Maracajaguaçu e a Aldeia Indígena dos Temiminós. Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra que dá origem a atual Cidade da Serra na Grande Vitória, ES. Serra ES

SERRA – ES. Colonização da Cidade da Serra

Colonização Creation História da Serra

SERRA – ESPÍRITO SANTO – BRASIL. Texto do Livro “HISTÓRIA DA SERRA”, de Clério José Borges. Permitida a reprodução do conteúdo. Agradecemos a citação da fonte

O Município da Serra, Estado do Espírito Santo, Brasil cresce de maneira notável em razão de suas potencialidades nos diversos setores econômicos. Possui uma localização estratégica, ficando num raio de apenas mil quilômetros dos principais centros comerciais e industriais do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador, além de ficar no centro econômico e administrativo do Espírito Santo. Estando na Região Metropolitana da Grande Vitória a Serra se constitui no município que consegue destaque no cenário industrial do Estado, consolidando seu desenvolvimento econômico para propiciar a melhoria da qualidade de vida de sua população.

A entrevistadora Mirim, Acadêmica Titular Infanto Juvenil da ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, Christal Fraga Borges entrevista o Poeta Trovador, Historiador e Escritor Clério José Borges de Sant Anna sobre a História da Cidade da Serra, na Grande Vitória no Estado do Espírito santo. A chegada dos Índios Temiminós de Maracajaguaçu, pai de Araribóia. Rio Santa Maria da Vitória. Povoação da Serra. Doença da Varíola.

O Espírito Santo localiza-se na região Sudeste, ocupando uma área de 45.597km², equivalente a 0,53% do território nacional. Tem como capital a cidade de Vitória, uma ilha de 89 km², limitando-se com os Estados da Bahia (ao norte), Minas Gerais (a oeste) e Rio de Janeiro (ao sul), além de ser banhado pelo oceano Atlântico (a leste). Sua extensão territorial é de 46.098,571 quilômetros quadrados, divididos em 78 municípios, um dos quais é o Município da Serra, limítrofe à capital, situado ao norte de Vitória. A sede do Município, porém, está numa região mais afastada, nas proximidades do Monte Mestre Álvaro (grande maciço de origem vulcânica que marca a geografia do Município). Apresenta clima predominantemente tropical, quente e úmido no litoral e temperado na zona serrana. Seu relevo é caracterizado como montanhoso, com altitudes que variam, do nível do mar até 2.000 metros. Possui diversificada malha rodoviária, complementando-se com a mais importante ferrovia nacional, a Estrada de Ferro Vitória-Minas e com o maior porto exportador de minério de ferro do Mundo, o Porto de Tubarão.

Com belas praias e um rico folclore e estando na Região Metropolitana da Grande Vitória, fazendo limite com a capital do Estado, a Serra é o segundo maior Município em extensão territorial, com 553km254m, perdendo apenas para Guarapari, que também pertence à Região Metropolitana da Grande Vitória e que possui 592km231m. A sede administrativa do Município, chamada de Serra Centro ou Serra Sede está localizada 27 km ao Norte de Vitória e fica próximo da Montanha do Mestre Álvaro (grande maciço de 833 metros de altitude e de origem vulcânica que marca significativamente a geografia do Município). A distância de 27 km entre Vitória e a Serra Sede foi medida do Marco Zero da Serra, (entre a Igreja Nossa Senhora da Conceição e a Praça Pedro Feu Rosa) até o Marco Zero de Vitória, localizado na porta de entrada da Catedral, na Cidade Alta.

O Município é cortado de Norte a Sul pela Rodovia Federal “Governador Mário Covas”, conhecida como Rodovia BR-101 Norte, que liga o Sul ao Nordeste Brasileiro, permitindo um fácil acesso as cidades de Rio de Janeiro e Salvador. Nos últimos quarenta anos, a Serra conheceu transformação radical, deixando de ser tipicamente rural, cidade provinciana e tradicionalista, passando a ser o principal pólo industrial do Espírito Santo e a segunda economia do Estado, sendo superado apenas por Vitória. Na Serra está instalado o CIVIT – Centro Industrial da Grande Vitória, a Arcelor Mittal Tubarão (antiga CST – Companhia Siderúrgica de Tubarão) e parte da CVRD – Companhia Vale do Rio Doce que exporta minério de ferro para o Exterior.

Economia e Desenvolvimento – Em sua história o Município teve duas fases distintas de sua economia: a inicial rural, fase em que produzia cana-de-açúcar, café, mandioca e, em menor escala cereais, e ainda, extração de madeiras de lei. Havia um início de agroindústria, um tanto quanto rudimentar, com engenhos de produção de açúcar e aguardente, assim como, produção de farinha e máquinas de beneficiamento de arroz e produção de fubá de milho. Por volta de 1950 iniciou-se uma grande produção de abacaxi. Os frutos eram vendidos para outros estados do país e, também, exportados para outros países, principalmente, Argentina.

No século XIX, a Serra muito se desenvolveu, por ser um entreposto de comércio para a região norte da Província e, ainda, pela sua produção de açúcar e café. No início do século XX, foi iniciado um processo de decadência. São José de Queimado, hoje Distrito da Serra, situado à margem do Rio Santa Maria da Vitória, possuía um porto chamado Porto do Una, onde era embarcada, em canoas que comportavam mais de cem sacas de café, a produção da região da Serra e onde eram desembarcados os produtos importados que atendessem às necessidades locais. O rio servia como via para o transporte em geral, inclusive para a integração de Vitória com a Serra, Santa Leopoldina e com o Norte do Espírito Santo. Com o advento da Estrada de Ferro Vitória a Minas e, mais tarde, a crise econômica mundial de 1929, que afetou o comércio de café e, conseqüentemente a economia da Serra, a vila de São José do Queimado desapareceu, praticamente não restando mais casas no local, a não serem algumas poucas residências de agricultores locais. Na vila, passou a existir apenas a ruína da Igreja de São José, pois o comércio passou a acontecer diretamente com Vitória e, por conseqüência, a Vila de Queimado sumiu e a Serra minguou.

No início dos anos de 1950 foi iniciada a construção da Rodovia Federal BR 101, o que promoveu, embora, no início, timidamente, o progresso da Serra. A rodovia BR-101, também denominada translitorânea, é uma rodovia federal longitudinal do Brasil. Seu ponto inicial está localizado na cidade de Touros (Rio Grande do Norte), e o final na cidade de São José do Norte (Rio Grande do Sul). Atravessa doze estados brasileiros: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em toda sua extensão é denominada oficialmente Rodovia Governador Mário Covas, conforme Lei federal N.º 10.292, de 27 de Setembro de 2001.

O Município voltou a experimentar novo desenvolvimento, de uma forma acentuada, a partir da década de 60 (século XX). Na sua primeira fase, rural, a população era quase constante. Houve uma redução após o ano de 1872. Neste ano possuía 11.032 habitantes, fato ocasionado, dentre outros, pela abertura da Ferrovia EFVM – Estrada de Ferro Vitória a Minas, quando da inauguração do primeiro trecho: Porto Velho – Cariacica (km 17,26) – Alfredo Maia (km 28.873), que se deu em 13 de maio de 1904, o que levou os moradores da região a comerciarem diretamente com Vitória. A redução da população da Serra, também se deu pelo êxodo rural, um fenômeno acontecido em todo o Brasil.

Siderurgia e Indústrias – Em 1960, é dado início à segunda fase, a fase industrial. A Serra possuía uma população de 9.192 habitantes, a partir desta data, começam os investimentos na região e, muda a configuração urbana do Município. O Distrito de Carapina passa por um processo de grande desenvolvimento. Em 1963 é iniciado o Porto de Tubarão e, em 1969 é iniciado o CIVIT I, o que levou a população do Município da Serra, em 1970 para 17.286 habitantes. Na década de 70, outro investimento de grande porte é iniciado em solo serrano. Em 1976 inicia-se a construção da Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST, hoje Arcelor Mittal Tubarão, que alavancou novo crescimento populacional, pois em 1980, o município já possuía uma população de 82.450 habitantes.

Comércio – O comércio varejista do Município tem maior destaque no bairro Parque Residencial Laranjeiras, de modo especial na Avenida Central, como pontos de destaque no comércio. Em Laranjeiras estão situados nove bancos, diversas lojas nos mais variados ramos (Construção, Confecção, como é o caso da Loja BISS, do empresário Clérigthom Thomes Borges, Móveis e Eletrodomésticos, como é o caso da Ricardo Eletro e Casas Bahia, Supermercados, Lanchonetes, Papelarias, como a Doce Saber do empresário Luiz Carlos Maioli, Escolas, etc). Em 2002, foi inaugurado um pequeno Shopping Center que visava a atender a comunidade local. O Shopping Laranjeiras conta com quatro salas de cinema, lojas variadas e praça de alimentação.

Shopping Mestre Álvaro – No dia 6 de Dezembro de 2011 foi inaugurado o Shopping Mestre Álvaro, que se localiza no bairro Eurico Salles, próximo ao Aeroporto de Vitória (Aeroporto Eurico de Aguiar Salles). O Mestre Álvaro é o segundo maior Shopping do Espírito Santo, perdendo apenas para o Shopping Vitória. Com isso, o bairro de Eurico Salles ganha uma grande notoriedade graças aos largos investimentos que estão sendo feitos a seu redor, incluindo condomínios de alto padrão residencial, e de luxo. O bairro, dentro dessas circunstâncias pode ser classificado como um bairro nobre da cidade de Serra. Recentemente, diversos empreendimentos imobiliários instalaram-se na região, principalmente na construção de condomínios residenciais fechados de casas, prédios residenciais e shoppings, contribuindo assim para a especulação imobiliária regional. Em 2006, foi especulado que residências situadas na Avenida Central (Laranjeiras) receberam ofertas de compras na faixa de Um Milhão de Reais, de grandes instituições, comércios e bancos. O bairro Parque Residencial Laranjeiras teve o maior índice de valorização imobiliária do Espírito Santo em 2007.

ORIGEM HISTÓRICA DA COLONIZAÇÃO DA SERRA

Aldeia Indígena de Nossa Senhora da Conceição da Serra dos Índios Temiminós de Maracajaguaçu, pai de Araribóia e de Manemoaçu. A Aldeia dá origem a atual Cidade da Serra na Grande Vitória no Espírito Santo, Brasil.
Aldeia Indígena de Nossa Senhora da Conceição da Serra dos Índios Temiminós de Maracajaguaçu, pai de Araribóia e de Manemoaçu. A Aldeia dá origem a atual Cidade da Serra na Grande Vitória no Espírito Santo, Brasil.

ORIGEM DA SERRA – A Serra teve início com a fundação de uma Aldeia dos Índios Temiminós, próxima a uma Cadeia de Montanhas, uma Serra, denominada Morro da Serra, ou Morro Mestre Álvaro, com 833 metros de altitude. A Aldeia Indígena foi construída inicialmente no Sopé da Montanha, numa região de Várzea, onde foi feita uma pequena capela coberta com folhas secas (palhas). Sopé é a parte inferior ou base de rocha, encosta ou montanha. Várzea é uma planície, terreno plano em vale extenso e cultivado. A fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição onde, em 1556, foi feita sob a orientação do padre Jesuíta Braz Lourenço e ali foram alojados os índios da Tribo dos Temiminós, de Maracajaguaçu, vindos da baía de Guanabara, Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Dia 08 de Dezembro de 1556. Os padres Jesuítas eram devotos e divulgadores da Imaculada Conceição de Maria. Assim sabe-se com exatidão que a data de fundação da Serra foi mesmo no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus. A data foi escolhida pelo padre Jesuíta Braz Lourenço para celebrar a primeira Missa na Aldeia Indígena dos Temiminós de Gato Grande. Na INTERNET é encontrada a seguinte versão: A colonização das terras, onde se desenvolveu o município teve início em meados do século XVI, quando o padre Braz Lourenço, em missão de catequese, penetrou na região, povoada pelos índios Goytacazes. (Esta versão não é verdadeira. Os Índios Goytacazes não habitavam a região. Braz Lourenço foi encarregado pelo Donatário Vasco Coutinho de instalar, os Índios Temiminós, que haviam chegado do Rio de Janeiro). No Site da Prefeitura da Serra, mostrando incompetência e falta de interesse em realizar pesquisa em fonte primária é divulgada a seguinte versão errada: “Quanto ao dia e mês da chegada do padre Brás Lourenço na Serra, não se sabe com exatidão. Porém, como era costume dar nomes a lugares ou acidentes geográficos com o nome do santo do dia, supõe-se que tal data tenha se dado em 08 de dezembro de 1556, dia consagrado à Santa Nossa Senhora da Conceição”.

O texto errado é baseado em um Livro do Memorialista Naly da Encarnação Miranda que, sem procurar pesquisar em documentos históricos, cita como fundador da Serra, um padre chamado Lourenço Braz, chegando a afirmar que existiam dois Padres Jesuítas, um Lourenço Braz e outro Braz (ou Brás) Lourenço. UM absurdo. A verdade é que se sabe SIM com exatidão o dia e chegada de Braz Lourenço no Espírito Santo, que ocorreu na oitava do Natal de 1553. Veio substituir o primeiro Provincial do Espírito Santo Afonso Braz, que inclusive iniciou a construção da Igreja de São Tiago, atual Palácio Anchieta, em Vitória. Os padres jesuítas eram devotos e divulgadores da Imaculada Conceição de Maria.

Assim sabe-se com exatidão, através de fonte primária (Serafim Leite), que a data foi mesmo 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus. Braz Lourenço não permaneceu e nem residiu na Serra. Era o Provincial da Capitania do Espírito Santo e residia em Vitória na Igreja São Tiago, atual Palácio Anchieta, tendo sido Provincial (Superior) de 1553 a 1564, conforme a mesma fonte primária, o Livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, do padre Escritor Serafim Leite, que inclusive destaca: “As Aldeias da Capitania do Espírito Santo foram em sua maioria fundadas e organizadas pelo padre Braz Lourenço”.

Em carta escrita pelo padre Luis da Grã, em 24 de abril de 1555, consta: “… porque, depois que eu tornei a arribar a esta Capitania, chegou aqui um Principal que chamam Maracajaguaçu, que quer dizer Gato Grande, que é mui conhecido dos Cristãos e mui temido entre os Gentios, e o mais aparentado entre eles. Este vivia no Rio de Janeiro e há muitos anos que tem guerra com os Tamoios, e tendo dantes muitas Vitorias, por derradeiro vieram alguns apertos com cercas que puseram sobre a sua Aldeia e dos seus, que foi constrangido a mandar um filho seu a esta Capitania a pedir que lhe mandassem embarcação para se servir pelo aperto grande em que estava, porque ele e sua mulher e seus filhos e os mais dos seus se queriam fazer Cristãos. Fica agora o padre Braz Lourenço com uma nova ocupação (…) com eles, e espero no Senhor Deus que se farão Cristãos e que daí ajuntaremos alguns mínimos e que serão mais fiéis do que eles costumam ser.” – LEITE, Serafim. Cartas dos primeiros Jesuítas do Brasil. Tomo II, São Paulo, 1954. P. 226.

A colonização do Espírito Santo se iniciou no dia 23 de maio de 1535, com o Donatário Vasco Fernandes Coutinho e mais 60 companheiros. Logo o território da Serra foi explorado pelos primeiros colonos, que estavam em busca do ouro. “Pelos fins de junho de 1535, alguns povoadores dos mais destemidos, por terra, foram abrindo picadas, sertão adentro, em direção ao Mestre Álvaro, em busca de ouro e pedras preciosas, chegando até aos arredores do lugar onde está hoje a cidade da Serra.” Trecho do discurso do Padre Ponciano Stenzel dos Santos no dia 23 de maio de 1935, nos festejos comemorativos dos 400 anos da colonização do Espírito Santo.

Antes da colonização, a Serra era habitada pelos Índios Tupiniquins que viviam no litoral. Posteriormente vieram do Rio de Janeiro os Índios Temiminós, ocasião em que o padre jesuíta, Braz Lourenço (o nome correto é Braz Lourenço e não Lourenço Braz) e o Chefe Indígena, Maracajaguaçu (Gato Grande), em 1556 fundam nas proximidades do Mestre Álvaro, a Aldeia de Nossa Senhora da Conceição, estabelecendo as bases de colonização de uma região que posteriormente seria a cidade da Serra.

Os índios Temiminós haviam mudado para a Capitania do Espírito Santo, saídos da Ilha de Paranapuã, (seio do mar), também chamada de Ilha do Gato, na baía de Guanabara, atual Ilha do Governador, no Estado do Rio de Janeiro. Os Índios vieram em quatro embarcações cedidas pelo Donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho. Seus líderes eram Maracajaguaçu e seu filho Araribóia. No Espírito Santo os dois líderes indígenas são altamente prestigiados pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho – que iniciou a colonização do Espírito Santo em 23 de maio de 1535. Maracajaguaçu e Araribóia participavam sempre dos principais eventos e solenidades da Capitania. O outro fundador, padre jesuíta Braz Lourenço, havia chegado de Portugal em 1553, junto com o Jesuíta, José de Anchieta, que era apenas um Aprendiz, (aluno) e não tinha ainda sido ordenado Padre. Anchieta ordenou-se padre em 1565.

Heróis desbravadores – A origem desta terra está estruturada no trabalho e suor de heróis desbravadores que no seu anonimato fixaram as bases de uma grande cidade. Os Índios e Portugueses aliados depois aos Negros moldaram os alicerces de um povo que ao longo da história mostrou-se aguerrido e trabalhador. A origem da Serra acontece no momento em que os Índios Temiminós, do Rio de Janeiro sob a orientação do padre Jesuíta, Braz Lourenço fixam-se nas proximidades da montanha do Mestre Álvaro e do rio Santa Maria da Vitória. É então fundada a Aldeia Indígena de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, cuja capela foi inaugurada a 8 de dezembro de 1556, com missa, rezada por Braz Lourenço e a presença do bravo Maracajaguaçu, Gato Grande, que viera com sua tribo, em migração, do Rio de Janeiro.

A Aldeia que deu origem ao município da Serra situava-se pelo outro lado do Morro do Mestre Álvaro, entre a Montanha e o rio Santa Maria da Vitória. Posteriormente foi transferida para o local atual, numa colina, devido a uma Epidemia de Varíola, altamente contagiosa, que atacou a região em princípios de 1564. Paralelamente à fundação da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra, surgiam também outras aldeias que mais tarde se tornariam distritos do Município: Carapina, Nova Almeida, Calogi e Queimado.

Mudança de local – Inicialmente a Aldeia Indígena de Nossa Senhora da Imaculada Conceição situava-se entre o Morro e o rio Santa Maria da Vitória, numa várzea localizada no sopé da Montanha. A Aldeia se desenvolve com a construção de um Povoado nas proximidades, organizado em 1562, pelo padre Fabiano de Lucena. Em 1564, uma epidemia de Varíola muda a Aldeia Indígena e o povoado para o outro lado do Morro da Serra, numa colina. No imaginário do povo, a Montanha serviria de barreira para evitar a propagação da referida doença. A doença das bexigas (varíola) havia atingido toda a Capitania do Espírito Santo começando, segundo os historiadores na aldeia de Nossa Senhora da Conceição, onde eram responsáveis Diogo Jácome e Pedro Gonçalves. “Era tão geral a doença que em todas as casas havia enfermos. Tais casas mais pareciam hospitais. Havia dias em que se enterravam três a quatro mortos.” – Carta do padre Pedro da Costa de 1564.

A mudança de sítio (local) ocorre em Junho de 1564, oito anos após a fundação da Aldeia de Maracajaguaçu, nas proximidades do rio Santa Maria da Vitória. O novo local foi previamente escolhido pelos padres Diogo Jácome e Pedro Gonçalves com acompanhamento dos Índios e Portugueses que imaginavam que a Montanha pudesse impedir a propagação da doença, o que realmente aconteceu já que não existem registros de que a doença tenha continuado naquela época do outro lado da Montanha. É escolhida uma colina, o mesmo local onde hoje está situada a sede do Município da Serra.

Heróicos enfermeiros – Os padres adotaram a mesma postura de outros Jesuítas ao fundarem os núcleos de catequese e povoados, escolhendo uma região alta, uma colina, onde constroem uma capela em local central, amplo e descampado. Próximo foi construída a Aldeia Indígena de Maracajaguaçu e ao redor da Igreja forma-se o povoado. Pedro Gonçalves e Diogo Jácome que se empenharam no atendimento aos doentes acabaram contraindo a doença e faleceram. Pedro em novembro de 1564 e Diogo no dia 10 Abril de 1565, conforme informações em Carta da época do padre cronista Simão de Vasconcellos. Diogo Jácome e Pedro Gonçalves são considerados os primeiros mártires da Serra. Deram a vida pelos irmãos, cuidando dos doentes sem nenhum medo da doença altamente contagiosa.

Com o tempo, nas proximidades da Aldeia Indígena vai se formando um Povoado, com a participação dos colonizadores portugueses que vão estabelecendo suas residências e seus engenhos. Anos depois chegam os Negros Escravos para o trabalho braçal. Da miscigenação de Portugueses, Índios e Negros surge o POVO SERRANO, que dos portugueses herdou a religiosidade, dos negros um rico folclore e um grandioso gosto pelas festas e dos Índios, a paixão pela liberdade.

FUNDADORES

Os fundadores da Serra foram Maracajaguaçu, chefe dos índios Temiminós e o padre jesuíta Braz Lourenço, que a 08 de dezembro de 1556, promoveram a realização de uma Missa numa Capela de palhas construída no interior da Aldeia Indígena de Nossa Senhora da Conceição da Serra do Mestre Álvaro, hoje Serra.

1 – Maracajaguaçu. Gato Bravo Grande, podendo-se abreviar para Gato Grande – MARACAJÁ, Gato/GUAÇU, Grande. Chefe da Tribo dos Índios Temiminós. Muitos usam a grafia antiga Maracaiaguaçu. É necessário que se faça uma atualização. Já pensou escrevermos ainda Farmácia com PH, como ocorria no tempo em que se escrevia Maracaiaguaçu? Gato Grande nasceu no Rio de Janeiro, em 1501, na Ilha de Paranapuã, (palavra em Tupi que significa “seio do mar”), também chamada pelos Indígenas de Ilha de Paranapecu e pelos Franceses e Portugueses de Ilha do Gato, sendo atualmente conhecida como Ilha do Governador, na baía de Guanabara.

Após sofrer algumas derrotas, nas guerras com os seus inimigos, os índios Tamoios que viviam no Continente, Maracajaguaçu resolve pedir asilo (ajuda) na Capitania do Espírito Santo, recebendo total apoio do Donatário Vasco Fernandes Coutinho, que de imediato mandou quatro lanchões (tipo de navio) para trazerem toda a Tribo Indígena e seus pertences para as terras do Espírito Santo, onde o padre Braz Lourenço ficou encarregado de cuidar deles, fato ocorrido em 1554, conforme relato escrito do Padre Jesuíta Luiz Da Grã. Os índios em número aproximado de 2000 ficam inicialmente em Vitória partindo, em seguida, em 1555, para a região da atual Santa Cruz e depois, em 1556, retornam para perto de Vitória, onde constroem uma Aldeia na atual região da Serra. Junto com Maracajaguaçu estão seus filhos, Araribóia e Manemoaçu. Maracajaguaçu é uma palavra na língua Tupi que significa Gato Bravo Grande, podendo-se abreviar para Gato Grande. Maracajá: Gato Bravo e Guaçu: Grande.

2 – Padre Jesuíta Braz Lourenço. Nasceu no ano de 1525, em Melo, diocese de Coimbra, em Portugal. Chegou ao Brasil em 1553. Foi Provincial, Chefe dos Padres no Espírito Santo, por duas vezes: De 1553 a 1564 e depois em 1582. Nos dois períodos Braz Lourenço administrou os Jesuítas, bem como criou e fundou núcleos de catequese em várias Aldeias Indígenas. No primeiro período de sua administração, continuou a obra de construção do Colégio dos Jesuítas em Vitória. O Colégio havia sido iniciado pelo seu antecessor Afonso Braz. Foi também o construtor da primeira residência dos Jesuítas na vila de Vitória, pois o padre Afonso Braz deixara apenas “um pequeno seminário coberto de palhas”. O nome certo é BRAZ LOURENÇO, conforme a fonte primária, o livro “História da Companhia de Jesus no Brasil”, de Serafim Leite.  

Braz Lourenço residia oficialmente em Vitória, pois era Provincial, (chefe dos padres), mas em seu trabalho de evangelização fundava e visitava várias Aldeias Indígenas. Foi encarregado pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho de abrigar os Temiminós de Maracajaguaçu, inicialmente alojando-os na região de Santa Cruz em 1554 e depois os trazendo para mais perto de Vitória em 1556, entre a Montanha do Mestre Álvaro e o rio Santa Maria da Vitória, conforme Carta de Luiz Da Grã de 24 de abril de 1555, “fica agora o padre Braz Lourenço com uma nova ocupação (…) chegou aqui um Principal, que chamam Maracajaguaçu, que quer dizer Gato Grande (…) mas o padre Braz Lourenço se ocupara com eles. (…).”

A Aldeia Indígena foi construída inicialmente no sopé da Montanha, numa região de Várzea, onde foi feita uma pequena capela coberta com folhas secas (palhas) de Palmeiras. Sopé: parte inferior ou base de rocha, encosta ou montanha. Várzea é uma planície, terreno plano em vale extenso e cultivado. Uma Missa Campal no interior da Aldeia Indígena, a Aldeia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, também conhecida como Aldeia do Gato e Aldeia de Conceição da Serra, marcou a fundação do núcleo inicial que daria origem posteriormente ao povoado de Conceição da Serra, depois Serra.

Os Temiminós estavam chegando de mudança. Haviam saído da distante região de Santa Cruz, onde haviam sido alojados inicialmente e retornavam para mais perto de Vitória para auxiliarem o Donatário Português Vasco Coutinho, na defesa da Capitania contra ataque de Índios inimigos e dos terríveis Piratas e Corsários (Franceses, Ingleses e Holandeses), que sempre apareciam na baía de Vitória. Em 26 de fevereiro de 1557 algumas caravelas francesas aportaram ao norte da baía de Vitória, fazendo escambo com os nativos e disparando alguns tiros para terra, sem, no entanto, maiores conseqüências. No ano seguinte o chefe indígena Maracajaguaçu (Gato Grande) e os Temiminós aprisionaram no rio Itapemirim, 20 franceses e os trouxeram para Vitória. Em 1561 Caravelas francesas atacaram Vitória, mas foram derrotadas pelo capitão-mor Belchior de Azeredo, com apoio do padre Braz Lourenço, dos índios Temiminós e da população local.

DATAS DA CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DA SERRA

02 de Abril de 1833 – Criada a Lei. Serra passa a ser Município independente.

19 de Agosto de 1833 – O Município da Serra é instalado solenemente, com a posse dos primeiros Vereadores eleitos. Toma posse como primeiro Administrador da Serra, o Presidente da Câmara de Vereadores, Luiz da Rosa Loureiro. A Câmara de Vereadores tinha naquela época funções executivas e os vereadores formavam um Conselho de Administração. O presidente da Câmara era o presidente do Govemo Municipal. Não existia, no Brasil daquela época, o cargo de Prefeito de um Município.

POPULAÇÃO DE 17.286 HABITANTES EM 1970

PARA 409.324 HABITANTES, 40 ANOS DEPOIS, EM 2010

Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no recenseamento de 1991, a Serra possuía 222.158 habitantes. Em 1996, o número de habitantes passa para 269.319 e no censo do IBGE de 2000 foi encontrada oficialmente uma população de 330.874 habitantes. Em 2007 a população da Serra, segundo ainda o IBGE era de 385.370 habitantes, número que em 2010 passa para 409.324 habitantes, sendo o segundo maior Município por população do Estado, perdendo apenas para Vila Velha, com 414.420 habitantes e acima de Cariacica com 348.933 e Vitória, a Capital, com 325.453 habitantes. A população da Serra em 2013 é estimada em 500 mil habitantes.

A população da Serra tem crescido vertiginosamente, devido à construção de vários Conjuntos Habitacionais, a partir de 1980, quando o Município passou a oferecer uma opção de residência para os que trabalham na área da Grande Vitória e na Companhia Siderúrgica de Tubarão. Além disto, várias pessoas tiveram acesso à aquisição de uma casa própria através de financiamentos acessíveis e bem populares. A população da Serra aumenta em mais de 200 por cento de 1980 a 1996. O censo realizado pelo IBGE em 1991 aponta a Serra com 221.513 habitantes. Em 1993 a Serra possuía uma população de 240.376 habitantes. Em 1995 a população era de 280.500 habitantes. Com a inauguração do Conjunto residencial “Cidade Continental” na região de Novo Horizonte e Carapebus, a população aumenta e em 2000, o Censo registra 330.874 habitantes. Para se avaliar o crescimento da população da Serra ao longo dos anos, eis os dados históricos existentes:

1562: 1.000 habitantes – A população da Serra em 1562, conforme Carta de Braz Lourenço, informando que na região existiam “mil almas”.

1860: 2.000 habitantes – A população da Serra em 1860 refere-se à sede do Município e consta dos documentos da visita de Dom Pedro II.

1940: 6.415 habitantes; 1950: 9.245 habitantes; 1960: 9.192 habitantes; 1970: 17.286 habitantes; 1980: 82.450 habitantes

1990: 142.633 habitantes – De acordo com o IBGE em 1990 a Serra possuía 142.633 habitantes, sendo a maioria, 71.340 homens, com uma pequena margem de diferença para as 67.376 mulheres na área urbana. Na zona rural havia 2.088 homens e 1.838 mulheres.

1991: 221.513 habitantes – População do Brasil, pelo Censo de 1991: 146.825.475 habitantes, sendo 72.485.122 homens e 74.340.353 mulheres. População do Espírito Santo, pelo Censo de 1991: 2.600.618 habitantes, sendo 1.297.557 homens e 1.303.061 mulheres. Em 1991, existiam na Serra 110.697 mulheres na área Urbana e 685 mulheres na área rural da Serra. Já os homens em 1991 eram: 109.272 na área urbana e 856 na área rural.

1993: 240.376 habitantes – População estimada em 1993, segundo fonte do Departamento Estadual de Estatística e publicado no Mapa do Espírito Santo, do Jornal “A Gazeta” de 20 de abril de 1994.

1994: 251.828 habitantes – População estimada, publicada em diversas reportagens dos Jornais “A Gazeta” e “A Tribuna” de Vitória-ES, no período de 1995 a 2003.

1995: 280.500 habitantes – População estimada, publicada em diversas reportagens dos Jornais “A Gazeta” e “A Tribuna” de Vitória-ES, no período de 1995 a 2003. Em 1996 a população do Espírito Santo era de 2,802 milhões.

1998: 290.000 habitantes – População estimada, publicada em diversas reportagens dos Jornais “A Gazeta” e “A Tribuna” de Vitória-ES, no período de 1995 a 2003.

2000: 330.874 habitantes – Os dados são de 01 de agosto de 2000, data de referência do Censo Demográfico 2000 do IBGE. Incluem-se os bairros Hélio Ferraz, Conjunto Carapina I e Bairro de Fátima, os quais o IBGE, conforme Lei Estadual considera como sendo pertencentes ao Município de Vitória. Assim, o total divulgado pelo IBGE se referindo ao Município da Serra tem uma diferença de 9.693 pessoas, sendo 4.593 homens e 5.100 mulheres a menos. O total da Serra segundo o IBGE é 321.181 habitantes, sendo 158.458 homens e 162.723 mulheres. Os dados destes bairros são preliminares, mas eles não alteram a população rural. Pelo Censo de 2000 a população do Estado do Espírito Santo era de 3.093.171 habitantes, sendo 1.560.824 mulheres e 1.532.347 homens, havendo um excedente de 28.477 mulheres em relação ao número total de homens. No Brasil a população total em 2000 era de 169.544.443 habitantes.

2000: 321.181 habitantes – População da Serra sem os bairros de Fátima, Carapina I e Hélio Ferraz. O total do Município da Serra segundo o IBGE é: 321.181 habitantes, sendo 158.458 homens e 162.723 mulheres e 85.812 domicílios.

2003: 350.160 habitantes – População estimada em 2003, divulgada pela Imprensa.

2010 (fonte IBGE): 409.324 habitantes. De acordo com o censo populacional do IBGE de 2010, a Serra tinha 409.324 habitantes, ocupando o posto de segundo município mais populoso do Estado. Mas, na verdade, seria a maior do Estado com 421.677 moradores, se considerarmos os bairros que não são contabilizados para o Município da Serra, pois o IBGE exclui como população da Serra, os habitantes dos bairros de Nossa Senhora de Fátima (Bairro de Fátima). Não é Rosário de Fátima que é outro bairro e fica ao lado de Manoel Plazza. Exclui ainda o bairro Conjunto Carapina I e Hélio Ferraz, considerados como pertencentes à cidade de Vitória. Isto está de acordo com a atual divisão territorial entre os municípios, em vigor pela Lei 1.919 de 3 de janeiro de 1964. Além destes, parte dos bairros Eurico Salles, Jardim Carapina e Carapebus fazem parte da Capital de acordo com esta lei. O Censo Demográfico de 2010, que contém os resultados definitivos do XII Recenseamento Geral do Brasil, informa que o Brasil possui 190.755.799 habitantes. Segundo o Censo Demográfico 2010, há no Brasil uma relação de 96,0 homens para cada 100 mulheres, como resultado de um excedente de 3.941.819 mulheres em relação ao número total de homens. Com este resultado, acentuou-se a tendência histórica de predominância feminina na população do Brasil, já que em 2000 o indicador era de 96,9 homens para cada 100 mulheres.

2013: Previsão: 500.000 habitantes

ÁREA DO MUNICÍPIO

A extensão territorial da Serra antes do ano 2000 era menor. Em 1969 era de 547 km2, sendo 1,2 por cento da área do Estado do Espírito Santo e 37,4 por cento da área da Grande Vitória, conforme o “Anuário Estatístico do Brasil” e Jornal A Gazeta de Vitória, ES, de 28 de agosto de 1971. Em 2000 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, usando equipamentos mais modernos de precisão estabeleceu novos dados para os Municípios brasileiros que foram amplamente divulgados na Internet, a Rede Mundial de Computadores. A Serra passou a ter a extensão territorial oficial de 553 Km²254m.

São quase 554 quilômetros quadrados, sendo o segundo maior Município da Grande Vitória, perdendo apenas para Guarapari, que também pertence à Região Metropolitana da Grande Vitória e possui 592Km²231m. A Grande Vitória é composta de sete Municípios. Além de Serra e Guarapari pertencem a Região Metropolitana os Municípios de Vila Velha com 208 Km²820m; Cariacica com 279 Km²975m; Fundão com 279 Km²648m. Viana com 311 Km²608m e Vitória com 93 Km²381m. Área do Estado do Espírito Santo em Km²: 46.077,519. Área Territorial do Brasil: 8.514.876,599Km².

DENSIDADE DEMOGRÁFICA (hab/Km²) – Conforme Censo de 2010: 739,38

GENTÍLICO – Serrano. Quem nasce em Vitória é Vitoriense. O Vitoriense é chamado também de Capixaba, denominação que se estendeu para todas as pessoas nascidas no Espírito Santo. Quem nasce em Vila Velha é Canela Verde ou Vilavelhense. Quem nasce na Serra, portanto é SERRANO.

LIMITES – Quando o Município da Serra foi criado no dia 2 de abril de 1833, se estendia até a ponte da Passagem, em Vitória, mas com a construção depois do ano de 1960 do Aeroporto Eurico de Aguiar Salles e do Porto de Tubarão e a construção das empresas, Companhia Siderúrgica de Tubarão e Companhia Vale do Rio Doce, esses limites foram mudados, pela Lei Estadual N.º 1919, de 31 de dezembro de 1963 e boa parte da área passou para o Município de Vitória. Os atuais limites do Município da Serra foram então estabelecidos pela Lei Estadual N.º 1919, de 31 de dezembro de 1963.

A Serra limita-se: 

Ao Norte com o Município de Fundão.

A divisa com o Município de Fundão começa na foz do braço Norte no rio Timbuí. Desce por este até a sua foz no rio Reis Magos. Desce por este até a sua foz no Oceano Atlântico.

Ao Sul com os Municípios de Vitória e Cariacica.

A divisa com o Município de Vitória começa no Oceano Atlântico, na ponta de Carapebus, seguindo por um paralelo até encontrar a baía de Vitória e segue por esta até a foz do rio Santa Maria da Vitória, na divisa com o Município de Cariacica.

A divisa com o Município de Cariacica começa no ponto em que termina o limite com o Município de Vitória e sobe pelo rio Santa Maria da Vitória até a foz do córrego Tauá, na divisa com o Município de Santa Leopoldina.

Ao Leste com o Oceano Atlântico.

A Serra limita-se a Oeste, com o Município de Santa Leopoldina.

A divisa com o Município de Santa Leopoldina começa onde termina a divisa com o Município de Cariacica, depois sobe pelo rio Santa Maria até a foz do rio Mangaraí e segue por uma linha reta até o Morro Itapocu. Em seguida segue por uma linha reta até a foz do braço Norte do rio Timbuí, na divisa com o Município de Fundão.

DISTRITOS:

Quando o Município foi criado em 1833, desmembrado do Município de Vitória havia apenas um Distrito, o Distrito da Serra Sede. Pela lei provincial nº 06 de 06-11-1875, a vila de Serra, foi elevada à categoria de cidade.

SERRA E ITAPOCU – Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município é constituído de distrito sede. Pela lei Estadual nº 1.304, de 30-12-1921, é criado o Distrito de Itapocu e anexado ao Município da Serra. Em divisão administrativa referente ano de 1933, o Município é constituído de dois Distritos: Serra e Itapocu.

ITAPOCU E NOVA ALMEIDA – Em 11.11.1938 – É editado o Decreto-Lei nº 9.941, que fixa a divisão territorial do Estado, que vigorará sem alteração, de 1 de janeiro de 1939 a 31 de dezembro de 1943, e dá outras providências, assinado por João Punaro Bley, Celso Calmon Nogueira da Gama, Nelson Goulart Monteiro e Carlos Femandes Monteiro Lindemberg que, assim fixou os limites do Município da Serra, compreendido pelos distritos Sede, Itapocu (hoje Calogi) e Nova Almeida. O decreto acima foi editado na conformidade das normas gerais firmadas pela Lei Orgânica Nacional nº 311, de 2 de março de 1938. Nesta época os Distritos de Queimado e Carapina eram pertencentes à Vitória e, o atual distrito de Calogi possuía o topônimo de Itapocu. Por este mesmo Decreto-lei Estadual, o Município da Serra, adquiriu o Distrito de Nova Almeida, do município de Fundão.

CARAPINA E QUEIMADO – Em 31.12.1943 – O Município da Serra passa a ser constituído dos Distritos de Carapina, Nova Almeida – que já foi Distrito sede do município de mesmo nome, Queimado, Serra e Calogi (antigo Itapocu), conforme o Decreto-Lei Estadual nº 15.177, de 31 de Dezembro de 1943. Carapina e Queimado, na época pertenciam ao Município de Vitória. Sob o mesmo decreto acima citado o Distrito de Itapocu passou a denominar-se Calogi. Em divisão territorial datada de 01-07-1960, o município é constituído de cinco Distritos: Serra, Calogi ex-Itapocu, Carapina, Nova Almeida e Queimado. Em 1989 a Prefeitura Municipal da Serra elaborou um folheto de divulgação do Município, com texto creditado ao Professor de Geografia Nourival Cardoso Júnior, onde consta que na época o Município estava dividido em oito distritos: Serra-Sede; Carapina; Nova Almeida; Jacaraípe; Laranjeiras; José de Anchieta; Calogi e Queimado.

Os atuais Distritos da Serra estão definidos na Carta Magna do Município, a Lei Orgânica elaborada pelos vereadores e aprovada em 5 de abril de 1990 e que foi ratificada pelos Vereadores em 2005. Pela Lei Orgânica o território do Município da Serra está dividido, para fins administrativos, em cinco distritos: Sede, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado.

CINCO DISTRITOS – Em divisão territorial datada de 01 de Julho de 1960, o Município é constituído de 5 distritos: Serra, Calogi ex-Itapocu, Carapina, Nova Almeida e Queimado. No ano 2.000, os Distritos da Serra foram definidos na Carta Magna do Município, a Lei Orgânica elaborada pelos vereadores e aprovada em 5 de abril de 1990, passando o território do Município da Serra a ser dividido, para fins administrativos, em cinco distritos:

1 – Sede Municipal. Possui características sócio-culturais de cidade de colonização portuguesa com fortes tradições.

2 – Calogi. Distrito agropecuário.

3 – Carapina. De grande concentração Industrial. Comércio bem desenvolvido, Parque de Exposição “Floriano Varejão” e população de trabalhadores operários em sua maioria. Extensa atividade comercial na Avenida Central em Parque Residencial Laranjeiras que antigamente era chamado de Carapinão.

4 – Nova Almeida. É onde está a melhor infra-estrutura turística, com belas praias e bairros operários.

5 – Queimado. Distrito com população vivendo da agropecuária. Nos anos de 1845 a 1875 havia uma povoação com expressiva população, que usava basicamente o porto, às margens do rio Santa Maria da Vitória, como caminho natural de deslocamento entre a sede administrativa do Espírito Santo, Vitória, onde estava o Porto do Imperador e a Serra e mesmo todo o norte do Espírito Santo. Com a implantação da Ferrovia Vitória a Minas e construção da Rodovia Federal, BR 101 Norte (Rodovia Governador Mário Covas), o povoado sofre grande decadência e hoje só resta no Queimado as ruínas da Igreja de São José. As poucas casas da região estão esparsas em propriedades da região. A denominação de Distrito talvez seja apenas uma homenagem prestada pelos políticos Serranos a um local histórico, palco de uma Insurreição Escrava em 1849.

As divisas entre os Distritos do Município da Serra são as seguintes:

a) Entre os Distritos de Serra-Sede e Calogi: Começa na foz do rio Calogi no rio Timbuí e sobe pelo rio Calogi até a foz do seu primeiro afluente da margem direita. Sobe por esse afluente até a sua cabeceira e segue por uma linha reta até o Morro Mestre Álvaro.

b) Entre os Distritos de Serra e Nova Almeida: Começa no rio Jacaraípe, barra do rio Cacu. Sobe pelo rio Jacaraípe até o desaguadouro da Lagoa Capuba e segue pelo divisor de água entre os rios Jacaraípe e Putiri, até encontrar a estrada de rodagem da Serra a Nova Almeida e em seguida segue por um meridiano até encontrar o rio Reis Magos.

c) Entre os Distritos de Serra e Carapina: Começa no rio Jacaraípe, na barra do rio Cacu e sobe por este até a sua cabeceira, depois segue em linha reta até o Morro Mestre Álvaro.

d) Entre os Distritos de Nova Almeida e Carapina: Começa no Oceano Atlântico na foz do Rio Jacaraípe e sobe por este até a foz do rio Cacu.

e) Entre os Distritos de Carapina e Queimado: Começa na foz do rio Tangui no rio Santa Maria e sobe pelo rio Tangui até encontrar a linha reta que passa pelos Morros Mestre Álvaro e Moreron (ou Morerão).

f) Entre os Distritos de Calogi e Queimado: Começa no Morro Itapocu e segue em linha reta até o Morro do Céu, onde segue em linha reta até o Morro Camará-Açu, seguindo em linha reta até o Morro do Moreron (Morerão), seguindo por uma linha reta que vai do Morro Moreron (Morerão) ao Mestre Álvaro até encontrar o rio Tangui.

g) Entre os Distritos de Carapina e Calogi: Começa no Mestre Álvaro e segue pela linha que vai desse ao Morro Moreron (Morerão) até encontrar o rio Tangui.

DA ALDEIA INDÍGENA DE GATO GRANDE A CIDADE DA SERRA

NOME – O topônimo (origem do nome) está relacionado à origem da cidade, localizada ao pé da SERRA ou do Monte (Montanha) do Mestre Álvaro.

Ao longo dos anos a Serra recebeu as seguintes denominações:

1556/1564: ALDEIA DA CONCEIÇÃO DA SERRA – A sede é denominada de Aldeia de Nossa Senhora da Conceição. O local é conhecido também como a Aldeia do Gato, referindo-se ao Cacique Chefe dos Temiminós, Maracajaguaçu, o Gato Grande. Em 1556 a Aldeia estava localizada entre o Morro e o rio Santa Maria da Vitória. Em 1564 houve uma mudança de local por causa da doença contagiosa, a Varíola. A Aldeia muda de local e passa a ser localizada do outro lado da Montanha do Mestre Álvaro, no local atual onde está o Centro da Cidade da Serra.

1724: FREGUESIA DA SERRA – Pela Carta Régia de 24 de março de 1724, o Povoado é elevado à categoria de Freguesia, porém, como a Igreja não havia sido concluída, a Freguesia não pode ser instalada. Uma nova Carta Régia foi elaborada em 24 de maio de 1752 elevando a Serra à categoria de Distrito e Paróquia. A Freguesia só foi instalada em 1769, depois de construída a igreja nova, Matriz em substituição a ermida de São José que ficava na região do Queimado antes da construção da Igreja de 1849 do Frei Gregório José Maria de Bene com a ajuda de Negros Escravos. Carta Régia é o nome dado à Carta do Rei de Portugal dirigida às autoridades ou à autoridade e que em seu conteúdo continha, muitas vezes, determinações gerais e permanentes, inclusive a designação de Freguesia para os Povoados brasileiros. Na época a estrutura administrativa civil (dos povoados brasileiros) correspondia a mesma estrutura eclesiástica, (da Igreja). Freguesia é o nome que tem, em Portugal e no antigo Império Português, a menor divisão administrativa, correspondente à Paróquia civil de outros países.

1822: VILA – A sede denominada de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra foi elevada a categoria de Vila, em 1822, com a denominação de Vila da Serra.

1833: MUNICÍPIO DA SERRA – O Município da Serra foi criado em 1833, com território desmembrado do município de Vitória, através da resolução do Conselho de Governo de 02 de abril de 1833. Uma data importante. A emancipação, a liberdade. A Serra deixa de ser do Município de Vitória e passa a ter uma vida administrativa própria. A instalação ocorre no dia 18 (19) de Agosto de 1833, quando era Presidente da Província do Espírito Santo, o Sr. Manoel José Pires da Silva Pontes. A instalação só foi possível, após a cessão de um espaço na casa do vereador eleito, José Simoens da Silva, pois não havia naquela ocasião um prédio que pudesse abrigar a Sede do Governo Municipal da Serra. Assim, aquele vereador permitiu usar sua residência como Paço Municipal (Casa do Governo Municipal). Serra passa a ser Município, mas só possui um Distrito sede que é o Centro da Serra. A Freguesia de São José do Queimado, (Vila do Queimado), criada pela Lei Provincial N.º 9, de 27 de Agosto de 1846, foi anexada ao Município de Vitória. Queimado e Carapina não pertenciam a Serra e sim a Vitória. Queimado só passa a pertencer a Serra através do Decreto Lei Estadual N.º 15.177, de 31 de Dezembro de 1943, quando são anexados ao Município da Serra os Distritos de Carapina e Queimado.

1875: CIDADE DA SERRA – Pela Lei Provincial N.º 6, de 6 de Novembro de 1875, assinada pelo então Presidente da Província do Espírito Santo, Domingos Monteiro Peixoto a sede do Município, que era denominada de Vila da Serra passa a ser denominada de Cidade da Serra, sendo o Município, que havia sido criado no ano de 1833, constituído apenas de um Distrito, o Distrito da sede, que era a Vila da Serra e, na época, em 1875 passa a ser denominada de Cidade da Serra.

Em algumas publicações consta Lei N.º 6, de dezembro de 1875. O certo é Lei Número 6, do dia 6 de Novembro de 1875. A Lei que transforma a sede de Vila em Cidade da Serra é de autoria do Deputado Provincial do Espírito Santo, Major Joaquim Pereira Franco Pissarra e foi aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial. A instalação solene com festas, organizada pelo próprio Deputado Major Pissarra e políticos locais ocorre no dia do aniversário de Dom Pedro II, a 2 de dezembro do mesmo ano de 1875. O Deputado citado teve um fim trágico. Após se envolver num assassinato de uma negra, acabou suicidando-se em sua propriedade em Chapada Grande para não ser preso.

Abaixo na íntegra a transcrição da referida Lei.

LEI N.º 6, DE 06 (SEIS) DE NOVEMBRO

“Domingos Monteiro Peixoto, Bacharel formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do Recife, Juiz de Direito, Oficial Imperial Ordem da Rosa, Cavalheiro da de Cristo e Presidente da Província do Espírito Santo, etc, etc.

Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a Lei seguinte:

Artigo 1º – É elevada a categoria de Cidade a Villa de Nossa Senhora da Conceição da Serra.

Artigo 2º – A Villa (sic) de Nova Almeida fica desanexada da Comarca e Termo de Santa Cruz, e incorporada ao termo e comarca da Serra.

Parágrafo 1º – As divisas desta Comarca serão pelos atuais limites de Nova Almeida e de Santa Cruz.

Parágrafo 2º – As da Comarca da Conceição da Serra e das freguesias do Queimado e de Carapina serão pelos limites da Comarca de Vitória.

Artigo 2º – Revogam-se (sic) as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento a execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém. O Secretário do Governo d’esta (sic) Província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio do Governo da Província do Espírito Santo, aos seis dias do mês ( sic ) de Novembro de mil oitocentos setenta e cinco, qüinquagésimo quarto da Independência e do Império.

L. S. Domingos Monteiro Peixoto.

Carta de Lei pela qual Vossa Excelência manda executar o Decreto d’Assembléia (sic) Legislativa Provincial, que houve por bem sancionar, elevando à Categoria de Cidade a Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra, bem como desanexando da Comarca e Termo de Santa Cruz a Vila de Nova Almeida, como acima se declara. Para Vossa Exª ver.

O 2º Oficial: Sebastião Pinto Homem, a fez. Selada e publicada n’esta Secretaria da Presidência da Província do Espírito Santo, em seis de novembro de 1875. No impedimento do Secretário. – O Oficial (sic) – Maior Manoel Corrêa de Lírio”. (Livro de Leis Estaduais / Arquivo Público do Estado do Espírito Santo).

A expressão “sic” entre parêntesis significa que a palavra está escrita como no documento original. Na lei, o N.º 2 é colocado de forma repetida. Assim constam dois artigos com o número dois.

Quarta Cidade do Brasil em Desenvolvimento – No dia 8 de julho de 2011, o Jornal A Gazeta de Vitória, ES, na sua página de economia publicava que a Serra era a quarta cidade do país com maior desenvolvimento, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em reportagem da jornalista Mikaella Campos, consta as seguintes informações: “A indústria do aço, o boom da construção civil, o crescimento comercial e do setor de serviços contribuíram, juntos, para que a Serra tivesse o quarto maior desenvolvimento econômico do país. O município faz parte de um grupo de cidades com menos de 500 mil habitantes que conseguiu ampliar a participação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O Município que mais se desenvolveu foi Campos do Goytacazes, no Rio de Janeiro. Em segundo lugar ficou Paraubebas, Pará. São José dos Pinhais, do Paraná, teve o terceiro maior crescimento.”

Continua a reportagem de A Gazeta informando que, “o crescimento da Serra aconteceu com a valorização imobiliária de Laranjeiras, com o avanço comercial da Avenida Central e do surgimento de novos pontos requisitados, como Manguinhos, Jacaraípe e Morada de Laranjeiras. Essas regiões passaram a ser o foco de empresas da construção civil locais e de outros Estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia.” – Na reportagem é observado ainda que “embora a indústria do aço sustente a Serra, foram os setores de comércio, serviços, alojamento, alimentação e a construção civil que proporcionaram à cidade maior participação no cenário nacional.”

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PRIMEIROS ADMINISTRADORES DA SERRA

VEREADORES ADMINISTRAM A SERRA DE 19/08/1833 A 23/05/1914

Em 1833, quando o Município da Serra foi criado não havia a figura do Prefeito e a estrutura administrativa civil correspondia a mesma estrutura eclesiástica. As províncias eram divididas em municípios que por sua vez eram divididos em freguesias. As freguesias correspondiam às paróquias, mas também havia curatos para serviços religiosos em povoações pequenas e sem autonomia política. Curato é um termo religioso, derivado de cura, ou padre, que era usado para designar aldeias e povoados que ainda não eram Freguesia ou Paróquia.

Na época os Bispos comandavam as dioceses, típica organização administrativa religiosa, que abrangiam geralmente diversos municípios, ou seja, diversas freguesias. Só com a proclamação da República, houve uma total separação entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro, de modo que as antigas províncias transformaram-se em estados autônomos divididos em municípios também autônomos que, por sua vez, podem (ou não) ter seu território dividido para fins puramente administrativos. A Igreja Católica passou a manter uma estrutura administrativa distinta e separada do Estado brasileiro.

A primeira Câmara de Vereadores, responsável pela administração da Freguesia da Serra era formada pelos vereadores: Luiz da Rosa Loureiro – Presidente; Manoel da Rocha Pimentel; José Simoens da Silva; Manoel Fernandes de Miranda; Luiz Vicente Loureiro; Fabiano Gonçalves Fraga; Padre Joaquim de Santa Magdalena Duarte. A Câmara de Vereadores tinha naquela ocasião funções executivas e os vereadores formavam um conselho de administração. O presidente da Câmara era o presidente do Govemo Municipal. As leis aplicadas eram emanadas da Assembléia Legislativa Provincial, que tinha entre seus membros deputados que acumulavam as funções de vereadores. Não havia incompatibilidade. Até a criação da Assembléia Provincial as leis eram editadas em Portugal.

Em 01 de fevereiro de 1835 foi instalada no Espírito Santo, a Assembléia Legislativa Provincial sob a presidência do padre João Clímaco da Alvarenga Rangel, nascido em São José do Queimado. Além dele, participou da instalação do legislativo estadual outro serrano, o Padre João Luiz da Fraga Loureiro, ocasião em que ele era também, vereador da Serra. Na época a lei permitia o exercício das duas funções.

CIDADE DA SERRA – Em 06.11.1875 – A sede do município da Serra deixa de ser vila e é elevada a categoria de cidade. A instalação foi solene, com festa organizada pelo Deputado provincial, Major Joaquim Pereira Franco Pissarra, e políticos locais no dia do aniversário de D. Pedro II – 02 de dezembro de 1875. O Major Pissarra foi o autor da Lei que transformou a vila da Serra em cidade. Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, houve a nomeação do primeiro presidente do Estado do Espírito Santo, Afonso Cláudio de Freitas Rosa, neto materno do primeiro presidente da Câmara de Vereadores da Serra, Luiz da Roza Loureiro. Diante da nova situação Afonso Cláudio intervém nos municípios. Na Serra nomeia uma Intendência para administrá-la, composta de três membros: Manoel Pereira Madruga, Manoel Rodrigues Fernandes de Miranda e Luiz Barboza Leão, este último como presidente, equivalente ao cargo atual de prefeito.

Luiz Barboza Leão era sogro de José Cláudio de Freitas Júnior, irmão de Afonso Cláudio, e ainda, bisavô da ex-deputada estadual do Espírito Santo Judith Leão Castello Ribeiro e trisavô da cantora Nara Leão e do pesquisador João Luiz Castello Lopes Ribeiro. Luiz Barbosa Leão era sogro da prima do ex-deputado estadual Benigno Soares Leite Vidigal, bisavô do prefeito da Serra Antônio Sérgio Alves Vidigal. Após a intervenção promovida pela proclamação da república, foi empossada nova Câmara de Vereadores, em 18 de dezembro de 1892, e eleito seu presidente Luiz Barboza Leão que permaneceu no cargo até 1900, nesse período acumulou as funções de vereador com as de deputado estadual nas legislaturas de 1895 a 1897 e 1898 a 1900.

Na época do Brasil Império, só podiam ser eleitores aqueles que tivessem uma renda anual de R$ 100$000 (cem mil réis). As mulheres e escravos não votavam. A mulher só veio a obter cidadania – votar e ser votada – após a “Revolução Constitucionalista de São Paulo”, em 1932. Na primeira eleição, em 1934 lá estava à mulher serrana como pioneira – Judith Leão Castello. Judith casou­-se em 1938, com Talma Rodrigues Ribeiro (prefeito da Serra 1945/1946), passando a assinar Judith Leão Castello Ribeiro, eleita a primeira mulher deputado estadual do Espí­rito Santo, na “Assembléia Constituinte” de 1946.

Em 25.03.1914 houve a primeira eleição para prefeito da Serra, ocasião em que foi eleito o Sr. Cícero Calmon de Aguiar, e empossado em 23.05.1914, a partir daí a Câmara deixou de exercer funções executivas e passou a exercer funções fiscalizadoras, determinantes das diretrizes do governo municipal e legislativas. Nesta nova fase teve como seu presidente o neto materno de Luiz Barboza Leão, Monsenhor Luiz Cláudio de Freitas Rosa, este foi Deputado Federal na Constituinte de 1946.

Os municípios só passaram a ter autonomia total legislativa, e serem considerados como entes federativos, com a promulgação da Constituição Federal, em 05 de outubro de 1988, que deu atribuição para que eles passassem a elaborar suas Leis Orgânicas e as promulgassem através da Câmara de Vereadores. Antes era atribuição da Assembléia Legislativa Estadual.

A Constituição Federal, em 1988, passou a considerar, pela primeira vez, o município como um ente federativo, conforme o art. 18: – “A organização político-administrativa da República Federa­tiva do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição”.

O artigo 29 dá atribuição à Câmara de Vereadores do Município para promulgar sua Lei Orgânica: – “O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois ter­ços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendi­dos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: …”.

Em 1930, houve eleições para eleger o presidente da república, naquela ocasião era presidente Washington Luiz, que lançou como seu candidato Julio Prestes. A disputa foi acirrada com Getúlio Vargas, este perdeu a eleição, e inconformado, alegou fraude no processo eleitoral, o que justificou sua participação como líder da Revolução de 30, movimento que depôs o presidente Washington Luiz. Assumiu o poder Getúlio Vargas, impedindo a posse de Júlio Prestes. A Revolução também depôs o governador do Estado do Espírito Santo, aliado da campanha Júlio Prestes, Dr. Aristeu Borges de Aguiar, filho de família serrana. Seu pai era Augusto Manoel de Aguiar e sua mãe Luíza da Silva Borges (filha de João da Costa Silva Borges e Anna Pereira da Silva Borges). Aristeu era tio do ex-ministro da justiça Eurico de Aguiar Salles e do ex-senador Jéferson de Aguiar. Em 19 de outubro de 1930, assumiu o Espírito Santo, uma Junta Governativa, composta por João Manuel de Carvalho, Afonso Corrêa Lírio e Capitão João Punaro Bley.

A seguir, em 15 de novembro de 1930, Bley foi nomeado e tomou posse em 22 de novembro de 1930 como interventor estadual. Permaneceu no cargo até 16.10.1942, transferindo para Dr. Celso Calmon Nogueira da Gama, que a seguir transferiu a interventoria para o Dr. Jones dos Santos Neves, em 21.01.1943.

Naturalmente, que a Revolução refletiu na política do município da Serra. O prefeito da Serra foi deposto e a Câmara de Vereadores foi fechada. Foi nomeada uma Junta Governativa, que tomou posse em 23.10.1930, composta pelos seguintes membros: José Corrêa Pimentel; João Vieira Xavier; Olavo Ferreira Castello (tomou posse em 24.10.1930).

No mês de janeiro de 1936, houve eleições municipais, ano em que foi eleito prefeito do município o Sr. Presciliano Biluia de Araújo – do Partido Constructor Serrano. O mandato foi interrompido em 10.09.1937 pelo Golpe de 1937. A democracia só foi restabelecida em 1946, quando foram convocadas novas eleições. Os deputados e senadores eleitos receberam o mandato com poder para elaborar uma nova Constituição.

Os Presidentes da Câmara da Serra, na legislatura eleita em 1936 foram Belmiro Geraldo Castello (06.02.1936 a 21.06.1937 – Partido Constructor Serrano) e Antenor Sarmento Miranda (21.06.1937 a 10.09.1937 – Partido Constructor Serrano).

Em 1947, com a redemocratização do país foram convocadas eleições municipais, ano em que foi eleito prefeito do município Rômulo Leão Castello (PSD). Os novos vereadores elegeram seu presidente Luiz Corrêa Amado (PSD – 27.12.1947 a 10.03.1948).

Naquela legislatura foram presidentes, além de Luiz Amado, Theotônio da Costa Pereira (10.03.1948 a 10.01.1950 – PSD) e Arnaldo Ferreira Castello (10.01.1950 a 01.02.1951 – PSD).

A Câmara Municipal da Serra passou por muitas dificuldades em toda sua existência. Quando foi instalada em 19 de agosto de 1833, iniciava ali, os problemas para possuir um prédio próprio. O cidadão José Simoens da Silva, componente do primeiro quadro de vereadores, cedeu uma casa de sua propriedade para funcionar como Paço Municipal e assim o município pode ser instalado. Como persistia a ausência de prédio público para abrigar as instalações da Câmara, esta passou a funcionar na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Serra. A Igreja controlava a Administração Municipal, as eleições, os registros civis e de imóveis etc. Todavia, houve uma epidemia de varíola na vila, e os mortos eram sepultados no interior da igreja, fato que, além da preocupação com a população afetada, também, os afetava pessoalmente, segundo eles, na suas saúdes, pois, temiam contrair a doença nas reuniões do Conselho no recinto da igreja. Deixando a igreja, a Câmara passou a alugar casas onde pudesse se reunir.

Em 01.02.1860 na visita de Dom Pedro lI, este observou: “A casa da Câmara térrea é muito pequena. O vereador que serve de presidente tem 1 voto; porque todos os outros se escusaram, e contudo quem passou o papel do discurso, que felizmente só entregou, foi o vereador Pimentel o mais votado com 40 e tantos votos; a chave da vila estava ainda sobre uma salva dentro d’um armário d’onde a tiraram para me oferecerem. A Câmara reunia-se antes no Consistório da Matriz onde também tem-se reunido o júri que já uma vez não teve lugar por falta de casa. Começou-se, por subscrição, uma casa de sobrado para casa da Câmara, júri, etc. e cadeia; mas está parada, tendo-se gasto 2 contos, orçada em 10 que decerto não chegam; pois as obras custam muito caro aqui”.

O primeiro prédio próprio da Câmara demorou muitos anos para ser inaugurado. A obra chegou a ficar paralisada por mais de doze anos, como verificado em ofício da Câmara, arquivado no livro 365, do Fundo da Governadoria, Série Acyolli, datado de 1875, Arquivo Público Estadual do Espírito Santo. No ano de 1890 não havia sido concluído, localizado no Largo do Barão do Amazonas, hoje Praça João Miguel – extensão da rua major Pissarra. Sua construção durou aproximadamente 40 anos. No dia 26 de dezembro de 1975, a Câmara passou suas instalações para um novo prédio, o segundo prédio próprio em 142 anos de sua existência. Situado na Avenida Getúlio Vargas nº 65, centro, Serra – Sede, onde funcionava até a instalação do seu prédio definitivo. É importante observar que o censo do IBGE de 1970 encontrou na Serra uma população de 17.286 habitantes e, em 2004 a população do Município era de aproximadamente 350.000 pessoas. Devido à precariedade das suas instalações, e diante da importância do Município e do seu grande crescimento econômico e demográfico, os vereadores, em 2004, entenderam que era necessário construir um palácio municipal condizente com a realidade local, onde outrora havia a residência de Luiz Barboza Leão, primeiro presidente da Câmara da Serra na fase republicana. Assim o Ex-Presidente da Câmara, Miguel João Fraga Gonçalves, e todos os componentes da legislatura 2000/2004 criaram um novo momento na história do município, ao entregar o novo prédio do Legislativo Serrano ­ Palácio Judith Leão Castello Ribeiro, o terceiro prédio próprio, em quase 171 anos de sua existência, no dia 26 de abril de 2005. Em 2011/2012 o então presidente da Câmara, Raul Cezar Nunes procedeu à uma nova reforma com ampliações de Gabinetes e novas salas, tornando o local mais amplo e moderno, já que em 2010, o Legislativo serrano, tinha 17 vereadores e a expectativa é de que a cidade terá 23 vereadores a partir de 2013.

Mapa da Serra ES com pontos Turísticos. Desenho de Iara.
Mapa da Serra ES com pontos Turísticos. Desenho de Iara.

Mapa da Serra ES. Município da Grande Vitória. O mais populoso.
Maracajaguaçu e a Aldeia Indígena dos Temiminós. Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra que dá origem a  atual Cidade da Serra na Grande Vitória, ES. Serra ES

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