TROVA – DEFINIÇÃO DE TROVA – OBRA DE ARTE, LITERATURA – REPENTE – VIOLEIROS – TROVA GAUCHA – Verso – Metrificação – Elisão – Diérese – Sinérese.

ACLAPTCTC Literatura Trovas e Trovadores
Praça Getúlio Vargas com Trovas. Nova Friburgo, Rio de Janeiro
Praça Getúlio Vargas com Trovas. Nova Friburgo, Rio de Janeiro

DEFINIÇÃO DE TROVA: OBRA DE ARTE E LITERATURA.

Trova é Poesia. Trova é um poema monostrófico (contém uma estrofe apenas) com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, que se completa em seus quatro versos, ou seja, possui sentido completo. É um poema autônomo de quatro linhas. Em Poesia cada linha se chama verso. Cada verso para não ser chamado de verso de pé quebrado, deve estar em redondilha maior. Redondilha é o nome dado, a partir do século XVI, aos versos de cinco ou sete sílabas — a chamada medida velha. Aos de cinco sílabas dá-se o nome de redondilha menor e aos de sete sílabas, de redondilha maior. Quando chegou ao Brasil a Trova era chamada de Quadra, como é ainda chamada em Portugal. No Brasil a quadra foi batizada de Trova. Uma boa Trova deve ter simplicidade, harmonia e musicalidade, para a qual contribuem a melodia, o ritmo, a cadência métrica e a sonoridade das rimas. Não é rimando “poesia” com “melancia” que você será um Poeta e mesmo, um Trovador. É importante produzir a Trova como obra de arte, com encantamento, ritmo e beleza. Segundo Jorge Amado em entrevista a Jornalista Trovadora, Maria Tereza Cavalheiro, “a Trova é uma criação literária popular, que fala mais diretamente ao coração do povo. É através da Trova que o povo toma contato com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.”

A rima é obrigatória na trova, mas não é obrigatório haver um título. Esta composição poética possui a sua conceituação própria e diferencia-se da quadra e da poesia de cordel, da Trova Gauchesca, do Repente e do poema musicado da Idade Média. As rimas de uma trova podem unir o primeiro ao terceiro verso e o segundo ao quarto, seguindo a estrutura de rima alternada (ABAB). Pode também apresentar outra disposição, com o segundo verso se ligando ao quarto, conforme a estrutura ABCB (rima simples). Existem também trovas com rimas no plano ABBA (rima interpolada) e AABB (rima emparelhada).

No sul do Brasil existe a Trova Gaúcha Tradicionalista ou a Galponeira que nada tem a ver com a nossa Trova Literária. Trova Galponeira é um repente criado nos galpões das fazendas, no Rio Grande do Sul. Um improviso cantado e acompanhado por música, onde as tradições Gaúchas são cantadas em estrofes, com rima e ritmo e, por vezes, em resposta a uma provocação. É talvez, a forma fundamental da música regionalista do sul do Brasil. Para diferenciar da trova literária, recentemente adotou-se chamar o improviso Gaúcho de Trova Tradicionalista Gaúcha, Trova Galponeira, Campeira, Gavetão, Milonga e/ou Trova de Martelo. Na gíria dos jovens do sul do Brasil, segundo o “Dicionário de Gírias e Jargões da Malandragem”, de Clério José Borges, livro publicado em 2010, a palavra trova significa também “mentira”. O mesmo Dicionário registra ainda que trova no Rio Grande do Sul é ato de falar e tentar convencer a outra pessoa da sua ideia. Falar abobrinhas e fazer com que a pessoa acredite. Fazer um Xaveco. Xavecar. Ainda no sul do Brasil, Trovador na gíria popular significa trouxa ou pessoas que conseguem convencer outras a fazerem alguma coisa, somente com a fala.

A Trova difere da quadra, pois no caso da quadra os versos não precisam ter sete sílabas poéticas. Exemplo de Trova: Nesta casa tão singela/ Onde mora um Trovador/ É a mulher que manda nela/ Porém nos dois manda o amor? Esta Trova de autoria de Clério José Borges, Trovador Capixaba possui quatro versos e rima, singela com nela e Trovador com amor e tem sentido completo. Dá para entender a mensagem. Agora o exemplo de uma quadra: Parabéns para você / Nesta data querida / Muitas felicidades / muitos anos de vida. O primeiro verso tem sete sílabas poéticas, mas o segundo, o terceiro e o quarto são versos de pé quebrado. Possuem apenas seis sílabas poéticas. Como não possuem sete sílabas poéticas, a quadra do “Parabéns” não pode ser nunca chamada de Trova e/ou Trova Literária.

É denominada métrica a medida do verso de uma poesia. Metrificação ou Escansão é uma forma de divisão de versos, dentro de uma poesia, feita a partir da sonoridade dos mesmos. É o exercício de contar as sílabas poéticas que compõem os versos de um poema, geralmente para conferirmos sua métrica e podermos classificá-lo ou não em um poema de forma fixa, como soneto, ode, balada, trova, etc.

A divisão silábica ou gramatical é diferente da divisão poética, contada pelo som. As sílabas poéticas são relacionadas com os sons (já que os poemas têm uma preocupação com o ritmo, pois, quando esse gênero foi inventado, ele era lido em voz alta ou cantado), e por isso, a última sílaba tônica do verso sempre vai indicar o fim da escansão. Não se contam as sílabas poéticas que estejam após a última sílaba tônica (forte) do verso, ou seja, a escansão termina quando temos uma última sílaba tônica. Ditongos têm valor de uma só sílaba poética. Duas ou mais vogais, átonas ou tônicas, podem fundir-se entre uma palavra e outra, formando uma só sílaba poética, pois se as lêssemos em voz alta os sons delas sairiam juntos.

Para melhor compreensão é importante saber que: 1) Elisão é a contração existente quando a última vogal de uma palavra, é completamente assimilada pela vogal que inicia a palavra seguinte, desaparecendo assim. 2) Diérese – Separação de duas vogais seguidas dentro da mesma palavra, de modo que constituam duas sílabas diferentes. 3) Sinérese – União de duas vogais, no interior da mesma palavra, que não formavam ditongo, de modo que formem uma única sílaba.

Os versos podem ser dodecassílabos, com 12 sílabas: Ins-pi-ra-doa-pen-sar-em-teu-per-fil-di-vi/no. Alexandrino é o Dodecassílabo que apresenta sílaba tônica (forte) na sexta e na décima segunda sílaba, formando dois hemistíquios. Decassílabo com 10 versos. Redondinha menor, contém 5 sílabas. Redondinha maior contém sete sílabas:

As trovas podem ser líricas, as que abordam sentimentos. Humorísticas as que são engraçadas e, filosóficas, as que contém ensinamentos. Já a Trova Folclórica é uma composição poética sem autoria. São trovas anônimas e foram criadas no passado. Na época em que não havia televisão, antes de 1950 e transmitidas de geração para geração, através das tradições orais. São também consideradas elementos da cultura popular e do folclore brasileiro. Muitas destas trovas possuem conteúdos ligados à cultura rural, ambiente em que muitas foram criadas, ou temática amorosa. Uma das Trovas folclóricas mais tradicionais é a da batatinha: Batatinha quando nasce / se esparrama pelo chão / mamãezinha quando dorme / põe a mão no coração. Cada verso (linha) tem setes sílabas poéticas (contada pelo som) mas a rima é apenas do segundo verso com o quarto verso. Trova infantil é uma composição de caráter lúdico ou lírico (versos feitos para canto ou recitação), elaborada para crianças.

Os Poetas Trovadores se reúnem em tornos de entidades culturais como o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, hoje, ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, a Federação Brasileira de Entidades Trovistas, Febet, a Academia Brasileira da Trova, do Rio de Janeiro e União Brasileira de Trovadores, UBT, que possui seções em cidades de Todo o Brasil. Realizam Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores palestras, Troveata (Desfile) Serenata e Missa em Trovas e, os Jogos Florais com a premiação dos vencedores dos Concursos de Trovas e a escolha da Musa Rainha e princesas da Trova e dos Trovadores.

Trova na Praça Getúlio Vargas em Nova Friburgo, Rio de Janeiro
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