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TROVADORISMO – A origem da Poesia Trovadoresca Medieval

Trovadores Trovadorismo Trovas

Literatura Medieval
Trovadorismo (1189/1198)

1 – Introdução

2 – Surgimento do Trovadorismo

3 – Poetas e Músicos

4 – Conceito de Trova

5 – Primeiras Manifestações

6 – Trovadores Provençais

7 – Gêneros Satírico e Lírico

8 – Os Cancioneiros Manuscritos.

Cantigas de Escárnio

Cantigas de Maldizer

9 – As novelas de cavalaria

10 – Expansão do Trovadorismo

11 – Primeiros Trovadores

INÍCIO: Canção da Ribeirinha – Paio Soares de Taveirós
TÉRMINO: Fernão Lopes é eleito cronista-mor da torre do Tombo

PAINEL DE ÉPOCA:CristianismoCruzadas rumo ao OrienteLuta contra os mourosTeocentrismo: poder espiritual  e cultural da IgrejaFeudalismoMonopólio clerical

I) PRODUÇÃO LITERÁRIA: PROSA E POESIAI) A poesia do trovadorismo: Cantigas

A) Cantigas líricasAmor amor do trovador pela mulher amada.mulher idealizada.contemplação platônica.uso de “meu senhor”.sofrimento por amor.vassalagem amorosa.amor cortês.estribrilho ou refrão. 

Amigo O trovador coloca-se no lugar da mulher que sofre pelo amado que partiu.mulher concreta-real.conversa com a natureza.popular – mulher camponesa.uso do termo “amigo” =  namorado, amante, marido.paralelismo e refrão. 
B) Cantigas satíricasEscárnio:referências indiretas.ironia.ambigüidade (vocabulário de duplo sentido).não se revela o nome da pessoa satirizada.Maldizer:sátira direta.maledicênciauso de palavras obscenas ou de conteúdo erótico.citação nominal da pessoa satirizada. 

II) A PROSA DO TROVADORISMO 
Hagiografia:  relatos bibliográficos de figuras canonizadas, escritos em latim.
Cronicões: relatam, de forma romanceada, os episódios históricos/sociais do século XIVLivros de linhagem: apresenta a genealogia das famílias nobres
Novelas de Cavalaria: poemas que celebram acontecimentos históricos, trazidos principalmente da França e Inglaterra.temos três ciclos:
a) Ciclo Bretão ou Arturiniano: Rei Artur e Cavaleiros
    da Távola Redonda.
b) Carolíngio: Carlos Magno
c) Clássico: Antigüidade Greco Romana. 

EXERCÍCIOS:A) Textos:I – “CANTAR D’AMIGO”Vi eu, mia madr’, andar 
as barcas eno mar: 
e moiro-me d’amor. Fui eu, madre, veer 
as barcas eno ler (1)
e moiro-me d’amor. As barcas eno mar 
a foi-las aguardar: 
e moiro-me d’amor As barcas eno ler 
E foi-las atender (2)  
e moiro-me d’amor E foi-las aguardar 
e non o pud’achar: 
e moiro-me d’amor.                          (Nuno Fernandes Torneol)   1. praia;  2. esperar.
 II – “CANTIGA DE ESCÁRNIO”Ai, dona fea, foste-vos queixar 
porque vos nunca louv’-en meu trobar 
mais ora quero fazer un cantar 
en que vos loarei toda via (1)
e vedes como vos quero loar
dona fea, velha e sandia (2). Ai dona fea! se Deus me perdon! 
e pois havedes tan gran coraçon 
que vos eu loe en esta razon (3)
vos quero já loar toda via, 
e vedes qual será a loaçon: 
dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei 
en meu trobar, pero (4) muito trobei; 
mais ora já um bom cantar farei 
en que vos loarei toda via; 
e direi-vos como vos loarei: 
dona fea, velha e sandia!                             (João Garcia de Guilhade)   1. para sempre;
   2. louca, demente;
   3. que eu a louve por este motivo;
   4. porém, todavia.
 III –  “CANTIGA DE MALDIZER” Meu senhor arcebispo, and’eu escomungado 
porque fiz lealdade; enganou-me o pecado (1)
Soltade-m’, ai (2), senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. Se traiçon fezesse, nunca vo-la diria; 
mais (3) pois fiz lealdade, vel (4) por Santa Maria, 
soltade-m’, ai, senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. Per mia maleventura tive hun en Sousa 
e dei-o a seu don’ e tenho que fiz gran cousa (5)
Soltade-m’ ai, senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. Por meus negros pecados tive hun castelo forte 
e dei-o a seu don’, e hei medo da morte. 
Soltad-m’, ai, senhor, mandado 
        que seja traëdor.                                      (Diego Pezelho)
    1. o demônio enganou-me;
   2. absolvei-me, ai;
   3. mas;
   4. oh!, ah!, ai! (segundo Rodrigues Lapa);
   5. parece-me ter cometido um ato grave (segundo Rodrigues Lapa).
 1) Identifique as principais características dos três textos analisando suas diferenças.2) Faça um estudo do eu-lírico nas cantigas acima e explique esse tipo de produção literária da época medieval.
 B) TESTES:
      “Rui Queimado morreu con amor
     en seus cantares, por Sancta Maria
     por  ua dona que gran ben queria,
     e, por se meter por mais trovador,
     porque lh’ela non quis [o] ben fazer(1),
     fez – s’el  en seus cantares morrer,
     mas ressurgiu depois ao tercer dia!     Esto fez el por ua sa senhor
     que quer gran ben, e mais vos en diria:
     porque cuida que faz i maestria (2),
     enos cantares que fez sabor(3)
     de morrer i e desi d’ar viver (4);
     esto faz el que x’o pode fazer,
     mas outr’omem per ren non [n] o faria.     E non há já de sa morte pavor,
     senon sa morte mais la temeria,
     mas sabede ben, per sa sabedoria,
     que viverá, des quando morto for
     e faz – (s’) en seu cantar morte prender,
     desi ar viver: vede que poder
     que lhi Deus deu, mas que non cuidaria.     E, si mi Deus a mim desse poder,
     qual oi’el há, pois morrer, de viver,
     jamais morte nunca temeria.
 1. porque ela não lhe quis atender as súplicas;
2. porque ele imagina que tem talento;
3. a gosto, satisfeito;
4. de aí morrer e, mais tarde, reviver. 
1) A cantiga anterior é de autoria de Pedro Maria Burgalês. Por suas características e conteúdo, ela é uma cantiga:
a) de amigo;
b) de escárnio;
c) de amor;
d) de maldizer;
e) n.d.a.2) Fazem parte da prosa trovadoresca em Portugal:
a) as hagiografias e as cantigas de maldizer;
b) os livros de linhagem e os cronicões;
c) as novelas de cavalaria e os romances;
d) os cronicões e as crônicas;
e) os livros de linhagem e os sonetos.3) Assinale a alternativa incorreta:
a) Na cantiga de amigo, o “eu-lírico” feminino lamenta a ausência do amigo distante;
b) Na cantiga de escárnio, a sátira é feita indiretamente e usam-se a ironia e as ambigüidades;
c) Na cantiga de maldizer, o erotismo pode estar presente;
d) Na cantiga de amor, o apelo erótico é purificado e ocorre a idealização do amor;
e) Na cantiga de amigo, usa-se o refrão, mas não existe paralelismo.

1 – Introdução

A época do trovadorismo abrange as origens da Língua Portuguesa, isto é, o português arcaico, que compreende o período de 1189, quando o Poeta Paio Soares de Taveirós dedica uma cantiga de amor e escárnio a Maria Pais Ribeiro, cognominada A Ribeirinha, favorita de D. Sancho I e vai até 1418, quando D. Duarte nomeia Fernão Lopes para o cargo de Guarda-Mor da Torre do Tombo, ou seja, conservador do arquivo do Reino. e aí se inicia o Humanismo. Durante esses duzentos anos de atividade literária, cultivaram-se a poesia, a novela de cavalaria e os cronicões e livros de linhagens, nessa mesma ordem decrescente de importância.

Linguagem oficial: Galego Português
Cancioneiros: da Ajuda, da Vaticana e da Biblioteca Nacional.
Marco Inicial: Cantiga da Guarvaya (conhecida também por Cantiga da Ribeirinha). O primeiro grande documento de nossa Literatura, foi a “Cantiga da Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveirós, escrita ainda em galego-português.

O Trovadorismo aconteceu no período medieval, caracterizado pelo teocentrismo.
Teocentrismo: poder cultural e religioso nas mãos da igreja e influência direta nas relações econômicas, políticas da sociedade medieval.

Os autores dessa época, geralmente poetas, eram chamados de trovadores.
A palavra trovador vem do francês “trouver” que significa ”achar”, ”encontrar”. Dizia-se que o poeta ”achava”. ”encontrava” a música adequada ao poema (seu ou de outro) e o cantava acompanhado ed instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa.

Tipos de Cantiga.
Lírico Amorosa: subdividia em cantiga de amor e cantiga de amigo.
Satírica: podia ser de escárnio ou de maldizer.

O surgimento do nome da Trova está intimamente ligado à poesia da Idade Média. Durante a Idade Média, Trova era o sinônimo de poema e letra de música. Hoje a Trova possui a sua conceituação própria, diferenciando da Quadra e da Poesia de Cordel, e do Poema musicado da Idade Média.

Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV.2 – Surgimento do Trovadorismo

A partir desse século, Portugal começava a afirmar-se como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Península Ibérica. Desses laços surgiu, próximo à Galícia (região ao norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português. A produção literária dessa época foi feita nesta variação lingüística.

A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero.

O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado Feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessão de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados.

Essa relação de dependência entre suserano e vassalo era chamada de vassalagem.

Assim, o senhor feudal ou suserano era quem detinha o poder, fazendo a concessão de uma porção de terra a um vassalo, encarregado de cultivá-la.

Além da nobreza (classe que pertenciam os suseranos) e a classe dos vassalos ou servos, havia ainda uma outra classe social: o clero. Nessa época, o poder da Igreja era bastante forte, visto que o clero possuía grandes extensões de terras, além de dedicar-se também à política.

Os conventos eram verdadeiros centros difusores da cultura medieval, pois era neles que se escolhiam os textos filosóficos a serem divulgados, em função da moral cristã.

A religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval portuguesa. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Nessa época, eram freqüentes as procissões, além das próprias Cruzadas – expedições realizadas durante a Idade Média, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos. Essa época foi caracterizada por uma visão teocêntrica (Deus como o centro do Universo). Até mesmo as artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos.

Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece tentando tocar o céu.3 – Poetas e Músicos

Na literatura, desenvolveu-se em Portugal um movimento poético chamado Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. (Trovadores – poetas que compunham a letra e a música de canções. Em geral uma pessoa culta – Menestréis – músicos-poetas sedentários; viviam na casa de um fidalgo, enquanto o jogral andava de terra em terra – , Jograis – cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia – e Segréis – trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral) Recebiam o nome de cantigas, porque eram acompanhados por instrumentos de corda e sopro. Mais tarde, essas cantigas foram reunidas em Cancioneiros: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.4 – Conceito de Trova

Conhece-se Trovas escritas nas línguas derivadas do Latim situadas na Península Ibérica, a saber: Português, Galego, Espanhol e Catalão, nos séculos X e XI. A Trova teria surgido junto com o alvorecer das línguas derivadas do Latim, as chamadas línguas romances.

A Trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: é o poema de quatro versos setissílabos com rima e sentido completo. Já Quadra é toda estrofe formada por quatro linhas de uma poesia.

Assim, não é verdade que Quadra e Trova sejam a mesma coisa e que a Trova evoca mais os Trovadores da Provença Medieval e que a Quadra seria uma forma de se fazer poesia mais moderna. A Quadra pode ser feita sem métrica e com versos brancos, sem rima. Aí então será só uma quadra sem ser a Trova que obrigatoriamente terá que ser metrificada. Trova, nos dias atuais, é cultuada como Obra de Arte, como Literatura.

A origem da Poesia Trovadoresca Medieval (que não pode ser confundida com a trova-quadra moderna nem a daqueles tempos recuados) perde-se no tempo, contudo foi a criação literária que mais destaque alcançou entre as formas poéticas medievais, originárias de Provença, Sul da França.

Expandiu-se no século XII por grande parte da Europa e floresceu por quase duzentos anos em Portugal, França e Alemanha.

O Trovador Medieval representava a glorificação do amor platônico, pois a dama que era a criatura mais nobre e respeitável da criação, a mulher ideal, inacessível para alguns, passava a ser a pessoa a quem o referido Trovador endereçava os seus líricos versos.

Os primeiros Trovadores Modernos a fazerem Trovas sistematicamente para publicação, surgiram no século passado em Espanha e Portugal, na esteira dos folcloristas que as recolhiam em meio ao povo.5 – Primeiras Manifestações

Sobre a gênese da Trova Medieval, por falta de documentos sobre o folclore na Idade Média, os historiadores consideram a mesma imprecisa. Não há dados concretos que estabeleçam a época certa do surgimento da Trova Medieval. O que se tem registrado é que, entre 1.100 e 1.300, escritos de autores Espanhóis e Portugueses utilizavam, como recurso auxiliar, composições poéticas hoje reconhecidas como formas das primeiras manifestações “trovadorescas (ou seja, da trova medieval — que é sinônimo, hoje, de poesia metrificada. Não se pode confundir com trovistas — que trata da trova-quadra, a nossa quadra)” de que se tem conhecimento.

No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes, a partir do contato do árabe com o latim. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e textos literários não latinos da região, como os cancioneiros (coletâneas de poemas medievais), surgindo os Trovadores Medievais.

TROVADORISMO – Foi um movimento poético propulsor de todo o lirismo medieval. Seu grande impulsor foi o duque de Aquitânia e conde de Poitier, Guilherme (1071-1127). Guilherme de Aquitânia gostava de compor cantigas e poemas, até então reservado apenas aos jograis e menestréis.

TROVADOR – É uma palavra da língua d’ oc, acusativo singular de “trobaire” (poeta), proveniente do verbo trobar (inventar, achar).

Entre 1 200 a 1240 existem cerca de 400 trovadores provençais, cuja obra era reunida em Cancioneiros manuscritos (chansoniers) e cujas biografias foram publicadas por Uc de Saint Circ.6 – Trovadores Provençais

Todo o século XII é domínio absoluto do trovadorismo provençal. O nome provençal vem de Provença, cidade da França onde os reis e nobres começaram a cultivar o lirismo, antes apenas reservados aos jograis. Leonor, neta de Guilherme de Aquitânia divulga o gosto pela poesia e em sua corte de Toulouse divulga e incentiva os trovadores, surgindo os troveiros.

A influência dos Trovadores Provençais foi bem extensa. Na Itália deu origem aos Trovatori, de onde saíram Dante, autor da Divina Comédia e Petrarca e até o patrono dos modernos trovadores brasileiros, São Francisco de Assis.

O grande rei Ricardo Coração de Leão, famoso pela história de Robin Hood, era filho de Leonor de Aquitânia e através de sua mãe aprendeu a ser amigo dos trovadores provençais.

Na Península Ibérica (Portugal e Espanha) o reis se orgulhavam da condição de Trovador. Afonso II de Aragão (1126 – 1196), considerava-se o primeiro trovador da Catalunha.

No século XIII e parte do século XIV, surgem na Península Ibérica, os trovadores galeco-portugueses.

Antes existiam os duelos a cavalos, homens se guerreavam às vezes até a morte, para obterem o amor de uma dama da corte. Para substituir o sangrento espetáculo, os jovens passaram ao duelo poético declamando Trovas. Os que não tivessem o dom poético, simplesmente pagavam um poeta trovador para as disputas que ocorriam e assim o vencedor podia galantear a dama mais bonita da corte.7 – Gêneros Satírico e Lírico

A produção poética medieval portuguesa pode ser agrupada em dois gêneros:

1 – Gênero satírico: em que o objetivo é criticar alguém, ridicularizando esta pessoa de forma sutil ou grosseira; a este gênero pertencem as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer.

São composições que expressam melhor a psicologia do tempo, onde vêm á tona assuntos que despertam grandes comentários na época, nas relações sociais dos trovadores; são sátiras que atingem a vida social e política da época, sempre num tom de irreverência; são sátiras de grande riqueza, uma vez que se apresentam num considerável vocabulário, observando-se, muitas vezes o uso de trocadilhos; fogem às normas rígidas das cantigas de amor e oferecem novos recursos poéticos.

Os principais temas das cantigas satíricas são: a fuga dos cavaleiros da guerra, traições, as chacotas e deboches, escândalos das amas e tecedeiras, pederastia (homossexualismo) e pedofilia (relações sexuais com crianças), adultério e amores interesseiros e ilícitos.

Obs: Tanto nas cantigas de escárnio quanto nas de maldizer, pode ocorrer diálogo. Quando isso acontece, a cantiga é denominada tensão (ou tenção). Pode mostrar a conversa entre a mãe a moça, uma moça e uma amiga, a moça e a natureza, ou ainda, a discussão entre um trovador e um jogral, ambos tentando provar que são mais competentes em sua arte.

2 – Gênero lírico: em que o amor é a temática constante, são as cantigas de amor e as cantigas de amigo.

A canção da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós é considerada o mais antigo texto escrito em galego-português: 1189 ou 1198, portanto fins do século XII. Segundo consta, esta cantiga teria sido inspirada por D. Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada e que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal. )

“No mundo ninguém se assemelha a mim / enquanto a minha vida continuar como vai / porque morro por ti e ai / minha senhora de pele alva e faces rosadas, / quereis que eu vos descreva (retrate) / quanto eu vos vi sem manto (saia : roupa íntima) / Maldito dia! me levantei / que não vos vi feia (ou seja, viu a mais bela).”

Cantigas de amor

Nesta cantiga o eu-lírico é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais “palaciana”, desenvolve-se em cortes e palácios.

O nome da mulher amada vem oculto por força das regras de mesura (boa educação extrema) ou para não compromete-la (geralmente, nas cantigas de amor o eu-lírico é um amante de uma classe social inferior à da dama).

A beleza da dama enlouquece o trovador e a falta de correspondência gera a perda do apetite, a insônia e o tormento de amor. Além disso, a coita amorosa (dor de amor) pode fazer enlouquecer e mesmo matar o enamorado.8 – Os Cancioneiros Manuscritos.

a) Cancioneiro da Ajuda

Copiado (na época ainda não havia imprensa) em Portugal em fins do século XIII ou princípios do século XIV. Encontra-se na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa. Das suas 310 cantigas, quase todas são de amor.

b) Cantigas de amigo

As cantigas de amigo apresentam eu-lirico feminino, embora o autor seja um homem. Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado). Ou ainda, o amigo é o destinatário do texto, como se a mulher desejasse fazer-lhe confidências de seu amor. (Mas nunca diretamente a ele. O texto é dialogado com a natureza, como se o namorado estivesse por perto, a ouvir as juras de amor). Geralmente destinam-se ao canto e a dança.

A linguagem, comparando-se às cantigas de amor é mais simples e menos musical pois as cantigas de amigo não se ambientam em palácios e sim em lugares mais simples e cotidianos.

Conforme a maneira como o assunto é tratado, e conforme o cenário onde se dá o encontro amoroso, as cantigas de amigo recebem denominações especiais

c) Cancioneiro da Vaticana – Trata-se do códice 4.803 da biblioteca Vaticana, copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI. Entre as suas 1.205 cantigas, há composições de todos os gêneros.

d) Cancioneiro Colocci-Brancutti – Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI. Descoberto em 1878 na biblioteca do conde Paulo Brancutti do Cagli, em Ancona, foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Lisboa, onde se encontra desde 1924. Entre as suas 1.664 cantigas, há composições de todos os gêneros.

e) Cancioneiros de Escárnio e Maldizer, que são cantigas elaborados como forma de menosprezar e criticar o oponente, muito usados para críticas aos administradores (políticos) da época medieval.

Cantigas de Escárnio

Apresentam críticas sutis e bem-humoradas sobre uma pessoa que, sem ter nome citado, é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade.

Cantigas de Maldizer

Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intenção de ofender a pessoa ridicularizada. Há o uso de palavras grosseiras (palavrões, inclusive) e cita-se o nome ou o cargo da pessoa sobre quem se faz a sátira:

Maria Peres se mãefestou (confessou) / noutro dia, ca por pecador (pois pecadora) / se sentiu, e log’ a Nostro Senhor / prometeu, pelo mal em que andou, / que tevess’ um clérig’ a seu poder, (um clérigo em seu poder) / polos pecados que lhi faz fazer / o demo, com que x’ela sempr’andou. (O demônio, com quem sempre andou)9 – As novelas de cavalaria

Nem só de poesia viveu o Trovadorismo. Também floresceu um tipo de prosa ficcional, as novelas de cavalaria, originárias das canções de gesta francesas (narrativas de assuntos guerreiros), onde havia sempre a presença de heróis cavaleiros que passavam por situações preciosíssimas para defender o bem e vencer o mal.

Sobressai nas novelas a presença do cavaleiro medieval, concebido segundo os padrões da Igreja Católica (por quem luta): ele é casto, fiel, dedicado, disposto a qualquer sacrifício para defender a honra cristã. Esta concepção de cavaleiro medieval opunha-se à do cavaleiro da corte, geralmente sedutor e envolvido em amores ilícitos. A origem do cavaleiro-herói das novelas é feudal e nos remete às Cruzadas: ele está diretamente envolvido na luta em defesa da Europa Ocidental contra sarracenos, eslavos, magiares e dinamarqueses, inimigos da cristandade.

As novelas de cavalaria estão divididas em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam. Assim, as que apresentam heróis da mitologia greco-romana são do ciclo Clássico (novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande); as que apresentam o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda pertencem ao ciclo Arturiano ou Bretão (A Demanda do Santo Graal); as que apresentam o rei Carlos Magno e os doze pares de França são do ciclo Carolíngeo (a história de Carlos Magno).

Geralmente, as novelas de cavalaria não apresentam uma autoria. Elas circulavam pela Europa como verdadeira propaganda das Cruzadas, para estimular a fé cristã e angariar o apoio das populações ao movimento. As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época. As novelas Amandis de Gaula e A Demanda do Santo Graal foram as histórias mais populares que circulavam entre os portugueses.10 – Expansão do Trovadorismo

À medida em que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crónica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de dom Pedro, conde de Barcelona.

Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada, de origem malaia, e chá, de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

A Trova que passou a pontilhar na Literatura de Espanha e Portugal, propagou-se pelos países surgidos das conquistas dessas potências marítimas, chegando pois à América Latina e ao Brasil.11 – Primeiros Trovadores

Os primeiros Trovadores, com produção regular para publicação, apareceram em Portugal e Espanha, no Século XIX, criando Trovas “popularizáveis” que muito se assemelham às populares.

Segundo os historiadores, o Português Antônio Correia de Oliveira publica, no início do século, dois livros de versos em língua lusitana.

Antônio Correia de Oliveira, que pela qualidade de sua obra e pela edição dos dois primeiros livros de Trovas na Língua Portuguesa, é considerado um dos primeiros grandes Trovadores Literários, ou seja, Trovador que organiza e publica suas Trovas.

É de sua autoria esta Trova publicada em 1900:

Sino, coração da aldeia,

coração, sino da gente.

Um a sentir quando bate,

outro a bater quando sente.

A verdade é que o período folclórico da Trova sempre se revitalizará enquanto existirem propagadores do ato do recitar nas festas em família e das brincadeiras de roda.

Há de se considerar, também, acontecimentos como a extraordinária popularidade da Trova, que contrariamente ao esperado, constitui-se num fator que alguns consideram negativo para o seu real aproveitamento na Literatura, uma vez que, antigamente, o que vinha do povo era rejeitado pela nobreza, que manipulava a elite intelectual da época.

Ainda hoje, alguns homens de letras, que, privados de sensibilidade poética, se recusam a reconhecer o valor da Trova, a consideram coisa “cafona”, indigna de um verdadeiro intelectual. Uma ojeriza de uma “pseudo-elite” minoritária.

Segundo Elmo Elton, eleito em 1980, Rei dos Trovadores Capixabas não é fácil escrever Trovas, “visto que apenas os inclinados para o exercício desse gênero poético sabem como bem realizá-las dentro das normas exigidas à sua correta feitura, já que, caso contrário, tão somente conseguem o que é comum, enfileirar quatro versos sem aquelas características essenciais que conseguem consagrar uma Trova.”

Vale aqui lembrar a Trova do Rei dos Trovadores Brasileiros, Adelmar Tavares, que era Acadêmico da Academia Brasileira de Letras:

Ó linda trova perfeita,

que nos dá tanto prazer,

tão fácil, – depois de feita,

tão difícil de fazer.

Divulgando a TROVA.

Trovismo: Movimento cultural em torno da Trova no Brasil, surgido a partir de 1950. A palavra foi criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno Teodoro Wanke publica em 1978 o livro “O Trovismo”, onde conta a história do movimento de 1950 em diante.

Neotrovismo: É a renovação do movimento em torno da Trova no Brasil. Surge em 1980, com a criação por Clério José Borges do Clube dos Trovadores Capixabas. Foram realizados 20 Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo e o Presidente Clério Borges já foi convidado e proferiu palestras em várias cidades do Brasil. Em 1987 concedeu inclusive entrevista em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro.O Trovador Literário é aquele que sabe fazer a Trova, imprimindo espontaneidade, graça, beleza e sabedoria, tal qual a cultivaram poetas brasileiros e portugueses de renome, como Fernando Pessoa:O poeta é um fingidor,finge tão completamente,que chega a fingir que é dora dor que deveras sente.
Olavo Bilac:Mulher de recursos fartos!Como é que está impenitente,tendo no corpo dois quartos,dá pousada a tanta gente?
Menotti Del Picchia:Saudade, perfume tristede uma flor que não se vê.Culto que ainda persistenum crente que já não crê.
Mário de Andrade:Teu sorriso é um jardineiro,meu coração é um jardim.Saudade! Imenso canteiroque eu trago dentro de mim.
Cecília Meireles:Os remos batem nas águas:têm de ferir para andar.As águas vão consentindo- esse é o destino do mar.
Carlos Drumond de Andrade:Solidão, não te mereço,pois que te consumo em vão.Sabendo-te, embora, o preço,calco teu ouro no chão.

Clube dos Trovadores Capixabas CTC Rua dos Pombos, 2, Eurico Salles, Serra/ES
CEP: 29160-280 – Tel: (27) 3328.0753 – Email: cj-anna@bol.com.br

HISTÓRICO DO CTC. Dentre as entidades culturais do Estado do Espírito Santo, destaca-se o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. É uma Associação civil de divulgação da Trova e dos Poetas Trovadores, sem fins lucrativos e que funciona com sede provisória na rua dos Pombos, 2 – Eurico Salles – Carapina – Serra – ES. A Trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas poéticas cada, com rima e sentido completo. Trovador é aquele que faz a Trova como obra de arte, como literatura. Por força de Lei, o CTC é uma associação de Utilidade Pública no Município da Serra e no Estado do Espírito Santo.

Na Serra, que fica na Grande Vitória, no Espírito Santo, a iniciativa da lei foi da da Vereadora e Acadêmica, professora Márcia Lamas da Silva. O título foi aprovado por unanimidade e se transformou na Lei Municipal N.º 1.563/91, sancionada pelo Prefeito Adalton Martinelli. No Estado do Espírito Santo, o CTC possui também o título de Utilidade Pública Estadual aprovado, por unanimidade, pela Assembléia Legislativa Estadual e sancionada pelo Governador do Estado, Albuíno Cunha de Azeredo em 20 de setembro de 1991. Lei N.º 4.554 de autoria do Deputado Estadual José Carlos Gratz que, em 1991 era grande amigo do então vice Presidente do CTC, o saudoso professor Narceu Paiva Filho. Oficialmente os fundadores do CTC são: Clério José Borges; José Borges Ribeiro Filho e Luiz Carlos Braga Ribeiro. Graças a iniciativa do CTC existem hoje Praças dos Trovadores em Cariacica, Vila Velha, Serra e Vitória e o Presidente e sócios do CTC são regularmente convidados a participar e realizar palestras em várias cidades brasileiras. Ao longo dos anos, de 1980 a 2017, palestras foram proferidas por Clério José Borges, Presidente do CTC, nas cidades de Porto Velho, Rondônia; Porto Alegre-RS; Rio de Janeiro; São Paulo; Brasília-DF; Salvador-BA; Recife-PE; Petrópolis-RJ; Campos dos Goytacases-RJ; Maringá-PR; Timóteo-MG; Magé-RJ; Olinda-PE, Nova Prata – RS e Cambuci, RJ.

O CTC foi fundado, com base numa idéia do Escritor Paranaense e, na época radicado no Rio de Janeiro, Eno Theodoro Wanke, a 1º de Julho de 1980, no Estado do Espírito Santo. Eno foi Engenheiro Civil e Poeta Brasileiro. Nasceu em Ponta Grossa, no Estado do Paraná a 28 de Junho de 1929 e faleceu no dia 28 de maio de 2001, no Rio de Janeiro. Escritores e Poetas de todo Brasil preenchem ficha de inscrição e se associam ao CTC. Mais de 1.0500 sócios são cadastrados. Alguns residentes no Espírito Santo e a grande maioria, em vários Estado do Brasil e no exterior. São definidos como sócios Fundadores, Efetivos e Correspondentes. Em 1981, para comemorar o Primeiro Aniversário do CTC, o Presidente Clério José Borges teve a idéia de realizar um Seminário Nacional de Estudos da Trova. A idéia foi aprovada e anualmente, o CTC passou a realizar em Julho, mês do seu aniversário, os SEMINÁRIOS NACIONAIS DA TROVA.

SEMINÁRIOS NACIONAIS DA TROVA. Em 1981, Clério resolveu comemorar o primeiro aniversário do CTC, a 1º de Julho de 1981, com um Seminário. Foram convidados diversos Trovadores do Brasil inteiro, inclusive J. G. de Araújo Jorge, então Deputado Federal em Brasília, que não pode comparecer pois não gostava de viajar de avião. Compareceram de fora uma Delegação de Campos (Walter Siqueira, Alves Rangel e Constantino Gonçalves), J. Silva (da UBT Nacional), Rodolfo Coelho Cavalcante, de Salvador e Eno Teodoro Wanke, que compareceu com a esposa à sessão de encerramento. Na ocasião, Wanke fez uma palestra onde, em certa frase, dizia estar a UBT “encastelada em sua Torre de Marfim”. O Sr. J. Silva reclamou e a discussão se acirrou, com intervenções de Andrade Sucupira e outros. O Seminário teve grande repercussão. Rodolfo e o casal Wanke ficaram hospedados em casa da Trovadora Argentina Lopes Tristão e Eno aproveitou para gravar informações destinadas a completar a biografia de Rodolfo, que posteriormente lançaria num livro denominado “Vida e Luta do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante.” Rodolfo decidiu fundar o Clube Baiano de Trova, tão logo chegasse a Salvador, o que efetivamente fez. No ano seguinte, o CTC promoveu o Segundo Seminário e o comparecimento foi mais significativo ainda, com as seguintes Delegações: Recife: Valdeci Camelo, Presidente da UBT de Recife, Diva Veloso e J. Cabral Sobrinho, de Olinda. Salvador: Rodolfo Coelho Cavalcante e dois cordelistas; Niterói: O casal Torquata e Américo Lopes Fontoura, da UBT e da Academia Brasileira de Trova e Jandyra Mascarenhas, (da UBT do Rio) Rio de Janeiro: Eno Teodoro Wanke e esposa Irma. (Eno Teodoro Wanke jamais faltou a nenhum dos Seminários do CTC) Ponta Grossa: Amália Max, Presidente da UBT local. Argentina: Jorge Piñero Marques.

O CTC passa a ser destaque no cenário cultural brasileiro pela realização anual dos Seminários Nacionais da Trova no mês de Julho, quando passam a convergir para o Estado do Espírito Santo, poetas trovadores de vários Estados brasileiros, inclusive da Argentina e de Portugal. Os Seminários do Espírito Santo (sempre organizados por Clério José Borges), provocam no Movimento Trovista Nacional uma efervescência de tal ordem que no Terceiro, foi fundada a 2 de Julho de 1983, uma Federação Brasileira de Entidades Trovistas, a FEBET presidida por Eno Teodoro Wanke. No Quarto Seminário, Eno Teodoro Wanke propôs que esta nova fase do Movimento, iniciado com a fundação do CTC em 1° de julho de 1980, passasse a ser denominado de “Neotrovismo”. Ou seja, era o mesmo Trovismo renovado por uma nova geração de Trovadores. Os Seminários passaram a ser realizados anualmente, sempre em comemoração ao Aniversário do CTC, na primeira Semana de Julho, estando em 1997 na sua Décima Sétima versão. Até o Décimo foi realizado em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, na Grande Vitória. O Décimo Seminário foi realizado dentro do Palácio do Governo do Estado do Espírito Santo, o Palácio Anchieta, em Vitória.

O Décimo Primeiro foi realizado na cidade de Ibiraçu. O Décimo Segundo em Afonso Cláudio. O Décimo Terceiro em Guarapari. O Décimo Quarto Seminário foi realizado em Linhares. O Décimo Quinto em Domingos Martins e o Décimo Sexto em Jacaraípe, Serra. O Décimo Sétimo na cidade de Conceição da Barra, no norte do Estado. O Décimo Oitavo na Praia da Costa em Vila Velha. O décimo Nono na cidade de Anchieta, onde faleceu o Apóstolo do Brasil, José de Anchieta. O 20º Seminário, o último do Século, no ANO DOIS MIL, foi realizado na cidade de Domingos Martins, onde já fôra realizado o 15º Seminário em 1995. Em 2002 foi realizado em Domingos Martins, o 1º Congresso Brasileiro de Trovadores. Em 2003, o 2º Congresso foi realizado em Nova Almeida, ES. Em 1987, Clério José Borges residindo no Espírito Santo é convidado a ir no Rio de Janeiro e conceder entrevista em Rede Nacional, no programa “Sem Censura” da TV Educativa do Rio de Janeiro, conduzido pela Apresentadora Leda Nagle. De Julho de 1981 a Julho do ano 2000, um total de 20 Edições dos Seminários Nacionais da Trova são realizados. Durante 20 anos inúmeras promoções foram realizadas, dentre Concursos de Trovas; Palestras; Troveatas (Desfile dos Trovadores); Missa em Trovas, atingindo milhares de pessoas no Espírito Santo e no Brasil já que o exemplo do CTC, com suas palestras e Seminários espalhou-se pelo Brasil, surgindo Convenções, Simpósios, Congressos e Encontros Nacionais em todo o país: Brasília; Porto Alegre; Rio de Janeiro; São Paulo; Salvador; Recife; Olinda; Petrópolis – RJ; Corumbá – Mato Grosso do Sul; Magé – RJ; Maringá, PR; Porto Velho, Rondônia; Timóteo – MG e Magé – RJ.

O historiador da Trova, Eno Teodoro Wanke relata que sete anos após a criação dos Seminários Nacionai da Trova, ocorre um grande movimento da Trova no Brasil: “Durante sete anos o Seminário de Vitória foi um farol solitário iluminando o Trovismo. Chegou-se a suspeitar que seria sempre assim… Mas não. Em Outubro de 1987, a rotina foi de novo rompida e outro foco de luz surgiu no Nordeste do país. Alba Tavares Correia, Presidente do Clube de Trovadores da Associação de Imprensa de Pernambuco, realizou com absoluto êxito, o 1º Simpósio Nacional do Dia da Trova em Olinda, Pernambuco. E 1988, proclamado o Ano Adelmar Tavares por ser o centenário do seu nascimento, assiste a uma verdadeira explosão de encontros. As cidades de Timóteo (no Vale do Aço mineiro), Rio de Janeiro e Porto Alegre entram no páreo, cada uma delas com seu encontro, ampliando, assim, as oportunidades para que os Trovadores locais ou regionais possam assistir e contribuir com sua parcela de idéias. Em 1989, mais duas cidades se incorporam à programação regular: Petrópolis ( em Janeiro ) e a longínqua Porto Velho, Capital de Rondônia, em Março.” De 1989 a 2000 outros eventos são realizados em São Paulo; Rio de Janeiro; Brasília; Salvador, na Bahia; Recife e outras cidades, ampliando-se os horizontes do Movimento Neotrovista. A Trova firma-se pois na Literatura Brasileira formando um grande movimento poético, o Trovismo, hoje denominado Neotrovismo. O Escritor Jorge Amado em entrevista a Maria Thereza Cavalheiro, Jornalista e Trovadora de São Paulo, diz: “Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.” Esta frase é amplamente divulgada pela FEBET e pelo CTC.

Em 2001 os Seminários da Trova transformaram-se em Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores, sem local definido (um dos Congressos foi realizado na Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro, em 2006) e sem data definida (atualmente são realizados ou em Julho em comemoração ao aniversário do CTC, ou em Outubro em comemoração ao Dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos Modernos Trovadores ou em Novembro de cada ano). O CTC, fundado no Estado do Espírito Santo, tem características de entidade de âmbito Nacional. A grande maioria dos seus associados são de outros Estados e do Espírito Santo, o CTC conseguiu organizar eventos em outros Estados Brasileiros. Dois Congressos de Trovadores foram realizados em São Paulo, com Marília Martins e Inês Catelli; Um Congresso, em Salvador, Bahia, com o Poeta e Escritor Luciano Jatobá; Um Congresso em Porto Velho, no Estado de Rondônia, com Kléon Maryan e, um Congresso de Trovadores, no bairro de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, na SUAM, com o Prof. José Maria de Souza Dantas. O Movimento Trovista, que havia sido expressivo no Espírito Santo de 1967 a 1970, voltou a ser reativado no Espírito Santo em 1980.

Clério José Borges era estudante Universitário do Curso de Pedagogia na Universidade Federal do Estado do Espírito Santo – UFES. Coube-lhe fazer um trabalho sobre Trovadorismo Medieval. O Trabalho era em grupo, com o tema, “A Educação Secular na Idade Média”, para a diciplina “História da Educação I, tendo como Professora Regina da Silva Simões, Turma 01. Foi apresentado em Sala de Aula no dia 21 de maio de 1980 e participaram da equipe, os Universitários, Ana Maria Rocha, Cleuza Arlém, Clério José Borges de Sant Anna, Elisa Oliveira, Hilda Chagas, Jurandi Francisco de Souza, Maria Tereza Bragatto e Solange Maria Ribeiro. O trabalho foi apresentado em Sala de Aula. Hilda falou sobre A Educação na Idade Média; Ana sobre A Nobreza e a Educação dos Cavaleiros, Clério, Os Trovadores e os Jogos Florais; Jurandir abordou o tema, Ressonância da Cavalaria”; Cleuza falou sobre as Classes Trabalhadoras e o Nascimento das Escolas Municipais; Solange abordou o tema, Contraste com a Educação Rural e Elisa abordou o tema, As Classes Trabalhadoras e a Educação Gremial na Idade Média. Para fazer seu trabalho e desenvolver o tema que lhe foi proposto sobre os Trovadores e os Jogos Florais, Clério recorreu a Biblioteca da Universidade do Espírito Santo e topou, por acaso, com o livro “O Trovismo”. Resolveu consultá-lo e observando que Eno Teodoro Wanke havia omitido as promoções da UBT de Vitória e Vila Velha, inclusive o Concurso de Trovas tema Pelé, escreveu para o autor do livro ocasião em que pergunta-lhe como fazer para renovar o Trovismo localmente. Wanke desculpou-se da omissão, pois, em suas pesquisas, não tinha podido contar com os dados finais da UBT do Rio de Janeiro, já que esta o considerava, por motivos de ter se desentendido com Luiz Otávio, como persona non grata. No entanto, é preciso reconhecer que é a obra de Eno Teodoro Wanke — e só ela, já que até o momento ainda não apareceu nada tão profundo e detalhado como ela sobre o trovismo — que preservará para o futuro todo a história do trabalho de Luiz Otávio. Paulo Rónai chamou Wanke o “historiador e o teórico” do movimento. São coisas da literatura pátria… Quanto à indagação de Clério, e tendo em mente o então Clube dos Trovadores do Vale do Paraíba, sob a presidência de Francisco Fortes, respondeu: “Funde um Clube !.” Foi o que Clério fez, fundando a 1º de Julho de 1980 o Clube dos Trovadores Capixabas ( CTC ) lançando, ao mesmo tempo, um Concurso de Trovas, com os temas Vitória, Capixaba e Anchieta, que alcançou inúmeros participantes, tendo sido recebidas mais de mil trovas.

Tendo o escritor Eno dado a idéia de criação de um Clube. Clério de imediato acatou a idéia. Para fundar a entidade, Clério não se fez de rogado. Convidou dois primos que apreciam poesias e entre um bate-papo e outro, fundou o CTC, organizando na hora um Estatuto e formando uma Diretoria. Clério Presidente; Luiz Carlos Braga Ribeiro como Vice Presidente e Secretário e José Borges Ribeiro Filho como Tesoureiro. Com a divulgação na Imprensa Nacional do Concurso temas Vitória, Anchieta e Capixaba, Trovadores do Espírito Santo e do Brasil foram se filiando ao Clube. Logo uma nova Diretoria foi formada criando-se e preenchendo-se novos cargos. Parece, contudo, que o grande segredo do sucesso do CTC foi a constância. Clério mantinha uma constância, remetendo regulamento do Concurso para todos os endereços de Trovadores aos quais tinha acesso. Mandando Cartas e espalhando o nome do CTC no Brasil e Exterior. Logo foi criado um Jornal Mimeografado denominado Beija Flor, divulgando Trovas e Trovadores do Espírito Santo e do Brasil. São feitos inicialmente trezentos exemplares, remetidos pelos Correios para trovadores, cujos endereços eram fornecidos por Eno Teodoro Wanke e recolhidos por Clério, de livros, principalmente os livros de Antologia feitos por Aparício Fernandes de Oliveira que sempre traziam uma bibliografia dos Trovadores, com endereço no final. O imediato lançamento de um Concurso de Trovas a nível Nacional com os Temas Vitória, Anchieta, Capixaba, parece também ter sido a razão maior da divulgação e do sucesso do Clube dos Trovadores Capixabas. Segundo o Jornal “O Nacional”, de Passo Fundo – RS, de 30 de Julho de 1980: “O Concurso receberá Trovas até 15 de Setembro de 1980 e o primeiro colocado receberá uma Rosa de Prata.” Outros Jornais no Brasil e Exterior divulgam o Concurso e o CTC e o resultado passa a ser o recebimento de inúmeras Trovas, mais de mil, de centenas de Trovadores e várias Cartas de Trovadores Brasileiros associando-se ao CTC, tanto que em 1981, um ano após a sua fundação o CTC já possuía mais de 500 sócios no Espírito Santo e no Brasil. Entrevistas são concedidas a emissoras de rádio e Televisão e o CTC amplia seus horizontes com mais adeptos e admiradores. Em “A Gazeta”, de Vitória, de 13 de Julho de 1981 consta que: “Não se pode negar que há uma grande receptividade popular em torno da Trova. Pelo menos, poucos são os Concursos no Espírito Santo que conseguem ter mais de 500 concorrentes. E um Concurso de Trovas chegou a ter mil. Foi no ano passado quando se propuseram três temas: Vitória, Anchieta e Capixaba ( … ) Trovadores de todo o Brasil se reuniram no Concurso e depois diversos outros Concursos foram feitos.” O CTC é uma entidade conhecida Internacionalmente.

A União Brasileira de Trovadores é uma entidade brasileira dedicada ao cultivo e à divulgação da trova, fundada em 1966 pelo poeta Luiz Otávio no Rio de Janeiro. A UBT é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no Estado. De 1966 a 1970 Clério José Borges integrou a UBT – União Brasileira de Trovadores, seção de Vila Velha e Vitória, sendo Clério José Borges, o Terceiro Presidente, de 1968 a 1969. A UBT tinha como Delegado no ES, o Professor José Augusto de Carvalho, que fez a Convocação e promoveu a primeira Eleição sendo eleito primeiro Presidente, o saudoso Poeta Zedânove Tavares Sucupira, falecido em 2016, tendo Clério permanecido no Conselho Fiscal. O Segundo Presidente foi o Contador e Poeta, saudoso Geraldo Nascimento, já falecido e conhecido como GERNAS, sendo Clério José Borges, Vice Presidente de Cultura. Em 1969 Clério José Borges foi eleito Presidente, tendo realizado uma administração com várias promoções, inclusive um Concurso de Trovas a nível Nacional com o tema Pelé (Jogador de Futebol) e dois Júri Simulado (um em Vila Velha e outro em Cachoeiro de Itapemirim), sobre a existência de plágio ou identidade de idéias numa Trova. Clério permanece à frente da UBT até 1971, quando é convocada nova eleição tendo sido eleito e assumido a Presidência, o Poeta Edson Faioli. Edson, por questões profissionais acaba desistindo, não promovendo reuniões e nem eventos e, meses após, a UBT Vitória – Vila Velha se torna inativa.

NOMEAÇÃO – Com o surgimento do CTC em 1980, o próprio Clério José Borges mantém contatos com a UBT Nacional e, em documento assinado em data de 1º de Janeiro de 1981, pelo Presidente da UBT Nacional, Carlos Guimarães, Clério José Borges é nomeado Delegado da UBT – União Brasileira de Trovadores em Vitória – ES. De imediato para divulgar a entidade, cria o Jornal Mimeografado “ESTANDARTE”, Órgão de divulgação da UBT – Vitória, tendo sido publicados 5 números, com Tiragem de 300 Exemplares cada edição. Clério permaneceu no cargo até 30 de março de 1981, quando foi fundada a Seção de Vitória da UBT, tendo sido eleito seu primeiro Presidente, o Dr. Carlos Dorsch. Na ocasião participou da eleição do Dr. Carlos Dorsch, o Poeta Trovador Matusalém Dias de Moura. Dois anos depois, terminado o mandato do Dr. Dorsch, por falta de pessoas interessadas, a entidade tornou-se inativa. O CTC, Clube dos Trovadores Capixabas dominava o movimento dos Trovadores, nos municípios da Grande Vitória, não havendo interessados em participarem da UBT, embora Clério José Borges, Carlos Dorsch e Joubert de Araújo Silva tivessem oferecido a Presidência da UBT Vitória a diversos Trovadores. Como delegado da UBT em Vitória, Clério cria um Jornal Mimeografado “Estandarte”, o qual passa a ser enviado para as seções da UBT em todo Brasil. Como Delegado em Vitória, Clério estimula os Trovadores a criarem as seções da UBT na área dos Municípios da Grande Vitória. Consegue a nomeação de Andrade Sucupira como Delegado da UBT em Vila Velha. Em seguida, Clério como delegado da UBT em Vitória organiza no dia 30 de março de 1981 a reunião de fundação da UBT em Vitória, tendo sido escolhido e eleito Presidente o Advogado, Carlos Dorsch. Compareceram e fizeram parte da primeira Diretoria da UBT Vitória, os Poetas, Eurídice de Oliveira Vidal, Elmo Elton, Clério, Argemiro Seixas Santos, Matusalém Dias de Moura, Luiz Carlos Braga Ribeiro, Albércio Nunes Vieira Machado, Fernando Buaiz e Vicente Nolasco Costa. A segunda seção da UBT no Espírito Santo foi fundada no dia 25 de Abril de 1981 na cidade de Vila Velha, sob a presidência da professora Valsema Rodrigues da Costa e as demais funções da Diretoria distribuidas entre os seguintes Trovadores: Erasmo cabrini, Rosalva Fávero, Irene Ramos, Argentina Lopes Tristão, Vicente Costa Silveira, Solange Gracy Barcelos, Tânia Mara Soares, Verany Maria de Souza, Julieta Lobato Barbosa, Aldinei Fraga de Carvalho e Inis Brunelli. Em seguida foram criadas representações da UBT. Nealdo Zaidan passa a ser o Delegado da UBT no Município de Cariacica, que faz parte da Grande Vitória. Anselmo Gonçalves foi nomeado Delegada da UBT no Município da Serra e Byron Tavares em Cachoeiro de Itapemirim. As entidades passam a manter Jornais Informativos divulgando as atividades, concursos, as Trovas e os Trovadores e, a animação era grande. A movimentação ao longo dos anos foi esmorecendo até que por volta de 1990 já não existia nenhuma Seção e Delegacia em atuação na Grande Vitória.

A origem da Poesia Trovadoresca Medieval (que não pode ser confundida com a trova-quadra moderna nem a daqueles tempos recuados) perde-se no tempo, contudo foi a criação literária que mais destaque alcançou entre as formas poéticas medievais, originárias de Provença, Sul da França. Expandiu-se no século XII por grande parte da Europa e floresceu por quase duzentos anos em Portugal, França e Alemanha. O Trovador Medieval representava a glorificação do amor platônico, pois a dama que era a criatura mais nobre e respeitável da criação, a mulher ideal, inacessível para alguns, passava a ser a pessoa a quem o referido Trovador endereçava os seus líricos versos. Os primeiros Trovadores Modernos a fazerem Trovas sistematicamente para publicação surgiram no século passado em Espanha e Portugal, na esteira dos folcloristas que as recolhiam em meio ao povo. Sobre a gênese (Gênese: Origem; Criação) da Trova Medieval, ela faz parte do folclore na Idade Média. Os historiadores consideram a época certa do surgimento da Trova Medieval, entre 1.100 e 1.300, quando autores Espanhóis e Portugueses utilizavam como recurso auxiliar, composições poéticas hoje reconhecidas como formas das primeiras manifestações “trovadorescas” (ou seja, da trova medieval) de que se tem conhecimento. A Trova que passou a pontilhar na Literatura da Espanha e Portugal, propagou-se pelos países surgidos das conquistas dessas potências marítimas, chegando, pois à América Latina e ao Brasil. A verdade é que o período folclórico da Trova sempre se revitalizará enquanto existirem propagadores do ato do recitar nas festas em família e das brincadeiras de roda. Há de se considerar, também, acontecimentos como a extraordinária popularidade da Trova, que contrariamente ao esperado, constitui-se num fator que alguns consideram negativo para o seu real aproveitamento na Literatura, uma vez que, antigamente, o que vinha do povo era rejeitado pela nobreza, que manipulava a elite intelectual da época.

Ainda hoje, alguns homens de letras, que, privados de sensibilidade poética, se recusam a reconhecer o valor da Trova, a consideram coisa “cafona”, indigna de um verdadeiro intelectual. Uma ojeriza de uma “pseudo-elite” minoritária. Em entrevista publicada no Jornal “A Gazeta”, de 13 de Julho de 1981, Ediução do Caderno Dois, em reportagem com o título, “Clube dos Trovadores em seu primeiro ano, elege seu Rei e seus Príncipes”, o Professor de Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo, Luiz Busatto, diz sobre a Trova: “É, como uma espécie contida dentro da lírica, das coisas mais fáceis que há na poesia. A gente tem que reconhecer que a Trova é limitada. Ela é muito explorada precisamente porque é mais fácil e mais acessível. O verso heptassilábico é o mais fácil que há. Pode-se até notar que a posição dos versos é bastante simples, das mais comuns que há.” Na mesma entrevista prossegue o professor Busatto sobre o Clube dos Trovadores Capixabas, CTC: “Fundar um Clube de Trovadores é algo que aparece e passa. As próprias pessoas, com o tempo cansam. É de fácil aceitação, mas não vai para frente.” O professor da referida entrevista, estava errado, pois o CTC, já sobrevive a cerca de 37 anos… Talvez o fim do CTC só ocorra mesmo com a morte do seu fundador Clério José Borges de Sant Anna, que desde 1980 mantém acessa a chama do movimento da Trova em Terras Capixabas. Sobre suas colocações sobre a Trova, o professor Busatto é contestado pelo escritor e Trovador Elmo Elton, eleito naquela época, o Rei dos Trovadores Capixabas, tendo destacado: “Não é fácil escrever Trovas, visto que apenas os inclinados para o exercício desse gênero poético sabem como bem realizá-las dentro das normas exigidas à sua correta feitura, já que, caso contrário, tão somente conseguem o que é comum, enfileirar quatro versos sem aquelas características essenciais que conseguem consagrar uma Trova.” Vale aqui lembrar a Trova do Rei dos Trovadores Brasileiros, Adelmar Tavares, que era Acadêmico da Academia Brasileira de Letras:

Ó linda trova perfeita,

que nos dá tanto prazer,

tão fácil, – depois de feita,

tão difícil de fazer.

DIRETORIAS DO CTC O CTC renova sua Diretoria de três em tres anos. Trata-se de uma questão legal. Clério José Borges tem-se mantido como Presidente desde a fundação. Quando foi fundado o CTC tinha Clério como Presidente, José Borges Ribeiro Filho como vice e Luiz Carlos Braga Ribeiro como Secretário e Tesoureiro. Posteriormente, novos Poetas foram surgindo e foram feitas algumas mudanças. O cargo de vice Presidente tem sofrido mudanças ao longo destes pouco mais de 37 anos. O saudoso Professor Narceu de Paiva Filho, a saudosa Poeta Tereza Vitória Monteiro, Cleusa Lourdes Madureira Vidal e Kátia Maria Bóbbio Lima são alguns nomes que já passaram pelo cargo de Vice Presidente do CTC. Nos últimos anos (2016 a 2019) o cargo é exercido por Kátia Bobbio tendo como Secretário Geral o Poeta e historiador João Roberto Vasco Gonçalves. Para efeito histórico, ou seja, para registros históricos, eis algumas Diretorias do CTC ao longo dos anos.
DE 1º DE JULHO DE 1996 A 1º DE JULHO DE 1999: Presidente: Clério José Borges de Sant’Anna; Vice-Presidente: Tereza Vitória Monteiro; Secretário-Geral: Zitomar Rosa de Oliveira; 1º Secretário: Rosilene Rodrigues de Almeida; Bibliotecária: Zenaide Emília Thomes Borges; Tesoureiro Geral: Valdemir Ribeiro de Azeredo; 1º Tesoureiro: Adir Ribeiro.
DE 1º DE JULHO DE 1999 A 1º DE JULHO DE 2002 E DE 2002 A 2005 (Dois Mandatos): Presidente: Clério José Borges de Sant’Anna; Vice-Presidente: Kátia Maria Bóbbio Lima; Secretário-Geral: Zitomar Rosa de Oliveira; 1º Secretário: Cleusa Lourdes Madureira Vidal; Bibliotecária: Zenaide Emília Thomes Borges; Tesoureiro Geral: Valdemir Ribeiro de Azeredo; 1º Tesoureiro: Adir Ribeiro. Diretoria: Moacir Malacarne; Pedro Maciel da Silva e Tereza Vitória Monteiro.
DE 1º DE JULHO DE 2005 A 1º DE JULHO DE 2008 E DE 2008 A 2011 E DE 2011 A 2014 (Três Mandatos): Presidente do CTC: Clério José Borges / Vice-Presidente: Cleusa Lourdes Madureira Vidal / Tesoureiro: Valdemir Ribeiro Azeredo. Secretário: Zitomar Rosa de Oliveira. Diretora de Eventos: Poeta Shirlei Aparecida de Abreu Aragão, Diretores Culturais: Kátia Maria Bóbbio Lima – Sandra Geralda Amorim Bunges – Andrade Sucupira Filho – Edson Constantino – Moacyr Malacarne – Pedro Maciel da Silva, Repentista Ceará – Albércio Nunes Vieira Machado – Amarildo Valadares – Alzeny Ribeiro – João Carlos de Souza Nunes – Maria da Penha Frinhane – Ananias Novais
DE 1º DE JULHO DE 2014 A 1º DE JULHO DE 2017: Presidente: Clério José Borges de Sant’Anna; Vice-Presidente: Kátia Maria Bóbbio Lima; Secretário-Geral: João Roberto Vasco Gonçalves; 1º Secretário: Zenaide Emília Thomes Borges; Bibliotecária: Andréia da Silva Fraga; Tesoureiro Geral: Adir Ribeiro; 1º Tesoureiro: Clérigthom Thomes Borges. Diretoria de Cultura: Cleusa Lourdes Madureira Vidal Diretora Social: Magnólia Pedrina Sulvestre.

SEMINÁRIOS NACIONAIS DA TROVA Os Seminários Nacionais da Trova foram realizados anualmente na primeira semana de Julho, de 1981 ao ano 2000, no Estado do Espírito Santo, pelo Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. Os Seminários do Espírito Santo (sempre organizados por Clério José Borges), provocam no Movimento Trovista Nacional uma efervescência de tal ordem que no Terceiro, foi fundada a 2 de Julho de 1983, uma Federação Brasileira de Entidades Trovistas, a FEBET presidida por Eno Teodoro Wanke. O primerio Seminário do CTC foi realizado em Julho de 1981, em Vila Velha – ES, para comemorar o 1º aniversário do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, fundado a 1º de Julho de 1980. Do 1º ao 10º, os seminários foram realizados na Grande Vitória. O 10º Seminário foi realizado no interior do Palácio do Governo do Estado do Espiríto Santo. O Décimo Seminário por deferência especial do então Governador Max Freitas Mauro, o Seminário foi realizado no interior do Palácio do Governo do Estado, na sede de Vitória. Na solenidade de abertura realizada no Salão térreo do Palácio Anchieta, a Banda de Música “Estrela dos Artistas”, por indicação de Naly da Encarnação Miranda fez uma apresentação especial. Em 1991, o Décimo-primeiro foi realizado em Ibiraçu. O evento teve total apoio do Prefeito Marcus Antônio Vicente e do Trovador local, hoje já falecido, Narceu de Paiva Filho, então Vice-Presidente do CTC. Em 1992 o Seminário foi em Afonso Cláudio. O evento foi prestigiado pelo Prefeito Methódio José da Rocha e pelo Sr. José Saleme, representante da Fundação Jônice Tristão, que mantém na cidade o Centro Cultural, uma Biblioteca e uma Casa de Cultura. Em 1993 o Seminário foi em Guarapari. A então Prefeita Morena Espíndula compareceu na solenidade de abertura. Em 1994 o Seminário foi em Linhares, tendo coordenação de Cleusa Vidal e Isabel Taquetti, sendo destacada a participação do Prefeito José Carlos Elias. Em 1995, o Décimo-quinto Seminário foi realizado em Domingos Martins, com total apoio da Secretária Municipal de Turismo, Diomedes Maria Caliman Berger, do Prefeito Alfredo Meyer e do Deputado Estadual, Lourival Berger. No último dia foi realizada a Missa em Trovas na Praça Principal de Domingos Martins e contou com a presença do Exmo. Sr. Governador do Estado, Dr. Vitor Buaiz. Em 1996 o Décimo Sexto Seminário foi realizado no Clube Riviera, na Praia de Jacaraípe. O 17º Seminário em Julho de 1997 foi realizado com sucesso na cidade de Conceição da Barra. O 18º Seminário foi realizado em Vila Velha, o 19º na cidade de Anchieta e o 20º e último Seminário Nacional da Trova foi realizado com sucesso na Cidade de Domingos Martins, onde já havia sido realizada uma edição do evento em 1995. No ano 2000, na Cidade de Domingos Martins, quando Clério José Borges anunciou o fim dos Seminários, informando que o CTC realizaria nos anos seguintes o mesmo evento com outro nome. Agora denominado Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores, sem obrigação de ser um evento anual e podendo ser realizado em cidades do Espírito Santo ou mesmo em outro Estado do Brasil, com Palestras, Apresentação de teses, Exposição de Artistas Plásticos, Shows Musicais, Troveata (Desfile dos Poetas congressistas), Serenata e Missa em Trovas.

CONGRESSOS DE TROVADORES. Os Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores sem uma regularidade e, em cidades diferentes e quando fosse possível. O Congresso é um evento cultural aberto ao público, sendo liberada a participação de estudantes, professores, admiradores da poesia e da trova, mesmo não sendo poeta, escritor ou trovador. O que vale mesmo é gostar de poesias, trovas e da boa música de serenata. As inscrições são totalmente gratuitas, sendo o evento liberado também para Grupos da melhor idade. Os primeiros Congressos foram realizados no Município da Serra, em Nova Almeida, com boa participação de público e apoio das autoridades locais. ILHA DE PAQUETÁ – Nos dias 13, 14, 15 e 16 de Julho de 2006, foi realizado na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro o Quarto Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores, presidido por Clério José Borges, com ajuda das professoras Lúcia Mattos, Creuzely Ferreira, Cleusa Madureira Vidal e do Artista Plástico Licurgo da Silva Tadeu Neto, que infelizmente cerca de vinte e pouco dias após o término do evento veio a falecer. SANTA TERESA – O VI Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores foi realizado durante três dias com início no dia 07 de Novembro de 2008 e encerramento com uma Missa em Trovas no Domingo, dia 09, na localidade de Barracão de Petrópolis, na Escola Agrícola Federal de Santa Teresa, região localizada a aproximadamente 98 quilômetros de Vitória. O evento foi realizado com apoio da Diretoria da EAFST – Escola Agrícola Federal de Santa Teresa, com apoio da professora Walkyria e o Poeta Miguel Trancoso. VITÓRIA, ES – Em 2012 era realizado o IX Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores no Centro de Vitória, na Escola de Teatro, Dança e Música FAFI. GUARAPARI, ES – O Congresso de 2015 foi realizado do dia 1º a 3 de julho, nas instalações do Clube Siribeira na Cidade Saúde de Guarapari. 2016 – CASTELO;

Em 1981, Clério resolveu comemorar o primeiro aniversário do CTC, a 1º de Julho de 1981, com um Seminário. Foram convidados diversos Trovadores do Brasil inteiro, inclusive J. G. de Araújo Jorge, então Deputado Federal em Brasília, que não pode comparecer pois não gostava de viajar de avião. Compareceram de fora uma Delegação de Campos ( Walter Siqueira, Alves Rangel e Constantino Gonçalves ), J. Silva ( da UBT Nacional ), Rodolfo Coelho Cavalcante, de Salvador e Eno Teodoro Wanke, que compareceu com a esposa à sessão de encerramento. Na ocasião, Wanke fez uma palestra onde, em certa frase, dizia estar a UBT “encastelada em sua Torre de Marfim”. O Sr. J. Silva reclamou e a discussão se acirrou, com intervenções de Andrade Sucupira e outros. O Seminário teve grande repercussão. Rodolfo e o casal Wanke ficaram hospedados em casa da Trovadora Argentina Lopes Tristão e Eno aproveitou para gravar informações destinadas a completar a biografia de Rodolfo, que posteriormente lançaria num livro denominado “Vida e Luta do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante.” Rodolfo decidiu fundar o Clube Baiano de Trova, tão logo chegasse a Salvador, o que efetivamente fez.

Durante 20 anos inúmeras promoções foram realizadas, dentre Concursos de Trovas; Palestras; Troveatas ( Desfile dos Trovadores ); Missa em Trovas, atingindo milhares de pessoas no Espírito Santo e no Brasil já que o exemplo do CTC, com suas palestras e Seminários espalhou-se pelo Brasil, surgindo Convenções, Simpósios, Congressos e Encontros Nacionais em todo o país: Brasília; Porto Alegre; Rio de Janeiro; São Paulo; Salvador; Recife; Olinda; Petrópolis – RJ; Corumbá – Mato Grosso do Sul; Magé – RJ; Maringá, PR; Porto Velho, Rondônia; Timóteo – MG e Magé – RJ. Segundo Eno Teodoro Wanke: “Durante sete anos o Seminário de Vitória foi um farol solitário iluminando o Trovismo. Chegou-se a suspeitar que seria sempre assim… Mas não. Em Outubro de 1987, a rotina foi de novo rompida e outro foco de luz surgiu no Nordeste do país. Alba Tavares Correia, Presidente do Clube de Trovadores da Associação de Imprensa de Pernambuco, realizou com absoluto êxito, o 1º Simpósio Nacional do Dia da Trova em Olinda, Pernambuco. E 1988, proclamado o Ano Adelmar Tavares por ser o centenário do seu nascimento, assiste a uma verdadeira explosão de encontros. As cidades de Timóteo ( no Vale do Aço mineiro ), Rio de Janeiro e Porto Alegre entram no páreo, cada uma delas com seu encontro, ampliando, assim, as oportunidades para que os Trovadores locais ou regionais possam assistir e contribuir com sua parcela de idéias. Em 1989, mais duas cidades se incorporam à programação regular: Petrópolis ( em Janeiro ) e a longínqua Porto Velho, Capital de Rondônia, em Março.” De 1989 a 1997 outros eventos são realizados em São Paulo; Rio de Janeiro; Brasília; Salvador, na Bahia; Recife e outras cidades, ampliando-se os horizontes do Movimento Neotrovista.

A Trova firma-se pois na Literatura Brasileira formando um grande movimento poético, o Trovismo, hoje denominado Neotrovismo. O Escritor Jorge Amado em entrevista a Maria Thereza Cavalheiro, Jornalista e Trovadora de São Paulo, diz: “Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.” Esta frase é amplamente divulgada pela FEBET e pelo CTC. As reuniões do CTC são na casa do Presidente Clério Borges, em Eurico Salles – Serra.


 
Bibliografia

1. BORGES, Clério José – O Trovismo Capixaba – Editora Codpoe – Rio de Janeiro, 1990. 80 páginas. Ilustrado.2. Literatura Brasileira – Willian Roberto Cereja e Thereza Analia Cochar Magalhães – Editora Atual. São Paulo – 1995.3. Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa – José de Nicola e Ulisses Infante – Editora Scipione. São Paulo – 1995.4. Textos e matéria dada em sala de aula para 1° e 2° ano do 2° grau nos anos de 1996 e 1997 pelo professor Ádino, no Colégio WR.5. Coleção Objetivo – Literatura I e II (Livros 26 e 27) – Prof. Fernando Teixeira de Andrade – Editora Cered. São Paulo.6. Ana Cristina Silva Gonçalves – Texto na Internet.7. A TROVA – Eno Theodoro Wanke – Editora Pongetti, 1973 – Rio de Janeiro – 247 páginas.

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