Lendas e Folclore da Serra

LENDAS – FOLCLORE DO MUNICÍPIO DA SERRA – ES: PÁSSARO DE FOGO; LENDA DA PATA; NEGAS; ÍNDIO TAPUIA; MULA SEM CABEÇA; OURO NAS IGREJAS; VAMPIRO LOBISOMEM; FANTASMAS DO QUEIMADO; SERPENTE DRAGÃO; ÍNDIO ABDUZIDO POR ETs

Folclore lendas Literatura de Cordel

Pesquisa do Comendador, Poeta, Trovador e historiador Capixaba, Clério José Borges, autor dos Livros: História da Serra e Serra Colonização de uma Cidade. Parte do trecho do Livro: História da Serra – Editora do CTC, Serra – ES – 2009. Autor: Clério José Borges – E-mail: cj-anna@bol.com.br; Fica Autorizada a cópia e/a reprodução deste texto, desde que seja citada a fonte da pesquisa que é este Web Site.

Clério José Borges autor do Livro de Cordel, "O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe.
Clério José Borges autor do Livro de Cordel, “O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe.

FOLCLORE SERRANO. LENDAS DA SERRA SEDE

Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos. A Serra é um município brasileiro do estado do Espírito Santo. Fundado em 1556, quando a 08 de dezembro o padre Jesuíta Braz Lourenço celebrou uma Missa na Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, do Chefe Indígena da Tribo dos Temiminós, Maracajaguaçu, o Gato Bravo Grande, pai de Araribóia e de Manemoaçu e irmão de Cão Grande. A Serra é o mais populoso município do Estado, com mais de 530. 000 habitantes. Está localizado na Microrregião de Vitória e na Mesorregião Central Espírito-Santense.

A Serra pertence à Região Metropolitana de Vitória. A sede do município fica localizada próxima a Serra do Mestre Álvaro, grande maciço que segundo alguns seria de origem vulcânica, de 833 metros de altura e, que marca a geografia do município. O nome do Município é Serra por causa da Montanha do Mestre Álvaro que possui vários pontões e se assemelha a uma Serra. Quem nasce na Serra é chamado de Serrano. São Lendas da Serra. São figuras do folclore serrano:

Boi Graúna com o seu Criador, o escultor Genésio Jacob TUTE
Boi Graúna com o seu Criador, o escultor Genésio Jacob TUTE

BOI GRAÚNA:

É um elemento folclórico dos festejos de São João. Este fenômeno cultural ocorre também em outras regiões do Brasil, recebendo outros nomes. Na Serra, era um boi de canga, que trabalhava na roça puxando cana, café e abacaxi. Era preto com um desenho de estrela na testa; valente, porém manso e brincava com as crianças. É lembrado no Dia do Folclore e no carnaval de rua.

MARIA QUEBRA-GALHO:

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Este personagem saía às ruas na época do carnaval nos anos 60 e era figura central do bloco “Maria Quebra Galho”, formado por vários mascarados que tocavam instrumentos musicais rústicos, tambores de barrica, casacas, flautas de bambu, entre outros. A armação era produzida com arame e possuía uma estrutura interna capa de abrigar um adulto.

ÍNDIO TAPUIO: 

Conta a lenda que Tapuio, um índio que vagava no remanso de um igarapé ouviu uma voz que parecia uma mulher. Num dado momento a voz silenciou, mas depois ouviu-se a voz novamente e uma cortina de vegetação abriu-se descobrindo uma mulher desnuda, reclinada à beira do igarapé. De repente, o índio Tapuio sentiu uma vertigem como se fosse cair no abismo, caiu de joelhos esquecendo do mundo. Ficou apaixonado pela imagem da feiticeira. Na verdade, a feiticeira era Iara, nascida das águas sendo ela Afrodite sedutora e enganadora, fez o índio Tapuio mergulhar nas águas noturnas e nunca mais aparecer. Os que conseguem voltar ao mundo dos vivos voltam assombrados falando bobagens e encantados. É preciso que um pajé faça muita reza forte, para tirar do estado de assombração, pois muitos ficam facilmente hipnotizados… A Iara até hoje exerce um grande fascínio e maior encantamento nos homens nas lagoas, igarapés e na região amazônica.

LENDA DA PATA E A PATA MALDITA DA SERRA:

LENDA DA PATA MALDINA. A PATA DA SERRA ES
LENDA DA PATA MALDINA. A PATA DA SERRA ES

Existe a lenda de que nas famílias em que nascem sete filhas mulheres, a filha mais nova deveria receber o nome de Inácia. Se a família não cumprisse essa determinação, a sétima filha se transformaria em uma enorme pata. Embaixo de suas asas cresceriam navalhas e a pata passaria a assombrar as pessoas à noite. Segundo a Lenda da Mulher Pata, antigamente as famílias eram muito numerosas. Quando nascia o sétimo(a) filho(a) do casal, segundo a tradição o filho (a) deveria batizar a criança, se isso não acontecesse quando o bebê crescesse: se fosse homem – nas noites de lua cheia virava LOBISOMEM e se fosse mulher viraria MULHER PATA.

Ela ia para as pedras, se escondia no mato, tirava a roupa e se contorcia fazendo com que as penas surgissem. Quando a transformação se completava a PATA voava para o alto mar, pousava no mastro dos barcos e ficava escutando a conversa dos pescadores. Depois de escutar o que queria voava de volta para as pedras e se contorcia até se transformar em mulher novamente, vestia a roupa e saia pela vila contando tudo que havia escutado.

Quando os pescadores voltavam da pescaria dias depois, ficavam intrigados ao verificarem que todos sabiam o que haviam conversado em alto mar. Como era possível se todos retornaram juntos? Começaram a observar que quando isso acontecia sempre uma pata havia pousado no mastro do barco. Concluíram que era a MULHER PATA que havia feito a fofoca.

AS NEGAS:

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Fenômeno cultural que ocorre na Serra sede. O folião se veste com um vestido comum e usa um lenço na cabeça. Pinta e cobre toda a roupa e corpo, inclusive o rosto, com pó de carvão misturado com banha. A boca é pintada com batom vermelho e, na mão traz um galho com folhas e um vasilhame com a mistura para sujar as pessoas. A tradição é serem sujas as pessoas que gritam NEGA, que é a senha, informando que a pessoa quer participar e aceita a brincadeira, segundo informações da Sr.ª Ângela Maria de Jesus Ribeiro, moradora da Serra Sede desde 1980.

ANA SABINA:

Era ex-escrava. Uma senhora ativa, desinibida, bastante comunicativa. Dançava à frente do Congo de Puriti. Quando dançava, levantava um pouco o vestido para mostrar a anágua rodada de rendas e bordados. Figura respeitada e muito popular, brincalhona, o que lhe dava regalia de entrar e sair em qualquer residência, a qualquer hora.

JACARAÍPE – O VAMPIRO LOBISOMEM

O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe
O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe é um Livro da Literatura de Cordel do Escritor, Poeta e Trovador Capixaba, Comendador e também Cordelista ou seja Poeta da Literatura de Cordel, Clério José Borges de Sant Anna, nascido em Aribiri em Vila Velha (Canela Verde) e residente na Serra ES desde 1979 no bairro de Eurico Salles no Planalto de Carapina, cuja mãe Lyra Borges de Sant Anna, na infância residia em Jacaraípe.

O VAMPIRO LOBISOMEM DE JACARAÍPE – UMA LENDA CONTADA EM LIVRO DA LITERATURA DE CORDEL 

Dizem que a história dos Vampiros se originou de um monarca sanguinolento no leste europeu. O Conde Drácula. Dele, criou-se o mito do ser que se alimenta de sangue para fugir da morte e que não pode pegar a luz do sol (com exceção de versões mais recentes). Já o Werewolf (lobisomem) é um mito que circula o mundo sempre da mesma forma: um humano que foi amaldiçoado ou mordido por outro Werewolf passa a se transformar nessa criatura metade homem, metade lobo gigante nas noites de lua cheia. Seria uma doença chamada licantropia. O Vampiro Lobisomem seria uma figura que se transformava em noites de lua cheia, para assustar os outros nas estradas. Diz a crendice popular que se uma pessoa ficar muito pálida, magra e sem se queixar de doença, vira Lobisomem nas primeiras sextas-feiras. Consta que em Jacaraípe havia um homem que se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia. A Lenda do Vampiro Lobisomem de Jacaraípe é um livro da Literatura de Cordel do Escritor Capixaba e Cordelista, Clério José Borges de Sant Anna, lançado em primeira Edição em julho de 1983 no Terceiro Seminário na Nacional da Trova, na Igreja dos Reis Magos em Nova Almeida. Foi relançado em 2005, nas comemorações dos 25 anos do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, em 2005. Novo lançamento, agora na Terceira Edição em 2021, no Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores de Jacaraípe.

PÁSSARO DE FOGO

Lenda do Pássaro de Fogo: Montanha do Mestre Álvaro na Serra e Mochuara em Cariacica, ES
Lenda do Pássaro de Fogo: Montanha do Mestre Álvaro
na Serra e Mochuara em Cariacica

A LENDA DO PÁSSARO DE FOGO QUE TRANSFORMA

A MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO E A MONTANHA DO

MOCHUARA COMO CÚMPLICE DE UM AMOR ETERNO

Esta lenda do Pássaro de Fogo é contada no livro “Lendas Capixabas”, de Maria Stella de Novaes e, no Livro “Artes Plásticas e Lendas Capixabas”, da Escritora Maria do Rosário Silva Santos, publicado pela Gráfica Editora Canela Verde em 2012. Também consta do livro, “Cariacica, resumo histórico”, publicado em 1950 pelo escritor Omyr Leal Bezerra. A lenda é ainda contada, em Versos, no Livro “Lendas Capixabas” de Silvana Sampaio e, nos Livros “História da Serra” e “Serra, Colonização de Uma Cidade, do Escritor Clério José Borges.

Segundo a lenda do Pássaro Fogo, Serra e Cariacica são cúmplices numa história de amor. As duas cidades, segundo conta a lenda, estão ligadas para sempre pela força de um sentimento que une até hoje o índio Guaraci (Tribo Temiminó) e a índia Jaciara (Tribo dos Botocudos). Guaraci, em Tupi significa Sol, Verão. Jaciara significa Tempos de Luar, Noites com raios de Lua. Os dois se conheceram quando Jaciara se banhava numa cachoeira.  Pertencentes a duas tribos inimigas – Temiminós e Botocudos – o jovem casal foi impedido de viver a sua história de amor. Comovido com a paixão dos dois índios, o Deus Tupã transformou-os em duas montanhas. Na cultura tupi-guarani, Guaraci, o deus Sol, é filho de Tupã. Jaciara ou Jaci, a esposa de Guaraci é a deusa Lua dos tupis-guaranis e guardiã da noite. Ela também é a divindade dos enamorados. O índio passou a ser o Mestre Álvaro, na Serra, e a índia, o monte Moxuara, em Cariacica. O nome Mestre Álvaro é uma homenagem do Padre Jesuíta Braz Lourenço (Fundador da Serra) ao Capitão e Mestre de Navio de nome Álvaro da Costa, filho do segundo Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa.

Na cultura tupi-guarani, Tupã é considerado o senhor do relâmpago, do raio e do trovão. Ele também é o criador da terra, dos mares, dos céus e dos mundos animal e vegetal, o que, em outras palavras, significa que Tupã é o deus supremo dos Índios.

MONTANHA DO MOCHUARA:

A montanha do Mochuara, com 724m de altitude é a segunda maior montanha da região da Grande Vitória. Na língua dos índios que habitavam o local, o nome quer dizer pedra irmã, mas para os Corsários (Piratas) franceses que aportaram na baía de Vitória no século XVI e que avistaram a montanha com uma neblina que o encobria, lembraram de um imenso pano branco, daí a expressão mouchoir, que quer dizer lenço e se pronuncia “muchuá”. Em razão da origem francesa da palavra, o certo é escrever MOCHUARA com CH e não Moxuara com a letra X. O Mochuara possui biodiversidade valiosa sendo morada de espécies ameaçadas, como o araçá do mato, pau d’alho, cobi da serra, cobi da pedra, jeriquitim e jeriquitibá. A fauna do Mochuara é composta pôr beija-flores, pica-paus, lagartos e outros bichos. Do monte descia o rio Carijacica, na língua tupi, chegada do homem branco que mais tarde deu o nome ao município, quando foi suprimida a letra J. As nascentes localizadas no Moxuara deságuam nos rios Formate e Bubu. A “Estância Vale do Moxuara” pertence a família Rodrigues de Freitas há mais de duzentos anos sendo o atual proprietário, o Sr. Wilson Freitas Filho que faz parte da quarta geração da família que no início era a proprietária da grande propriedade denominada “Roças Velhas”. O nome “Estância Vale do Moxuara”, está escrito erradamente com X. Um Shopping na região de Campo Grande em Cariacica também adotou a escrita errada de Moxuara. Mochuara na verdade é um importante monumento natural e cultural do município de Cariacica. A Lei Municipal N.º 2.310, de 21 de Janeiro de 1992 adota oficialmente a grafia correta de Mochuara, conforme o artigo 1º que consta: “Fica inserida no brasão integrante da BANDEIRA do Município, adotada esta, como símbolo conforme art. 6º da Lei Orgânica local, a configuração do maciço “Mochuara”, com sobreposição de torres compatíveis com a ciência a título de heráldica.” Em Cariacica há um bairro chamado Mochuara, com a grafia correta, CH, conforme a Lei N.º 4752/2009, onde consta: “passa a denominar-se Rua Doutor Nilson Bittencourt a antiga via pública conhecida como projetada no bairro Mochuara, Cariacica, ES.” O Parque Natural Municipal Monte Mochuara foi tombado como patrimônio histórico-paisagístico em 1992. O Vale do Mochuara está localizado a 17 quilômetros de Vitória, em Roças Velhas, Cariacica.

Até hoje eles estão frente a frente, contemplando–se um ao outro e assim ficarão por toda a eternidade. Segundo o historiador Clério José Borges, um “Pássaro de fogo” sempre é visto nas noites de São João, (24 de junho), indo do Mestre Álvaro ao Moxuara, abençoando o amor de Guaraci e Jaciara. Prova de que homens e histórias passam, mas corações não morrem jamais. Numa releitura da Lenda a Escritora Sandra Temistocla lançou em 2018 o livro “Pássaro de Fogo”, Editora Cousa, onde a escritora insere novos personagens como Irani, a irmã invejosa de Jaci, (Jaciara) e Janaína, mãe de Piatã, (Guaraci), possessiva e rancorosa. A escritora Sandra chama a princesa indígena por Jaci, da tribo dos botocudos, e o jovem guerreiro é chamado de Piatã (“guerreiro forte”, nome que substitui o personagem original chamado Guaraci, que significa “sol”).

MONTANHA DO MESTRE ÁLVARO:

A montanha do Mestre Álvaro, com 833 metros de altura é a primeira maior montanha da Grande Vitória. O nome Mestre Álvaro é uma homenagem do Padre Jesuíta Braz Lourenço (Fundador da Serra) ao Capitão e Comandante mestre de Navio de nome Álvaro da Costa, filho do segundo Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa. O Mestre Álvaro é um maciço “Gnássico”, e sua magnitude é histórica. Nos primeiros documentos cartográficos do século 16, pode-se verificar a indicação do acidente geográfico, Mestre Álvaro, assinalado como ponto de referência para a navegação marítima. Dom Pedro II, Imperador do Brasil, em sua visita ao Espírito Santo, anotou em seu diário: “O Monte Mestre Álvaro, com tempo limpo e claro, pode ser visto até a 60 milhas do mar”. O viajante estrangeiro Auguste Saint Hilaire, quando visitou as terras do Espírito Santo em 1816, passando pela Serra, em direção ao Rio Doce, desejou conhecer a flora da região, chegando a subir o Mestre Álvaro onde analisou e pesquisou as árvores e plantas da região, coletando muitos dados, tendo escrito: “A mata que cobre a Serra do Mestre Álvaro representa ainda um valioso acervo de espécies aproveitadas na agricultura e na flora medicinal”. Nos primórdios da colonização do Espírito Santo, o Mestre Álvaro atraiu os colonizadores que esperavam ali encontrar ouro, sendo estimulados pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho. Foram conseguidas pequenas quantidades de ouro de aluvião e outras pedrarias. Historicamente, há registros de retirada de ouro do Mestre Álvaro em 1598, feitas por Dom Francisco de Souza. Reserva Biológica do Mestre Álvaro – Situada no distrito de Pitanga, possui 2.461ha, com altitude variando entre 100 a 833m. É de grande valor para estudos, por ser um dos últimos remanescentes da Floresta Atlântica de encosta e pela diversidade de espécies. A Reserva foi criada pela Lei Estadual nº 3.075, de 09/08/76.

UMA LENDA RUSSA

Pássaro de Fogo é um Balé em três atos, onde magia, amor e liberdade se entrelaçam. A obra é do Músico e Maestro Igor Stravinsky (1882-1971), (Foto), baseada numa Lenda Russa. IGOR é um compositor norte-americano nascido na Rússia e um dos maiores inovadores musicais do século XX. Alcançou fama internacional com a música que fez para os Ballets Russes de Diaghilev, começando com o balé O Pássaro de Fogo. A partitura áspera e discordante de A Sagração da Primavera causou um tumulto quando foi executada a primeira vez em Paris. Obras posteriores incluem Édipo Rei, A Sinfonia dos Salmos e a ópera Carreira do Libertino.

A HISTÓRIA DO “PÁSSARO DE FOGO” DA RUSSIA

No jardim do mago Katschei brotavam maçãs de ouro, e lá viviam jovens princesas prisioneiras e enfeitiçadas. O príncipe Ivan entra por acaso no jardim e fica encantado com as maçãs douradas e um lindo pássaro de penas douradas e vermelhas que voava bem próximo às arvores. Temendo ser feito prisioneiro pelo príncipe, o Pássaro de Fogo implora por sua liberdade e em troca presenteia Ivan com uma de suas plumas, que tem o poder mágico de protegê-lo contra os encantos do mago. O príncipe permanece no jardim e ao anoitecer vê as lindas prisioneiras que à noite saem do castelo para passearem; a mais bonita de todas se aproxima de Ivan, conta sua história e pede que vá embora, pois o mago transforma em pedra quem aparece em seu jardim encantado. O príncipe finge que vai embora, mas a segue, pois tinha se apaixonado por ela. Começa a amanhecer e Ivan se torna prisioneiro de Katschei. Quando vai ser enfeitiçado, se recorda da pluma que o Pássaro de Fogo tinha lhe dado, e agita-a na frente do rosto do mago. Surge então o pássaro que obriga Katschei e seus amigos a dançarem até a exaustão; enquanto isto ordena a Ivan que procure um grande ovo, onde está trancado o grande segredo do mago: sua imortalidade. Ivan acha o ovo e quebra-o. No mesmo instante, o mago morre e as jovens princesas ficam livres para sempre. Ivan encontra o seu amor e o Pássaro de Fogo desaparece entre as árvores.

O “PÁSSARO DE FOGO” NA SERRA E CARIACICA, ES

Em tempos bem antigos, por volta de 1556, quando os Temiminós que vieram do Rio de Janeiro se instalaram no Espírito Santo, conta-se que dois jovens de tribos rivais se conheceram e antes que soubessem de suas origens e da rivalidade que existia em suas tribos, nasceu entre eles um amor tão forte e belo como o Sol. Ela, Jaciara, uma lindíssima princesa indígena, filha do poderoso cacique que ocupava uma imensa terra, onde hoje encontramos o atual município de Cariacica. Ele, Guaraci, um forte guerreiro da tribo dos Temiminós, que ocupava as terras hoje conhecida como município da Serra. Quando esse amor chegou ao conhecimento das tribos, aumentou a rivalidade e a fúria dos caciques contra esse amor, que era incontrolável. O cacique indígena, pai da princesa, jamais aceitaria o enlace da sua querida filha, com o inimigo de seu povo, mesmo sabendo quanto era valioso o dote do noivo e da sinceridade da jura de seu amor. Em consequência criou-se uma barreira intransponível entre as terras das duas tribos e os jovens não podiam de maneira alguma chegar próximo dessa divisa. Mas o amor, quando sincero e forte, é algo que ultrapassa qualquer barreira e sempre encontra um aliado. Foi o que aconteceu. Os apaixonados conseguiram a ajuda de uma ave misteriosa, o Pássaro de Fogo, (Observe a semelhança com a Lenda Russa), que em horas determinadas, levava o casal a pequenos montes em pontos de fronteira de suas tribos, onde ambos se viam. Então a índia cantava juras de amor ao seu escolhido e ele retribuía da mesma maneira com cantigas que tocavam seus corações. Continuaram assim, nesse amor poético e passando o tempo, combinaram uma fuga. Quando chegou ao conhecimento do cacique indígena a fuga romântica de sua filha foi o bastante para reunirem todos os sábios conselheiros da tribo e um feiticeiro, que transformou os apaixonados em pedra nos referidos locais onde se avistavam. Estes se elevaram e constituíram dois belos e lendários montes, muito importantes no litoral capixaba, que conhecemos como: MOCHUARA, (ou MUXUARA) a princesa, em Cariacica, e o MESTRE ÁLVARO, o príncipe, na Serra. Porém, uma fada compadecida de um destino tão cruel, concedeu uma trégua aos enamorados, na rigidez de suas posições e assim uma vez ao ano, na noite de São João, os jovens recuperam de forma invisível, sua forma humana e primitiva, ocasião em que fazem juras de fidelidade e presenteiam-se com ricas joias e outros mimos, sempre com a ajuda da ave amiga, o Pássaro de fogo, ave mensageira entre os apaixonados. Levando de um para o outro as juras de amor e os presentes, que atestam a sinceridade infinita. Assim, conta a história, conta a Lenda, que na noite de São João, o Pássaro de Fogo, passa no céu, e vai do MOXUARA, em Cariacica, ao MESTRE ÁLVARO, na Serra e vice-versa. E continuam a VIAGEM DO FOGO, descrevendo no espaço, a ETERNIDADE DO AMOR. Observe aqui que a Lenda fala em fogo na noite de São João e o interessante é que a festa de São João é a festa de Agni, do fogo, a festa que comemora o solstício do verão.

HÁ REGISTROS NÃO OFICIAIS DE UMA LENDA DE BOLAS DE FOGO NO LUGAR DO PÁSSARO DE FOGO.

FESTA DE SÃO JOÃO

São João – Festejado em 24 de junho. Filho de Zacarias e Isabel, diz a Bíblia que foi ele quem batizou Jesus Cristo com as águas do rio Jordão. Daí vem o nome Batista, o “batizador”. É o mais famoso dos três santos do mês de junho, tanto que as festas juninas também são conhecidas como festas joaninas, em sua homenagem. É usualmente representado pela figura de um menino com um cordeiro no colo, já que teria sido ele quem anunciou aos homens a chegada do cordeiro de Deus. Fogueira: representada com a base redonda e em formato de pirâmide.

FILME VÍDEO DOCUMENTÁRIO: “SIGA MINHAS MÃOS”

Documentário de Luciana Gama sobre o imaginário popular acerca das lendas e histórias que envolvem o Mochuara, localizado em Cariacica (ES) e o Mestre Álvaro, localizado na Serra (ES). Lançado no dia 27 de novembro de 2009, no Cine Jardins, o documentário “Siga Minhas Mãos”, um projeto audiovisual que representa o imaginário popular das comunidades que vivem no entorno de alguns dos imponentes monumentos naturais do Espírito Santo.
Pedras e montanhas que se destacam por terem a forma esculpida pela natureza. O nome “Siga Minhas Mãos” faz uma alusão aos moradores que não se cansam de desenhar o contorno destas formas com as mãos no ar.

TÚNEL E BAÚ DE OURO – NOVA ALMEIDA

A LENDA DO BAÚ DE OURO NA IGREJA DOS REIS MAGOS E

O TUNEL COMO ROTA DE FUGA EM NOVA ALMEIDA.

Igreja dos Reis Magos Nova Almeida Serra ES
Igreja dos Reis Magos Nova Almeida Serra ES

A Igreja dos Reis Magos está situada num local onde existiu um núcleo de catequese indígena, realizado pelos padres jesuítas, entre o século XVI e o XVIII. Foi construída no período existente entre os anos 1580 e 1615, com a ajuda dos índios tupiniquins. O nome original da aldeia, fundada por Braz Lourenço em 1555, era Reis Magos, contudo, o nome atual da localidade é Nova Almeida. O conjunto compõe-se da igreja e da residência anexa. A fachada principal da igreja apresenta frontão simples. A porta principal apresenta ombreira de pedra trabalhada na parte superior. Os vãos das janelas apresentam ombreiras retangulares, possuindo as janelas formas almofadadas. A torre situa-se entre a igreja e a residência, sendo encimada por uma cúpula, e circundada por quatro coruchéis (pináculos). A igreja possui nave, capela mor, e uma torre sineira encimada por abóbada de tijolos, situada entre a igreja e a residência. Esta última em dois pavimentos, possui várias salas e uma varanda no pavimento superior, cujo piso é totalmente constituído por tabuado sobre barrotes de madeira.

O poeta, músico e folclorista, Teodorico Boa Morte, de Nova Almeida conta que existe na Igreja Reis Magos a lenda de um baú de ouro enterrado em frente à construção. Consta que ter acesso ao tesouro, a pessoa teria que cavar e fazer um ritual: Ir vestido de branco, com uma carroça, na sexta-feira, à meia noite: “Um senhor foi atrás do tesouro e, quando chegou em frente a Igreja, teve uma visão. Viu um padre que foi logo dizendo:  Se cavar e achar o tesouro, quero a metade. Logo apareceram fantasmas de animais e monstros e o tal Senhor fugiu se escondendo dentro de um túnel debaixo da Igreja, túnel este usado como rota de fuga dos padres quando de ataques inimigos. Segundo Teodorico o homem se perdeu dentro do Túnel e os fantasmas o pegaram ocorrendo uma grande explosão e o túnel nunca mais foi encontrado e nem o tal Senhor.

FANTASMAS DOS NEGROS MORTOS NO QUEIMADO

Revolta dos Negros Escravos do Queimado
Revolta dos Negros Escravos do Queimado

FANTASMA DE UM ANTICRISTO

E FANTASMAS NAS RUÍNAS DO QUEIMADO

No ano de 1849, no período Imperial do Brasil, o escravo negro, no Espírito Santo era usado na produção agrícola. Os grandes fazendeiros usavam a mão de obra escrava para trabalhar, principalmente nas lavouras de cana-de-açúcar, café e milho e viviam como a população escrava brasileira, humilhados e submetidos a castigos cruéis e desumanos, ansiando por liberdade, em condições onde fugas, aquilombamentos e revoltas eram constantes. A antiga freguesia de São José do Queimado, que pertencia a Comarca de Vitória em 1849, está hoje incorporada ao município da Serra, na Grande Vitória, ES.

No dia 19 de março de 1849 aconteceu um movimento de libertação dos escravos, na Vila de São José do Queimado, localizada ao norte de Vitória, nas proximidades do rio Santa Maria. O Folclorista Teodorico Boa Morte relata ainda que no local da maior Revolta de Escravos ocorrida no Espírito Santo ocorrida em 19 de março de 1849, quando centenas de escravos foram presos e chicoteados e, inclusive dois enforcados, um inclusive em frente a Igreja de São José do Queimado, o local passou a ser assombrado por um Anticristo que toda sexta-feira da Paixão à noite fazia arruaça na frente da Igreja e sempre que alguém tentava pegá-lo formava-se uma tremenda confusão deixando todos com medo e assustados.

Por ocasião da Revolta dos Negros Escravos do Queimado dois líderes foram enforcados, condenados de acordo com o Código Penal da época do Império no Brasil: João da Viúva Monteiro, às 6 horas da manhã do dia 08 de janeiro de 1850 em frente a Igreja de São José no Queimado e, Francisco de São José, o Chico Prego, enforcado na Igreja Matriz da Serra Sede, cerca de 18 quilômetros do Queimado, em 11 de janeiro de 1850.  

O pesquisador Aurélio Carlos Marques de Moura relata que nas noites de lua cheia na região do Queimado que passava em frente a Igreja ouvia murmúrios dos escravos pela floresta e em volta das ruínas. O fantasma de João da Viúva Monteiro, escravo de Maria da Penha de Jesus Monteiro que foi enforcado no Queimado em frente a Igreja em 08 de janeiro de 1850 aparecia dos mortos buscando vingança, assustando a todos.

Igreja de São João Batista de Carapina, Serra ES em 1990. Com uma árvore na Torre Sinaleira e sem as paredes laterais destruídas pelo Povão em busca do ouro dos Jesuítas e, depois a foto de 1995 após a Restauração.
Igreja de São João Batista de Carapina, Serra ES em 1990. Com uma árvore na Torre Sinaleira e sem as paredes laterais destruídas pelo Povão em busca do ouro dos Jesuítas e, depois a foto de 1995 após a Restauração.

O OURO ESCONDIDO EM CARAPINA

A LENDA DO OURO NAS PAREDES

DA IGREJA SÃO JOÃO DE CARAPINA

A Igreja de São João Batista de Carapina está entre as mais antigas do território brasileiro. A construção de alvenaria, com pedras de cal é datada de 1584. A Igreja foi construída pelos jesuítas no Planalto de Carapina, para que estes se comunicassem com o Convento dos Reis Magos em Nova Almeida e com o Convento da Penha em Vila Velha, por meio de sinais com bandeiras e fogueiras. Restaurada em 1870 a Igreja de São João Batista de Carapina foi tombada como patrimônio histórico estadual, em 1984.

A Companhia de Jesus é a responsável por grande parte das lendas sobre tesouros ocultos. Sabe-se que muito ouro do Brasil fora enviado para Roma, pela Companhia de Jesus, mas alguma parte teria ficado no Brasil. Na Região de Carapina surgiu um boato, em 1989 de que os Jesuítas tinham escondido ouro nas paredes da Igreja de São João Batista. A população rapidamente foi até a Igreja e começou a quebrar as paredes em busca do ouro. Em 1990, em visita técnica no local do Conselheiro Clério José Borges e equipe técnica do DEC chefiada pelo Arquiteto Valdir Castiglioni constatou-se a existência de ruínas tendo permanecido apenas a parede frontal e a torre sinaleira onde no alto havia um pé de mato. Comunidade e Conselho Estadual de Cultura tiveram que se mobilizar para a Restauração da Igreja que ocorreu em 1995. No local havia também a lenda de um Túnel criado como rota de fuga pelos padres Jesuítas que passava por debaixo da Igreja e ia para a parte baixa na região do Canal do Uma e do rio Santa Maria da Vitória.   

PEIXE COBRA DRAGÃO DA LAGOA JUARA

Hidra serrana o Dragão com cabeça de Cobra e rabo de peixe 
- Lenda da Lagoa Juara, na Serra ES.
Hidra serrana o Dragão com cabeça de Cobra e rabo de peixe
– Lenda da Lagoa Juara, na Serra ES.

A HIDRA SERRANA DA LAGOA JUARACOBRA DRAGÃO E PEIXE NA SERRA, ES

O Município da Serra possui uma vasta rede hidrográfica constituída por rios, ribeirões, áreas alagadas e alagáveis, diversos córregos, faixa litorânea e um complexo lacunar bastante diversificado. Além de apresentarem importância econômica, as lagoas da Serra estão entre os sistemas naturais mais representativos do município por possuírem grande beleza cênica e por serem refúgios para várias espécies de fauna e flora naturais. A conservação das lagoas está diretamente relacionada à preservação da “vegetação ciliar”, de suas nascentes e córregos contribuintes, bem como da qualidade de suas águas.

  • Lagoa do Juara é a maior lagoa do município e tem como principal afluente o Ribeirão Juara. No período de novembro a fevereiro é observado o fenômeno da piracema. As lagoas Juara e Jacuném fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Jacaraípe e deságuam na Praia de Jacaraípe.
  • Lagoa Jacuném abrange uma grande área urbana da Serra. Inserida entre o CIVIT, as proximidades de Feu Rosa e Barcelona. É muito utilizada para pesca.
  • Lagoa Sarapongá está situada na região de Queimado, na baixada próximo ao Morro Mororon.
  • Lagoa de Carapebus é um importante ponto turístico, separada do mar apenas por bancos de areia em certos trechos. Próximo a ela está a pequena Lagoa do Baú.
  • Lagoa Maringá é uma lagoa artificial, originado pelo represamento parcial do Córrego Maringá, feito pela Rodovia ES-010, próximo ao balneário de Manguinhos.

Na antiga vila de pescadores, Jacaraípe, encontra-se a Lagoa Juara que impressiona pela beleza, extensão e volume d`água. Lá existe um restaurante e uma peixaria, mantidos pela Associação de Pescadores da Lagoa Juara, que tem como prato principal a Tilápia. Você pode escolher o peixe direto dos tanques-rede dispostos na lagoa, e ai decidir se prefere degustá-lo no restaurante ou levar para casa.

A LENDA

Lagoas da Serra no Estado do Espírito Santo, Brasil. Ao fundo a Montanha do Mestre Álvaro.
Lagoas da Serra no Estado do Espírito Santo, Brasil. Ao fundo a Montanha do Mestre Álvaro.

A lenda da cobra grande, também chamada de “lenda da cobra grande da Amazônia” é muito popular nas regiões norte e nordeste do país. Esse personagem do folclore brasileiro, também conhecido pelos nomes Cobra Honorato, Norato ou Boiuna, é uma cobra gigantesca cujo habitat é as profundezas dos rios ou dos lagos. Seus olhos são luminosos e aterrorizam as pessoas que a encontram. Presente no imaginário de muitas pessoas, essa lenda inspirou a criação de diversas músicas, poemas e filmes. A Lenda da Serra tem muito a ver com a Lenda do Norte e Nordeste Brasileiro e aí podemos encontrar a sua origem. Dependendo da localidade (Amazônia, Pará, Tocantins, Roraima, etc.), existem diversas versões dessa lenda, as quais foram passadas de geração em geração. A estória mais comum por trás dessa personagem ameaçadora é da índia de uma tribo amazônica que ficou grávida da cobra Boiuna. Ela deu à luz a duas crianças gêmeas que nasceram com aparência de cobras. O menino recebeu o nome de Honorato (ou Norato); e a menina, Maria Caninana. Assustada com a aparência de sua prole, ela decidiu lançar seus “filhos-cobras” no rio. A diferença entre a personalidade dos irmãos era notória. Ou seja, enquanto Honorato tinha um coração bom e sempre visitava sua mãe, Maria, por sua vez, guardava rancor e nunca foi visitá-la. Por conta de seu temperamento, Maria sempre estava assustando a população e os animais, ou mesmo naufragando embarcações. Seu irmão, que era o contrário, não gostava nada de suas ações. Assim, cansado e triste com os atos de sua irmã, ele resolve matá-la para pôr fim ao sofrimento de muitas pessoas. Algumas versões relatam que em noites de lua cheia Honorato adquiria a forma humana e podia caminhar pela terra. No entanto, quando passava a lua cheia ele voltava para sua vida nos rios. Acreditava-se que para quebrar o encanto, uma pessoa deveria ferir a cobra na cabeça, além de colocar leite em sua enorme boca. A questão é que com todos que ele falava, não tinham coragem pois se assustavam com a criatura no momento que ele se transformava. Sem dúvida, ninguém queria enfrentar a cobra grande. Até que um dia, um soldado muito corajoso o libertou da maldição. Assim, Honorato pode viver na terra como uma pessoa comum e perto de sua família. Em outra versão, uma mulher muito má, pertencente a uma tribo amazônica, costumava matar e devorar crianças. Indignados, os habitantes da tribo resolveram jogá-la no rio. Entretanto, ela não morreu pois foi salva por uma espécie de demônio chamado de Anhangá. Por fim, eles se casam e tem um filho que foi transformado em cobra por seu pai, para que assim, ele pudesse viver com seus pais no rio. Com o tempo ele foi crescendo até atingir um tamanho descomunal, tanto que os rios já não tinham mais peixes. Com isso, a cobra grande começou a aterrorizar e devorar pessoas das tribos que viviam próximas dos rios. Quando sua mãe morreu, a cobra ficou tão enfurecida que resolveu viver num estágio de letargia embaixo das cidades grandes. Noutra versão, quando morre sua mãe, a cobra grande fica triste e furiosa que seu olho torna-se tão brilhante que chega a soltar flechas de fogo. Essas flechas eram atiradas no céu, e, portanto, acredita-se que ela atuava nas tempestades.

A Lenda da Lagoa Juara na Serra ES. Cobra com cabeça de Dragão. Serpente da Lagoa Juara.
A Lenda da Lagoa Juara na Serra ES. Cobra com cabeça de Dragão. Serpente da Lagoa Juara.

Na mitologia grega o tal monstro dragão-cabeça-de-cobra é conhecido também como a Hidra de Lerna. Um monstro com corpo de dragão e, como se isso não bastasse, várias cabeças de serpente.

Segundo a Lenda, na Lagoa Juara na região de Serra Dourada e Barcelona, havia um monstro com corpo de cobra, dragão e peixe. A criatura andava sobre as águas e assustava quem chegava perto da lagoa. Um dia o monstro viu um pescador Serrano muito bonito e se apaixonou pelo mesmo e se transformou numa linda Sereia e por mágica, os dois formaram um casal e passaram a residir na década anos de 1800, nas matas da Serra próximo a Lagoa Juara, conhecida também por Lagoa Juá.

O MONSTRO DA LAGOA DO JANSEN EM SÃO LUIS DO MARANHÃO –

Lendas de Monstros em Lagoas não são novidades. Em São Luís na Capital do Estado do Maranhão existe a Lenda do Monstro da Lagoa do Jansen. A Lagoa da Jansen se encontra em uma região urbanizada, localizada no município de São Luís, MA, entre os bairros do São Francisco, Ponta D’areia, Renascença I e II, e Ponta do Farol, totalmente habitada em seu perímetro marginal, rodeada por pavimentação de calçadas, ciclovias e estradas asfaltadas. A lagoa Jansen tem esse nome devido a Ana Jensen, mulher rica, poderosa e temida de São Luís, na época da escravidão, existem muitas lendas, uma delas é que por maltratar os escravos, foi condenada a vagar perpetuamente pelas ruas da cidade numa carruagem assombrada, mas dizem que também era generosa. Segundo a lenda, haveria uma serpente adormecida no subsolo da cidade, cuja cabeça se encontra na fonte do Ribeirão que abastece de água a Lagoa e, a cauda embaixo da Igreja de São Pantaleão. Assim, no dia em que a cabeça encontrar a cauda o animal acordará e destruíra a ilha de São Luís.

A Serpente da Lagoa do Jansen em São Luís. Se acordar afunda a Capital do Maranhão.
A Serpente da Lagoa do Jansen em São Luís. Se acordar afunda a Capital do Maranhão.

MULA SEM CABEÇA NA SERRA – ES

MULA SEM CABEÇA: MULHERES QUE QUERIAM NAMORAR OS PADRES ANTIGAMENTE  

Lenda da Serra ES: Mula sem Cabeça em quadro pintado pelo Artista Plástico e Acadêmico da Serra ES, Walter Francisco de Assis. A Mula que infernizava as ruas da Serra antigamente.
Lenda da Serra ES: Mula sem Cabeça em quadro pintado pelo Artista Plástico e Acadêmico da Serra ES, Walter Francisco de Assis. A Mula que infernizava as ruas da Serra antigamente.

A mula sem cabeça é uma lenda que se originou na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e existia tanto em Portugal quanto na Espanha. Essa lenda foi trazida ao Brasil pelos portugueses, mas também foi levada para outros locais da América Latina pelos colonizadores Espanhóis.

Essa lenda existe em países como Argentina e México. Os argentinos conhecem-na como mula anima, enquanto os mexicanos chamam-na de malora. Outros nomes como mula sin cabeza e mujer mula também são usados. Luís da Câmara Cascudo conta que as características da lenda nesses locais são praticamente idênticas às do Brasil.

mula sem cabeça é uma das lendas mais populares do folclore brasileiro e fala de mulheres que foram amaldiçoadas com a capacidade de converter-se em uma mula que possui labaredas no lugar da cabeça. Era uma lenda que reforçava os valores morais de séculos passados para evitar que mulheres mantivessem relações sexuais antes do casamento, sobretudo com padres.

Lenda da Mula sem Cabeça que segundo o Artista Plástico Walter Francisco Assis também existia no Município da Serra ES.
Lenda da Mula sem Cabeça que segundo o Artista Plástico Walter Francisco Assis também existia no Município da Serra ES.

EXTRATERRESTRES NA SERRA – ESPÍRITO SANTO – ÍNDIO MANEMOAÇU ABDUZIDO POR EXTRATERRESTRES.


LUA DE MEL SIDERAL

Pesquisa de Clério José Borges publicada no Livro História da Serra.


Após o desembarque, o cacique e seu filho Araribóia levaram parte da tribo para o interior da capitania, onde fundaram a aldeia que deu origem à cidade de Serra; o outro filho, Manemoaçu, ficou com alguns guerreiros (flecheiros) no litoral para ajudar os portugueses na defesa contra os franceses, holandeses e selvagens botocudos.
Em 20 de janeiro de 1558, dia de São Sebastião, foi realizado o batismo de Manemoaçu – agora chamado Sebastião de Lemos – e seu casamento religioso com a indígena que era sua companheira. Tudo parecia transcorrer bem até que, poucos dias depois, Manemoaçu desapareceu. As buscas realizadas não deram em nada, não havia nenhuma pista dele. Passadas quase duas semanas, ele reapareceu na aldeia, cambaleante, em estado de choque. Cuidado pelos jesuítas, Manemoaçu não resistiu e morreu em 2 de abril daquele ano.
José Teixeira de Oliveira e outros historiadores capixabas, baseados no relato do jesuíta Francisco Pires, descrevem a morte e enterro do índio Sebastião de Lemos. O fato é relatado também por Serafim Leite no livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, página 327.
Mas é no depoimento do Padre Antônio de Sá, em carta datada de 13 de Junho de 1559, que se reforçam as suspeitas de abdução: o religioso relata que Manemoaçu, tendo sumido por alguns dias da aldeia, ao retornar disse ter sido vítima de rapto feito por seres estranhos, que o levaram para um lugar desconhecido. Muito doente, passou a ser considerado maluco e os jesuítas afirmaram que “demônios invadiram o corpo de Sebastião”.
Pesquisadores modernos, após examinarem todos os registros deixados pelos padres, levantam a hipótese de que o irmão de Araribóia foi raptado por seres extraterrestres, sendo este o primeiro caso de abdução registrado no Espírito Santo e, talvez, no Brasil.

VÍDEOS DE CLÉRIO BORGES. PALESTRAS NAS ESCOLAS DA SERRA – ES:

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