A festa de São Benedito, principal evento cultural e Turístico da Serra e do Estado do Espírito Santo. Fotos de 2002, divulgadas na Internet.

LIVRO “HISTÓRIA DA SERRA” DE CLÉRIO JOSÉ BORGES – EDIÇÃO DE 2003 – LEI CHICO PREGO – SERRA – ES – BRASIL.

Cidades Colonização Espírito Santo História da Serra História do Brasil

Serra: Emancipação – O município da Serra foi criado em 1833, com território desmembra­do do município de Vitória, através da resolução do Conselho de Governo de 2 de abril de 1833 e instalado em 19 de agosto daquele ano. Fundação: 08 de Dezembro de 1556 e Dia do Serrano, dia 26 de Dezembro. A Festa de São Benedito, realizada oficialmente desde 1826 é comemorada todos os anos nos dias 25, 26 e 27 de Dezembro. Nossa Senhora da Conceição é a padroeira do município da Serra e, por isso, dia 08 de Dezembro é feriado municipal.

Mapa do Município da Serra no Estado do Espírito Santo. Serra é o tema do 
Livro dos Escritor e Historiador Clério José Borges de Sant Anna. O Município é o 
mais populoso da Grande Vitória.
Mapa do Município da Serra no Estado do Espírito Santo. Serra é o tema do
Livro dos Escritor e Historiador Clério José Borges de Sant Anna. O Município é o
mais populoso da Grande Vitória.

CLÉRIO JOSÉ BORGES

Da Academia de Letras e Artes da Serra – ALEAS

Do Clube dos Trovadores Capixabas – CTC

Do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo

Da Academia de Letras “Humberto de Campos”

Da Federação Brasileira de Entidades Trovistas

Da Câmara de Literatura do Conselho Estadual de Cultura

Conselheiro Titular da Câmara de Literatura do Conselho Municipal de Cultura da Serra

Cidadão Serrano, título conferido pela Câmara Municipal da Serra.

HISTÓRIA

DA

SERRA

1ª Edição: Ano 1998

2ª Edição revista e atualizada: Ano 2.003

(Melhor livro histórico do ano de 1998)

Os encantos desta terra

Mostram com muita certeza,

Que nesta querida Serra

Há Paz, Amor e Beleza.

Trova de Clério José Borges

Está obra está devidamente registrada no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro com o N.º 87.842, no livro N.º 118, folha 039. O documento de registro da obra é datado de 04 de fevereiro de 1994.

Depósito Legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto N.º 1.825, de 20 de dezembro de 1907: “Rio de Janeiro, sexta feira, 26 de Março de 1999. Prezado Senhor: Vimos por meio desta, acusar e agradecer o envio da obra editada por Vossa Senhoria contribuindo significativamente para o acervo da Fundação Biblioteca Nacional e cumprindo a Lei do depósito Legal (Decreto N.º 1825 de 20.12.1907). (…) Sua participação é muito importante e a divulgação de sua obra dá-se através da Bibliografia Brasileira, distribuída no Brasil e no Exterior. (…) Obra: História da Serra. Cordialmente. Virgínia Freire da Costa. Chefe do depósito Legal.”

Impresso no Brasil.

História da Serra. Lançado em 2009.
História da Serra. Lançado em 2009.

HISTÓRIA DA SERRA

1ª Edição: 22 de Maio de 1998 / 2ª Edição: Junho de 2003.  © Copyright de Clério José Borges de Sant’ Anna – Rua dos Pombos, 2 – Eurico Salles – Carapina – Serra – ES – Brasil  – CEP: 29160 -280   / Tel.: (0 XX 27) 33 28 07 53. 

© Todos os direitos reservados ao autor.

Fotógrafo Oficial: Aurélio Carlos Marques de Moura

Proibida a reprodução sem a expressa autorização, por escrito, do autor, sujeitando-se os infratores às sanções previstas em lei. Trechos poderão ser copiados para trabalhos históricos de pesquisa e escolares, desde que seja citada a presente obra.

FICHA CATALOGRÁFICA

981.522    Borges, Clério José, 1950 -.

                                                  História da Serra – Serra – ES

   Editora Canela Verde – 1997.  Páginas:            il.

                                                  1- Serra – ES – História.

                   2- Espírito Santo (Estado) – História.

I – Título                    CDU 981.522

Serra antiga. Desenho de ASSIS.
Serra antiga. Desenho de ASSIS.

SERRA

Poesia de Clério José Borges

Serra, Município onde a natureza,

Em formas infinitas todo dia,

Mostra encanto em inebriante beleza,

Formando terra de intensa magia.

Nesta terra a sua melhor riqueza

É seu povo trabalhador, que cria

Esperança de uma grande certeza

De que aqui só haverá Paz e Alegria.

Serra do Mestre Álvaro tão imponente,

Do seu povo amigo, nobre e valente,

Agora se expande em tecnologia.

Serra, dos Congos de São Benedito,

Do Queimado, de um povo nobre, bonito,

A quem presto homenagem em poesia.

DEDICATÓRIAS

O autor dedica esta obra às seguintes pessoas

Lyra Borges de Sant’  Anna  (In Memoriam)

Zenaide Emília Thomes Borges

Clérigthom Thomes Borges

Cleberson José Thomes Borges

Katiuscia Patrocínio

Zedânove Tavares Sucupira

Eno Teodoro Wanke  (In Memoriam)

Emília Birschner Thomes

Naly da Encarnação Miranda (In Memoriam)

HISTÓRIA DA SERRA OU DE SERRA, PREFEITURA DA SERRA OU DE SERRA

Este assunto refere-se a uma controvérsia surgida após a publicação do livro “História da Serra”. Alguém sugeriu que a expressão “da Serra” era imprópria, pois se referia ao município e cidade Serra. Surgiu a pergunta: “da Serra” ou “de Serra”? Por sugestão do Secretário Audifax Barcellos a Prefeitura chegou a adotar a grafia “Prefeitura Municipal de Serra”. Sobre o assunto consultamos alguns entendidos. Veja as opiniões e tire suas conclusões.

1 – Escritor Zedânove Tavares Sucupira:

O dicionário “Novo Aurélio” – Século XXI (3ª Edição revista e ampliada – Nova Fronteira) define, na página 1844, na terceira coluna, o verbete “serrano”, item 2, adjetivo: “De, ou pertencente ou relativo a Serra (ES). (Note-se que não há acento grave, indicativo de crase, em “a Serra”). E, a seguir: Substantivo masculino, 2 – “O natural ou habitante de Serra”. (Observe-se que está escrito “de Serra”, e não “da Serra”). Conclusão: Quem questionou está, de acordo com o referido dicionário, correto. A expressão “da Serra” é realmente imprópria. Deveria ser “História de Serra”, contudo o uso de “História da Serra” não seria irregular já que se refe a uma cidade.

2 – Videomaker e Fotógrafo Aurélio Carlos, Presidente do Conselho Municipal de Cultura da Serra:

A grafia correta seria “da Serra”, conforme a tradição popular. História da cidade da Serra e Prefeitura Municipal da Serra.

3 – Arquiteto e Jornalista Marcello Furtado:

No caso de acidentes geográficos o correto seria “de Serra”. Em se tratando de uma cidade o correto é “da Serra”.

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO

Em seu livro “Reminiscências da Serra, 1556 – 1983”, Naly E. Miranda refere-se, em dado momento, à possibilidade de o mesmo despertar “noutrem o interesse para pesquisar e escrever sobre a Serra”.

Clério José Borges se dispôs a fazer isso. E conseguiu. Escreveu um livro historicamente científico, depois de exaustivas pesquisas, resgatando a verdade sobre o Município da Serra, seus primeiros habitantes, a colonização, a criação de Aldeias e seu desenvolvimento etc.

“História da Serra”, embora não tenha tom didático, irá servir àqueles que desejam conhecer sobre as origens do Município, podendo ser estudado (não apenas lido) até mesmo em escolas, sem perigo de se encontrarem informações inexatas. Além de ser valiosa fonte de consultas.

Clério aponta erros, desfaz enganos e dúvidas e narra a verdadeira história da Serra. De um modo simples, claro e objetivo. Assim, falando sobre o lançamento deste livro, não diremos ao leitor que “a sorte está lançada” nem como Castro Alves, que “o livro é um pássaro”, apenas o seguinte: “Leia e faça bom proveito.”

Zedânove Tavares. Da Associação Capixaba de Escritores – ACE.  Do Clube dos Trovadores Capixabas – CTC

PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO

HISTÓRIA DA SERRA DE CLÉRIO JOSÉ BORGES

Escreve Eno Theodoro Wanke

Clério José Borges estréia como historiador, e o faz magistralmente.

Seu livro História da Serra é um primor. Sua narrativa, além de interessantíssima, é modelar deste gênero. Levanta todas as dúvidas e contradições sobre os assuntos abordados nos diversos capítulos, e as esclarece, através de documentos que apurou exaustivamente, não deixando mais nada a ser discutido. 

E – agradável revelação para o leitor – a história do município de Serra é interessantíssima, e se confunde não só com a história do Espírito Santo como, também, até certo ponto, com a própria história do Brasil e, pelo menos o princípio, com a do Rio de Janeiro.

Com efeito, os índios Temiminós que, levados pelo padre Jesuíta Braz Lourenço formam os primeiros povoadores do local, provinham da hoje Ilha do Governador. Aliados dos portugueses, e não suportando mais a perseguição e a guerra que lhes moviam os Tamoios, amigos dos franceses invasores da Baía da Guanabara, solicitaram, em 1554, asilo a Vasco Fernandes Coutinho, o donatário da vizinha capitania do Espírito Santo.

Este, demonstrando grande visão de estadia – já que também tinha problemas com os Tupiniquins, índios hostis aos portugueses – acudiu com presteza, mandando para a Guanabara quatro navios onde recolheu a totalidade, talvez umas duas mil pessoas, espalhadas em várias aldeias, da tribo Temiminós, também chamada, às vezes, de Maracajás (“Gatos Selvagens”) devido a seu cacique, Maracajaguaçu – palavra que quer dizer “Gato Selvagem Grande”.

Assim, em princípio de 1555, foram os Temiminós transportados para o Espírito Santo. Alojados primeiro junto a Vitória, acabaram sendo enviados, em sua maioria, mais ao norte, na região da hoje Santa Cruz, levados pelo jesuíta Braz Lourenço, decerto para estabelecerem uma espécie de barreira contra os ferozes Tupiniquins – e graças a isso, realmente, aconteceu o apaziguamento.

Depois, um grupo voltou para mais próximo à vila de Vitória, e foi fixado na chamada Serra Mestre Álvaro, onde, finalmente, foi fundada pelo jesuíta Braz Lourenço, e pelo cacique Maracajaguaçu, em 1556, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra – no local onde hoje se encontra a cidade da Serra.

Mestre Álvaro – explica-nos Clério – era o nome do filho do segundo governador geral do Brasil, Dom Duarte da Costa, em cujo navio Braz Lourenço veio para o Brasil, e com quem fez amizade. No Espírito Santo, resolveu dar seu nome a Serra situada logo ao norte de Vitória.

Os índios Temiminós do Espírito Santo comandados pelo Cacique Maracajaguaçu exerceram grande papel na reconquista da Guanabara em mãos dos franceses, primeiro na expedição de 1560 dirigidas pelo próprio Governador Geral do Brasil, com sede na Bahia, Mem de Sá – que não teve bem êxito.

Em 1564, nova Expedição é organizada pelo governo central do Brasil, desta vez comandado por Estácio de Sá, e novamente os índios Temiminós são solicitados a acompanhá-la, desta vez liderada pelo filho do Gato Grande, Araribóia (que já lutara na primeira).

Nesta segunda vez, o livro de Clério José Borges é empolgante e completo, abrangendo toda a gama de acontecimentos envolvendo a cidade, hoje quase incorporada à Grande Vitória. Outros episódios interessantíssimos são abordados, como a da revolta do distrito serrano do Queimado – onde os negros escravos se rebelam contra seus opressores em 1849, – a visita do imperador D. Pedro II em janeiro de 1860, etc. O livro, evidentemente, traz a história daquela operosa cidade até os dias atuais.

Está de parabéns não só o autor dessa excelente narrativa, Clério José Borges, como também o município da Serra, o Estado do Espírito Santo e também, por que não? – o Brasil inteiro, especialmente os leitores que tanto têm a aprender com o resultado das pesquisas do historiador.

   Escreve Eno Teodoro Wanke presidente de honra e perpétuo da Federação Brasileira de Entidades Trovistas, FEBET. Este artigo foi publicado em setembro de 1998, no Jornal “A Tribuna”, de Vitória, ES e em outubro de 1998, no Jornal “O Radar” de Apucarana, Estado do Paraná. Eno faleceu no dia 28 de maio de 2001, no Rio de Janeiro, com 71 anos de idade.

APRESENTAÇÃO

A missão do historiador é resgatar a verdade, de forma clara, completa e objetiva. É narrar de forma científica os acontecimentos, procurando mostrar a veracidade dos fatos.

Contudo, por mais que pesquise, o historiador jamais conseguirá descobrir toda a verdade. Difícil será descobrir todas as faces, razões, condições, locais e tempo em que cada fato realmente aconteceu. Assim os historiadores estão sempre reiniciando suas pesquisas, na busca de respostas concretas para os inúmeros questionamentos que surgem a cada momento.

Nos tempos atuais, não existe espaço para a fantasia histórica. Não existe espaço para relatos sem fundamentos científicos. A Literatura oral, embora importante no trabalho de pesquisa, recebe, na maioria das vezes, o tempero da imaginação.

O historiador necessita resgatar um passado que não teve a ventura de presenciar. Precisa buscar as verdadeiras fontes históricas. Enveredar por caminhos diversos. Pesquisar livros, ofícios, certidões, leis, cartas. Ou então analisar quadros, desenhos de época, vestuários, etc.

A presente obra procura explicar o passado do Município da Serra. Procura preencher uma lacuna existente.

Há falta de trabalhos especializados, baseados em documentos, em fontes seguras e honestas, procurando-se preencher todos os aspectos científicos de uma pesquisa.

Esta obra poderá não ser completa, mas seguramente será a verdadeira história da Serra.

Clério José Borges

Foto 1 – Casarão próximo a Igreja. Foto de 1908, de Eutychio D´Oliver. Livro História da Serra de Clério José Borges. Edição de 2003.
Foto 1 – Casarão próximo a Igreja. Foto de 1908, de Eutychio D´Oliver.
Foto 2 – Casarão. Criação do Artista Plástico, Assis. Foto de Aurélio Carlos. Livro História da Serra de Clério José Borges. Edição de 2003.
Foto 2 – Casarão. Criação do Artista Plástico, Assis. Foto de Aurélio Carlos.
A festa de São Benedito, principal evento cultural e Turístico da Serra e do Estado do Espírito Santo. Fotos de 2002, divulgadas na Internet. Livro História da Serra de Clério José Borges. Edição de 2003.
A festa de São Benedito, principal evento cultural e Turístico da Serra e do Estado do Espírito Santo. Fotos de 2002, divulgadas na Internet.
A festa de São Benedito, principal evento cultural e Turístico da Serra e do Estado do Espírito Santo. Fotos de 2002, divulgadas na Internet. - Livro História da Serra de Clério José Borges. Edição de 2003.
A festa de São Benedito, principal evento cultural e Turístico da Serra e do Estado do Espírito Santo. Fotos de 2002, divulgadas na Internet.
Índios Temiminós, de Gato Bravo Grande, Maracajaguaçu, 
na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, atacado pelos Tamoios que viviam no Litoral do Rio de Janeiro.
Índios Temiminós, de Gato Bravo Grande, Maracajaguaçu,
na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, atacado pelos Tamoios que viviam no Litoral do Rio de Janeiro.

CAPÍTULO 1

ORIGEM HISTÓRICA DA SERRA

O município da Serra situado na área Metropolitana da Grande Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, na região Sudeste do Brasil, teve sua origem histórica com a fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição onde, em 1556, foram alojados os índios de Maracajaguaçu, (Gato Grande), que vieram da Ilha de Paranapuã, (seio do mar), atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

A Serra teve o seu território explorado pelos primeiros colonos em 1535, que sem vínculo de permanência, estavam em busca de ouro. Posteriormente, em 1556, vieram os Temiminós do Rio de Janeiro que criaram as bases da colonização de uma região que posteriormente seria a cidade da Serra.

A fundação contou com a orientação do padre jesuíta Braz Lourenço, conforme recomendação do Donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho e aconteceu no dia 8 de dezembro de 1556, quando foi rezada a primeira missa na capela da Aldeia.

A Aldeia foi instalada inicialmente próxima ao rio Santa Maria, pela facilidade de se ir para Vitória usando o caminho natural do rio. Ficava na região entre o rio e o Morro da Serra. Quatro anos depois, em 1560, próximo a Aldeia, já existe um povoado, organizado pelo sucessor de Braz Lourenço, na assistência religiosa da região, o padre Fabiano de Lucena. Em 1564 há uma mudança de local.

PROTEÇÃO NATURAL

Em Junho de 1564, ou seja, 8 anos depois de sua fundação, por causa de uma epidemia de varíola (bexigas), os religiosos Diogo Jácome e Pedro Gonçalves passam a Aldeia Indígena e o povoado para um outro local, do outro lado do Morro.

Na imaginação popular, o Morro era considerado um protetor natural para barrar a propagação da terrível doença de bexigas, que é caracterizada por febre alta e por várias feridas na pele e que dizimara dezenas de pessoas.

A nova localização coincide com o local onde nos séculos XX e início do século XXI, está localizada a sede do Município da Serra.

Inicialmente a população da Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição era composta de Índios. Depois foram chegando os colonizadores portugueses que estabeleceram seus engenhos, trazendo escravos para o trabalho braçal. Da miscigenação de Portugueses, Índios e Negros surgiu o povo Serrano, que dos Portugueses herdou a religiosidade; dos Negros um vasto e rico folclore e um grandioso gosto por festas e dos Índios, a paixão pela liberdade.

ORIGEM HISTÓRICA DA COLONIZAÇÃO DA SERRA
Braz Lourenço e Maracajaguaçu fundam a Aldeia Indígena próximo ao rio Santa Maria
Em 1564 a Aldeia Indígena e o povoado mudam para o outro lado da Montanha


A Serra teve seu processo de colonização iniciado com a fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição onde, em 1556, sob a orientação do padre Jesuíta Braz Lourenço, foram alojados os índios da Tribo dos Temiminós, de Maracajaguaçu, vindos da baía de Guanabara, Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A prova da vinda dos Temiminós do Rio de Janeiro está na carta escrita pelo padre Luis da Grã em 24 de abril de 1555: 
“… porque, depois que eu tornei a arribar a esta Capitania, chegou aqui um Principal que chamam Maracajagaçu, que quer dizer Gato Grande, que é mui conhecido dos Cristãos e mui temido entre os Gentios, e o mais aparentado entre eles. Este vivia no Rio de Janeiro e há muitos anos que tem guerra com os Tamoios, e tendo dantes muitas Vitorias, por derradeiro vieram alguns aperto com cercas que puserão sobre a sua Aldeia e dos seus, que foi constrangido a mandar um filho seu a esta Capitania a pedir que lhe mandassem embarcação para se servir pelo aperto grande em que estava, porque ele e sua mulher e seus filhos e os mais dos seus se queriam fazer Cristãos. Fica agora o padre Braz Lourenço com uma nova ocupação (…) com eles, e espero no Senhor Deus que se farão Cristãos e que daí ajuntaremos alguns mínimos e que serão mais fiéis do que eles costumam ser.” – LEITE, Serafim. Cartas dos primeiros Jesuítas do Brasil. tomo II, São Paulo, 1954. p. 226.

No Web Site do IBGE consta erradamente o seguinte: Histórico – A colonização das terras, onde se desenvolveu o município teve início em meados do século XVI, quando o Padre Brás Lourenço, em missão de catequese, penetrou na região, povoada pelos índios Goitacazes. Fundou, ao pé do monte Mestre Álvaro, a aldeia de Conceição, onde se situa a sede municipal. No mesmo local, foi erigida Igreja, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Os erros principais são: Não eram Índios Goitacazes. Braz Lourenço foi encarregado de alojar os Índios Temiminós de Maracajaguaçu, pai de Araribóia, que vieram do Rio de Janeiro. Os Goitacazes eram inimigos dos Temiminós e estavam ao Sul da capitania do Espírito Santo. A Aldeia inicial dos Temiminós estava situada entre o rio Santa Maria da Vitória e a Montanha do Mestre Álvaro. Somente após uma epidemia de Varíola a Aldeia mudou de local, passando para o atual local, “onde se situa atualmente a Sede Municipal”.

A colonização do Espírito Santo se iniciou no dia 23 de maio de 1535, com o Donatário Vasco Fernandes Coutinho e mais 60 companheiros. Logo o território da Serra foi explorado pelos primeiros colonos, que estavam em busca do ouro. 
“Pelos fins de junho de 1535, alguns povoadores dos mais destemidos, por terra, foram abrindo picadas, sertão a dentro, em direção ao Mestre Álvaro, em busca de ouro e pedras preciosas, chegando até aos arredores do lugar onde está hoje a cidade da Serra.” Trecho do discurso do Padre Ponciano Stenzel dos Santos no dia 23 de maio de 1935, nos festejos comemorativos dos 400 anos da colonização do Espírito Santo.

Antes da colonização, a Serra era habitada pelos Índios Tupiniquins que viviam no litoral. Posteriormente vieram do Rio de Janeiro os Índios Temiminós, ocasião em que o padre jesuíta, Braz Lourenço (o nome correto é Braz Lourenço e não Lourenço Braz) e o Chefe Indígena, Maracajaguaçu (Gato Grande), em 1556 fundam nas proximidades do Mestre Álvaro, a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, estabelecendo as bases de colonização de uma região que posteriormente seria a cidade da Serra.

Mudança de local – Inicialmente a população da Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição era composta de Índios e situava-se entre o Morro e o rio Santa Maria da Vitória, numa várzea localizada no sopé da Montanha. Posteriormente a Aldeia é transferida para o outro lado do Morro, no local atual, numa colina, devido a uma Epidemia de Varíola, altamente contagiosa, que atacou a região em princípios de 1564. No imaginário do povo, a Montanha serviria de barreira para evitar a propagação da referida doença. Em princípios de 1564, surge na Capitania do Espírito Santo a doença das bexigas (varíola), começando, segundo os historiadores na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, onde eram responsáveis Diogo Jácome e Pedro Gonçalves. 
“Era tão geral a doença que em todas as casas havia enfermos. Tais casas mais pareciam hospitais. Havia dias em que se enterravam três a quatro mortos.” – Carta do padre Pedro da Costa de 1564.

A mudança de sítio (local) ocorre em Junho de 1564, oito anos após a fundação da Aldeia de Maracajaguaçu, nas proximidades do rio Santa Maria da Vitória. O novo local foi previamente escolhido pelos padres Diogo Jácome e Pedro Gonçalves com acompanhamento dos Índios e Portugueses que imaginavam que a Montanha pudesse impedir a propagação da doença, o que realmente aconteceu já que não existem registros de que a doença tenha se alastrado do outro lado da Montanha. É escolhida uma colina, o mesmo local onde hoje está situada a sede do Município da Serra.

Heroicos enfermeiros – Os padres adotaram a mesma postura de outros Jesuítas ao fundarem os núcleos de catequese e povoados, escolhendo uma região alta, uma colina, onde controem uma capela em local central, amplo e descampado. Próximo foi construída a Aldeia Indígena de Maracajaguaçu e ao redor da Igreja forma-se o povoado. Pedro Gonçalves e Diogo Jácome que se empenharam no atendimento aos doentes acabaram contraindo a doença e faleceram. Pedro em novembro de 1564 e Diogo no dia 10 Abril de 1565, conforme informações em Carta da época do padre cronista Simão de Vasconcellos. Diogo Jácome e Pedro Vasconcellos são considerados os primeiros mártires da Serra. Deram a vida pelos irmãos, cuidando dos doentes sem nenhum medo da doença altamente contagiosa.

Com o tempo, nas proximidades da Aldeia Indígena vai se formando um Povoado, com a participação dos colonizadores portugueses que vão estabelecendo suas residências e seus engenhos. Anos depois chegam os Negros Escravos para o trabalho braçal. Da miscigenação de Portugueses, Índios e Negros surge o POVO SERRANO, que dos portugueses herdou a religiosidade, dos negros um rico folclore e um grandioso gosto pelas festas e dos Índios, a paixão pela liberdade.

Localização das Aldeias Indígenas. História da Serra 
Livro do escritor e Historiador Clério José Borges
Localização das Aldeias Indígenas. História da Serra
Livro do escritor e Historiador Clério José Borges


FUNDAÇÃO: Dia 08 de Dezembro de 1556. Os padres Jesuítas eram devotos e divulgadores da Imaculada Conceição de Maria. Assim sabe-se com exatidão que a data de fundação da Serra foi mesmo no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus. A data foi escolhida pelo padre Jesuíta Braz Lourenço para celebrar a primeira Missa na Aldeia Indígena dos Temiminós de Gato Grande.

Serra Sede
Serra Sede




FUNDADORES:
1 – Maracajaguaçu, (Gato Bravo Grande, podendo-se abreviar para Gato Grande – MARACAJÁ, Gato / GUAÇU, Grande), Chefe da Tribo dos Índios Temiminós. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1501, na Ilha de Paranapuã, (palavra em Tupi que significa “Seio do mar”), também chamada pelos Indígenas de Ilha de Paranapecu e pelos Franceses e Portugueses de Ilha do Gato, sendo atualmente conhecida como Ilha do Governador, na baía de Guanabara.

Após sofrer algumas derrotas, nas guerras com os seus inimigos, os ìndios Tamoios que viviam no Continente, Maracajaguaçu resolve pedir asilo (ajuda) na Capitania do Espírito Santo, recebendo total apoio do Donatário Vasco Fernandes Coutinho, que de imediato mandou quatro lanchões (tipo de navio) para trazerem toda a Tribo Indígena e seus pertences para as terras do Espírito Santo, onde o padre Braz Lourenço ficou encarregado de cuidar deles, fato ocorrido em 1554, conforme relato escrito do Padre Jesuíta Luiz Da Grã. Os ìndios em número aproximado de 2000 ficam inicialmente em Vitória partindo, em seguida, em 1555, para a região da atual Santa Cruz e depois, em 1556, retornam para perto de Vitória, onde constroem uma Aldeia na atual região da Serra. Junto com Maracajaguaçu estão seus filhos, Araribóia e Manemoaçu.

Maracajaguaçu é uma palavra na língua Tupi que significa, Gato Bravo Grande, podendo-se abreviar para Gato Grande. Maracajá: Gato Bravo e Guaçu: Grande.

2 – Padre Jesuíta Braz Lourenço. Nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, em Portugal. Chegou ao Brasil em 1553. Foi Provincial, Chefe dos Padres no Espírito Santo, por duas vezes: De 1553 a 1564 e depois em 1582. Nos dois períodos Braz Lourenço administrou os Jesuítas, bem como criou e fundou núcleos de catequese em várias Aldeias Indígenas. No primeiro período de sua administração, continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas em Vitória. O Colégio havia sido iniciado pelo seu antecessor Afonso Braz. Foi também o construtor da primeira residência dos Jesuítas na vila de Vitória, pois o padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno seminário coberto de palhas”. O nome certo é BRAZ LOURENÇO, conforme a fonte primária, o livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, de Serafim Leite. (Fotos acima).

Braz Lourenço residia oficialmente em Vitória, pois era Provincial, (chefe dos padres), mas em seu trabalho de evangelização fundava e visitava várias Aldeias Indígenas. Foi encarregado pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho de abrigar os Temiminós de Maracajaguaçu, inicialmente alojando-os na região de Santa Cruz em 1554 e depois trazendo-os para mais perto de Vitória em 1556, entre a Montanha do Mestre Álvaro e o Rio Santa Maria da Vitória.

A Aldeia Indígena foi construída inicialmente no sopé da Montanha, numa região de Várzea, onde foi feita uma pequena capela coberta com folhas secas (palhas) de Palmeiras. Sopé é a parte inferior ou base de rocha, encosta ou montanha. Várzea é uma planície, terreno plano em vale extenso e cultivado. Uma Missa Campal no interior da Aldeia Indígena, a Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, também conhecida como Aldeia do Gato e Aldeia de Conceição da Serra, marcou a fundação do núcleo inicial que daria origem posteriormente ao povoado de Conceição da Serra, depois Serra.

É bom lembrar que os Temiminós estavam chegando de mudança. Haviam saído da distante região de Santa Cruz, onde haviam sido alojados inicialmente e retornavam para mais perto de Vitória para auxiliarem o Donatário Português Vasco Coutinho, na defesa da Capitania contra ataque de Índios inimigos e dos terríveis Piratas e Corsários (Franceses, Ingleses e Holandeses), que sempre apareciam na baía de Vitória. Em 26 de fevereiro de 1557 algumas caravelas francesas aportaram ao norte da baía de Vitória, fazendo escambo com os nativos e disparando alguns tiros para terra, sem, no entanto, maiores conseqüências. No ano seguinte o chefe indígena Maracajaguaçu (Gato Grande) e os Temiminós aprisionaram, no rio Itapemirim, 20 franceses e os trouxeram para Vitória. Em 1561 Caravelas francesas atacaram Vitória, mas foram derrotadas pelo capitão-mor Belchior de Azeredo, com apoio do padre Braz Lourenço, dos
índios Temiminós e da população local.

MUNICÍPIO:
Criado em 02 de Abril de 1833, com território desmembrado do Município de Vitória.Uma data importante. A emancipação, a liberdade. A Serra deixa de ser do Município de Vitória e passa a ter uma vida administrativa própria. O Município tinha apenas o Distrito Sede e foi instalado oficialmente, em 19 de agosto daquele ano, quando era Presidente da Província do Espírito Santo, o Sr. Manoel José Pires da Silva Pontes. A instalação só foi possível, após a cessão de um espaço na casa do vereador eleito, José Simoens da Silva, pois não havia naquela ocasião um prédio que pudesse abrigar a Sede do Governo Municipal da Serra. Assim, aquele vereador permitiu usar sua residência como Paço Municipal (Casa do Governo Municipal).

Localização das Aldeias Indígenas. História da Serra 
Livro do escritor e Historiador Clério José Borges
Localização das Aldeias Indígenas. História da Serra
Livro do escritor e Historiador Clério José Borges



DATAS DA CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DA SERRA:

02 de Abril de 1833 – Criada a Lei. Serra passa a ser Município independente.19 de Agosto de 1833 – O Município da Serra é instalado solenemente, com a posse dos primeiros Vereadores eleitos. Toma posse como primeiro Administrador da Serra, o Presidente da Câmara de Vereadores, Luiz da Rosa Loureiro. A Câmara de Vereadores tinha naquela época funções executivas e os vereadores formavam um Conselho de Administração. O presidente da Câmara era o presidente do Governo Municipal. Não existia, no Brasil daquela época, o cargo de Prefeito de um Município.

ECONOMIA AGRÍCOLA: CANA DE AÇÚCAR E CAFÉ

O povoado cresce com sua economia baseada na Agricultura, depois de exauridas as riquezas minerais das pedritas de ouro do Morro do Mestre Álvaro.

O primeiro impulso econômico foi à plantação da cana de açúcar, que era usada inicialmente para exportação e depois na indústria da aguardente, seguindo-se a plantação de pequenas culturas e em 1840 começa à plantação do café.  

A ampliação das lavouras de cana de açúcar e o plantio de pés de café gerariam muitas riquezas para a Serra com crescimento econômico dos proprietários de terras que promovem grandes aquisições de negros escravos.

Em 1880 surgem na Serra, os libaneses, homens de grande capacidade comercial que contribuíram de forma mais intensa para o desenvolvimento da região. Em 1876, D. Pedro II, Imperador do Brasil, visita o Líbano e em 1880 ocorre a primeira grande imigração de libaneses para o Brasil. De 1880 a 1930, predominou a imigração de libaneses cristãos. Como em seus papéis anotava-se a nacionalidade turca, ao chegar ao Brasil começaram a ser chamados de “turcos”, o que para eles era uma ofensa. No Serra, o ponto de encontro dos libaneses era a praça em frente, onde em 2003 estava situada a Casa do Congo Mestre Antônio Rosa.

Foram os tempos áureos de muita riqueza, luxo e cultura, sendo a Serra conhecida como a “Grécia Capixaba”. É também neste período que filhos de proprietários de terras da Serra vão estudar na Europa, de modo especial na França e de lá mandam regularmente, tecidos e perfumes franceses para parentes e amigos.

No fim do século XIX inicia-se a decadência da Serra com a construção em 1903 da Estrada de Ferro Vitória-Minas, que decreta o fim da Freguesia do Queimado e dos vilarejos que existiam por causa do rio Santa Maria da Vitória.  Em 1925 há uma grande desvalorização do café, cujo “café Capitania, colhido no morro da Serra, dizia-se ser de fato especial, de grãos sadios, graúdos e azulados”.

As plantações de café são destruídas e queimadas por recomendação do Governo Federal no Governo Jones dos Santos Neves, de 31de Janeiro de 1951 a 31 de Janeiro de 1955, afetando de forma drástica a economia da Serra, já que muitos dependiam dos lucros advindo com a venda das sacas de café.

PROJETOS INDUSTRIAIS

Após a erradicação do café, surge de forma tímida a produção de carvão, de modo especial em Carapina, Pitanga e Putiri e em 1957, a economia da Serra tem um pequeno progresso com a plantação em larga escala do abacaxi, que restabeleceu o ânimo da economia, já que era produzido pelo pequeno trabalhador rural que usufruía diretamente dos lucros.

Com a estagnação econômica do ciclo do café e do abacaxi, a Serra passa por nova crise econômica havendo uma debandada geral com muitas famílias mudando-se da sede do município e indo para Vitória ou Rio de Janeiro. Em 1950 a população da Serra é de 9.245 habitantes e em 1960 diminui sendo registrados apenas 9.192 habitantes. Em 1963 é instalada a CVRD, Companhia Vale do Rio Doce e o Governo do Estado inicia a instalação de grandes projetos industriais. Em razão de suas características especiais de município litorâneo, topografia com vários chapadões, (como o Planalto de Carapina), e proximidade da capital, a Serra passa a sediar tais projetos.

Em 1972, no Governo Christiano Dias Lopes Filho é iniciada a obra de implantação do CIVIT – Centro Industrial da Grande Vitória. São iniciados grande projetos habitacionais, com a instalação de milhares de famílias em Conjuntos habitacionais construídos no município. A população de 17.286 habitantes em 1970, passa para 82.450 habitantes em 1980. Em 1983 é construída a Companhia Siderúrgica de Tubarão, CST, a maior empresa do Espírito Santo, líder mundial do mercado de placas de aço. Em 1990 o município já está com 142.663 habitantes.

Na década de 90 do século XX foi instalado o “Porto Seco”, denominado Terminal Industrial e Multimodal da Serra, o TIMS, com área de 3 milhões de metros quadrados, situado em um ponto estratégico entre a Rodovia Federal BR 101 (Contorno de Vitória) e a estrada de ferro Vitória a Minas, projetado para ser suporte ao corredor de transporte Centro-Leste do Brasil, funcionando como um centro de estocagem de cargas.

PROGRESSO HABITACIONAL

Em 2000 a população da Serra é de 330.874 habitantes, mas o IBGE, órgão do Governo Federal responsável pela contagem de pessoas no Brasil resolve não considerar os habitantes dos bairros de Fátima, Carapina I e Hélio Ferraz em razão da Lei Estadual N.º 1919, de 31 de dezembro de 1963 que fala que os limites de Serra e de Vitória são com base numa linha reta imaginária que vai da Ponta de Tubarão até a  foz do  rio Santa Maria da Vitória e assim a Serra oficialmente passa a ter 321.181 habitantes, sendo 158.458 homens e 162.723 mulheres. 

Em 2003 a população estimada da Serra é superior a 350 mil habitantes.

No século XXI, de 2000 a 2003, o município da Serra cresce de maneira notável em razão de suas potencialidades nos diversos setores econômicos e sua privilegiada localização estratégica, ficando num raio de apenas mil quilômetros dos principais centros comerciais e industriais do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, além de ficar no centro econômico e administrativo do Espírito Santo.

Estando na região metropolitana da Grande Vitória, fazendo limite com a capital do Estado, a Serra se constitui não só no maior município em extensão territorial, como também no município que consegue destaque no cenário industrial do Estado, consolidando seu desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo propiciando a melhoria da qualidade de vida de sua população.

POSIÇÃO GEOGRÁFICA E EXTENSÃO TERRITORIAL

A sede do município está a 70 metros de altitude e tem sua posição geográfica determinada pelo paralelo 20° 07′ 43″ de latitude sul e 40° 18′ 28″ longitude oeste. Está a 27 km da capital do Estado. Altitude máxima; 833 metros (Mestre Álvaro) Altitude mínima: 0,0m (nível do mar).

A extensão territorial da Serra é de 551,12 km², sendo o maior município da Grande Vitória, ocupando 38% da área micro-regional, tendo a sua sede municipal às margens da Rodovia Federal, BR101, que liga o sul do Brasil ao Nordeste.

O município de Serra se limita ao norte com o município de Fundão, através dos rios Timbuí e Reis Magos; ao sul com os municípios de Vitória e Cariacica; a leste, com o Oceano Atlântico e a Oeste, com o município de Santa Leopoldina.

A Serra já pertenceu a Vitória. Em 2 de abril de 1833 uma resolução do Conselho do Governo, o município é emancipado do município de Vitória e a instalação ocorre no dia 19 de agosto do mesmo ano. O município serrano se estende até a ponte da Passagem, em Vitória. Com a instalação do Aeroporto e do Porto de Tubarão esses limites são demarcados, pela Lei Estadual N.º 1919, de 31 de dezembro de 1963  e boa parte da área passa para Vitória.

O município em 2003 dividia-se em cinco distritos:

Serra-Sede, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado.

MANIFESTAÇÕES POPULARES

Em contraste com a industrialização existe o rico folclore e as belezas naturais, com os 23 km de praias, destacando-se Jacaraípe, Manguinhos, Carapebus e Nova Almeida.

Entre as manifestações folclóricas da região estão as congadas, o maculelê e a tradicional festa de São Benedito da Serra sede, comemorada nos últimos dias de Dezembro, nas proximidades do Natal, com a participação de diversas Bandas de Congo.

Os Serranos possuem as manifestações populares mais marcantes e expressivas do Espírito Santo e que se mostram nas festas populares, nos trabalhos artísticos e artesanais, nas músicas e na culinária.

Serra, da puxada do mastro de São Benedito, das Bandas de Congo, da Insurreição do Queimado, do Mestre Álvaro, de um mar esverdeado e tranquilo, da Moqueca Capixaba, (o certo é Muqueca com “u”, conforme origem Africana da palavra), dos quindins de Nova Almeida e do bolinho de arroz da sede do Município.

Serra, de um passado de heroísmos, conflitos e bravuras.

HERÓIS DA SERRA

A origem da Serra está estruturada no trabalho e suor de heróis desbravadores que no seu anonimato fixaram as bases de uma grande cidade. Os Índios e portugueses colonizadores, aliados depois aos negros, moldaram os alicerces de um povo que ao longo da história mostrou-se aguerrido e trabalhador.

Junto a este grande número de heróis desconhecidos anônimos, estão os heróis conhecidos:

Braz Lourenço, Maracajaguaçu, Araribóia, Fabiano de Lucena, Diogo Jácome, Diogo Fernandes, Pedro Gonçalves, Pedro da Costa, Manoel de Paiva, Felipe de Guilhen, José de Anchieta, Índia Branca Coutinho (mulher de Maracajaguaçu), João da Viúva Monteiro, Elisiário e Chico Prego. São os personagens conhecidos da história da Serra, que construíram os alicerces do município, ajudados pelos inúmeros heróis anônimos. Todos com trabalho e dedicação deram o seu suor, seu sangue e, alguns, a própria vida pela Serra.

PRIMEIROS NOMES

O primeiro nome da Aldeia dos Índios Temiminós de Maracajaguaçu foi Aldeia de Nossa Senhora da Conceição ou Aldeia do Gato. Depois passou a ser chamada de Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra. Mais tarde recebeu o nome de Conceição da Serra e, finalmente, a região ficou conhecida por Serra, nome que surge em razão do imponente maciço, com vários morros geminados, o Morro Mestre Álvaro, que se assemelha a uma cadeia de Montanhas, uma Serra.

Em 24 de março de 1724 o povoado foi elevado a categoria de Freguesia, passando pelas categorias de Distrito e depois de Vila, o que aconteceu a 2 de abril de 1822.

O Município foi criado, com território desmembrado do Município de Vitória, através da resolução do Conselho de Governo, de 2 de abril de 1833. Embora criado em abril, o município só foi instalado em 19 de agosto do mesmo ano, sendo a sede uma Vila desde 1822.

A sede da Serra deixa de ser Vila e é elevada à categoria de cidade, somente após 319 anos de sua fundação, em 6 de novembro de 1875. A instalação solene com festas, organizada pelo Deputado Major Pissarra ocorre no dia do aniversário de Dom Pedro II, a 2 de dezembro do mesmo ano de 1875.

Paralelamente à fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra, surgiam também outras aldeias que mais tarde se tornariam distritos do município: Carapina, Nova Almeida, Calogi e Queimado.

COLONIZAÇÃO CAPIXABA

Sabe-se com exatidão que o padre jesuíta, Braz Lourenço chegou ao Espírito Santo, em dezembro de 1553, na oitava do Natal para ser o Superior dos Jesuítas em Vitória, substituindo Afonso Braz. Instalou-se na Igreja de São Tiago em Vitória e de lá visitava as Aldeias Indígenas.

Vitória foi fundada em 08 de setembro de 1551 e assim a 8 de dezembro de 1556, quando Braz Lourenço rezou a primeira missa na Serra, fundando a Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, do chefe Maracajaguaçu, o padre fundador da Serra já residia em Vitória há 3 anos.

Braz Lourenço não construiu nenhuma capela no centro do povoado. A capela foi construída na Aldeia Indígena. O povoado surge apartir de 1560, organizado pelo padre Fabiano de Lucena e foi construído da mesma forma das Vilas de Portugal. 

Para compreender a colonização da Serra é importante a compreensão de como ocorreu a colonização do Espírito Santo já que existe um elo de ligação entre as duas colonizações.

Dom João III, o piedoso, cognominado o “colonizador”, era rei de Portugal, em 1534.

Para povoar a vasta extensão de terra que Pedro Álvares Cabral havia descoberto em 1500, resolveu dividir o Brasil em vários grandes lotes chamados capitanias.

A notícia da descoberta de metais preciosos na América espanhola acentuou a necessidade de Portugal apressar a colonização de seus domínios no Novo Mundo.

CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

Dom João III dividiu o Brasil em 15 lotes, que constituíam 14 capitanias, doadas a 12 pessoas. A Coroa entregou à iniciativa privada a responsabilidade pela colonização. Com a morte do donatário, a administração da capitania passava a seus descendentes.

Os direitos e deveres dos donatários estavam expressos na carta de doação e no foral.

Ao donatário cabia a propriedade de 10 léguas ao longo da costa, isenta de tributos, exceto o dízimo. Sobre o restante da capitania, porém, o donatário possuía apenas o direito de posse, de administração e do exercício da justiça em nome do rei.

Sobre as Capitanias pode-se dizer que as mesmas cumpriram seu objetivo, impedindo a invasão estrangeira e iniciando o povoamento.

As Capitanias receberam a qualificação de hereditárias, pois a propriedade passava de pai para filho, como herança. Foram entregues a Capitães Donatários, que eram pessoas de reconhecidos trabalhos prestados a Portugal.

Um dos Capitães Donatários, Vasco Fernandes Coutinho, era herói militar que se destacara em Guerras realizadas por Portugal na África, Índia e na China.

VIAGEM PARA O BRASIL

No dia 1º de junho de 1534, na cidade de Évora, Portugal, Dom João III assina a Carta de Doação de 50 léguas de terra na costa do Brasil, ao “fidalgo da Casa Real”, Vasco Fernandes Coutinho.

Com a Carta de Doação, Coutinho organiza sua viagem. Compra materiais e utensílios. Contrata marinheiros. Adquire uma Caravela, que recebe o nome “Grorya” (Glória) e, com ela empreende viagem para o Brasil.

Na tripulação de Coutinho “dois fidalgos de elevada nobreza”, Dom Jorge de Menezes e Dom Simão Castelo Branco, os quais foram mandados para o Brasil para cumprir penas, por delitos praticados.

Dom Jorge de Menezes era Capitão e participara do descobrimento da Nova Guiné, em 1526. Seu crime foi o de matar o Capitão de uma Fortaleza na região de Molucas, de nome Gaspar Pereira.

A Caravela era composta de aproximadamente 60 pessoas.

Na comitiva também estavam Sebastião Lopes e Antônio Espera, além do espanhol Felipe Guilhen, “entendido em pedras preciosas”.

A viagem até o Brasil transcorre num clima de expectativa e esperança nas riquezas da nova terra.

ESPÍRITO SANTO

Num domingo, dia 23 de maio de 1535, Vasco Coutinho chega à sua Capitania.

A tripulação desembarca numa pequena enseada junto ao morro, à esquerda da entrada da baía, que “julgavam ser um rio”.

Com o nome de Espírito Santo, Vila Velha é a primeira cidade fundada. A denominação de Espírito Santo se estenderia posteriormente para toda a Capitania.

O local recebe o nome de Espírito Santo, porque naquele dia, 23 de maio, a Igreja Católica Apostólica Romana comemorava a festa da terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. A festa de Pentecostes, ou seja, o dia da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, os discípulos, (alunos) de Jesus Cristo. Pentecostes é a festa Católica que se celebra 50 dias após a Páscoa.

Os índios a princípio são hostis. São realizados alguns disparos de canhão que acabam afugentando os nativos para a floresta. Em seguida são construídos os “primeiros casebres” e uma fortificação. É formada a povoação.

CANELA VERDE

Quem nasce em Vila Velha é chamado de “Canela-Verde”, cognome que surgiu em razão de algas verdes que se prendiam as canelas dos portugueses e pescadores que saiam do mar na maré baixa.

O nome se consolidou depois, com um costume que foi adotado pelos caçadores de ao adentrar no meio da mata, protegerem as pernas contra os espinhos com um amarrado de folhas espessas de cor verde, cobrindo canelas e botinas.

Instalados em Vila Velha os colonizadores “povoadores dos mais destemidos”, iniciam os planos para explorarem toda a área da Capitania.

INVESTIGAÇÕES PIONEIRAS

A primeira expedição destinada a investigar os arredores da povoação, sede da Capitania, foi organizada e iniciada menos de um mês após a chegada de Coutinho.

Segundo padre Ponciano Stenzel dos Santos: “Pelos começos de junho do mesmo ano de 1535, alguns povoadores dos mais destemidos, embarcados em lanchões, deram-se a investigar os arredores. Subindo pela barra, julgaram que o mar fosse um rio e, apesar de incomodados pelos índios, conseguiram desembarcar, a 13 de junho, no Campinho próximo ao lugar depois denominado de Caieiras. Como era o dia de Santo Antônio, deram à nova ilha o nome de Santo Antônio. Pelo fim do mês, outros exploradores, por terra, foram abrindo picadas, sertão adentro, em direção ao Mestre Álvaro chegando até aos arredores do lugar onde está hoje a cidade da Serra”.

O relato de Padre Ponciano é do dia 23 de maio de 1935. É a leitura de um discurso, durante os festejos dos 400 anos de colonização do solo Espírito-santense. No texto original Ponciano cita “Mestre Álvares”. A palavra Álvares é uma variação de Álvaro. Há um equívoco de padre Ponciano já que 75 anos antes de Ponciano ler o seu discurso, no ano de 1860, Dom Pedro II anotava em seu Diário de Viagem que o nome da Montanha era Mestre Álvaro e não Álvares.

NA MIRA DO MESTRE ÁLVARO

O escritor Basílio Carvalho Daemon relata que em fins de 1535, saíram os povoadores em grande número, “bem armados e municiados”, entrando pelo sertão até os arredores “da hoje cidade da Serra”.

A escritora Maria Stella de Novaes, no livro “História do Espírito Santo”, relata na página 18, que Vasco Coutinho:

“Em fins de maio e princípios de junho, mandou investigar os arredores da povoação, seguindo a mira do Mestre Álvaro”.

Pelos relatos dos historiadores pode-se afirmar que o desbravamento do território em que está situado o atual Município da Serra inicia-se em 1535, com um grupo de pioneiros que, por terra foram abrindo picadas, “sertão adentro”, em direção a Serra.

DESCOBERTA DE OURO NO MESTRE ÁLVARO

Os primeiros exploradores eram comandados por Dom Jorge de Menezes que estava assessorado pelo espanhol Felipe de Guilhen, “entendido em pedras preciosas”.

São descobertas pepitas de ouro junto a cascalhos nos córregos do Mestre Álvaro. A região fica com fama de “lugar de grande riqueza”.

Segundo o padre Jesuíta Luiz Da Grã, em carta de 24 de abril de 1555, o Espírito Santo era:

“Terra mui fértil dos mantimentos da terra e que os moradores estavam mui contentes, porque além do metal, que se na mesma Vila achou, que se cá tem prata e muito ferro, mandou o capitão Vasco Fernandes Coutinho descobrir, pelo sertão, e acharam ouro e certas pedras, que dizem serão de preço, e que dum e doutro há muita cópia”.

OURO DE ALUVIÃO

Braz da Costa Rubim na obra “Memórias Históricas e Documentadas da Província do Espírito Santo”, relata que o ouro encontrado era:

“Ouro de aluvião espalhado em pequenas quantidades, (…), conseguidos nas Minas de Castelo e na região do Mestre Álvaro”.

Ouro é um metal precioso de cor amarela e brilhante com o qual se fazem moedas e jóias de alto preço.

Já o ouro de aluvião brilha intensamente, porém possui pouco valor já que é encontrado misturado à argila e areia.

Historicamente há outros registros de retirada de ouro do Mestre Álvaro em 1598, feitas por Dom Francisco de Souza, confirmando-se que o Mestre Álvaro era lugar de “grande riqueza”.

FELIPE DE GUILHEN

O espanhol Felipe de Guilhen foi um dos pioneiros da região da Serra. Guilhem não instalou nenhum povoado e nem organizou nenhuma aldeia. Não esteve na Serra com finalidade de permanência. Apenas montou uma base para as explorações no Mestre Álvaro.

Os colonizadores queriam muito ouro e de fácil recolhimento. Diante das primeiras dificuldades encontradas, rapidamente mudavam de local em busca de terras mais promissoras e generosas.

Os primeiros exploradores se reuniam em arraiais, aglomerados de choças de barro erguidas nas encostas das montanhas por onde descia o ouro aluvião, acompanhado de uma capelinha onde agradeciam pelo achado de uma pepita maior. A maioria desses arraiais era abandonada tão logo o metal escasseava na região.

Após suas pesquisas na região do Mestre Álvaro, Felipe de Guilhen segue para outras terras em busca de ouro. Os livros registram que Felipe de Guilhen esteve à procura de ouro no Sul da Bahia e nas Minas Gerais.

HOMENS E MATERIAIS

Segundo o escritor José Teixeira de Oliveira, no livro “História do Estado do Espírito Santo”, página 49, publicado em Vitória, em 1975:

“O futuro, a riqueza, a glória, escondidos no seio da floresta, pousados na Serra de Mestre Álvaro e além, chamavam-no, seduziam-no com o encantamento do desconhecido”.

José Teixeira refere-se a Coutinho. Mas Vasco Coutinho tinha poucos homens, motivo pelo qual em 1540 segue viagem de volta a Portugal em busca de mais homens e materiais para o desenvolvimento de sua Capitania.

Anos mais tarde, em 1548, ao voltar com os recursos, o donatário Coutinho encontra a Capitania arrasada devido aos constantes ataques indígenas que culminaram com as mortes de Dom Simão Castelo Branco e Dom Jorge de Menezes, que o haviam substituído no comando da Capitania.

As hostilidades entre índios e portugueses se acentuaram na medida em que os colonizadores queriam obrigar os nativos para o trabalho na lavoura. Os índios passaram a atacar em grande quantidade, aniquilando todos que se colocavam à sua frente. A raiva era tanto que Tupiniquins misturaram-se aos Aimorés e alguns Botocudos, seus rivais, para a destruição das poucas vilas existentes.

EXPLORAÇÃO DO ÍNDIO

No início, o trabalho do índio era conseguido de forma amigável, por meio do “escambo”, ou seja, pelo trabalho realizado, o europeu português dava pedaços de tecidos, espelhos e outras bugigangas.

Quando o índio recusava realizar o trabalho, o europeu passava a usar a violência e impor um regime de escravidão.

O trabalho da lavoura era responsabilidade das mulheres indígenas. Quando eram chamados a trabalhar, os índios tornavam-se indolentes, bastante preguiçosos e se revoltavam, promovendo guerras contra o opressor, que além de invadir suas terras tentava impor a condição de escravo.

Segundo o padre Afonso Braz, os índios do Espírito Santo eram de costumes difíceis:

“Inaptos a receber o batismo, pois voltam com facilidade a seus antigos costumes, indo-se para o meio dos seus”.

RUBÉRIO, TRAIDOR OU HERÓI?

O Artista Plástico Kleber Galvêas, com base em artigo do ex-prefeito de Vitória, Adelpho Poli Monjardim informa que os índios que mataram Dom Simão Castelo Branco e Dom Jorge de Menezes foram ajudados pelo Português Rubério Martins que teria traído seus patrícios ajudando os índios que não aceitavam a imposição dos colonizadores em torná-los escravos.

RESPONDA:

Qual a origem do nome Serra? Quais os primeiros nomes da Serra? Qual a data de fundação da Serra? Quais os nomes dos fundadores da Serra?

Que nome recebe quem nasce na Serra?

Pesquise e escreva o nome de três famílias tradicionais da Serra.

Relate quem foi Felipe de Guilhen e o que ele fez na região do Mestre Álvaro?

EXPLIQUE:

Por que a história do Espírito Santo e dos índios Temiminós, do Rio de Janeiro, está ligada a fundação da cidade da Serra?

COMENTE E RESPONDA:

1 – Os Portugueses queriam transformar os índios em escravos.

O que é escravidão? No século atual ainda existe escravidão?

2 – Cite alguns heróis da Serra, pesquisando e relacionando os seus principais trabalhos em favor da formação e construção das bases da futura cidade da Serra.

Foto 1 - Igreja de Nossa Senhora da Conceição no ano de 1908. Foto de autoria de Eutychio D´Oliver.  Livro História da Serra de Clério José Borges. Edição de 2003.
Foto 1 – Igreja de Nossa Senhora da Conceição no ano de 1908. Foto de autoria de Eutychio D´Oliver.
Foto 2 - Torres da Igreja e o Mestre Álvaro. Foto de Aurélio Carlos, de 26 de fevereiro de 2003. - Livro História da Serra de Clério José Borges Edição de 2003.
Foto 2 – Torres da Igreja e o Mestre Álvaro. Foto de Aurélio Carlos, de 26 de fevereiro de 2003.
Foto 3 - Fachada principal da Igreja de Nossa senhora da Conceição, em 2000. - Livro História da Serra de Clério José Borges Edição de 2003.
Foto 3 – Fachada principal da Igreja de Nossa senhora da Conceição, em 2000. A iniciativa da construção das torres da igreja da Serra foi de Rômulo Leão Castello que com recursos próprios contratou o arquiteto Russo Bogdanof e André Carloni como construtor. Isso em 1938. Rômulo Leão Castello nessa ocasião não era prefeito, tomou a iniciativa como cidadão. Na construção da igreja houve uma colaboração do Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa que foi presidente do Governo Municipal da Serra 1912/1914 e deputado federal constituinte em 1946 pela UDN. Livro de Clério José Borges –

Foto 4 - Igreja da Serra em desenho do Artista Plástico, Walter Francisco de Assis. Livro História da Serra de Clério José Borges Edição de 2003.
Foto 4 – Igreja da Serra em desenho do Artista Plástico, Walter Francisco de Assis. A iniciativa da construção das torres da igreja da Serra foi de Rômulo Leão Castello que com recursos próprios contratou o arquiteto Russo Bogdanof e André Carloni como construtor. Isso em 1938. Rômulo Leão Castello nessa ocasião não era prefeito, tomou a iniciativa como cidadão. Na construção da igreja houve uma colaboração do Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa que foi presidente do Governo Municipal da Serra 1912/1914 e deputado federal constituinte em 1946 pela UDN. Livro de Clério José Borges –
Livro de Clério José Borges - Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Serra após restauração do ano de 2001, inclusive com a instalação de modernas luminárias para destacar a fachada principal. A capela original foi instalada em 1564, com a mudança de local realizada naquele ano. A Carta Régia de 24 de março de 1752 desmembra a Freguesia da Serra da Freguesia de Vitória, mas em virtude de só em 1769 concluir-se a Igreja retardou-se para esse ano a execução da referida Carta. Freguesia significa Paróquia. A iniciativa da construção das torres da igreja da Serra foi de Rômulo Leão Castello que com recursos próprios contratou o arquiteto Russo Bogdanof e André Carloni como construtor. Isso em 1938. Rômulo Leão Castello nessa ocasião não era prefeito, tomou a iniciativa como cidadão. Na construção da igreja houve uma colaboração do Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa que foi presidente do Governo Municipal da Serra 1912/1914 e deputado federal constituinte em 1946 pela UDN.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Serra após restauração do ano de 2001, inclusive com a instalação de modernas luminárias para destacar a fachada principal. A capela original foi instalada em 1564, com a mudança de local realizada naquele ano. A Carta Régia de 24 de março de 1752 desmembra a Freguesia da Serra da Freguesia de Vitória, mas em virtude de só em 1769 concluir-se a Igreja retardou-se para esse ano a execução da referida Carta. Freguesia significa Paróquia. A iniciativa da construção das torres da igreja da Serra foi de Rômulo Leão Castello que com recursos próprios contratou o arquiteto Russo Bogdanof e André Carloni como construtor. Isso em 1938. Rômulo Leão Castello nessa ocasião não era prefeito, tomou a iniciativa como cidadão. Na construção da igreja houve uma colaboração do Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa que foi presidente do Governo Municipal da Serra 1912/1914 e deputado federal constituinte em 1946 pela UDN. Livro de Clério José Borges –

CAPÍTULO 2

PRESENÇA INDÍGENA NA SERRA

Estima-se entre um milhão e cinco milhões o número de índios que viviam no Brasil em 1.500, à época do descobrimento do Brasil. Esse número foi obtido tomando-se por base o ocorrido no antigo México e Peru, onde o decréscimo da população nativa foi de vinte a um, ou seja, de cada 20 indivíduos restou apenas um. Considerando-se que a população indígena do Brasil, em 1980, era de 227.800 pessoas e multiplicando-se esse número por 20, chega-se a 4.556.000 índios em 1500.

Os índios eram considerados não-humanos sujeitos a todo tipo de exploração. Através de uma bula (carta) do Papa Paulo III, em 1537, os Índios foram declarados homens. Mesmo assim continuaram sofrendo diversos tipos de opressões.

CLASSIFICAÇÃO INDÍGENA

Na época que os portugueses chegaram ao Brasil a população indígena era superior a toda população de Portugal.

Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo Município da Serra era habitada pelos Índios.

Pesquisas mais recentes informam que há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo, conforme objetos encontrados nos chamados sítios arqueológicos, na divisa dos municípios de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.

Na época da colonização do Espírito Santo os indígenas que existiam eram:

1- Goitacases, no sul. (língua Tupi)

2- Tupiniquins, no litoral norte. (língua Tupi)

3- Aimorés, localizados no centro e no interior da Capitania e que falavam a língua Jê ou Magrogê. Neste grupo destacavam-se também os Uatus, Puris e Botocudos, na região onde estão as cidades de Colatina, Baixo Guandu e Aimorés.

Os índios que habitavam o litoral do Espírito Santo, falavam o Tupi-guarani. Considerando o critério língua, os indígenas eram classificados em quatro grandes grupos:

Tupi-guarani – Ocupava o Litoral

Jê ou tapuia – Ocupava o Brasil Central

Nuaruaque – Ocupava regiões da Amazônia e Mato Grosso.

Caraíbas – Ocupava o norte da região amazônica.

Os índios de língua Tupi denominavam os demais índio de Tapuias, que significa “aquele que não fala a nossa língua”. Tapuias eram todos os que não falavam a língua Tupi.

TUPINIQUINS E TEMIMINÓS: ÍNDIOS DA SERRA

Os Tupiniquins foram os primeiros habitantes da região da Serra. Os Aimorés, Botocudos e os Goitacases não estavam aldeados na região. Os Aldeamentos dos Tupiniquins estavam localizados no litoral da Serra.

No capítulo “A presença do índio na História do Município da Serra”, o saudoso Acadêmico Wilton Simas da Rocha, relata:

“Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo atual Município da Serra era habitada pelos índios. Os índios foram, portanto, os primeiros habitantes do Município”.

No interior do Município da Serra estavam os Tupiniquins até a chegada dos Temiminós nos quatro primeiros meses de 1555.

Antes de 1555 não existiam índios Temiminós no Espírito Santo.     

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA

As tribos indígenas eram unidas pelo parentesco, próximo ou distante, e estavam divididas em diversas Aldeias, chamadas Malocas ou Tabas, também conhecidas como Sítios Indígenas, Aldeamentos ou Sambaqui.

Cada Taba era protegida por uma cerca de troncos, a chamada Caiçara, dentro, as Ocas (Choças) estavam dispostas em círculo, tendo à sua frente uma espécie de praça, a Ocara, que era utilizada em cerimônias religiosas e festas.

As Ocas eram cabanas de sapé ou de folhas de palmeiras, onde moravam as famílias indígenas.

O conjunto de várias Ocas formava a Aldeia ou Taba. Muitas Aldeias constituíam uma tribo. O conjunto de tribos formava uma Nação Indígena.

O Cacique, também chamado Morubixaba era o Principal, isto é o Chefe Guerreiro de cada Aldeia ou do conjunto de Aldeias que se constituía a Nação Indígena.

COSTUMES INDÍGENAS

Nos primeiros contatos, os europeus imaginavam que todos os Índios fossem iguais e falassem a mesma língua. Aos poucos perceberam a existência de grande variedade de nações e línguas.

Indígena passou a ser um nome para denominar um grande conjunto de povos diferentes entre si.

Os índios andavam nus e não tinham vergonha do corpo.

Os europeus achavam a nudez em público, imoral e pecaminosa.

Os índios não tinham riquezas pessoais. Os bens eram de uso comum entre todos da tribo.

As mulheres cuidavam das crianças, preparavam a comida, faziam potes e cestos e cuidavam da lavoura. Os homens dedicavam-se à guerra, caça, pesca, construíam canoas e cabanas e limpavam a mata para a lavoura.

Alguns costumes indígenas acabaram sendo usados por todos. Os índios tinham o costume de tomar banho todos os dias. Os Europeus dificilmente tomavam banho. Acreditavam que com a pele suja, estavam protegidos contra doenças de pele e pestes transmissíveis, muito comum na Europa em 1500 a 1600.

PRIMEIRAS ALDEIAS E BRAZ LOURENÇO

As primeiras Aldeias do Espírito Santo foram fundadas pelo padre Afonso Braz, que chegou ao Espírito Santo no começo de abril de 1551 tendo permanecido até 1553.

Era Jesuíta, nascido em 1524, em S. Paio dos Arcos, antigo nome de Avelã de Cima, em Portugal. Chegou ao Brasil na segunda turma de Jesuítas, em 1550. Ao chegar ao Espírito Santo tinha 27 anos, tendo reanimado os colonos, intensificado a catequese dos índios e deu início à construção da Igreja de São Tiago e do Colégio dos Jesuítas em Vitória, inaugurados a 25 de julho de 1551 e que passou a ser a sede administrativa dos jesuítas na capitania do Espírito Santo. Com a expulsão dos Jesuítas em 1758, a Igreja e o Colégio passaram a ser ocupado pela administração estadual. Essa destinação provocou mudanças que descaracterizaram a fachada original, dando-lhe uma “maquiagem” neoclássica, na grande reforma do início do séc. XX.

Afonso Braz foi o fundador da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na Prainha de Vila Velha. Faleceu no Rio de Janeiro, a 30 de maio de 1610.

Em 1553 chega ao Espírito Santo o sucessor de Afonso Braz, padre Braz Lourenço. Em publicação de 1559, consta:

“Em meados do século XVI, quando o padre Braz Lourenço, chegado à Capitania do Espírito Santo (…), desenvolvia com os seus companheiros o apostolado de confraternização dos Índios com os Portugueses, iniciou-se o desbravamento do atual Município da Serra no Espírito Santo”.

Padre Braz Lourenço chegou na “oitava do Natal” de 1553. Oitava segundo os dicionários é o espaço de oito dias consagrados a uma festa religiosa. Oitava do Natal significa, portanto oito dias antes do Natal.

Braz Lourenço chegou com Luiz Da Grã na derradeira oitava do Natal, ou seja, no mês de dezembro, oito dias antes do Natal de 1553.

DOM JOÃO III CENTRALIZA A ADMINISTRAÇÃO

O isolamento das Capitanias em relação a Portugal foi apontado como um dos principais problemas. Portugal implantou então o Governo Geral para coordenar a ação dos Donatários.

Diante dos maus resultados das capitanias hereditárias, o Rei Dom João III, em 1548, resolveu centralizar a administração do Brasil, criando o cargo de Governador-geral, com autoridade superior à dos donatários.

A Capitania da Bahia, por estar exatamente no centro do litoral brasileiro, foi comprada pelo rei, aos descendentes do donatário Francisco Pereira Coutinho, tornando-se a sede do governo geral.

Dom João III criou também três importantes cargos, visando auxiliar o governador no cumprimento de suas funções:

Ouvidor-mor, a quem cabia a administração da justiça.

Provedor-mor, a quem ficava entregue a missão de conduzir as finanças (cobrar impostos e distribuir recursos).

Capitão-mor, encarregado da defesa e segurança.

Os primeiros governadores foram: Tomé de Souza, Duarte da Costa e Mem de Sá.

TOMÉ DE SOUZA

Em 1548 foi criado o Governo Geral do Brasil.

O primeiro Governador Geral foi Tomé de Souza que chegou a Bahia em 1549, com seis navios e aproximadamente mil pessoas, entre os quais seis Jesuítas chefiados pelo Padre Manoel da Nóbrega.

Tomé de Souza fundou a cidade de Salvador, na Bahia.

Em 1552, Tomé de Souza visitou a Capitania do Espírito Santo e depois continuou viagem até São Vicente, passando pelo Rio de Janeiro.

Numa visita a baía de Guanabara, Tomé de Souza conhece a Tribo dos Temiminós de Maracajaguaçu, que vivia numa ilha no meio da baía, a ilha de Paranapuã.

O historiador Serafim Leite relata:

“Deve ter sido nesta ocasião da passagem da Armada e desta primeira catequese, com a presença de Nóbrega, que o Principal Maracajaguaçu (Gato Grande) disse a muitas pessoas e a Tomé de Souza que queria ser Cristão”.

Tomé de Souza tornou-se amigo dos índios educando-os e protegendo-os, tendo conhecido e se casado com a Índia Catarina Paraguaçu, primeira figura feminina brasileira a entrar para a história do Brasil. Em 1553, parte do Brasil e, em Portugal, passa os últimos anos de vida descansando em uma propriedade denominada “quinta”. 

DUARTE DA COSTA

O segundo Governador Geral foi Duarte da Costa, que governou de 1553 a 1557.

Em seu Governo houve a invasão dos Franceses no Rio de Janeiro em 1555, como também a morte do 1º Bispo da Bahia, Dom Pero Fernandes Sardinha, devorado pelos Índios Caetés.

Com Duarte da Costa está o seu filho Álvaro da Costa, importante defensor dos Colonos Portugueses, amigo de Braz Lourenço, fundador da Serra. Álvaro era conhecido como Mestre Álvaro.

Braz Lourenço veio de Portugal para o Brasil junto com Duarte e Álvaro da Costa, sendo confessor de ambos.

No Governo de Duarte da Costa os Índios organizam a Confederação dos Tamoios, que se une aos Franceses contra os Portugueses.

Também no Governo Duarte da Costa, padre José de Anchieta e outros, fundam o Colégio de São Paulo de Piratininga, no dia 25 de Janeiro de 1554, dando origem à cidade de São Paulo.

MEM DE SÁ

O terceiro Governador Geral foi Mem de Sá, que Governou o Brasil durante 15 anos, de 1557 a 1572, conseguindo pacificar os Índios, acabar com a Confederação dos Tamoios e expulsar os Franceses do Rio de Janeiro.

Estácio de Sá, que era sobrinho de Mem de Sá, construiu no dia 1º de março de 1565, o Forte de São Sebastião. Em torno do forte surgiria a povoação, que daria origem a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, atual cidade do Rio de Janeiro.

O dia de São Sebastião é a 20 de Janeiro, contudo a data de fundação do Rio de Janeiro é 1º de março.

PARANAPUÃ: ILHA DO GATO

Maracajaguaçu era o Chefe da Nação Indígena dos Temiminós.

Era um Índio Temiminó, do Grupo Tupi.

Vivia com a sua tribo na Ilha de Paranapuã, palavra indígena que significa “seio do mar” a “ilha do mar”.

A ilha era denominada pelos portugueses de Ilha dos Maracajás ou Ilha do Gato.

A baía de Guanabara no Rio de Janeiro, possui 65 ilhas e várias ilhotas e pedras. Dentre todas as ilhas, a maior é a Ilha do Governador (Paranapuã), com 32 quilômetros quadrados. Em Janeiro de 2.000, a população da citada Ilha era de 210 mil habitantes.

A Ilha de Paranapuã era habitada pelos Temiminós, e os Tamoios a denominavam Ilha dos Maracajás ou dos Gatos, porque assim eram chamados os seus primeiros habitantes, cujo Chefe era Maracajaguaçu, que significa Gato Bravo Grande.

Os Maracajás uniram-se aos portugueses, e os Tamoios, mais numerosos, aos franceses, quando estes, em suas incursões pelo Rio de Janeiro e imediações, procuraram fixar-se em terras brasileiras.

Já os franceses chamavam a Ilha de, “Ile des Margaiatz” e de “La Grand Ile”, ou “La Belle Ile”.

ATUAL ILHA DO GOVERNADOR

Cartas Náuticas comprovam que a Aldeia de Maracajaguaçu ficava na hoje Ilha do Governador, dentro da baía de Guanabara.

A posição da Ilha no meio da Baía de Guanabara era de tão grande importância que os Tamoios não davam trégua. Constantemente promoviam incursões até a ilha atacando os Temiminós, com o objetivo de expulsá-los da região.

Estrategicamente a ilha era de grande importância nas Guerras e defesa aos ataques de Navios inimigos.

Apoiado pelos franceses os Tamoios se fortalecem e em 1554, passam a atacar os Temiminós vencendo-os em algumas batalhas, enfraquecendo a grande Nação de Gato Grande, o qual sai em busca de asilo para mudança de local.

HOMENAGENS AOS TEMIMINÓS

As derrotas não desmerecem os Temiminós que são sempre lembrados, com orgulho e honra, na Ilha em que nasceram.

Na publicação, “Guia da Ilha do Governador”, 2ª Edição/1950, existe uma foto na página 9, onde há uma pedra e em cima a figura de um Gato. Na legenda da foto o seguinte texto:

“Pedra dos Amores, no fim da Praia Guanabara (Freguesia) com a reprodução de Maracajá (misto de tigre e gato), símbolo dos Maracajás, primitivos habitantes da Ilha”.

No programa de Comemorações e Festejos do IV Centenário da Ilha do Governador, em 1965, consta no dia 20 de Fevereiro: “Inauguração do novo Monumento Maracajá, na Pedra da Onça”.

O nome “Ilha do Governador” é também uma homenagem.

No dia 5 de setembro de 1567, a Ilha do Gato é doada por Mem de Sá, em Sesmaria, a Salvador Correia de Sá, seu sobrinho, que meses depois é nomeado segundo Governador da Capitania do Rio de Janeiro, sendo a ilha de sua propriedade chamada então de Ilha do Governador.

NAÇÃO DOS TEMIMINÓS

O Escritor Áureo Ramos, residente na Ilha do Governador, informa que os aldeamentos indígenas pertencentes aos Temiminós, na Ilha de Paranapuã, eram:

1 – Aldeamento do Morro das Pixunas, próximo a Praia Grande; 2 – Sambaqui das Pixunas; 3 – Aldeamento da Praia da Tapera, atual Praia da Bandeira; 4 – Sambaqui do Jequiá; 5 – Aldeamento do Morro da Viúva, atual Morro do Zumbi; 6 – Aldeamento do Morro do Matoso; 7 – Aldeamento São Tomé.

Antigas Aldeias possuíam também os “sambaquis”, que são depósitos de conchas com restos de cozinha e esqueletos (o lixo atual).

ÍNDIOS PROCURAM, NOVO LOCAL PARA MORAR

Os Temiminós eram amigos dos portugueses.

Os índios chamavam os portugueses de “perô”.

Os Tamoios, mais numerosos, eram inimigos dos portugueses.

A sorte de Maracajaguaçu começou a mudar, e ele passou a perder algumas batalhas, para os seus inimigos, os Tamoios que moravam no litoral.

Maracajaguaçu resolve mudar de região.

Precisava de um lugar novo e mais distante de seus inimigos.

Para o sul não poderiam ir, já que os Índios da Capitania de São Vicente também eram inimigos dos Temiminós. Restava, pois o norte, onde ficava a Capitania do Espírito Santo.

A visita que Tomé de Souza fizera, anos antes, a Ilha de Paranapuã tinha consolidado uma amizade entre os Portugueses e Temiminós, credenciando Maracajaguaçu a pedir ajuda, agora que se via em desvantagem e constantemente agredido pelos Tamoios.

COUTINHO OFERECE ASILO

Entendeu Maracajaguaçu de enviar um emissário, à Capitania do Espírito Santo para pedir socorro, pois os Temiminós:

“Necessitavam mudar-se e se tornarem Cristãos”.

O emissário de Maracajaguaçu inicialmente não encontrou Vasco Coutinho, que estava em viagem. Esperou alguns dias sem sucesso. Já retornava desolado ao Rio de Janeiro, quando soube que o Donatário havia chegado.

Voltou à sede da Capitania e foi recebido por Vasco Fernandes Coutinho, o qual, aconselhado pelos Jesuítas, Luiz Da Grã e Braz Lourenço, mandou quatro embarcações ao Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro os Temiminós de Maracajaguaçu foram recolhidos em “um dia e meio” embarcando com pressa, dada a “extrema necessidade”.

ESTADO DE NECESSIDADE

A escritora Maria Stella de Novaes relata equivocadamente o seguinte: “há divergências entre os cronistas (escritores), se houve, de fato, convite a essa tribo, ou pedido de asilo, pelo Chefe Gato Grande, em vista da penúria em que a mesma se encontrava, no Rio de Janeiro, perseguida pelos franceses”.

O pedido de asilo está bem claro e relatado em documentos históricos. O padre Luiz Da Grã, que escreveu uma longa carta sobre o assunto destaca de forma bem clara que realmente houve o “pedido de asilo” e o “estado de necessidade”.

Consta da carta: “Afirmavam a extrema necessidade e lhes parecia que daí a mui poucos dias seriam comidas dos contrários”.

Os contrários eram os Tamoios, que praticavam o canibalismo. Isto é, comiam os seus inimigos.

CANIBALISMO ANTES DA FÉ CRISTÃ

O ódio entre Temiminós e Tamoios era tão selvagem e intenso que ambos, antes de se converterem a fé Cristã, se alimentavam de carne humana, usando prisioneiros.

No livro de Cybelle M. Ipanema, “História da Ilha do Governador”, na página 52, há relatos de churrascos humanos feitos de inimigos tanto pelos Temiminós como pelos Tamoios:

“Também eu, valente que sou, já amarrei e matei vossos maiores. (…) Comi teu pai, matei e mosqueei a teus irmãos (…) e ficai certos de que, para vingar a minha morte, os Maracajás da Nação a que pertenço, hão de comer ainda tantos de vós quantos possam agarrar”.

Comprova-se que havia ferocidade nos combates entre Temiminós e Tamoios e que os Temiminós eram canibais, costume que só terminou quando vieram para o Espírito Santo e se tornaram Cristãos.       

Embora os Temiminós em Guerra tivessem sofrido inúmeras baixas, a Nação Temiminó era grande e todos sobreviventes, cerca de 2.000 Índios vieram para o Espírito Santo.

TEMIMINÓS SAIRAM DO RIO EM 1554

No livro “Anchieta, o Apóstolo do Brasil”, o padre Hélio Abranches Viotti, no Capítulo sobre “Anchieta na Capitania do Espírito Santo”, página 214, ao se referir à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Serra informa:

“A de Conceição se havia originado com o estabelecimento no Espírito Santo dos Temiminós, do Rio, fugindo em 1554 à perseguição implacável dos Tamoios”.

O historiador José Teixeira de Oliveira informa em sua obra “História do Estado do Espírito Santo”, 2ª edição ampliada e atualizada, Vitória, 1975:

“No primeiro quartel de 1555, Vasco Coutinho regressou à Capitania. Um dos seus primeiros atos deve ter sido organizar a expedição de quatro navios mandados à Guanabara salvar Maracajaguaçu e sua gente das unhas dos Tamoios. O padre Luiz Da Grã herdou à História um relato completo sobre o assunto. (…) De início, foram localizados em um sítio nas proximidades da Vila da Vitória”. (Página 82)

ÍNDIOS EMBARCAM EM QUATRO NAVIOS

Os quatro navios enviados pelo Donatário do Espírito Santo permaneceram um dia e meio na Ilha do Governador, para que fosse feita a mudança dos índios.

O período de um dia e meio mostra que a quantidade de índios não era pequena e que os mesmos embarcaram, além de pertences pessoais, os históricos (materiais) da Tribo.

Os quatro navios estavam equipados com artilharia, para repelir em caso de agressão, ataques dos Tamoios e dos franceses, que eram constantes no Rio de Janeiro.

Os franceses empenhados em invadirem as terras do domínio português faziam constantes viagens ao Rio de Janeiro, aonde com o apoio dos Tamoios iam formando um povoamento que em novembro de 1555, seria a base de fundação da França Antártica.

RELATO DE LUIZ DA GRÃ

Luiz Da Grã em carta do Espírito Santo, datada de 24 de abril de 1555, relata os primórdios da fundação da cidade da Serra:

“Fica agora o padre Braz Lourenço com uma nova ocupação, de que temos confiança em o Senhor que se diga mais certo fruto do que sinto em nenhuma outra parte, que eu tenha visto, do Brasil, porque depois que eu tomei a arribar a esta Capitania, chegou aqui um Principal, que chamam Maracajaguaçu, que quer dizer Gato Grande. (…) Fazia eu de conta, se estivesse aqui, de ir morar entre eles, mas o padre Braz Lourenço se ocupará com eles, e espero no Senhor Deus que se farão Cristãos e que daí ajuntaremos alguns mínimos e que serão mais fieis do que eles acostumam ser”.

TEMIMINÓS SÃO BEM RECEBIDOS

A fuga dos índios para o interior do território, fugindo das proximidades do Europeu e a falta de habilidade na agricultura deixam os colonos com dificuldades, já que os Índios não aceitavam a escravidão e inclusive eram apoiados pelos Jesuítas que os defendiam.

Diante das dificuldades com os Índios locais, a vinda de Maracajaguaçu e dos seus parentes, “desejosos de se converterem na fé Cristã”, foi altamente festejada na Capitania.

No Espírito Santo, a Nação dos Temiminós mostrou-se sempre disposta e interessada em ajudar na defesa da Capitania, fator de grande importância para os portugueses, constantemente atormentados pelos Tupiniquins, pelos ferozes Botocudos, pelos temidos índios Tamoios, além de inimigos estrangeiros e piratas que sempre atacavam a Capitania.

Luiz Da Grã na Carta diz que os Temiminós foram:

“Força de apoio para os colonos e de aproximação com os temidos Tupiniquins”.

Maracajaguaçu, o Gato Bravo Grande, e seus bravos Temiminós foram importantes para a defesa e colonização do Espírito Santo, sendo “bastante expressiva a colaboração de Gato Grande e sua gente na luta pela colonização da terra”.

TEMIMINÓS AJUDAM NA DEFESA DA CAPITANIA

O escritor José Teixeira de Oliveira destaca também a importância da vinda de Maracajaguaçu para o Espírito Santo e que os Temiminós sempre ajudaram na defesa da Capitania.

Relata que, em 1558 os franceses ancoraram na região de Itapemirim, sul da Capitania, para roubar grande quantidade de Pau Brasil. Por determinação de Coutinho, Maracajaguaçu foi até o local e com os seus índios, expulsaram os franceses e ainda aprisionaram vinte inimigos.

A escritora Maria Stella de Novaes no seu Livro “História do Espírito Santo” critica a vinda dos Temiminós e, em determinado trecho diz que “os Temiminós viviam errantes, no norte de Niterói”.

Tal fato não é verdadeiro. Os Temiminós nunca viveram errantes no norte de Niterói, simplesmente pelo fato de que Niterói ainda não existia em 1555. Niterói foi fundada por Araribóia, filho de Maracajaguaçu. Araribóia tomou posse da Sesmaria que daria origem a Niterói a 22 de Novembro de 1573.

PROTEÇÃO DOS JESUÍTAS

No Espírito Santo, os portugueses, acolhem a Tribo de Maracajaguaçu, deixando-a sob a proteção dos Jesuítas e segundo Luiz Da Grã, Maracajaguaçu construiu a sua Aldeia inicialmente apegada a Vila de Vitória, acrescentando o seguinte:

“Fazia eu conta, se estivesse aqui, de ir morar entre eles, mas o padre Braz Lourenço se ocupará com eles”.

Os Temiminós inicialmente foram instalados, “apegados”, isto é, junto da Ilha de Vitória. A região segundo alguns historiadores seria na Ilha de Vitória, onde os Índios iniciaram a plantação de uma roça de milho que deu origem ao nome Capixaba, que na língua dos Índios significa “roça ou plantador de milho”.

PADRES JESUÍTAS

Jesuíta é o membro da Ordem Religiosa chamada Sociedade de Jesus ou Companhia de Jesus, fundada pelo militar espanhol Inácio de Loiola (1491-1556), em 1534. No ano de 1540, o Papa Paulo III aprovou a criação da Ordem dos Jesuítas ou Companhia de Jesus.

Os Jesuítas chegaram ao Brasil junto com as primeiras expedições colonizadoras.

Os padres Jesuítas consideravam-se os “soldados da religião”. Procuravam divulgar os ensinamentos da Igreja Católica no Brasil. Tinham por missão catequizar os índios e colonos convertendo-os ao catolicismo e para tanto ensinavam a Doutrina Cristã.

O trabalho de catequese exigia a entrada dos padres pelo interior, pois os índios afastavam-se do litoral fugindo à invasão de suas terras.

Nas viagens pelo interior, os padres foram fundando aldeamentos onde os índios estudavam a Doutrina Católica e os costumes da cultura européia, aprendendo a falar o português, desempenhar serviços domésticos e trabalhar na agricultura de livre e espontânea vontade.

MARACAJÁ: GATO GRANDE OU ONÇA SELVAGEM

Em Vitória, no Morro da Capixaba ou Morro do Vigia, no alto da pedra que forma uma gruta, curiosamente existe uma estátua de uma onça, sendo o local denominado, Parque Municipal “Gruta da Onça”, pela Lei Municipal de Vitória, de N.º 3.564, de 22 de dezembro de 1988. A onça seria em razão de uma lenda:

“No meio da floresta existia uma gruta onde brotava uma fonte com água límpida. Num certo dia, um índio, que se abrigou no local, foi beber a água da fonte. Foi quando viu, no reflexo da poça d’água, a imagem de uma enorme onça pronta para o ataque fatal. O índio saiu em disparada para o mar, em direção ao Morro do Penedo. Desde então a onça passou a ser a guardiã da gruta”.

Na Prefeitura de Vitória não existe uma versão concreta sobre o motivo da denominação Gruta da Onça. Sabe-se apenas que a origem do parque remonta a 1904, quando a área de propriedade do Barão Monjardim destinada ao cultivo de café foi desapropriada com a finalidade de proteger a nascente que abasteciam o Chafariz da Capixaba e em 1944 o município de Vitória comprou parte das terras do herdeiro do Barão, com a finalidade de ampliação do Orquidário Municipal.

O termo “Onça” pode ser uma homenagem aos primitivos moradores do local, os Temiminós. No Rio de Janeiro os Temiminós são lembrados com uma estátua de uma onça. Próximo da Gruta da Onça, na região da avenida Beira Mar, no Governo do Prefeito Sólon Borges Marques foi construída e inaugurada uma estátua do Índio da Tribo dos Temiminós, Araribóia, filho de Maracajaguaçu e fundador da Aldeia de São João Batista em Carapina.

No IV Centenário da Ilha do Governador, em 20 de fevereiro de 1965, foi inaugurado o Monumento Maracajá, “na Pedra da Onça”.

Maracajá, segundo os dicionários seria um misto de Gato Grande e Onça.

CONFLITOS ENTRE ÍNDIOS E COLONOS

Sobre os Temiminós, a escritora Neida Lúcia Moraes informa que os mesmos habitaram a região de Vitória e a baixada de Goiabeiras.

Ao chegarem ao Espírito Santo e serem localizados inicialmente na Ilha de Vitória, os Índios Temiminós, permaneceram muito próximos à povoação portuguesa, gerando um conflito entre as raças.

Os portugueses queriam escravizar os Índios colocando-os em suas lavouras, no que Maracajaguaçu não concordou.

Pesquisadores informam que realmente ocorreram conflitos entre Índios e Portugueses, mais os benefícios foram maiores. Maracajaguaçu amenizou os conflitos que existiam entre portugueses e Tupiniquins e muito auxiliou na defesa da Capitania.

No “Diálogo sobre a Conversão dos Gentios”, onde o padre Manoel de Nóbrega analisa os índios e índias de diversas Capitanias, consta:

“O célebre índio Principal, Vasco Fernandes Gato, do Espírito Santo, por ocasião dum conflito com os colonos, desabafou assim: Os brancos são mais para culpar do que eu, porque eu, que não sou Cristão desde menino, me apartei de muitos costumes dos meus antepassados e, depois que fui Cristão, nunca mais conheci outra mulher senão a que me deram em matrimônio, e eles fazem tudo ao revés disto; e agora, já que eles falam e procedem mal contra mim, eu tenho de ser melhor Cristão do que eles, e o pouco meu, em comparação do seu, há de ser muito, porque não me é dado tanto como eu”.

NA REGIÃO DO RIO PIRAQUEAÇU

Tal conflito, sem graves conseqüências, provoca a imediata mudança de local e Braz Lourenço, leva em 1555, os Temiminós para o norte da Capitania, na região do rio Piraqueaçu, originando o surgimento da Aldeia de Maraguai, na região da atual Santa Cruz:

 “Vimos que o Principal dos Temiminós, Maracajaguaçu – Gato Grande, que habitava o Rio de Janeiro, por inimizades e guerras constantes com seus vizinhos procurou socorrer-se com o Donatário Vasco Fernandes Coutinho, da Capitania do Espírito Santo. Foi aceito, instalando-se na Capitania. O local parece ter sido a própria Ilha de Vitória. Por aborrecimentos com os portugueses, Maracajaguaçu – batizado com o nome de Vasco Fernandes Coutinho – mudou-se (…) para além do rio Santa Maria”.

A Aldeia de Maraguai situava-se a doze léguas ao norte da sede do Governo. A palavra Maraguai é derivada de Maracajá e significa Gato. A légua é uma medida que corresponde a 6 mil e seiscentos metros. Doze léguas são 79.200 metros, ou seja, pouco mais de 79 km da ilha de Vitória.

A Aldeia é a base inicial da localidade que posteriormente recebe o nome de Santa Cruz, que fica cerca de 79 km distante do centro de Vitória.

ALDEIAS GERABAIA E MARAGUAI

Não se deve confundir a Aldeia criada por Braz Lourenço e Maracajaguaçu com uma outra Aldeia que já existia ali próximo, que era denominada Gerabaia, conhecida, depois, como Aldeia Velha.

A Aldeia Velha, Gerabaia foi fundada por Afonso Braz, antes da saída do referido padre do Espírito Santo, em 1553. Era de índios Tupiniquins e distava 3 quilômetros da foz do rio Piraqueaçu. Após ser invadida por formigas, a Aldeia Gerabaia deixa de existir, no período de 1595 a 1609 e seus índios recebem uma sesmaria em 1610, denominada sesmaria Japara, em Nova Almeida.

A Aldeia Gerabaia não é a mesma Aldeia Maraguai de Gato Grande. A Aldeia de Maraguai, cuja grafia antiga era Maraguay, com Y no final, ficava na foz do rio Pirakaassu (rio do Peixe Grande), palavra cuja grafia moderna é Piraqueaçu.

TEMIMINÓS LONGE DA SEDE

Os Jesuítas acabam tendo dificuldades em visitarem a Aldeia principal de Maracajaguaçu instalada na região da atual Santa Cruz. Os Temiminós estavam alojados distante da sede da Capitania.

Outro problema que surgiu foi o fato do Donatário Vasco Coutinho necessitar da presença dos Temiminós próximos a sede do Governo, para ajudar no combate aos inimigos que sempre estavam na baía de Vitória.

O Espírito Santo recebeu a visita de piratas, corsários, franceses e holandeses. Havia ainda os ferozes índios Botocudos, que estavam no Norte, (Colatina) e Tamoios, que estavam no Sul, (na faixa de terra entre Marataízes até a cidade de Campos).

A baía de Vitória era sempre visitada por inimigos.

Há registros da visita de holandeses, franceses e piratas. Os franceses tentaram invadir o Espírito Santo em 1558, 1561 e 1581. Thomas Cavendish, pirata inglês, esteve na baía de Vitória em 1592.

COUTINHO QUER ÍNDIOS PERTO DE VITÓRIA

Vasco Coutinho pede aos Índios Temiminós que se transferiram para mais perto de Vitória, encarregando Braz Lourenço de colocá-los próximos da sede da Capitania.

Com auxílio e orientação de Braz Lourenço, os Temiminós de Maracajaguaçu, são fixados, nos últimos meses de 1556, na região do Mestre Álvaro e próximo ao rio Santa Maria.

Na época, as matas existentes eram cerradas, difícil de serem atravessadas e as viagens pelos rios eram mais rápidas e práticas.

O “Santa Maria” é chamado de “rio Santa Maria da Vitória” para não ser confundido com o outro rio Santa Maria que fica na região de Colatina cuja foz é no Rio Doce.

IMACULADA CONCEIÇÃO

Braz Lourenço ao inaugurar uma capela na Aldeia de Gato Grande, presta uma homenagem a Imaculada Conceição de Maria rezando a primeira missa no dia 8 de Dezembro de 1556.

Sobre a Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus Cristo, sabe-se que foi Duns Johannes Scotus, grande teólogo do Século XIII, que encontrou a solução para a dificuldade que os religiosos possuíam para definir que Maria, embora filha de Adão e Eva, fôra preservada do pecado original. Como Maria foi destinada a ser a Mãe do filho de Deus era possível pela onipotência de Deus, que a preservasse de qualquer pecado.

Após o ano de 1300, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria passou a ser aceita pelos teólogos e pelos fiéis, induzindo a Igreja a introduzir no Calendário Romano, já no século XV a festa da Conceição Imaculada de Maria.

Os Jesuítas são os maiores propagadores da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus.

HOMENAGENS A NOSSA SENHORA

Também José de Anchieta foi o apóstolo e o maior defensor desta doutrina em terras Brasileiras. Os Jesuítas dedicaram inúmeras Igrejas em homenagem a Nossa Senhora da Conceição.

Em 1830 Nossa Senhora apareceu a Catarina de Labouré mandando cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada Conceição e as palavras:

 “Maria concebida sem pecado, rogai por nós”.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Nossa Senhora de Lourdes confirmaram o dogma, quando Maria proclamou-se: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

No dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou Maria isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua existência no seio de sua mãe, e isso por fôrça de uma antecipada  aplicação dos frutos de redenção de Cristo. Para tentar explicar o fenômeno da Imaculada Conceição, um dogma, (verdade maior) da Igreja Católica, existe no folclore popular a seguinte trova:

No ventre da Virgem mãe

Encarnou Divina Graça.

Entrou e saiu por ela

Como o sol pela vidraça.

A Divina Graça citada na poesia é Jesus. Nossa Senhora da Imaculada Conceição é a Padroeira da Serra. Com a inauguração da Capela, a Aldeia cresceu e próximo foi se formando um povoado dando origem a uma Vila que se transforma depois em Município e Cidade.

Esta é a origem histórica da cidade da Serra.

Nome correto do Fundador da Serra ES
Nome correto do Fundador da Serra ES

PESQUISE:

Sendo os índios os primeiros habitantes da Serra quais foram às influências exercidas pelos mesmos na formação do nosso povo?

Sabe-se de alguns costumes dos índios que tenham permanecido até os dias atuais?

Relacione algumas palavras, usadas na Serra, que são de origem indígena.

Descubra o que é Companhia de Jesus e quem foi o seu fundador.

RESPONDA:

1 – Escolha, dentre as alternativas abaixo, aquela que é a certa:

  • A Serra foi fundada por Braz Lourenço e índios Tupiniquins.
  • Os Temiminós de Maracajaguaçu moravam na atual cidade de Campos no Rio de Janeiro e de lá foram transferidos para a Serra.
  • Lourenço Braz da Silva fundou Colatina e a Serra.
  • A Serra foi fundada pelo padre jesuíta Braz Lourenço e os índios Temiminós de Maracajaguaçu que vieram da Ilha de Paranapuã (Governador), no Rio de Janeiro.
  • Os Botocudos viviam no litoral da Serra.

2 – Na pergunta acima, as alternativas “1”, “2” e “3” estão totalmente erradas. Justifique apontando onde estão os erros. Uma das duas alternativas, “4” e “5” é a correta. Qual? Justifique.

3 – Explique o que é Companhia de Jesus e justifique a influência dos Jesuítas na formação dos primeiros povoados na Serra, no Espírito Santo e no Brasil?

4 – Quais foram os três primeiros Governadores Gerais do Brasil e cite uma cidade brasileira fundada no Governo de cada um deles?

5 – O que fez Duns Johannes Scotus, grande teólogo do Século XIII?

O que é Teólogo?

Livro História da Serra de autoria de Clério José Borges. Neste Mapa o destaque para a Serra o maior dos cinco municípios. O Município da Serra  é o  mais populoso da Grande Vitória. Tem mais de 530 mil habitantes.
Neste Mapa o destaque para a Serra o maior dos cinco municípios. O Município da Serra é o mais populoso da Grande Vitória. Tem mais de 530 mil habitantes. Livro de Clério José Borges

CAPÍTULO 3 -MARACAJAGUAÇU – ÍNDIO VASCO FERNANDES GATO GRANDE

MARACAJAGUAÇU - Índio Gato Grande. Tema de Livro de Clério José Borges
MARACAJAGUAÇU – Índio Gato Grande. Tema de Livro de Clério José Borges

Maracajaguaçu, Gato Bravo Grande foi um dos Fundadores da Serra. Foi o Principal, isto é, o Cacique Chefe dos índios Temiminós que, com o padre Braz Lourenço, construiu a Aldeia e a Igreja que daria origem ao povoado de Conceição da Serra, hoje Serra. Era Temiminó, do Grupo Tupi.

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1501.

Com vinte anos de idade já era um dos principais líderes de sua Tribo, graças a atos de bravura.

Mudou-se para o Espírito Santo em 1555, quando já tinha 54 anos de idade.

Maracajá é o nome de um felino que habita as matas virgens e do tamanho que chega quase ao triplo do gato doméstico.

A escritora Cybelle M. Ipanema relata que:

“Maracajá é uma espécie de felino, o Felis Pardalis”.

GATO BRAVO GRANDE

O escritor Ermano Stradelli descreve o Maracajá como sendo:

“Fulvo (amarelado) claro, de manchas mais ou menos regulares, em forma de roseta ou anel. Chega quase ao triplo do tamanho do gato doméstico”.

No “Novo Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa”, em texto com a supervisão de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra Maracajá está escrita com a letra “Jota” e significa:

“Espécie de gato bravo”.

As expressões “Jaraguai” e “Maraguai”, segundo o Dicionário de Língua Tupi, são variações das palavras Maracaia ou Maracajá, cujo significado é o mesmo: Gato do Mato; Gato Bravo do Mato, ou simplesmente Gato.

A palavra Guaçu é de origem indígena.

Guaçu segundo os dicionários é um adjetivo Tupi-guarani, de dois gêneros, que entra na composição de vários nomes brasileiros, com o sentido de Grande.

REFORMAS ORTOGRÁFICAS

As palavras Maracayaguaçu, Maracaiaguaçu ou Maracajaguaçu significam a mesma coisa: Gato Bravo Grande.

O historiador Basílio Carvalho Daemon, em sua obra de 1879, escreve “Maracayá-Guaçú”, usando a letra “Y”, o hífen e os acentos.

Nas diversas reformas ortográficas desde 1934, a letra “Y” foi abolida, razão porque os dicionários mais recentes não registram a palavra Maracayá ou Maracayaguaçu e sim Maracajá e Maracajaguaçu.

Os escritores traduzem Maracajaguaçu das mais variadas formas:

Basílio Carvalho Daemon: Grande Gato;

Heribaldo Lopes Balestreiro: Grande Gato Bravo;

José Antônio de Carvalho: Gato Grande.

Maria Stella de Novaes: Gato Bravo Grande;

Mário Aristides Freire: Gato Selvagem do Mato;

Serafim Leite: Gato Grande.

Popularizando-se, em tradução mais direta e objetiva, o Bravo Maracajaguaçu, deve ser chamado honrosamente de Gato Grande.

MULHER DO GATO: BRANCA COUTINHO

Maracajaguaçu casou-se com a índia que ao ser batizada, no dia 29 de maio de 1558, recebeu o nome de Dona Branca Coutinho, em homenagem a mãe de Vasco Fernandes Coutinho, Donatário do Espírito Santo.          

Segundo o historiador Serafim Leite, a índia Dona Branca Coutinho era muito respeitada: “Não só entre os Índios, como entre os portugueses”.

A historiadora Maria Stella de Novaes relata que:   

“Tanto pelo sentimento religioso quanto pela inteligência e firmeza Dona Branca Coutinho, esposa do referido Cacique, desfrutava de grande influência na Tribo”.

Segundo o historiador Basílio Carvalho Daemon, em publicação de 1879, o índio Maracajaguaçu foi:

“Sempre um fiel e valente aliado dos portugueses. Era um homem prudente, mas enérgico e valoroso cumpridor dos seus tratos. Bom Cristão e respeitado tanto dos seus como dos portugueses”.

Além de ser homem de palavra, Maracajaguaçu cumpria os compromissos que tratava com as pessoas, honrando os entendimentos realizados com o Donatário Vasco Fernandes Coutinho.

TEMIMINÓS NA SERRA E GUARAPARI

A escritora Neida Lúcia Moraes informa em livro de sua autoria, que os Temiminós habitaram a baixada de Goiabeiras, Carapina, até as proximidades de Vitória e os Goitacases, a região do Itapemirim, no sul do Estado.

Segundo ainda Neida Lúcia Moraes, “no norte, do rio Cricaré (região de São Mateus) a Porto Seguro, na Bahia, estavam os Tupiniquins”. Já os Tamoios informa que “viviam no sul do Estado”.  Os Goitacases estão situados nos Municípios de Piúma, Itapemirim e Presidente Kennedy, no litoral sul do Estado.

Os Temiminós povoaram a região do litoral que vai dos Municípios de Anchieta a Linhares, nas margens do rio Doce.

Um irmão de Maracajaguaçu, o índio Temiminó, Cão Grande, foi com sua gente para a região de Guarapari, “a seis léguas da Vila de Vitória”, (39.600 metros) o que confirma o registro da presença de Temiminós na região de Anchieta e Guarapari.

Depois de 1556, toda a área da Serra passou a ser território dos índios Temiminós.

PRESTÍGIO

Maracajaguaçu era altamente prestigiado pelo Donatário Vasco Coutinho participando sempre dos principais eventos e solenidades da Capitania.

Em 29 de maio de 1558, o Chefe Maracajaguaçu foi batizado, junto com sua mulher e outros membros de sua Tribo, ocasião em que recebeu o nome do chefe da Capitania, Vasco Fernandes Coutinho.

Em 16 de janeiro de 1560, da sede do Governo Geral, na Bahia, sai uma expedição para combater os franceses e os Tamoios no Rio de Janeiro.

A expedição é comandada pelo próprio Governador Geral do Brasil, Mem de Sá que passa pelo Espírito Santo onde solicita ajuda.

Maracajaguaçu à frente de um grande número de índios flecheiros segue para o Rio onde se destaca em grandes batalhas.

O historiador Rocha Pombo registra a incorporação de Maracajaguaçu à expedição. Também os escritores, Simão de Vasconcellos e Roberto Southey registram a viagem de Maracajaguaçu, que estava acompanhado de um dos seus filhos, na época com 36 anos de idade, Araribóia.

PRIMEIRAS VITÓRIAS NO RIO

Em 1560, os Temiminós empreendem a primeira viagem de volta ao Rio de Janeiro. A expedição de Mem de Sá não consegue expulsar definitivamente os franceses. Mas Maracajaguaçu e Araribóia destacam-se nas lutas travadas.

Embora não tenham vencido a guerra, conquistam muitas vitórias incluindo seus nomes na lista dos “valorosos e combatentes heróis”, que ajudaram Mem de Sá, em 1560 a expulsar os franceses da Ilha de Serigipe, na baía da Guanabara.

Mem de Sá retorna à Bahia e deixa no Espírito Santo, Maracajaguaçu e seus Índios flecheiros, que aqui são recebidos com honras pelos atos de bravura.

Araribóia, herói das batalhas no Rio, funda em 1562 a sua própria Aldeia, denominada de São João, em Carapina.

VITÓRIA SOBRE FRANCESES E TAMOIOS

Em 1564, chega ao Espírito Santo o sobrinho do Governador Geral, Estácio de Sá, com uma equipe numerosa de combatentes, disposta a expulsarem definitivamente os franceses do Rio de Janeiro.

Maracajaguaçu está com 63 anos nomeia o seu filho Araribóia, como o Grande Chefe dos Índios flecheiros do Espírito Santo. Pede-lhe que se vingue dos atos cruéis praticados no passado, pelos Tamoios contra o povo Temiminó.

Os franceses estavam no Rio de Janeiro desde Novembro de 1555, quando ali chegara a frota francesa comandada por Nicolau Durand Villegaignon, que recebera apoio do rei da França, Henrique II e trazia consigo nobres, sacerdotes, artífices, colonos e ex-prisioneiros, ladrões e assassinos. Cerca de 600 homens. Pretendiam fundar no Brasil uma nova possessão francesa.

Auxiliados pelos Tamoios, os Franceses se estabeleceram, dando o nome de França Antártica para as terras conquistadas.

Em 1559, Villegaignon volta a França e os franceses no Rio de Janeiro estão enfraquecidos e como menos poder de força para a guerra. É nesta ocasião que Araribóia e Estácio de Sá chegam ao Rio, em 1564. Os franceses são expulsos em 1567. Os Tamoios são vencidos.

Araribóia é aclamado herói recebendo várias homenagens.

Os franceses voltariam a invadir o Brasil em 1612, no Maranhão onde construíram o Forte São Luiz, que deu origem à atual capital do Maranhão. Foram expulsos em 1615.

VINGANÇA DE GATO GRANDE

A escritora Eunice Ribeiro Gondim, na obra “Os Dois Portos de Martim Afonso”, publicada na Revista Marítima Brasileira, em 1966, na página 146, fala sobre a morte de Maracajaguaçu:

 “No Espírito Santo, viria o bravo Cacique Maracajaguaçu a falecer. Seu filho e sucessor, o Araribóia, levaria então sua tribo para as páginas da história, transformando-se, também, pela bravura, coragem e lealdade, no primeiro carioca distinguido com honrarias pelo Reino de Portugal”.

Já na página 148, prossegue a escritora Eunice Ribeiro Gondim: “O Cacique Maracajaguaçu estava vingado, pelo braço de Araribóia e seus irmãos. Os tristes episódios de 1554, quando os Temiminós foram levados (no início de 1555), pelo bravo Cacique para as terras dos Jesuítas, no Espírito Santo, poderiam ser esquecidos. E os Temiminós retornaram à brandura dos que se sabem fortes e valentes, mas não desconhecem que só devem usar dessa fôrça e destreza a serviço de causa justa e digna. Isso lhes tinha sido ensinado pelos religiosos da Companhia de Jesus aos quais iriam juntar-se, novamente, desta vez, no Rio de Janeiro”.

MORTE DE MARACAJAGUAÇU

Em Novembro de 1568, Maracajaguaçu que chefiava a Nação Temiminó no Espírito Santo, onde se incluíam as Aldeias de Conceição da Serra e de São João de Carapina, morre, com 67 anos de idade, vitimado pela doença “impaludismo”, ou seja, Malária.

Segundo Maria Stella de Novaes, a febre de terçãs e outros flagelos endêmicos, como varíola e impaludismo, martirizaram em 1568, além de Índios, inúmeros padres Jesuítas.

Padre Luiz Da Grã, de passagem pela Vila de Vitória, encontrou no ano de 1568, “os seus confrades convalescentes de febre”.

ENTERRO EM CARAPINA

O enterro de Maracajaguaçu teve um grande aparato, sendo prestigiado pelos índios das Aldeias próximas e do interior e pelos “maiores”, ou seja, as pessoas importantes da Capitania do Espírito Santo.

Maracajaguaçu foi enterrado nas proximidades da Aldeia de São João, em Carapina, onde estava residindo nos seus últimos dias de vida.

Segundo o professor Clério Brito há indícios da existência de vários cemitérios de Índios na região de Carapina, nas proximidades do rio Santa Maria e da Igreja de São João Batista. Na região foi enterrado o fundador da Serra, Gato Grande.

Gato Grande foi sempre “fiel e valente”, bem como prudente, mas enérgico e valoroso, cumpridor dos seus tratos e também, “um dos maiores e mais capazes colaboradores dos padres Jesuítas, na formação dos Aldeamentos do norte da Capitania”.

Um autêntico Grande Gato Bravo.

NOME CORRETO É TEMIMINÓS

O Jornal “Tempo Novo” de 24 de abril de 1999, mostra numa foto o Edifício Maracajaguaçu, localizado na rua Alfeu Corrêa Pimentel, 150, próximo ao campo da equipe de futebol do Serra, na Serra Sede. O edifício possui uma área construída de 650 metros quadrados, dividido em dois pavimentos, com arquitetura moderna. Trata-se de uma das primeiras homenagens dos Serranos ao índio fundador da Serra.

A Enciclopédia do estudante, volume 3, publicada pela Editora Nova Cultural em 1973, na página 733, registra no grupo dos Tupi-Guarani os Temiminós. Na referida Enciclopédia, a palavra está escrita TEMININÓS, quando nos Dicionários supervisionado por Aurélio Buarque de Hollanda, a grafia certa da palavra é TEMIMINÓS.

FILHOS DO GATO GRANDE

São conhecidos dois filhos de Gato Grande:

Manemoaçu e Araribóia.

Manemoaçu era um índio Temiminó e nasceu na Ilha de Paranapuã, no Rio de Janeiro. O nome mostra o seu estilo de vida. Manemo na língua tupi significa o mesmo que Manema, ou seja, pessoa apalermada, meio tola, pateta. Manemoaçu significa Grande apalermado.

O índio Manemoaçu, ao ser batizado recebe o nome cristão de Sebastião de Lemos.

Os historiadores destacam que a 20 de janeiro de 1558, dia de São Sebastião, foi realizado o batismo do filho de Maracajaguaçu, após “zelosamente preparado pelos padres Jesuítas”.

Duarte de Lemos, figura de destaque na Capitania, serviu-lhe de padrinho, dando-lhe o próprio sobrenome.

Assistiram à cerimônia as pessoas mais importantes da Capitania, entre as quais Bernardo Sanches de La Pimenta e André Serrão.

No mesmo dia do Batismo, o índio Sebastião de Lemos casou-se com a índia sua mulher, que recebeu, junto, o batismo.

MORTE DE MANEMOAÇU

O Índio Manemoaçu, Sebastião de Lemos adoece dias após, falecendo a 2 de abril do mesmo ano de 1558, tendo solene exéquias, com a presença do Donatário e dos maiores da Vila, que dispensaram ao pai Maracajaguaçu todas as deferências durante o velório.

José Teixeira de Oliveira e outros historiadores capixabas, baseados no Jesuíta Francisco Pires, descrevem a morte e enterro do Índio Sebastião de Lemos, filho de Maracajaguaçu. O fato é relatado também por Serafim Leite no livro, “História da Companhia de Jesus no Brasil”, página 327.

Padre Antônio de Sá, em carta datada de 13 de Junho de 1559, relata que Manemoaçu, pouco antes de morrer, fôra acometido de uma estranha doença. Tendo sumido por alguns dias da Aldeia, ao retornar disse ter sido vítima de rapto feito por pessoas estranhas. Passou a ser considerado “maluco”.

Na carta de Antônio de Sá consta que “demônios invadiram o corpo de Manemoaçu”.            

Autores mais modernos levantam a hipótese de que o índio foi raptado por seres extraterrestres, sendo o primeiro caso do gênero que se teria registro na História do Espírito Santo.

O escritor Jayme Santos Neves informa que a doença que levou Manemoaçu a morte foi a Tuberculose.

MARTIM AFONSO ARARIBÓIA

O segundo filho de Gato Grande é Araribóia.

O nome indígena Araribóia significa Cobra Feroz, o Cobra das Tempestades.

“Araib”, em Tupi, significa “Tempo Mau, Tempestade, Tormenta” e “Bói” significa “Cobra”. 

Araribóia nasceu em 1524, na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Araribóia não nasceu no Espírito Santo. Esteve no Espírito Santo, acompanhando seus pais e sua gente, durante nove anos, de 1555 a 1564. Residiu na região de Santa Cruz e depois nas proximidades do Mestre Álvaro. Posteriormente em 1562, fundou a Aldeia de São João, em Carapina.

A historiadora Maria Stella de Novaes, na página 30, do livro “A História do Espírito Santo” informa erradamente que Araribóia nasceu na Ilha de Villegagnon, que era chamada pelos Indígenas de Ilha de Serigipe. Araribóia nasceu na Ilha de Paranapuã, chamada pelos portugueses de Ilha do Gato.

HERÓI DE VÁRIAS BATALHAS

No dia 15 de março de 1560, a expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha Henri e consegue vencer, destruindo o Forte Coligny. Derrotados os franceses conseguiram escapar em grande número, refugiando-se no Continente.

O ataque a Ilha Henri está relatado em carta do padre francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle”, editada em Paris, França, em 1575. Lá constam referências aos atos de bravura do Índio Fundador da Serra, Maracajaguaçu e de seu filho Araribóia.

Mem de Sá volta a Salvador, na Bahia, a 3 de abril de 1560 e os franceses e Tamoios reagrupam-se e estabelecem poderosas fortificações na Ilha da Carioca e na Ilha de Paranapuã.

Quando Araribóia volta pela segunda vez para guerrear contra os franceses e Tamoios, em 1564, está com 40 anos de idade, conforme Luís Carlos Lessa no livro “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, publicado pela Editora Francisco Alves, do Rio de Janeiro, página 8.

Em 1564, Araribóia combate na tomada da Fortaleza de Uruçumirim, na hoje Praia da Glória e depois se destaca como herói na Batalha de Paranapecu, trecho da Ilha do Governador, que ia da Ponta do Galeão até as Flecheiras.

DE CARAPINA PARA O RIO

Após a vitória sobre os franceses e Tamoios na guerra de 1564, no Rio de Janeiro, Araribóia pretendia voltar ao Espírito Santo para a sua Aldeia de São João, em Carapina, onde deixara mulher e filhos.

Os portugueses acabam convencendo Araribóia a ficar no Rio, para ajudar na defesa da região.

Araribóia e sua família transferem-se então definitivamente para o Rio de Janeiro, construindo sua Aldeia em São Cristóvão.

Entre 1565 e 1567, em uma das suas viagens a São Vicente, é batizado pelos Jesuítas, tendo adotado o nome cristão de Martim Afonso de Sousa, em homenagem ao Donatário daquela Capitania.

ARARIBÓIA SALVA GOVERNADOR

Somente em 1567, com a derrota das forças Franco-tamoias, foram os franceses afastados da baía de Guanabara. Contudo os Tamoios continuaram com suas batalhas.

Em 1568 Araribóia repele o ataque à Aldeia localizada, então, no Saco de São Diego, em São Cristóvão.

Posteriormente Araribóia ataca e extermina os franceses em Cabo Frio, tendo salvado a vida do Governador, Salvador Correia de Sá que, na luta, ia morrendo afogado.

Pelos seus atos de bravura e participação ativa nas guerras contra os inimigos e por ter salvado a vida do Governador, Araribóia torna-se o primeiro carioca com serviços realmente prestados à Coroa Portuguesa.

Acaba sendo agraciado pelo Rei de Portugal, Dom Sebastião, com o título de capitão-mor, recebendo o hábito da Ordem de Cristo e a tença de doze mil réis anuais. Dom Sebastião honrou-o, ainda, com um traje completo de seu uso pessoal, numa demonstração de apreço, raras vezes concedida pelo Rei.

FUNDAÇÃO DE NITERÓI

No dia 22 de novembro de 1573, Araribóia toma posse na Sesmaria doada por Mem de Sá, ocupando a região de São Lourenço e Caraí (Icaraí). A Aldeia dos Temiminós de Araribóia, extinta a 26 de Janeiro de 1866, deu origem à Cidade de Niterói.

Martim Afonso de Souza, o Araribóia, morreu afogado, em 1587, no Rio de Janeiro, nas proximidades da Ilha do Fundão, quando tinha 63 anos de idade.

Escritor Áureo Ramos, residente na Ilha do Governador, procedeu a pesquisas sobre Maracajaguaçu e Araribóia, descobrindo os livros: “História da Ilha do Governador”, de Cybelle M. Ipanema e “Araribóia, o Cobra das Tempestades”, de Luís Carlos Lessa, sendo que ambas publicações confirmam:

1- Maracajaguaçu era pai de Araribóia e vivia na Ilha dos Maracajás de onde saiu para o Espírito Santo. Foi socorrido por Vasco Coutinho que lhe mandara quatro navios e artilharia. No Espírito Santo o padre Braz Lourenço foi encarregado dos Temiminós. 

2 – Araribóia foi o fundador da Aldeia de São João, em Carapina. Depois de fundar a Aldeia, retornou ao Rio de Janeiro para guerrear contra os Tamoios. Os Temiminós eram inimigos dos Tamoios.

3 – Maracajaguaçu tinha um irmão chamado Cão Grande que foi com sua gente, seis léguas na direção de Guarapari, no mesmo ano de 1556. Até maio de 1557, Cão Grande e os seus ainda não haviam sido visitados pelos Jesuítas, pois os padres esperavam que “ele e seus índios se estabelecessem primeiro com casas, para que lá fossem”.

ARARIBÓIA, HERÓI NACIONAL

Dentre os heróis nacionais sempre haverá um destaque para o Índio Araribóia, o cobra das Tempestades, fundador da Aldeia de São João (Carapina, Serra, ES) e de Niterói.

   Estava na Serra, no Espírito Santo, onde morava, quando por duas vezes acompanha as expedições contra os franceses e Tamoios. A primeira em 1560 e a segunda em 1564.

Das ações de Araribóia em guerra, conta-se o seguinte:

Os Franceses comandados por Villegagnon, chegaram no Rio a 10 de novembro de 1555, festivamente recebidos pelos Tamoios.

Após alguns meses no Continente, alojaram-se os franceses, na Ilha de Serigipe. A Ilha recebeu a denominação Francesa de Ilha Henry, em homenagem a Henrique II, Rei da França. A fortificação erguida na Ilha recebeu o nome de Forte de Coligny, em homenagem ao Almirante Francês, Gaspar de Coligny, amigo de Villegagnon e principal patrono da Expedição Francesa enviada ao Brasil para o estabelecimento da França Antártica. Posteriormente a Ilha Henri passou a ser chamada Villegagnon.

Em 1560, a Expedição de Mem de Sá foi combater os Franceses no Rio de Janeiro. Leva Maracajaguaçu e Araribóia e outros Índios flecheiros que estavam no Espírito Santo.

ARARIBÓIA E A TOCHA ACESSA PRESA NOS DENTES

No dia 15 de março de 1560, a Expedição de Mem de Sá promove um ataque à Ilha Henri e consegue vencer, destruindo o Forte Coligny. O ataque a Ilha Henri está relatado em carta do padre Francês André Thevet na obra “La Cosmographie Universelle”, editada em Paris, França, em 1575, onde constam referências aos atos de bravura do Índio Araribóia, informando que: “Os franceses estavam certos de sua superioridade, em razão de um paiol, depósito, que possuíam na ilha”.

O paiol, (depósito de armas, munições e pólvora), estava no alto de um penhasco e os franceses, seguros de si, só vigiavam a entrada principal, único acesso disponível. O penhasco, um alto morro de pedra maciça, não possuía uma entrada fácil. Um ser humano normal teria grandes dificuldades para escalá-lo.

Araribóia distanciando-se dos demais companheiros aceita o desafio. Com uma coragem fora do normal se coloca diante do enorme penhasco, escala o mesmo do lado não visto do inimigo e com uma tocha acessa, presa nos dentes. Atingindo o alto, arremessa a tocha contra o depósito que logo explode deixando os franceses em pavor tão grande que fogem, conseguindo os portugueses e aliados uma grande vitória, que foi altamente comemorada”. Dizem os escritores que, “não se conheceu em terras brasileiras, índio mais valente e mais fiel”.

ATIVIDADES:

Faça um resumo em trinta linhas da vida de Maracajaguaçu, fundador da Serra.

COMENTE AS FRASES:

Na carta de Antônio de Sá consta que “demônios invadiram o corpo de Manemoaçu”.

Autores mais modernos levantam a hipótese de que o Índio foi raptado por seres extraterrestres, sendo o primeiro caso do gênero que se teria registro na História do Espírito Santo. O que são seres extraterrestres? Há vida em outros planetas? Manemoaçu, filho do fundador da Serra, pode ter sido raptado por extraterrestres?

PESQUISE E RELACIONE:

Três atos de bravura do fundador da Aldeia de São João, Carapina, o índio Araribóia.

Troféu Maracajaguaçu, da ALEAS - Academia de Letras e Artes da Serra.
Troféu Maracajaguaçu, da ALEAS – Academia de Letras e Artes da Serra.
Índio Maracajaguaçu, Gato Grande.
Criação da Artista Plástica, Maria de Fátima Leandro de Jesus. Livro História da Serra de Clério José Borges.
Índio Maracajaguaçu, Gato Grande.
Criação da Artista Plástica, Maria de Fátima Leandro de Jesus.
Livro História da Serra de Clério José Borges. Livro História da Serra de Clério José Borges. 
Posse na ALEAS – Academia de Letras e Artes da Serra, do Acadêmico Antônio Peixoto Miguel em Dezembro de 1999.
Na foto Delegado Dr. Ary Roosevelt Rocha, Clério, Peixotinho e esposa.
Livro História da Serra de Clério José Borges.
Posse na ALEAS – Academia de Letras e Artes da Serra, do Acadêmico Antônio Peixoto Miguel em Dezembro de 1999.
Na foto Delegado Dr. Ary Roosevelt Rocha, Clério, Peixotinho e esposa.

CAPÍTULO 4

BRAZ LOURENÇO, FUNDADOR DA SERRA

Padre Braz Lourenço em Criação de Valdemir Ribeiro Azeredo. Livro História da Serra de autoria de Clério José Borges.
Padre Braz Lourenço em Criação de Valdemir Ribeiro Azeredo. Livro História da Serra de autoria de Clério José Borges.

O padre jesuíta Braz Lourenço, que com Maracajaguaçu, foi um dos fundadores da Serra, nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, importante e destacada cidade de Portugal.

Ingressou na Companhia de Jesus, (Ordem dos Jesuítas) com 24 anos de idade, em 9 de maio de 1549.

Chegou de Portugal na expedição missionária dos Jesuítas, em 1553, que era dirigida pelo padre Luiz Da Grã e contava com o padre Ambrósio Pires. Veio na armada do 2º Governador Geral do Brasil, Dom Duarte da Costa.

A armada possuía um total de 260 pessoas e era composta de quatro navios, sendo uma nau e três caravelas.

Juntos estavam mais quatro Irmãos, isto é, religiosos que se preparavam para a função de padres: Antônio Blazques, João Gonçalves, Gregório Serrão e José de Anchieta, que mais tarde seria chamado o Apóstolo do Brasil. Na ocasião, Anchieta era apenas Irmão já que se ordenou padre em 1565.

AMIZADE COM ÁLVARO DA COSTA

Durante a viagem de Lisboa para o Brasil, Braz Lourenço torna-se confessor do Governador geral, Duarte da Costa, bem como do filho do Governador, Álvaro da Costa. Álvaro era comandante e mestre de navio.

Os quatros navios da armada de Duarte da Costa saíram de Lisboa, capital de Portugal, a 8 de maio de 1553, chegando à Bahia a 13 de julho do mesmo ano.

Da Bahia, Braz Lourenço vem para o Espírito Santo em dezembro de 1553, na “oitava do Natal”, como superior da Capitania, em substituição ao padre Afonso Braz que aqui estava desde 1551.

Segundo o historiador Serafim Leite, na Capitania do Espírito Santo, Braz Lourenço se tornou:

“O mais notável no campo da sua atividade, na renovação dos costumes dos moradores e na catequese dos Índios”.

FUNDADOR EXPULSA OS FRANCESES

Braz Lourenço durante a sua administração como Provincial, de 1553 a 1564, continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas em Vitória, obra esta que havia sido iniciada pelo seu antecessor Afonso Braz. Foi também o construtor da primeira residência dos Jesuítas na vila de Vitória, pois o padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno seminário coberto de palhas”.

Em 1561, num ataque dos franceses à Ilha de Vitória, Braz Lourenço, mostrando muita coragem, se coloca à frente de todos e, empunhando a bandeira de São Tiago, anima a resistência, retirando-se o inimigo com várias perdas. O ato heróico de Braz Lourenço é relatado por vários historiadores.

EM DEFESA DA VILA DE VITÓRIA

Duas naus francesas vieram atacar a Capitania: “Acolheram então os colonizadores, Índios Flecheiros e os escravos, sendo que precedidos pelo padre Braz Lourenço, que levava o estandarte de São Tiago, enfrentaram o inimigo, defendendo heroicamente a Vila. Feriu-se terrível combate em que os franceses, vencidos, fugiram, com vultuosas perdas”.

O historiador Basílio Carvalho Daemon relata que o ataque dos franceses teria ocorrido em Vila Velha, fato que os demais historiadores não confirmam. Segundo Maria Stella de Novaes, “o certo é que o estandarte de São Tiago era de Vitória, onde estava a Igreja consagrada ao mesmo santo. E Vila Velha tinha forte para repelir os inimigos”.

Braz Lourenço, além de missionário foi administrador.

Segundo Serafim Leite, as maiorias das aldeias da Capitania do Espírito Santo foram organizadas pelo padre Braz Lourenço.

É ainda Serafim Leite que relata:

“Os Jesuítas fundaram as duas primeiras aldeias no Espírito Santo, que foram a aldeia Velha, de Santa Cruz e a aldeia de Nossa Senhora de Conceição da Serra”.

PORTO SEGURO E RIO DE JANEIRO

Em 1564, Braz Lourenço foi substituído como Provincial pelo padre Manoel de Paiva.

Segue então para Porto Seguro onde é nomeado superior do Colégio dos Jesuítas.

Em 1572, o padre Inácio de Tolosa leva Braz Lourenço para o Rio de Janeiro onde o fundador da Serra é nomeado vice-reitor do Colégio dos Jesuítas.

José de Anchieta, que em 1565 ordenara-se padre na Bahia, tinha sido nomeado Reitor, mas como Anchieta encontrava-se em missão evangelizadora na região de São Paulo, acabou não assumindo a Reitoria do Colégio do Rio de Janeiro.

Assim, Braz Lourenço, que estava como vice-reitor, acaba assumindo a Reitoria, permanecendo no cargo de 1573 a 1576.

Em 1582, Braz Lourenço retorna ao Espírito Santo como superior da Ordem e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Vitória. Assume os cargos pela segunda vez.

FUNDADOR MORRE AOS 😯 ANOS

Após várias atividades destacadas no processo de evangelização, já idoso, acaba indo se recolher na residência dos Jesuítas em Reritiba, atual cidade de Anchieta, onde falece a 15 de julho de 1605.

Tendo nascido em 1525, ao morrer a 15 de julho de 1605, Braz Lourenço tinha 80 anos e não 86.

Segundo os padres da Igreja Matriz da cidade de Anchieta, alguns Jesuítas foram realmente sepultados numa área de terra próxima a Igreja. Informam que não existem mais os registros oficiais, para a identificação certa e real dos túmulos.

FUNDADOR DA SERRA ESTÁ SEPULTADO EM ANCHIETA

Registros históricos confirmam estar o padre Braz Lourenço, fundador da Serra, sepultado em Reritiba, atual Anchieta.

Em 1597, a Igreja de Reritiba ainda não estava com a sua construção concluída. Tanto é que Anchieta tendo morrido nesse ano, teve seu corpo transferido para Vitória, para ser enterrado na Igreja de São Tiago. Os ossos do santo jesuíta permaneceram na Igreja de São Tiago até 1609, quando foram levados para a Bahia, às escondidas da população de Vitória, ficando com alguns Jesuítas da Vila, alguns ossos, entre os quais a tíbia direita.

Em 1604, a Igreja de Reritiba já estava definitivamente construída, pois nela foi enterrado o padre Diogo Fernandes. Como em 1605, a igreja já estava construída, Braz Lourenço, que faleceu naquele ano, ali foi enterrado.

HOMEM DE GOVERNO E ADMINISTRADOR

Biografia oficial do fundador da Serra, segundo o escritor Serafim Leite: “LOURENÇO, Braz. Missionário e Administrador. Nasceu em 1525 em Melo. Entrou na Companhia em Coimbra a 9 de maio de 1549. Já era sacerdote. Embarcou para o Brasil na 3ª expedição com o padre Luiz Da Grã em 1553 e durante a viagem foi confessor do Governador D. Duarte da Costa. Da Bahia passou como Superior ao Espírito Santo, capitania que se tornou o mais notável campo da sua atividade, na renovação dos costumes dos moradores e na catequese dos Índios. Num ataque dos piratas franceses, ele próprio empenhou a bandeira de Santiago e animou a resistência, retirando-se o inimigo com perdas. Homem de governo e de prudência e também de caridade, demonstrada por ocasião de graves epidemias. Pai comum de todos. Faleceu a 15 de julho de 1605, na aldeia de Reritiba, Espírito Santo”.

Na Biografia consta Lourenço vírgula Braz significando o segundo nome antes do primeiro, sendo o nome correto, Braz Lourenço e não Lourenço Braz.

Braz Lourenço tinha várias atribuições por ser o Superior dos Jesuítas no Espírito Santo. Uma de suas atribuições mais destacadas era a manutenção e ampliação da Igreja São Tiago e a construção da residência dos Jesuítas, em Vitória. Tais atividades o impediam de fixar residência numa única aldeia, comprovando assim que Braz Lourenço não residiu na Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra.

Segundo a historiadora Maria Stella de Novaes, Braz Lourenço, o fundador da Serra, foi: “Um verdadeiro Apóstolo, no Espírito Santo (…) e construtor da primeira Igreja dos Jesuítas, na Vila de Vitória”.

O nome Braz é uma homenagem a São Brás, um bispo e mártir da Igreja Católica nascido na Armênia, Turquia, no século III e que além de Bispo, exercia a profissão de médico. Foi perseguido pelo Imperador Licínio, torturado e descarnado com dentes de ferro e, por fim, degolado, no ano de 316. São Brás é invocado como protetor contra as doenças da garganta.

BRAZ LOURENÇO OU LOURENÇO BRAZ?

O saudoso escritor e ex-prefeito Naly da Encarnação Miranda publicou dois livros abordando fatos históricos da Serra e defendendo a tese de que o nome do padre fundador era Lourenço Braz, baseado em informações erradas de Francisco Eugênio de Assis, num livro de 1941.

O Acadêmico e saudoso escritor, na sua administração como Prefeito Municipal da Serra chegou a fundar, a 10 de Junho de 1961, uma casa de amparo às crianças abandonadas com o nome de “Fundação Lourenço Braz”.

Historicamente, analisando-se documentos antigos, contata-se que não existiu nenhum Lourenço Braz no Espírito Santo no início da colonização.

Também não é verdade que tenham existido dois padres Jesuítas: Um de nome Lourenço Braz e outro de nome Braz Lourenço. Trata-se da mesma pessoa.

ORIGEM DA CONFUSÃO

A confusão começou em 1941, quando Francisco Eugênio de Assis no “Dicionário Geográfico e Histórico do Estado do Espírito Santo”, na página 259, diz que a Serra foi fundada pelo Jesuíta Lourenço Braz, em companhia de outros em 1556.

O texto de Francisco Eugênio Assis é de 1941.

Historiadores anteriores informam que nome do Fundador da Serra é Braz Lourenço.

Na pesquisa histórica de uma cidade ou país, os documentos e livros mais antigos são fundamentais para a apuração da verdade dos fatos.

Os historiadores que registram o nome Braz Lourenço e não Lourenço Braz, antes de 1941 são:

Misael Ferreira Pena, em 1878;

Basílio Carvalho Daemon, em 1897;

Serafim Leite, em 1938.

REGISTROS SOBRE PADRE BRAZ LOURENÇO

Braz Lourenço permaneceu no Espírito Santo de 1553 a 1564, como Provincial. Em 1564 foi substituído pelo padre Manoel de Paiva. Segue para Porto Seguro e Rio de Janeiro e em 1582 retorna, assumindo pela segunda vez o comando religioso do Espírito Santo, como superior da Ordem e Reitor do Colégio dos Jesuítas de Vitória, até que se recolhe depois em Reritiba, atual cidade de Anchieta aonde vem a falecer em 1605.

Braz Lourenço faz parte da história da Capitania do Espírito Santo. Assim há registros do tempo e permanência do mesmo no Espírito Santo. Quanto a Lourenço Brás, realmente não consta registro histórico já que o mesmo não existiu.

Braz Lourenço não chegou na Capitania ou na Serra em 1556. Já estava no Espírito Santo desde dezembro de 1553.

Braz Lourenço ficou responsável pela evangelização dos Índios Temiminós. A carta de Luiz Da Grã, de 24 de abril de 1555, diz: “Mas o padre Braz Lourenço se ocupará com eles”.

Serafim Leite em sua obra já citada sobre a História da Companhia de Jesus, destaca:

“As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo Padre Braz Lourenço”.

Nome correto do Fundador da Serra ES, Braz Lourenço. Livro História da Serra do Escritor e Historiador Clério José Borges.
Nome correto do Fundador da Serra ES, Braz Lourenço. Livro História da Serra do Escritor e Historiador Clério José Borges.

FABIANO DE LUCENA

Braz Lourenço e Maracajaguaçu foram os fundadores da Serra.

Construíram a primeira aldeia Indígena e a primeira capela.

Fabiano de Lucena chegou ao Espírito Santo no início de 1557. Coube-lhe a organização do Povoado que deu origem à atual cidade da Serra.

Não é verdade que Braz Lourenço ou mesmo Fabiano de Lucena, ficassem fixos num determinado lugar ou numa determinada aldeia. Na época havia falta de padres para o atendimento às aldeias e povoações. Os poucos padres existentes, se revezavam nas diversas visitas que eram realizadas.

Eventualmente quando visitavam uma aldeia ou em viagem de Vitória para a foz do Piraqueaçu ou aldeia dos Reis Magos, ficavam numa casa onde descansavam antes e após os ofícios religiosos. Numa ou outra ocasião chegavam a pernoitar, quando as necessidades dos serviços os levavam a permanecer na aldeia por mais tempo.

Fabiano de Lucena não ficou restrito a oferecer assistência religiosa em uma única Aldeia. Consta que o mesmo visitava as seguintes aldeias:

a) Nossa Senhora da Conceição, da Serra;

b) Aldeia Velha, localizada a 3 quilômetros da foz do rio  Piraqueaçu. (Aldeia Gerabaia).

c) Aldeia Maraguai, (do “Gato”), localizada na foz do rio Piraqueaçu, na atual Santa Cruz, que abrigava alguns Temiminós que não haviam se mudado de lá para a aldeia de Conceição na Serra.

d) Aldeia dos Reis Magos, na região da atual Nova Almeida, fundada em 1557.

A Aldeia Velha era de Índios Tupiniquins. Já as demais aldeias eram compostas de Índios Temiminós, ou seja “do Gato”.

Em algumas aldeias, como a de Reis Magos, os Tupiniquins foram se juntando aos Temiminós.

FABIANO NA ALDEIA DE GATO GRANDE

Fabiano de Lucena nasceu em Portugal, em 1533.

Chegou ao Brasil como um dos muitos portugueses que aqui chegaram para colonizar a nossa terra.

No Brasil foi Fabiano admitido, inicialmente como Irmão Leigo, pelo padre Manoel da Nóbrega, e depois foi ordenado padre.

Como o número de padres vindos de Portugal era pequeno, o padre Manoel da Nóbrega decidiu a admissão de alguns Irmãos “de língua”, indispensáveis à catequese.

Além de Fabiano de Lucena, outro Português admitido no Brasil e que mais tarde tornou-se padre, foi Simão Gonçalves.

O Irmão Fabiano de Lucena veio de São Vicente para a Bahia em 1556, com o padre Manoel da Nóbrega, e depois, já ordenado padre, foi mandado para o Espírito Santo, passando a tomar conta da “aldeia do Gato”, no início de 1557.

PRIMEIRAS CASAS

Os Índios de Maracajaguaçu eram pacíficos e amigos dos colonizadores. Próximo à aldeia Indígena, na região da Serra, surgem as primeiras casas. Começa a surgir o povoado.

Segundo carta de 1562, a aldeia Indígena estava localizada “arriba da povoação dos Cristãos”.

Os portugueses foram atraídos para as proximidades do Mestre Álvaro, em razão das atenções que Vasco Coutinho dispensava aos Temiminós, que eram amigos do Donatário e que se constituíam numa importante força de defesa da Capitania contra os ataques estrangeiros.

Prova das atenções do Donatário Vasco Coutinho para com Maracajaguaçu, encontra-se no relato do dia em que Gato Grande foi batizado em 29 de maio de 1558, quando recebeu inúmeras homenagens de Coutinho, chegando a adotar no batismo o nome do Donatário da Capitania do Espírito Santo.

O Irmão religioso, Antônio de Sá, recém-chegado ao Espírito Santo, acaba ajudando Fabiano de Lucena em sua missão evangélica e relata os primórdios da colonização da Serra, bem como a origem do povoado, em carta enviada aos padres e Irmãos da Bahia, datada de 13 de junho de 1559.

POVOADO LEMBRA VILAS DE PORTUGAL

José Antônio de Carvalho baseado em Serafim Leite e nas cartas dos Jesuítas da época, relata que na aldeia de Conceição da Serra havia uma casa que era local de descanso para os padres:

“A casa era para ser usada pelos padres quando lá fossem. E quem lá ia todos os dias, pelo rio Santa Maria, desde 1560, levado por 4 ou 5 meninos que viviam na casa – sede de Vitória – em uma Almadia (embarcação comprida e estreita), era o padre Fabiano de Lucena. Quando lá chegava, um Índio ia pelas casas, avisando da sua chegada, para que todos fossem à Igreja ouvir sua palavra antes de irem ao trabalho. Esse padre Fabiano de Lucena mandou fazer naquela aldeia de que tinha cargo, uma outra casa, onde colocou um homem devoto que, com sua mulher, cuidava das moças Índias, ensinando-as a fiar e costurar. E essas moças se casavam com os rapazes doutrinados pelos padres. A aldeia já estava organizada nos moldes das Vilas Portuguesas: O Ouvidor era o Principal, indicado pelos padres, e havia também Alcaide e Porteiro”.

RIO ERA O CAMINHO NATURAL

Pelo texto observa-se que a aldeia entre 1560 a 1564 já era um povoado, “nos moldes das Vilas portuguesas”, tendo Ouvidor, que era o Juiz da Vila, o Alcaide (Oficial de Justiça e Delegado de Polícia) e o Porteiro, denominação do Cobrador de Direitos Reais, ou seja, o Cobrador de Impostos.

Ainda pelo texto de José Antônio de Carvalho, observa-se ainda que o caminho natural e normal de quem ia de Vitória para a aldeia de Nossa Senhora da Conceição era o rio Santa Maria, utilizando-se a Almadia, um tipo de embarcação de origem bastante primitiva, comprida e estreita, muito usada na época.

FABIANO REÚNE MIL ÍNDIOS

Fabiano de Lucena com o seu trabalho de organização do povoado da Serra, na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, consegue reunir cerca de mil pessoas entre índios e colonos portugueses.

Segundo o historiador Mário Aristides Freire, na obra “A Capitania do Espírito Santo”, na página 30, relata:

“Conseguira o padre Fabiano reunir cerca de mil índios em uma Aldeia onde se ergueu um templo a Nossa Senhora da Conceição”.

Em 1564 chega ao Espírito Santo o padre Manoel de Paiva.

Manoel de Paiva era entendido em carpintaria.

Veio substituir o padre Braz Lourenço, como Provincial, ou seja, superior dos Jesuítas no Espírito Santo.

Juntos vieram os padres Diogo Jácome e Pedro da Costa.

Diogo Jácome recebe a missão de substituir Fabiano de Lucena na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, incumbindo-se também de visitar as aldeias, próximas, inclusive a aldeia Velha (Santa Cruz).

A MORTE DE FABIANO

Em princípios de 1565, Fabiano parte para a Bahia e em junho pede a seu superior, padre Luiz Da Grã, licença para ir de volta a sua terra natal em Portugal, afirmando estar enfermo.

Por causa da falta de padres no Brasil, Luiz Da Grã não concede a autorização.

Fabiano acaba desrespeitando Ordens Superiores e embarca num navio para Portugal, saindo da Bahia a 20 de junho de 1565.

O navio, em viagem, enfrenta problemas com os franceses, todavia chega a Lisboa sem outras maiores dificuldades.

Segundo o historiador Serafim Leite, Fabiano não é bem recebido entre os Jesuítas em Lisboa, pois desobedecera a ordens Superiores. 

Doente, vive em solidão, até que falece aos 49 anos de idade, em Portugal, no ano de 1582, vítima de Tuberculose, doença que contraíra no Brasil.

Fabiano de Lucena se constitui num dos pilares básicos em que se estruturou o início da colonização da atual Cidade da Serra.

Foi um autêntico organizador do povoado, merecendo as mais justas e necessárias homenagens.

JÁCOME E GONÇALVES, MÁRTIRES DA SERRA

Diogo Jácome assume, o trabalho de catequese e evangelização na aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra, em 1564.

Trabalhando com Jácome está o Irmão Pedro Gonçalves.

Sobre Diogo Jácome sabe-se que nasceu em Portugal e que veio para o Brasil na primeira expedição de Jesuítas, com o padre Manoel da Nóbrega, em 1549. Ordenou-se padre na Bahia em 1562.

Diogo Jácome introduziu o serviço de obras manuais entre os companheiros da Companhia de Jesus e entre os habitantes da região da Serra. Era Pedreiro e Sapateiro, conforme o escritor Padre Luiz Gonzaga Cabral em “Jesuítas do Brasil”, livro publicado em 1925 pela Companhia Melhoramentos de São Paulo.      

DOENÇAS DAS BEXIGAS

Em princípios de 1564, surge na Capitania do Espírito Santo a doença “das bexigas” (Varíola), começando, segundo os historiadores, na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, “onde eram responsáveis Diogo Jácome e Pedro Gonçalves”.

O padre Pedro da Costa, em carta escrita na época, relata:

“Era tão geral a doença que em todas as casas havia enfermos que mais pareciam hospital. Havia dia em que se enterravam três a quatro mortos”.

Os historiadores informam que da Capitania do Espírito Santo “foram heróicos benfeitores os padres Diogo Jácome e Pedro Gonçalves por ocasião da epidemia de bexigas”.

VARÍOLA MATA PADRES, ÍNDIOS E COLONOS

Varíola é uma doença infecciosa, contagiosa e epidêmica, caracterizada por febre alta, com erupção de pústulas na pele (feridas). Vulgarmente a doença recebe o nome de “bexigas”.

Sobre a doença que atingiu a aldeia de Nossa Senhora de Conceição, da Serra, no final do ano de 1564, o escritor Simão de Vasconcellos relata o seguinte:

“O padre Diogo, metido entre eles, de dia e de noite, com o seu companheiro Pedro Gonçalves eram os sangradores, os cirurgiões, os médicos e justamente párocos e coveiros, e, em tudo sós, porque à presença de tão grande miséria, apenas achavam quem ajudassem a levar o defunto a sagrado, ou porque todos os enfermos, ou porque os que o não eram assim fugiam da corrupção (doença) e mau cheiro, como da morte”.

O contato muito próximo de Diogo Jácome e Pedro Gonçalves com os doentes levou-os a contraírem a doença, morrendo ambos prematuramente.

Mesmo sabedores de que a doença era contagiosa e mortal, Diogo Jácome e Pedro Gonçalves continuaram atendendo a todos.

São os Mártires da Catequese Evangelizadora, os autênticos Mártires da Serra.

DOENÇA OBRIGA MUDANÇA DE LOCAL

Assim que a epidemia de varíola passou, a aldeia foi localizada em outro local, pois, “o mau cheiro parecia que ainda estava nas mesmas casas”.

A Aldeia não saiu das proximidades do Mestre Álvaro. Houve apenas uma mudança de sítio.

A Aldeia que ficava na região próxima ao Rio Santa Maria, com a mudança de local passa para uma colina, do outro lado do morro do Mestre Álvaro, no lugar onde o início do século XXI, está a sede do Município da Serra.

A escolha do novo sítio foi feita pelos religiosos Diogo Jácome e Pedro Gonçalves e ocorreu no ano de 1564, antes do mês de setembro quando o Irmão Pedro Gonçalves veio a adoecer, acabando por falecer em novembro. A mudança para o outro lado do morro ocorre, pois os padres entendiam que deveriam ficar bem distantes do local onde ocorrera a epidemia de “bexigas” (varíola), já que se tratava de uma doença transmissível. O morro surgia como uma barreira natural deixando distante o local onde antes haviam morrido dezenas de pessoas.

Segundo levantamentos históricos, a escolha do novo sítio e mudança de local foi em Junho de 1564, ou seja, quase 8 anos após a fundação da Aldeia de Maracajaguaçu, nas proximidades do rio Santa Maria.

 MARACAJAGUAÇU VAI PARA CARAPINA

Com a mudança de local, os Índios ficam dispersos pela região. Cabe ao escritor e cronista, padre Jesuíta Pedro da Costa, em carta da época, dar notícias do trabalho que tiveram para juntar os índios e fazê-los voltar à ordem anterior.

O Principal Maracajaguaçu, já batizado com o nome de Vasco Coutinho, acaba deixando a aldeia da Conceição, passando para a aldeia de São João, em Carapina, já que o seu filho Araribóia tivera que se ausentar da aldeia, seguindo com vários Temiminós para o Rio de Janeiro, onde expulsariam definitivamente os franceses do Brasil.

Na aldeia de São João, Maracajaguaçu falecerá, quatro anos depois, em 1568, com 67 anos de idade.

Em novembro de 1564 morre o Irmão Pedro Gonçalves, companheiro do padre Diogo Jácome, o qual veio a falecer no dia 10 de abril de 1565.

ANCHIETA CHORA POR DIOGO JÁCOME

José de Anchieta, de viagem para a Bahia, visitou a casa colegial do Espírito Santo, onde chorou “com os irmãos de hábito” a morte do padre Diogo Jácome.

Sobre as mortes de Pedro Gonçalves e Diogo Jácome, o cronista Irmão Simão de Vasconcellos, em carta da época, relata:

“Em setembro, o Irmão Pedro Gonçalves adoeceu e foi levado para a Vila, mas, em princípios de novembro, faleceu. Diogo Jácome ficou sozinho. Não demorou muito e adoeceu também. Levado para a Vila (Vitória) e daí, embora o quisessem para que se tratasse, voltou a aldeia (da Conceição de Serra) para tentar construir a Igreja, pois até então estivera em uma casa de palha na qual dizia missa. A doença piorou e, levado de volta para a Vila, faleceu a 10 de abril”.

Diz Simão de Vasconcellos que:

“Diogo Jácome, consumido pelo trabalho de curar, preparar e dar terras aos mortos, entre tristezas e esperanças, clamando ao céu, deu a alma ao Criador”.

EM 1565: SERRA É PEQUENA VILA

Após a mudança de local e no período entre a morte do Irmão Pedro Gonçalves e a morte de Diogo Jácome o povoado da Serra, não sofre grandes alterações, até porque se resumia a pequeno agrupamento de casas.

Segundo os cronistas, em relatos de 1565, ou seja, 9 anos após a sua fundação, a Serra já é uma pequena Vila:

“No período entre a morte do Irmão Pedro Gonçalves e a morte de Diogo Jácome já existem a aldeia Indígena, localizada em novo sítio ainda nas proximidades do Mestre Álvaro, e a pequena Vila, ou seja, povoação de portugueses, mais afastada, porém próxima”.

DIOGO FERNANDES E PEDRO DA COSTA

Com a morte de Diogo Jácome, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, passou a ser visitada, às vezes, pelo padre Pedro da Costa, que era responsável pela aldeia de São João (Carapina), e, outras vezes, pelo Irmão Diogo Fernandes, que estava em Vitória com o padre Manoel de Paiva e o noviço João Lobato.

Oficialmente o novo visitador da aldeia de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, foi o padre Pedro da Costa, ingressando assim na história da Serra, como um dos primeiros que ajudaram na formação e consolidação inicial do povoado.

Padre Pedro da Costa, que em alguns livros mais antigos figura com o nome de “padre Pero da Costa”, era natural de Portela de Tamel, Diocese de Braga, Portugal. Segundo Serafim Leite, Pedro da Costa entrou na Companhia de Jesus quando já estava no Brasil, em 1556. Chegou ao Espírito Santo em 1564, junto com o padre Manoel de Paiva, que viera substituir Braz Lourenço, como superior dos Jesuítas.

IGREJA DE N. SRA. DA CONCEIÇÃO

O primeiro templo construído na Serra foi à capela de Nossa Senhora da Conceição em 1556 pelo padre Braz Lourenço, nas proximidades do rio Santa Maria e bem perto do Mestre Álvaro. A capela foi depois melhorada por Fabiano de Lucena.

Com a epidemia de varíola, a aldeia Indígena de Nossa Senhora da Conceição com a capela e o pequeno povoado que se formara, foram transferidas para uma colina do outro lado do Morro, na região onde em 2003 estava a sede do Município da Serra, no Estado do Espírito Santo.

A capela inicialmente era uma pequena construção coberta de palhas. No século XVIII, já no período colonial brasileiro, a Igreja é construída sem torres e num local com grande e amplo descampado, área de lazer para festas e celebrações, denominado o “campinho da Igreja”.

No Brasil os povoados eram denominados de freguesia a partir do momento em que a Igreja Católica identificasse na região um número expressivo de paroquianos e a Igreja estivesse construída.

Com base em documentos históricos pode-se afirmar que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição existente nos dias atuais (2003) no Município da Serra é originária de uma pequena capela construída em 1564, inaugurada no dia 8 de Dezembro. Após a inauguração da capela é iniciada a construção de uma Igreja de Alvenaria, terminando-se as obras em 1769, quando foi instalada a Freguesia da Serra.

A Serra tinha sido elevada à condição de Freguesia desde 1724, mas não houve a instalação, pois a igreja não estava concluída. Em 24 de maio de 1752, nova Carta Régia é elaborada elevando a Serra à categoria de Distrito e Paróquia, sendo a Freguesia instalada em 1769, desmembrando-se da Freguesia de Vitória.

RELAÇÃO DOS PIONEIROS HERÓIS DA SERRA

São heróis pioneiros e fundadores da Serra:

1 – Padre jesuíta Braz Lourenço, o Herói. Foi com Maracajaguaçu o fundador da Serra, já que escolheu nas proximidades do Mestre Álvaro o local para a construção da Aldeia Indígena.

2 – Índio Maracajaguaçu, Vasco Fernandes Coutinho, Gato Grande, o Bravo. Fundou com Braz Lourenço a Serra, já que de sua Aldeia Indígena surgiu perto o povoado de Conceição da Serra.

3 – Padre jesuíta Fabiano de Lucena, o Organizador. Procurou de imediato dar assistência religiosa aos índios da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição e passou a organizar o povoado, já que vendo como os índios eram bem tratados pelo Donatário da Capitania, Tupiniquins e os primeiros colonos mudaram-se para a Serra.

4 – Padre Jesuíta Diogo Jácome, o Mártir. Deu sua vida cuidando dos doentes, mesmo sabendo ser a doença contagiosa.

5 – Irmão religioso Pedro Gonçalves, o Mártir. Junto com Diogo Jácome passou a atender os doentes, mesmo sabendo ser a doença que podia passar de uma pessoa para outra pelo contato físico.

6 – Padre e escritor jesuíta Pedro da Costa, o Cronista. Relatou fatos da história da colonização da Serra. Também trabalhou na Serra como evangelizador, sendo o quarto padre visitador do povoado. (Os outros três foram: Braz Lourenço; Fabiano de Lucena; Diogo Jácome. Pedro Gonçalves não era padre e sim irmão religioso). Após a mudança de sítio, por causa da Varíola, teve o trabalho de juntar os índios e os colonos que haviam se espalhado pela região com medo da doença, colocando-os numa região próximo a colina onde havia sido construída uma nova capela de Nossa Senhora da Conceição.

EXPULSÃO DOS JESUÍTAS

A influência dos Jesuítas no povoamento das regiões do Espírito Santo foram extintas com a expulsão dos padres do Brasil, decretada oficialmente pela influência do Marquês de Pombal, (Sebastião José de Carvalho e Melo) pela Lei de 3 de setembro de 1759.

Em 22 de janeiro de 1760, segundo Serafim Leite um total de 17 padres, que atuavam no Espírito Santo tiveram que sair, embarcando no Navio Libúrnia, que foi para o Rio de Janeiro e de lá para o exílio.

Os Jesuítas foram expulsos de Portugal e Colônias. Todos os seus bens foram confiscados. Um dos padres expulsos do Espírito Santo em 1760 foi o padre escritor Manuel da Fonseca.

A Igreja de São Tiago e a residência dos Jesuítas de Vitória é confiscada e transformada em sede administrativa e em 2003 funciona no local a sede do Governo do Estado do Espírito Santo, o Palácio Anchieta.

NOTAS SOBRE EQUÍVOCOS

O Jornal “A Gazeta”, de 25 de Abril de 1994, publica um Caderno Especial de Municípios do Espírito Santo, com reportagens sobre a Serra.

O Título da página 8 é uma homenagem a data de inauguração da capela feita por Braz Lourenço na Aldeia do Cacique Maracajaguaçu a oito de dezembro de 1556. Após o título “Oito de dezembro de 1556”, segue-se o seguinte:

“Foi elevada a cidade no dia do aniversário de D. Pedro II, 2 de dezembro de 1875. Os Jesuítas e os Portugueses tiveram forte influência no desbravamento e na colonização da Serra. O trabalho de catequese era desenvolvido pelo padre Lourenço Brás, (sic), que acabou fundando a povoação de Nossa Senhora da Conceição da Serra, em 8 de dezembro de 1556. O Cacique Maracaiaguaçu foi outro que deu importante contribuição à criação do povoado. Foi Brás quem fundou também a primeira Igreja, a de Nossa Senhora da Conceição, nas proximidades do Mestre Álvaro. Já os Portugueses foram construindo os seus engenhos, aproveitando a mão de obra dos escravos”.

O texto possui alguns equívocos:

a) A Serra foi elevada a Cidade pela Lei nº 6, de 6 de Novembro de 1875. A Lei é assinada pelo então Presidente da Província do Espírito Santo, Domingos Monteiro Peixoto.

b) O nome do Fundador da Serra é Braz Lourenço e não Lourenço Brás. Na Vila Rubim, em Vitória, existe uma rua Braz Lourenço, em homenagem ao Fundador da Serra.

c) O nome correto é Maracajaguaçu.

d) A povoação não foi fundada a 8 de dezembro de 1556. O que foi fundado inicialmente foi a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra. O povoado foi surgindo nas proximidades da Aldeia, com o tempo. E a plantação de cana de açúcar e os engenhos foram surgindo logo em seguida.

 EXPLIQUE:

Por que os franceses queriam invadir Vitória e qual a participação do Fundador da Serra, Braz Lourenço no episódio.

COMENTE:

A influência da doença da Varíola de 1564, na história da Serra.

REFLEXÃO:

A influência dos jesuítas no povoamento das regiões do Espírito Santo foram extintas com a expulsão dos padres do Brasil, decretada oficialmente pela influência do Marquês de Pombal, (Sebastião José de Carvalho e Melo) pela Lei de 3 de setembro de 1759.

Pesquise quem foi Marquês de Pombal. Qual o motivo da expulsão dos jesuítas?

Havia algum interesse na falta de formação educacional e religiosa do povo brasileiro?

PESQUISE:

Onde nasceram os fundadores da Serra: Padre Braz Lourenço e o Índio Maracajaguaçu.

RESPONDA:

Quem foi Fabiano de Lucena?

Qual a origem da confusão sobre o nome do fundador da Serra, já que uns afirmam que o nome é Lourenço Braz e outros Braz Lourenço?

Livro de Clério José Borges lançado em 2021. História da Serra.
Livro de Clério José Borges lançado em 2021.
Livro de Clério José Borges lançado em 2021. História da Serra.
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Fazenda dos Jesuítas de Carapina.
Fazenda dos Jesuítas de Carapina.

1 thought on “LIVRO “HISTÓRIA DA SERRA” DE CLÉRIO JOSÉ BORGES – EDIÇÃO DE 2003 – LEI CHICO PREGO – SERRA – ES – BRASIL.

  1. A Cristal é linda e muiito talentosa!!!
    O conteúdo maravilhoso! A história do nosso município é emocionante e precisa ser contada e recontada, a Serra é linda!!!
    Obrigado ao nosso mais dedicado historiador Clério Borges, por nos motivar e cultivar essa paixão pela cultura do ES

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