Trova e Trovadores

O QUE É TROVA? A TROVA COMO OBRA DE ARTE, LITERATURA

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Trovas e o Congresso de Poetas Trovadores
Congresso de Poetas Trovadores

Historicamente a trova se referia a qualquer poesia ou canto. Seu nascimento está estreitamente associado à poética da Era Medieval, quando trova era o mesmo que a poesia e a letra de uma canção. Seu cultivo traduzia perfeitamente o contexto dessa época.

Ela floresceu no tempo das Cruzadas, do combate aos mouros, do sistema feudal, do prestígio místico do clero. O correspondente literário prosperou na região sul da França e em Portugal, uma corrente poética conhecida com

DEFINIÇÃO DA TROVA

A Trova é uma composição poética, ou seja, uma poesia que deve obedecer as seguintes características:

1- Ser uma quadra. Ter quatro versos. Em poesia cada linha é denominada verso.

2- Cada verso deve ter sete sílabas poéticas. Cada verso deve ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som.

3- Ter sentido completo e independente. O autor da Trova deve colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A Trova difere dos versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o autor conta uma história que no final soma mais de cem versos ou seja, linhas. A Trova possui apenas 4 versos, ou seja, 4 linhas.

4- Ter rima. A rima poderá ser do primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda, somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem Trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB.

Segundo o escritor Jorge Amado:

“Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais”

Todo Trovador é poeta mas nem todo poeta é trovador. Nem todos poetas sabem metrificar, fazer o verso medido.

Poeta para ser Poeta precisa saber metrificação, saber contar o verso. Se não souber o que é escansão , ou seja, medir o verso, não é Poeta.

Eis alguns exemplos de Trovas:

Nesta casa tão singela

Onde mora um Trovador

É a mulher que manda nela

Porém nos dois manda o amor.

Clério José Borges

Ficou pronta a criação

Sem um defeito sequer,

E atingiu a perfeição

Quando Deus fez a mulher.

Eva Reis

Um pouco sobre a métrica

Métrica é a arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos. A métrica é obtida pela contagem das sílabas e o ritmo pelas cesuras. Você sabe metrificar e ritmar ?

Uma regra

A última sílaba que se conta é a tônica da última palavra. Ex.- 7 Sílabas:

Eu vi mi-nha mãe re-zan-do
Aos pés da Vir-gem Ma-ri-a
E-ra u-ma San-ta es-cu-tan-do
O que ou-tra San-ta di-zi-a

Outra regra

Quando uma palavra termina por vogal átona e a seguinte começa por vogal ou ditongo, conta-se uma sílaba só. Diz-se que há embebimento de uma sílaba na outra. Ex.:

Ou vin do a fa la ao ven to. São 6 sílabas.

Mais uma regra

Para atender à métrica, hiatos podem transformar-se em ditongos (Sinérese)e ditongos transformar-se em hiatos (Diérese) Ex

Su-a-ve por Sua-ve (3 viram 2)
Sau-da-de por Sa-u-da-de (3 viram 4)

Cesuras

Não esqueça que o que dá ritmo à poesia são as cesuras. São as sílabas tônicas que devem existir obrigatoriamente no interior dos versos, quando tenham mais de sete sílabas.

Nos decassílabos Sáficos – 4ª – 8ª – 10ª – Ex.:
Ia Bar-sa-nul-fo pe-lo ver-de pra-do
Nos decassílabos Heróicos – 6ª – 10ª Ex
Tra-ba-lho nas no-ve-las nun-ca ve-jo

E.T. O verso Alexandrino legítimo tem cesuras na 6ª e 12ª. Se tiver na 4ª, 8ª e 12ª. será um Dodecassílabo Quaternário. Não necessariamente um Alexandrino.
Trovas
A trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas poéticas, que tem de ter rima no mínimo da 2ª com a 4ª linhas (versos). Preferível será rimar também a 1ª com a 3ª.

Encontra-se em trovas mais antigas rimas da 1ª com a 4ª e da 2ª com a 3ª. Há também 1ª com 2ª e 3ª com 4ª, além de outras. embora o tipo enunciado no primeiro parágrafo seja o mais usado atualmente.

A trova, para ser bem feita, tem de ter um ACHADO. Achado é algo diferente e que faça valer a pena ler a trova. Adelmar Tavares diz

“Nem sempre com quatro versos
setissílabos, a gente
consegue fazer a trova;
faz quatro versos, somente”

No livro “Como Fazer Trovas e Versos”, de Eno Teodoro Wanke, ele faz interessante observação a esse respeito.

Mostra a trova de um autor e a correção por outro trovador, dando-lhe mais qualidade.

Acompanhemos o exemplo:

Trova de João Cândido, publicada no ano de 1894:

O filho do carpinteiro
foi um artista profundo
o que fez esse luzeiro ?
Fez um conserto no mundo.

Raul Pederneiras (1874-1973), lá pelos idos de 1916, depois de tomar bons goles de vinho, saiu-se com esta:

O filho do carpinteiro
foi um artista profundo:
com três cravos e um madeiro
fez a redenção do mundo !

Com apenas 28 sílabas temos a história do Cristianismo, mostrando o que ele significa. Outro exemplo:

Tua boca todos sabem
é tão pequena e singela
que eu não sei como é que cabem
tantos beijos dentro dela.

Na revisão, foi mudada.

Tua boca é tão pequena
tão pequena e tão singela
que não sei como é que cabem
tantos beijos dentro dela.

Rimou apenas a 2ª com a 4ª, mas ficou mais bonita e expressiva.

Nota – Comece a trova sempre com letra maiúscula. A partir do segundo verso use letra minúscula, a menos que a pontuação indique o início de nova frase. Nesse caso, use a maiúscula novamente.

Aprenda a trovar fazendo poesia de qualidade

Trovismo: Movimento cultural em torno da Trova no Brasil, surgido a partir de 1950. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno Teodoro Wanke publica em 1978 o livro “O Trovismo”, onde conta a história do movimento de 1950 em diante.

Neotrovismo: É a renovação do movimento em torno da Trova no Brasil. Surge em 1980, com a criação por Clério José Borges do Clube dos Trovadores Capixabas. Foram realizados 20 Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo e o Presidente Clério Borges já foi convidado e proferiu palestras no Brasil e no Uruguai. Em 1987 concedeu inclusive entrevista em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro.

O Trovador Literário é aquele que sabe fazer a Trova, imprimindo espontaneidade, graça, beleza e sabedoria, tal qual a cultivaram poetas brasileiros de renome, como Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor,

finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente.

Olavo Bilac:

Mulher de recursos fartos!

Como é que está impenitente,

tendo no corpo dois quartos,

dá pousada a tanta gente?

Menotti Del Picchia:

Saudade, perfume triste

de uma flor que não se vê.

Culto que ainda persiste

num crente que já não crê.

Mário de Andrade:

Teu sorriso é um jardineiro,

meu coração é um jardim.

Saudade! Imenso canteiro

que eu trago dentro de mim.

Cecília Meireles:

Os remos batem nas águas:

têm de ferir para andar.

As águas vão consentindo

esse é o destino do mar.

Carlos Drummond de Andrade:

Solidão, não te mereço,

pois que te consumo em vão.

Sabendo-te, embora, o preço,

calco teu ouro no chão.

Bibliografia:

  1. BORGES, Clério José – O Trovismo Capixaba – Editora Codpoe – Rio de Janeiro, 1990. 80 páginas. Ilustrado.
  2. Literatura Brasileira – Willian Roberto Cereja e Thereza Analia Cochar Magalhães – Editora Atual. São Paulo – 1995.
  3. Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa – José de Nicola e Ulisses Infante – Editora Scipione. São Paulo – 1995.
  4. Textos e matéria dada em sala de aula para 1° e 2° ano do 2° grau nos anos de 1996 e 1997 pelo professor Ádino, no Colégio WR.
  5. Coleção Objetivo – Literatura I e II (Livros 26 e 27) – Prof. Fernando Teixeira de Andrade – Editora Cered. São Paulo.
  6. Ana Cristina Silva Gonçalves – Texto na Internet.
  7. A TROVA – Eno Theodoro Wanke – Editora Pongetti, 1973 – Rio de Janeiro – 247 páginas.
Trovadores
Trovadores

No DICIONÁRIO INFORMAL, TROVA é o ato de falar e tentar convencer a outra pessoa da sua idéia. Falar abobrinhas e fazer com que a pessoa acredite. Pode-se também dizer que seria como um xaveco. Trovador, pessoas que te convencem a algo somente com a fala….

Poetas Trovadores divulgam a TROVA.

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