonização do Espírito Santo os indígenas que existiam na Capitania eram: 1- Goitacases, no sul. (língua Tupi) 2- Tupiniquins, no litoral norte. (língua Tupi) 3- Aimorés, localizados no centro e no interior da Capitania e que falavam a língua Jê ou Magrogê. Neste grupo destacavam-se também os Uatus, Puris e Botocudos, na região onde estão as cidades de Colatina, Baixo Guandu e Aimorés.

TUPINIQUINS E GOITACASES

Os índios que habitavam o litoral falavam o Tupi-guarani. Os de língua Tupi denominavam os demais de Tapuias, que significa “aquele que não fala a nossa língua”. Portanto eram Tapuias todos que não falavam a língua Tupi. No Espírito Santo, no século XVIII, essa denominação passa a ser “Botocudo”, palavra que denomina todos os índios que não aceitavam à colonização portuguesa. Numa publicação do IBGE datada de 1934 consta que a colonização da Serra começou no século XVI, quando “o padre Braz Lourenço penetrou na região povoada pelos Índios Goitacases.” Sobre o assunto, o historiador Basílio Carvalho Daemon diz o seguinte: “Embora alguns digam Índios Goitacases, tenho dúvidas, uma vez que os Índios Goitacases estavam no sul da Capitania, sempre em guerra.” Os Tupiniquins foram os primeiros habitantes da região da Serra. Os Aimorés, Botocudos e os Goitacases não estavam Aldeados na região. Os Aldeamentos dos Tupiniquins estavam localizados no litoral, de modo especial, na região de Jacaraípe e Nova Almeida.

A PRESENÇA INDÍGENA NA REGIÃO

Localização dos Índios de norte a sul

Antes de 1554 não haviam índios Temiminós no Espírito Santo. A escritora Neida Lúcia Moraes na obra “Atlas Escolar do Espírito Santo”, publicada pela Sedu – Secretaria de Estado da Educação e Cultura do Espírito Santo, em 1986, informa que os Índios que habitavam o Espírito Santo “na época do seu povoamento” eram os de língua Tupi: Goitacases, Temiminós, Tupiniquins e outros. Sobre os Temiminós informa ainda que os mesmos habitavam a baixada de Goiabeiras, Carapina, até as proximidades de Vitória e os Goitacases, a região do Itapemirim, no Sul do Estado. Segundo ainda a escritora Neida Lúcia, “no norte, do rio Cricaré (região de São Mateus) a Porto Seguro, na Bahia, estavam os Tupiniquins.” Já os Tamoios informa que “viviam no sul do Estado.” Na página 19 do livro “Atlas Escolar do Espírito Santo”, há um Mapa em que os Goitacases são situados nos Municípios de Piúma, Itapemirim e Presidente Kennedy, no litoral Sul do Estado.

PRIMEIROS HABITANTES

No mesmo Mapa, os Temiminós são localizados na região do litoral que vai dos Municípios de Anchieta a Linhares, nas margens do rio Doce. Historicamente consta que um irmão de Maracajaguaçu, o Índio Temiminó, Cão Grande, foi com sua gente para a região de Guarapari, o que confirma o registro da presença de Temiminós em Anchieta e Guarapari. Toda a área da Serra é apresentada como território dos Índios Temiminós. No Capítulo “A presença do Índio na História do Município da Serra”, de uma publicação sobre a Serra, o Acadêmico Wilton Simas da Rocha, informa: “Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos Portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo atual Município da Serra era habitada pelos Índios. No litoral viviam os Temiminós, Índios do Grupo Tupi, e no interior os Puris, do Grupo dos Botocudos. Os Índios foram portanto os primeiros habitantes do Município.” (Historiador Wilton Simas da Rocha, Acadêmico da Academia de Letras e Artes da Serra. Já falecido.) Os Índios Puris realmente viviam no interior da Capitania, na região de Conceição do Castelo e não no interior do Município da Serra, onde estavam apenas os Tupiniquins. Os Temiminós só chegaram depois de 1555.

EXPLORAÇÃO DO ÍNDIO

Bugigangas e trabalho forçado

No início, o trabalho do Índio era conseguido de forma amigável, por meio do “escambo”, ou seja, pelo trabalho o europeu português dava pedaços de tecidos, espelhos e outras bugigangas . Quando o Índio recusava realizar o trabalho, o europeu passava a usar a violência e impor um regime de escravidão . O trabalho da lavoura era responsabilidade das mulheres indígenas. Quando eram chamados a trabalhar, os índios tornavam-se indolentes, bastante preguiçosos e se revoltavam, promovendo guerras contra o opressor, que além de invadir suas terras tentava impor a condição de escravo. Segundo o padre Afonso Braz, os Índios do Espírito Santo eram de costumes difíceis: “Inaptos a receber o batismo, pois voltam com facilidade a seus antigos costumes, indo-se para o meio dos seus.”

FUNDAÇÃO DE ALDEIAS

Os padres Jesuítas consideravam-se os “soldados da religião” e procuravam divulgar os ensinamentos da Igreja Católica no Brasil. Tinham por missão catequizar os Índios e colonos convertendo-os ao catolicismo e para tanto ensinavam a Doutrina Cristã. O trabalho de catequese exigia a entrada dos padres pelo interior, pois os Índios afastavam-se do litoral fugindo à invasão de suas terras . Nas viagens pelo interior, os padres foram fundando aldeamentos onde os Índios estudavam a Doutrina Católica e os costumes da cultura européia, aprendendo a falar o português, desempenhar serviços domésticos e trabalhar na agricultura de livre e espontânea vontade. No livro “Espírito Santo Minha Terra, Minha Gente”, de autoria de Léa Brígida Rocha de Alvarenga Rosa, Luiz Guilherme Santos Neves e Renato José Costa Pacheco, publicado pelo Governo do Estado do Espírito Santo através da Secretaria de Educação e Cultura, SEDU, em 1986, consta o seguinte na página 42, com o título: “As Transformações das Cidades”: “A primeira povoação fundada no Espírito Santo foi a Vila do Espírito Santo, depois chamada Vila Velha, localizada entre o Morro da Penha e o do Soares. Estava começando a ocupação das terras capixabas. (…) Mais tarde foi fundada a Vila de Vitória, que passou a ser a sede da Capitania e seria depois a Capital do Estado. (…) As Vilas que iam surgindo estavam localizadas nas faixas litorâneas, isto é, ao longo do mar ou perto dele. (…) A fundação desses primeiros povoados teve motivos diferentes. Guarapari, Benevente (hoje Anchieta), Serra e Nova Almeida surgiram graças à ação dos padres Jesuítas. Eles procuravam formar Aldeias ou”. Centro de Catequeses, que iam crescendo e se transformavam em povoados.” Observa-se no texto que a Serra e Nova Almeida são classificados como povoados surgidos em razão da “ação dos Jesuítas”, que procuravam “formar Aldeias”, coincidindo com as informações históricas de que a Serra se originou da Aldeia Indígena.

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA

Aldeias, Tribos e Nações Indígenas

As Tribos Indígenas eram unidas pelo parentesco, próximo ou distante, e estavam divididas em diversas Aldeias, chamadas Malocas ou Tabas, também conhecidas como Sítios Indígenas, Aldeamentos ou Sambaqui. Cada Taba era protegida por uma cerca de troncos, a chamada Caiçara, dentro, as Ocas (Choças) estavam dispostas em círculo, tendo à sua frente uma espécie de praça, a Ocara, que era utilizada em cerimônias religiosas e festas. As Ocas eram cabanas de sapé ou de folhas de palmeiras, onde moravam as famílias indígenas. O conjunto de várias Ocas formava a Aldeia ou Taba. Muitas Aldeias constituíam uma tribo. O conjunto de tribos formava uma Nação Indígena. O Cacique, também chamado Morubixaba era o Principal, isto é o Chefe Guerreiro de cada Aldeia ou do conjunto de Aldeias que se constituía a Nação Indígena. A palavra Morubixaba é a composição dos termos: Mó (Faz) YBY (da Terra) e Eçaba (olhar, o vigiar). Morubixaba era portanto o Chefe da Tribo.

COSTUMES INDÍGENAS

Nos primeiros contatos, os europeus imaginavam que todos os Índios fossem iguais e falassem a mesma língua. Aos poucos perceberam a existência de grande variedade de nações e línguas. Indígena passou a ser um nome para denominar um grande conjunto de povos diferentes entre si. Os índios andavam nus e não tinham vergonha do corpo. Os europeus achavam a nudez em público, imoral e pecaminosa. Não tinham riquezas pessoais. Os bens eram de uso comum entre todos da tribo. As mulheres cuidavam das crianças, preparavam a comida, faziam potes e cestos e cuidavam da lavoura. Os homens dedicavam-se à guerra, caça, pesca, construíam canoas e cabanas e limpavam a mata para a lavoura. Maracajaguaçu era o Chefe da Nação Indígena dos Temiminós. Era um Índio Temiminó, do Grupo Tupi. Vivia com a sua tribo na Ilha de Paranapuã, palavra indígena que significa “seio do mar” ou “ilha do mar”. A ilha era denominada pelos Portugueses de Ilha dos Maracajás ou Ilha do Gato. Paranapuã é a atual Ilha do Governador, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro.

VASCO FERNANDES GATO GRANDE

O índio herói e leal, fundador da Serra

Texto de Clério José Borges, do Livro “História da Serra”

Maracajaguaçu, Gato Bravo Grande foi um dos Fundadores da Serra. Foi o Principal, isto é, o Cacique Chefe dos Índios Temiminós que, com o padre Braz Lourenço, construiu a Aldeia e a Igreja que daria origem depois o povoado de Conceição da Serra, hoje Serra. Era Temiminó, do Grupo Tupi. O grupo de Índios Tupis, pela posição que ocupava no litoral, foi o que manteve maior contato com os Portugueses. Foi o que deu maior contribuição na formação da Cultura Brasileira e o que, pela miscigenação, mais se integrou à população. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1501. Com vinte anos de idade já era um dos principais líderes de sua Tribo, graças a atos de bravura. Mudou-se para o Espírito Santo em 1555, quando já tinha 54 anos de idade. Pesquisadores informam que Maracajá era um felino que habitava as matas virgens e de tamanho que chega quase ao triplo do gato doméstico.

GATO BRAVO GRANDE

A escritora Cybelle M. Ipanema, residente na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, no livro de sua autoria “História da Ilha do Governador”, relata o seguinte: “Maracajá é uma espécie de felino, o Felis Pardalis”. O escritor Ermano Stradelli, citado pelo escritor, J. Romão da Silva descreve-o: Fulvo (amarelado) claro, de manchas mais ou menos regulares, em forma de roseta ou anel…Chega quase ao triplo do tamanho do gato doméstico.” No “Novo Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa”, em texto com a supervisão de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra Maracajá está escrita com a letra “Jota” significa: “Espécie de gato bravo.”

ESCRITA CORRETA

As expressões “Jaraguai” e “Maraguai”, segundo o Dicionário de Língua Tupi, são variações das palavras Maracaia ou Maracajá, cujo o significado é o mesmo: Gato do Mato; Gato Bravo do Mato, ou simplesmente Gato. Maracajá significa “Gato do Mato”. Segundo o Dicionário Tupi, de autoria de Gonçalves Dias, publicado pela primeira vez em 1858, e republicado pela Livraria São José, em 1970. A palavra Guaçu é de origem indígena. Guaçu segundo os dicionários é um adjetivo Tupi-guarani, de dois gêneros, que entra na composição de vários nomes brasileiros, com o sentido de Grande. Maracayaguaçu, Maracaiaguaçu ou Maracajaguaçu significam portanto a mesma coisa: Grande Gato Bravo ou Gato Bravo Grande.

MARTIM AFONSO ARARIBÓIA: COBRA FERROZ DAS TEMPESTADES

Bravo herói fundador de Carapina, na Serra, ES

e Niterói no Rio de Janeiro

Índio Araribóia, fundador de Carapina e Niterói Araribóia era Chefe indígena da tribo Temiminó, um grupo Tupi, vivia na ilha de Paranapuã (Ilha do Governador) na Baía de Guanabara. Ali os temiminós eram minoria mas tinham a vantagem de estarem no meio da baía de Guanabara e repeliam assim os ataques inimigos dos Tamoios. A tribo Tamoio, com 70 mil índios, dispersa entre a Guanabara e a região onde hoje se localiza a cidade de Bertioga (SP), detinha folgada superioridade numérica contra os temiminós, que só contavam com 8 mil cabeças. Os tamoios, liderados pelo chefe Cunhambebe, eram aliados antigos dos franceses, que viviam tentando invadir a Baía de Guanabara. Em 1555, depois de subjugar os temiminós e os portugueses com a ajuda de Cunhambebe, a França passou a dominar a Capitania do Rio de Janeiro. O Reino de Portugal mandou então para o Brasil o terceiro governador-geral da colônia, Mem de Sá, com a missão de retomar o Rio. Selando uma aliança com Araribóia, os portugueses conseguiram. O chefe indígena recebeu como gratidão a sesmaria de Niterói, onde passou a morar, converteu-se ao cristianismo e tornou-se íntimo do governo. Adotou, inclusive o nome do português Martim Afonso de Souza, donatário do Rio de Janeiro. Morreu em 1574, brigado com Antonio Salema, sucessor de Mem de Sá.

Reportagem de Eduardo Bueno para a revista Época de 05/07/99 A esquerda, estátua do índio Araribóia – Niterói/RJ- Foto tirada por Mirian Fichtner/Época

ARARIBÓIA

Por Clério José Borges – Texto do Livro História da Serra – Serra – ES – Brasil

Índio Araribóia, fundador de Carapina e NiteróiMaracajaguaçu, o Índio Gato Bravo Grande, que morava na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro tinha dois filhos: Mamenoaçu e Araribóia. O segundo filho de Gato Grande é Araribóia. O nome indígena Araribóia significa Cobra Feroz ou Cobra das Tempestades. “Araib”, em Tupi, significa “Tempo Mau, Tempestade, Tormenta” e “Bói” significa “Cobra”. Nasceu em 1524, na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Não é verdade que Araribóia tenha nascido no Espírito Santo. Esteve no Espírito Santo, acompanhando seus pais e sua gente, de 1554 a 1564. Aqui residiu na região de Santa Cruz e depois na Serra. Posteriormente em 1562, fundou a Aldeia de São João, em Carapina. A historiadora Maria Stella de Novaes, na página 30, do livro “A História do Espírito Santo” informa que Araribóia nasceu na Ilha de Villegagnon . Araribóia contudo não nasceu na Ilha de Villegagnon, que era chamada pelos Indígenas de Ilha de Serigipe. Nasceu na Ilha de Paranapuã, chamada pelos portugueses de Ilha do Gato.

HERÓI DE VÁRIAS BATALHAS

Em 1560, a expedição de Mem de Sá foi combater os franceses no Rio de Janeiro. Levava Maracajaguaçu e Araribóia e outros Índios Flecheiros do Espírito Santo. No dia 15 de março de 1560, a expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha Henri e consegue vencer, destruindo o Forte Coligny. Derrotados os franceses conseguiram escapar em grande número, refugiando-se no Continente. O ataque a Ilha Henri está relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle”, editada em Paris, França, em 1575. Lá consta referências aos atos de bravura do Índio Fundador da Serra, Maracajaguaçu e de seu filho Araribóia. Mem de Sá volta a Salvador, na Bahia, a 3 de abril de 1560 e os franceses e Tamoios reagruparam-se e estabeleceram poderosas fortificações na Ilha da Carioca e na Ilha de Paranapuã. Quando Araribóia volta a segunda vez para guerrear contra os franceses e Tamoios, em 1564, está com 40 anos de idade, conforme Luís Carlos Lessa no livro “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, publicado pela Editora Francisco Alves. do Rio de Janeiro, página 8. Em 1564, com Estácio de Sá, combate na tomada da Fortaleza de Uruçumirim, na hoje Praia da Glória e depois destaca-se como herói na Batalha de Paranapecu, trecho da Ilha do Governador, que ia da Ponta do Galeão até as Flecheiras.

TRANSFERÊNCIA

Após a vitória sobre os franceses e Tamoios nas guerras de 1564, no Rio de Janeiro, Araribóia pretendia voltar ao Espírito Santo para a sua Aldeia de São João onde deixara mulher e filhos. Mem de Sá contudo pediu-lhe para ficar no Rio, pois poderiam ocorrer novas guerras e os portugueses precisavam dos Índios Temiminós. Araribóia e sua família transferem-se então definitivamente para o Rio de Janeiro, construindo sua Aldeia em São Cristóvão. Entre 1565 e 1567, em uma das suas viagens a São Vicente, é batizado pelos Jesuítas, tendo adotado o nome cristão de Martim Afonso de Sousa, em homenagem ao Donatário da Capitania.

ARARIBÓIA SALVA GOVERNADOR

Portugueses reconhecem a bravura do Índio

Somente em 1567, com a derrota das forças Franco-tamoias, foram os franceses afastados da baía de Guanabara. Contudo os Tamoios continuaram com suas batalhas. Em 1568 Araribóia repele o ataque à Aldeia localizada, então, no Saco de São Diego, em São Cristóvão. Araribóia está com o Governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, quando ataca e extermina os franceses em Cabo Frio, tendo salvo a vida do Governador, que, na luta, ia morrendo afogado. Araribóia tornou-se o primeiro carioca com serviços prestados à Coroa Portuguesa. Por ter salvado o Governador e ter praticado outros atos heróicos, foi agraciado pelo Rei de Portugal, Dom Sebastião, com o título de capitão-mor, recebendo o hábito da Ordem de Cristo e a tença de doze mil réis anuais. Dom Sebastião honrou-o, ainda, com um traje completo de seu uso pessoal, numa demonstração de apreço, raras vezes concedida pelo Rei. Carioca, na língua Tupi, Cari + Oca, significa “casa do homem branco.” Já a palavra Capixaba, significa na língua Tupi, “plantador da roça de milho”. Nos Dicionários consta “pequeno estabelecimento agrícola”.

FUNDAÇÃO DE NITERÓI

No dia 22 de novembro de 1573 tomou posse na Sesmaria doada por Mem de Sá, ocupando a região de São Lourenço e Caraí (Icaraí). A Aldeia dos Temiminós de Araribóia, extinta a 26 de Janeiro de 1866, deu origem à Cidade de Niterói. Martim Afonso de Souza, o Araribóia, morreu afogado, em 1587, no Rio de Janeiro, segundo consta nas proximidades da Ilha do Fundão.

FUNDADOR DE CARAPINA

Escritor Áureo Ramos, residente na Ilha do Governador, procedeu pesquisas sobre Maracajaguaçu e Araribóia, descobrindo os livros: “História da Ilha do Governador”, de Cybelle M. Ipanema e “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, de Luís Carlos Lessa, sendo que ambas publicações confirmam: 1- Maracajaguaçu era pai de Araribóia e vivia na Ilha dos Maracajás de onde saiu para o Espírito Santo. Foi socorrido por Vasco Coutinho que lhe mandara quatro navios e artilharia. No Espírito Santo o padre Braz Lourenço foi encarregado dos Temiminós. (Página 51 do Livro “História da Ilha do Governador.”) 2 – Araribóia foi o fundador da Aldeia dee São João, em Carapina. Depois de fundar a Aldeia, foi guerrear no Rio pois os Temiminós tinham ódio dos Tamoios.

IRMÃO DO GATO

Maracajaguaçu tinha um irmão chamado Cão Grande que foi com sua gente 6 léguas na direção de Guarapari, no mesmo ano de 1556. Mudou-se para próximo ao mar. Até maio de 1557, Cão Grande e os seus ainda não haviam sido visitados pelos Jesuítas, pois os padres esperavam que “ele e seus índios se estabelecessem primeiro com casas, para que lá fossem”. (“Cartas Avulsas”, de Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, 1931, página 196.)

ÍNDIOS X COLONOS

Índios não aceitam a escravidão

Com a divisão do Brasil em Capitanias hereditárias, os portugueses começaram a ocupar as terras brasileiras. A partir de então, os índios que viviam nas terras passaram a enfrentar sérios problemas. Os portugueses chegavam e tomavam as terras dos índios. Também perseguiam e escravizavam os índios para obrigá-los a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar. No início da colonização, a Serra possuía inúmeras plantações de Cana de Açúcar. A Cana de Açúcar foi trazida para o Brasil por Martim Afonso de Souza em 1530. Transformou-se na maior fonte de renda do Brasil. Em conseqüência os donos de engenhos tornaram-se senhores ricos e poderosos. As plantações que mais se desenvolveram foram na Capitania de São Vicente e no Nordeste. A Holanda era responsável pelo transporte, pela refinação e pela distribuição do açúcar no mercado de toda Europa. Com o sucesso da produção no Brasil, os holandeses se sentiram prejudicados e passaram a invadir o Brasil para assim dominarem o Mercado de toda a Europa. O primeiro ataque holandês ocorreu na Bahia em 1624. Na época o açúcar era tomado com o vinho, usado como emplastro, servia de remédio e era o mais importante produto do comércio mundial. Isso provocou a revolta de várias tribos. Houve lutas e desentendimentos entre portugueses e índios. Por causa dessas lutas muitos índios e portugueses morreram. Várias tribos indígenas que viviam no litoral desapareceram. Os índios abandonaram as terras do litoral e fugiram para o interior do Brasil. Ao chegar ao Espírito Santo, Maracajaguaçu instalou-se na ilha de Vitória. Os portugueses de imediato tentaram escravizar os índios, no que Maracajaguaçu não concordou, surgindo o conflito entre os Temiminós e os colonos. Maracajaguaçu muda-se então para Santa Cruz em 1555 e só retorna de lá, quando Vasco Coutinho pede-lhe para que se instalasse mais perto da sede da Capitania, com a promessa de que os colonos não tentariam escravizar os índios Temiminós. Prestigiado, Maracajaguaçu atende ao pedido.

ARARIBÓIA, HERÓI NACIONAL

Com uma tocha acessa explode o depósito do inimigo

Dentre os heróis nacionais sempre haverá um destaque para o Índio Araribóia, o cobra das Tempestades, fundador da Aldeia de São João (Carapina, Serra, ES) e de Niterói, filho de Maracajaguaçu e nascido no Rio de Janeiro. Estava na Serra, no Espírito Santo, onde morava, quando por duas vezes acompanha as expedições contra os franceses e Tamoios. A primeira em 1560 e a segunda em 1564. Das ações de Araribóia em guerra, conta-se o seguinte: Os Franceses comandados por Villegagnon, chegaram no Rio a 10 de novembro de 1555, festivamente recebidos pelos Tamoios. Após alguns meses no Continente, alojaram-se na Ilha de Serigipe. A Ilha recebeu a denominação Francesa de Ilha Henry, em homenagem a Henrique II, Rei da França. A fortificação erguida na Ilha recebeu o nome de Forte de Coligny, em homenagem ao Almirante Francês, Gaspar de Coligny, amigo de Villegagnon e principal patrono da Expedição Francesa enviada ao Brasil para o estabelecimento da França Antártica. Posteriormente a Ilha Henri passou a ser chamada Villegagnon. Em 1560, a Expedição de Mem de Sá foi combater os Franceses no Rio de Janeiro. Leva Maracajaguaçu e Araribóia e outros Índios flecheiros que estavam no Espírito Santo. No dia 15 de março de 1560, a Expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha Henri e consegue vencer, destruindo o Forte Coligny. O ataque a Ilha Henri está relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle”, editada em Paris, França, em 1575. Lá constam referências aos atos de bravura do Índio Araribóia, informando que: “Os franceses estavam certos de sua superioridade, em razão de um paiol, depósito, que possuíam na ilha”. O paiol, depósito de armas, munições e pólvora, estavam no alto de um penhasco e os franceses, seguros de si, só vigiavam a entrada principal, único acesso disponível. O penhasco, um alto morro de pedra maciça, não possuía uma entrada fácil. Um ser humano normal teria grandes dificuldades para escalá-lo. Araribóia distanciando-se dos demais companheiros aceita o desafio. Com uma coragem fora do normal se coloca diante do enorme penhasco, escala o mesmo do lado não visto do inimigo e com uma tocha acessa, presa nos dentes. Atingindo o alto, arremessa a tocha contra o depósito que logo explode deixando os franceses em pavor tão grande que fogem, conseguindo os portugueses e aliados uma grande vitória, que foi altamente comemorada.” Dizem os escritores que, “não se conheceu em terras brasileiras, índio mais valente e mais fiel.”

BIBLIOGRAFIA

Fonte de Pesquisa: Estas são as fontes em que o autor se baseou para escrever o presente texto.

Borges, Clério José – Livro História da Serra, 1a. 2a. e 3a Edição – 1998, 2003 e 2009 – Editora Canela Verde

Borges, Clério José – Livro Dicionário Regional de Gírias e Jargões – 2010 – Editora Canela Verde

ACCIOLI DE VASCONCELLOS, Inácio – Memória Estatística da Província do Espírito Santo. Escrita no ano de 1828. Arquivo Público Estadual – Vitória – ES – 1978.

ANCHIETA, José de. S.I. – Cartas, Informações, Fragmentos históricos e Sermões ( 1554-1594 ) – Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1933. 567 páginas ilustradas.

ASSIS, Francisco Eugênio de – Dicionário Geográfico e Histórico do Espírito Santo – Vitória, 1941.

BALESTREIRO, Heribaldo Lopes – O Povoamento do Espírito Santo. Obras Pavonianas. Vitória, 1976.

BORGES, Clério José – O Trovismo Capixaba – Editora Codpoe – Rio de Janeiro, 1990. 80 páginas. Ilustrado.

CABRAL, Luiz Gonzaga, Padre – Jesuítas no Brasil – Companhia Melhoramentos – São Paulo, 1925.

CARDOSO JR., Nourival – “Agora é a vez da Cultura Popular”, Folheto colorido elaborado pela Prefeitura Municipal da Serra em 1989

CARVALHO, José Antônio – O Colégio e as Residências dos Jesuítas no Espírito Santo – Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1982, 302 páginas.

CASTELO, Marinaldo Fraga – Trabalho datilografado reproduzido em cópias. Elaborado em 1973. Cópia xerox na Biblioteca do Centro Comunitário de Parque Residencial Laranjeiras. Centro Educacional Valparaíso – Serra – ES.

CLÁUDIO, Afonso – Insurreição do Queimado – Episódio da história da Província do Espírito Santo. Fund. Ceciliano Abel de Almeida. Vitória, 1979.

DAEMON, Basílio Carvalho – Província do Espírito Santo, Sua Descoberta, História, Cronologia e Sinopse Estatística – Tipografia Espirito-Santense – Vitória, 1897 – 513 páginas.

DINIZ MIGUEL, Ivonne – O Homem da Serra. Escola Tipográfica das Obras Pavonianas. Sem data. 128 páginas.

ELTON, Elmo – Velhos Templos de Vitória e outros Temas Capixabas – Conselho Estadual de Cultura – Vitória – ES, 1987 – 205 páginas; São Benedito, sua devoção no Espírito Santo – DEC – Departamento Estadual de Cultura – Vitória, ES, 1987 – 205 páginas; Anchieta – Versos e dados históricos sobre padre Anchieta – CEC – Vitória, ES, 1984.

OBSERVAÇÃO: Permitimos a livre reprodução do conteúdo e agradecemos a citação da fonte com a inclusão de nosso link, se possível.

ACADÊMICO COMENDADOR CLÉRIO JOSÉ BORGES

CURRICULUM CULTURAL E ARTÍSTICO

ENTRE OS VULTOS DE VITÓRIA, / SEM MEDO DE DESPAUTÉRIO, / QUEM TERÁ LUGAR NA HISTÓRIA / É O AMIGO POETA CLÉRIO. ——– TROVA DO SAUDOSO PROFESSORFRANCISCO FILIPACK, DE CURITIBA/PR

BIOGRAFIA – Poeta, Trovador, Historiador e Escritor Capixaba, o Comendador e Acadêmico Clério José Borges de Sant Anna nasceu no dia 15 de Setembro de 1950, em ARIBIRI, bairro da cidade de Vila Velha, no Estado do Espírito Santo. Filho da costureira Lyra Borges de Sant Anna e do estivador Manoel Cândido de Sant Anna. É Cidadão Serrano (Cidade da Serra, ES), desde o dia 26 de Dezembro de 1994, quando recebeu Diploma das mãos da então Vereadora Márcia Lamas e do então Prefeito da Serra, João Batista Motta. É Funcionário Público Estadual Aposentado no Cargo de Escrivão de Polícia Civil, após 35 anos de serviços prestados à Comunidade Capixaba, tendo recebido ELOGIOS e MEDALHAS. Trabalhou como Professor em diversas Escolas da Grande Vitória e ministrou Cursos Informativos e proferiu palestras em quase todas as cidades do Estado do Espírito Santo e algumas cidades do Estado de Minas Gerais. Em 1969 começa a trabalhar como Jornalista iniciante ou Estagiário, (na linguagem Jornalística o nome é Foca) no Jornal A Tribuna, de Vitória, ES. De “Foca” é logo promovido a Repórter, depois Redator, chegando a exercer o cargo de Chefe de Reportagem do Jornal “A Tribuna”, de Vitória, ES. O aprendizado e a experiência no Jornalismo, construída no convívio com profissionais do quilate de Cláudio Bueno Rocha, Vinícius Paulo Seixas, Plínio Marquini, Rubinho Gomes, Sérgio Egito, Pedro e Paulo Maia, levou a proferir palestras em diversas cidades sobre Iniciação ao Jornalismo e aos Meios de Comunicação, computando um total superior a 5 mil alunos, em várias cidades do Espírito Santo. Teve rápida passagem no Jornal “O Diário” da rua Sete de Setembro, no Centro de Vitória, ES. O registro de Clério José Borges como Jornalista, consta do livro “O DIÁRIO DA RUA SETE”, de Antônio de Pádua Gurgel. O Registro está na página 223 e consta na Reportagem intitulada “Nós somos os focas”, vários Jornalistas iniciantes explicavam aos leitores por que haviam optado pela profissão de Jornalista. Além do nome de Clério José Borges consta os nomes de, Mariângela Pellerano, Jorge Luiz de Souza, Jair Guilherme de Almeida, Toninho Rosetti, Newton Pandolpho Filho e José Antônio Mansur, na época recém-contratados. Interrompeu seu trabalho como Jornalista para servir o Exército, tendo ingressado no 38 BI – Batalhão Tibúrcio, em Vila Velha e estudado no Curso de NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva), por aproximadamente um ano. Na época em que esteve no Exército continuou escrevendo para o Jornal A Tribuna como crítico cinematográfico, comentando semanalmente os filmes em exibição em Vitória, Capital do Estado. No final de 1974 resolve fazer Concurso Público para o cargo de Escrivão de Polícia Civil. Classificou-se em 1º Lugar, em Concurso Público para o cargo de Escrivão de Policia do Quadro Permanente do Serviço Civil do Poder Executivo do Estado do Espírito Santo, Certificado de Habilitação nº. 01, datado de 03 de Janeiro de 1975, data de homologação da classificação. Nomeação no Estado através do Decreto Nº. 151 – P, de 04 de março de 1975. Ingressou no Serviço Público Estadual a 28 de maio de 1975, onde trabalhou até 17 de Setembro de 2010, quando se aposentou com 35 anos de atividades como Escrivão e, com 37 anos, 02 meses e 19 dias de Tempo de contribuição. Foi Conselheiro Titular dos Conselhos Estadual de Cultura do Estado do Espírito Santo e do Conselho Municipal de Cultura da Cidade da Serra, ES, exercendo as funções de Secretário e Vice Presidente em diversas ocasiões e, emitindo pareceres e votando em várias proposições, como por exemplo, o Tombamento da Mata Atlântica, emitindo parecer sobre os Imóveis da Cidade de Muqui, bem como analisando as solicitações do uso dos benefícios da Lei de Incentivo à Cultura, “Chico Prego” e, diversas outras do interesse cultural das Comunidades Capixabas. Desde 11 de maio de 2004 é Senador da Cultura, representando o Espírito Santo perante o Congresso da Sociedade de Cultura Latina do Brasil. É o autor do Livro “História da Serra”, cuja 1ª Edição, foi eleita como a MELHOR publicação de 1998, no gênero prosa no Brasil. A cerimônia oficial de premiação foi realizada no dia 08 de maio de 1999, em solenidade presidida pela professora e Acadêmica, Maria Aparecida de Mello Calandra, IWA, Presidente da Sociedade de Cultura Latina do Brasil, na cidade de Mogi das Cruzes – São Paulo. No dia 05/06/2010, na cidade de Itabira, MG foi agraciado com o Troféu Carlos Drummond de Andrade, como o Escritor do ano de 2010. No dia 10/03/2012, Clério recebe o Troféu Pedro Aleixo, em Itabira, MG, como Destaque Cultural de 2012. No dia 10 de março de 2012 recebe o “Troféu Personalidade Brasileira Notável do ano”, em solenidade realizada no palco do salão de festas da ATIVA, na cidade de Itabira, Minas Gerais.Em 2016 é agraciado, ainda em Itabira, MG, com o Troféu Machado de Assis, como Destaque Cultural do ano. No dia 31 de Janeiro de 2015, recebeu na cidade de Manaus, no Estado do Amazonas o Troféu Especial, TROFÉU GRANDES NOMES DA CULTURA CONTEMPORÂNEA 2015. Participou como ator no filme “Queimado”, de João Carlos Christo Coutinho. O filme aborda a Revolta dos Negros Escravos do Distrito de Queimado em 1849. Participou de outros filmes documentários. É sempre solicitado a proferir depoimentos em vídeos sobre história e Trovas para estudantes da Rede Estadual e Pública. Comenda Mérito Legislativo Rubem Braga. No dia 07 de Julho de 2015, de acordo com a Resolução n.º 4.026, Clério José Borges foi agraciado com a Comenda Rubem Braga, tendo recebido Medalha e o título de Comendador das mãos da Deputada Estadual Luzia Toledo, no Plenário Dirceu Cardoso, da Assembléia Legislativa Estadual, em Vitória, ES. Fundou no dia 1º de Julho de 1980, o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. Foi o idealizador, Fundador e o primeiro Presidente, em 28 de Agosto de 1993, da Academia de Letras e Artes da Serra, ES, ALEAS. Clério José Borges pertence ainda ao Movimento Poético Nacional, MPN, com sede no Estado de São Paulo; Sociedade de Cultura Latina do Brasil, com sede em Mogi das Cruzes, SP; Casa do Poeta Brasileiro, Poebras, de Porto Alegre, RS; Academia PETROPOLITANA de Letras, da Cidade de Petrópolis, (RJ); Academia Brasileira da Trova, com sede no Rio de Janeiro e Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, ALCEAR, bem como inúmeras outras entidades, Associações e Academias no Brasil e no Exterior. Clério José Borges, como Presidente do Clube dos Trovadores Capixabas organiza anualmente Seminários e Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores desde 1981. Promoveu e ajudou na organização de Congressos de Poetas Trovadores na Ilha de Paquetá e, em Magé, no Rio de Janeiro, em São Paulo Capital, na Sociedade Unificadas Augusto Motta, em Bonsucesso no Rio de Janeiro, em Porto Velho Rondônia com Kléon Maryan e, em Salvador, no Estado da Bahia.

Araribóia, Cobra Feroz
Arariboia

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